Setembro, quando o Verão termina, é habitualmente o mês da denominada rentrée. E também quando na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, todos (ou quase) os chefes de Estado e de governo dos seus países membros discursam. Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal, também o fez, no dia 24, e segundo alguns observadores a sua alocução teve passagens algo incompreensíveis. Não foi, porém, o cidadão português com a intervenção mais embaraçosa perante a assembleia geral da ONU: essa (des)honra, como vem acontecendo há cerca de 10 anos, coube a António Guterres, que no dia 22 fez o seu (felizmente) último discurso enquanto secretário-geral da Organização – o seu segundo e (felizmente) último mandato no desempenho daquele cargo terá o seu término no final deste ano; nesta derradeira intervenção poderia ter, talvez, aproveitado a oportunidade para renunciar ao anti-semitismo – o seu, pessoal, e o da ONU, que repetidamente toma como alvo Israel e não as várias (demasiadas) ditaduras que naquela (imerecidamente) têm assento – e ao alarmismo (ou seja, o embuste) climático... mas não o fez.
A prosápia patética do «engenheiro do pântano» não poderia ser mais diferente, e para pior, dos enunciados energéticos de pelo menos três líderes mundiais. Um foi, precisamente, o de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que não perdeu tempo a desmontar todas as mentiras produzidas e propagadas contra o seu país, além de denunciar os «cobardes morais» - os representantes de mais de 70 países – que abandonaram o hemiciclo quando ele se preparava para falar. Outro foi o de Javier Milei, Presidente da Argentina, que não hesitou em definir correctamente a ONU como uma «organização inútil cujo único propósito é sustentar uma casta de parasitas levemente arrogantes que se mascaram de burocratas bem intencionados». Enfim, e last but not least, há que dar o maior destaque ao discurso de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América, cujo «mote» pode dizer-se que foi – ele próprio o disse - «enquanto outros falaram, eu agi»; quase quarenta minutos de factos comprováveis, qual «revisão da matéria dada (ou feita)», e isto perante uma audiência «cativa» que habitualmente nem deve ter acesso a tais verdades e só deve ser «informada» das políticas e das iniciativas da actual administração através das deformações e das deturpações dos desonestos media; Trump não perdeu a oportunidade de fustigar também a ONU, justificadamente acusando-a de, entre outras torpezas, ignorar os cristãos que são perseguidos um pouco por todo o Mundo, de favorecer ditadores e exigir aos EUA que abram as suas fronteiras.
Entretanto, não foi apenas a ONU a única instituição internacional a ser palco de uma alocução... de alguma dimensão durante o mês de Setembro. No passado dia 16 Ursula von der Leyen, actual Presidente da Comissão Europeia, proferiu no Parlamento Europeu em Estrasburgo o discurso anual sobre o «Estado da União (Europeia)», uma óbvia imitação do que o Presidente dos EUA faz perante o Congresso. José Meireles Graça – que é provavelmente o único articulista do Delito de Opinião a ter mantido a sanidade e a sensatez, não aderindo à obsessão dual contra André Ventura e Donald Trump (Luís Menezes Leitão seria outro mas parece ter desistido de «postar») – fez uma análise detalhada da intervenção da «eurocrata-mor», salientando a dado passo que os tempos mudaram: «em 1992 (ou 1993, que foi quando o Tratado de Maastricht entrou em vigor) não se adivinhava que a Rússia viria um dia a dar sinais de querer restaurar parte do espaço da União Soviética, que ruíra um ano antes. Nem os EUA tinham ainda mostrado os dentes aos seus aliados da NATO por, tendo desaparecido o cimento que os unia, que era o inimigo comum soviético, ter desaparecido também a razão para os países europeus viverem debaixo da asa protectora americana, que suportava o grosso dos custos de armamento enquanto os europeus construíam o Estado Social que, com orgulho, esfregavam na cara dos americanos.» Não só o orgulho mas também a arrogância têm sido os «pecados» capitais d(e muitos d)os líderes europeus, que na prática têm procedido à rápida destruição do continente através de políticas ecológicas e migratórias pouco menos do que ambientais ao mesmo tempo que intimidam, censuram e até prendem cidadãos por... delitos de opinião.