terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um falou na pachacha, outro mostrou o pirilau

Se me pedissem para escolher o episódio, o facto, o momento, mais marcante, mais memorável, e mais determinante da – verdadeiramente espantosa – eleição presidencial nos EUA de 2016 (e foram tantos!), que de facto começou em 2015 com as primárias nos Partidos Democrata e Republicano, e que, compreensivelmente, para uns foi a «melhor de sempre» e para outros foi a «pior de sempre», eu diria que…
… Teria de ser a divulgação da conversa, tida em 2005, entre Donald Trump e Billy Bush (primo de George W. e de Jeb), registada aquando da gravação de uma emissão do programa «Access Hollywood», e que incluiu afirmações – supostamente off-the-record – de índole sexual de gosto muito duvidoso por parte do candidato republicano, em especial a de que, quando se é famoso, se pode «agarrar as mulheres pela pachacha» («grab them by the pussy»). Curiosamente, não foi a NBC, estação a que pertence o referido programa e também, refira-se, «O Aprendiz», que o agora presidente-eleito apresentou durante 14 temporadas, que revelou inicialmente a gravação, mas sim o Washington Post, que, decidida e definitivamente, confirmou a sua principal vocação – a de (tentar) desestabilizar e derrubar presidentes e candidatos do GOP desde 1974… não por acaso, o jornal agora possuído por Jeff Bezos, o fundador da Amazon, recomendou o voto em Hillary Clinton. A seguir ao choque, duas perguntas cruciais surgiram. Primeira, seriam declarações (muito) polémicas com 11 anos, e não as mais recentes, que finalmente terminariam a sua candidatura e o seu sonho de se tornar presidente dos EUA? Já sabemos que não… Segunda, porque é que a dita «conversa de balneário» não foi tornada pública antes… mais concretamente, durante as primárias do Partido Republicano? Não é difícil a resposta: porque se partiu do pressuposto (errado) de que ele seria o «elefante» mais fácil de vencer, decidiram guardar esta «bomba» até ficar confirmado que Trump seria o nomeado pelo GOP e ser determinado qual o momento em que ele estaria alegadamente mais vulnerável…
… E que acabou por ser o dia 8 de Outubro (exactamente um mês antes da votação final), ou seja, a seguir ao primeiro debate (a 26 de Setembro) com Hillary, em que ele, indubitavelmente, não foi o melhor, e na véspera do segundo! Tudo parecia irremediavelmente perdido… Porém, Donald acabou por (conseguir) fazer o que John Nolte, comentador, crítico de cinema (e ex-realizador), e uma das mais mentes mais corajosas, lúcidas e hilariantes do actual cenário cultural norte-americano, sugeriu: reiniciar a corrida em seu benefício. E foi o que ele fez: talvez encorajado pelo triunfo do seu «running mate» Mike Pence no debate com Tim Kaine entre candidatos a vice-presidente, emitiu um sincero pedido de desculpas (algo muito difícil para ele!) por palavras ditas mais de uma década antes, e venceu não só o segundo debate mas também o terceiro (a 19 de Outubro). E venceu a eleição… De nada valeram, pois, as – previsíveis e hipócritas – manifestações de choque, de desagrado, de reprovação por parte de muitos «progressistas» perante a linguagem utilizada – 11 anos antes, repita-se – por Trump. Quantos foram os que a usa(ra)m também, e/ou não mostra(ra)m indignação quando amigos e «camaradas» seus a usa(ra)m? Michelle Obama, que afirmou ter ficado «abalada até ao cerne» («shaken to the core») com o que Trump disse, não sente o mesmo quando ouve o mesmo – ou até pior – vocabulário por parte dos seus amigos Jay Z, Beyoncé, Common, e outros artistas similares? E que dizer de Lena Dunham, outra das mais notórias «celebridades» que apoiaram Hillary, que revelou ter abusado sexualmente da irmã, que enunciou «os cinco cenários em que se pode agarrá-las pela pachacha», e que, com a ex-secretária de Estado, especulou animadamente sobre as características do pénis de Lenny Kravitz?..
… E, principalmente, que dizem os democratas de uma candidata que tem como marido um homem que, mais do que falar em «agarrá-las pela pachacha», de facto o fez, e ainda outras agressões sexuais – incluindo a mulheres que, ao contrário do que Nuno Gouveia afirmou, nunca foram «amantes» dele - que a esposa não admitiu, e que, pior, por causa dessas agressões perseguiu as vítimas? Não é segredo nem novidade que Bill Clinton, durante décadas, andou a mostrar – e a introduzir – o pirilau a/em centenas de mulheres (com algumas consensualmente, sem dúvida)… mas, que se saiba, sempre em privado… o que não foi o caso de Barack Obama em pelo menos uma ocasião. Quatro dias depois do «PussyGate» ter eclodido, foi divulgada (a versão integral de um)a gravação feita pela CNN em 2008 que mostra o então senador pelo Illinois e candidato pelo Partido Democrata à presidência dos EUA num avião… e a exibir uma erecção. Porque é que só oito anos depois, e já quando nenhum efeito negativo tal poderia ter na eleição – e na reeleição – do Sr. Hussein, é que este registo audiovisual é tornado público? A resposta, evidentemente, não é muito difícil de adivinhar…
… E, continuando a falar em indecências captadas em vídeo, talvez seja depois de Barack Obama deixar a Casa Branca que o Los Angeles Times irá finalmente mostrar a gravação que tem de um evento de homenagem, realizado em 2003, ao activista palestiniano, anti-semita e anti-israelita, Rashid Khalidi, em que o Sr. Hussein participou. É muito provável que se trate de algo bem mais chocante do que as «partes pudendas» de BHO.   

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Distorções portuguesas (Parte 3)

(Uma adenda no final deste texto.)
Em Portugal (quase toda) a comunicação social encarou e abordou as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos da América do mesmo modo como aborda a actualidade política daquele país em geral e em permanência: antagonizando o Partido Republicano e os membros (e os candidatos) deste e favorecendo o Partido Democrata e os membros (e os candidatos) deste. Logo, o repúdio, quando não a repulsa, que vários «jornalistas», analistas, comentadores nacionais manifesta(ra)m contra Donald Trump, antes e depois da sua vitória, também é o resultado da adulação, quando não da adoração, que sentem por Barack Obama… e por Hillary Clinton. Pelo que, como já escrevi antes, (ou)viu-se alguns «a fazerem as figuras mais tristes, mais ridículas, mais histéricas, a dizerem e a escreverem os maiores disparates»…
… E em nenhuma outra entidade-espaço-instituição deste país isso terá sido mais evidente do que no grupo Impresa. Tenho indicações, registos, de pelo menos quatro exemplos que o comprovam: a revista («E») do jornal Expresso de 29 de Outubro, com uma fotografia de Hillary Clinton e o destaque para um artigo de Clara Ferreira Alves - «”Yes She Can” – Hillary Clinton está prestes a fazer história quando a 8 de novembro (sic!) se tornar a primeira mulher eleita Presidente dos Estados Unidos da América»; antes e durante (d)o dia 8 a cobertura «noticiosa» deficiente, incompetente, tendenciosa da eleição nos EUA feita pela SIC, segundo o relato de Pedro Correia no Delito de Opinião; o artigo de Mafalda Anjos, «diretora» (sic!) da revista Visão, intitulado «Trump presidente? Merda, merda, merda!» - escrito na madrugada de 9 de Novembro depois de «uma noite em claro, milhares de caracteres para o lixo e toda uma edição alterada em meia dúzia de horas por uma equipa de luxo de 12 pessoas que resistiu até ao amanhecer»; também no dia 9, na SIC Online, a «notícia» que «informava» que «americanos protestam contra eleição de Trump» - do que se pode deduzir que ou até os que votaram nele protestaram, ou que foram só estrangeiros a elegê-lo...
Infelizmente, e como seria de prever, no Público também abundaram os exemplos de uma abordagem, digamos…. desequilibrada ao escrutínio nos EUA e aos seus dois protagonistas principais. Em 2012 contactei aquele jornal e, para além de uma «troca de URL’s», disponibilizei-me para dar uma outra perspectiva, mais abrangente e completa, da política norte-americana; porém, e apesar de, desde então, ter regularmente renovado a minha oferta, a minha participação não foi requerida, e as consequências são visíveis: a 23 de Outubro, saía a notícia «Trump vai processar mulheres que o acusam, Clinton prefere falar do que vai fazer se for eleita»… um dia depois de o candidato republicano ter apresentado o seu «Contrato com o votante americano»; a 29, «Ministério Público brasileiro investiga negócios de Donald Trump»… ao mesmo tempo que, nos EUA, era sabido que o FBI decidira reabrir a investigação ao servidor privado de Hillary Clinton; entretanto, artigos de opinião como «A Europa dificilmente sobreviveria (sobreviverá) a Donald Trump», de Teresa de Sousa, «Medo. De Trump», de David Dinis (actual director do jornal), ambos publicados antes da eleição, «O triunfo dos porcos», de José Vítor Malheiros e «Trump abriu a toca aos guerreiros arianos», de Bárbara Reis (anterior directora do jornal), publicados depois, não contribuíram propriamente para um esclarecimento equilibrado, racional e sensato sobre aquela, nem para a consolidação da credibilidade do Público, em especial na área internacional…
Obviamente, nem só de alusões deficientes e deturpadas se fizeram, e se fazem ainda, as (muitas) distorções portuguesas da realidade política norte-americana. Estas também podem tomar a forma de omissões. Como a praticada por João Lopes, jornalista (do Diário de Notícias), crítico de cinema, comentador de cultura… e (grande) admirador de Madonna, mas que decidiu não mencionar, no seu blog Sound + Vision (em que tem como parceiro Nuno Galopim), que a cantora de «Like a Virgin» decidira oferecer fellatios a todos os votantes de Hillary Clinton – uma promessa que, no entanto, ela decidiu não cumprir depois do dia 8; um «lapso» tanto mais surpreendente por JL repreender frequente e veementemente programas do tipo «reality show» como «Casa dos Segredos», da TVI, e a sordidez que lhes é característica, a sua «desoladora rotina (…) (onde) tudo é sexo. Sexo mecânico. Sexo instrumental e instrumentalizado. Sexo, dizem eles, para fazer espectáculo e “entretenimento”. Triunfou mesmo a ideia (?) segundo a qual quando mais se aviltar a nobreza do factor humano, mais “entretidos” estão os espectadores». Incrivelmente, o primeiro texto de João Lopes sobre Madonna publicado no S + V depois de aquela ter alardeado a sua generosidade… oral consistiu numa citação de uma mensagem da artista no Instagram, feita no dia 6, e em que ela, alertando para os supostos perigos de um triunfo de Trump, avisava que «isto não é um reality show»!        
Se já é suficientemente mau produzir e divulgar (pequenas) peças, sejam textuais sejam audiovisuais, garantindo que a vitória de Hillary Clinton é indubitável, ou que, afinal, tendo Donald Trump triunfado, o fim do Mundo está próximo, que dizer quando livros são feitos baseados nessa errónea premissa? As primeiras ainda podem ser «jornalisticamente» corrigidas, contextualizadas, esquecidas… apagadas; mas que fazer dos segundos e das suas centenas, quiçá milhares, de páginas já impressas? Por mais espantoso que isso possa parecer… e ser, dois livros foram publicados em Portugal em 2016 na assunção de que a candidata do Partido Democrata seria a próxima presidente dos EUA.
Um é intitulado «Administração Hillary» e foi escrito por Bernardo Pires de Lima e Raquel Vaz-Pinto. À editora da obra enviei três mensagens. Primeira, a 24 de Outubro: «Permito-me fazer uma correcção ao que está na página de apresentação, no sítio na Internet da Tinta da China, do livro "Administração Hillary", mais concretamente, que a esposa de Bill Clinton “foi a primeira mulher a concorrer à Casa Branca” - o que não é, obviamente, verdade.». Segunda, no mesmo dia: «Enquanto aguardo a vossa resposta (e/ou confirmação de que receberam a mensagem anterior), aproveito para fazer outra observação sobre o mesmo assunto... Se o erro que apontei - o de Hillary Clinton ser apresentada como “a primeira mulher a concorrer à Casa Branca” - apenas está na respectiva página da Internet, isso não é (muito) grave e pode ser corrigido sem prejuízos de maior; porém, se está igualmente patente no livro, ou seja, em centenas ou mesmo milhares de exemplares em papel, então tal falha é seriamente preocupante e põe (ainda mais) em causa a credibilidade de toda a obra - na verdade, se os autores claudicaram em algo de tão básico, quem garante que não existirão incorrecções adicionais? Evidentemente, poder-se-ia começar por questionar a decisão de publicar um livro que como que dá por garantida a vitória da candidata democrata... antes de a eleição se realizar.». Terceira, a 9 de Novembro: «Sou forçado a concluir, infelizmente, que da parte da Tinta da China não há interesse - e um mínimo de boa educação - em responder às mensagens de alguém que é, também, um vosso cliente e consumidor - na verdade, já adquiri livros editados por vocês... Porém, não deixo de enviar uma (derradeira?) mensagem sobre o assunto: agora que se sabe que foi Donald Trump quem venceu a mais recente eleição presidencial nos EUA, qual vai ser a abordagem comercial que irão adoptar com o livro “Administração Hillary”? Ficção científica no sub-género história alternativa... ou distopia? Já agora, se estiverem interessados, tenho um romance nesse âmbito para o qual procuro editor(a)... ;-)» Aparentemente, a minha sugestão terá sido seguida, pois agora o livro, na respectiva página no sítio da TdC, é apresentado deste modo: «Como seria o Mundo se a mulher que concorreu à presidência dos EUA tivesse vencido as eleições»! É de notar, no entanto, que eu não fui o único a brincar com este extremamente infeliz (?) projecto literário…
O outro livro marcado por uma «efabulação precoce» é intitulado «Hillary Clinton – Nunca é Tarde para Ganhar», e foi escrito por Germano Almeida, meu «colega» na blogosfera com especial enfoque nos EUA – o seu blog, Casa Branca, é apenas dois meses mais antigo do que o Obamatório. Os seus dois anteriores livros, ambos sobre Barack Hussein Obama, foram publicados – também pela PrimeBooks – depois de o presidente cessante ter vencido as eleições de 2008 e de 2012, respectivamente… e teria sido preferível que ele tivesse aguardado igualmente o desfecho da de 2016. De facto, e em retrospectiva, não foi propriamente muito sensato publicá-lo prematuramente… e com a seguinte sinopse: «Hillary Rodham Clinton concretizou o sonho da sua vida e é a primeira mulher a chegar à Presidência dos Estados Unidos. Este livro traça-nos o perfil desta mulher singular e obstinada, conta-nos o seu percurso, ideias e paixões e revela ainda pormenores essenciais da corrida eleitoral mais imprevista das últimas décadas nos Estados Unidos da América.» O («pequeno») problema de ter sido lançado antes de a «corrida eleitoral mais imprevista das últimas décadas» nos EUA ter terminado é que, por causa disso, não incluiu o pormenor mais essencial e mais imprevisto: o resultado final dessa corrida, ou seja, a vitória de Donald Trump. Por isso, o debate que decorreu na FNAC Chiado a 21 de Novembro e que teve este livro «como mote para (uma) reflexão alargada sobre este momento de transição na América», reflexão essa que contou com um alegado «painel de luxo, com alguns dos maiores especialistas em política americana do nosso país», mais não foi do que uma – patética – tentativa de «controlo de danos» que resultaram de uma aposta editorial que se revelou desastrosa. Aliás, a inexistência de notícias, de relatos posteriores deste debate parece ser uma confirmação de que os tais «maiores especialistas» não chegaram a conclusões claras e convincentes. Mais valia que tivessem convidado apenas a mim, e eu de bom grado enunciaria e explicaria inequivocamente todas «as razões para o falhanço da candidatura (de) Hillary»…
… Embora não o tenham feito, tal como a Antena 1, Antena 3, CCTV América (?!), Expresso, Jornal de Notícias, Observador, Porto Canal, Rádio Nova, Rádio Morabeza (de Cabo Verde!), Rádio Renascença, RTP 1, RTP 3, TSF e, evidentemente, a TVI, contaram com a colaboração pontual ou permanente de Germano Almeida nas semanas e até meses anteriores à eleição e nenhum destes (e outros) órgãos de comunicação social decidiu solicitar uma vez que fosse o meu contributo. Será interessante ver se a credibilidade do meu «colega» junto daqueles se manterá depois de ele ter assegurado que Hillary Clinton só perderia «em caso de doença ou atentado» e de, depois, ter classificado a perda daquela (sem doença ou atentado) como uma «total surpresa» - para mim não foi – e «uma espécie de 11 de Setembro de 2001 no plano político e social». Entretanto, admito que também estou «preocupado» com a situação de outro meu «colega» de blogosfera, João Luís Dias. E porquê? Porque, depois de ter estado mais de sete meses sem ter publicado qualquer texto no seu Máquina Política, e tendo regressado a 9 de Outubro afirmando que «por esta altura, é já praticamente certo que Donald Trump não virá a ocupar a Sala Oval a partir de 20 de Janeiro do próximo ano», dele não há novidades desde 8 de Novembro, quando anunciou que iria estar nessa noite no Porto Canal a comentar a eleição. Talvez fosse aconselhável pedir a Nuno «Era uma Vez na América» Gouveia, que também reside no Porto, que fosse à procura do João… apesar de ainda não ter «digerido» totalmente a vitória de Donald Trump, muito mais objecto das suas invectivas no Twitter do que Hillary Clinton.
(Adenda – Ainda a tempo, eis mais dois exemplos de portugueses que, a propósito da eleição presidencial nos EUA, revela(ra)m a sua ignorância, a sua imaturidade, o seu sectarismo… claro, são de extrema-esquerda. Uma achava «óbvio» que Donald Trump «não ganha(ria)», e preocupava-se como os eleitores dele iriam reagir – afinal, viu-se, e de que maneira, como é que os votantes (ou nem por isso…) de Hillary Clinton reagiram… com violência e com vigarice. Outro não hesitou em acreditar no que alegava um «tweet» alheio – entretanto, e significativamente, apagado: que Mike Pence afirmara que existiam mulheres que queriam ser violadas para assim poderem fazer abortos – uma calúnia, uma falsidade tão estúpida que foi denunciada e desmentida, entre outros media, pelo Snopes – insuspeito de simpatias por conservadores.)  

domingo, 20 de novembro de 2016

Concentrado de arrogância

Escrevi anteriormente que Barack Obama, ao participar na campanha presidencial que terminou no passado dia 8 (na verdade, já se estava no dia 9) de Novembro com a eleição de Donald Trump, se havia comportado claramente «de uma maneira indigna; fez o que, creio, nunca nenhum outro presidente antes dele fez: participar activa e intensamente na campanha sem estar em causa a sua reeleição. Ronald Reagan não fez isso a favor de George H. Bush, Bill Clinton não fez isso a favor de Al Gore, George W. Bush não fez isso a favor de John McCain.» Passo a demonstrar esta asserção…
… Com afirmações que ele fez nos comícios a favor de Hillary Clinton em que participou. Essas aparições não foram muitas mas destacaram-se pelo excesso retórico e demagógico; pela mais descarada hipocrisia e memória curta; acabaram por constituir como que um concentrado de arrogância, um resumo da fanfarronice, das dualidades de critério que predominaram e proliferaram nestes últimos oito anos, um «catálogo» de insultos e de invectivas que hoje como que formam o «programa político» do Partido Democrata, um «recapitular da (má) matéria dada» desde 2009. Ao defender a sua ex-secretária de Estado, o Sr. Hussein não se limitou a desprezar Donald Trump mas também todos os seus apoiantes e todos os seus (potenciais) votantes, metade dos quais foram (des)classificados como estando num «cesto de deploráveis» pela esposa de Bill Clinton – que, recorde-se, apontara os republicanos como estando entre os seus maiores inimigos, inimigos esses que, lembremos também, em 2010 BHO apelou a que fossem punidos. Aliás, nesta campanha Barack Obama instou a que os republicanos «pagassem o preço» de causarem «bloqueio» («gridlock»), ou seja, de exercerem os seus normais direitos de oposição…     
… E, de facto, neste ano de 2016, as palavras podem ter sido (ligeiramente) diferentes mas o tom foi basicamente o mesmo. O Sr. Hussein acusou DJT, imagine-se: de não respeitar a Constituição por (supostamente) ameaçar encerrar jornais que não dizem o que ele gosta, prender oponentes ou discriminar pessoas de diferentes crenças – tudo actos, note-se, que ele próprio e a sua administração fizeram, ou tentaram fazer, nestes últimos oito anos… além de que, na verdade, ele não conhece verdadeiramente o documento fundamental do país; de empolar a sua própria capacidade em relação à dos seus colaboradores – algo de que BHO também é «culpado». Sobre a intervenção de James Comey e do FBI durante a campanha, o (ainda) comandante-em-chefe assegurou que «não operamos com base em insinuações» (a sério?!). Garantiu que nunca pensou que a república estaria em risco se John McCain ou Mitt Romney tivessem sido eleitos – embora a propaganda dos democratas em 2008 e em 2012 desse a entender o contrário. Queixou-se de que Donald Trump «gasta(va)» muito tempo junto de celebridades» (acaso não há outro homem - um presidente ainda em funções – notório por isso?); alvitrou que Vladimir Putin é «compincha»buddy») daquele – mas quem é que prometeu maior «flexibilidade» ao actual presidente da Rússia? Enfim, que impressionantes – e sucessivos – exercícios de projecção, e que formam como que uma enorme e adequada «catarse» no final do mandato.
Entretanto, e ironicamente, e apesar da (aparente) «paixão» com que a apoiou, não condizente com a circunspecção que se exige a quem ainda exerce funções que são as suas, Barack Obama acabou por dar a entender que o seu entusiasmo por Hillary Clinton não era assim tão grande. Na verdade, antes de ajustar o pódio para ela num dos comícios, dizendo-lhe ao mesmo tempo que estaria permanentemente disponível para ela (caso fosse eleita), e de, pedindo à audiência que «confiassem» nele desta vez, assegurando àquela que o país estaria «em boas mãos» com a ex-secretária de Estado na Casa Branca, o Sr. Hussein declarou que votar na candidata democrata constituía uma exemplo de como por vezes «nem tudo é suposto ser inspirador»! Ao contrario, nitidamente… dele próprio, já que, só em duas acções de campanha realizadas na Flórida, o presidente cessante se auto-referenciou um total de 207 vezes! Também não contribuiu de modo algum para a vitória de Hillary que o seu ex-chefe afirmasse que só «uma mão cheia de pessoas» haviam visto os custos do seus seguros de saúde subirem devido ao «ObamaCare» - na verdade, foram (pelo menos) mais de dois milhões…
Por tudo isto, não pode ter deixado de ser especialmente – aliás, muito, imensamente – constrangedor o encontro entre o Nº 44 e o Nº 45 na Casa Branca, dois dias depois do triunfo do segundo. Mais constrangedor para o primeiro, obviamente, dadas as afirmações que fez, convencido como estava, tal como muitos dos seus «camaradas», que seria impossível haver outro desfecho que não a eleição da esposa de Bill Clinton. Num evidente e bem humorado exagero, Ben Shapiro classificou uma fotografia específica da ocasião como «a melhor da história da Humanidade», também porque nela Barack Obama parecia ter «um poste enfiado tão acima pelo seu recto que o brilho do metal era visível atrás dos olhos dele»! O mesmo é dizer que havia sido submetido a um «tratamento» de humildade depois de tanta arrogância.

sábado, 12 de novembro de 2016

Trump também triunfou… contra Obama

Sim, é verdade, não é mentira, não é um sonho… ou um pesadelo: Donald Trump venceu a eleição presidencial de 2016, derrotando Hillary Clinton, e será o 45º presidente dos Estados Unidos da América, sucedendo a Barack Obama. E o dia 20 de Janeiro de 2017, em que o candidato do Partido Republicano e futuro comandante-em-chefe tomará posse em Washington, não virá cedo demais. 
Foi um resultado, um desfecho, surpreendente, inesperado, chocante? Era impossível, ou pelo menos extremamente improvável, que ele vencesse a - - sem dúvida favorita à partida – candidata democrata? Sim, mas só para aqueles que não sabem, nem querem saber, a realidade, (todos) os factos, o contexto, e a história recente do país, em especial nos últimos oito anos em que o Sr. Hussein tem residido no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia. E são muitos, mesmo muitos, os que em todo o Mundo, nos próprios EUA, aqui na Europa… e em Portugal (sobre isso irei relatar alguns episódios em breve, e será… divertido) não sabem nem querem saber. Bastantes deles estariam mais e melhor preparados se… me lessem, me ouvissem, se estivessem dispostos a conversar comigo. Porém, não o fizeram (apesar dos contactos e dos «convites» que fiz ao longo dos anos), e agora é vê-los a fazerem as figuras mais tristes, mais ridículas, mais histéricas, a dizerem e a escreverem os maiores disparates. É certo que no nosso país as «birras» se limitam, e felizmente, a isso – a dizer e a escrever disparates; no entanto, no outro lado do Atlântico, os disparates também se fazem: muitos dos desiludidos com o resultado da eleição foram para as ruas protestar – invariavelmente em cidades que os «azuis» controlam, como Chicago, Los Angeles, Nova Iorque, Portland – e não se limitam aos gritos e às (absurdas) palavras de ordem: também, repetindo o que fizeram em outras ocasiões, estão a atacar quem pensam ser (correcta ou incorrectamente) apoiantes de Donald Trump e dos republicanos (aliás, há também vários casos desses antes do, e durante o, dia 8), a vandalizar e a destruir propriedade pública, a lutar contra polícias. Não é irónico que aqueles que mais se manifestam contra o «ódio» e a favor da«tolerância» se revelem os mais odiosos e os mais intolerantes? Enfim, não aprendem… continuem assim que apenas irão conseguir que, em futuras eleições, o domínio do GOP em todas as instâncias do poder – local, estadual, federal, nacional – se torne ainda mais esmagador do que já é. Só faltava a Casa Branca… e ela acabou de ser conquistada. Ao mesmo tempo, e contrariando os receios que existiam, manteve-se o controlo do Congresso, as maiorias tanto na Casa como no Senado.  
Reconheço que, para mim (e para duas das minhas filhas, que nos últimos tempos se foram interessando cada vez mais pela política nos EUA, e que me acompanharam), a passagem da noite de 8 para 9 acabou por se tornar uma experiência inesquecível e… muito satisfatória. Ao início, e recordando o que aconteceu há quatro anos em que não esperava, de todo, que Mitt Romney perdesse, agora encarei a situação com mais calma, realisticamente, na expectativa… e disposto, preparado, a enfrentar mais uma derrota daqueles que eu priorizava… o que, felizmente, não aconteceu. Ia dizendo a mim próprio «mais um pouco, e vou para a cama»… mas fui adiando: era viciante acompanhar em tempo real a contagem dos votos, as alternâncias na liderança, os Estados que «caíam» para um lado ou para outro. Particularmente enervante foi – mais uma vez! – a contagem na Flórida. Todavia, assim que se tornou certo que Donald Trump vencera o «sunshine state», tudo se tornou realmente possível… e a confirmação da vitória foi uma questão de tempo. A seguir, e além das vitórias previsíveis em Estados tradicionalmente «encarnados», vieram as – extraordinárias – tomadas de «azuis» como o Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin. Escaparam as habituais «repúblicas socialistas soviéticas americanas» como a Califórnia, Oregon, Washington, Massachusetts, Nova Iorque – o Estado natal do novo presidente, que não dava um à nação desde Franklin D. Roosevelt. Antes das seis e meia fui deitar-me… mas não consegui dormir. Levantei-me antes das oito, a tempo de ver em directo, ao vivo e a cores, o discurso de vitória do novo presidente.
Afinal, Michael Moore adivinhou mesmo o que aconteceu, e este resultado acabou por ser «o maior «fuck you!» registado na história da Humanidade». Eis o ponto crucial: Donald Trump venceu Hillary Clinton porque, por mais e maiores (e, reconheço, indiscutíveis) que sejam as interrogações - e inquietações - suscitadas pela sua personalidade e pelo seu percurso profissional e público, por mais e maiores que sejam as suas insuficiências no estilo e na substância, a sua opositora era, é, indubitavelmente pior. O magnata do imobiliário e milionário não é o responsável «moral» ou material, directo ou indirecto, por centenas, quiçá de milhares, de mortes; não aproveitou um cargo no governo para vender (várias vezes a individualidades e a entidades estrangeiras de incerta respeitabilidade) acesso e favores, enriquecendo a si próprio e à sua «fundação»; não violou leis e regulamentos e não colocou em perigo a segurança nacional ao instalar e utilizar um servidor privado de correio electrónico para tratar assuntos estatais; não beneficiou do colaboracionismo e da batotice tanto do seu próprio partido (que prejudicou o seu principal rival para a nomeação) como d(e uma parte significativa d)a comunicação social (que submetia à sua equipa textos para aprovação e pedidos de pesquisa de candidatos do «outro lado», e revelava perguntas que iriam ser feitas em debates). Não, a esposa de Bill Clinton, corrupta e criminosa, não tem um currículo caracterizado por uma inocente «hilaridade».
Donald Trump, porém, também triunfou contra Barack Obama, talvez o principal derrotado neste sufrágio. O Nº 44 comportou-se de uma maneira indigna; fez o que, creio, nunca nenhum outro presidente antes dele fez: participar activa e intensamente na campanha sem estar em causa a sua reeleição. Ronald Reagan não fez isso a favor de George H. Bush, Bill Clinton não fez isso a favor de Al Gore, George W. Bush não fez isso a favor de John McCain. Ele próprio admitiu que era o seu «legado» que estava em causa e nos boletins de voto… e o resultado significou uma «repudiação» desse «legado». Que ficará como um – muito danoso e dispendioso - «parêntesis» na história dos EUA. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Diplomacia… macia (Parte 4)

(Uma adenda no final deste texto.)
Antecipemos desde já um aspecto - quiçá o fundamental - de um «balanço final» da presidência de Barack Obama… e novamente, pois aqui foi mencionado, de uma forma ou de outra, mais do que uma vez: os oito anos do Sr. Hussein na Casa Branca caracterizaram-se pelo contínuo, «progressivo», enfraquecimento dos Estados Unidos da América. No plano interno, uma economia estagnada, um sistema de saúde sabotado (já não restam dúvidas de que o ObamaCare é tudo menos «affordable»), hostilidade ideológica e racial agudizada, criminalidade aumentada…
… E, no plano externo, uma perda de influência e de prestígio do país em praticamente todos os pontos do globo. Com BHO os EUA deixaram de impor o respeito… e o medo que outrora impunham. A era da «diplomacia macia» começou. E isso, não duvido, foi deliberado. Tudo começou, deve-se recordar, com a «digressão de desculpas» («apology tour») que o Nº 44 iniciou logo a seguir a tomar posse em 2009. E que continuou a fazer ao longo dos quase oito anos seguintes; o mais recente «concerto» desta «tournée» foi em Hiroshima, em Maio último, onde, na opinião de Ben Shapiro, Obama não só pediu perdão ao Japão pelo triunfo na Segunda Guerra Mundial como proferiu «um dos mais repulsivos discursos da história americana». Algo que não surpreende da parte de pessoas que são capazes de «riscar» Jerusalém de Israel em comunicados oficiais. E que têm o descaramento de «celebrar» os 25 anos da independência da Ucrânia depois de nada terem feito para ajudar militarmente aquele país aquando da invasão russa e consequente ocupação e anexação da Crimeia.
Entretanto, mais pormenores escabrosos continuam a ser conhecidos da rendição… perdão, do «acordo» com o Irão relativo a armas e a centrais nucleares – concretamente, que Teerão poderá instalar mais modernas e eficientes centrifugadoras e retomar o desenvolvimento do seu programa de mísseis balísticos. Quanto ao Iraque, e contrariando as garantias do «comandante-em-chefe» de que a guerra acabara, o Pentágono tem vindo a (re)enviar para lá sucessivas levas de soldados, estando o número total actualmente à volta de 6500. Quanto à Síria, desaparecidas há bastante tempo as «linhas vermelhas» que não era suposto serem passadas, resta a Barack Obama alegar que o «aquecimento global» contribuiu para o eclodir da guerra civil naquele país, e permitir que John Kerry volte à mesa das negociações com o seu homólogo russo Sergei Lavrov depois de terem sido feitas acusações de crimes de guerra a Moscovo – devido a bombardeamentos na cidade-mártir de Aleppo que causaram demasiadas vítimas, incluindo em hospitais. É a isto que está reduzida a diplomacia norte-americana perante o Kremlin? Fazer «birras», ameaçar que já não conversa mas, depois, voltar atrás porque percebeu que o interlocutor não irá alterar nem o seu comportamento nem as suas posições? Aliás, as relações com o Kremlin constituem o maior fracasso da diplomacia d(est)a Casa Branca, previsível desde o falhado «reset» de Hillary Clinton e (mais agora, quatro anos depois) visível na tentativa de Obama em ridicularizar Mitt Romney por este considerar o país mais a leste da Europa como o principal rival geoestratégico dos EUA. Desde então não faltaram as oportunidades ao ex-governador do Massachusetts para «rir por último»: uma das mais recentes aconteceu com a acusação, feita pelo Departamento de Segurança Doméstica, que provinham da Rússia os ataques informáticos contra «organizações políticas e sistemas eleitorais estatais» norte-americanos. De qualquer forma, parece ainda não estar no horizonte um pedido de desculpas ao candidato republicano em 2012.
A incompetência internacional e «internacionalista» desta administração tem-se manifestado igualmente em outras ocasiões, algumas hilariantes, outras nem tanto. Por exemplo, pessoas como Marian Tupy, do Instituto Cato, Daniel Hannan e Nigel Farage, ambos deputados europeus, não têm dúvidas de que a interferência directa de Barack Obama no referendo tido em Junho último no Reino Unido sobre a permanência na União Europeia (que o Nº 44 favorecia) foi decisiva para o triunfo do «Brexit» - realçou-se em especial uma declaração do Sr. Hussein garantindo que, em caso de saída da UE, os britânicos iriam para o «fim da fila» em futuros acordos de comércio com os EUA. Outros europeus estão à mercê da arrogância e/ou da ignorância dos «burros»… como os italianos, dos quais o actual primeiro-ministro, Matteo Renzi, ficou a saber, pela boca de John Kerry, e durante uma visita a Washington esta semana, que as «festas de toga» que as fraternidades de alunos realizam regularmente nas universidades são uma prova dos fortes laços entre transalpinos e norte-americanos!
Após quase uma década com um governo a mostrar não saber como lidar nem com aliados e amigos nem com adversários e inimigos, talvez seja aconselhável que o(a) próximo(a) presidente dos EUA inicie uma nova – mas diferente - «digressão de desculpas»… porque Barack Obama deixa(rá) muitos, mas mesmo muitos, motivos de arrependimento.
(Adenda - Hoje, 9 de Novembro de 2016, e após quase três semanas de «silêncio» (o maior enquanto tal aqui no Obamatório desde a sua criação), volto para avisar que... «este blog segue dentro de momentos». Não se tratou claro, de um fim antecipado (eu já esclarecera em que moldes este espaço iria continuar, pelo menos, no próximo ano), mas sim de umas «férias» que concedi a mim próprio para melhor desfrutar os últimos dias desta espantosa, inesquecível... e, ultimamente, jubilatória campanha presidencial de 2016. Obviamente, e como é meu hábito, acompanhei tudo ao pormenor, e recolhi informações e tirei notas que servirão de base a próximos textos. Portanto, e se tiverem paciência para esperar...)     

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O «sexo dos anjos», mais uma vez

É do conhecimento (quase) geral e comum, uma infeliz curiosidade (mais ou menos) histórica: diz-se que em Constantinopla (actual Istambul), não muito antes da tomada daquela cidade em 1453 pelos muçulmanos, vários dos líderes da cidade, religiosos e não só, gastavam grande parte do seu tempo e do seu esforço em fúteis discussões teológicas – em especial sobre se os anjos teriam sexo(s) ou não – em vez de mais e melhor contribuírem para a defesa daquela que era então a capital do império romano (e cristão) do Oriente, e que, após a derrota, passou a ser a mais importante urbe do império otomano e dos seguidores de Alá…  
… E é difícil não pensar neste episódio (lendário?) do passado quando se observa o que ocorre presentemente nos Estados Unidos da América sob (ainda) a liderança de Barack Obama. Porém, há uma diferença, e não é assim tão pequena: neste caso não existe qualquer dúvida de que a actual administração – e os órgãos de comunicação social que, mais ou menos abertamente, a apoia – prefere impor as suas noções de «género», de «identidade sexual» ao país (e sem discussão…) em vez de responder decisivamente às continuadas ameaças dos extremistas islâmicos. Na verdade, parece que do outro lado do Atlântico os atentados terroristas se estão a tornar, se não diários, pelo menos semanais ou quinzenais – alternando, ou até mesmo coincidindo, com motins raciais. E não são apenas os que causam mortos e/ou feridos, como os levados a cabo por Ahmad Rahami (afegão naturalizado, em Nova Iorque e em Nova Jérsia), por Dahir Adan (somali, no Minnesota) e Arcan Cetin (turco, em Washington, que, apesar de estrangeiro, votou por várias vezes… e depois os «burros» afiançam que não existe fraude eleitoral!): «incidentes» menos graves como o ocorrido numa estrada da Califórnia a 1 de Outubro, quando um veterano foi abalroado por um muçulmano, a mais de 150 quilómetros por hora e «em nome de Alá», fazem recear qual é, e qual poderá ser, a verdadeira dimensão de uma jihad que, efectivamente, já se desenrola, latente ou manifesta, de costa a costa.
As reacções, as respostas dos democratas, progressistas e liberais, ao acumular destas ocorrências não mudaram. Ainda recentemente (foi a 23 de Agosto), Joe Biden garantiu – repetindo, aliás, o que Barack Obama já dissera – que o terrorismo não é uma «ameaça existencial». Não é de crer que as vítimas (e os familiares destas) dos ataques acima referidos, perpetrados, poucas semanas depois, por adeptos de Maomé em quatro Estados dos EUA concordem com tal asserção. Nem com a afirmação de John Earnest, porta-voz da Casa Branca, feita na MSNBC, após os atentados dos dois lados do rio Hudson, de que, com o ISIS, «de alguma maneira, esta é de facto apenas uma guerra de narrativas»! Poucas horas depois, Martha MacCallum, da Fox News, perguntou-lhe se as pessoas que haviam ficado com «estilhaços nos ombros» (quando não com balas e feridas de facas em outras partes do corpo) não teriam dificuldade em aceitar que tudo se resumia a «narrativas». Entretanto, em Minneapolis, e logo após o crime cometido por Dahir Adan, tanto a mayor Betsy Hodges como o jornal Star Tribune se pronunciaram, alertando contra a… islamofobia. Esta atitude foi também a tomada em Nova Iorque por Bill de Blasio, que, além disso, se pronunciou – em artigo de opinião escrito e assinado juntamente com os socialistas Anne Hidalgo e Sadiq Khan, respectivamente presidentes das câmaras de Paris e de Londres (cidades que já foram igualmente alvo do terrorismo islâmico) – a favor do aumento do número de imigrantes muçulmanos, com poucas ou nenhumas restrições.
O mayor da «Grande Maçã», não surpreendentemente, tem sido ainda um dos mais destacados «participantes» na moderna discussão do «sexo dos anjos», que nas mentes dos esquerdistas norte-americanos tem preponderância em relação a outros problemas e temas mais candentes: em Maio último ficou a saber-se que ele decidira multar as empresas da cidade – em especial estabelecimentos comerciais abertos ao público – cujos funcionários não se dirigissem aos clientes pelos «pronomes de género» adequados! Obviamente, há outros exemplos extremos em absurdo nesta área. O Departamento de Habitação e de Desenvolvimento Urbano pretendia que «transgéneros» pudessem pernoitar nos lares para sem-abrigos da sua escolha – ou seja, homens que se identificam como mulheres poderiam dormir ao lado de mulheres, e, se estas reclamassem, seriam ignoradas (há que não esquecer que os «azuis» costuma(va)m mostrar-se muito preocupados com a existência de uma alegada «rape culture» nas universidades). E, nas Forças Armadas, continua a emasculação: a Marinha anunciou em Setembro que todos os seus membros irão receber «educação de comportamento transgénero», antecipando e preparando a admissão de indivíduos em transição sexual em Julho de 2017; e, também no passado mês, o Pentágono anunciou que irá pagar, aos militares que o solicitarem, operações de mudança de sexo.
Prova adicional de que as confusões… perdão, opções identitárias estão no topo das prioridades dos democratas é a circunstância de até o candidato deles a vice-presidente parecer estar… afectado. Tim Kaine – que, como se ecoasse os bizantinos de há quase 600 anos, também não acha que a ameaça muçulmana aumentou desde que o Sr. Hussein é presidente – revelou, no debate (da passada terça-feira) com o seu homólogo no GOP Mike Pence, que o seu papel principal será o de «right hand person» de Hillary Clinton. Assumindo-se desde já como uma «pessoa» e não como homem, será provável que, no futuro, veremos o senador da Virgínia de vestido e a querer entrar nos balneários para senhoras? 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Fazer as vidas negras (Parte 2)

No passado sábado, 24 de Setembro, foi inaugurado em Washington o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, ligado ao Instituto Smithsonian. A abertura deste novo espaço de cultura, com tal específico tema, não poderia ter ocorrido em «melhor» momento…
… Mais concretamente, poucos dias depois de Barack Obama – como que confirmando que qualquer líder democrata, independentemente da cor da pele, ainda vê os descendentes dos escravos como obedientes servos de uma «plantação», se não literal então ideológica – ter apelado aos afro-americanos que votassem em Hillary Clinton para assim lhe darem uma despedida em beleza («a good send off»), não o insultarem pessoalmente e não porem em causa o seu «legado». Este, porém, e disso já não restam quaisquer dúvidas, é, será, em grande parte constituído por um aumento drástico e dramático da violência racial, evidente numa série de grandes e graves motins desde 2009, quando o Nº 44 tomou posse. O mais recente, e ocorrido também poucos dias antes da abertura daquele novo museu na capital norte-americana, teve lugar em Charlotte, na Carolina do Norte, após um cidadão negro ter sido morto a tiro por um polícia… negro por se ter recusado a largar a arma que trazia. De nada serviu que a decisão do agente da autoridade ter sido justificada, nem tal é uma atenuante, como uma dirigente da NAACP admitiu: esta morte serviu como mais um pretexto para mais uma onda de destruição em mais uma cidade com um mayor democrata, e em que mais cidadãos brancos foram vítimas de agressões, e mesmo de tentativas de assassinato, devido à cor da sua pele. Alex Griswold correctamente afirma que tais criminosos - que depois têm o descaramento de apresentar uma absurda lista de exigências, que inclui a abolição da polícia! - não devem ser chamados de «protestantes»…
… E Newt Gingrich e Rush Limbaugh também estão certos ao atribuírem a Barack Obama responsabilidades acrescidas e agravadas por este estado de coisas. Ao invés de contribuir para acalmar as situações de tensão, por mais do que uma vez o Sr. Hussein deu antecipadamente razão aos que clamam (injustificadamente) a existência de racismo deliberado e até mesmo institucionalizado nas forças da ordem; aliás, quem se lembra de, logo no primeiro ano, o actual presidente ter prematuramente «saltado para conclusões» e acusado agentes da lei de «agirem estupidamente»? BHO mais não é, no entanto, do que um «democrata típico» que faz do antagonismo, do divisionismo e do ódio racial um meio privilegiado para atingir o fim (da obtenção e/ou da manutenção) do poder político. É uma atitude que não se expressa apenas aquando de um tiroteio, de um «caso de polícia»: também noutras áreas, como o desporto, abundam exemplos de oportunistas que reclamam contra o «racismo» e a «discriminação», reais ou imaginários, sentidos pessoalmente ou registados geralmente, mas que, frequentemente, mais não são do que desculpas (esfarrapadas), coberturas para outro tipo de comportamento ou de insuficiência: é o caso de Colin Kaepernick, um jogador dos San Francisco 49’ers, que decidiu não se levantar quando o hino dos EUA é tocado no estádio em que vai competir (ou não, porque tem passado a maior parte do tempo no banco); quase inevitavelmente e previsivelmente, Obama veio dar-lhe (alguma) razão. Resultado? Uma quase «epidemia» de atletas, tanto profissionais como escolares, em várias modalidades, que desrespeitam um dos símbolos do país – o que se vem acrescentar à continuada, e já prolongada, hostilidade à bandeira, que, quantas vezes, quando não é destruída (queimada, quase sempre), é proibida por a sua exibição poder ser considerada uma provocação a «inocentes» imigrantes, legais ou ilegais! Um cúmulo da imbecilidade? Sem dúvida, mas ao mesmo (baixo) nível de alguém ser forçado a pedir desculpa por ter afirmado que os EUA não são uma nação racista
Quão estúpido, quão ignorante, quão manipulado – e manipulável - se tem de ser para se acreditar nas mentiras mais ridículas e mais rudimentares propaladas pelos democratas, e conformar-se em ser mais uma «vítima», mais um «agredido», permanente… que por isso mais disponível fica para passar a ser um agressor, em palavras e em actos? Não, não existe hoje qualquer «racismo sistémico» nos EUA, e desde os anos 60 do século passado quando os democratas o impunham no Sul. Não, e ao contrário do que diz essa patética personificação da senilidade com o  nome de Harry Belafonte, nem todos os mortos por polícias são negros… aliás, nem a maioria! No entanto, os factos não interessam a determinada gente, que preferem ficções ao ponto de criarem e até «viverem» numa realidade alternativa, imaginando um Mundo sem brancos, ou, vá lá, pelo menos, uma nova nação só para negros, resultado da agregação de cinco Estados – Alabama, Carolina do Sul, Geórgia, Louisiana e Mississippi! Ku Klux Klan e Black Lives Matter, duas excrescências do Partido Democrata cuja vocação comum é o racismo e a segregação; ontem como hoje, quer-se fazer as vidas negras, mais importância é dada à (cor da) pele do que ao carácter. Continua-se a cuspir em Martin Luther King: agora são os brancos a serem mandados para trás, e os negros auto-segregam-se em (supostos) «espaços seguros» (quartos separados em universidades) para os proteger de (supostas) «micro-agressões»! Que mais não são, como é óbvio, do que informações e opiniões que não lhes agradam – um «mal» que «afecta» igualmente muitos outros alunos que não são afro-americanos.
Enfim, e como contraponto, refira-se o caso de um jovem que foi morto, em Junho passado, pela polícia em Fresno, na Califórnia. Era branco; não houve, por causa dele, indignações, manifestações, motins… e não tinha qualquer arma quando foi atingido. Todavia, provavelmente teve o que «merecia»… porque, como qualquer caucasiano, era «culpado» de usufruir «white privilege».    

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não há prémio(s) para o Obamatório

Afinal, e o que não constituiu qualquer surpresa (era, aliás, quase tão previsível como depois de domingo ser segunda-feira), a minha participação e a do Obamatório nos prémios «Blogs do Ano» promovidos pela Media Capital, para os quais me inscrevera no passado dia 31 de Agosto, terminou antes de ter começado. Porque, na verdade, a inscrição não significava participação: antes ocorreu uma selecção (?) em que um júri constituído por 17 pessoas – das quais apenas identifiquei duas que têm ou tiveram uma actividade minimamente consistente e continuada enquanto bloggers – seleccionou quatro candidatos para cada uma das dez categorias, que a partir de hoje, e até 19 de Outubro, receberão online os votos do público que irão determinar os vencedores «sectoriais» e o vencedor geral…
… E na categoria em que inscrevera o Obamatório - «Política, Economia e Negócios» - os «finalistas» são o Aventar, o Estado Sentido, Team Lewis, e Poupadinho e com Vales. E apesar da admiração que tenho por António Fernando Nabais e por Francisco Miguel Valada, eméritos companheiros no combate ao «aborto pornortográfico», tanto o(s) meu(s) voto(s) como a minha recomendação de voto não irão para o Aventar mas sim para o Estado Sentido. Quanto às outras categorias, merece o meu destaque a de «Entretenimento», em que é finalista o Malomil, na minha opinião o de maior qualidade.
Entretanto, na Media Capital em geral, e em especial na sua unidade mais importante, a TVI, é «business as usual», ou seja, a habitual «cobertura» de informação para um «recheio» de incompetência, propaganda e até de censura. Que não se restringe, obviamente, à actualidade nacional, e que na internacional, e em particular a dos EUA, não cessa (tal como a RTP e a SIC) de insistir mais recentemente nos (de facto bastantes) defeitos de Donald Trump enquanto atenua e mesmo omite os (muitos mais, e bem maiores) defeitos de Hillary Clinton. Ainda hoje, no «Jornal da Uma», Cristina Reyna classificava o AfD, partido da «extrema-direita» alemã que conseguiu um bom resultado nas eleições regionais de ontem em Berlim, como sendo «anti-imigração» - o que é, evidentemente, falso. Porém, só mesmo quem tem graves insuficiências intelectuais é que ainda espera isenção e rigor das três principais estações de televisão nacionais.         

domingo, 11 de setembro de 2016

Agora, também a traição (Parte 2)

(Uma adenda no final deste texto.)  
15 anos depois dos piores ataques aos EUA alguma vez cometidos em solo do país, e por terroristas islâmicos, por mais que isso custe aos devotos da chamada «religião da paz», o que faz – aliás, o que continua a fazer – a actual administração, o governo federal, a presidência, do país? Continua a pagar, a entregar dinheiro, autênticos resgates, de muitas centenas, mais, muitos milhares de milhões de dólares – e em notas carregadas em aviões, não por transferências bancárias! – a terroristas islâmicos, a apoiantes de terroristas islâmicos. Uma vez mais, Barack Obama e os seus cúmplices cometem actos de traição contra a nação, e a esta mente, repetida e desavergonhadamente.
Inicialmente, a Casa Branca nem quis admitir que pagara 400 milhões de dólares em troca da libertação de quatro prisioneiros norte-americanos no Irão. Porém, foi forçada a fazê-lo, porque insistir no contrário tornara-se inútil após o regime de Teerão ter divulgado um registo vídeo da… operação. No entanto, convencido aparentemente de que pagara pouco, o Sr. Hussein decidiu desembolsar mais 1,3 biliões de dólares! O que se conseguiu entretanto com tanta «generosidade»? Pelo menos, para já, duas grandes «vantagens»: primeira, um acordo secreto com os iranianos que permite a estes (que «surpresa»!) construir bombas, para as quais, entretanto, já deverão ter encontrado «meios de transporte»; segunda, um aumento de 50% em 2016 dos incidentes – na verdade, das provocações – da marinha daqueles com navios norte-americanos – e em que estes, numa demonstração, por parte dos seus comandantes, de terem já completamente assimilado a «flexibilidade» do «comandante-em-chefe», mudam de rota para não abalroarem os barcos dos «ai-as-tolas». Pois, quem diria que o comportamento dos iranianos iria piorar depois do famigerado acordo? 
Existem, evidentemente, outras formas de colaboracionismo para com os terroristas por parte dos democratas. A 15 de Agosto foi anunciado que mais 15 prisioneiros de Guantánamo haviam sido libertados e enviados para os Emirados Árabes Unidos; foi a maior «transferência» do género até agora feita pela actual administração, embora a mais polémica tenha sido a troca, feita no ano passado, de quatro líderes talibãs pelo desertor e (quase de certeza) traidor Bowe Bergdahl. Não restam muitas dúvidas de que é desta forma, como que a «conta-gotas», que Barack Obama quer cumprir a sua velha promessa eleitoral… e, ao mesmo tempo, colocar em risco ainda maior a segurança nacional. Infelizmente, os terroristas que saem dos EUA (sem garantias de que não voltarão a pegar em armas, há que recordar) são mais do que (potencialmente) «compensados» pelos jihadistas dissimulados de «inocentes» imigrantes (algo que o ISIS avisou que faria, o que aconteceu na Europa) que continuam a entrar no país: a 29 de Agosto a Casa Branca anunciou, com orgulho, que o refugiado sírio número dez mil acabara de chegar com um mês de antecedência. E, na primeira semana de Setembro, foram quase 800… Trata-se de um «ritmo» que, para alguns, não é suficientemente rápido: Judy Chu, representante democrata da Califórnia (obviamente!), acredita que se pode e deve ir até aos cem mil; não surpreendentemente, e infelizmente, mais de 98% dos que já entraram são muçulmanos, apesar de os cristãos do Médio Oriente serem o grupo étnico-religioso mais visado pelos assassinos do Estado Islâmico.
Porém, no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia não existem preocupações: ali, a 21 de Julho último, durante uma recepção assinalando o «Eid al-Fitr», o final do Ramadão, Barack Obama declarou que os muçulmano-americanos «são tão patrióticos, tão integrados, tão americanos como quaisquer outros membros da família americana». Como acontece com muitas outras afirmações do Sr. Hussein, esta é altamente duvidosa, algo fantasista, quando não completamente falsa: há um ano foi divulgado um estudo indicando nada mais nada menos do que 51% dos maometanos residentes nos EUA prefeririam, se tal fosse possível, viver segundo a Sharia e não a Constituição. Digamos que não é muito provável que em 12 meses esse número se alterasse (reduzisse) significativamente… E não é certamente o melhor exemplo de «integração» a família Alshami que, após (o marido e pai) Ahmed ter sido detido, acusado de fraude (com food stamps, senhas de alimentação) e lhe ter sido fixada em tribunal, antes do julgamento, uma fiança de dois milhões de dólares, a esposa e a filha gritaram «Fuck America!» e espetaram o dedo do meio para os jornalistas que as aguardavam…                    
Para as (verdadeiras) vítimas do terrorismo é que nem sempre parece haver a maior das considerações: mais de um ano e meio depois de o ter prometido, Barack Obama ainda não fez qualquer donativo à fundação criada pelos pais de Kayla Mueller, jovem norte-americana que, quando na Síria em trabalho humanitário, foi raptada, violada (alegadamente pelo próprio líder Abu Bakr al-Baghdadi) e assassinada pelo ISIS. Assim como não houve – mas isso não é novidade – consideração constante, por parte de BHO (e de Hillary Clinton, e de outros democratas) para com diversos assessores, consultores, especialistas, civis e militares, em segurança e (combate ao) terrorismo. Não surpreende que o Sr. Hussein tenha faltado ao «intelligence briefing» diário… de 12 de Setembro de 2012, ou seja, no dia seguinte ao do ataque ao consulado em Benghazi. E também não é de admirar que o General Michael Flynn, que durante cinco anos assumiu cargos de topo e desempenhou funções de elevada responsabilidade na actual administração no âmbito da inteligência, nesse período nunca teve uma reunião com o presidente! O que não o impediu de se aperceber de que o Nº 44, aquela que quer ser a (o?) Nº 45, e aqueles que os rodeavam, não estavam interessados em informações e em pareceres que negassem a sua narrativa pré-concebida de desvalorização do extremismo islâmico, tendo nesse sentido inclusivamente purgado manuais, documentos e outros materiais que não se coadunassem com a «conversa alegre» que preferiam.
Por tudo isto, o discurso que Barack Obama fez hoje, e em que assegurou que «como americanos, não cedemos ao medo», destacado e elogiado por vários órgãos da comunicação social (incluindo em Portugal), é mais uma ofensiva demonstração de hipocrisia, e até de obscenidade. Não é de estranhar que 42% dos americanos se sintam menos seguros agora do que antes de 2001 (eram 27% em 2014): afinal, em 2015 e em 2016 (que ainda não terminou) registou-se no país o maior número de mortos por terrorismo desde o segundo ano do novo milénio – e isto sem contar, claro, com as muitas outras vítimas em outras partes do Mundo, com (trágico) destaque para a Europa. Por isso, sim, Dick Cheney tem razão ao afirmar (com a filha Liz, em artigo no Wall Street Journal) que «nenhum outro presidente (além do sucessor de George W. Bush) fez mais para enfraquecer os EUA».
(Adenda – Nesta semana que passou a seguir ao 15º aniversário dos ataques de 2001, houve quem decidisse «comemorar» recriando, ou tentando recriar, embora – felizmente! – a uma escala menor, esses ataques.  A 15 de Setembro, em Nova Iorque, um muçulmano esfaqueou dois polícias e foi atingido a tiro; previamente, em Julho, havia sido detido quando gritava «Alá é grande!» em frente a uma sinagoga em Brookyn. A 17 de Setembro, outro muçulmano, também gritando «Alá é grande!», esfaqueou oito pessoas num centro comercial em St. Cloud, no Minnesota. No mesmo dia, duas explosões em ambos os lados do rio Hudson: uma em Seaside Park, em Nova Jersey, que não causou vítimas, e num local onde iria passar uma corrida; outra em Chelsea, em Nova Iorque, que provocou quase 30 feridos; nos dois casos outros engenhos explosivos, não detonados, foram depois descobertos – e o de NI assentava numa panela de pressão, tal como os irmãos Tsarnaev fizeram em Boston. Apesar de reconhecer que a explosão na «Grande Maçã» havia sido «intencional», Bill de Blasio alegou não haver provas de que era terrorismo! Neste contexto, alguém poderia ser mais ridículo do que o comunista que é presidente da câmara da maior cidade dos EUA? Claro que sim: o próprio presidente dos EUA, que, quase em simultâneo com este mais recente atentado, discursava e se divertia com alusões ao ISIS – que, entretanto, celebrou a detonação em Nova Iorque e reconheceu o atacante no Minnesota como sendo um «soldado» seu.)        

terça-feira, 6 de setembro de 2016

É favor não incomodar

(Uma adenda no final deste texto.)
Em Janeiro de 2009, no meu artigo «As verdades e as mentiras sobre George W. Bush», publicado no Diário Digital, e que constituiu aliás o tema do meu primeiro post aqui no Obamatório, tentei fazer um resumo razoavelmente rigoroso dos dois mandatos do 43º presidente dos EUA, servindo também como reacção aos balanços extremamente negativos e até insultuosos que então se faziam (e continuam a fazer). Um dos pontos fulcrais da presidência do filho do Nº 41 esteve numa grande catástrofe natural, e a reacção da sua administração a ela…
… E foi assim que eu a analisei: «A terceira grande “cruz” de George W. Bush foi a devastação causada pelo furacão Katrina em 2005 no sul do seu país, muito em especial no estado do Louisiana e na sua cidade mais importante, Nova Orleães. E se ele não foi culpado pelo furacão propriamente dito (e daí, quem sabe...) foi culpado pela deficiente manutenção dos diques que defendem a capital do jazz das águas e pela tardia e insuficiente assistência prestada aos sobreviventes. Certo? Errado! Em muitos países, e incluindo Portugal, não se tem a percepção de como a organização do poder político e administrativo nos Estados Unidos é diferente. No nosso país qualquer desastre de menor dimensão pode suscitar a intervenção do governo central, de ministros ou até do primeiro-ministro. Mas não nos EUA: lá os primeiros responsáveis são os governos dos diferentes estados – que, é preciso não esquecer, são autónomos ao ponto de terem também os seus próprios parlamentos e legislação. E o Louisiana é um estado que durante muitos anos, décadas, foi quase sempre governado por democratas – em quase 150 anos só houve três governadores republicanos, incluindo o actual, Piyush “Bobby” Jindal (de ascendência indiana!). Aquando do Katrina era Kathleen Blanco, uma democrata, que ocupava o cargo. E tão “irritados” estavam os habitantes da Louisiana com Bush que foram logo a seguir eleger um seu colega de partido! Reformularam-se e reconstruíram-se as infra-estruturas, reorganizaram-se os serviços, em suma, fez-se uma melhor preparação. Em 2008 outro furacão, o Gustav, praticamente tão potente como o Katrina, atingiu o Louisiana e Nova Orleães; todavia, houve poucas e pequenas inundações e a zona ficou quase incólume.»
Onze anos depois, em meados de Agosto, aquele Estado voltou a ser uma vítima da Natureza: chuvas torrenciais causaram graves inundações em várias zonas daquele, as piores desde o Katrina. Em curiosa coincidência, o governador é novamente um democrata – John Bel Edwards, que sucedeu a Bobby Jindal. Porém, o presidente é agora também um «burro» e isso pode explicar porque, desta vez, (grande parte d)a comunicação social, comentadores, observadores, artistas como Kanye West, não o criticaram e condenaram, por não ter ido de imediato visitar o Louisiana, como criticaram e condenaram George W. Bush por se ter «atrasado» a fazer o mesmo – o 43 foi lá três dias depois do desastre, e na véspera suspendera as suas férias e regressara a Washington devido ao mesmo assunto. Barack Obama só chegou 11 dias depois, a 23 de Agosto último. Antes, não fez sobre a calamidade qualquer declaração oficial enquanto continuava a gozar as suas férias em Martha’s Vineyard, jogando golfe e realizando angariações de fundos. Prioridades muito mais importantes, pelo que é favor não incomodar! Uma vez mais, o presidente Obama não esteve em sintonia com o senador Obama, que em 2005 acusou o seu antecessor de não estar à… altura do acontecimento; em 2016, isso não é um problema porque o seu camarada Edwards lhe disse para esperar! Até Donald Trump se mostrou mais presidenciável do que o Sr. Hussein… e Hillary Clinton, pois deslocou-se antes deles (aliás, ela ainda não foi) ao «Bayou Country», uma semana depois do início das inundações; nem o governador negou a utilidade da presença do candidato.       
Sim, Donald Trump e Barack Obama são muito «diferentes», e o actual presidente já o salientou por mais de uma vez. Na convenção do Partido Democrata, realizada em Filadélfia em finais de Julho, o Nº 44, para atacar o nomeado do Partido Republicano e marcar a diferença, não encontrou melhor – e, na verdade, não há melhor – do que utilizar e enaltecer alguns dos conceitos que são caros aos (verdadeiros) conservadores. Por outras palavras, ao dizer mal de Trump estava também, na prática, a dizer mal dele próprio, e do que tem feito há quase oito anos … Antes, em Maio, e no que terá sido talvez o maior caso de falta de «self-awareness» alguma vez registado, o Sr. Hussein achou apropriado esclarecer o milionário feito político que a presidência é realmente um «trabalho sério», não é «entretenimento» e não é um «reality show». Mais uma vez, é caso para dizer… olha quem fala! Aquele que já se filmou usando um «selfie stick», que já deu entrevistas a pessoas que tomam banho em guloseimas, e que tornou a Casa Branca, mais do que qualquer outro antes dele, numa casa de espectáculos – o que, diga-se, e comparado com outros, mais graves, «obamadorismos», não é o pior, nem mesmo mau. E que foi filmado a brincar com um cão de peluche e a recitar os nomes dos personagens mortos de «Jogo de Tronos», e a falar com Anthony Bourdain durante uma refeição num restaurante vietnamita… no Vietnam. Que «diferença», que «distância» para com «O Aprendiz». Sim, BHO «sabe» tudo o que há a saber sobre a dignidade do cargo que ainda ocupa…     
… Que é o de aproveitá-lo para, sempre que possível, descansar e, mais, distrair-se e divertir-se. E tentar não levar tudo demasiado a sério: por isso é que (aparentemente) não se incomodou por, no passado fim-de-semana, os chineses o terem desrespeitado ao chegar a Pequim para participar na cimeira dos G20. Afinal, uma pequena humilhação que se desculpa por a China (aparentemente) ir assinar o acordo climático de Paris, assim se juntando ao «resto do Mundo» no combate às «alterações climáticas», essa «maior» ameaça ao planeta que (em Maio último) se podia ver «a acontecerem agora mesmo» - claro que sim, era o tempo a aquecer, a Primavera a tornar-se Verão… É certo que há o «pequeno» pormenor de Barack Obama pretender assinar o mesmo acordo sem a devida, obrigatória, autorização do Congresso, mas que importância têm esse e outros formalismos quando «está em causa» o futuro de toda a Humanidade? É favor não incomodar igualmente com isso. E, já agora, qual é o problema de gastar – repetidamente – milhares de litros de combustível para avião quando se alega defender o ambiente? Afinal, ninguém quer que a – repetidamente – prevista mas nunca concretizada submersão de Nova Iorque aconteça… lá se iam as sedes e as redacções de tantas empresas de comunicação amigas dos democratas
(Adenda – Em viagem pelo estrangeiro, e, mais concretamente, no Laos, Barack Obama voltou a fazer aquilo que já fez várias vezes: criticou o seu país e os seus compatriotas. Estes, desta vez, foram caracterizados como «preguiçosos», e um deles, o candidato do Partido Republicano, foi por ele considerado alguém não qualificado para ser presidente, também por ter «ideias maradas» («wacky ideas») – assim contrariando, uma vez mais, uma posição do senador Obama, que, em 2008, condenara George W. Bush por fazer declarações sobre política interna durante uma visita a Israel. Pois, o «H» em BHO tanto é de Hussein como de hipocrisia...)