domingo, 14 de dezembro de 2014

Tantos «Tios Tomás»!

(Três adendas no final deste texto.)
Para os demagogos manipuladores nos EUA que fazem das cores da pele a «causa» pelas quais se movimentam, melhor do que um caso de alegado «racismo» a envolver forças policiais são dois, ou três casos, ou quatro… Nesse aspecto, as últimas duas semanas têm constituído para eles um período de grande actividade e até de alegria, com dezenas de manifestações e protestos em várias cidades do país – e até no estrangeiro! – e outros tantos surtos de violência, motins e pilhagens…
… Embora, na verdade, os incidentes que resultaram nas mortes, nomeadamente, de Michael Brown, Eric Garner e Tamir Rice em nada tiveram a ver com racismo. Quanto muito, foram (desagradáveis) coincidências, e consequências de excesso de zelo, de algum abuso de força. Mas não foram exemplos, certamente, de «injustiça e discriminação racial» ou de «racismo e violência policial» como, num jornal deste lado do Atlântico, se anunciou; aliás, numa estação de televisão (sim, a TVI) chegou a afirmar-se que Michael Brown havia sido abatido «a sangue frio»! Só que, de facto, o «adolescente desarmado» era maior e mais pesado do que o polícia a quem agrediu e tentou tirar a arma; antes, assaltara uma loja de conveniência e fumara marijuana. Várias testemunhas – incluindo afro-americanas – confirmaram a versão de Darren Wilson, e foi por isso que ele foi ilibado. O caso ocorrido em Ferguson, no Missouri, não é um símbolo de «injustiça», «discriminação racial» e/ou «violência policial (deliberada e generalizada)». Porém, é de facto um exemplo de racismo... no sentido de os habituais agitadores raciais (ligados ao Partido Democrata) terem manipulado emoções e incentivado agressões porque um polícia branco matou (em legítima defesa) um delinquente negro - os mesmos agitadores que não costumam mostrar a mesma «indignação» quando é um negro a matar outro(s) negro(s), circunstância que é, aliás, a mais frequente nos EUA - mais de 90% de afro-americanos assassinados nos EUA são-no… por outros afro-americanos.
Desses agitadores, desses bastantes (demasiados) «race hustlers», «race baiters», com interesses (políticos, mediáticos, financeiros) no constante acicatar de conflitos, e que apregoam a mentira de que o país pouco ou nada progrediu desde os anos 60, destacam-se Michael Eric Dyson (que quer que os brancos sejam «treinados»), Louis Farrakhan, Jesse Jackson, Charles Rangel … e Al Sharpton, amigo, aliado, «assessor» de Barack Obama – e que, apesar de dever cerca de quatro milhões de dólares ao IRS, terá, imagine-se, aconselhado o presidente na escolha da pessoa que substituirá Eric Holder no cargo de attorney-general! As declarações figuradamente incendiárias destas luminárias constituíram como que «deixas» para acções literalmente incendiárias – por exemplo, do padrasto de Michael Brown, que foi gravado a dizer «vou começar um motim» e que depois, efectivamente, gritou repetidamente «queimem esta porcaria!» («burn this bitch down!») no que terá sido não mais do que uma reafirmação, por outras palavras, da declaração da (democrata) senadora estadual do Missouri, Maria-Chappelle Nadal, de que esta era «a guerra racial de St. Louis». Pelo menos uma vítima mortal resultou dessa «guerra racial»: Zemir Begic, imigrante bósnio assassinado à martelada naquela cidade por adolescentes negros que gritavam «matem os brancos!» e procuravam assim «vingar» o que acontecera a Brown; poucos dias depois, e na mesma região, uma compatriota foi igualmente agredida mas não morreu, tendo ficado gravemente ferida; posteriormente, surgiu uma defesa destes actos, em que uma afro-americana fala de «supremacia» da sua raça, de posse de território, face a bósnios, que são considerados «invasores». Estes sim, foram casos de autêntico ódio racial, de verdadeiro racismo, mas onde estão, para os divulgar, os mesmos «jornalistas» que tanto empolaram o caso de Michael Brown?
Em contraste, e felizmente, tanto a esposa (agora viúva) como a filha de Eric Garner negaram que a morte dele tivesse sido por racismo – na verdade, foi mais o efeito da aplicação de taxas excessivas implementadas por liberais-progressistas, que favorecem a criação de mercados negros – no caso, de cigarros, que era o que Garner vendia. Porém, estas não são mais do que excepções – eventualmente momentâneas – à «regra» do racismo existente entre a população afro-americana dos EUA. Neste aspecto, pode dizer-se que o Partido Democrata «triunfou», que «teve sucesso», ao ajuntar aos seus brancos racistas (agrupados no KKK) os negros racistas (agrupados no NAACP), que, invariavelmente, até ainda mais do que os caucasianos, vituperam violentamente os membros da sua etnia que recusam o discurso e a conduta da (permanente) vitimização – ou seja, os afro-americanos conservadores e republicanos, equiparados a, imagine-se, «judeus nazis». Conspurcando, deste modo, a herança de Martin Luther King…     
… Que certamente reprovaria, e sentiria repulsa, por ver como a associação que deveria apoiar e defender todas as pessoas de cor, e os seus dirigentes e associados, nenhuma consideração terem por, nomeadamente: Ben Carson, que é «aconselhado» a não sair da sala de operações; Mia Love e Tim Scott (que já foi chamado de «boneco de ventríloquo»), que foram eleitos para o Congresso (ela para a Casa, ele para o Senado); Clarence Thomas, que já leva décadas a ser vilipendiado pelos seus «irmãos» - «prostituta intelectual», «pior negro da História» e, claro, «Tio Tomás», são alguns dos insultos com que o têm presenteado. A ironia, obviamente, está em que aqueles que lhe chamam «Uncle Tom», todos eles democratas, militantes e/ou votantes dos democratas, é que o são… precisamente por apoiarem o PD. E tantos são os «Tios (e Tias) Tomás» que existem nos EUA!..
… Que, apesar de estarem cada vez pior, económica e socialmente, devido a décadas de «políticas progressistas», continuam a culpar por isso os herdeiros daqueles que os libertaram da escravatura e da segregação: alegadamente, o GOP «é hostil aos interesses dos afro-americanos», tiram a comida «das bocas das pessoas de cor» e fariam com que potenciais «netos bi-raciais fossem abortados». Na verdade, e porque practicamente todos os republicanos são pró-vida, tal seria virtualmente – e virtuosamente – impossível. Pelo contrário, são os democratas, practicamente todos pró-escolha, aborcionistas, que, deliberadamente, tomaram desde há muito tempo as comunidades negras como alvos, como o demonstram a fundação, o funcionamento e a expansão da Planned Parenthood. Organização que, sem um mínimo de vergonha, é aceite enquanto parceira na celebração do «Mês da História Negra» e enquanto participante no movimento «Black Lives Matter» com que se pretende homenagear Michael Brown e Eric Garner. É pena que todas as outras (milhões de) «vidas negras» destruídas pela PP ainda nos ventres maternos, pelo contrário, não tenham importância.
Barack Obama, num certo sentido, até que está correcto quando diz que «o racismo tem raízes profundas nos Estados Unidos». Pois tem, e essas «raízes» estão – sempre estiveram – todas no seu partido, o Democrata, cujos candidatos a/e políticos têm pago aos seus funcionários negros, em média, 30% menos do que pagam aos brancos.
(Adenda – Bertha Lewis, que dirigiu a para-criminosa – e entretanto extinta – ACORN, ressurgiu este ano – sem surpresa, na convenção da NAN, organização de Al Sharpton – e afirmou que aqueles que se opõem à amnistia dos imigrantes (ilegais) e apoiam a identificação dos votantes são a favor da imposição, nos EUA, de um sistema semelhante ao da África do Sul da era do apartheid. Um conceito que talvez seja melhor aplicado à economia sob a presidência de Barack Obama, em que os brancos são 13 vezes mais ricos do que os negros. Um gravíssimo «crime» pelo qual aqueles talvez devessem punir-se cometendo, segundo a sugestão de um professor da Universidade de Cornell, um «suicídio racial».)     
(Segunda adenda – Barack e Michelle Obama parecem ter-se queixado, em entrevista recente à revista People, de racismo de que foram vítimas no passado. A primeira-dama, em especial, recordou um episódio em que uma senhora, branca e de baixa estatura, lhe pediu ajuda para alcançar um objecto localizado numa prateleira alta… Mas, se isso foi uma demonstração de discriminação, Valerie Jarrett também foi culpada do mesmo, porque pensou que um general era um empregado de mesa, e tratou-o como tal…)
(Terceira adenda – Dois polícias brancos, mas não exactamente caucasianos, Rafael Ramos (de ascendência hispânica) e Wenjian Liu (de ascendência asiática), foram assassinados a 20 de Dezembro em Nova Iorque por Ismaaiyl Abdullah Brinsley, um afro-americano convertido ao Islamismo e membro de um bando de Baltimore – e que cometeu o crime (após o qual se suicidou), segundo terá afirmado explícita e previamente na sua página de Facebook, como vingança contra as mortes de Michael Brown e de Eric Garner. Vários foram os que celebraram o duplo homicídio, perpetrado, aliás, na sequência de protestos em que se exigia «polícias mortos, e agora». Não é exagero afirmar-se que Al Sharpton e Bill de Blasio, assim como Barack Obama e Eric Holder, têm responsabilidades (i)morais – alguns falam mesmo, compreensivelmente, em «sangue nas mãos» - pelo sucedido, considerando as afirmações que fizeram nas últimas semanas (e meses, e anos…) Espere-se para ver se o presidente – que, recorde-se, ainda no mês passado concordava que a desconfiança em relação à polícia em «comunidades de cor» tem raízes na realidade – envia representantes seus aos funerais dos dois polícias, à semelhança do que fez com os de Michael Brown e Trayvon Martin. Quem, porém, não deverá comparecer àqueles é o – aparentemente «azul» mas de facto «vermelho» – mayor de Nova Iorque, que nesse sentido já havia sido avisado, qual sinistra premonição, por representantes dos agentes da autoridade. Enfim, nada de novo: ontem como hoje, o ódio, a violência e o crime raciais são os «nutrientes» do habitat em que o Partido Democrata subsiste.) 

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