quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Para acabar de vez com o Partido Democrata

(TRÊS adendas no final deste texto.)
Não costumo, em qualquer contexto, mencionar, dar (muita) importância e acreditar (incondicionalmente) em sondagens, e, no que se refere à política nos EUA, e depois do que aconteceu nas presidenciais de 2012, essa minha renitência mais não foi do que reforçada. Foi por isso que, na aproximação às midterms – eleições intercalares – do passado dia 4 tentei não ficar (muito) optimista com as previsões que indicavam uma sólida victória do GOP e, em especial, a (re)conquista de uma maioria no Senado. E com razão: practicamente todas as sondagens se enganaram… ao subestimarem a diferença com que, em quase todas as corridas, os candidatos republicanos venceram!  
Indo directamente ao que interessa: estes foram, de um modo geral, os melhores resultados para o GOP no Congresso desde, pelo menos, o final da Segunda Guerra Mundial. Para já, e no momento em que escrevo, o Partido Republicano: na Casa tem por enquanto 243 representantes, significando que ganhou 15 e perdeu dois – um «resultado líquido» de 13, que, neste caso, não é um número de azar…; e no Senado tem 52, significando que ganhou sete e perdeu nenhum – Cory Gardner (Colorado), Joni Ernst (Iowa), Mike Rounds (Dakota do Sul), Shelley Moore Capito (Virgínia Ocidental), Steve Daines (Montana), Thom Tillis (Carolina do Norte) e Tom Cotton (Arkansas); e ainda poderá conquistar mais três, porque no Alaska falta confirmar a victória de Dan Sullivan, na Virgínia haverá uma recontagem em Dezembro, e no Louisiana, também no próximo mês, realizar-se-á uma segunda volta (lá o vencedor tem de ter mais de 50% mais um dos votos).
Alguns dos desfechos para a câmara alta do Congresso merecem ser salientados: no Kansas, Pat Roberts, contra um democrata «disfarçado» de independente (Joe Biden confirmou-o), «tremeu», mas não caiu; no Novo Hampshire, Scott Brown «prometeu», mas não conseguiu; o Minnesota confirma o seu estatuto de esquisitice nacional ao manter o «bobo» Al Franken como senador e, desta vez, com uma vantagem dilatada face ao seu opositor republicano, melhor do que há seis anos, em que ganhou graças a algumas centenas de votos ilegais de presidiários – afinal, convém não esquecer que o Estado natal de Bob Dylan e de Prince foi o único a não dar, em 1984, o triunfo a Ronald Reagan (em 1972 a «excepção à regra» foi o Massachusetts, único Estado onde o então reeleito Richard Nixon não venceu.)
As eleições de terça-feira não foram apenas para as (duas) câmaras federais mas também para (várias) estaduais – onde os democratas se afundaram para níveis de antes da década de 20 - e para cargos de governador. E também aqui os republicanos conseguiram melhor do que se esperava: mais do que compensando a perda da Pensilvânia, alcançaram, nomeadamente, surpreendentes (e desmoralizadores para os democratas) triunfos no Massachusetts (Charles Baker), no Illinois (Bruce Rauner) e no Maryland (Larry Hagan), com a particularidade de neste o candidato «burro», Anthony Brown, ter descido nove pontos nas sondagens após Barack Obama lhe ter feito uma visita e participado num comício de campanha… «obrigado», senhor presidente! Já outro Brown, Jerry, «dinossauro» democrata, conquistou o seu quarto mandato e confirmou o «progressivo» declínio da Califórnia em direcção ao Terceiro Mundo. Entretanto, do lado dos «elefantes», Scott Walker, no Wisconsin, e os dois Rick’s, Scott na Flórida (este contra o «vira-casacas» Charles Crist) e Snyder no Michigan, mantiveram os seus postos apesar de disputas renhidas.    
A «ressaca» da derrota para os políticos democratas e para os seus muitos apoiantes na «lamestream media» tem sido muito dura. Não têm faltado as tentativas – pouco convincentes e mesmo falhadas – de desvalorizar e de diminuir o triunfo do GOP, com alusões à «negatividade» da(s) campanha(s) (na verdade, practicada quase exclusivamente pelos «azuis»), «justificações» de que a abstenção foi elevada (sim, mais nuns Estados do que noutros, principalmente de habituais votantes no PD que, desiludidos com o seu partido, não foram às urnas) e insinuações de que esta victória do Partido Republicano é como que ilegítima, frágil, provisória, não é uma garantia para daqui a dois anos, e «avisos» de que os «encarnados» é que devem «dialogar» e «procurar um compromisso»… com quem nunca quis nem uma coisa nem outra, apenas a submissão! Já antes de terça-feira estas «narrativas» estavam a ser ensaiadas… e até em Portugal tiveram «ecos». Basta ver e ouvir, na televisão (RTP, pela quase desaparecida Márcia Rodrigues, e TVI), breves peças… com alguns «bitaites» rancorosos. 
Tão ou mais hilariante do que constatar, agora, as reacções à derrota, é relembrar a certeza que alguns, importantes, dirigentes do PD alardeavam quanto a, pelo menos, manter o controlo do Senado. Joe Biden, Debbie Wasserman Schultz e Chuck Schumer cometeram essa imprudência, e o senador por Nova Iorque foi até ao ponto de declarar, nesse objectivo, a importância do «trabalho no terreno»ground game») dos democratas. O que não deixou de causar alguns calafrios, porque deduz-se o que essa expressão pode querer dizer. E, na verdade, nos dias anteriores às eleições, e com estas a começarem mais cedo em alguns locais, não faltaram notícias com eventuais exemplos desse «ground game»: no Colorado, democratas disfarçados de (fiscais) republicanos em mesas de voto; no Illinois e no Maryland, máquinas que «transformam» votos nos republicanos em votos nos democratas; na Carolina do Norte (e em mais uma descoberta e denúncia pelo incansável James O’Keefe), adição – e mesmo multiplicação – de boletins de voto; ainda no Maryland e na Carolina do Norte, votação de «não cidadãos», em especial imigrantes ilegais; no Estado de Nova Iorque, ameaças de que cidadãos que não votassem teriam os seus nomes divulgados. Aos que não acreditam, e negam, que a fraude eleitoral, nos seus vários «formatos», existe nos EUA, basta recordar alguns exemplos mais ou menos recentes. Aliás, o próprio Barack Obama sabe isso, pois no Wisconsin, num comício da candidata a governadora Mary Burke, ele avisou que «só se pode votar uma vez, isto não é Chicago» (algumas dúvidas restam sobre como John Kennedy ganhou em 1960?) Após esta visita a Milwaukee do Nº 44, Scott Walker passou a ter uma vantagem de sete pontos nas sondagens… «obrigado», senhor presidente!
E qual foi, precisamente, a reacção, a resposta, do Sr. Hussein ao triunfo do Partido Republicano no dia 4? Aparentemente, a indiferença, ou até o desafio; a habitual atitude de arrogância, de sobranceria, mantém-se, tal como a teimosia em concretizar as mesmas causas «politicamente correctas»… à custa da integridade, da segurança e do (verdadeiro) desenvolvimento do país. Porém, depois do «banho de sangue» e do «desastre» (palavras do Huffington Post!) que as intercalares representaram, e para acabar de vez com o Partido Democrata, Barack Obama mais não tem de fazer do que concretizar a ameaça e legalizar, de uma assentada e por acção executiva, quase dez milhões de imigrantes ilegais. É difícil olhar para os mapas pós-eleitorais, e em especial para o relativo à Casa, e não pensar que o PD está em vias de extinção.
(Adenda – Quanto aos três lugares no Senado que estavam em disputa e não ficaram decididos no dia 4, eis os mais recentes desenvolvimentos… Na Virginia, Ed Gillespie concedeu a victória a Mark Warner, apesar de ter o direito de exigir uma recontagem por a diferença de votos para com o democrata estar acima do mínimo exigido por lei. No Alaska, pelo contrário, Mark Begich teima em não reconhecer a derrota; espera, talvez, que a ele lhe aconteça o mesmo que a Al Franken em 2008, ou seja, que surjam à última hora os votos suficientes para superar a desvantagem que tem relativamente a Dan Sullivan. No Louisiana, Mary Landrieu deve ser a única pessoa que ainda acredita que irá ganhar; como se não fosse suficiente ver o DSCC desistir de comprar espaços publicitários nos órgãos de comunicação social daquele estado (o que indica uma grande «confiança» no resultado), ela teve a infeliz ideia de, para (re)começar a campanha, perguntar onde estava o seu opositor republicano, Bill Cassidy, quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleães, e a resposta daquele, que, note-se, então ainda não havia entrado na política, não podia ser mais devastadora (para Landrieu) – como médico, estava a dar assistência aos feridos…)
(Segunda adenda – Mike Huckabee, no seu programa semanal na Fox News, perguntou precisamente – a uma conterrânea do Arkansas, Blanche Lincoln, ex-senadora do outro partido – se os democratas… do Sul dos EUA estarão em extinção. Não só aqueles mas de todo o país correm esse risco se acreditarem, como a equipa de Barack Obama parece acreditar, que a 4 de Novembro «os republicanos tiveram uma noite boa mas os nossos resultados foram melhores»! Nem todos os liberais, contudo, recorreram, além da negação, à raiva ou à paranóia para se consolarem: Bill Maher, que não conseguiu derrotar o representante do GOP – John Kline – que tomara como alvo na sua iniciativa «Flip a District», reconheceu igualmente, com humor, a ocorrência de um «banho de sangue» - e em que o «pirilau» de Anthony Weiner e as «balls» de todos os «burros» em geral estiveram entre as maiores «vítimas»… ;-))  
(Terceira adenda - Custou mas foi: está confirmada, no Alaska, a victória de Dan Sullivan sobre Mark Begich. Foi mais um incumbente democrata a ir abaixo; agora, só falta Mary Landrieu no Louisiana.)

2 comentários:

Fernando Ferraresi disse...

Seu blog é espetacular e é o melhor que encontrei em língua portuguesa.

Vou fazer algumas perguntas: Qual o melhor candidato republicano e o que tem a maior chance de levar as primarias e a eleição de 2016? Analisando os números dessa eleição, podemos concluir que o voto latino está, em parte, migrando para o partido republicano?

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Muito obrigado, Fernando, pela(s) sua(s) visita(s) a este blog e pelas suas muito simpáticas palavras…

… E quanto àquilo que me pergunta… Eu não costumo, e até evito, fazer previsões, prognósticos, mas não o vou deixar sem resposta.

Antes de mais, o candidato republicano mais forte para ganhar a eleição geral poderá não ser aquele que ganha(rá) a primária… Se eu tivesse de escolher, diria que Rand Paul é actualmente a hipótese mais forte para vencer Hillary Clinton – ou qualquer outro «burro» – porque parece suscitar simpatias entre muitos independentes e até alguns democratas. Porém, algumas das suas posições menos… «ortodoxas» poderão, lá está, prejudicá-lo no confronto interno inicial do GOP.
Outro factor importante: Rand Paul é um senador, e, por mais competentes e simpáticos que sejam, os membros da câmara alta do Congresso nunca são tão bons candidatos – no sentido de serem qualificados, de terem «obra feita» para apresentar – como os governadores. E, neste âmbito, os republicanos têm nomes muito fortes, a começar por Scott Walker (que venceu três eleições difíceis em quatro anos!), John Kasich, Bobby Jindal, Jeb Bush, e, apesar de tudo, Chris Christie.

Sobre o voto latino – ou, como muitos dizem que é mais correcto, hispânico – e após tanto tempo a observar a política dos EUA, ainda não tenho uma opinião mais ou menos firme. A julgar pelo que aconteceu a 4 de Novembro, é legítimo afirmar que, afinal, os democratas não terão um controlo tão grande sobre aquele sector do eleitorado que muitos julgavam que tinham. De qualquer modo, acredito que os republicanos nunca deverão ceder à demagogia «azul» e apoiar uma amnistia para os ilegais; aliás, o próprio César Chavez, grande ídolo dos estado-unidenses de origem hispânica, era um defensor firme da imigração legal.
Os «elefantes» têm, além disso, importantes «trunfos» neste âmbito: políticos latinos de sucesso nas suas fileiras, como Brian Sandoval, Susana Martinez e Marco Rubio.