terça-feira, 14 de março de 2017

Histeria histórica

(Nota prévia - No meu (outro) blog Octanas informo sobre as - desagradáveis - circunstâncias deste texto, originalmente destinado para edição no jornal Público.
Apesar de já não ser necessário para muitos, faço aos leitores, para começar, um aviso, uma recomendação, uma sugestão: no que se refere à política nos Estados Unidos da América (e não só…), desconfiem sempre do que lêem, ouvem, vêem, nos principais órgãos de comunicação social da Europa… incluindo os de Portugal.
Não é de agora, com a eleição e a tomada de posse como presidente de Donald Trump, que as desinformações, descontextualizações, deturpações, as puras e simples mentiras, por acção ou omissão, resultantes de preferências e de preconceitos ideológicos, abundam em jornais, rádios e televisões deste lado do Atlântico. Sem duvida que a vitória do milionário nova-iorquino, e o início do seu (primeiro?) mandato enquanto comandante-em-chefe, exacerbou uma tendência para o alarmismo, o exagero, o ridículo; sim, a histeria está a ser… histórica, e ele só se mudou para a Casa Branca há um mês! Porém, o favoritismo dado ao Partido Democrata em detrimento do Partido Republicano vem de trás, vem de longe, e é injusto. Resulta ou de ignorância ou de ignomínia, porque o primeiro foi, e continua a ser, o partido do racismo (ontem foi a escravatura e a segregação de negros, hoje é a luta contra o «privilégio branco», que justifica crescentes ataques, retóricos e literais, contra caucasianos), da violência e do crime. O segundo foi, e continua a ser, o partido da defesa dos direitos humanos, da liberdade, da dignidade. Não por acaso, o seu primeiro membro a tornar-se presidente foi Abraham Lincoln. Não por acaso, o primeiro afro-americano e a primeira mulher a tornarem-se congressistas em Washington (senador ele, representante ela) eram do GOP. Este, e todos os que o integram e o apoiam, começaram a ser (mais) demonizados depois de Watergate; no entanto, Barack Obama, e/ou os elementos da sua equipa, cometeram muito mais ilegalidades e abusos de poder do que Richard Nixon e todos os seus «homens do presidente» - quem tem dúvidas que consulte o meu blog Obamatório, no qual, desde 2009, apresentei sucessivamente provas disso. Ralph Nader – insuspeito de ser um direitista - afirmou que nunca houve um vigarista maior na Casa Branca do que o Sr. Hussein… que saiu daquela com um índice de popularidade médio total inferior ao de «Tricky Dicky»!
Donald Trump é, inquestionavelmente, um caso especial. O seu estilo, o seu percurso, as suas afirmações e acções foram, e são, polémicas, polarizadoras. Todavia, e desde a madrugada de 9 de Novembro, ao fazer o discurso de vitória em Nova Iorque, não pode ser acusado de não ter apelado a todos os americanos, de não ter prometido ser o presidente de todos, de trabalhar em prol de todos – o que não implica, obviamente, prescindir das suas ideias, dos seus objectivos, das suas políticas. Não acreditem nos que dizem que a sua presidência, até agora, tem sido um «caos»: este, sim, está instalado nas fileiras dos opositores – quer os gabinetes de democratas quer as redacções de jornalistas – que nitidamente não têm estofo para aguentar, deixando-os confundidos, desorientados, quiçá apoplécticos, a quantidade, a velocidade e a intensidade das suas actividades, das suas decisões, das suas iniciativas, … todas elas, note-se, em cumprimento das suas promessas eleitorais! Ninguém pode dizer que não se sabia o que ele queria fazer, pois ele repetiu-o sucessivamente… mas, pelos vistos, nem todos acreditaram que ele iria mesmo (tentar) fazer.
Será que, depois de todo este tempo, ainda não se aperceberam de que Donald Trump não é um político como os outros? E que todas as «notícias» (previsões) sobre a sua «morte política» se revelaram (para citar Mark Twain) muito exageradas? Primeiro, não acreditaram que ele pudesse ganhar; depois, assim que ele ganhou, multiplicaram os esforços para diminuir o seu triunfo, tirar a legitimidade àquele e ao seu mandato. Realçaram o facto de ele não ter ganho o voto popular - «argumento» de maus perdedores, porque sabiam quais eram as regras antes do «jogo», e, se discordavam daquelas, deviam tê-lo dito e tentado alterá-las antes… mas ainda bem que o colégio eleitoral vigora, porque a vantagem de Hillary Clinton no total de votos deveu-se à sua vantagem na Califórnia, Estado que não oferece qualquer garantia de que só cidadãos, e não imigrantes ilegais, votam. Além disso, nem sempre, ou raramente, os vencedores nos EUA têm 50% + 1 dos votos expressos… lá as eleições presidenciais não têm «segunda volta»; Bill Clinton, por exemplo, teve, nas suas duas vitórias, menos de 50%, e Hillary, em 2016, teve menos votos do que a soma dos votos de Trump, Jill Stein e Gary Johnson. Alegaram a existência de irregularidades na contagem, em especial em (três) Estados fulcrais (Michigan, Pensilvânia, Wisconsin) em que DJT ganhou… mas as poucas recontagens feitas deram-lhe mais votos! Tentaram convencer os membros do colégio eleitoral a não o escolherem… mas foram mais os que renunciaram a Hillary Clinton do que a ele! Acusaram a Rússia – isto é, Vladimir Putin e os seus serviços secretos – de terem influenciado as eleições a favor de Trump… mas nunca qualquer prova disso foi apresentada. Afirmaram que «falsas notícias» tinham contribuído para o triunfo dele… mas, desde que ganhou, praticamente todas as (inequívocas) «falsas notícias» - quase 100 segundo uma contagem recente – foram feitas contra o novo presidente, sendo delas um exemplo a retirada do busto de Martin Luther King da Sala Oval - «notícia» dada por um repórter da Time que, claro, não era verdade.
A dualidade de critérios, a hipocrisia e a memória curta são, como habitualmente em tudo o que se relaciona com os EUA, imensas e insultuosas; são tantas as indignações selectivas. A ordem executiva, que não é «anti-imigração», que determinou, não o (erradamente) denominado «banimento de muçulmanos» mas sim um controlo fronteiriço mais apertado durante quatro meses, apenas afecta sete países (de maioria muçulmana, mas só uma pequena parte dos praticantes daquela religião a nível mundial), dos quais efectivamente vieram, em dez anos, bastantes indivíduos – mais de 70 – acusados e condenados por terrorismo, tentado ou concretizado; contudo, talvez nem todos os que protestam sabem que a decisão resulta de uma lista elaborada pela administração de Barack Obama, que, aliás, em 2011 proibiu a entrada de iraquianos durante seis meses; e talvez desconheçam também que seis daqueles sete integram uma outra lista – a dos (16) países que proíbem, não temporária mas sim permanentemente, a entrada de israelitas nos seus territórios… e onde estão as manifestações contra aqueles por tão flagrante discriminação e objectiva xenofobia? Por falar em manifestações, as ditas «das mulheres», realizadas, nos EUA e em outros países, a 21 de Janeiro, no dia seguinte ao da tomada de posse de Donald Trump, por este ter feito em privado alguns comentários brejeiros em… 2005 (e pelos quais o então candidato pediu desculpa, o que é muito raro nele), teriam ganho uma outra, e maior, credibilidade, se tivessem sido direccionadas igualmente contra as nações – as que têm o crescente na bandeira – que discriminam, maltratam, oprimem as mulheres (e não só)… embora tal nunca seja de esperar por parte de esquerdistas, sempre receosos de serem acusados de «islamofobia», e onde se inclui Linda Sarsour, uma das organizadoras do «ajuntamento» principal, em Washington, uma muçulmana apoiante de terroristas, defensora da «sharia», e que considera irrelevante que as senhoras conduzam automóveis.
Ainda neste âmbito, é de assinalar que o diferente tratamento dado a mulheres consoante a sua ideologia é outra marca da hipocrisia. Objectivamente, Kellyanne Conway mereceria sempre ser enaltecida por ter sido a primeira mulher a dirigir uma campanha presidencial vencedora. Porém, e injustamente, está a ser caluniada e caricaturada como (um)a personificação de desonestidade. Muitos criticaram e ridicularizaram a agora conselheira de Donald Trump por ter falado em «factos alternativos» - um evidente lapso, porque ela quereria dizer «fontes (noticiosas) alternativas» - mas não fizeram o mesmo quando o New York Times inventou a expressão «promessas incorrectas» para defender Barack Obama, desmascarado como mentiroso (uma vez entre várias) por ter assegurado falsamente que, com o «ObamaCare», todos manteriam os seus planos de saúde e os seus médicos. Voltaram à carga contra a «elefante» por causa do alegado «Bowling Green Massacre», mas nada se ouve quando duas idosas representantes «burras» da Califórnia, Maxine Waters e Nancy Pelosi, dizem idiotices – a primeira desconfia da Rússia por ter invadido a «Coreia» (pois… foi a Crimeia) e a segunda recusa colaborar com o «Presidente Bush» (pois… agora é Trump). Enfim, acusam Conway – desta vez com alguma razão – de ter infringido normas de conduta ao apelar à compra de produtos (de Ivanka Trump, que está a ser alvo de um boicote comercial por motivos políticos) mas não acusaram Michelle Obama quando esta fez praticamente o mesmo.
Nenhuma acusação contra Donald Trump, os seus familiares, os membros da sua administração, os seus apoiantes e o Partido Republicano, todavia, é mais ridícula do que a de eles serem «racistas» apoiantes do Ku Klux Klan, «supremacistas brancos», «neonazis» e «anti-semitas».
A sério?! Vejamos… O actual presidente dos EUA promoveu, enquanto empresário, o fim da discriminação contra judeus em clubes na Flórida; tem um genro judeu (que se tornou um dos seus conselheiros mais próximos e confiáveis) e uma filha que se converteu ao judaísmo aquando do casamento; mostrou-se favorável à mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O seu filho Eric afirmou que David Duke, ex-líder nacional do KKK, «merecia (levar com) uma bala». Jeff Sessions, agora procurador-geral dos EUA, enquanto procurador no (depois senador do) Alabama, e entre outros feitos, promoveu o fim completo da segregação nas escolas daquele Estado, acusou (e conseguiu a condenação à morte de) um líder local do KKK… e em 2009 recebeu um prémio do NAACP! A Breitbart, de onde provém o tão (imerecidamente) vilipendiado Stephen Bannon, é o espaço na Internet que mais denuncia e combate o islamismo e que mais defende e elogia Israel – eu sei isso porque consulto aquele sítio quase todos os dias há quase dez anos.
Obviamente, é na esquerda que se encontram os verdadeiros neonazis – aliás, convém nunca esquecer que os nazis originais integravam o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Qual é a ideologia dos que – e não só na América – constantemente vituperam a nação de David, única (e exemplar) democracia no Médio Oriente, e, ao mesmo tempo, desculpabilizam – nem que seja pelo silêncio – as nações de Maomé, incluindo os muçulmanos mais fundamentalistas, radicais? Qual é a ideologia dos que praticam a violência contra opositores, em especial (e desde há vários anos, tendo-se agravado durante a presidência de Barack Obama) nas universidades, várias das quais autênticas fábricas de fascistas que «ilegalizam» a liberdade de expressão, com hordas de alunos doutrinados por professores «progressistas» a impedirem – ou pelo menos a dificultarem – as presenças e as palestras de oradores conservadores, de direita, internos ou externos a essas universidades, com recurso a ameaças, a agressões físicas tentadas ou concretizadas, à destruição de propriedade pública e privada? O recente motim ocorrido na Universidade de Berkeley, na Califórnia, contra a visita, para um discurso e um debate (que acabaram por ser cancelados), de Milo Yannopoulos, estrangeiro (inglês) com ascendência judaica, e homossexual que regularmente confessa a sua preferência por homens negros, ilustrou ironicamente, e absurdamente, como os esquerdistas são «especialistas» em projecção, como têm atitudes e comportamentos que criticam e condenam (falsamente) noutros. Enfim, os democratas não mudaram assim tanto, pois continuam a (tentar) barrar a entrada de certas pessoas nas escolas que têm por exclusivamente suas: até aos anos 60 eram os afro-americanos, depois foram e são os que pensam de maneira diferente.
Evidentemente, não são apenas de (indecentes) docentes e discentes que vem a validação do vandalismo. Também vem de políticos como Tim Kaine, senador da Virgínia que foi «running mate», candidato a vice-presidente, de Hillary Clinton, que apelou a que se «proteste nas ruas». Também vem de «artistas» e de «celebridades» como: Madonna, que «sonhou» em fazer explodir a Casa Branca (desde que Donald Trump e a sua família se mudaram para lá), sem dúvida porque a sua promessa (não cumprida) de fazer fellatios a todos os homens que votassem em Hillary não teve o resultado desejado (por ela); de Sarah Silverman, que pediu um golpe de Estado militar; de Robert de Niro, que por mais do que uma vez expressou a sua vontade de esmurrar o actual presidente. Pior, também vem de «jornalistas» como India Knight (Sunday Times), Monisha Rajesh (The Guardian) e Steven Borowiec (Los Angeles Times), que desejaram, mais ou menos explicitamente, o assassinato de Trump, tal como os editores das revistas Village (irlandesa) e Der Spiegel (alemã), que em capas recentes colocaram, a primeira, uma fotografia de DJT com um alvo sobre a cabeça e as palavras «Porque não», e, a segunda, uma caricatura do mesmo com, numa mão, uma faca ensanguentada, e, na outra, a cabeça decepada da Estátua da Liberdade.
A verdade é que Donald Trump está a ser objecto de mais manifestações, protestos e irritações do que Abu Bakr Al-Baghdadi. O que constitui um motivo de reflexão… e de preocupação. (Transcrição no Cedilha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Entretanto, no último mês…

Os «resíduos tóxicos», remanescentes problemáticos, da presidência de Barack Obama continuam a ser encontrados e acumulados… Já em Janeiro, no anterior texto aqui no Obamatório, haviam sido referenciadas algumas «surpresas» de, literalmente, última hora: «mais urânio para o Irão, menos sanções para o Sudão, fim do asilo imediato para refugiados cubanos, 500 milhões de dólares para o Fundo do Clima Verde da ONU. E não poderiam faltar, “logicamente”, os perdões, reduções de pena, libertações, de criminosos de vários géneros»…
… E, entretanto, no último mês, o que há a reportar? Entre outros «casos pendentes» duvidosos ou mesmo problemáticos: venda de armamento ao Quénia – país que durante muitos anos o Sr. Hussein indicou como sendo aquele em que nascera – num valor superior a 400 milhões de dólares; o bombista suicida do ISIS que se fez explodir recentemente em Mosul que era um dos libertados de Guantánamo; o insólito – e já confirmado – acordo de «troca» de «refugiados», ou de imigrantes ilegais, com a Austrália; o ataque informático, perpetrado pelo Departamento de Segurança Doméstica ao sistema eleitoral do Indiana (não, não foram os russos…) enquanto Mike Pence, o actual vice-presidente, era governador daquele Estado; e, irónica e inversamente, o fracasso da «estratégia de governo digital» da anterior administração, revelado num relatório federal publicado há uma semana, fracasso esse que implicou igualmente a multiplicação dos riscos de insegurança e de vulnerabilidade na infra-estrutura electrónica do governo.
Estes e outros factos, evidentemente, já não constituem problemas para o ex-presidente, que a seguir à tomada de posse do seu sucessor rumou, com a esposa, para umas férias de luxo nas ilhas Virgens na companhia de Richard Branson antes de se instalar na sua nova casa em Washington com um valor superior a quatro milhões de dólares. Em princípio, não está nos seus planos um regresso à política activa… pelo menos nos EUA. A não ser que ele aceite o apelo-convite (humorístico?) de um grupo de gauleses que querem que ele se candidate a presidente da França!          

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Ano Nove

(Uma adenda no final deste texto.)
O Obamatório entra hoje no seu nono – e, provavelmente, último – ano de actividade (mais ou menos) «normal», embora a partir de agora essa actividade seja, como já avisei anteriormente, mais reduzida e menos frequente em comparação com anos anteriores. Não entra, obviamente, no seu último ano de existência, porque, no que depender de mim, este blog estará sempre «ligado», disponível, para quem quiser saber, informar-se, sobre o que de facto aconteceu nos Estados Unidos da América nos últimos oito anos… e antes disso, porque não deixei de fazer ocasionalmente algumas «incursões históricas» ao passado (mais ou menos) recente da grande nação do outro lado do Atlântico…
… E esta entrada no ano nove faz-se num dia feliz… aliás, duplamente feliz: não só Barack Obama deixou finalmente de ser presidente como o(a) seu (sua) sucessor(a) não é Hillary Clinton ou qualquer outro membro do Partido Democrata. É, sim, Donald Trump, que foi empossado como novo comandante-em-chefe, juntamente com o seu vice Mike Pence. Apesar dos (vários) artistas que se recusaram a tomar parte nos espectáculos relacionados com a inauguração, ou por intolerância ideológica ou por terem sido insultados e/ou ameaçados de morte –como Andrea Bocelli e Jennifer Holliday. Apesar das inúteis e ridículas acções em tribunal de última hora. Apesar dos (muitos, quase 70) congressistas democratas, maus perdedores, que não compareceram à cerimónia, que boicotaram a tomada de posse, incluindo o mentiroso, «Uncle Tom», John Lewis. Apesar da violência, ameaçada e concretizada, cometida na capital por vândalos… perdão, «activistas» de esquerda «progressistas»...
… E essa intolerância e essa agressividade dos democratas continuaram a ter no Sr. Hussein o seu fiel reflexo e a sua máxima figura, até mesmo ao derradeiro dia. Na sua última semana que passou enquanto presidente não faltaram demonstrações adicionais de como o Nº 44 despreza o seu país, os cidadãos, as nações amigas, a democracia, a Constituição, tanto em afirmações como em acções. Quanto às primeiras, e como querendo justificar o seu «triunfo» como autor da afirmação mais estúpida de 2016, não se poupou nos insultos nas oportunidades finais (conferências de imprensa, entrevistas) que teve para isso: continuou a culpar a Fox News e Rush Limbaugh por os republicanos não quererem trabalhar com ele (e não as constantes ofensas e provocações, dele e dos seus «camaradas», aos membros do GOP); manifestou-se «surpreendido» pela severidade do partidarismo em Washington (problema que ele em «nada» agravou); e não poderia faltar um derradeiro «disparo» contra Israel, repetindo a ideia (falsa) já propalada por John Kerry de que aquela nação «não pode» ser judaica e democrata ao mesmo tempo. Uma última manifestação de desprezo para com um aliado, «consistente» com os favores finais que fez a ditadores: mais urânio para o Irão, menos sanções para o Sudão, fim do asilo imediato para refugiados cubanos, 500 milhões de dólares para o Fundo do Clima Verde da ONU. E não poderiam faltar, «logicamente», os perdões, reduções de pena, libertações, de criminosos de vários géneros, incluindo: o traidor Bradley Manning (só será «Chelsea» quando cortar o pirilau… o que, a acontecer, não será com dinheiro dos contribuintes), o que demonstrou que, para os democratas, o WikiLeaks só é prejudicial quando as revelações que faz são sobre eles próprios; o terrorista Oscar López Rivera, que estava encarcerado desde 1981 por ter construído e detonado bombas, em Nova Iorque e não só, a favor da independência de Porto Rico… Bill de Blasio, mayor da «Grande Maçã», ficou contente, o que não espanta vindo de um comunista que admira Fidel Castro e Daniel Ortega; e traficantes de droga, entre os quais quatro mexicanos chefes de cartel… só ontem, na véspera de se ir embora, BHO beneficiou 330!
O mais hilariante depois de tudo isto, depois de tanto desrespeito pela lei e pela ordem, pelos bons costumes e pela mais elementar sensatez, é que os democratas, sempre a viverem na sua realidade alternativa, aleguem, com o maior descaramento, que o Sr. Hussein não teve qualquer escândalo nos seus dois mandatos! Aliás, o próprio afirma isso, secundado pelos seus admiradores-adoradores no partido - Denis McDonoughValerie Jarrett, Josh Earnest - e nos media - Brian Williams, Ezra Klein, Susan GlasserAssim, como poderia o Obamatório cessar por completo as suas operações? A experiência acumulada em quase dez anos diz-nos que dificilmente não existirão «ecos» desagradáveis em 2017, e eventualmente depois disso, da presidência de Barack Obama.
(Adenda – Como não era difícil de prever, não foi preciso esperar muito para saber: na manhã de 20 de Janeiro, poucas horas antes de Donald Trump tomar posse, a anterior administração decidiu dar à Autoridade Palestiniana, como «prenda de despedida», mais de 220 milhões de dólares; entretanto, resolveu também entregar… (ainda) não se sabe a quem documentos relativos à operação de localização e de eliminação de Osama Bin Laden. É, pois, de surpreender que Barack Obama tenha registado, ao longo dos seus dois mandatos, uma média de aprovação de apenas 47,9%, inferior às de oito presidente nos últimos 70 anos, incluindo Richard Nixon?) 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A mais estúpida de 2016

Que fique desde já informado, esclarecido, anunciado: é de Barack Obama a frase mais estúpida de 2016. E não é apenas por neste último ano da sua presidência eu ter decidido que ele, retoricamente, se iria despedir, «em beleza»… na verdade, mais «em tristeza»: de facto, é mesmo dele a afirmação mais absurda, mais ilógica, mais ofensiva, que foi proferida, no ano passado, no âmbito da actualidade política dos EUA. E como foram várias, para além da «vencedora», as inanidades que ele proferiu, a sexta e última (?) edição desta rubrica no Obamatório, desde 2012 a abrir Janeiro neste blog, vai ser inteiramente dedicada ao (ainda) comandante-em-chefe, a apenas 10 dias de abandonar, finalmente, a Casa Branca (mas não Washington)…
… E pode-se começar por aquelas que, em si mesmas, literalmente, não são efectivamente tão ridículas assim, mas que acabam por o serem ao denotarem e defenderem qualidades e valores que ele próprio não tem e/ou não segue. Algumas das mais descaradas nesse âmbito foram ditas durante a campanha presidencial, e já haviam sido aqui referidas. Barack Obama instou a que os republicanos «pagassem o preço» de causarem «bloqueio» («gridlock»), ou seja, de exercerem os seus normais direitos de oposição; acusou DJT, imagine-se, de não respeitar a Constituição por (supostamente) ameaçar encerrar jornais que não dizem o que ele gosta, prender oponentes ou discriminar pessoas de diferentes crenças – tudo actos, note-se, que ele próprio e a sua administração fizeram, ou tentaram fazer, nos últimos oito anos. Segundo o Sr. Hussein, o seu sucessor não conhece verdadeiramente o documento fundamental do país, e empola a sua própria capacidade em relação à dos seus colaboradores – algo de que BHO também é «culpado». Sobre a intervenção de James Comey e do FBI durante a campanha, o (ainda) comandante-em-chefe assegurou que «não operamos com base em insinuações» (a sério?!). Garantiu que nunca pensou que a república estaria em risco se John McCain ou Mitt Romney tivessem sido eleitos – embora a propaganda dos democratas em 2008 e em 2012  desse a entender o contrário. Queixou-se de que Donald Trump «gasta(va)» muito tempo junto de celebridades» (acaso não há outro homem - um presidente ainda em funções – notório por isso?); alvitrou que Vladimir Putin é «compincha («buddy») daquele – mas quem é que prometeu maior «flexibilidade» ao actual presidente da Rússia?
… O que é incorrecto, não só por existirem, efectivamente, verdadeiras ameaças existenciais, mas também por Barack Obama e os seus apaniguados terem passado quase todo o período da sua presidência a alertarem para uma «ameaça existencial»… inexistente: as «alterações climáticas». Obsessão que também proporcionou algumas bem estúpidas «flores de retórica»: «se tu vês o oceano a subir pelas ruas como podes negar o que está em frente de ti?» (sobre uma eventual, ou inexistente, inundação em Miami, que sem dúvida o «Messias» conseguiria parar, pois foi o que prometeu quando foi eleito em 2008); «quando os cientistas nos dizem que o planeta está a ficar mais quente, vamos fazer algo quanto a isso, porque não queremos que Manhattan fique debaixo de água» (BHO a pensar que o filme «O Dia Depois de Amanhã» era um documentário); «nós podemos curar o cancro, mas se as temperaturas subiram dois, três graus à volta do planeta, quatro graus, e os oceanos estão a subir, vamos ter mais problemas do que aqueles que a ciência médica pode curar».
Para aqueles que pensam que a frase mais estúpida só pode ser uma em que se diz que uma eventual cura do cancro seria irrelevante no contexto (imaginativo) de um aumento de temperatura e de uma subida de marés, eu digo… que estão enganados. A declaração mais estúpida de 2016, dita por Barack Obama, tem como tema outra obsessão muito cara (em mais do que um sentido) e muito querida dos democratas: o controlo de armas. «Apreciem-na» na sua «plenitude», em todo o seu «esplendor» de falta de inteligência, de insulto à sensatez, e de pura e simples mentira: «nós inundamos as comunidades com tantas armas que é mais fácil para um adolescente comprar uma Glock do que pôr as mãos num computador, ou mesmo num livro». É de acrescentar que tal «monumento» à demagogia mais descarada foi «erigido», para agravar a situação, numa cerimónia de homenagem, realizada em Dallas a 12 de Julho, a cinco polícias mortos por um só assassino, e onde o Sr. Hussein se mostrou prolífico em falsas asserções e comparações. Aliás, ele reconheceu recentemente que o seu maior «falhanço» enquanto presidente foi não ter assegurado um maior (ou o completo?) gun control. E ainda bem! 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

… Com dignidade?

Seria preferível para toda a gente que Barack Obama quisesse, tentasse, terminar o seu (segundo e último, felizmente) mandato com dignidade. Porém, e pelo que tem sido possível constatar desde que Donald Trump foi eleito como seu sucessor na presidência dos Estados Unidos da América, isso não tem acontecido… e é pouco provável que tal se altere nos 21 dias que faltam até a Casa Branca passar a ter – finalmente! – um novo «inquilino».
A aparente cortesia, mesmo que constrangida, do encontro entre o Nº 44 e o Nº 45 na Casa Branca ocorrido a 10 de Novembro não demorou a ser atenuada e mesmo dissipada pelo (reprovável) comportamento posterior do presidente cessante. Que não se restringiu, como já referi, a concordar com a teoria conspiratória, (nem por isso) justificativa do fracasso de Hillary Clinton e do Partido Democrata, de que a Rússia havia de algum modo manipulado a votação – que suscitou, por parte de Barack Obama, um apelo à «acção» contra o Kremlin; inicialmente, tal concretizou-se num mero mostrar de «sentimentos» - sim, Vladimir Putin deve ter ficado a «tremer»! – mas que, ontem, passou para um conflito diplomático em larga escala e reminiscente dos «bons velhos tempos» da Guerra Fria, com o anúncio de sanções que incluem a expulsão de 35 russos dos EUA. O comportamento incluiu igualmente novas demonstrações da (nele) habitual fanfarronice, em especial afirmar que poderia ter derrotado o candidato do GOP se pudesse concorrer a um terceiro mandato! David Axelrod terá dado a melhor explicação para este continuado narcisismo, que é também uma recusa em encarar a realidade: o seu ex-chefe não aceita que o desfecho da corrida presidencial de 2016 tenha sido um «veredicto» - condenatório – dos seus oito anos enquanto comandante-em-chefe; no entanto, é evidente que foi. Além disso, BHO continua a queixar-se das – poucas – vozes nos media que ousaram criticá-lo com regularidade, em especial as na Fox News e Rush Limbaugh, apontando-as como autoras de uma personagem fictícia que ele não é, a tal ponto preponderantes no país que se tornaram inibidoras de um maior voto em Hillary Clinton e indutoras de ainda o verem como um «estrangeiro». Contudo, e o que não é novidade, não são unicamente os órgãos de comunicação social mais à direita que reprovam a atitude de Obama para com eles: ainda esta semana James Risen, jornalista do New York Times, voltou a afirmar que a actual administração tem sido a «mais anti-imprensa» desde Richard Nixon, algo que contradiz... «ligeiramente» a apreciação de Josh Earnest relativa ao seu chefe - este terá sido, supostamente, o presidente «mais transparente» de sempre!    
Outra demonstração de que o Sr. Hussein e os que lhe estão mais próximos como que vivem numa «bolha», separada da realidade vivida pela maioria dos cidadãos, está na declaração de Michelle Obama, em entrevista a Oprah Winfrey emitida a 16 de Dezembro, de que «agora sentimos como é não ter esperança» - que é como que o contraponto de outra (tristemente famosa) declaração da primeira-dama cessante… a de que, após o marido ter sido nomeado candidato à presidência pelo Partido Democrata, pela primeira vez sentira orgulho no seu país. Trump, que muito tem tentado (contra o seu próprio temperamento?) manter um «pacto de não-agressão» com os Obamas, desvalorizou (aparentemente) as palavras de Michelle, tendo assumido que elas se referiam «ao passado e não ao futuro». De qualquer forma, ela está errada, pois, após 8 de Novembro, vários sinais – incluindo índices económicos como valorização do dólar e cotações bolsistas – indicam exactamente o contrário, que as perspectivas de empreendedores e de consumidores são optimistas, positivas… e expressam esperança no futuro. Entretanto, era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, e de tanto a esticar, Barack iria partir a «corda» da cordialidade institucional e Trump já não se sentiria obrigado a conter-se mais… e foi o que o presidente-eleito fez, ao lamentar os «depoimentos inflamatórios» e os «obstáculos» vindos da parte do seu antecessor e da sua equipa. 
A falta de dignidade demonstrada por Barack Obama nas semanas finais da sua (falhada) presidência não é perceptível apenas em palavras. É-o também em actos… e ainda na falta deles. Quando, no mesmo dia (19 de Dezembro), dois significativos atentados cometidos por terroristas islâmicos aconteceram em nações aliadas dos EUA – na Alemanha, em Berlim, um atropelamento colectivo num mercado de Natal, e na Turquia, em Ancara, o homicídio do embaixador da Rússia – ele não fez qualquer comunicação mas continuou a jogar golfe no Havai, onde já se encontrava a gozar as férias de Natal; a propósito, as do ano passado custaram aos contribuintes quase cinco milhões de dólares… e cerca de 85 milhões para o total dos oito anos. É verdade, todavia, que no caso dele a inacção foi, é, quase sempre preferível à acção, e isso permanece válido nestes derradeiros dias e semanas.
Exemplos? Continua a perdoar criminosos e/o a diminuir e/ou comutar as sentenças daqueles a um ritmo superior ao de qualquer dos seus antecessores, quebrando pelo caminho alguns (tristes) recordes… ao mesmo tempo que nomeia, para a Comissão de Direitos Civis dos EUA, Debo Adegbile, advogado que representou o «cop killer» Mumia Abu Jamal, e assim afrontando – novamente – todos os agentes da autoridade do país. Promove a intimidação e/ou o despedimento, no Departamento de Energia (e quiçá em outros organismos federais), de funcionários não entusiastas da sua ideologia, nas alegadas «alterações climáticas» e não só. Acelera o acolhimento de «refugiados», mantendo-se a verificação daqueles diminuta ou mesmo inexistente… ao mesmo tempo que ordena a eliminação de um sistema de registo dos imigrantes muçulmanos para não ser utilizado por republicanos – não, a proposta de Donald Trump não foi propriamente original…
… E, o mais grave, o mais ofensivo, autoriza que a representante do país no Conselho de Segurança da ONU se abstenha – ou seja, não use (pela primeira vez!) o direito de veto como em similares ocasiões anteriores – na votação de (mais) uma resolução contra Israel, redigida com o apoio, e se não mesmo com a colaboração, do Departamento de Estado, e assim permitindo que aquela seja aprovada e que, em consequência, a nação judaica seja condenada por, basicamente, ocupar e/ou construir, com toda a legitimidade, em territórios que são historicamente do povo hebreu há milénios… incluindo o espaço onde se situa o seu monumento mais importante, o muro remanescente do Templo de Salomão! Que dúvidas podem subsistir quanto ao anti-semitismo de Barack Obama, da actual administração e d(e quase tod)o Partido Democrata, e do concomitante favorecimento que fazem do Islão, indubitavelmente expressos, aliás, no vergonhoso discurso feito posteriormente por John Kerry como que a querer justificar o injustificável, e onde se atreveu a afirmar que, se a escolha for de apenas um Estado, «Israel pode ser judaico ou pode ser democrático, não pode ser ambos» - dir-se-ia que o ainda secretário de Estado não conhece as constituições do Afeganistão e do Iraque
Incompetência, intolerância, insegurança e traição: eis as características principais da presidência de Barack Obama na sua fase final… e também, diga-se a verdade, dos seus dois mandatos. O que só fará com que a reacção republicana, na Casa Branca e no Congresso, a partir de 20 de Janeiro de 2017, seja ainda mais rápida, mais agressiva e mais abrangente. Newt Gingrich crê que o (lamentável) legado do Sr. Hussein desaparecerá «dentro de um ano». Provavelmente, nem será preciso tanto tempo. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

«Prendas» de um «Natal» antecipado

Para muitas pessoas nos Estados Unidos da América (e também um pouco por todo o Mundo), a noite de 8 para 9 de Novembro passado acabou por parecer a de 24 para 25 de Dezembro. Mais concretamente, aquelas que queriam a derrota de Hillary Clinton na eleição presidencial, e talvez mais ainda do que a vitória de Donald Trump na mesma. É por isso que, agora, muitos factos, episódios, momentos, incidentes, ocorridos tanto antes como depois do escrutínio parecem como que «prendas» de um «Natal» antecipado para todos os que receavam – com razão – mais quatro anos do Partido Democrata na Casa Branca…
… E entre essas «prendas» há a destacar, para começar, as previsões de que a ex-secretária de Estado iria vencer inevitavelmente e até mesmo esmagadoramente. São de referir a lista da MRCTV com «22 profissionais da comunicação» que acreditavam nisso, do Newsbusters com as «10 mais confiantes mas erradas», a do Politico com as «9 piores» relativas à (então duvidosa) ascensão política de Donald Trump, e, inversamente, a do Independent com (alguns d)aqueles que acertaram no desfecho final… incluindo Michael Moore. Entretanto, e como «exercício» (mórbido?) de «história alternativa», a edição especial que a Newsweek preparou e imprimiu… em antecipação do triunfo (que não aconteceu) da ex-primeira-dama merecerá sem dúvida no futuro um lugar especial entre os mais interessantes… e insólitos artefactos «informativos».
Porém, muito mais hilariantes foram – e continuam a ser, porque ainda não terminaram completamente – as reacções dos apoiantes e votantes de Hillary Clinton à derrota desta. Por reacções não me refiro aqui, desta vez, a manifestações, motins, vandalismo, violência, de que houve vários casos, incluindo agressões a apoiantes e a votantes de Donald Trump – e bastantes dos «crimes de ódio» atribuídos àqueles revelaram-se falsos; refiro-me, sim, a demonstrações de surpresa, mau-perder, recusa em aceitar o resultado, hipocrisia, histeria, imaturidade, infantilidade, enfim, birras em que os esquerdistas se tornaram pródigos, em especial se lhes faltar «espaços seguros». Os (patéticos) exemplos vêm tanto de figuras públicas, políticos e «celebridades», como de cidadãos mais ou menos anónimos. Há a acelerada degradação dos estados mentais de Keith Olbermann e de Paul Krugman – que, aliás, nunca foram grande coisa para começar. Há aquele homem que se internou na ala psiquiátrica de um hospital, e aquela mulher que declarou que desistiu de namorar… porque «The Donald» venceu. Há os artistas que afirmaram sair dos EUA e mudarem-se (quase todos) para o Canadá (Cher preferia… Júpiter!) no caso de Hillary não vencesse, mas que - «surpresa»! – não cumpriram a promessa; outros, mesmo sem «ameaças» de auto-exílio, prodigalizaram a sua decepção («coitadinhos»!); sim, o pequeno ecrã foi… diminuto para os egos descomunais e desiludidos de alguns. Há aquelas estudantes universitárias «feministas» que, em protesto contra a «objectificação» das mulheres feitas por DT, decidiram fotografar-se… despidas. Há George Takei, que, demonstrando estar a fazer o seu próprio… «caminho das estrelas», mudou de posição quanto à possibilidade de as eleições terem sido «viciadas»rigged»), não é consistente quanto à utilização ideal por Trump do Twitter, e ignora que no Senado a minoria tem agora menos poderes… graças a Harry Reid. Há a Salon, que se «esqueceu» de que «Teflon Don» ainda não é presidente e ainda é cedo para o acusar de tudo que corre mal. Enfim, há Valerie Jarrett, para quem a derrota como que foi um (muito bem dado?) «soco no estômago»…
Não se pode dizer, no entanto, que os esquerdistas «progressistas» dos EUA se limitaram a «chorar sobre o leite derramado»: para além de muito falarem (parvamente), passaram à acção… ou tentaram, no sentido de alterar o resultado da eleição. Primeiro, experimentaram uma recontagem, um processo que foi liderado não por Hillary Clinton e/ou alguém da sua campanha mas sim por Jill Stein, a candidata do Partido Verde, que ficara em quarto lugar na corrida presidencial… e que, na prática, acabou por se revelar uma vigarice em que muitos democratas caíram: Stein recebeu mais dinheiro (três milhões e meio de dólares, embora tivesse pedido sete!) e mais cobertura mediática nesta manobra do que em toda a sua campanha. E o que aconteceu? Pedidas novas contagens de votos no Michigan, na Pensilvânia e no Wisconsin, só neste Estado os tribunais permitiram que tal se fizesse, e… a vitória de Donald Trump confirmou-se, tendo ganho 844 votos e aumentando a sua vantagem para 131! Segundo, experimentaram convencer os membros do colégio eleitoral a quebrarem o seu dever para com os cidadãos dos seus Estados, a desobedecerem, a «revoltarem-se», atribuindo os seus votos não a Trump mas sim a outra pessoa; neste «golpe» (algum)as «estrelas de Hollywood», uma vez mais dando mostras de sobrestimarem a sua influência, destacaram-se pelo seu «activismo», a que não faltou, inclusive, «selfies» à luz de velas. E o que aconteceu? O candidato republicano perdeu dois eleitores… mas a candidata democrata perdeu cinco (dos quais três para Colin Powell!), e poderiam ter sido oito, não fossem as regras no Colorado, no Maine e no Minnesota imporem a substituição dos «infiéis» e/ou a anulação das suas decisões. Ou seja, também a este nível o magnata de Nova Iorque acabou por aumentar a vantagem para a ex-senadora de Nova Iorque – foram 304-227 em vez de 306-232! Nem a promessa feita por Michael Moore de que pagaria as multas aos «faltosos» foi suficiente, e não é de esperar que a sua generosidade se estenda aos que, como Michael Baca, negaram o seu voto a Hillary. Esta terá «colhido a tempestade» que resultou do «vento que semeou»: recorde-se que ela classificou de «ameaça directa à nossa democracia» a recusa de Trump, expressa num dos debates, em afirmar antecipadamente que aceitaria incondicionalmente o resultado da eleição - mais precisamente, se tal significasse a sua derrota.  
Seria de esperar que pessoas normais, depois de tantas humilhações, de tanto ridículo, de tantos «tiros a sair pela culatra», decidissem parar para pensar, poupar nas palavras e nos actos, enfim, mudar de atitude… mas os «burros» norte-americanos, como tenho demonstrado nestes últimos quase oito anos, não são pessoas normais. Como se já não tivessem o suficiente para se «entreterem», resolveram convencer-se de que russos – a mando de Vladimir Putin, obviamente - haviam interferido («hacked») as eleições a favor de Donald Trump, apesar de nenhuma prova e nenhum raciocínio (lógico) sustentar essa acusação – e, não, insinuações vindas de fontes anónimas alegando serem do FBI e da CIA nunca substituem declarações oficiais daquelas agências. Não deixa de ser irónico ver os mesmos democratas que, em 2012, gozaram com Mitt Romney por este afirmar que era em Moscovo que estava o maior rival geoestratégico da América, ficarem histéricos em 2016 perante alegados ataques lançados a partir da Praça Vermelha. E no passado os «azuis» até mostraram estar receptivos a ajudas dos «vermelhos» da (ex-)União Soviética… Nada mais há para fazer além de rir quando, neste assunto, Hillary Clinton (revelando ser ela quem é «sore looser», e não DJT), John Podesta – cuja irresponsabilidade foi o que permitiu a apropriação e a divulgação das mensagens electrónicas da DNC pelo WikiLeaks – e o próprio Barack Obama são desmentidos por Loretta Lynch
As «prendas» relativas ao «Natal» antecipado, a 8 do 11, nos EUA, não são, todavia, exclusivamente «fabricadas» lá. Cá também há algumas… como a ignorância e a insegurança de alguém que, como já referi, decidiu apostar prematuramente no «cavalo» errado – ou, mais correctamente, na «égua» errada – e agora está um pouco «à nora». Na verdade, quem faz – escreve e publica – um livro em que se afirma que Hillary Clinton vai ser presidente não tem propriamente muita autoridade e credibilidade para vir agora dizer que Donald Trump «está a optar por escolhas extremadas e perturbadoras», e que «Rex Tillerson para chefe da diplomacia é uma ofensa ao cargo de Secretário de Estado. A proximidade com Putin é assustadora». Sim, o ainda CEO da Exxon Mobil é tão «assustador» e tão «ofensivo» que o casal Clinton considerou convidá-lo para discursar num dos eventos da fundação homónima! E a sua proximidade com Vladimir não será mais assustadora do que a manifestada por Barack Obama, que, recorde-se, prometeu ao actual senhor do Kremlin maior «flexibilidade» no segundo mandato… terá isto sido confundido com autorização para cometer «interferências informáticas»? Sim, talvez pudesse comprar o novo livro de Germano Almeida para oferecê-la nesta quadra festiva – parece ser uma notável obra de humor, apta a proporcionar umas boas gargalhadas, e no passado dia 20 lá se fez, desta vez no Porto, mais uma (desesperada) tentativa para simular a sua relevância e vender mais uns exemplares. Contudo, porque está impressa segundo o abominável AO90… irei gastar o meu dinheiro noutras coisas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Rever em baixa (Parte 14)

«O que Obama pensa sobre Islamismo, Comunismo… e América», Elliott Abrams; «Ao rejeitar a expressão “Islão radical”, Obama rejeita a realidade», David Harsanyi; «Obama – anti-anti-terrorista», Andrew C. McCarthy; «Quando o candidato Obama correu com três jornais para fora do seu avião de campanha, ninguém quis saber», Joe Concha; «Mensagem de Obama para os americanos – vocês não podem aguentar a verdade», Alex Griswold; «Obama nunca é culpado por má segurança», Brent Bozell e Tim Graham; «As seis coisas que Obama não quer que você saiba sobre o Estado Islâmico», Sebastian Gorka; «É Barack Obama responsável pelo ataque terrorista contra polícias em Dallas?», Ben Shapiro; «A contaminação Obama», Andrew Klavan; «A divisiva dualidade de critérios de Obama», David Limbaugh; «Um ano de falhanços de Obama com o Irão», Marco Rubio; «No “ObamaCare”, o presidente ignora as realidades desagradáveis», James C. Capretta; «Obama continua a sua cruzada contra um sistema de justiça criminal que ele descreve como racista», Heather MacDonald; «O problema com o ensaio feminista do presidente Obama na Glamour», Alexandra DeSanctis; «A mendacidade por detrás da troça de Obama à estória do dinheiro-para-o-Irão», Claudia Rosett; «Cinco razões pelas quais Barack Obama era – e mantém-se – inapto para a presidência», Joel B. Pollak; «A explicação marxista de Obama para o terrorismo», Robert Kraychik; «A agenda para imigração Obama-Clinton significará a balcanização da América», John Fonte; «A humilhação de um presidente», Wesley Pruden; «Pagamento de um resgate por Obama abriu as portas a futuras crises de reféns», Bill Johnson; «Continue a balançar, senhor presidente», Kevin D. Williamson; «A América que Obama deixa para trás», Jim Geraghty; «A doutrina Obama – “rendição sem paz”», Charles Hurt; «Obama está errado a respeito de Colin Kaepernick», Jim Huffman; «A política de energia da administração Obama ameaça a economia dos Estados Unidos», Johnathan Sargent; «Os legados de Barack Obama», Victor Davis Hanson; «Obama/Clinton – Na cama com grandes bancos como o Wells Fargo», Bryan Crabtree; «Nenhum “obrigado”, Obama», Stephen Moore; «Legado de Obama - Normalização de motins raciais e de terrorismo doméstico», John Nolte; «Obama insulta os negros… outra vez», Deroy Murdock; «Nas ruínas de Aleppo, Putin está a moldar o legado da política diplomática de Obama», Tom Rogan; «A colossal mentira de Obama sobre correio electrónico é o teste final para os manchados media», Roger L. Simon; «Obama pode ter mentido sobre o seu conhecimento do servidor de correio privado de Clinton, e ninguém se importa!», Chris White; «Do Congresso para Obama, um desrespeito melhor servido frio», Jonah Goldberg; «O legado nado-morto de Barack Obama», Charles Krauthammer; «Porque é que a administração Obama não disse a verdade sobre a morte de Chris Stevens?», Lydie M. Denier; «Obama mentiu, o meu terceiro plano de saúde acabou de morrer», Michelle Malkin; «Cinco vezes que Obama, enquanto candidato presidencial, questionou a validade do processo eleitoral», Jeff Poor; «WikiLeaks revelam a “linha na areia” de Obama – Vocês não acreditarão qual é», Liz Peek; «A nova regra para horas extraordinárias da equipa Obama é desumanizadora, prejudicial economicamente e deve ser parada», Joseph R. Metzger; «É melhor que o presidente Obama tenha esperança de que a WikiLeaks mude de assunto», Jordan Chariton; «Porque o colapso do ObamaCare é exactamente o que Obama e Clinton querem», Monica Crowley; «Um olhar mais próximo sobre a hipocrisia do ultraje moral dos Obama a propósito de Trump», James Barrett; «O que aconteceu ao FBI? Foi corrompido por Obama e a sua equipa», Andrew P. Napolitano; «A ciber-negligência de Obama», Josh Gelernter; «ObamaCare está a falhar, e a administração Obama sabe-o», Melissa Fausz; «O nosso presidente necessita desesperadamente de uma vistoria de realidade no ObamaCare», Tom Cotton; «Turquia – O último fiasco da política externa de Obama», P. H. Guthrie; «Obama devia parar de apropriar-se da cultura sulista», Todd Starnes; «A “esperança e mudança” de Obama deu-nos “medo e asco”», Michael Goodwin; «O principal legado de Obama – O colapso do Partido Democrata», Rich Lowry; «A arma secreta de Trump – Obama», Kimberley A. Strassel; «As políticas e a visão alargada de Obama enfrentam um ajuste de contas com a História», Peter Baker; «O que o Presidente Obama falhou em fazer», Bill O’Reilly; «Atiçar as chamas em vez de apelar à calma é clássico Obama», Sean Hannity; «Dois Obamas delongam-se no palco», David Krayden; «Obama diz que teve uma administração sem escândalos – Aqui estão 11 dos seus escândalos», Aaron Bandler; «O “legado” de Obama», Conrad Black; «A Fox não ganhou uma eleição, você perdeu-a», Neil Cavuto; «Obama, Trump e a fábula da varinha (Carrier) mágica», Crystal Wright; «A economia Obama e o mito do “pleno” emprego», Stewart Lawrence; «O misto legado anti-terror de Obama», David French; «Obama prega a empatia, Trump projecta-a», Kyle Smith; «A eleição terminou, senhor presidente», Jeanine Pirro.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um falou na pachacha, outro mostrou o pirilau

Se me pedissem para escolher o episódio, o facto, o momento, mais marcante, mais memorável, e mais determinante da – verdadeiramente espantosa – eleição presidencial nos EUA de 2016 (e foram tantos!), que de facto começou em 2015 com as primárias nos Partidos Democrata e Republicano, e que, compreensivelmente, para uns foi a «melhor de sempre» e para outros foi a «pior de sempre», eu diria que…
… Teria de ser a divulgação da conversa, tida em 2005, entre Donald Trump e Billy Bush (primo de George W. e de Jeb), registada aquando da gravação de uma emissão do programa «Access Hollywood», e que incluiu afirmações – supostamente off-the-record – de índole sexual de gosto muito duvidoso por parte do candidato republicano, em especial a de que, quando se é famoso, se pode «agarrar as mulheres pela pachacha» («grab them by the pussy»). Curiosamente, não foi a NBC, estação a que pertence o referido programa e também, refira-se, «O Aprendiz», que o agora presidente-eleito apresentou durante 14 temporadas, que revelou inicialmente a gravação, mas sim o Washington Post, que, decidida e definitivamente, confirmou a sua principal vocação – a de (tentar) desestabilizar e derrubar presidentes e candidatos do GOP desde 1974… não por acaso, o jornal agora possuído por Jeff Bezos, o fundador da Amazon, recomendou o voto em Hillary Clinton. A seguir ao choque, duas perguntas cruciais surgiram. Primeira, seriam declarações (muito) polémicas com 11 anos, e não as mais recentes, que finalmente terminariam a sua candidatura e o seu sonho de se tornar presidente dos EUA? Já sabemos que não… Segunda, porque é que a dita «conversa de balneário» não foi tornada pública antes… mais concretamente, durante as primárias do Partido Republicano? Não é difícil a resposta: porque se partiu do pressuposto (errado) de que ele seria o «elefante» mais fácil de vencer, decidiram guardar esta «bomba» até ficar confirmado que Trump seria o nomeado pelo GOP e ser determinado qual o momento em que ele estaria alegadamente mais vulnerável…
… E que acabou por ser o dia 8 de Outubro (exactamente um mês antes da votação final), ou seja, a seguir ao primeiro debate (a 26 de Setembro) com Hillary, em que ele, indubitavelmente, não foi o melhor, e na véspera do segundo! Tudo parecia irremediavelmente perdido… Porém, Donald acabou por (conseguir) fazer o que John Nolte, comentador, crítico de cinema (e ex-realizador), e uma das mais mentes mais corajosas, lúcidas e hilariantes do actual cenário cultural norte-americano, sugeriu: reiniciar a corrida em seu benefício. E foi o que ele fez: talvez encorajado pelo triunfo do seu «running mate» Mike Pence no debate com Tim Kaine entre candidatos a vice-presidente, emitiu um sincero pedido de desculpas (algo muito difícil para ele!) por palavras ditas mais de uma década antes, e venceu não só o segundo debate mas também o terceiro (a 19 de Outubro). E venceu a eleição… De nada valeram, pois, as – previsíveis e hipócritas – manifestações de choque, de desagrado, de reprovação por parte de muitos «progressistas» perante a linguagem utilizada – 11 anos antes, repita-se – por Trump. Quantos foram os que a usa(ra)m também, e/ou não mostra(ra)m indignação quando amigos e «camaradas» seus a usa(ra)m? Michelle Obama, que afirmou ter ficado «abalada até ao cerne» («shaken to the core») com o que Trump disse, não sente o mesmo quando ouve o mesmo – ou até pior – vocabulário por parte dos seus amigos Jay Z, Beyoncé, Common, e outros artistas similares? E que dizer de Lena Dunham, outra das mais notórias «celebridades» que apoiaram Hillary, que revelou ter abusado sexualmente da irmã, que enunciou «os cinco cenários em que se pode agarrá-las pela pachacha», e que, com a ex-secretária de Estado, especulou animadamente sobre as características do pénis de Lenny Kravitz?..
… E, principalmente, que dizem os democratas de uma candidata que tem como marido um homem que, mais do que falar em «agarrá-las pela pachacha», de facto o fez, e ainda outras agressões sexuais – incluindo a mulheres que, ao contrário do que Nuno Gouveia afirmou, nunca foram «amantes» dele - que a esposa não admitiu, e que, pior, por causa dessas agressões perseguiu as vítimas? Não é segredo nem novidade que Bill Clinton, durante décadas, andou a mostrar – e a introduzir – o pirilau a/em centenas de mulheres (com algumas consensualmente, sem dúvida)… mas, que se saiba, sempre em privado… o que não foi o caso de Barack Obama em pelo menos uma ocasião. Quatro dias depois do «PussyGate» ter eclodido, foi divulgada (a versão integral de um)a gravação feita pela CNN em 2008 que mostra o então senador pelo Illinois e candidato pelo Partido Democrata à presidência dos EUA num avião… e a exibir uma erecção. Porque é que só oito anos depois, e já quando nenhum efeito negativo tal poderia ter na eleição – e na reeleição – do Sr. Hussein, é que este registo audiovisual é tornado público? A resposta, evidentemente, não é muito difícil de adivinhar…
… E, continuando a falar em indecências captadas em vídeo, talvez seja depois de Barack Obama deixar a Casa Branca que o Los Angeles Times irá finalmente mostrar a gravação que tem de um evento de homenagem, realizado em 2003, ao activista palestiniano, anti-semita e anti-israelita, Rashid Khalidi, em que o Sr. Hussein participou. É muito provável que se trate de algo bem mais chocante do que as «partes pudendas» de BHO.   

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Distorções portuguesas (Parte 3)

(Uma adenda no final deste texto.)
Em Portugal (quase toda) a comunicação social encarou e abordou as eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos da América do mesmo modo como aborda a actualidade política daquele país em geral e em permanência: antagonizando o Partido Republicano e os membros (e os candidatos) deste e favorecendo o Partido Democrata e os membros (e os candidatos) deste. Logo, o repúdio, quando não a repulsa, que vários «jornalistas», analistas, comentadores nacionais manifesta(ra)m contra Donald Trump, antes e depois da sua vitória, também é o resultado da adulação, quando não da adoração, que sentem por Barack Obama… e por Hillary Clinton. Pelo que, como já escrevi antes, (ou)viu-se alguns «a fazerem as figuras mais tristes, mais ridículas, mais histéricas, a dizerem e a escreverem os maiores disparates»…
… E em nenhuma outra entidade-espaço-instituição deste país isso terá sido mais evidente do que no grupo Impresa. Tenho indicações, registos, de pelo menos quatro exemplos que o comprovam: a revista («E») do jornal Expresso de 29 de Outubro, com uma fotografia de Hillary Clinton e o destaque para um artigo de Clara Ferreira Alves - «”Yes She Can” – Hillary Clinton está prestes a fazer história quando a 8 de novembro (sic!) se tornar a primeira mulher eleita Presidente dos Estados Unidos da América»; antes e durante (d)o dia 8 a cobertura «noticiosa» deficiente, incompetente, tendenciosa da eleição nos EUA feita pela SIC, segundo o relato de Pedro Correia no Delito de Opinião; o artigo de Mafalda Anjos, «diretora» (sic!) da revista Visão, intitulado «Trump presidente? Merda, merda, merda!» - escrito na madrugada de 9 de Novembro depois de «uma noite em claro, milhares de caracteres para o lixo e toda uma edição alterada em meia dúzia de horas por uma equipa de luxo de 12 pessoas que resistiu até ao amanhecer»; também no dia 9, na SIC Online, a «notícia» que «informava» que «americanos protestam contra eleição de Trump» - do que se pode deduzir que ou até os que votaram nele protestaram, ou que foram só estrangeiros a elegê-lo...
Infelizmente, e como seria de prever, no Público também abundaram os exemplos de uma abordagem, digamos…. desequilibrada ao escrutínio nos EUA e aos seus dois protagonistas principais. Em 2012 contactei aquele jornal e, para além de uma «troca de URL’s», disponibilizei-me para dar uma outra perspectiva, mais abrangente e completa, da política norte-americana; porém, e apesar de, desde então, ter regularmente renovado a minha oferta, a minha participação não foi requerida, e as consequências são visíveis: a 23 de Outubro, saía a notícia «Trump vai processar mulheres que o acusam, Clinton prefere falar do que vai fazer se for eleita»… um dia depois de o candidato republicano ter apresentado o seu «Contrato com o votante americano»; a 29, «Ministério Público brasileiro investiga negócios de Donald Trump»… ao mesmo tempo que, nos EUA, era sabido que o FBI decidira reabrir a investigação ao servidor privado de Hillary Clinton; entretanto, artigos de opinião como «A Europa dificilmente sobreviveria (sobreviverá) a Donald Trump», de Teresa de Sousa, «Medo. De Trump», de David Dinis (actual director do jornal), ambos publicados antes da eleição, «O triunfo dos porcos», de José Vítor Malheiros e «Trump abriu a toca aos guerreiros arianos», de Bárbara Reis (anterior directora do jornal), publicados depois, não contribuíram propriamente para um esclarecimento completo, racional e sensato sobre aquela, nem para a consolidação da credibilidade do Público, em especial na área internacional…
Obviamente, nem só de alusões deficientes e deturpadas se fizeram, e se fazem ainda, as (muitas) distorções portuguesas da realidade política norte-americana. Estas também podem tomar a forma de omissões. Como a praticada por João Lopes, jornalista (do Diário de Notícias), crítico de cinema, comentador de cultura… e (grande) admirador de Madonna, mas que decidiu não mencionar, no seu blog Sound + Vision (em que tem como parceiro Nuno Galopim), que a cantora de «Like a Virgin» decidira oferecer fellatios a todos os votantes de Hillary Clinton – uma promessa que, no entanto, ela decidiu não cumprir depois do dia 8; um «lapso» tanto mais surpreendente por JL repreender frequente e veementemente programas do tipo «reality show» como «Casa dos Segredos», da TVI, e a sordidez que lhes é característica, a sua «desoladora rotina (…) (onde) tudo é sexo. Sexo mecânico. Sexo instrumental e instrumentalizado. Sexo, dizem eles, para fazer espectáculo e “entretenimento”. Triunfou mesmo a ideia (?) segundo a qual quando mais se aviltar a nobreza do factor humano, mais “entretidos” estão os espectadores». Incrivelmente, o primeiro texto de João Lopes sobre Madonna publicado no S + V depois de aquela ter alardeado a sua generosidade… oral consistiu numa citação de uma mensagem da artista no Instagram, feita no dia 6, e em que ela, alertando para os supostos perigos de um triunfo de Trump, avisava que «isto não é um reality show»!        
Se já é suficientemente mau produzir e divulgar (pequenas) peças, sejam textuais sejam audiovisuais, garantindo que a vitória de Hillary Clinton é indubitável, ou que, afinal, tendo Donald Trump triunfado, o fim do Mundo está próximo, que dizer quando livros são feitos baseados nessa errónea premissa? As primeiras ainda podem ser «jornalisticamente» corrigidas, contextualizadas, esquecidas… apagadas; mas que fazer dos segundos e das suas centenas, quiçá milhares, de páginas já impressas? Por mais espantoso que isso possa parecer… e ser, dois livros foram publicados em Portugal em 2016 na assunção de que a candidata do Partido Democrata seria a próxima presidente dos EUA.
Um é intitulado «Administração Hillary» e foi escrito por Bernardo Pires de Lima e Raquel Vaz-Pinto. À editora da obra enviei três mensagens. Primeira, a 24 de Outubro: «Permito-me fazer uma correcção ao que está na página de apresentação, no sítio na Internet da Tinta da China, do livro "Administração Hillary", mais concretamente, que a esposa de Bill Clinton “foi a primeira mulher a concorrer à Casa Branca” - o que não é, obviamente, verdade.». Segunda, no mesmo dia: «Enquanto aguardo a vossa resposta (e/ou confirmação de que receberam a mensagem anterior), aproveito para fazer outra observação sobre o mesmo assunto... Se o erro que apontei - o de Hillary Clinton ser apresentada como “a primeira mulher a concorrer à Casa Branca” - apenas está na respectiva página da Internet, isso não é (muito) grave e pode ser corrigido sem prejuízos de maior; porém, se está igualmente patente no livro, ou seja, em centenas ou mesmo milhares de exemplares em papel, então tal falha é seriamente preocupante e põe (ainda mais) em causa a credibilidade de toda a obra - na verdade, se os autores claudicaram em algo de tão básico, quem garante que não existirão incorrecções adicionais? Evidentemente, poder-se-ia começar por questionar a decisão de publicar um livro que como que dá por garantida a vitória da candidata democrata... antes de a eleição se realizar.». Terceira, a 9 de Novembro: «Sou forçado a concluir, infelizmente, que da parte da Tinta da China não há interesse - e um mínimo de boa educação - em responder às mensagens de alguém que é, também, um vosso cliente e consumidor - na verdade, já adquiri livros editados por vocês... Porém, não deixo de enviar uma (derradeira?) mensagem sobre o assunto: agora que se sabe que foi Donald Trump quem venceu a mais recente eleição presidencial nos EUA, qual vai ser a abordagem comercial que irão adoptar com o livro “Administração Hillary”? Ficção científica no sub-género história alternativa... ou distopia? Já agora, se estiverem interessados, tenho um romance nesse âmbito para o qual procuro editor(a)... ;-)» Aparentemente, a minha sugestão terá sido seguida, pois agora o livro, na respectiva página no sítio da TdC, é apresentado deste modo: «Como seria o Mundo se a mulher que concorreu à presidência dos EUA tivesse vencido as eleições»! É de notar, no entanto, que eu não fui o único a brincar com este extremamente infeliz (?) projecto literário…
O outro livro marcado por uma «efabulação precoce» é intitulado «Hillary Clinton – Nunca é Tarde para Ganhar», e foi escrito por Germano Almeida, meu «colega» na blogosfera com especial enfoque nos EUA – o seu blog, Casa Branca, é apenas dois meses mais antigo do que o Obamatório. Os seus dois anteriores livros, ambos sobre Barack Hussein Obama, foram publicados – também pela PrimeBooks – depois de o presidente cessante ter vencido as eleições de 2008 e de 2012, respectivamente… e teria sido preferível que ele tivesse aguardado igualmente o desfecho da de 2016. De facto, e em retrospectiva, não foi propriamente muito sensato publicá-lo prematuramente… e com a seguinte sinopse: «Hillary Rodham Clinton concretizou o sonho da sua vida e é a primeira mulher a chegar à Presidência dos Estados Unidos. Este livro traça-nos o perfil desta mulher singular e obstinada, conta-nos o seu percurso, ideias e paixões e revela ainda pormenores essenciais da corrida eleitoral mais imprevista das últimas décadas nos Estados Unidos da América.» O («pequeno») problema de ter sido lançado antes de a «corrida eleitoral mais imprevista das últimas décadas» nos EUA ter terminado é que, por causa disso, não incluiu o pormenor mais essencial e mais imprevisto: o resultado final dessa corrida, ou seja, a vitória de Donald Trump. Por isso, o debate que decorreu na FNAC Chiado a 21 de Novembro e que teve este livro «como mote para (uma) reflexão alargada sobre este momento de transição na América», reflexão essa que contou com um alegado «painel de luxo, com alguns dos maiores especialistas em política americana do nosso país», mais não foi do que uma – patética – tentativa de «controlo de danos» que resultaram de uma aposta editorial que se revelou desastrosa. Aliás, a inexistência de notícias, de relatos posteriores deste debate parece ser uma confirmação de que os tais «maiores especialistas» não chegaram a conclusões claras e convincentes. Mais valia que tivessem convidado apenas a mim, e eu de bom grado enunciaria e explicaria inequivocamente todas «as razões para o falhanço da candidatura (de) Hillary»…
… Embora não o tenham feito, tal como a Antena 1, Antena 3, CCTV América (?!), Expresso, Jornal de Notícias, Observador, Porto Canal, Rádio Nova, Rádio Morabeza (de Cabo Verde!), Rádio Renascença, RTP 1, RTP 3, TSF e, evidentemente, a TVI, contaram com a colaboração pontual ou permanente de Germano Almeida nas semanas e até meses anteriores à eleição e nenhum destes (e outros) órgãos de comunicação social decidiu solicitar uma vez que fosse o meu contributo. Será interessante ver se a credibilidade do meu «colega» junto daqueles se manterá depois de ele ter assegurado que Hillary Clinton só perderia «em caso de doença ou atentado» e de, depois, ter classificado a perda daquela (sem doença ou atentado) como uma «total surpresa» - para mim não foi – e «uma espécie de 11 de Setembro de 2001 no plano político e social». Entretanto, admito que também estou «preocupado» com a situação de outro meu «colega» de blogosfera, João Luís Dias. E porquê? Porque, depois de ter estado mais de sete meses sem ter publicado qualquer texto no seu Máquina Política, e tendo regressado a 9 de Outubro afirmando que «por esta altura, é já praticamente certo que Donald Trump não virá a ocupar a Sala Oval a partir de 20 de Janeiro do próximo ano», dele não há novidades desde 8 de Novembro, quando anunciou que iria estar nessa noite no Porto Canal a comentar a eleição. Talvez fosse aconselhável pedir a Nuno «Era uma Vez na América» Gouveia, que também reside no Porto, que fosse à procura do João… apesar de ainda não ter «digerido» totalmente a vitória de Donald Trump, muito mais objecto das suas invectivas no Twitter do que Hillary Clinton.
(Adenda – Ainda a tempo, eis mais dois exemplos de portugueses que, a propósito da eleição presidencial nos EUA, revela(ra)m a sua ignorância, a sua imaturidade, o seu sectarismo… claro, são de extrema-esquerda. Uma achava «óbvio» que Donald Trump «não ganha(ria)», e preocupava-se como os eleitores dele iriam reagir – afinal, viu-se, e de que maneira, como é que os votantes (ou nem por isso…) de Hillary Clinton reagiram… com violência e com vigarice. Outro não hesitou em acreditar no que alegava um «tweet» alheio – entretanto, e significativamente, apagado: que Mike Pence afirmara que existiam mulheres que queriam ser violadas para assim poderem fazer abortos – uma calúnia, uma falsidade tão estúpida que foi denunciada e desmentida, entre outros media, pelo Snopes – insuspeito de simpatias por conservadores.)