sábado, 11 de maio de 2013

Às armas! Às armas!

(Três adendas no final deste texto.)
Pode-se agora afirmar com alguma certeza que um dos grandes, e mesmo principais, traços distintivos de Barack Obama, da sua presidência, da sua administração, é dado pelas suas atitudes, as suas posições, em relação a… armas. Que variam consoante quem as utiliza, com que fins e em que contextos. E a uma conclusão se pode desde já chegar: o Nº 44 preocupa-se mais com as armas possuídas e utilizadas por cidadãos cumpridores da lei, sem cadastro, que as usam como meios de prevenção e de defesa pessoal e familiar, do que com aquelas detidas e disparadas por criminosos, tanto nacionais como estrangeiros.
Parece exagerado? Excessivo? Até difamatório? De modo algum, porque os factos assim o demonstram. E o primeiro é, foi, a reacção lamentável, irritada, infantil, «birrenta» que ele teve quando a proposta de (maior) gun control – ou gun safety, como era, é, eufemisticamente designada – apresentada pelos senadores Pat Toomey (R) e Joe Manchin (D) foi – apesar das arrogantes «dúvidas» (ameaças?) do presidente – reprovada, a 17 de Abril último, no Senado… onde, nunca é de mais recordar, os democratas estão em maioria. Desde que ele tomou posse que nada, mas mesmo nada, o havia zangado, «indisposto», tanto, pelo menos publicamente. É de repetir sempre o que é incontestável: as medidas propostas não afectariam os criminosos, não impediriam estes de obter armas, e, pior, dificultariam aos não criminosos obtê-las e utilizá-las. E está mais do que provado que quanto menor for o controlo de armas, quanto maior for a posse – legal, autorizada, registada – de armas por parte de cidadãos, menor será a criminalidade. John Lott tem provado e reafirmado essa asserção ao longo dos anos – em estudos (constantes), artigos, livros – e, além disso, um relatório recente do Departamento de Justiça também a confirma; na verdade, os crimes nos Estados Unidos da América relacionados com (em que são usadas) armas diminuíram consideravelmente nos últimos 20 anos, mesmo que a percepção pública – induzida, muito provavelmente, pela comunicação social – seja a contrária.
Se é assim, se estes factos são públicos e notórios, porque é que os democratas continuam a insistir em desarmar os seus compatriotas? Porque para eles é mais importante reduzir o risco de uma eventual, potencial, oposição, resistência ao governo federal – esta, sim, a essência da Segunda Emenda da Constituição dos EUA – do que contribuir para a diminuição da criminalidade; para eles, idealmente, só o Estado, só os políticos, só as «autoridades», deveriam ter acesso irrestrito a armas; e porque, para que se possa cumprir o desígnio «obamista», liberal, «progressista», de «transformar fundamentalmente» a nação, o governo não pode nem deve sentir medo dos governados…
Pelo que não se deve esperar que eles desistam: apesar de apenas pela «conversa» não conseguirem, está mais do que visto, os seus objectivos, isso não obsta a que continuem a insistir na mais desavergonhada das demagogias, que incluem, por exemplo: mentir quanto ao número de vítimas de violência; mentir quanto ao tipo de arma utilizado pelo assassino de Newtown; usar familiares das vítimas daquele massacre no Connecticut como adereços de uma disputa político-partidária; referir uma e outra vez – no que só pode ser o máximo do descaramento – a situação em Chicago como justificação para um maior… gun control, quando, pelo contrário, o facto de a maior cidade do Illinois ter dos maiores «controlos de armas» do país não só não impede como também induz um elevadíssimo número de crimes com armas, em especial homicídios; invocar, como (mais) uma forma de pressão, o que outros países supostamente esperam que se faça, nos EUA, sobre esta questão (!) Entretanto, é de louvar que a boca de Harry Reid lhe tenha «fugido para a verdade», ao classificar a legislação proposta (e derrotada) como sendo «anti-armas»… Mas também Jan Schakowsky e Mike Martinez admitiram, e no caso deles conscientemente, sem «lapsos», que o objectivo último é mesmo a proibição total. Nesse sentido, mais não fazem do que «seguir o chefe» neste desígnio: no início da sua carreira pública e política, Barack Obama afirmou, ou deu a entender, que é a contra a posse de armas por privados… mas também, (aparentemente) contraditoriamente, contra o agravamento de penas aplicadas a menores culpados de crimes com armas de fogo; aliás, já em 2004 a equipa do seu opositor republicano na eleição para o Senado, Jack Ryan, compilou um longo e inquietante arquivo sobre as posições do Sr. Hussein, e que o classificava claramente como «vergonhosamente suave no crime e nas drogas».
Porém, o laxismo e a permissividade na actividade legislativa, e não só, tem os seus limites: tão má, tão pouco convincente, tão mal apresentada e sustentada terá sido esta campanha por parte dos democratas que, pasme-se, a «esquerdista» ACLU se juntou (de certo modo) à «direitista» NRA na dúvida e na contestação às medidas propostas, em especial no que concerne ao alargamento dos denominados background checks (consultas de registos pessoais dos que têm, ou que querem ter, uma arma), considerado por ambas as organizações como uma potencial violação de liberdades individuais e do direito à privacidade.
Sim, as – enganadoras – palavras continuam a ser proferidas, mas, por elas serem inúteis, a actual administração passou aos actos… mas de uma forma sub-reptícia. Impossibilitada de proibir ou de restringir, directamente, o uso de armas, optou por (tentar) fazê-lo indirectamente: o Departamento de Segurança Doméstica tem estado a encomendar (a açambarcar?) enormes quantidades de munições (mais de bilião e meio!), assim causando escassez nas que são disponibilizadas ao público em geral, ou, pelo menos, atrasando o (re)abastecimento de estabelecimentos comerciais e dos seus clientes.       
Enfim, há que repeti-lo as vezes que forem necessárias: é ridículo – tragicamente ridículo – que as mesmas pessoas que reclamam, quase até à histeria, a necessidade de um maior controlo de armas… junto dos seus compatriotas sem cadastro, de cidadãos cumpridores da lei, não tenham o menor controlo – propositadamente ou não, isso ainda está por saber – sobre armas que vão parar às mãos de criminosos estrangeiros, mais concretamente, de traficantes de droga mexicanos, que foi o que aconteceu aquando da chamada operação «Fast & Furious» promovida pela agência Alcohol, Tobacco & Firearms, isto é, pelo Departamento de Justiça liderado por Eric Holder. E que, depois, Barack Obama, em visita oficial ao vizinho do Sul (na semana passada), tenha o cinismo de «admitir»… que os EUA têm (parte da) culpa pela violência que aquele enfrenta – mas sem especificar a responsabilidade própria, específica, por essa violência! Que se traduziu em dezenas de mortes, incluindo a de um guarda fronteiriço norte-americano, causadas pelas armas passadas pela ATF.
Entretanto, tudo indica que a actual administração não aprendeu com o que se passou no México… e estará a repetir o procedimento em relação à Síria, fornecendo armas aos que combatem o regime de Bashar al-Assad, e entre os quais se encontrarão elementos ligados à Al-Qaeda! Uma informação – e uma advertência – dada pela Rússia, mas que, muito provavelmente, terá o mesmo destino que aquela que Moscovo forneceu, mais do que uma vez, sobre Tamerlan Tsarnaev (um dos bombistas de Boston), ou seja, será desvalorizada ou até ignorada… Entregar armas aos «amigos» de hoje que, quem sabe, se tornarão os inimigos de amanhã, talvez seja a forma do Sr. Hussein responder ao cruzamento da «linha vermelha» que ele definiu como sendo a que motivaria, supõe-se, uma atitude mais activa por parte dos EUA: a utilização de armas químicas por parte do governo de Damasco. No entanto, da Casa Branca já vieram negar que BHO tivesse dito aquilo, ou que quisesse dizer… o que disse. O que é incontestável é que os EUA, sob a «liderança» do Nº 44, voltaram a dar uma má imagem; uma de cobardia, uma de não honrar a palavra dada, de faltar a um compromisso, de não cumprir uma promessa, do medo das consequências… de se tomar uma decisão. Deu tão mau aspecto que até no New York Times e no Washington Post não se evitaram as críticas.
Todavia, pior do que não enviar soldados norte-americanos com armas para proteger estrangeiros… no estrangeiro, é não enviar soldados americanos com armas – aliás, proibir esse envio! – para proteger outros norte-americanos, sob ataque de terroristas, no estrangeiro… que foi o que aconteceu em Benghazi, na Líbia, a 11 de Setembro de 2012, de que resultaram quatro mortos, entre os quais o embaixador Christopher Stevens. A audiência realizada no Congresso no passado dia 8 de Maio a três funcionários do Departamento de Estado e que foram testemunhas do desinteresse, da incompetência e, quiçá, da perfídia, reveladas pelos mais altos membros da actual administração, não deixou dúvidas: para ganhar a (re)eleição mentiram com quantos dentes tinham na boca – afinal, a Al-Qaeda não estava derrotada (apesar de Osama Bin Laden ter sido morto) e não houve qualquer «manifestação» motivada por um vídeo no YouTube.  Hillary Clinton e Susan Rice «distinguiram-se» na mistificação, e deve ter sido por isso que tanto uma como outra foram premiadas esta semana pelos seus «bons» serviços à coisa pública. Quem disse que o crime não compensa?
(Adenda - Gregory Hicks, um dos três deponentes (whistleblowers) sobre Benghazi, e talvez mesmo o principal (era o Nº 2 na embaixada em Tripoli), é democrata, e votou em Hillary Clinton nas primárias de 2008 e em Barack Obama nas eleições presidenciais de 2008 e de 2012! Lá se vai o possível «argumento», a eventual «desculpa», de que ele poderia ser um republicano ressentido...)
(Segunda adenda – Uma coisa é Barack Obama e/ou o Partido Democrata culparem, consecutivamente, George W. Bush e/ou o Partido Republicano pelas suas próprias asneiras, pelos seus próprios erros. Outra coisa, bem diferente, é culpar a CIA. O que é uma má ideia. Muito má.)
(Terceira adenda – Não, não estou «delirando». Quem sofre de delírios são aqueles que não querem aceitar os factos que já enunciei, e outros que vão sendo revelados. Como este. E este.) 

2 comentários:

antonio disse...

Um óptimo artigo, como é habitual no Obamatório, mas caro Octávio, permita-me uma correcção de carácter técnico; a expressão (um bilião e meio de balas ) não é correta , devia ser (um bilião e meio de munições)! Uma munição é constituída pelo invólucro, fulminante, carga de pólvora e projéctil que, pode ou não ser uma bala! ( round of ammo is composed of a case, primer ,powder and bullet)
Termino com um ditado apropriado ao artigo; " fear the goverment that fears your gun "
cumprimentos,
António Dias

OCTÁVIO DOS SANTOS disse...

Correcção efectuada. Obrigado!