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sábado, 28 de novembro de 2015

Fazer as vidas negras

(DUAS adendas no final deste texto.)
Imaginem que um grupo de estudantes universitários norte-americanos tornava público o seu desagrado por os protestos que tinham vindo a fazer – a propósito de algo que, eventualmente grave (na verdade, nem por isso), não implica(ra) porém perda de vidas – terem sido preteridos, em termos de cobertura mediática, pelos recentes atentados terroristas em Paris. Custa a crer, não é? No entanto, foi precisamente isso que aconteceu na Universidade do Missouri…
… Que constitui, desde há várias semanas, o principal foco difusor da «vertente académica» do «Black Lives Matter», movimento que, tomando como pretexto(s) alguns casos – mediaticamente empolados – de mortes de afro-americanos por polícias, pretende combater o alegado racismo que tais mortes têm implícito através da disseminação de… um autêntico racismo, mas de direcção contrária, de negros contra brancos. Racismo esse que se tem expressado, principalmente nas ruas e nos campus universitários mas não só, não apenas em palavras – em exigências absurdas, em insultos e em ameaças – mas também em actos, em agressões – e em que os alvos «privilegiados», além de quaisquer brancos, são também os negros conservadores.  Escusado será dizer – mas eu digo na mesma – que a «inclinação» político-partidária dos manifestantes é para a esquerda… mas para uma esquerda radical, assustadoramente semelhante e reminiscente de movimentos de outras épocas e de outros lugares, de totalitarismos que advogavam a restrição ou a supressão da liberdade de expressão, a «reeducação» dos que «não seguem a linha», dos que são apanhados «em falta» e que admitem as suas «culpas», e, em casos extremos, a prisão e a eliminação física. A Roger L. Simon e a Bill Maher, homens situados em campos ideológicos opostos, ocorreu-lhes ambos a China como ponto de referência…
O Partido Democrata só pode estar «orgulhoso»: conseguiu tornar (muit)os negros tão racistas como os brancos do KKK… ou seja, tem, teve, os extremos de ódio racial nas suas fileiras. É o resultado inevitável, previsível, de anos, décadas, de doutrinação de radicalismo, de relativismo moral, de multiculturalismo, promovida, ministrada, por ex-hippies que encontraram refúgio da realidade nas escolas e nelas procuraram criar, ou pelo menos (continuar a) conceber, utopias. E os seus alunos são como que «criaturas de Frankenstein» que, literalmente, e numa espécie de «justiça poética», estão a colocar em perigo os seus «criadores»… embora, infelizmente, não só, pois põem em causa toda a coesão e coexistência entre comunidades na sociedade norte-americana. O de 2015 foi um «Verão quente» nos EUA que se prolongou pelo Outono, um «PREC» (Processo Revolucionário Em Curso) «à americana» que, todavia, mais não é, no fundo, do que uma continuação – muitos dos protagonistas, dos incitadores, são os mesmos – do «Occupy Wall Street». Os radicais têm que estar sempre a protestar, e, eventualmente, também a destruir…
A lista de incidentes, entre o ridículo e o revoltante, que a seguir se apresenta, está, infelizmente, longe de ser exaustiva: em Boston, brancos são excluídos de participarem num fórum do «Black Lives Matter»; na Universidade de Rutgers, uma professora (negra) considera que todas as pessoas brancas representam «a face da opressão»; na Universidade de Cleveland, activistas do «BLM» impediram um jornalista (branco) de fazer o seu trabalho; no Gabinete de Recenseamento (um organismo federal) em Washington, um escritor e activista social controverso (e negro) foi pago para fazer uma conferência de cariz conspirativo e racista; no Texas, membros dos New Black Panther Party ameaçaram polícias do condado de Waller… duas semanas antes de um agente da autoridade daquele Estado ser assassinado; na CNN, um activista do «BLM» disse que «todas as vidas importam» (em oposição a que apenas as «vidas negras importam») é uma «declaração violenta»; no Maryland, um homem foi preso por, na sua conta de Twitter, apelar a que se matassem todos os brancos da sua cidade; no Wisconsin, Gwen Moore, representante democrata daquele Estado, acusou Scott Walker, governador do mesmo, de estar a «apertar a corda, literalmente, à volta dos pescoços dos afro-americanos»; em Nova Iorque, uma professora (branca) de uma escola de Long Island colocou um processo em tribunal contra o agrupamento escolar a que aquela pertence por os respectivos responsáveis não terem punido um aluno (negro) que a ameaçara violar; na Universidade da Pensilvânia, uma professora (negra) chamou a Ben Carson «escarumba («coon») do ano»; em Seattle, dão-se aulas de yoga reservadas a afro-americanos; em St. Louis, activistas do «BLM» entoaram ameaças de morte a polícias durante uma manifestação… escoltada por polícias; na Universidade do Missouri, estudantes houve que se segregaram a eles próprios, neste caso por vontade dos afro-americanos; na Universidade do Minnesota, a assembleia de alunos votou contra a realização de uma homenagem às vítimas do 11 de Setembro de 2001 por isso poder representar uma demonstração de «islamofobia»; na Universidade de Dartmouth, estudantes negros invadiram a biblioteca daquela e incomodaram estudantes brancos que lá se encontravam, não só através de insultos mas também de empurrões, fazendo chorar alguns dos colegas.  
Como reagir, como responder, a tanta histeria, a tanta idiotice, e, pior, a tanta violência, apenas latente ou até declarada? Do lado da direita, dos conservadores, do Partido Republicano, condenando com clareza, com firmeza, tal como o fizeram, por exemplo Ted Cruz e Scott Walker, e até com alguma dureza, tal como foi feito por (apoiantes de) Donald Trump… embora nunca se deva esquecer de que se está perante agitadores racistas capazes de passarem da agressão verbal à física. Do lado da esquerda, dos «progressistas», do Partido Democrata, capitulando, apoiando, por cobardia, conveniência e/ou convicção, tal como o fizeram, por exemplo, Bernie Sanders, Martin O’Malley e Valerie Jarrett, que recebeu representantes do «BLM» na Casa Branca, assim dando-lhes credibilidade e mesmo legitimidade. Também não ajuda a que os ânimos se acalmem que «activistas de gabinete», supostos «intelectuais» como Charles Blow, Marc Lamont Hill – este em uma, duas e três ocasiões, entre outras – e Theodore R. Johnson – que propõe que os votos dos negros valham mais que os dos brancos! – continuem a alimentar a falsa narrativa da vitimização dos afro-americanos, da (suposta) contínua conspiração contra eles e da necessidade de «reparações». Do lado dos «liberais» uma das poucas vozes sensatas continua a ser Alan Dershowitz, que, perante este panorama, não hesita em afirmar que «o nevoeiro do fascismo» está a descer sobre as universidades, e, deste modo, igualmente sobre toda a sociedade norte-americana.                  
Quando se chega ao cúmulo de ver democratas – extremistas entre extremistas, mas democratas – exigirem «o apagamento da História» de presidentes como Thomas Jefferson e Woodrow Wilson, tem-se a certeza de que a situação se tornou (definitivamente?) surreal. Os membros do «Black Lives Matter» apenas estão a fazer as vidas negras a eles próprios... e a muitos outros.
(Adenda – O fim-de-semana de Acção de Graças foi – negativamente – marcado em Chicago por violentos protestos contra a morte de (mais) um negro por um (polícia) branco… que, note-se, foi acusado de homicídio e se encontra detido, a aguardar julgamento. Porém, não é habitual ver semelhantes iniciativas sobre – e contra – o chamado «black on black crime», cujos números são assustadores e de que a «Windy City» é uma «amostra» particularmente preocupante. Faltam líderes entre os afro-americanos que tenham a coragem de reconhecer, enfrentar e (tentar) resolver o problema, e um deles é, ou poderia ser, um desportista: Richard Sherman. Entretanto, crimes violentos de negros contra brancos não recebem a mesma cobertura mediática; quem conhece os casos, por exemplo, do jornalista racista, homossexual e apoiante de BHO que assassinou – em directo na televisão! – dois ex-colegas, e dos ladrões que mataram a tiro uma grávida?)
(Segunda adenda – Ainda na maior cidade do Illinois, é de destacar (negativamente): o elogio, feito – a curta distância da sede da polícia da «Windy City»! - por um «activista» (não caucasiano), de Assata Shakur, uma das mais notórias – e não capturadas – assassinas de agentes da autoridade; e a detenção de outro que ameaçou matar 16 «demónios brancos», isto é, um por cada bala que atingiu Laquan McDonald. Mas acaso isto é de surpreender numa cidade onde está o quartel-general de Louis Farrakhan, uma das mais odiosas figuras dos EUA, que em Agosto último apelava a que se lhe juntassem «dez mil homens sem medo» dispostos a «erguerem-se e matarem aqueles que nos matam»? Este, sim é um exemplo extremo de – verdadeira - «retórica violenta», apenas mais explicita do que a usada por Bomani Jones, que se interrogou se a morte de negros por polícias seria deliberada, «algo de inserido na equação, inserido no desenho». Com estes «incentivos», também não é de surpreender que, aqui e acolá, surjam casos de falsas ameaças de brancos a negros, inventadas por… negros, como o recentemente desmascarado na Universidade de Kean.)              

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Um «contratempo» sem «racionalidade»

(QUATRO adendas no final deste texto.)
Eu imagino, até quase consigo «ouvir», a pergunta: «Octávio, vai mesmo aproveitar também o mais recente, e terrível, atentado terrorista em Paris para criticar Barack Obama?» E a minha resposta é: obviamente que vou! E não é por má vontade minha; não tenho de inventar e/ou «forçar», de distorcer ou deturpar factos e argumentos, afirmações e acções (o que, aliás, nunca faço) porque o próprio presidente norte-americano e os seus comparsas do Partido Democrata têm-se encarregado de providenciar todo o «material» necessário nesse sentido.
Já em Janeiro, aquando do primeiro ataque terrorista deste ano à capital francesa, que teve como principal (mas não único) alvo o jornal satírico Charlie Hebdo, foi evidente a ligação entre o acontecimento e a (vergonhosa) proclamação feita por BHO na sede da ONU em 2012 – pouco depois do ataque ao consulado em Benghazi, recorde-se e realce-se – de que «o futuro não deve pertencer àqueles que insultam o profeta do Islão». Desta vez a conexão é mais directa, tanto material como temporalmente: poucas horas antes do ataque foi difundida na ABC uma entrevista ao Nº 44 em que ele declarou que o ISIS – que viria a reivindicar a autoria do atentado na «Cidade-Luz» - estava, em resultado da estratégia seguida pela actual administração, «contido». As críticas sucederam-se, e não só por republicanos: vários foram os democratas e liberais, políticos ou não, que manifestaram a sua surpresa, a sua discordância e o seu desagrado, com destaque para Dianne Feinstein (senadora da Califórnia), Tim Kaine (senador da Virgínia), Seth Moulton (representante do Massachusetts)… e Jake Tapper e Christiane Amanpour (ambos jornalistas da CNN). Só mesmo os patéticos «fact-checkers» do Politifact consideraram a atoarda do «contained» como sendo verdadeira…
Porém, piores, muito piores, foram as declarações do Sr. Hussein depois do multi-atentado da passada sexta-feira em Paris, feitas ainda nos EUA, e a seguir na Turquia (na cimeira do G-20) e nas Filipinas (na cimeira da APEC). Começou por um «não quero especular» (sobre quem teriam sido os perpetradores dos ataques, como se tal fosse difícil de adivinhar…); continuou com a classificação do massacre na «cidade-luz» como sendo um «terrível e doentio contratempo»; reafirmou (como se tal fosse necessário…) que «não estou interessado em seguir qualquer noção de “liderança americana” ou de “América ganhadora”»; e reiterou, como de costume, as críticas aos republicanos, acusando os membros do GOP – em especial os governadores de «Estados vermelhos» - que recusam receber refugiados da Síria ou, pelo menos, que advogam restrições à entrada daqueles, de serem ofensivos e «contrário(s) aos valores americanos», e de darem ao ISIS «a mais potente ferramenta de recrutamento». Aqueles que duvidam dos que, como Rush Limbaugh, asseguram que Barack Obama é muito mais duro com os opositores internos do que com os terroristas externos talvez, desta vez, tenham ficado definitivamente esclarecidos.
BHO não é, no entanto, e evidentemente, o único democrata a proferir os disparates mais inacreditáveis nas ocasiões menos apropriadas. Depois de o seu «chefe» ter equiparado a um «contratempo» a morte de mais de 130 pessoas e o ferimento de mais de 400, John Kerry resolveu também ele ofender os franceses – e em Paris, na embaixada dos EUA! – ao afirmar que, ao contrário dos ataques da semana passada, que foram «absolutamente indiscriminados», houve, nos de Janeiro, «uma espécie de foco particularizado e talvez mesmo uma legitimidade… não, mais uma racionalidade» porque se poderia dizer «está bem, eles estão realmente zangados por causa disto e daquilo»; o «isto» e o «aquilo» terão sido, seguido a «lógica» distorcida do secretário de Estado, o Charlie Hebdo e as irreverentes, iconoclastas caricaturas (de figuras e de temáticas muçulmanas, mas não só) que aquele jornal satírico francês regularmente publica(va)… e talvez ainda, quem sabe, os judeus que frequenta(va)m o supermercado kosher Hypercacher; é, mais uma vez, a justificação perversa, a «desculpa» cobarde através da culpabilização das vítimas, que Rui Rocha, presciente e sem memória curta, logo denunciou no Delito de Opinião.          
O ex-senador do Illinois (que conseguiu ser presidente) e o ex-senador do Massachusetts (que não conseguiu) não foram, como seria de esperar, os únicos «burros» a soltar alarvidades a (des)propósito do que aconteceu na última sexta-feira, 13. No sábado, 14, em mais um debate televisivo (na CBS), todos os três candidatos democratas a presidente «sobreviventes» recusaram dizer que os EUA estão em guerra com o «Islão radical». Um deles, Bernie Sanders foi mais longe: o assumido socialista continua a acreditar – à semelhança, afinal, dos seus «camaradas» do PD – que as «alterações climáticas» são «a maior ameaça à segurança nacional» do país – e não uns milhares (ou milhões) de algozes dedicados a capturar, violar, escravizar, torturar e matar (de todas as formas possíveis e imaginárias), um pouco por todo o Mundo, o maior número possível de pessoas que recusam submeter-se (totalmente ou «correctamente») a Alá. E não se ficou por aí: o senador do Vermont não duvida de que o (inexistente) «aquecimento global antropogénico» é uma causa directa do terrorismo – uma crença que é partilhada, entre muitos outros, por Martin O’Malley… e por Barack Obama.
E tanto que é essa, «de facto», a maior ameaça que, na segunda-feira, 16, a Organizing for America (agregação de devotos do «messias») retomou as suas «verdes» acções de «conversão» - um «assunto importante» que, aparentemente, toma precedência sobre muitos outros. O que muito terá agradado a Al Gore e atenuado a desilusão que ele terá sentido por o seu concerto-conferência ironicamente intitulado «24 Horas de Realidade», organizado e transmitido a partir de Paris… na sexta-feira, ter sido, como não podia deixar de ser, interrompido pouco depois de ter começado. O ex-vice-presidente deverá ter uma nova oportunidade no final deste mês, quando (mais um)a (inútil) cimeira internacional sobre o clima decorrer na capital francesa, e pela qual Barack Obama não se sentirá incomodado por queimar mais umas quantas toneladas de combustível de avião. Se houvesse um mínimo de vergonha por parte de determinados «líderes» mundiais, o evento não se realizaria por respeito aos que morreram no passado fim-de-semana. Como eles não o têm, pelo menos que o Sr. Hussein consiga controlar a língua e não acrescente mais um insulto ao seu já longo rol.
(Adenda – Comentei também os recentes atentados em França no blog Delito de Opinião, em textos escritos por Luís Naves e Pedro Correia.)
(Segunda adenda – Seria mesmo engraçado, daria vontade de rir às gargalhadas se não estivessem em causa assuntos tão sérios e até a morte de muitas pessoas… mas pode-se sorrir: provando mais uma vez que (muit)os democratas são tão estúpidos que não conseguem ficar calados quando as circunstâncias o aconselhariam, no passado dia 20, e horas depois de John Kerry ter manifestado a esperança de que o ISIS será neutralizado tal como a Al Qaeda foi «neutralizada», um grupo terrorista associado… à Al Qaeda atacou um hotel em Bamako, capital do Mali, causando 21 mortos. E, sim, o recrudescimento da violência islâmica extremista naquele país africano também foi previsto por Mitt Romney! Lembram-se? Aquele que foi ridicularizado, por supostamente ter uma «política externa dos anos 80», por um fanfarrão ignorante e incompetente que continuou a ser presidente dos EUA. Este, entretanto, continuando a confirmar que é um incontinente verbal que perde mais do que ganha ao abrir a boca sucessivamente para lançar o primeiro disparate que lhe vem à cabeça (como o de que os republicanos «têm medo de crianças de três anos»), viu – sem dúvida também por causa disso – 47 representantes democratas juntarem-se à maioria republicana para a aprovação do Safe Act, uma lei («à prova de veto» devido ao número de votos que recebeu) que impede a entrada de refugiados sírios no país sem um processo mais rigoroso de controlo e de verificação. Um representante democrata afirmou, sob anonimato, que a derrota aconteceu porque «a Casa Branca f*d** realmente isto tudo». Não foi a primeira vez, longe disso, e, infelizmente (para os «burros»), não será decerto a última…)
(Terceira adenda – Afirmar que o Partido Republicano está a fazer «o trabalho dos terroristas por eles», que agora muitas famílias estão a falar sobre o terrorismo «pela primeira vez desde o 11 de Setembro», que a realização da cimeira sobre o clima em Paris constituirá uma «refutação poderosa» dos terroristas, que «a comunicação social deve ajudar nisto» (o combate ao ISIS, o que é o mesmo que dizer que tem ajudado aquele), é revelador, mais do que de alheamento e de incompetência, de uma imbecilidade que desespera os norte-americanos e desmotiva os estrangeiros, em especial os europeus. Sim, Barack Obama é um desastre, uma vergonha cuja capacidade de auto-ridicularização parece não ter fim. Porém, muito mais grave do que fazer declarações tresloucadas é acontecer que essas declarações, e a «mundividência» - enfim, a ideologia – que lhe está subjacente influenciem os relatórios dos serviços de inteligência de modo a sustentar aquelas… como neste momento se suspeita. De resto, é o previsível quando na Casa Branca está um irresponsável desta envergadura sem respeito pelo cargo que ocupa, sempre a dividir, sem sentido de dignidade: o número de mortos por actos terroristas em todo o Mundo quadruplicou desde que o Nº 44 tomou posse; o FBI tem actualmente cerca de mil (!) processos de investigação relativos a potenciais elementos do ISIS já a operarem no país; o Departamento de Estado emitiu um «alerta de viagem mundial», ou seja, é perigoso para os cidadãos dos EUA visitarem… qualquer parte do Mundo - o que é insólito, dado que alguém afiançara que o ISIS estava «contido» (ao planeta Terra, presume-se agora); e, sim, bastantes refugiados estiveram envolvidos em atentados (tentados e/ou concretizados) no país… aparentemente, muitos já se esqueceram dos irmãos Tsarnaev e do que eles fizeram em Boston em 2013.)
(Quarta adenda – Na anterior falei na «capacidade de auto-ridicularização (que) parece não ter fim» demonstrada pelo Nº 44. De facto, não tem: agora, decidiu, em discurso de dia de Acção de Graças, pegar numa «dica» do Huffington Post e equiparar os refugiados sírios aos peregrinos (britânicos) ingleses que vieram no Mayflower! Obviamente, não são comparáveis por vários motivos, um dos quais é o de que os colonos do século XVII trocaram a relativa segurança de uma civilizada – apesar de discriminatória e persecutória para eles – Europa pelo perigo de uma selvagem, desconhecida América… uma situação totalmente oposta à dos que agora vêm do Médio Oriente. Rush Limbaugh, perspicaz e oportuno como sempre, chegou a uma conclusão inevitável: os «novos peregrinos» vão (querer) cometer um genocídio… afinal, é disso que a esquerda, rotineiramente, acusa os pioneiros de Seiscentos de terem feito ao referir-se ao posterior «extermínio» dos índios. Entretanto, Michael Morell, ex-director-adjunto da CIA, afirmou que Barack Obama não atacou o sistema de captação e de transporte de petróleo do ISIS – fundamental fonte de financiamento dos terroristas – também por não querer causar «danos ambientais». É difícil não concordar com Ted Cruz: já nem o «Saturday Night Live» consegue parodiar este presidente.)     

domingo, 8 de novembro de 2015

Atirar m*rd* às «paredes»

(Uma adenda no final deste texto.)
Sim, o «debate» entre os candidatos republicanos realizado na CNBC no passado dia 28 de Outubro foi uma vergonha, foi escandaloso e degradante… não por causa daqueles mas sim dos «moderadores» que de moderados nada tiveram; e que confirmaram – como se tal fosse ainda necessário – que a maior parte dos «jornalistas» nos principais órgãos de comunicação social dos EUA mais não são do que activistas do Partido Democrata que manobram a coberto de uma suposta «objectividade». O comportamento dos três «jornalistas» foi de tal modo insultuoso que Ted Cruz, como que emulando o que Newt Gingrich fez há quatro anos, denunciou o que se estava a passar, assim dando um «mote» que Marco Rubio e Chris Christie também «glosaram». Na NBC não se preocuparam muito em defender os seus funcionários das acusações que lhes foram dirigidas – se não de preconceito, pelo menos de incompetência – e, mesmo que o fizessem, não surtiria grande efeito dado que o presidente da companhia organizou depois um evento de angariação de fundos para Hillary Clinton…
Sim, o que aconteceu há quase duas semanas foi um «espectáculo de m*rd*» (de «proporções épicas»), mas esta, e não tanto apenas «barro», tem sido como que atirada às «paredes» dos candidatos do GOP – para verem se alguma «pega», fica «colada» (yuk!) – desde que anunciaram que estavam na corrida. Evidentemente, a uns mais do que a outros, dependendo de quanto são considerados, em dado momento, uma ameaça ao que for o – ou «a» - nomeado(a) democrata. E, obviamente, seguindo uma tendência que dura há décadas e que atinge logicamente o seu apogeu quando é escolhido o nomeado pelo Partido Republicano. Sim, vários dos (piores) ataques aos «elefantes» são feitos a partir dos opositores «burros» e das suas equipas de campanha, mas outros são iniciativas da imprensa «isenta» em nome de um «vetting» (investigação, comprovação) «rigoroso». Exemplos não faltam, e nas anteriores votações presidenciais é de destacar, em 2012, o suposto bullying exercido sobre Mitt Romney sobre um colega de liceu «revelado» pelo Washington Post, e, em 2008, o «adultério» de John McCain «revelado» pelo New York Times. Aliás, há que não esquecer, como demonstração definitiva da perversidade de muitos «repórteres», a criação e actuação, há quase oito anos, do «colectivo» denominado «Journolist», em que muitos daqueles, favoráveis a Barack Obama, coordenavam – e, de facto, conspiravam – a edição e a divulgação das suas peças de modo a contribuírem para a eleição do então senador do Illinois.   
Neste mais recente ciclo eleitoral, Scott Walker foi, até desistir da corrida, um dos mais visados – mas não seriamente atingido – pelos «disparos» mediáticos vindos de, entre outros, «profissionais» da PBS, New Yorker, Political Wire, Daily Beast, New York Times, Politifact e Politico; os alvos incluíam o (supostamente inexistente) conhecimento de política externa por parte do governador do Wisconsin, a sua fé religiosa, despedimentos de professores de que ele teria sido responsável (não foi), a compra de roupa (!) e, mais grave, uma alegada eliminação intencional (inexistente) de estatísticas sobre violações naquele Estado. Outros candidatos-governadores (actuais ou ex) a estarem nas miras (pouco precisas) dos media: Bobby Jindal, vítima de insinuações racistas vindas de MSNBC, Vox e Washington Post; e Jeb Bush, cuja esposa Columba foi tema de uma reportagem no Washington Post e, mais especificamente, os seus elevados gastos em jóias e em roupas feitos… há 15 anos (compare-se o tratamento dado pelo WP a Michelle Obama no início da campanha do seu marido). E não se deve esquecer a prolongada, cerrada, campanha contra Chris Christie a propósito do seu suposto envolvimento no escândalo dito «Bridgegate», cujo «veredicto» - a ilibação do governador de Nova Jersey de todas e quaisquer ilegalidades – mereceu muito menos espaço e tempo do que a «acusação».
Quanto aos candidatos-senadores, Marco Rubio é, sem dúvida, o mais regularmente «agredido» por pouco consistentes – e ridículos – casos. Da Associated Press, ESPN, New York Times, Politico, Washington Post, vieram: «verificações de factos» relativas ao passado… e ao futuro; dúvidas quanto à sua capacidade enquanto adulto resultantes da sua credulidade enquanto criança; investigações «aprofundadas» sobre as multas de trânsito do candidato e da esposa (17 em 18 anos, sendo quatro dele) que, porém, não se estenderam às de Barack Obama (pagou as suas 17 anos depois, em 2007); relatos que prometiam ser «explosivos» - mas que apenas tinham «pólvora» seca – sobre a sua situação financeira em geral, dada (falsamente) por alguns como sendo difícil e até mesmo de pré-insolvência, e sobre, em particular, a aquisição de um «luxuoso» barco e a utilização de um cartão de crédito atribuído pelo GOP. Ted Cruz também tem tido a sua quota-parte de faltas de respeito: na Bloomberg exigiram que demonstrasse a sua herança hispânica; na Associated Press «apontaram-lhe» uma arma à cabeça; e o New York Times recusou-se durante algum tempo a incluir o novo livro do senador do Texas, «A Time for Truth», na sua lista dos mais vendidos dando como motivo supostas aquisições irregulares daquele… que nunca demonstrou. E que dizer da «sondagem» (muito pouco fiável) feita por NBC, Telemundo e Wall Street Journal junto do eleitorado latino que «convenientemente» deixou de fora… os únicos candidatos latinos, precisamente Cruz e Rubio?
Os candidatos republicanos de «fora do sistema» não têm sido menos poupados do que os políticos profissionais. Sobre Donald Trump, e deixando de parte por agora uma avaliação do seu percurso, das suas afirmações e das suas acções, muitas indubitavelmente controversas, a verdade é que practicamente toda a comunicação social mostrou dificuldade e mesmo incapacidade em lidar com (e até acreditar n)a sua candidatura; no Washington Post, pelo menos, houve quem fizesse um «acto de contrição». Quanto a Carly Fiorina: no Politico interrogaram(-se) sobre se a recente vaga de despedimentos na Hewlett-Packard (cerca de 30 mil) a poderia prejudicar… apesar de ela ter deixado a empresa há 10 anos; no Washington Post classificaram como «falsa» a afirmação dela – totalmente verdadeira! – de que, profissionalmente, ela foi de secretária (numa imobiliária) a presidente (da HP, precisamente); e o New York Times publicou um «perfil» dela que, se fosse sobre uma candidata democrata, suscitaria muito provavelmente acusações de sexismo. Já Ben Carson, em consequência previsível, inevitável, de se ter tornado o novo frontrunner dos republicanos, e de ficar à frente de Hillary Clinton em diversas sondagens, é quem tem recebido recentemente o tratamento mais violento… e deturpado, inclusivamente com contornos racistas: na CNN colocaram em causa a veracidade de episódios problemáticos e até violentos da sua infância e juventude; e no Politico deram como verdade que o conceituado e retirado neurocirurgião, agora candidato, mentiu quanto a ter-lhe sido oferecida uma bolsa de estudos para a academia militar de West Point, e que, pior, admitiu ter mentido… no entanto, nada disso aconteceu de facto; em Portugal também houve quem acreditasse nesta atoarda, apesar de ter maior obrigação do que outros de duvidar do que é habitualmente propalado pela comunicação social «sinistra»…
Enfim, e porque, como dizem, «uma imagem vale por mil palavras», nada melhor, para ilustrar este tema, do que recordar uma capa da New Yorker de Maio último, que contrapõe, enquanto candidatos a presidente, Hillary Clinton a um grupo de homens brancos do GOP, três dos quais, note-se, então ainda não tinham anunciado que estavam na corrida… e ocultando os factos de já nessa altura haver igualmente uma mulher e um homem afro-americano a concorrerem como republicanos. A desinformação também pode ser desenhada, e não apenas escrita.
(Adenda – Depois do que foi provavelmente o pior debate de sempre – na CNBC – veio o que foi provavelmente o melhor debate de sempre – na FBN. O que, reconheça-se, não era difícil… Entretanto, o Washington Post e o New York Times continuam a atacar (e a mentir sobre) Ben Carson e a NBC continua a defender (e a mentir sobre) Hillary Clinton. Tudo «normal», portanto.)      

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

«Hillarity» (Parte 4)

(DUAS adendas no final deste texto.)
À partida que fique desde já dito, e esclarecido, o seguinte: não, Hillary Clinton não saiu ganhadora, vencedora, «por cima», da (mais recente) audiência, tida na Casa dos Representantes no passado dia 22 de Outubro, sobre o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi; não, ao contrário do que se escreveu em Portugal, ela não saiu «ilesa», e a sua tal «semana de sonho» é uma invenção dos seus apoiantes…
… Porque, principalmente, e como resumiu bem Megyn Kelly, ficou demonstrado que ela mentiu, e descaradamente, numa questão fundamental: a da causa do atentado na Líbia no dia 11 de Setembro de 2012. Enquanto, privadamente, tanto à filha Chelsea como ao então primeiro-ministro do Egipto, dizia que se tratara de uma acção terrorista planeada, publicamente ela anunciava que a causa havia sido uma demonstração espontânea em resposta a um filme alegadamente anti-Islão… de que poucos tinham conhecimento ou tinham visto; tudo isto para não prejudicar a campanha de reeleição de Barack Obama, que também participou activamente na mentira. Poucas ou nenhumas dúvidas restam de que a falsa narrativa começou, efectivamente, nela, por ela. As mensagens de correio electrónico que o demonstram foram mostradas no Congresso, e só isto deveria ser suficiente para a desqualificar da candidatura à presidência. Se depois e durante (d)o ataque o comportamento de Hillary Clinton foi incompetente, irresponsável e lamentável, antes não o foi menos, porque ignorou múltiplos – terão sido cerca de 600! –pedidos de reforço da segurança no consulado feitos pelo (ou para o) embaixador Christopher Stevens, que viria ser um dos quatro mortos, assassinados, em Benghazi.
A sessão da passada quinta-feira foi fértil, pródiga, em momentos desconfortáveis… para a ex-secretária de Estado. Em perguntas incómodas a que ela não respondeu ou fingiu que respondeu, em reacções embaraçosas àquelas. Como, por exemplo: porque é que, se ele era assim tão amigo dela, Chris Stevens não tinha o endereço de correio electrónico pessoal, principal, de Hillary Clinton, ao contrário de outros; ela não se lembrava de se, e quando, havia conversado com o embaixador nos meses anteriores à sua morte, mas acreditava que ele estava mostrar o seu «bom sentido de humor» ao referir-se à sua compra de gradeamentos aos britânicos (do – encerrado – consulado destes na cidade líbia, mas que se mostraram de reduzida utilidade); revelou desconhecer as funções de protecção que os marines desempenham em instalações diplomáticas; acabou por admitir que não respeitou (um)a lei (ao não assinar documentação necessária); porque é que ninguém foi despedido por ela na sequência do ataque; alegou que perdeu mais horas de sono do que todos os membros da comissão em conjunto; e aproveitou para promover o seu mais recente (e mal sucedido) livro…     
Para aqueles que insistem que a audiência de pouco ou nada serviu, que foi inútil, uma perda de tempo, Joel B. Pollak enumerou as nove principais revelações que saíram daquela; menos… diplomático, Ben Shapiro enumerou por sua vez as cinco maiores mentiras ditas por Hillary Clinton. Repare-se, e repito, que são «apenas» as cinco maiores, porque outras houve, e, com a esposa de Bill, antes ainda outras existiram e mais existirão… Não que isso preocupe os admiradores dela, incluindo os da comunicação social. Judy Woodruff, da PBS, não dá importância ao facto de a agora candidata, sobre a causa do ataque, dizer uma coisa a um grupo de pessoas e, ao mesmo tempo, dizer outra coisa a outro grupo; Jeffrey Toobin, da CNN, acusou o representante (obviamente republicano) Jim Jordan de ter sido o «pior», «menos profissional», «mais enganador» durante o interrogatório quando, na verdade, foi exactamente o oposto; David Brooks, do New York Times, que (des)classificou os republicanos de «obsessivos» e «psicóticos»; Carl Bernstein, ex-Washington Post, que (des)classificou os republicanos de «demagogos» que usam as tácticas de Joseph McCarthy, e que parecem «macacos» (!!); menos histérico e mais sensato do que o seu colega na investigação do caso Watergate, Bob Woodward admite que há semelhanças entre Richard Nixon e Hillary em termos de secretismo.
O que muitos dos «jornalistas» que são «membros» - assumidos ou não – do «clube de fãs» da Sra. Clinton raramente ou nunca fazem é falar com os familiares das vítimas, que não escondem a desconfiança e até o desprezo que ela lhes inspira. Como Patricia Smith, mãe de Sean Smith, cuja frustração antes de dia 22 passou a indignação depois; Ben Doherty e Kate Quigley, respectivamente pai e irmã de Glen Doherty, ele muito menos... diplomático do que ela; como Charles Woods, pai de Tyrone Woods, que escreveu no seu diário que Hillary lhe prometeu que iriam prender… o cineasta autor do tal vídeo. Também não é de esperar que os familiares passem a mostrar boa vontade para com a agora candidata depois de no seu sítio oficial um dos nomes das vítimas ter sido mal escrito… e, muito pior, de continuarem a vê-la – e a ouvi-la – a rir-se nos momentos, nas ocasiões menos oportunas, quando confrontada com questões sérias. Isso aconteceu mais recentemente… na própria audiência no Congresso, e foi imediatamente repreendida por isso; antes, gargalhara numa entrevista a Jake Tapper, e, antes disso, quando proclamara querer ser «a presidente das pequenas empresas» (o que, com efeito, não é para acreditar).  Não, não é por acaso que se faz (enfim, que eu faço) um jogo de palavras entre Hillary e «hillarity», hilaridade…
... E riso foi o que não faltou igualmente no primeiro debate entre os então cinco candidatos democratas à presidência dos EUA (entretanto, dois já desistiram), realizado em Las Vegas a 13 de Outubro. A esposa de Bill só o «venceu» porque os seus supostos «rivais» não a pressionaram, e os apresentadores e moderadores, da CNN, foram… moderados.  Porém, o destaque maior foi indubitavelmente para a afirmação de Hillary de que os «republicanos» - ela não especificou, pelo que se pode deduzir que ela se referia tanto aos eleitos como aos eleitores do GOP – são, ou estão entre, os seus maiores «inimigos». Não foi só dos círculos conservadores – candidatos e comentadores – que, previsivelmente, as reacções de repúdio irromperam; também, por incrível que isso possa parecer, David Axelrod criticou a afirmação e ainda, não uma mas sim duas vezes, Joe Biden, que, entretanto, declarou que não se candidata a Nº 1 (por agora?). No entanto, o reparo feito pelo vice soa a hipocrisia da parte de alguém que, em 2012, havia dito aos afro-americanos que os republicanos queriam acorrentá-los outra vez… A própria Hillary pareceu arrepender-se, e retractar-se, da – divisiva, nada bipartidária, nada consensual – afirmação mas, vindo de quem vem, de uma pessoa, e política, com uma longa história de contradições, mudanças de opinião, «virar casacas», o mea culpa (se o foi) não oferece grande credibilidade…
… Quanto mais não seja porque, qual camaleão, a Sra. Clinton adapta o discurso consoante as circunstâncias. Só durante o debate democrata Ben Shapiro detectou 27 mentiras ditas por ela. Até Martin O’Malley, que só pelos seus mandatos de mayor de Baltimore e de governador do Maryland deveria ser desqualificado de concorrer a presidente, e cuja estupidez o leva a dizer que as «alterações climáticas» estiveram na origem do ISIS, é capaz de perceber e de reconhecer que a sua rival na nomeação já efectuou «flip-flops» em todos os principais assuntos da campanha. E, na verdade: é vê-la fazer angariações de fundos com magnatas de petróleo… apesar da sua oposição à construção do oleoduto Keystone; é ouvi-la justificar, enquanto recém-convertida ao «matrimónio gay», a promulgação, há cerca de 20 anos pelo marido, do «Acto de Defesa do Casamento» como uma «acção defensiva»; enfim, é saber que não obstante a sua – ocasional e postiça – retórica anti-Wall Street e contra os «gatos gordos», recebeu mais donativos de CEO’s do que os candidatos republicanos.
Hillary abusa frequentemente do descaramento, da desfaçatez: anunciou o apoio de «camaradas» de partido… que, na realidade, (ainda) não o tinham feito; «estabeleceu» que existe um «padrão de republicanos a meterem-nos em sarilhos económicos, e presidentes democratas terem de vir e limpar» (o que é factualmente falso, pois não existem casos que sustentem a ocorrência de um tal «padrão»); elogiou Ellen Sirleaf e convidou-a a participar este ano no fórum anual da Fundação Clinton… apesar de a actual presidente da Libéria apoiar a punição e a prisão de homossexuais no seu país; e declarou que (alegad)as vítimas de abuso sexual «têm o direito de serem acreditadas»… algo, no entanto, que ela sempre negou às várias mulheres que acusaram o marido de comportamentos impróprios... ou pior do que isso.
Rand Paul é de opinião de que, estando as primárias democratas practicamente reduzidas a uma escolha entre Bernie Sanders e Hillary Clinton (porque Jim Webb e Lincoln Chafee saíram, Joe Biden decidiu não entrar e Martin O’Malley continua a não se afirmar como uma opção credível), isso significa escolher entre «socialismo e corrupção». Impõe-se corrigir o senador do Kentucky e candidato presidencial: trata-se, na verdade, de uma escolha entre dois tipos de corrupção.
(Adenda – Não é só Barack Obama que tem sido comparado com Richard Nixon… e não ao nível das – geralmente consensuais – realizações positivas do sucessor de Lyndon Johnson, em especial no campo da política externa; Hillary Clinton também, e, como Bob Woodward – o homem que, indubitavelmente, mais sabe sobre o escândalo Watergate – recentemente reflectiu e reconheceu, o caso das mensagens de correio electrónico da esposa de Bill – e, concretamente, das cerca de 30 mil (metade do total!)  que ela decidiu (tentar) eliminar – fazem-no lembrar o das gravações secretas feitas pelo Nº 37, das quais uma quinzena de minutos fora apagadas, um acto que tanto dano político viria a causar ao ex-Nº 2 de Dwight Eisenhower. Porém, o mais significativo neste domínio é que há, efectivamente, uma ligação directa de Hillary com Watergate: ela fez parte de uma comissão do Congresso envolvida nas investigações daquele, e dela foi expulsa por ter tido comportamentos e procedimentos não éticos e mesmo irregulares! Não, não data apenas da presidência do marido, há cerca de 20 anos, o envolvimento da Sra. Clinton em atropelos às leis… estes começaram bem antes, há cerca de 40!)
(Segunda adenda – Só pode ser «coincidência» que as doações à Fundação Clinton registem um aumento desde a entrada de Hillary na corrida à presidência; e também só pode ser outra «coincidência» que a esposa de Bill tenha pedido que se faça uma investigação à Exxon… depois de esta empresa ter deixado de financiar aquela fundação (adenda à adenda - a investigação já começou!). Entretanto, multiplicam-se os indícios de que existem mesmo motivos – isto é, mensagens de correio electrónico com conteúdo confidencial – para o FBI propor ao Departamento de Justiça que a ex-senadora e ex-secretária de Estado seja acusada e constituída arguida por ter utilizado uma conta e um servidor privados. Neste contexto, mais interessante se torna o seu lapso recente – o de afirmar que os presidentes (ela quereria dizer presidiários) não deveriam ter de revelar os seus registos criminais após cumprirem as suas penas e quando tentam reintegrar-se na sociedade.)  

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ceifados e martelados

(Uma adenda no final deste texto.)
Barack Obama cresceu rodeado e/ou influenciado por marxistas, socialistas, comunistas. O seu pai era um, e, ainda mais declaradamente, Frank Marshall Davis, que foi seu mentor/tutor, era outro, tendo aliás militado no Partido Comunista dos Estados Unidos da América. Pelo seu lado, Valerie Jarrett, principal conselheira de Obama na Casa Branca (e, segundo alguns, o verdadeiro poder na actual administração), tinha na família três comunistas: o pai, o sogro e um dos avôs. Assim sendo, isso não os tornaria actualmente mais aptos a melhor lidar com comunistas estrangeiros, assumidos ou não, tanto os da «velha escola» como os «modernizados» à pressão, mas que tiveram sempre na foice e no martelo os símbolos de eleição (ou sem esta…)? 
Depende do que se entende por «lidar com». Se for (dar mais) «flexibilidade», como o Sr. Hussein prometeu – e cumpriu – a Vladimir Putin, que não deixou de ser comunista apesar de agora não se apresentar como tal, isso não poderá trazer – nem tem trazido – boas consequências para os EUA. Para o presidente russo se sentir à vontade para afirmar publicamente que a política externa norte-americana (em relação à Síria, pelo menos) é «fraca» e «não tem objectivos», e que alguns dos decisores em Washington parecem ter papa («mush») e não cérebro nas suas cabeças, é preciso que BHO e a sua equipa não infundam a VP e à sua qualquer receio ou respeito. Pelo que Moscovo se sente à vontade para se instalar na Síria, defender o seu aliado Bashar al-Assad e atacar os opositores daquele… se não o ISIS, então os rebeldes «moderados» apoiados pelos EUA. Marco Rubio não duvida de qual é o objectivo de Moscovo: forçar Washington a escolher entre os assassinos do ISIS… e Assad, e, ao mesmo tempo, mostrar que o Kremlin é mais digno de confiança do que a Casa Branca.
E não é que a intervenção russa tenha sido uma surpresa: ela já se adivinhava, já se pressentia, há pelo menos mais de um mês, quando se constatou que tanques estavam a ser enviados para Damasco. Antes, e num outro âmbito, verificou-se que hackers russos atacaram servidores de correio electrónico nos EUA, mais concretamente um do Pentágono… e o (privado) de Hillary Clinton! Porque é que Putin e os seus subordinados não se sentiriam à vontade para procederem a sucessivas demonstrações de força depois de a NASA lhes ter pago quase 500 milhões de dólares para continuarem a transportar norte-americanos para a estação espacial internacional? E depois de ter surgido a informação de que Barack Obama se recusou a receber Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, quando este se deslocou a Washington em Março último, alegada e principalmente para discutir o exibicionismo militar de Moscovo pelos céus e mares europeus? E depois de ter surgido a informação de que Obama terá aconselhado o governo da Ucrânia a não resistir à invasão russa da Crimeia no ano passado? Neste «jogo de xadrez» que é a geoestratégia mundial as «peças brancas» parecem ter clara vantagem sobre as «peças pretas», e Garry Kasparov denunciou como «patética» e «perigosa» a atitude de apaziguamento - que envolveu um (falhado) «reset» - do Nº 44 para com o seu homólogo ex-soviético.
Não são só comunistas da «escola leninista-estalinista» que a actual administração norte-americana tem dificuldade em enfrentar. Também os da «escola maoista-kimista». Que mais é preciso para demonstrar a – assustadora – incompetência, ignorância e, sim, estupidez que grassa no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia depois de ouvir Josh Earnest dizer que os EUA não aceitarão que a pátria de Kim-il-Sung se torne numa potência nuclear? Digamos que algumas pessoas no Partido Democrata não têm prestado atenção ao noticiário internacional nos últimos anos… Como que em resposta, logo no dia seguinte soube-se que o governo do neto e actual líder, Kim-Jong-un, reactivara a sua principal fábrica de materiais radioactivos; uma decisão talvez estimulada, cerca de um mês antes, pelo cancelamento dos habituais (anuais) exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA, devido… exactamente, às ameaças de Pyongyang.  
Em relação a Pequim… as suas provocações já não constituem surpresa. Os chineses interceptaram um avião norte-americano em espaço aéreo internacional e mantêm prisioneira (há mais de seis meses), acusada de espionagem, uma empresária de Houston… e não consta que ambos os incidentes tenham sido discutidos no recente encontro entre Barack Obama e Xi Jinping. Mais: Yuan Yubai, vice-almirante chinês, afirmou numa conferência em Londres, e ao lado de um oficial superior da Marinha norte-americana (e de outro, do Japão) que o Mar do Sul da China pertence… à China. E já quase não merecem uma referência especial os ataques informáticos chineses a organizações norte-americanas, com destaque para o Gabinete de Gestão Pública, de onde aqueles retiraram, afinal, não cerca de um milhão mas sim quase seis milhões (!) de impressões digitais de funcionários públicos dos EUA, com as quais, juntamente com outros dados, o «Império do Meio» est(ar)á a construir um híper-arquivo relativo ao governo federal em Washington. A situação é tão má que John Kerry já se conformou com a possibilidade de o seu correio electrónico ser regularmente lido por chineses… e por russos. Porém, apesar de tudo isto, ainda há «burros» receosos de ofender a China… por se querer dar o nome do dissidente Lu Xiaobo à rua onde se situa a embaixada daquela em Washington, iniciativa que tem em Ted Cruz um dos seus maiores defensores. 
Um «cardápio» de comunistas em quantidade, «qualidade» e variedade que os democratas, com o desastre que tem sido a presidência de Barack Obama, têm permitido aumentar não ficaria completo sem o especial «sabor» latino-americano… ou seja, a Cuba dos irmãos Fidel e Raul Castro. Que, como seria de prever, não alterou a sua conduta depois de o Sr. Hussein se ter decidido pelo restabelecimento das relações diplomáticas. Desde então – e até na MSNBC se reconhece isso! – o regime de Havana aumentou a repressão, tendo só a recente visita do Papa Francisco à ilha acarretado a prisão de dezenas de dissidentes. Sem medo de sanções, Raul exigiu ainda na sede da ONU, durante a última assembleia geral da organização, a devolução da base de Guantánamo. Porque não estariam eles confiantes em continuarem a fazer… o que fazem há quase 60 anos, depois de verem como Andrew Cuomo (em Abril) se comportou durante uma visita de negócios – e de amizade – a Cuba, em que aproveitou para beber um mojito, fumar um charuto e elogiar (a brincar?) o modo como naquele país se lida com a imprensa? E depois de ouvirem John Kerry (em Agosto) durante a reabertura da embaixada dos EUA em Havana, garantindo, em inglês e em espanhol, que os dois países «já não são inimigos nem rivais», que ele se sente «muito em casa aqui», que «nada há de que ter medo» e que os cubanos poderiam auxiliar os norte-americanos a combater as «alterações climáticas»? Quase só faltou a Kerry levar James Taylor com ele e repetirem o (triste) recital que deram em Paris em Janeiro...
Afinal, os castristas continuam a ser, se não inimigos, pelo menos rivais… porque muitos estão na Síria a combater, não tanto o «aquecimento global», mas sim mais os opositores de Bashar al-Assad, ao lado de russos… e também de iranianos! Marco Rubio não duvida(va em Abril) de que foi, e é, um erro por parte do Departamento de Estado retirar Cuba da lista de nações que apoiam o terrorismo. Uma decisão que, a juntar aos factos conhecidos e acima citados, demonstram que, com Barack Obama, os EUA como que têm sido repetidamente ceifados e martelados, e deixados a ver estrelas... vermelhas.
(Adenda - Também no Árctico, e por pressão dos ambientalistas extremistas no seu - hipócrita - ódio ao petróleo, os EUA estão a ceder terreno à Rússia.)   

terça-feira, 6 de outubro de 2015

«Um muito pequeno, triste homem»

(Três adendas no final deste texto.)
Barack Obama já foi objecto, desde que é presidente, de algumas descrições… menos que entusiásticas (um eufemismo). Não apenas de comentadores mais ou menos anónimos na Internet mas também de individualidades conhecidas, prestigiadas e com responsabilidades nos Estados Unidos da América. Por exemplo, liberais como Ralph Nader, que (des)classificou o Nº 44 como «criminoso de guerra» e «o maior vigarista que já esteve na Casa Branca», e Patrick Caddell, para quem o Sr. Hussein é «a coisa mais próxima de Nixon que vimos nos últimos 40 anos». Agora, é a vez de um conservador proferir o mais violento recente – e justificado – ataque ao actual residente da Casa Branca…
… E estou a referir-me a Glenn Beck, que na semana passada se referiu a BHO como um «um muito pequeno, triste homem». Mais do que isso: chamou-o de «divisor», «mentiroso», e autor de afirmações «obscenas». Mas que afirmações foram essas? As que ele proferiu depois de mais um assassinato em série cometido por um atirador solitário, desta vez no Estado do Oregon, mais concretamente na Universidade de Umpqua, em Roseburg. Especificamente: que acontecimentos como estes devem ser «politizados» no sentido de se implementar um maior controlo de armas, à semelhança do que acontece(u) – e Obama deu esses exemplos – em países como a Austrália e a Grã-Bretanha… onde, na verdade, a segurança não aumentou em consequência dessas (apressadas e não pensadas) medidas; que o Partido Republicano se opõe, uniformemente, a quaisquer leis que aumentem a segurança no manuseamento de armamento (o que é falso); e que a National Rifle Association não representa a maioria do povo americano (uma sondagem de 2012 reflecte o oposto). Previsivelmente, outros «burros» não tardaram em ecoar estas palavras do «querido líder», nomeadamente: Hillary Clinton (que, decididamente, recorre mesmo a tudo para não descer mais nas sondagens); Chris Murphy, senador pelo Connecticut; e Linda Stasi, colunista do New York Daily News, que provavelmente não sabe que o seu apelido é idêntico à sigla da antiga polícia política da República «Democrática» Alemã, e que, imagine-se, exige ao Departamento de Estado que passe a classificar a NRA como uma «organização terrorista»! Que eu saiba – e sem dúvida alguém me corrigirá se eu estiver enganado – nenhum dos criminosos que comete(ra)m este tipo de crimes é, foi, membro da NRA nem alguma vez pretendeu agir em nome dela.
Nunca é demais repetir, contra os que, na melhor das hipóteses, são estúpidos (a ignorância já não é desculpa), ou que, na pior das hipóteses, são perversos: são precisamente as leis, medidas, restrições, que os «progressistas» reclamam como indispensáveis sempre que se dão estes acontecimentos… que mais contribuem para que eles se repitam: aquele estabelecimento de ensino no Oregon era (outra) «gun-free zone», e estas zonas são, como já expliquei, autênticas «reservas de caça» para facínoras, loucos ou não, que, como é óbvio para alguém minimamente inteligente, não deixam de (tentar) fazer o que querem só porque tal é proibido, e, se não encontrarem imediatamente (porque a polícia demora sempre a chegar) pela frente quem lhes resista… igualmente armado, é quase certo que concretizarão os seus funestos objectivos. Já agora, porque é que Barack Obama nunca comenta e nunca «politiza» o que acontece na sua cidade de Chicago, onde todas as exigências dos democratas no âmbito do gun control foram realizadas e, como consequência inevitável, as vítimas de armas de fogo não param de aumentar?      
Não percamos tempo em ser ingénuos: a coerência, a justiça, a lógica, a verdade não interessam aos esquerdistas… tanto de um lado como do outro do Atlântico, diga-se. Eles não querem saber da segurança dos cidadãos comuns – muito poucos têm o privilégio de ter uma esquadra ao lado das suas casas – mas sim assegurarem-se de que aqueles nunca virão a constituir uma ameaça ao Estado quando este está nas mãos daqueles que o tomam como instrumento central na «transformação fundamental» da sociedade. Neste âmbito, acaso constitui uma surpresa o anúncio… e a ameaça vinda da Casa Branca de que BHO estará a preparar-se para emitir mais uma acção executiva, desta vez tendentes à confiscação, directa ou indirecta, das armas legitimamente na posse dos norte-americanos sob a Segunda Emenda à Constituição. Confirmando-se que o Sr. Hussein está a «considerar» a aplicação de novas medidas neste domínio, como é que ele tem o atrevimento de se indignar contra as «teorias (e os teóricos) da conspiração» que alegam que a sua preocupação sobre este tema mais não é do que uma manobra tendente a que se mantenha «no poder para sempre»? Porém, a verdade é que, recentemente, ele fanfarronou que, se pudesse candidatar-se uma terceira vez, provavelmente até ganhava… Estará ele a pensar em redigir outra acção executiva para, precisamente, lhe ser possível um terceiro mandato? 
Tal atitude estaria em consonância com o aprendiz de ditador que ele revelou ser desde 2009… mas os ditadores derrubam-se, em especial se estiverem em vias de desencadear uma segunda guerra civil dos EUA. Por enquanto «fria», essa «guerra» passaria a «quente»… a partir do momento em que o Sr. Hussein passasse das palavras aos actos no «gun grabbing». Entretanto, ele continua a ser, de facto «um muito pequeno, triste homem». Demonstrou-o em (mais) um inacreditável – e para alguns «surreal» - discurso perante a assembleia geral das Nações Unidas, em que ele: se manifestou a favor de uma nova «ordem internacional» feita de um «esforço colectivo»; voltou a alertar para os «perigos» de um «planeta mais quente», mas não proferiu uma única vez a palavra «Israel»; trivializou os cânticos de «Morte à América» que continuam a ouvir-se no Irão; tão «empolgante» foi a arenga que John Kerry foi «apanhado» a bocejar… Demonstrou a sua pequenez ao, pouco depois de se despedir do Papa, assegurou em Nova Iorque, a representantes da comunidade LGBT que a agenda desta tem prioridade sobre a liberdade religiosa (a não ser que, pode-se especular, a religião em causa seja a muçulmana). Demonstrou-o igualmente ao apregoar que «a América está a ganhar agora, a América é grande agora»… e, duas semanas depois, ver-se impotente e portar-se como um queixinhas desfasado da realidade quando a Rússia - que aparenta «estar de volta» - começou a fazer na Síria o que os EUA prometeram mas não cumpriram. Só em altura Barack Obama é maior do que Vladimir Putin. 
(Adenda – Outro exemplo da «pequenez» de Barack Obama? Negar – à semelhança de muitos outros democratas – a existência de fraude eleitoral, ou desvalorizá-la como não sendo um «verdadeiro problema». Como que em «resposta», esta semana um «camarada» seu, Amos Newsome, vereador (city councilman) de uma cidade do Alabama, agrediu um repórter que lhe perguntou sobre eventuais falcatruas daquele tipo em que ele, ou os seus colaboradores, estariam envolvidos… e foi preso a seguir. Convirá «politizar» isto? Ou, já agora, os continuados e crescentes tiroteios na também «gun controled» Baltimore, que cada vez mais rivaliza com Chicago enquanto urbe democrata mais violenta? Perante a dificuldade revelada à esquerda em admitir o óbvio, talvez fosse preferível, para evitar que mais crianças e jovens sejam massacrados, que determinadas pessoas passassem pela situação de viverem e/ou trabalharem em «gun free zones»… talvez assim ganhassem algum juízo.)       
(Segunda adenda – É cada vez mais difícil, mas Barack Obama consegue a incrível proeza de parecer – e de ser – cada vez mais pequenino. E, ainda por cima, num «terreno» que à partida lhe seria favorável – o programa «60 Minutos» da CBS. Desta vez o habitualmente colaborante Steve Kroft não conseguiu ocultar (e inquirir sobre) o desastre que é a «política externa» do Nº 44 em geral, e a (in)acção na Síria em particular. Porém, para o Sr. Hussein o mais importante não é fazer frente a Vladimir Putin – a quem, lembre-se, ele prometeu «flexibilidade»; fundamental, sim, é ir a Paris mostrar «liderança» na próxima cimeira sobre «alterações climáticas»! No entanto, recorde-se, ele não mostrou a mesma vontade de se deslocar à capital francesa em Janeiro último para demonstrar, com outros líderes mundiais, a sua oposição ao terrorismo.)
(Terceira adenda – E ele lá vai «encolhendo», «encolhendo», «encolhendo»… Agora até o FBI Barack Obama consegue irritar, ao ter desvalorizado, na mesma entrevista a Steve Kroft, as potenciais irregularidades, e mesmo ilegalidades, decorrentes da utilização, por Hillary Clinton, de um sistema alternativo de correio electrónico… algo que aquela agência ainda está a investigar. E que, caso a ex-secretária de Estado seja considerada culpada, pode custar-lhe 10 anos de prisão. Bem pode Bernie Sanders – num autêntico «tiro no pé» eleitoral – proclamar, em pleno debate democrata, que os e-mails da rival não têm importância ou interesse… mas é a opinião do senador do Vermont que não tem importância ou interesse. Entretanto, confirmando que não tem… estatura para o cargo que ocupa, o Sr. Hussein decidiu afinal não proceder à retirada total de militares norte-americanos do Afeganistão – e isto porque, sem dúvida, tem bem presente o que aconteceu no Iraque por causa de uma decisão dele. Nem tudo, porém, é positivo: em mais um engano fatal, aviões da NATO bombardearam um hospital dos Médicos sem Fronteiras naquele país e causaram dezenas de vítimas; o Nº 44 não tem, no entanto, de se preocupar que os mesmos observadores «imparciais» na lamestream media façam com ele o que faziam com George W. Bush, a quem atribuíam as responsabilidades por todos os incidentes de guerra ocorridos acima do Índico. Não é o caso, todavia, de Nora Barre, sírio-americana que acusa Obama – em quem votou! – de ter abandonado o povo sírio.)