domingo, 11 de setembro de 2011

Parece que foi ontem

Passam hoje dez anos sobre os atentados terroristas nos Estados Unidos da América, que provocaram perto de três mil mortos, e em que os alvos foram as duas torres do World Trade Center em Nova Iorque (destruídas), o Pentágono (danificado) e, muito provavelmente, o Capitólio em Washington (salvo). Como é possível? Sim, não é original dizê-lo, mas é a verdade do que sinto: parece que foi ontem.
Onde é que eu estava, nessa distante mas tão próxima terça-feira de 2001? Em Lisboa, a trabalhar, mais precisamente na Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, de cuja revista, Comunicações, eu era redactor. Tinha acabado de vir do almoço, passava pouco das 14 horas. Numa outra sala, perto da minha, estava um televisor ligado. Já não me lembro em que canal estava sintonizado, mas creio que se estabelecera uma ligação em directo após o embate do primeiro avião; ainda não se sabia o que acontecera, não havia certezas, mas pensava-se, dizia-se, que fora um acidente. Por pouco tempo: quando o segundo avião veio… as dúvidas dissiparam-se. Pelas janelas eu podia ver, como habitualmente, a Avenida Fontes Pereira de Melo, o edifício-sede da Portugal Telecom, o edifício Imaviz, o Hotel Sheraton; aparentemente estava tudo na mesma… mas algo havia mudado, e muito, para sempre. E nos minutos, horas, dias seguintes, foi quase impossível pensar, falar, saber, sobre outro assunto. E nas semanas, meses, anos, que se seguiram nunca a memória daquele dia desapareceu por inteiro da minha mente… e, acredito, das de muitas outras pessoas.
O 11 de Setembro de 2001 representou igualmente para mim o final de um processo – solitário e sofrido – de mudança ideológica, da esquerda para a direita, iniciado 12 anos antes com a queda do Muro de Berlim em 1989… mas cujos primeiros «sintomas» haviam aparecido em 1985. E as reacções aos atentados, ou certas reacções de determinados quadrantes, selaram a minha mudança. Entre os muçulmanos houve festa ou um ruidoso silêncio – o Islão pode não ser sempre a religião da guerra mas é sempre a da discriminação, do obscurantismo e da supremacia. Entre a esquerda ocidental em geral, e a europeia em especial, a atitude preferencial foi do tipo «condenamos, MAS…» Chegaram-me ecos de afirmações, feitas inclusivamente por portugueses, do género «os Estados Unidos tiveram, finalmente, o que mereciam». Será que as pessoas, incluindo crianças, que iam naqueles aviões, e as que estavam nos edifícios atingidos, mereceram o que lhes aconteceu?
O 11 de Setembro de 2001 constituiu, enfim, o dia em que George W. Bush iniciou o percurso que o tornaria, de facto, no «homem da década». Tudo o que aconteceu nos dez anos seguintes, no seu país e no Mundo, foi determinado pelas suas decisões. Muitos não acreditavam nas suas capacidades, pouco ou nada esperavam dele. Ele era apenas o «filho do papá» que também se tornara presidente, e para mais numa eleição muito disputada e polémica. Eu próprio, em 2000, fiquei dividido sobre por quem deveria «torcer»; Al Gore era como um segundo Bill Clinton… mas com as qualidades e sem os defeitos de Bill Clinton; não me parecia então um mau candidato, muito pelo contrário – ainda não se tornara o maior «vendedor de banha da cobra» do planeta, o principal «culpado» dessa gigantesca fraude chamada «aquecimento global». Quanto a GWB, pouco sabia dele, não conseguia formar uma opinião clara… mas senti, pensei, que estavam a criticá-lo, e a desvalorizá-lo, prematuramente, injustamente.
O artigo que escrevi e publiquei no Diário Digital, em 20 de Janeiro de 2009, quando deixou de ser presidente – e que constituiu o tema do meu primeiro post no Obamatório – acabou por ser também, de certo modo, o relato dessa viagem que todos nós iniciámos há dez anos, e que teve, quer se gostasse ou não, o «cowboy de Crawford» como comandante. Mesmo ocupando o cargo que o tornava «o homem mais poderoso da Terra», não deixava de ser uma pessoa como nós, comum, normal. E que, como a nós, lhe custou a acreditar – como tão bem se viu pelo seu rosto naquela escola da Flórida – que o Mal havia transposto um novo, e horrível, limite.
(Adendas: George Soros e Paul Krugman continuam a lembrar-nos como são desprezíveis, e que nem valem a saliva que poderíamos cuspir-lhes; Rui Calafate escreveu sobre a «direita americana»… e saiu disparate (e Obama é que é «burro»).)