sábado, 20 de maio de 2017

O estilo e a substância

Houve em Portugal, recentemente, e à semelhança do que tem acontecido nos EUA por parte de muitos dos «suspeitos do costume» na lamestream media, quem assegurasse haver «um cheiro a Watergate em Washington, 45 anos depois», por causa da demissão (justificada e legal), por Donald Trump, de James Comey do cargo de director do FBI.
Muitos «narizes» dos dois lados do Atlântico devem ter estado afectados, constipados, nos oito anos anteriores, pois o «fedor» a escândalo e a corrupção alastrou na capital norte-americana, e não só, durante toda a presidência de Barack Obama. Este, recorde-se, foi considerado «a coisa mais próxima de Nixon» e também «o presidente que Nixon gostaria de ter sido» por, respectivamente, Pat Caddell e Jonathan Turley… ambos democratas! O segundo, aliás, e mais recentemente, tentou (inutilmente?) instilar algum juízo numa CNN cada vez mais tresloucada com tudo o que DJT diz e faz. Motivos não falta(ra)m para tais evocações do Nº 37 (injustas para ele) a propósito do Nº 44, incluindo perseguições e pressões: a jornalistas tais como James Risen do New York Times, James Rosen da Fox News, Charles Hurt do Washington Times… de tal modo que Glenn Thrush, antes no Politico e agora no New York Times, e que colaborou com a campanha de Hillary Clinton (assim o demostrou o Wikileaks), reconheceu que Donald Trump trata melhor a imprensa do que o seu antecessor (!); e a organizações conservadoras do movimento Tea Party, por ordem da famigerada Lois Lerner assediadas e discriminadas pelo serviço de IRS. E, sim, «escutas», vigilância, ao Nº 45, a membros da sua equipa… e até a congressistas: além do (democrata) Dennis Kusinich, Rand Paul afirma ter sido monitorizado, e acrescenta que a um colega seu terá acontecido o mesmo. Pior: o já falecido juíz Antonin Scalia terá acreditado que estava igualmente a ser «escutado» a mando de Obama!    
Entretanto, e para quem quer e consegue ler/ver e ouvir para além das «cortinas de fumo» e das barreiras de som (gritaria) levantadas por vários «liberais» e «progressistas» na política e na comunicação, são evidentes e crescentes – como eu, aliás, previ e anunciei – os erros, os escândalos, as incompetências e as insuficiências do Sr. Hussein e de todos os seus apaniguados durante os dois mandatos daquele. Até ao momento nada terá contribuído mais para acentuar a diferença – e a melhoria – entre uma e outra administração do que a decisão, concretizada a 6 de Abril último, de atingir, com 60 mísseis disparados de dois navios no Mediterrâneo, um aeroporto na Síria de onde teriam partido novos ataques químicos contra alvos civis daquele país. Ou seja, e na prática, Donald Trump fez respeitar a «linha vermelha» que o próprio Barack Obama não respeitou depois de a ter anunciado. Irónica e significativamente, diversos membros da prévia equipa presidencial concordaram com, e até elogiaram, a atitude tomada pelos seus sucessores e pelo chefe destes. Mais: criticaram, ímplicita ou mesmo explicitamente, o seu ex-«querido líder» BHO, pelas hesitações e inacções de que resultaram o aumento do atrevimento dos inimigos dos EUA! Expressaram-se nesse sentido Barry Pavel e Gary Samore, Michael McFaul (ex-embaixador na Rússia), e Leon Panetta (ex-director da CIA e ex-secretário da Defesa), que afirmou «quando se diz que se fará algo tem de se cumprir a palavra; caso contrário, envia-se uma mensagem de fraqueza ao Mundo»! Para piorar mais a situação, alguns «obamistas» admitiram que, ao contrário do que haviam apregoado, já sabiam então que o regime de Damasco não havia eliminado todas as armas químicas. Uma das figuras mais proeminentes a alegar o contrário foi… Susan Rice, que, decididamente, e após as falsidades que espalhou sobre o atentado em Benghazi, a conduta de Bowe Bergdahl e a vigilância à campanha de DJT, será para sempre o símbolo, a personificação máxima das mentiras propaladas pelos  «obamistas» durante quase dez anos.
Outros factos recentes como que denotam um certo desencanto com o Nº 44… por parte dos seus próprios partidários, directa e indirectamente, em relação a factos ocorridos quando ele estava na Casa Branca (para além da cobardia… perdão, inacção quanto à situação na Síria) mas também depois. Samantha Power, ex-embaixadora nas Nações Unidas, lamentou que o genocídio arménio não tenha sido reconhecido oficialmente. Keith Ellison, representante do Minnesota e vice-presidente do DNC, culpou o ex-presidente por parte das (muitas) derrotas do partido desde 2009. A Casa do Illinois – legislatura onde os democratas estão em maioria – não aprovou a elevação do dia do aniversário de Barack Obama a feriado estadual. Muitos à esquerda não compreendem e/ou não concordam que ele vá receber 400 mil dólares por um discurso em Wall Street… porque não sabem, ou fingem não perceber, que ele gosta do luxo, como se tem visto nas férias que tirou após deixar a Casa Branca: depois de Richard Branson, David Geffen foi o segundo multimilionário com quem ele esteve – e num iate gigantesco, juntamente com outros amigos e «estrelas», uma das quais Bruce Springsteen, esse «campeão dos operários», que terá aproveitado o cruzeiro para escrever uma canção… contra Donald Trump. BHO tem mostrado grande à vontade em dispor do dinheiro dos outros, seja ele de milionários… ou de contribuintes. Neste âmbito, as centenas de milhões de dólares que ele gastou com a Solyndra constituiram tão só um dos primeiros exemplos de despesismo duvidoso; entre os últimos, recentemente revelados, estão: três biliões de dólares para organizações activistas esquerdistas; 77 milhões de dólares para publicidade, em 2016, ao «ObamaCare»; 520 biliões de dólares em erros contabilísticos (!) no Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano…
… Que é agora liderado por Ben Carson, que, em Março, foi violentamente criticado à esquerda por ter equiparado os escravos a imigrantes. Algo que Barack Obama também fez… por (pelo menos) onze vezes! Porém, e obviamente, em nenhuma foi repreendido. O mesmo, na prática, está a acontecer agora em relação às acusações de que Donald Trump é alvo, concretamente as de colaboração com o governo russo para vencer a eleição presidencial, cedência àquele de informações secretas, e tentativa de terminar, ou de condicionar, uma investigação feita pelo FBI. Apesar das várias notícias, «revelações» – todas elas factos não confirmados, rumores, vindos de fontes anónimas – que com muito alarido apontam nesse sentido, nada, até agora, foi apurado de concreto, e muito menos prenunciam credivelmente a impugnação do Nº 45. No entanto, o senhor Hussein, e/ou membros da sua administração, com destaque óbvio para Hillary Clinton, fizeram de facto as coisas de que o seu sucessor apenas é «suspeito». Sabe-se que BHO declarou publicamente que HC nada tinha feito de ilegal (com o seu servidor e conta de correio pessoal), no que se afigurou claramente como uma tentativa de influenciar a investigação conduzida então pelo FBI e por James Comey; partilhou dados sensíveis com os russos, que depois disso se aproveitaram para atacar aliados dos EUA; a Casa Branca também identificou o chefe da delegação da CIA no Afeganistão, que depois teve de fugir, o médico paquistanês que auxiliou na localização de Osama Bin Laden, que depois foi preso, e a unidade – Equipa 6 dos SEAL da Marinha – que abateu o líder da Al Qaeda, 15 dos quais depois foram mortos num atentado terrorista. Recuando mais no tempo recordando autênticos actos de colusão, se não mesmo de traição, cometidos pelos democratas, realce-se a proposta de colaboração feita em 1984 por Ted Kennedy ao Kremlin para tentar impedir a reeleição de Ronald Reagan; e, claro, mais recentemente, os autênticos - e obscuros - negócios dos Clinton, e dos que lhes estão próximos, com os russosEpisódios vergonhosos que não são evocados por Maxine Waters e por Dianne Feinstein, congressistas (ridícula representante a primeira, sensata senadora a segunda) californianas, que são forçadas a reconhecer que não existe qualquer prova de «collusion» entre DJT e os russos. Entretanto, elas, bem como os seus camaradas, parecem não conseguir ou querer lembrar um facto bem mais recente: o de que, na sua última audição no Capitólio, no início de Maio, Comey afirmou –e estava sob juramento – que não havia sofrido qualquer pressão para terminar ou alterar a investigação. Todavia, e não é de admirar, todas estas «verdades inconvenientes» não são valorizadas pela grande maioria da comunicação social norte-americana, aliada efectiva - e cada vez mais assumida – do Partido Democrata, indiferente à sua evidente hipocrisia, à sua vergonhosa dualidade de critérios…
… Embora, no que respeita a Donald Trump, a diferença de tratamento em comparação com Barack Obama não se deva unicamente a ideologia. É algo que tem que ver também com atitude, com temperamento. Provando que são uns imaturos irresponsáveis e supérfluos, os «progressistas» na política e nos media confundem o estilo com a substância, a forma com o conteúdo, a aparência com o carácter, e vêem no idoso, deselegante (para não dizer feio) e agressivo (para não dizer boçal) empresário milionário de Nova Iorque como que a figura, a caricatura, a corporização perfeita do que é suposto ser um «mau da fita». Provavelmente não lhes ocorre que um (ainda relativamente) jovem, esbelto e sofisticado (tão «fit», tão «cool»!) organizador comunitário de Chicago possa ter uma personalidade e um comportamento prejudiciais aos superiores e últimos interesses dos seus concidadãos. É por isso que Stephen Colbert nunca diria que a boca do Sr. Hussein é como um «coldre de c*r*lh*» de Vladimir Putin… apesar de o primeiro ter prometido «mais flexibilidade» ao segundo. (Referência no Lura do Grilo.)