quinta-feira, 10 de abril de 2014

… Não é um conservador

Porque continua a existir sobre o assunto alguma confusão, bastantes dúvidas, várias incertezas, permitam-me dar de imediato o meu, necessariamente modesto, contributo: quem é a favor do denominado «casamento» entre pessoas do mesmo sexo – e, concomitantemente, a favor da adopção por «casais» homossexuais – não é, não pode ser, de direita; não é, não pode ser, um conservador. Ponto. Mesmo que partilhe outros dos ideais habitualmente associados àquele campo ideológico, como a – efectiva – liberdade de expressão, a prioridade à economia de mercado, a rejeição de um Estado omnipresente, o combate a todos os totalitarismos.
A defesa intransigente do casamento entre um homem e uma mulher e a rejeição de formas «alternativas» de matrimónio é o princípio primeiro, básico, fundamental, do conservadorismo. E quem não o respeitar e não o faça respeitar, na medida das suas possibilidades, não é de direita… seja onde for, e não só nos Estados Unidos da América. Na Europa, já se sabe, David Cameron deixou de ser conservador – e o Partido «Conservador» deixou de o ser! – a partir do momento em que, mais do que permitirem ou apoiarem, propuseram e aprovaram (!) a redefinição do casamento no Reino Unido; e, em Portugal, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, não é de direita porque favorece a «adopção» por «casais» homossexuais... e até foi «premiado» pela ILGA por isso!
Do outro lado do Atlântico, o «matrimónio gay» é um assunto que continua a ser factor de fricção, e quiçá de fraccionamento, dentro do Partido Republicano. Mas não deveria ser: só aqueles que são inseguros, que não têm confiança nas posições – e nas convicções – que formam o núcleo programático do GOP é que podem ter dúvidas neste âmbito… e, pior, mudarem de opinião por motivos estritamente conjunturais ou pessoais. A este respeito os exemplos mais lamentáveis foram dados por Mark Kirk, senador do Illinois, e Rob Portman, senador do Ohio… este depois do filho se ter assumido como homossexual! Ambos poderão ainda ser republicanos mas deixaram de ser de direita, de ser verdadeiros conservadores… se é que alguma vez realmente o foram. Tal como Clint Eastwood, ex-mayor de Carmel (cidade da Califórnia), que assinou uma petição a favor da revogação da Proposição Oito; Larry Pressler, ex-senador do Dakota do Sul, para quem o apoio ao CEPMS é, imagine-se, a «nova posição conservadora» (!); até, incrivelmente, o ex-presidente George H. Bush, que aceitou ser, com a esposa Barbara, testemunha oficial – isto é, mais do que assistir, assinou documentos – no casamento de duas lésbicas!  
Do lado oposto estão, entre outros: Matt Salmon, representante do Arizona, na mesma situação que Rob Portman, mas que não muda, e muito bem, a sua posição por também ter um filho gaye este resiste, também muito bem, a apelos a que rejeite o pai por causa disso; e Liz Cheney, cuja irmã lésbica não a fez mudar de ideias quanto ao que um verdadeiro casamento deve ser. São dois exemplos, dois casos tanto mais de louvar porque são cada vez mais os que, neste âmbito, se desanimam e parecem desistir. Jeff Flake, senador pelo Arizona, mantém no presente a sua posição mas já aceita que no futuro será derrotado. E as invectivas de uma jovem impressionável e manipulável como S. E. Cupp não são tão prejudiciais como as dúvidas de uma voz - e de um valor – da veterania como Rush Limbaugh. A questão está em saber se os republicanos – a maioria deles, pelo menos – s(er)ão capazes de resistir às pressões: dos órgãos de comunicação social que, nesta matéria como em outras, alinham pela esquerda em suporte de todas as «causas fracturantes» - chegando ao ponto de utilizar as próprias crianças como adereços; de sondagens – que, por definição, têm sempre margens de erro; de lobbys que apregoam uma inevitabilidade que está por demonstrar…
… Porque se o «reconhecimento da igualdade matrimonial» (expressão falaciosa porque os homossexuais sempre puderam casar-se) tem vindo a «ganhar terreno» nos EUA, tal deve-se, na esmagadora maioria dos casos, a decisões judiciais tomadas por magistrados democratas e/ou nomeados por democratas que não hesitam, frequentemente, em anular resoluções tomadas por cidadãos em referendos – o que não é democracia mas sim ditadura. E, na verdade, as acções dos activistas da homossexualidade têm tudo a ver com totalitarismo, com a eliminação da oposição. São já vários os casos de empresas e de profissionais que se vêem prejudicados, processados, boicotados, despedidos, por terem a «ousadia» de acreditar que um casamento deve ser apenas entre um homem e uma mulher.
O exemplo mais recente de perseguição deste tipo é o de Brendan Eich, que foi forçado a despedir-se de cargo de CEO da Mozilla por, em 2008, ter ajudado financeiramente a Proposição Oito – ou seja, por então ter a mesma posição que, entre muitos outros, Barack Obama e Hillary Clinton tinham; seriam pois o actual presidente e a ex-secretária de Estado também comparáveis a segregacionistas a precisarem de reabilitação? Convirá recordar – ou revelar – que o (verdadeiro) maior homófobo (não muçulmano) dos EUA, o (recentemente falecido) Fred Phelps, era democrata! Nos comentários a este caso não surpreende que Newt Gingrich manifeste a sua condenação, utilizando – correctamente – a expressão «novo fascismo»; o que surpreende, sim, é que Bill Maher e Andrew Sullivan também o façam, e de formas igualmente inequívocas – o primeiro fala da «máfia gay» e o segundo (homossexual assumido!) de uma (nova) «Inquisição».
George Will não tem razão em classificar os homossexualistas como «vencedores azedos»… não por causa do «azedos» (que o são) mas sim por causa do «vencedores» (que ainda não são, e, no que depender de mim, nunca serão). Os seus «triunfos» são ilusórios e obtidos à custa de batotice, chantagem e demagogia. Os republicanos não têm pois qualquer vantagem em ceder às absurdas exigências destes novos fascistas, em proceder, como diz John Hayward, a um «desarmamento unilateral nas guerras culturais» que os tornariam practicamente indistinguíveis dos democratas. O que eles têm, basicamente, de fazer é de preservar, ou de crescer, uma coluna vertebral. Ou, por outras palavras, (man)tê-los no sítio… certo.