sábado, 27 de agosto de 2016

Anatomia de Grayson (Parte 3)

Caras e caros leitora(e)s do Obamatório: acaso sentiam necessidade e/ou saudade de mais uma selecção de alguns dos mais recentes, revoltantes e/ou risíveis dislates de Alan Grayson? Não? Pois, eu também não… mas manda a exigência de rigor e a preocupação pela sanidade proceder, com uma regularidade mínima, a uma verificação (ou uma confirmação…) do estado mental (deplorável) dessa autêntica personificação da parvoíce «progressista» na política partidária que é o representante da Flórida pelo Partido Democrata. E como tal não era feito aqui há quase seis anos (!), eis então uma dose de «sillyness» do autodenominado «congressista com tripas» («congressman with guts») também suficiente para alimentar toda e qualquer «silly season»…
… Que não seria necessário apresentar se, depois de ter sido derrotado pelo seu rival republicano Daniel Webster em 2010, ele tivesse reflectido e em definitivo desistido de se dedicar à «coisa pública» e voltado à «vida civil». Mas não: um novo distrito eleitoral (o 9º) foi criado naquele Estado, e em 2012 ele candidatou-se e venceu a respectiva votação. Pelo que o Congresso voltou a «beneficiar» da sua presença e da sua participação… em adicionais episódios embaraçosos. Como: afirmar que a anexação da Crimeia pela Rússia constituiu «uma transferência de poder virtualmente sem derramamento de sangue», pela qual, aliás, os EUA deveriam estar contentes («pleased»); assegurar que «o aborto não é homicídio»; troçar de Marco Rubio por este ter proposto fazer de Setembro o mês dedicado à divulgação das doenças da espinal medula. Nada disto, por insultuoso que seja, é verdadeiramente surpreendente para quem esteja a par das atitudes e dos comportamentos de Alan Grayson no passado…
… Porém, já é causa de algum espanto (ou talvez não…) a sua própria, privada «guerra à mulher»: em Março de 2014 soube-se que ele havia sido objecto de uma queixa de violência doméstica pela sua então esposa (entretanto divorciaram-se), tendo aquela recebido de um juiz da Flórida uma «temporary protective injuction», uma ordem do tribunal proibindo ao então marido qualquer contacto com ela. Na verdade, Lolita Grayson alegou que sofreu repetidos abusos físicos – dos quais existirão registos policiais e hospitalares desde 1994 – durante o casamento de 25 anos que a uniu ao controverso político… que, note-se, voltou a casar em Maio último, e com uma mulher, Dena Minning, que agora concorre ao seu lugar em Washington – o que poderá parecer insólito, mas adiante se explicará porque não é. Dois anos depois o assunto ainda é melindroso o suficiente para Alan Grayson ameaçar um jornalista do Politico que teve a (infeliz?) iniciativa de lhe pedir um comentário às acusações da sua ex - que ele nega veementemente.  
A quem perguntar se a situação de Alan Grayson poderia ficar pior depois disto, a resposta é… sim, pode! Em Fevereiro último o New York Times revelou que Grayson leva(va) uma «vida dupla»: havia criado e geria um «hedge fund», isto é, um fundo de protecção ou cobertura de risco, que, na prática, é um tipo de fundo de investimento altamente especulativo que visa rentabilizar ao máximo os capitais que lhe são confiados; enfim, algo contraditório para alguém que se destacara por criticar «psicopatas gananciosos» à direita, nomeada e obviamente os irmãos Koch; afinal, este «campeão dos progressistas» decidiu lançar-se em actividades capitalistas a partir do «paraíso fiscal» das ilhas Caimão, com o «nada» narcisista «Fundo Grayson» (posteriormente rebaptizado «Fundo Sibylline»… sibilino?!), criado em 2013, e que procuraria lucrar de situações resultantes de «desastres económicos, políticos e naturais», e em que numa das suas comunicações de angariação usou a famosa frase da família Rothschild que diz «o tempo de comprar é quando há sangue nas ruas»! Como não poderia deixar de ser, esta revelação suscitou a instauração de um inquérito pelo Comité de Ética da Casa, que, num relatório apresentado em Abril, concluiu que há «razões substanciais para acreditar» que AG violou leis federais e regras do Congresso por iniciar e desenvolver esta carreira paralela ao seu cargo de político eleito. No entanto, e comprovando – como se tal fosse necessário – que ele não tem o mínimo de vergonha na cara e que a hipocrisia é a sua essência, reagiu à «bronca» com a imaturidade previsível e, posteriormente, teve a «lata» de (novamente) criticar Wall Street!
Em circunstâncias normais, com pessoas normais, uma tal sucessão de situações escabrosas, escandalosas, levaria o envolvido a demitir-se, a fugir, a talvez tentar refugiar-se num (difícil) anonimato durante algum tempo… mas, todavia, não se está a lidar aqui com pessoas normais. Alan Grayson não só se mantém no seu posto como quer passar para um que está no patamar acima – e, lá está, «passar o testemunho» à sua actual esposa; mais concretamente, quer vencer e substituir Marco Rubio. O «congressista com tripas» quer ser o «senador com tripas»! Contudo, a sua (má) imagem até junto dos seus «camaradas» é tal que Harry Reid apelou a que ele desistisse e da corrida e, depois, disse-lhe pessoalmente que queria que ele perdesse! Em vez de se encolher, Grayson ainda mais se empertigou: declarou que é detestado pelo «establishment», pelas «elites corruptas» do Partido Democrata, sendo este uma ferramenta para a lavagem de dinheiro a favor de grandes doadores. Nada como uma (oportuna) «zanga de comadres» para se descobrirem (algum)as verdades…     

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Quem manda é ela

Em política – e não só nos EUA – uma das questões perenes é a de saber como abordar a presença e a eventual influência da família dos políticos e, em especial dos cônjuges. Havendo nesta actividade, como se sabe, ainda mais homens do que mulheres, é então sobre namoradas, esposas, companheiras de deputados (senadores, representantes), governadores… e presidentes que as atenções mais recaem. E afirmar que a elas caberá sempre uma posição secundária já não tem fundamento quando se vê qual foi o percurso de Hillary Clinton depois de ter sido primeira-dama do Arkansas e, depois, do país: senadora, candidata à presidência, secretária de Estado e, novamente candidata à presidência… e, desta vez, nomeada pelo seu partido.
Em relação a Michelle Obama já há quem queira «empurrá-la» para outros «voos» depois de o marido deixar a Casa Branca em Janeiro do próximo ano. Há que admiti-lo: comparada com Hillary Clinton e até com o próprio marido, ela não tem um passado repleto de «esqueletos no armário», de associações suspeitas ou mesmo criminosas, de afirmações incoerentes, insultuosas e mesmo incendiárias, não faz da mentira uma prática quase permanente. O que não quer dizer, evidentemente, que não tenha estado envolvida em algumas controvérsias desde que entrou no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia em Washington. Segue-se uma breve súmula das mesmas no último ano…  
… Das quais há a destacar antes de mais as duas vezes – uma numa cerimónia de formatura universitária, outra na recente convenção do Partido Democrata – em que ela disse que (desde 2009) «todos os dias acordo numa casa construída por escravos»… o que não é exactamente verdade, porque na Casa Branca trabalharam homens livres, e de outras etnias para além da africana. Mas porquê estragar as ilusões da ideologia (e a rescrita da História) com as evidências da realidade? E questionar as viagens e as visitas que a primeira-dama faz, em especial algumas que levanta(ria)m dúvidas legítimas devido ao custo ou até mesmo quanto ao local propriamente dito? Afinal, é mais fácil e mais «fofinho», tanto para jornalistas desonestos como para espectadores manipuláveis, ficar-se «derretido» com a presença de Michelle Obama num programa de «late night comedy» numa sessão de karaoke no carro com o apresentador daquele; e em que a artista mais cantada, mais elogiada, é Beyonce, que está longe de ser um bom exemplo mas que, em Portugal, é também vista por alguns como uma voz contra a violência quando, na verdade, está na prática a incitá-la.
A «missão» em que, porém, a primeira-dama mais se tem empenhado no seu «mandato» é o combate à obesidade nas escolas entre os jovens norte-americanos, através de uma iniciativa designada «Let’s Move». No entanto, aquilo que mais se tem… movido neste caso – como em tudo em que a esquerda se mete – é o Estado, a pressão e o poder da burocracia, do governo federal, que se traduz invariavelmente numa diminuição da liberdade (e da capacidade) de escolha. Na tentativa de imposição de uma «alimentação saudável» e da eliminação de «junk food», até biscoitos e sumos podem ser proibidos! O que explica a resistência de muitos dos «interessados, tanto alunos como professores e administradores dos estabelecimentos de ensino (públicos) abrangidos, que podem ver os seus financiamentos reduzidos ou mesmo retirados, e até a serem alvo de multas (!) caso se recusem a seguir as directrizes (ou doutrinas) nutritivas «progressistas»; houve quem não se deixasse intimidar e decidisse por se libertar desta «ditadura do palato». Todavia, e o que não surpreende, a campanha terá falhado em emagrecer… convenientemente os alunos, e havia indicações de que o Congresso poderia estar a preparar-se, enfim, para terminar mais esta experiência social esquerdista. É pois de admirar que ela não queira que se divulgue no Twitter o que foi o almoço depois das aulas?
Para descanso das mentes… e do metabolismo de muitos, já faltam só cinco meses para os Obama saírem. Barack até que estaria disponível para um terceiro termo, se não fosse a Constituição «e, mais importante, a Michelle, proibirem-no». Já não existiam muitas dúvidas, mas fica assim confirmado que quem manda é ela.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O «Evangelho» segundo Matthews (Parte 4)

Caras e caros leitora(e)s do Obamatório: acaso sentiam necessidade e/ou saudade de mais uma selecção de alguns dos mais recentes, revoltantes e/ou risíveis dislates de Chris Matthews? Não? Pois, eu também não… mas manda a exigência de rigor e a preocupação pela sanidade proceder, com uma regularidade mínima, a uma verificação (ou uma confirmação…) do estado mental (deplorável) dessa autêntica personificação da parvoíce «progressista» na comunicação social que é o apresentador do programa «Hardball». E como tal não era feito aqui há quase dois anos, eis então uma dose de «sillyness» do «estadista da MSNBC» suficiente para alimentar toda e qualquer «silly season»…  
… E, como habitualmente, as atoardas dele podem ser divididas em duas «categorias» principais: uma, «não há pior do que os republicanos»; outra, «não há melhor do que os democratas». Quanto à primeira, as primárias para a nomeação do candidato do PR à presidência forneceu a CM muito material para… divagação. Os dois hispânicos na corrida eleitoral foram particularmente visados… e vilipendiados: Chris Matthews interrogou-se sobre se alguém veria um debate hipotético apenas entre «os dois gajos cubanos», e ambos se comportaram como «chacais» ao atacarem Donald Trump. Porém, o seu desprezo por Ted Cruz mostrou-se bem maior do que o por Marco Rubio: o senador do Texas «desfruta» (assim como Carly Fiorina) quando uma clínica que pratica abortos é atacada, «opera abaixo do nível da vida humana», usou de tácticas «mccarthistas» ao criticar Trump por este não pretender divulgar as suas declarações de impostos, e foi como que «Joe McCarthy no seu pior» por exigir que o seu rival de Nova Iorque (e que entretanto obteve mesmo a nomeação e continua sem divulgar a sua declaração) revelasse uma conversa que tivera com o New York Times.
Evidentemente, a sua hostilidade contra os «elefantes» abrange outros alvos, individuais e colectivos: criticou Chris Christie por se ter referido aos membros do ISIS como «animais» - e sem dúvida que é ofensivo… para os animais; acusou Reince Priebus de ter como objectivo principal «impedir os negros de votarem»; equiparou os dirigentes do GOP aos mullahs do Irão por supostamente desprezarem a vontade da maioria; e considerou que os republicanos «arruinaram a sua noite» (uma das noites) da convenção realizada em Cleveland ao terem dado oportunidade a Patricia Smith, mãe de Sean Smith (um dos assassinados em Benghazi), de discursar naquela e de acusar Hillary Clinton – embora se deva realçar que é menos grave do que dizer que se gostaria de bater nela (na Sra. Smith) até à morte; e como não podia deixar de ser, eles são racistas até se mencionarem cidades que tenham uma significativa percentagem da população constituída por minorias étnicas.
Quando à segunda «categoria», a veneração de Chris Matthews pelos «burros» continua forte e imaginativa: acredita que existe (que continua a existir) uma «vasta conspiração de direita» contra Hillary Clinton; afirmou que Barack Obama teve de, enfim, «abanar o pirilau» («dick around») para conseguir a aprovação pelo Congresso, em 2009, do seu programa de «estímulo» à economia; admitiu que ainda se sente excitado (na perna apenas?) pelos discursos de Barack Obama; e, no que será uma das suas asserções mais inacreditáveis (e há muitas por onde escolher), garantiu que «os republicanos odeiam Hillary» mas não pensa que «os democratas odeiem Donald Trump»!     
Os lapsos cerebrais de Chris Matthews não se restringem, obviamente, a observações desequilibradas sobre políticos dos dois principais partidos norte-americanos. Na verdade, ele sempre consegue arranjar tempo para episódios especialmente bizarros, tais como: revelar que estava a «sentir borboletas» no Iowa; e perguntar, depois de outro atentado, porque é que o terrorismo «parece sempre envolver bombas». Porém, já não dá tanta vontade de rir a forte possibilidade – aliás, quase certeza – de ele se ter servido da sua influência televisiva (por reduzida que seja…) para apoiar a candidatura da esposa, Kathleen, a um lugar de representante (pelo PD, obviamente) do Maryland… e de tal forma o favorecimento foi ostensivo que a MoveOn promoveu uma petição para que ele fosse despedido! É, por incrível que isso possa parecer, a um liberal nem tudo deve ser sempre permitido…
No entanto, manda também a honestidade intelectual que se reconheça quando Chris Matthews dá mostras de sensatez, de solidariedade e até – quem diria! – de empatia para com um adversário ideológico. No caso, a mesma pessoa a quem ele chamou de «chacal», «mccarthista» e de «sub-humano»: sim, exactamente, o senador júnior do Texas, depois de o seu progenitor ter sido envolvido, pelo milionário-candidato de Nova Iorque com a ajuda do National Enquirer, no homicídio de John Kennedy. Matthews disse a 3 de Maio último, quase três meses antes da convenção do Partido Republicano e seis da eleição, o seguinte: «Donald Trump cometeu um grande erro hoje. (…) A resposta de Cruz foi pessoal e, acredito, permanente. Ele disse que é um mentiroso patológico quem diz algo como aquilo sobre o pai dele. Esta pode ser a primeira vez em que simpatizo profundamente com um candidato nesta corrida, e é Ted Cruz. Ninguém deveria ter a sua família arrastada desta maneira para um tal assassinato de carácter. Penso que o Sr. Trump vai pagar por isso em Novembro, por conservadores que vão recordar-se do que ele fez a outro conservador.» 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

É de sangue, e não de ketchup

Não seriam necessários os mais recentes ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos da América (São Bernardino e Orlando) e na Europa (França e Alemanha) cometidos por muçulmanos que juraram obediência ao ISIS para comprovar e para salientar o quanto foi ridícula e vergonhosa (vergonhosamente ridícula, ridiculamente vergonhosa) a afirmação de John Kerry, feita em entrevista dada a Jake Tapper na CNN há cerca de uma semana, de que os membros do autoproclamado Estado Islâmico estão «em fuga» - ou «a correr», tradução literal do «on the run» original. Sim, eles estão a correr, não de mas sim contra nós, ocidentais, atacando, assassinando, massacrando indiscriminadamente cidadãos inocentes, homens, mulheres e crianças; por vezes não o fazem a pé mas sim conduzindo um camião, como em Nice, ou dentro de um comboio, como em Wurzburg.   
É evidente que o actual secretário de Estado dos EUA não é o culpado, o (ir)responsável directo pela insegurança que afecta presentemente os habitantes do Velho Continente, mas sim as várias gerações de políticos e de governantes deste lado do Atlântico que não só permitiram que se criassem e se consolidassem comunidades de muçulmanos que não se integra(ra)m, que não respeitam os valores judaico-cristãos e as leis dos países onde vivem, mas decidiram também «importar» mais uns quantos milhares de «refugiados» que mais não são, na sua quase totalidade, do que imigrantes ilegais… e agressivos. Tanto de um «lote» como do outro têm surgido, nos últimos anos, sucessivos terroristas, cuja «aprendizagem» se inicia, invariavelmente, pelo ataque a mulheres, quer molestando-as (tocando e mesmo violando) sexualmente – são centenas, se não mesmo milhares, os casos (pouco ou nada noticiados na comunicação social) só no Reino Unido, na Alemanha e na Suécia – quer tentando matá-las – por vezes falham, como a mãe e as três filhas em Garde-Colombe, por vezes acertam, como a grávida em Reutlingen; diferenciam-se porque são originários de Marrocos, da Tunísia, da Síria, do Irão (como o atirador de Munique), do Afeganistão, mas têm em comum o serem, todos, islamitas. Porém, deve ser atribuído à actual administração norte-americana o «pecado original» da desvalorização e da relativização da ameaça maometana extremista na sua «versão» mais moderna, que começou com a designação «JV team» de Barack Obama (e a retirada das tropas note-americanas do Iraque) e cuja iteração mais recente foi dada (anteontem, 23 de Julho, em Viena) por, precisamente, John Kerry, que equiparou, em gravidade, o ISIS aos aparelhos de ar condicionado e aos frigoríficos – enquanto «causadores» de «aquecimento global».
Sim, o candidato presidencial do Partido Democrata em 2004 (derrotado por George W. Bush) é uma anedota, um incansável produtor de gaffes (nisso «rivalizando» com o seu «camarada» e ex-colega do Senado Joe Biden), mas tal não é de agora – na verdade, é uma «carreira» que já dura há quase 50 anos. E o facto de ser o «rosto» da diplomacia dos EUA apenas acentua – e amplia, infelizmente – essa propensão. Daria vontade de rir (às vezes convulsivamente) se não fosse, ao mesmo tempo, tão deprimente, ouvi-lo dizer: aos membros de uma subcomissão do Senado, «não era suposto ele (um ex-prisioneiro de Guantánamo que voltou a combater pela Al-Qaeda) fazer isso»; aos graduados da Universidade de Northeastern, que eles acabaram de entrar «num mundo complexo e sem fronteiras»; a jornalistas numa conferência de imprensa no Departamento de Estado, que neste «tentamos desfazer o ódio» - aqui só faltou ter, mais uma vez, James Taylor a acompanhá-lo à guitarra…
É de sangue, e não de ketchup, que John Kerry tem as mãos sujas… nem que seja figuradamente. E mesmo no que respeita àquele condimento não se pode dizer que a limpeza seja inequívoca… Recorde-se, antes de se explicar o porquê das dúvidas quanto à «higiene» moral do ex-senador pelo Massachusetts, que ele é casado, desde 1995, com a luso-americana (nascida em Moçambique) Teresa Heinz, até então viúva de Henry Heinz III, que se notabilizara não só enquanto herdeiro da companhia alimentar com o mesmo nome (famosa pelos feijões e pelo tomate) mas também como senador do Partido Republicano pela Pensilvânia. Pois bem (ou mal), este ano foram conhecidas pelo menos duas características muito controversas da carteira de poupanças e de investimentos do casal: a utilização de (onze!) «paraísos fiscais» off-shore; e participações em (doze!) empresas chinesas, incluindo uma que opera no Tibete. Não consta que os «social justice warriors», predominantes tanto nas ruas como nas redacções, tenham manifestado o seu desagrado.       

sábado, 16 de julho de 2016

Nem as europeias

(Uma adenda no final deste texto.)
No passado dia 7 de Julho, em Dallas, cinco polícias foram mortos e nove foram feridos por Micah Johnson, um negro, veterano do Afeganistão, um autêntico racista - ao contrário do que ridiculamente afirmou Marc Lamont Hill - e genuíno terrorista, que, previamente, anunciara a sua vontade e intenção de matar brancos, e em especial agentes da autoridade. Numa cruel ironia, o crime ocorreu aquando de uma manifestação (que decorria pacificamente) naquela cidade do Texas contra as mortes, por elementos das polícias do Louisiana e do Minnesota, de mais dois cidadãos afro-americanos; ou seja, mais dois pretextos para os habituais demagogos e agitadores, que incluem Kamala Harris, procuradora-geral da Califórnia e candidata democrata ao Senado, alegarem irresponsavelmente que existe o objectivo deliberado, ou, pelo menos, uma tendência predominante, por parte de homens e mulheres em uniforme, de atirarem sobre, e matarem, negros – uma falácia persistente que foi recente e comprovadamente desmentida num estudo realizado por um académico afro-americano! Nos dois dias seguintes, nos Estados da Geórgia, do Missouri e Tennessee, outros polícias foram alvejados. Entretanto, na «terra dos dez mil lagos», elementos locais do «Black Lives Matter» exigiram, nem mais nem menos, do que o desmantelamento do departamento da polícia!
Joe Walsh, ex-representante do Illinois pelo Partido Republicano, e o New York Post foram acerbamente criticados (à esquerda) pelas suas reacções ao ataque em Dallas: o primeiro emitiu um tweet (que depois apagou, mas não a tempo de evitar que ficasse registado) em que afirmava «isto agora é guerra»; o segundo colocou, na sua capa do dia 8, as palavras «guerra civil». Que, efectivamente, existe nos Estados Unidos da América, e não é de agora, como afirmei em texto, aqui no Obamatório, publicado em Abril do ano passado, concretamente «uma segunda guerra civil, mais uma vez por culpa dos democratas, que, com as suas (más) posições em áreas e em assuntos fundamentais, têm vindo a colocar em causa seriamente a coesão, a integridade e o desenvolvimento da nação. Agora a luta não envolve literalmente canhões e espingardas mas outras armas, de outros tipos… políticos, judiciais, administrativos e burocráticos, económicos e demográficos.» Entretanto, a luta, de facto e infelizmente, passou mesmo a envolver armas de fogo. Não que, reitero-o, elas sejam indispensáveis na guerra que a «sinistra» norte-americana promove e pratica, e com posições, creio, em que nem as suas congéneres europeias, em particular a portuguesa, se revêem. Atrever-me-ia (e atrevo-me) a supor que quase todos os dirigentes e os militantes do PCP, do BE e do PS ignoram que no PD: se contesta e se combate a utilização obrigatória de cartões de identificação em eleições; se defende a imigração em larga escala, sem penalizações para os que entram ilegalmente no país, e, pelo contrário, a concessão àqueles de diversos benefícios, incluindo na segurança social e na educação; se propõe o silenciamento (não acesso aos órgãos de comunicação social e às escolas) e até mesmo a prisão dos que não acreditam na existência de «aquecimento global»; se enaltece e se estimula o aborto em qualquer fase da gravidez, incluindo no fim da gestação, aos nove meses, com a criança prestes a nascer…
… E, sabendo-se isto tudo, não é propriamente surpreendente que os «progressistas» norte-americanos, sempre na procura de novos limites de depravação e de loucura para superar, tenham decidido abrir uma nova «frente» na sua guerra permanente aos mais básicos conceitos e fundamentos civilizacionais: as casas de banho. Na sequência da votação e da aprovação, com acalorada discussão, de «leis de liberdade religiosa» em Estados como a Carolina do Norte e a Geórgia, propostas para tentar contrariar a imposição, pelo governo federal, da «agenda LGBT», a actual administração, através do Departamento de (Des)Educação, enviou uma carta a todas as escolas do país «sugerindo» - na verdade, exigindo – que as «pessoas transgénero» devem aceder ao lavabo (e ao balneário, e ao vestiário) que corresponda(m) à sua «identidade de género escolhida» - ou seja, mesmo sem ter efectuado qualquer cirurgia, qualquer homem que diga ser mulher (e vice-versa) deve poder penetrar… onde quiser. E porquê? Porque, para os «liberais» do outro lado do Atlântico, e tal como foi expresso por Loretta Lynch, «discriminar» (a entrada em determinadas instalações) por sexo é tão grave e condenável como discriminar por raça ou etnia! Mais uma vez, é a «homossexualização» forçada da sociedade a ser implementada sob a forma de oposição à «heteronormatividade»: se a existência de machos e de fêmeas é geradora de conflitos, então que cada um(a) passe a ser um ou outro onde e quando quiser, ou qualquer outra das muitas (?) coisas que ficam entre os dois
É um novo cúmulo da hipocrisia o facto de praticamente as mesmas pessoas que ainda recentemente alertavam para a existência (não demonstrada) de uma «cultura da violação» («rape culture») nas universidades (e não só) dos EUA estejam agora a favorecer a propagação, a outros níveis, dessa «cultura», a criar as condições para que aquela realmente exista! Porque, obviamente, nunca faltaram nem faltarão os tarados, criminosos, que, aproveitando mais esta «mudança de mentalidades» e alegando que são «mulheres», mais facilmente conseguirão os seus intentos… a não ser que sejam apanhados e impedidos a tempo. Casos documentados e noticiados não faltam: é um aqui, outro ali, cinco cá, vinte e cinco acolá… Para além disso, o que também já não espanta, não houve escassez de políticos, «artistas» e até organizações que não só manifestaram o seu apoio ao «direito» de se escolher a retrete onde se quer urinar e defecar mas também, incrivelmente, ameaçaram ou concretizaram mesmo boicotes aos Estados onde isso estava a ser posto em causa. Porém, várias dessas individualidades e instituições mostraram ter «telhados de vidro» porque, enquanto se insurgem contra a falsa homofobia de cristãos, seus compatriotas, que apenas não querem participar em casamentos contra-natura e em outras manias desviantes, não se lhes conhece um protesto contra a verdadeira homofobia de (países) muçulmanos e comunistas, que assassinam LGBT’s só por o serem, e junto dos quais actuam e fazem negócios. Destacam-se, nessa autêntica galeria da infâmia, Andrew Cuomo, Bryan Adams, Cirque du Soleil, Javier Gonzales, Marvel, NBA, PayPal e Walt Disney.
É degradante, deprimente, e mais um indicador do quanto os EUA foram «transformados fundamentalmente», que várias e importantes entidades do país sejam dirigidas, aparentemente, não por gestores competentes mas sim por «guerreiros da justiça social» incoerentes. No entanto, se eles não hesitam em fazer das empresas como que «máquinas de guerra» que tomam (parte d)os consumidores como alvos, então estes devem ripostar recorrendo às melhores «armas» que têm: as suas carteiras.
(Adenda – Ontem, 18 de Julho, os noticiários das 13 horas na RTP e na SIC (não me foi possível verificar se aconteceu o mesmo no da TVI) passaram reportagens sobre o início da Convenção do Partido Republicano, que decorre este ano em Cleveland; em ambas foi dado «tempo de antena» aos manifestantes, esquerdistas, democratas, que já se encontram naquela cidade, contra o PR e contra Donald Trump, para expressarem as suas «opiniões»… e em ambas não se ouviu um único apoiante de um e de outro. Também nos dois noticiários se fez referência a mais um ataque a polícias, desta vez em Baton Rouge, no Louisiana, que causou três mortos – soube-se depois que o atirador foi membro dessa «tolerante», muçulmana, «nada radical» organização que é a Nação do Islão. Entretanto, verificaram-se outros ataques, em Milwaukee e em Kansas City, tendo dois agentes da autoridade ficado feridos. É evidente que nunca ocorreria a certos «jornalistas» das televisões portuguesas apontar o facto de que muitos dos que protestam contra os «elefantes» também incitam à violência contra polícias, e até «justificam» os assassinatos destes – como é o caso de um «redactor» do ThinkProgress, organização que, nunca é de mais lembrar, é financiada por George Soros.)     

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Menos livres e menos bravos

(DUAS adendas no final deste texto.
Mais um 4 de Julho que se assinala, mais um «Dia da (In)Dependência» que se celebra… A data mais importante na história dos Estados Unidos da América, um feriado em que supostamente se reconhece e se festeja o orgulho de ser cidadão daquele país, e a força, o poder, o respeito que dele emana…
… Porém, e na verdade, desde que Barack Obama é presidente, os EUA têm vindo… progressivamente a ter menos motivos para se sentirem seguros da sua superioridade. Não restam dúvidas de que o Sr. Hussein tem procurado, deliberadamente, enfraquecer, diminuir, o papel e o contributo do seu país na cena mundial, o que, mais preocupante, se traduz igualmente numa maior fragilização interna – uma economia que não se expande decisivamente (o que não surpreende, com um Estado, um governo federal, cada vez mais regulador e constrangedor), e uma multiplicação de conflitos «identitários» (raciais, étnicos, sexuais) estimulados e causados por militantes esquerdistas extremistas (uma redundância) que vêem na divisão e no ressentimento, mesmo que artificiais, a sua razão de ser. Tudo isto, claro, permitido e até incentivado por um «comandante-em-chefe» que não mostra – nunca mostrou – qualquer aptidão para o cargo. Ele gosta – sempre gostou – de, isso sim, fazer campanha eleitoral, e prepara-se para voltar à estrada e dar uma ajuda a Hillary Clinton na campanha presidencial – que, depois da conversa privada que o marido teve com Loretta Lynch, deverá muito provavelmente escapar a uma acusação… Afinal, qual é a surpresa? Acaso seria de esperar que a actual administração, e concretamente o Departamento de (In)Justiça, prejudicasse grave e irreversivelmente a candidata que o «chefe» daquela vai apoiar?
Portanto, é «business as usual» para o Partido Democrata, a maior e mais antiga organização criminosa dos EUA. Que se está «nas tintas» para que o país, ainda sob o seu controlo ao nível federal, se tenha «transformado fundamentalmente» numa anedota. E os exemplos disso não só não escasseiam como se vão sucedendo… Uma investigação recentemente completada e divulgada pela Marinha concluiu que os militares que em Janeiro deste ano foram capturados por iranianos não se comportaram à altura das circunstâncias e dos «altos padrões» que deles são esperados. Pelo que não é descabida a acusação de Carl Higbie, ex-SEAL, que a propósito daquele «embaraço nacional» considerou que se tem vindo a verificar uma «wussification» das forças armadas. Como que a confirmar essa «emasculação» já este ano se ficou a saber que soldados na Geórgia tiveram de assistir, em 2015, a uma apresentação sobre os «privilégios de ser branco, macho e heterossexual», e que a proibição da admissão de transgéneros havia sido levantada.
Evidentemente, a «wussification» alastra igualmente entre os civis, e nestes ainda com mais força. Há relatos de que, na Europa, diplomatas norte-americanos têm vindo a ser assediados, incomodados, ameaçados e até perseguidos por elementos das agências russas de inteligência e de segurança; as reacções da Casa Branca não têm sido propriamente marcadas pela firmeza e muito menos pela retaliação, o que vem provar mais uma vez a «flexibilidade» que Barack Obama prometeu a Vladimir Putin se fosse reeleito. Na verdade, as prioridades em Washington são outras: o Departamento de (In)Justiça anunciou que, a partir de 2017, todos os seus funcionários receberão formação e treino contra «bias», «preconceitos» - e isto segundo um modelo que parece decalcado de uma proposta dos «Black Lives Matter»; entretanto, o FBI, organização sob tutela do DdJ, não tem informado e avisado os norte-americanos de que estão em «listas para matar» do ISIS; em simultâneo, o director da CIA, John Brennan, «expressou preocupação» que o «Estado Islâmico» possa realizar nos EUA ataques semelhantes ao do ocorrido no aeroporto de Istambul em 28 de Junho último – o que é… insólito, porque os atentados em São Bernardino e em Orlando, reivindicados pelo «Daesh», foram anteriores ao da Turquia. Porém, nada de preocupações, pois Susan Rice tem a «solução» perfeita para aperfeiçoar os serviços de segurança e de inteligência da nação: recrutar mais junto das minorias, dado que existe uma preponderância naqueles de «white, male and Yale»; registe-se, por curiosidade, que Ash Carter, John Kerry e Samantha Power se formaram naquela universidade…
Obviamente, num contexto conspurcado pelo «politicamente correcto» e pela perversão esquerdista quem se assume como patriota e quer exibir a «stars and stripes» arrisca-se a ter problemas. De facto, não é de agora que o símbolo máximo dos EUA aparenta ser uma bandeira da discórdia. Mais recentemente, e neste âmbito, ela foi queimada por hispânicos que se manifestavam (violentamente) contra Donald Trump, arrancada por uma muçulmana envergando uma burqa (!), pretexto para chamar a bombeiros «terroristas», motivo para despedir um veterano e para ameaçar outro de despejo, e amontoada(s) num cemitério. No entanto, tão ou mais revoltante do que fazem uns com a bandeira na realidade é o que outros têm feito com uma personagem fictícia que é, todavia, uma corporização viva, se bem que simbólica, daquela – o Capitão América. Só no último ano ele já foi colocado (nas revistas, não nos filmes) a defender imigrantes ilegais e a revelar-se como um agente nazi e membro da Hydra, e, porque há quem lamente a sua «virilidade heterossexual» (no cinema), surgiu uma campanha no Twitter para o tornarem homossexual e arranjarem-lhe um «namorado»! Sim, são ideias insultuosas de idiotas de m*rd*, mas é o que acontece quando as «políticas de identidade», que os «progressistas» propagam, nada nem ninguém poupam.
Sim, esta é uma época «excelente» para celebrar o 4 de Julho. América, «land of the free, home of the brave» («terra dos livres, lar dos bravos»), como reza o hino nacional, «The Star-Spangled Banner»? Com Barack Obama, os americanos estão menos livres e menos bravos. 
(Adenda – Tal como eu previ, e outros também (o que, aliás, não era difícil), o FBI decidiu não recomendar uma acusação contra Hillary Clinton por ter usado um servidor privado para enviar e receber informações enquanto foi secretária de Estado – informações essas que incluíram material confidencial; porém, James Comey, director do «Bureau», admitiu na conferência de imprensa em que anunciou a decisão que a candidata do Partido Democrata à presidência dos EUA incorreu em vários comportamentos incorrectos e mesmo ilegais, e confirmou isso hoje (7 de Julho) em audiência no Congresso e em resposta a perguntas de Trey Gowdy. O representante da Carolina do Sul, tal como o senador Ted Cruz e outros observadores reputados, juristas prestigiados ou não, concordam que se está perante (mais) um grave precedente, (mais) uma ameaça ao primado da lei. Entretanto, Loretta Lynch tomou a decisão de encerrar formalmente a investigação… mas ela e os seus cúmplices que não pensem que isso vai apagar (mais) este escândalo da memória colectiva.)
(Segunda adenda – Quatro dias depois do 4 de Julho, Barack Obama terá pedido à NATO, aquando da cimeira de 2016 da organização, realizada em Varsóvia, «firmeza contra a Rússia». Não admira, porque, dele, só há a esperar… flexibilidade.) 

domingo, 26 de junho de 2016

Cuspir nos cadáveres

(Uma adenda no final deste texto.)
Há ocasiões, há acontecimentos – incluindo os horríficos, os infelizes, os trágicos – que aconselham a que se espere algum tempo para mais e melhor se adquirir a (e reflectir sobre a) informação disponível antes de se fazer um comentário minimamente fundamentado. Há cerca de duas semanas, a 12 de Junho, aconteceu na Flórida, e mais concretamente em Orlando, aquele que foi o maior assassinato colectivo por armas de fogo na história dos Estados Unidos da América, e, ao mesmo tempo, o pior atentado terrorista no país desde 11 de Setembro de 2001…
… Quando um individuo chamado Omar Mateen, cidadão norte-americano muçulmano de origem afegã, matou 49 pessoas e feriu mais de 50 no Pulse, um clube homossexual daquela cidade. Repare-se em como este criminoso constituía um autêntico «três em um» do mal, do ódio, da perversão: durante o ataque ele telefonou para a polícia reivindicando o atentado em nome do ISIS e jurando fidelidade ao líder daquele, Abu Bakr Baghdadi: existem relatos, informações, de que Mateen seria ele próprio homossexual, embora não assumido; e, mas isto está confirmado, era um democrata registado – repito, um democrata registado. Porém, quem é que a esquerda, Partido Democrata, «liberais» e «progressistas», lamestream media, culpam principalmente, se não exclusivamente, pelo ocorrido? «Obviamente», a direita, Partido Republicano, cristãos e conservadores, a NRA. Por exemplo, é ver, e vomitar, com o que ACLU, New York Times, Reddit, Rolling Stone, Salon, afirmaram, escreveram, fizeram.
Espantoso? Estranho? Indigno? Insólito? Revoltante? Sim, mas não surpreendente… pelo menos, não para quem conhece de facto como é, como se processa, a politica norte-americana das últimas décadas, e a relação de forças – e de fraquezas – entre os seus protagonistas mais importantes. Ou para quem lê e consulta regularmente o Obamatório…
O que aconteceu em Orlando veio demonstrar que, infelizmente, pouco ou nada se aprendeu com os anteriores ataques em São Bernardino e em Boston. Que o «politicamente» («religiosamente», «culturalmente») correcto implementado, imposto, por Barack Obama em todos os níveis da administração pública, incluindo as forças policiais, tem causado graves danos, que se estendem lamentavelmente à perda de inocentes vidas humanas. Os receios, e acusações, de «islamofobia» têm feito com que muitos e variados «sinais de alarme» relativos a certas pessoas e aos seus comportamentos não sejam detectados, e, se e quando o são, não sejam valorizados. Na verdade, há anos que Omar Mateen «avisava» que poderia um dia causar problemas graves, de que há a destacar: aquando do 9/11 celebrara os ataques e afirmara que a América os merecera; um colega dele já denunciara, ao patronato da empresa de segurança (!) em que ambos trabalhavam, estranhas e desagradáveis atitudes do futuro terrorista; o FBI já o havia investigado em 2013 e em 2014 e não o considerara uma ameaça; e, em Abril deste ano, o FBI foi contactado por elementos do DisneyWorld (localizado em Orlando), que suspeitaram de Mateen e a esposa depois de o casal ter visitado o famoso parque de diversões…       
Se o «antes» do atentado já foi mau, o «depois» foi ainda pior. Como em outras ocasiões semelhantes, os democratas não esperaram que os corpos das vítimas arrefecessem para deles se aproveitarem de modo a reafirmar os seus habituais – e errados – dogmas políticos. Porque obviamente que não iriam clamar por maiores e melhores medidas contra o islamismo radical; o que eles querem, sim,é mais gun control, maior controlo de armas, uma diminuição da capacidade de os cidadãos se defenderem. O Pulse – do qual Omar Mateen era, ao que consta, um cliente regular – é, como não podia deixar de ser e como não é difícil de adivinhar, (mais) uma gun free zone. Pelo que os «burros» mais não fizeram do que, simbolicamente, ou até literalmente, cuspir nos cadáveres de cinco dezenas de membros de uma comunidade – a LGBT – de qual se proclamam como os principais defensores…
… Embora, na realidade, não o sejam. Demonstrando, novamente, que são, sim, mais do que hipócritas, uns demagogos sem vergonha, vários representantes do PD na Casa decidiram organizar uma «festa temática» cujo tema foram os anos 60… nada mais, nada menos do que um «sit in» em que, literalmente, se sentaram no chão daquela câmara do Congresso de modo a exigirem à maioria republicana – que, vá lá, não alinha em todas as depravações azuis – que retirasse direitos constitucionais, isto é, os conferidos pela Segunda Emenda, a todos os cidadãos que, muitas vezes arbitrariamente e sem conhecimento dos próprios, têm os seus nomes colocados em «listas negras» - como a «no fly list» e a «terror watch list» - elaboradas por organismos do governo federal; não se tratou, como eu ouvi a mais do que um órgão de comunicação social português, de implementar e de expandir background checks, verificações de segurança e tempos de espera, que aliás já se aplicam em muitos Estados (e que raramente têm efeitos positivos), mas sim de negar a cidadãos o due process, o direito de terem os seus casos dirimidos em tribunais. Pormenor particularmente ridículo em toda esta palhaçada? O de John Lewis, um dos líderes deste quase shutdown, já ter estado igualmente numa dessas famigeradas listas, e de o seu mentor e líder da campanha dos afro-americanos pela igualdade, Martin Luther King (que usava armas!), também!   
Saúde-se ao menos, e desta vez, a honestidade de um colega de bancada de John Lewis, Charles Rangel, que admitiu acreditar que eles, representantes do povo, merecem mais ser protegidos por armas e por homens armados do que o povo que representam! Povo que, para a actual administração, mais não é do que uma maralha ignorante e facilmente influenciável e manobrável, porque, através do Departamento de (in)Justiça, decidiram publicar a transcrição das comunicações de Omar Mateen com a polícia… mas na quais todas as referências ao ISIS foram apagadas! A gozação foi tanta e tão feroz que os obamistas lá divulgaram depois a versão integral, não «corrigida», da transcrição… Evidentemente, esta não foi a primeira vez que os patéticos «pajens» do Nº 44 se serviram da censura para (tentar) ocultar a «verdade inconveniente» da existência do terrorismo islâmico e da violência agravada e generalizada que lhe é inerente. Contudo, qual é a surpresa? Os (maus) exemplos vêm de cima, e o «chefe» deles é, além de um incompetente com mau carácter, um ideólogo vil que cresceu e se formou rodeado de comunistas e de muçulmanos. Os cerca de seis meses que faltam para ele sair da Casa Branca vão custar mesmo muito a passar.
(Adenda – Não é novidade que a «comunidade LGBT» não prima propriamente pela consistência e pela inteligência quando se trata de mostrar o seu «orgulho»; nem, frequente e ironicamente, pela coragem. Na recente parada «arco-íris» em Nova Iorque, realizada duas semanas após o ataque em Orlando, podia ler-se numa enorme faixa: «ódio republicano mata». Repito uma segunda vez: era democrata, além de muçulmano, o autor do atentado… Aliás, antes, activistas homossexuais já haviam protestado contra Donald Trump às portas da sua «torre» na «Grande Maçã»… não é curioso eles nunca se manifestarem frente a mesquitas? Entretanto, bem que podiam pedir protecção àqueles democratas no Congresso que, apesar de exigirem, até com «birras» indignas de adultos, (mais) controlo ou mesmo confiscação de armas, não deixam de ter as suas…)           

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Rever em baixa (Parte 13)

«Presidente Obama quer desarmar a América», Todd Starnes; «Porque é inconstitucional a acção executiva de Obama sobre armas», Andrew P. Napolitano; «É mesmo, Obama, somos “agarrados amargos”», Tim Donnelly; «Controlo executivo de armas – Obama cria “lista de doidos”, desarma os idosos», Charles Hurt; «A Casa Branca de Obama falha o alvo em controlo de armas e em doença mental», Keith Ablow; «Obama e as armas – Onze alegações falsas ou enganadoras nas declarações do presidente esta semana», John R. Lott; «O universo paralelo do Presidente Obama», Bill O’Reilly; «O legado de Obama é o abuso executivo», David Harsanyi; «Um desesperado Obama ignora a lei e brinca à política quanto às armas», Ken Blackwell; «DdEU de Obama – O triunfante presidente transformativo», Ben Shapiro; «É tempo de Obama dizer a verdade sobre o acordo climático de Paris», Tom Harris; «O último discurso do Estado da União de Obama em três palavras – Desconjuntado, irrelevante e decepcionante», Edward Rollins; «Sete razões porque Obama está errado sobre a Convenção de Genebra», Joel B. Pollak; «O legado de Obama está já a colapsar», John Thune; «Outro cambalacho de Obama – Desperdiçar dinheiro dos impostos no carro auto-conduzido», Keith Naughton; «”Juiz Obama”? Hillary Clinton não pode estar a falar a sério», Jim Huffman; «Uma história de duas gravações – O adolescente Cruz e o afagador-de-terror Obama», Michelle Malkin; «Você não sabe o que Obama disse na mesquita», Dennis Prager; «Os logros orçamentais do Presidente Obama», James C. Capretta; «A “Economia Obama” e a eleição», R, Emmett Tyrrell Jr.; «Os ramos legislativo e judicial contra atacam os abusos de Obama», George Will; «Barack Obama, inimigo do primado da lei», Kevin D. Williamson; «Qual é o trato entre Obama e o Islão?», Susan Smith; «Recuperando da Doutrina Obama», Alexander Benard; «Presidente Obama é um narcisista político», Matthew Continetti; «A Doutrina Obama – Feita para os anos 90, desastrosa hoje», James F. Jeffrey; «As férias ideológicas de Obama em Havana», Charles Krauthammer; «O recrudescimento populista é o maior legado de Obama», J. T. Young; «Obama irá deixar ao seu sucessor mais desastres no Médio Oriente do que os que herdou», Michael Brendan Dougherty; «O inaceitável caso de amor de Obama com o comunismo», David Limbaugh; «A enorme fraude do acordo com o Irão está a apanhar Obama», Fred Fleitz; «A Casa Branca de Obama virou de cima para baixo a política de defesa», David Landau; «Obama intromete-se no Brexit mas esquiva-se a Netanyahu quando ele fala sobre o Irão», Alan Dershowitz; «As constantes intromissões de Obama estão a matar-nos, América – Precisamos de liderança, não de amadorismo», Liz Peek; «O deastre do ObamaCare será o duradouro legado doméstico de Obama», Marc A. Thiessen; «Porque a política de Obama para o Iraque está a colapsar», Tom Rogan; «Contra o mito perigoso de que o GOP “deu a Obama tudo o que ele quis”», Charles C. W. Cooke; «A “diplomacia esperta” do “Presidente Falhanço”», Bill Whittle; «Enquanto Aleppo arde, Obama faz de cego», Farid Ghadry; «O aviso de Obama sobre o género – A transformação fundamental do nosso país está a acelerar», Cal Thomas; «O legado de Obama – Ludibriar a América a respeito de tudo é o nome do jogo», Tammy Bruce; «As novas regras de transgéneros para as escolas têm a ver com a guerra cultural de Obama», Frederick M. Hess; «A ditatorial proclamação transgénero de Obama», Mario Loyola; «Como a política diplomática de Obama desestabilizou o Mundo», Victor Davis Hanson; «A América está a ter tudo menos justiça do Departamento de Justiça de Obama», Jay Sekulow; «Obama e Trump são duas faces da mesma moeda», Michael Goodwin; «A história secreta – Obama é um paspalhão», Andrew Klavan; «Depois de Orlando, Obama despeja o discurso mais partidário de sempre», James Jay Carafano; «Obama agarra-se à sua mal sucedida estratégia de contraterror», John Yoo; «Sete ataques terroristas islâmicos no turno de Obama», Robert Kravchik; «Obama – De que lado está ele?», Mona Charen; «A pergunta de Obama – O que há num nome?» David Horowitz; «Presidente Obama está errado sobre a lei, Trump maioritariamente certo sobre a interdição de muçulmanos», John Banzhaf. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Obituário: Prince Rogers Nelson

No passado dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador, lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma «ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente. Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou: «Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite, telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano, mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…          
Em Paisley Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás, e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso; aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um recluso.
Numa palavra, Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que, passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor severa e crónica».
Ele não mudou a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações, atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas» aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de (muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.        
Agora, a grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos? Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de «Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993 escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton, (ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé», artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê? Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo. Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Octanas.) 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Suicídio colectivo

(Três adendas no final deste texto.)
Um dos contos que integram o meu primeiro livro a ser publicado (em 2003), «Visões», intitula-se «Decreto-Lei Nº 54», e descreve, sob a forma de uma (obviamente) fictícia nova norma emanada de um qualquer governo e utilizando – ou tentando utilizar – uma «linguagem político-jurídica» que habitualmente caracteriza os textos inseridos no Diário da República (aliás, foi daí que eu retirei a inspiração, a ideia, neste caso), a criação de uma nova instituição estatal, incluindo os seus motivos e os seus objectivos: o «Instituto de Apoio ao Suicídio», abreviadamente… e apropriadamente designado de «IAS».
Aquele meu texto pretendeu ser (mais) um «exercício de absurdo» em que a minha obra de estreia é de facto pródiga, e que António de Macedo, na sua introdução-prefácio, tão bem descreveu. Então, e até recentemente, acreditava que tal entidade, ou actividade, só poderia existir no domínio da (mais distorcida, ou retorcida) imaginação. Porém, seria previsível que a – verdadeiramente «sinistra» - esquerda «liberal» e «progressista» norte-americana, agrupada principalmente no Partido Democrata, mais tarde ou mais cedo, e à semelhança de outros conceitos «fantásticos» (?), de outras «utopias que na verdade se revelam depois serem distopias, faria os possíveis e os impossíveis para a tornar realidade.
E assim foi… na Califórnia, como não podia deixar de ser, terra onde nenhuma loucura é inaceitável, Estado que cada vez mais se afigura como uma gigantesca Disneyland de depravação: o Departamento de Saúde Pública do (cada vez mais «nublado») «sunshine state» decidiu criar, na sequência da aprovação do «End Of Life Option Act», uma linha telefónica gratuita que tem como objectivo prestar informações sobre como… pôr termo à vida; além disso, a California Medical (uma versão estadual do Medicaid) poderá pagar, a cada doente com comprovados menores recursos financeiros, até 5400 dólares para aquisição das substâncias químicas (porque «medicamentos» parece-me ser uma palavra desadequada aqui) necessárias para provocar a morte. No total, cerca de 2,3 milhões de dólares do orçamento californiano para 2016 est(ar)ão reservados para aquela despesa «eutanasiante» (e quiçá… entusiasmante para alguns), no que é mais uma iniciativa da equipa do incansável – no mau sentido – governador Jerry Brown…
… Que, efectivamente, não se cansa de multiplicar, com os seus muitos (demasiados) «camaradas» na Califórnia, as formas e os meios que lhes permitam criar as condições para um autêntico suicídio colectivo – e, se não físico, pelo menos, e primeiramente, mental. Na verdade, há que registar ainda a decisão da cidade de Richmond em pagar até 12 mil dólares a ex-presidiários para não cometerem assassínios com armas de fogo. Isto para não falar da proliferação de «cidades-santuário» como São Francisco, em que criminosos que sejam imigrantes ilegais não são entregues pelas autoridades locais às federais para serem deportados – algo que já causou vários homicídios, como o de Kate Steinle, e outros delitos menos graves. Outro factor de autodestruição generalizada, não tanto física mas sim mais financeira, não imediatamente perceptível mas inevitável, inexorável, nos seus efeitos (negativos, como a diminuição do emprego e a estagnação económica), é o aumento – acentuado e não sustentado – do salário mínimo… algo que até Jerry Brown é capaz de entender e de admitir.
A concretização – para já, e de que eu tenha conhecimento, apenas na Califórnia – de um «Instituto de Apoio ao Suicídio» é tão só mais uma demonstração de que aquilo que vários escritores de ficção científica imaginaram corre o risco de se tornar… não ficção; e, infelizmente, os aspectos negativos dessas previsões parecem sobrepor-se aos positivos. No âmbito político e social, estas «inovações» da esquerda americana não vêm apenas comprovar mais uma vez, como se tal ainda necessário fosse, de que o Partido Democrata é a maior e mais antiga organização criminosa dos EUA, que continua a ter como principal missão, e tarefa, a promoção, a prática e a protecção de crime e de criminosos – esta de pagar àqueles para não assassinarem deveria ser suficiente para eliminar as dúvidas que eventualmente permanecessem; também vêm comprovar que, de um modo mais abrangente, mundial, a «sinistra» está apostada em proceder ao aniquilamento gradual da civilização ocidental, para tal recorrendo a métodos directos e indirectos, rápidos e lentos, concretos e simbólicos: massificação facilitada, financiada e incentivada do aborto e da eutanásia; «normalização» e até imposição da homossexualidade em todas as áreas da vida pública; cedência crescente à radical infiltração (demográfica e ideológica) muçulmana; restrição das liberdades de expressão e de associação, em especial (mas não só) nos estabelecimentos de ensino; aplicação de políticas de retrocesso tecnológico e económico alegando como causa o inexistente, fraudulento, «aquecimento global antropogénico».    
A todos os soldados dos novos totalitarismos, qual exército de zombies que nem as – muito criativas – mentes de autores como Aldous Huxley, Anthony Burgess, George Orwell, e outros, conseguiram prever, deve-se pelo menos começar por se dizer o que Nancy Reagan aconselhava que se respondesse aos traficantes de droga: «não». (Também no Simetria.)
(Adenda – Mais anormalidades (e outras se seguirão, evidente e infelizmente) ao estilo «California Uber Alles» (recorde-se que, nesta – premonitória – canção de 1980, os Dead Kennedys atacam Jerry Brown, então na sua primeira «encarnação» enquanto governador, como sendo um aspirante a ditador): o procurador-geral de Los Angeles quer obrigar os centros de gravidez (pró-vida) da cidade a fazerem igualmente promoção do aborto enquanto alternativa e dos locais onde ele é feito; e a Assembleia Estatal quer proibir a utilização de gravações das suas reuniões em anúncios políticos e/ou comerciais, no que constitui uma violação da Primeira Emenda. Ambos estes abusos de poder estão a ser, como seria previsível, contestados em tribunal.)
(Segunda adenda – Uma das «melhores» formas de concretizar um suicídio colectivo é proceder-se ao desarmamento geral dos bons cidadãos, tornando-os indefesos perante criminosos que não obedecem às directivas do «gun control»; infelizmente, mais uma prova disso foi dada esta semana na Universidade da Califórnia-Los Angeles, obviamente uma «gun free zone»… menos para o maníaco que assassinou um professor e que depois se suicidou; porém, para os idiotas do costume, a culpa é sempre da NRA.)
(Terceira adenda – Mais três recentes demonstrações do – mau – carácter degenerado, fascizante e suicidário dos legisladores democratas californianos… eles querem: dar aos presidiários o direito de voto; acusar e levar a tribunal os cépticos do «aquecimento global antropogénico»; e alargar – gratuitamente – a cobertura do «ObamaCare» aos imigrantes ilegais.)