É muito difícil, se não mesmo impossível, discordar
de que é ainda o melhor monólogo de abertura de sempre numa cerimónia de
entrega de prémios. Seis anos depois, as palavras de Ricky Gervais nos septuagésimos sétimos Globos de Ouro ainda ecoam com impacto, em especial a sua
parte final: «Se ganharem um prémio esta noite não o usem como uma plataforma
para fazer um discurso político. Vocês não estão em posição de dar lições ao
público sobre o que quer que seja. Nada sabem sobre o mundo real. Muitos de
vocês passaram menos tempo na escola do que a Greta Thunberg. Assim, se
ganharem, subam aqui, aceitem o vosso pequeno prémio, agradeçam ao vosso agente
e ao vosso Deus, e vão-se f*d*r!»
Infelizmente, muitas celebridades, «estrelas», do
entretenimento, no cinema, na televisão e na música, tardam em seguir a
recomendação do criador d’«O Escritório». Pelo contrário, insistem em dar as
suas opiniões sobre política norte-americana... e, o que não surpreende, as
mais veementes nas suas vocalizações são as que estão encostadas à esquerda,
apoiantes dos democratas e opositores dos republicanos. E com o regresso de
Donald Trump a estridência, já excessiva no primeiro mandato, só aumentou no
primeiro ano do segundo. Obviamente, os «artistas» não se limitam a debitar
idiotices nos seus ostentatórios ajuntamentos festivos anuais. E, mais uma vez,
as mulheres «sinistras» surgem como as mais ridículas. Comece-se com Jane Fonda, que, sem dúvida sem esquecer e ainda orgulhosa de quando era «Hanoi
Jane», decidiu esganiçar-se contra Trump e os ataques no Irão ao mesmo tempo
que, também em Los Angeles (e não só), eram aos milhares os exilados iranianos que se manifestavam ruidosamente a favor do bombardeamento contra os «ai-as-tolas»
e expressavam o seu agradecimento ao presidente; será possível ser-se mais «out
of touch»? Continue-se com Natalie Portman, Molly Ringwald e Lady Gaga, que em
finais de Janeiro pronunciaram-se publicamente contra as acções desencadeadas
pela Immigration and Customs Enforcement (ICE) para localizar, deter e deportar
imigrantes ilegais, em especial os mais perigosos, com cadastro, incluindo
traficantes, violadores e assassinos; no caso da cantora de «Born This Way»,
ela fê-lo durante um concerto no Japão, país que, ironicamente, tem uma das
mais restritivas políticas de imigração em todo o Mundo. Algo de semelhante fez
Bruce Springsteen, cada vez mais patético e senil, logo no ano passado e numa
digressão europeia que arrancou no Reino Unido, em que acusou a então nova
administração norte-americana, a do seu país, de ser «corrupta, incompetente e
traidora» - note-se que, neste século, ele apoiou todos os candidatos
democratas a presidente, incluindo Joe Biden e Kamala Harris. Neste ano de 2026
continuou a arengar em concertos em vez de se limitar a cantar, e, não contente
com isso, decidiu escrever, gravar e lançar uma «canção de protesto» contra o ICE chamada «Streets of Minneapolis», que o maralhal marxista internacional
adorou, incluindo em Portugal, e como não podia deixar de ser, o sempre papalvo João Lopes. Entretanto, e justificando plenamente que as suas iniciais sejam BS,
o suposto (mas falso) «working class hero» está a cobrar preços exorbitantes
nos bilhetes para os seus espectáculos.
Porém, são de facto as «feiras das vaidades» que
mais propiciam a evacuação de inanidades por arrogantes, pomposas e ignorantes
celebridades, reconfortadas e incentivadas por se verem rodeadas de
«cabeças-de-vento» que pensam (pouco e mal) como eles. A entrega dos Oscares de 2026 (para filmes lançados em 2025), no passado domingo, 15 de Março, até não
terá sido das mais ofensivas, mas não faltaram momentos constrangedores... no
sentido habitual, de que se destacam o de um Javier Bardem em bardam*rd*, quiçá
a preparar-se para integrar o governo de Pedro Sanchez, a proclamar «Palestina
livre!» no palco, depois de, à entrada, se ter insurgido contra mais uma
«guerra ilegal», ou seja, a corrente contra o Irão ou, mais correctamente,
contra o regime totalitário e sanguinário que o oprime há quase 50 anos. O
«grande» vencedor da noite, com seis estatuetas douradas, foi «Uma Batalha
depois de Outra», exaltação cinematográfica da violência extremo-esquerdista;
Paul Thomas Anderson já merecia há muito, sem dúvida, o Óscar de melhor realizador,
mas não por isto. Terminada a cerimónia, ficou o lixo junto às cadeiras, em
consonância com o ambiente esquálido que rodeia o Teatro Dolby e que, no geral,
caracteriza as «ruas sem nome» de Los Angeles, «cidade dos anjos» tornada, tal
como todas as outras controladas pelos democratas há demasiadas décadas, numa
«shithole» terceiro-mundista. E onde também decorreram, a 1 de Fevereiro na
Arena Crypto.com, os Grammys, em que as irrupções imbecis foram mais e maiores,
e das quais ressaltou a de Billie Eilish, que – demonstrando uma vez mais que
beleza e talento não substituem inteligência e sensatez – resolveu, para acentuar
mais a sanha anti-ICE, proclamar que «ninguém é ilegal em terra roubada». As reacções
não se fizeram esperar, incluindo a de um representante de uma tribo de americanos nativos, os Tongva, que não recusou a possibilidade de lhes ser dada a mansão
da cantora, construída em terreno que outrora terá sido pertença daquela tribo!..
... E também a de alguém que avisou todos os
artistas «engajados» a pensarem bem antes de abrirem a boca para lançarem
bitaites sobre política: precisamente, Ricky Gervais, que se espanta e ri por
não o terem ouvido, e, se o ouviram, por não o levarem a sério.