quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A mais «silly» desta «season»

Mal poderia eu adivinhar (bem, dados os antecedentes, até poderia, ou deveria, adivinhar...) que, logo após ter inserido a anterior entrada no Obamatório sobre a «Silly Season» da política norte-americana, ocorreria a acção, ou a afirmação, mais «silly» desta «season»: Barack Obama a manifestar o seu apoio à construção de uma mesquita perto do «Ground Zero» de Nova Iorque... e perante uma audiência de muçulmanos a celebrar o início do Ramadão!
Esta atitude é «silly» a vários níveis. Primeiro, porque, mais uma vez, o presidente vai contra a opinião da maioria dos americanos, como na «reforma» do sistema de saúde e na lei de imigração do Arizona. Segundo, porque, apercebendo-se ele (ou algum dos seus conselheiros) da extemporaneidade (para utilizar em eufemismo) daquela declaração, tentou depois fazer um «controlo de danos», desmentido e/ou esclarecendo e/ou corrigindo o que dissera... o que só veio agravar a situação. Terceiro, veio dificultar ainda mais as campanhas – e diminuir as esperanças – do Partido Democrata e dos seus candidatos para as próximas eleições de Novembro. Para se ter a certeza do quão grande foi este erro, registe-se que até Harry Reid discorda de Obama!
Convém clarificar de uma vez por todas: os que se opõem à construção do «centro comunitário» designado por «Cordoba House» - que, segundo Nancy Pelosi, deveriam ser investigados (!) – não põem em causa a legalidade da intenção mas sim a sua sensatez... ou falta dela: é, incontestavelmente, um desrespeito pela memória dos que morreram a 11 de Setembro de 2001 e pelos sentimentos dos seus familiares e amigos. Não se está a dizer «não construam»; está-se, sim, a dizer «construam em outro sítio». Compare-se: em muitos países islâmicos não se pode construir templos de outras confissões religiosas, ao contrário do que acontece em nações ocidentais como os EUA... ou será que já nem tanto? É que, em contraste com a rapidez com que foi dada a autorização para erguer a mesquita, a igreja que existia perto do World Trade Center não deverá ser reerguida.
Porquê ser tolerante com aqueles que não são tolerantes? Sim, há quem queira implantar a Sharia nos Estados Unidos, e entre esses está Feisal Abdul Rauf, um dos cabecilhas do projecto em Nova Iorque, apoiante do Hamas e do Hezbollah, que disse que a América tinha parte da culpa pelo 9-11... mas que faz viagens pagas pelo Departamento de Estado! Entretanto, outro efeito perverso desta discussão é, espantosamente, a desvalorização – delirante - que alguns fazem do que aconteceu há nove anos: no Daily Kos escreveu-se que os ataques foram «mais uma questão de óptica»; na Time escreveu-se que o «Islão radical pode já não existir». Mas, lá está, os «intolerantes» são sempre os mesmos... os brancos e cristãos. Que também devem estranhar que, numa escola do Michigan, os treinos de futebol americano se façam de madrugada por causa do Ramadão.
Enfim, a contínua «compreensão» do Sr. Hussein pelos direitos dos muçulmanos (não fala tanto em deveres) pode estar a ter custos algo inesperados. Numa recente iniciativa de angariação de fundos em Los Angeles – que causou um enorme engarrafamento na cidade – foi notada a ausência de Barbra Streisand e de Jeffrey Katzenberg. Será que para alguns judeus, mesmo que liberais, certas coisas começam a ser demais?

2 comentários:

Direito disse...

sr hussein enfim de ironias baratas está Portugal cheio! Continua a encher o balão de preconceitos que ele há-de rebentar-te na cara!

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Algumas advertências sobre comentários: à partida, não respondo a anónimos; se forem cordatos, há uma hipótese, ainda que infinitesimal, de levarem «troco»; agora, se mostrarem ser uns sacanas ignorantes, insolentes e imbecis, não só não terão resposta como correrão o risco de ver as suas «cagadelas» removidas.