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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tirar as «máscaras»

Já há algum tempo que deixei de me irritar com o branqueamento que, em Portugal, alguns (bastantes) fazem – ou tentam fazer – dos erros, fracassos, incompetências, e, porque não dizê-lo, crimes da presidência de Barack Obama. Agora, quase me limito a rir.
Nas últimas semanas, então, o ridículo tem atingido novos cúmulos: há quem não pare de mencionar a «divisão» no Partido Republicano, as «derrotas» – reais ou imaginárias, presentes ou previstas – dos republicanos, o «extremismo» do movimento Tea Party e dos seus membros. «Convenientemente», referem-se umas notícias mas omitem-se outras, divulgam-se umas sondagens mas «esquecem-se» outras, mostram-se umas caricaturas e escondem-se outras. Ou, para se (tentar) fingir que neste momento não existem (cada vez mais) escândalos que afectam o «ídolo», resolve-se «fugir para a frente»… literalmente, falando dos possíveis candidatos presidenciais para 2016! Porque, «de facto», nada de mais premente, de mais relevante, há para falar! Há até quem seja pago (que bom!) por um trabalho semanal de propaganda sob a capa de informação.
Hoje, após mais um dia de Halloween, mais uma «Noite das Bruxas» nos Estados Unidos da América, poderia ser uma boa altura para muitas pessoas decidirem tirar as «máscaras» e assumirem-se, neste âmbito, como de facto são, ou seja, adeptos apaixonados incapazes de um módico de profissionalismo e de honestidade intelectual. Nas três estações de televisão portuguesas – que representam como que a ABC, a CBS e a NBC «tugas» (a falta que faz cá uma «Fox News», e não só para o noticiário internacional…) – pululam esses adeptos. A SIC, em especial, que hoje mostrou imagens de Barack Obama e da família a confraternizarem com convidados na Casa Branca entre abóboras, doces e adereços mais ou menos fantasmagóricos… mas que também não costuma mostrar os «esqueletos no armário» que abundam na actual presidência, atingiu no passado dia 2 de Outubro uma marca «notável» de baixo nível. Nessa data o Primeiro Jornal do terceiro canal apresentou uma peça sobre o recente shutdown do governo federal, e alegou-se, na introdução, que o GOP recusava o financiamento dos serviços públicos (mentira) e, mais incrível ainda, que era, é, «contra a prestação de cuidados de saúde aos mais necessitados»! Que «monstros»! E, evidentemente, não faltou Obama em discurso directo, mas nenhum representante do PR apareceu a falar. Parece que em Portugal os republicanos (norte-americanos) substituíram no imaginário os comunistas, de quem se dizia que comiam criancinhas ao pequeno-almoço!
Na verdade, do outro lado do Atlântico está em curso, desde que o Sr. Hussein tomou posse, uma (tentativa de) «caça às bruxas», em que quem é conservador se arrisca a ser «queimado na fogueira»… da calúnia e da discriminação. Já não são só os insultos, e as ameaças ou os desejos de morte: agora também se promovem petições exigindo que aqueles de quem se discorda ideologicamente, e que exercem democrática e legalmente os seus direitos e prerrogativas de opinião e de oposição, sejam presos e julgados por «sedição»! Os democratas estão a transformar os EUA num «filme de terror»; está mais do que na altura de lhes fazer frente e de parar com estas «fitas».         

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ele que vá para Guantánamo!

O «Grande Só-Cretino» voltou à primeira linha da actualidade portuguesa devido ao lançamento de um livro seu e à entrevista que deu ao jornal Expresso para o promover… e para promover-se. Mas será que teve mesmo sucesso? Que alcançou o objectivo a que se propunha?
Provando, mais uma vez, e como se isso fosse necessário, que não mudou, que não aprendeu com os erros (ou pior do que isso) que cometeu, que não se arrepende do que fez, que não se responsabiliza pelo estado degradante – aos níveis financeiro, social, cultural, moral – a que conduziu Portugal, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa não se conteve, não se controlou, e, além de mandar as culpas para os outros, ainda teve o desplante de insultar opositores políticos internos e um (ex-) ministro estrangeiro! Ou seja, voltou a demonstrar que tem muito em comum com… alguém do outro lado do Atlântico. O «menino de ouro» devia estar a ver-se ao espelho: dificilmente haverá um «bandalho» e um «pulha» maior do que ele, dificilmente haverá um «estupor» e um «filho da mãe» pior do que ele.  
Mário Soares, em mais uma das suas várias e recentes demonstrações de estupidez senil, ou de senilidade estúpida, afirmou que o actual governo tem «delinquentes». Porém, e ironicamente, o maior «delinquente governativo» dos últimos 25 anos (pelo menos) em Portugal esteve ao seu lado ontem no Museu da Electricidade, embora devesse estar a ser julgado em tribunal; e, ainda mais ironicamente, também teve ao seu lado aquele que, se não é o maior «delinquente governativo» do Brasil, pelo menos rodeou-se de vários. Como é «enternecedora» a fraternidade socialista luso-brasileira, ou europeia-sul-americana! Para a confraternização ser completa só faltou desenterrar o cadáver do camarada Hugo Chávez e despachá-lo de Caracas para Lisboa!
No entanto, tão ou mais ridícula do que a «assembleia» de 23 de Outubro último é o livro que lhe esteve na origem, que lhe serviu de pretexto. Só faltava que o «maçador de Vilar de Maçada» viesse armar-se em especialista! E de quê? De «tortura em democracia», tema e subtítulo do seu livro «A Confiança no Mundo», que resulta da sua tese de mestrado (terá sido enviada por fax a um domingo?) que realizou no Instituto de Estudos Políticos de Paris (não deixo ligação porque, primeiro, o grupo editorial Babel não actualiza o seu sítio há dois anos, e, segundo, porque tenho limites na divulgação de lixo). Tentativa óbvia, e patética, de «compensação» pelos alegados «voos da CIA por Portugal» que não conheceu ou não impediu enquanto era primeiro-ministro, a suposta «tortura» a que este desperdício de papel obviamente se refere principalmente é a técnica designada como «waterboarding», instituída, ou autorizada, pela administração de George W. Bush na sequência da «guerra ao terrorismo» iniciada há 12 anos.
Recordemos mais uma vez para o «Grande Só-Cretino» em particular, e para todos os portugueses em geral: se o «waterboarding» é (foi) «tortura», o que não é consensual, só foi aplicada, e muito bem, a três-terroristas-três, todos eles com culpas pelos atentados de 11 de Setembro de 2001 e/ou por outros ataques. Nenhum morreu na sequência daquela alegada «tortura». Pelo contrário, dos muitos ataques com drones ordenados por Barack Obama – com quem, volto a lembrá-lo, o «Zézinho» tem muitas semelhanças de atitude e de comportamento – resultaram muitas dezenas, ou centenas, de vítimas inocentes, de «danos colaterais», assim contribuindo – Malala Yousafzai admitiu-o e afirmou-o ao próprio Sr. Hussein, na Casa Branca! – para o recrutamento de mais terroristas; a Amnistia Internacional publicou um relatório sobre o assunto, em que acusa a actual administração de crimes de guerra! Não seria bem mais interessante um livro sobre este tema? Ou sobre a vigilância que, suspeita-se, a NSA tem estado a fazer das comunicações de Angela Merkel e também – o que é pior, pois são «camaradas» - das de François Hollande e de Dilma Rousseff? Ou sobre as escutas, pressões, ameaças e acusações dos democratas a jornalistas, da Associated Press e da Fox News, e também – soube-se esta semana – da CNN? Nesta área, e pela experiência que acumulou contra, nomeadamente, o Público e a TVI, José «Trocas-te» é um autêntico especialista.     
Todavia, onde sem dúvida o seu próximo projecto académico deveria ser baseado e melhor aproveitado é em Guantánamo. Ele que vá para a base militar/prisão norte-americana em Cuba, em solidariedade com as «vítimas» de «tortura»! Que proceda a uma observação participante – nas celas, nos balneários, no refeitório – com os «pacíficos» muçulmanos lá «hospedados», que, «coitados», dispõem provavelmente de mais comodidades, luxos e prerrogativas do que muitos de nós! Mas atenção: se daí resultar uma tese de doutoramento, ele que não a escreva em «inglês técnico»!
Voltando ao título do livro: «confiança» é o que este traste não merecia, e não merece; «tortura» é o que ele nos deixou, neste país, e todos os dias. (Também no Octanas.)

sábado, 19 de outubro de 2013

Vão se f*d*r! ;-) (Parte 3)

(Uma adenda no final deste texto.)
É incorrecto, e até injusto, considerar que John Boehner foi o (maior) «derrotado» no confronto político-partidário das últimas duas semanas, que teve no denominado shutdown, isto é, o encerramento (parcial) do governo federal, a sua expressão mais visível – e que, entretanto, já terminou, após (mais) um (deficiente) acordo delineado no Senado; e que, pelo que aconteceu, o representante do GOP pelo Ohio deveria demitir-se do seu cargo, prescindir da sua posição de speaker.    
Se John Boehner, à semelhança de outros republicanos tidos (talvez também incorrectamente e injustamente) como «moderados» e até «RINO’s» – no Congresso, e não só – tem algum «problema», é (ainda) pensar, acreditar, que «do outro lado» estão pessoas com (um mínimo de) honra e de sensatez. Mas não. Com muito poucas excepções (Joe Manchin é uma, Dennis Kucinich foi outra), não se está a lidar com pessoas normais mas sim com autênticos corruptos e criminosos que, enquanto cobram mais impostos e contraem mais dívidas para gastar sem qualquer controlo, assim aproximando os EUA cada vez mais da falência financeira, promovem a vigilância, a perseguição e a discriminação dos seus compatriotas (através do DoJ, do IRS, da NSA) e enviam armas para terroristas estrangeiros, quer sejam traficantes de droga no México ou fundamentalistas islâmicos na Líbia e na Síria. E àqueles que eventualmente disserem que o «Partido Democrata mudou», que «antes não era assim», eu recordo que este é o mesmo partido da escravatura e da segregação, cujos membros comercializavam, usavam, desqualificavam, torturavam e matavam outros seres humanos. Portanto, há como que uma «continuidade na malignidade»; esta tem assumido outras formas, outras funções, outras finalidades. Mike Lee, Rand Paul e Ted Cruz, entre outros, já perderam quaisquer ilusões – se é que alguma vez as tiveram – sobre a hipotética «civilidade» por parte dos «azuis».      
Não que John Boehner não seja capaz de tomar atitudes de força, corajosas, de falar «forte e feio», de ser duro quando é preciso. Durante esta última disputa (ou)vimo-lo a vituperar os democratas no Senado por não tomarem a iniciativa e por não trabalharem ao domingo (ao contrário da Casa), e Barack Obama por a sua atitude arrogante em nada ajudar à resolução dos problemas. E não se deve esquecer que o speaker, há quase um ano e num confronto semelhante, terá dito a Harry Reid para se ir f*d*r! O líder da maioria democrata no Senado continua, aparentemente, a querer ouvir novamente a mesma… sugestão, porque, como habitualmente, não «poupou» nas provocações: desde «decidir» que não havia necessidade de negociar com os republicanos até declarar que, daqueles, preferia os «razoáveis como John McCain», passando por sugerir a todos que «arranjem uma vida e falem de outra coisa» (para além do «ObamaCare»). Não contente com todas estas atoardas, deu uma entrevista ao Huffington Post em que diz que Ted Cruz é um «bobo da corte» («laughingstock») e que David Vitter «não joga com o baralho todo». Entenderá Reid o conceito de «projecção»? Bill O’Reilly sugeriu que se deveria pegar no «manda-chuva burro» do Senado e «amarrá-lo a uma árvore no Idaho e deixá-lo lá estar umas semanas para que ele não fale mais», mas isso seria muito prejudicial à árvore e a toda a zona envolvente, que poderia ficar irremediavelmente poluída…     
Na verdade, e isso não é novidade, Harry Reid e todos os outros democratas mais não têm feito, no que respeita a insultar os adversários, do que «glosar os motes» lançados por Barack Obama. Que, depois de meses (aliás, anos!) a atiçar os ânimos, tem o atrevimento, a «lata», o descaramento de se apresentar como «professor» que vai ensinar e disciplinar os «alunos». A conferência de imprensa que ele deu na Casa Branca, a 17 de Outubro, e que constituiu essencialmente uma «celebração de victória» («de Pirro»), serviu igualmente para demonstrar, mais uma vez, e como se tal fosse necessário, que o Sr. Hussein é essencialmente, no fundo, um ditador do Terceiro Mundo. Não faltaram: os ralhetes a quem ouve, ou dá demasiada atenção, a activistas, bloggers, vozes da rádio (pelo menos aqueles que lhe são ideologicamente adversos, claro); a admoestação por o shutdown ter também colocado em risco a segurança de diplomatas – há que recordá-lo de que, quando o ataque ao consulado em Benghazi ocorreu, não havia shutdown; o lamento de que crises políticas como esta mais recente encorajam os inimigos do EUA – mas, pelos vistos, ele a pedir várias vezes ao presidente do Irão um encontro «não» encoraja, «obviamente», os inimigos; a explicação aos republicanos de que, se querem mudar de políticas, devem «vencer uma eleição» - «esquecendo-se» o Nº 44 de que eles, de facto, venceram uma grande (feita de muitas dezenas mais pequenas) para a Casa dos Representantes, pelo que, repito-o, têm toda a legitimidade para tentarem impor as suas ideias e não obedecerem, não se «renderem», ao «Querido Líder». 
Enfim, Barack Obama estava mesmo a pedir que alguém o mandasse fornicar-se a ele próprio, e com todas as letras. Talvez Jay Leno seja a pessoa indicada para isso, com a sua «campanha» intitulada «F U politicians» - começada aqui, continuada aqui. Aliás, já que o número de telefone do «ObamaCare» diz literalmente – embora em código – aos norte-americanos para se irem f*d*r, na Casa Branca não estão com certeza à espera que vão ficar sem resposta.
(Adenda – Há quem tenha tentado descrever a presidência de BHO em duas palavras. «Fucked up» não faz parte da lista.)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Foram avisados

(Duas adendas no final deste texto.)
O passado dia 1 de Outubro não ficou apenas marcado pelo começo do denominado shutdown, o encerramento compulsivo (de parte) do governo federal – desejado, forçado e agravado pelos democratas na Casa Branca e no Senado; a data também passou a estar assinalada para a posteridade pelo início «a sério», efectivo, oficial, da implementação do «Affordable Care Act» ou, como é mais conhecido, «ObamaCare»…
… E, quase duas semanas depois, o «diagnóstico» é (bem) definido, embora (ainda) não definitivo: o processo, o sistema, é caótico, um fiasco, um fracasso, um desastre; agora, sim, cada vez mais pessoas estão a saber que vão ter que pagar mais – muito mais! – pelo mesmo; que se não quiserem aceitar as novas regras, obedecer à ordem do governo de comprar um seguro de saúde que podem não querer nem precisar, terão de pagar uma multa. A todos esses que só agora parecem estar a «acordar» para a nova realidade e estão espantados, e escandalizados, e queixam-se, e protestam, e não acreditam no que lhes está a acontecer… mas que em 2012 (voltaram a) votar(am) em Barack Obama, é de lhes dizer: foram avisados, desde 2009, e bastantes vezes. Não quiseram saber? Agora, aguentem!     
O sítio na Internet healthcare.gov para informações e inscrições – que custou 93 milhões de dólares segundo uma estimativa, e 634 milhões segundo outra! – não funciona bem, é confuso, é lento, tem falhas (glitches), avaria-se, e como que tem estado «parado para reparações» frequentemente. Ninguém na administração quer avançar com números oficiais de pessoas que já se inscreveram nas chamadas «exchanges»… porque, tudo o indica, esses números são baixíssimos. Congressistas democratas como os senadores Ben Cardin e Mark Warner a quem se pergunta se já leram as mais de dez mil páginas de regulamentos – oito vezes mais do que a Bíblia! – relativos ao ACA, ou não sabem ou recusam-se a responder… Significativamente, a referência a «free health care» (cuidados de saúde grátis) já foi apagada – é mais uma promessa de campanha de Barack Obama que se revelou uma mentira de governação, tal como a de que «se gosta do seu plano de saúde poderá mantê-lo (pelo mesmo preço)».
Entretanto, e confirmando a tendência que os democratas têm para serem «amigos do alheio» (adoram o dinheiro, e não só, dos outros), já desapareceram: 67 milhões de dólares do orçamento inicial (slush fund) de implementação do ACA; e 60 milhões de registos médicos na Califórnia, «subtracção» de que são acusados 15 agentes do IRS – entidade que, recorde-se, irá supervisionar a nova lei da saúde e que, como é agora do conhecimento (quase) geral, discriminou, perseguiu e puniu organizações conservadoras. Pois é, um sector vital dos EUA que está em tão «boas» mãos… As grandes confederações sindicais, crónicas cúmplices do Partido Democrata, protesta(ra)m contra o «ObamaCare»… Até em Hollywood já se aperceberam de que aquilo que ajudaram a «vender» não é tão bom quanto pensavam! Contudo, acenem a estúdios e a produtores com mais uns quantos dólares de subsídios e eles lá se mostram dispostos a fazer mais uma campanha de propaganda a favor do «Querido Líder»… Continuando a falar de propaganda, na comunicação social o panorama, relativamente a este tema, é o previsível, e semelhante a outros: a Fox News, atacada pelo Sr. Hussein, mais não faz do que noticiar o que outros – como CNN, MSNBC, Politiconão noticiam deliberadamente, ou, se o fazem, é tardiamente; mas até na lamestream media podem surgir, de tempos a tempos, (inesperadas) excepções, como o Chicago Tribune.
O «ObamaCare» é mau de mais para ser verdade… mas é mesmo verdade. As «(des)vantagens» não param de aumentar. No início do ano começaram a verificar-se – e continuam – as consequências económicas, empresariais, da lei, mais concretamente despedimentos, «congelamento» nas admissões, redução das horas de trabalho e passagem de trabalhadores a tempo inteiro para tempo parcial. Entretanto, Kathleen Sebelius já havia admitido que os custos com cuidados médicos iriam aumentar; mais recentemente, Barack Obama confessou que o ACA também implica novos impostos. Há a probabilidade – o risco – real de se virem a constituir monopólios – estatais? – nos seguros de saúde. Talvez dentro de 10 anos, o resultado poderá ser, como disse Joe Scarborough (insuspeito de ser um «direitista extremista»), o de deixar de existir, nesta área, iniciativa privada nos EUA.
(Adenda – Depois de duas semanas a fazer tentativas, Elizabeth Cohen, da CNN, ainda não tinha conseguido inscrever-se para o «ObamaCare» no sítio healthcare.gov; enfim, é preciso ser-se… paciente ;-). Entretanto, Kathleen Pender, do San Francisco Chronicle, aconselha que se baixe o rendimento para se poder ter acesso aos subsídios previstos na lei! Empobrecimento deliberado para se ficar (mais) dependente do Estado?! Eis o que, na América de Obama, passa por «progress(ism)o».)
(Segunda adenda – Quando um dos colaboradores do Daily Kos (os mais fanáticos entre os fanáticos) protestam contra o «ObamaCare», é porque este é mesmo, mesmo, muito mau! Ele que se junte à «fila» cada vez maior de descontentes! Talvez agora se arrependam de não terem aceite o plano de George W. Bush para a reforma do sistema de saúde, que previa uma maior cobertura e menores custos… E daí, talvez não: afinal, que dúvidas é que existem de que o Nº 43 é ainda o «culpado» de tudo, até do recente shutdown?)

domingo, 6 de outubro de 2013

«Silly Season» (Parte 4)

(Uma adenda no final deste texto.)
Quem diria que o momento mais silly da «Silly Season» de 2013 seria vivido já não no Verão mas sim no Outono? O denominado shutdown do governo federal constituiu – aliás, ainda constitui – a causa, e o pretexto, para o maior chorrilho de disparates e de idiotices ditas e feitas nos últimos meses nos EUA… e com reflexos deste lado do Atlântico por parte daqueles que não sabem, que não compreendem, o que efectivamente se passa. Ou então que não querem saber, que não querem compreender…
Esclareça-se desde já: não é o fim do Mundo! Não se está perante o apocalipse! Trata-se de algo que, naquele grande país, é até relativamente normal: desde 1976 já ocorreram 17 situações deste tipo! E sempre que ocorrem nenhum serviço fundamental fica em perigo. Pelo contrário, até constituem ocasiões algo salutares, porque haver menos burocratas a trabalhar significa igualmente que aqueles vão ter menos motivos para desperdiçarem recursos e para abusarem dos seus poderes. Além disso, só 17% da burocracia está a ser afectada! De uma coisa ninguém tenha dúvidas: sempre que o «encerramento» se deveu a questões financeiras, como este, o cerne da controvérsia é sempre o mesmo: os republicanos querem poupar e os democratas querem (continuar a) gastar «a todo o gás» e «à tripa forra»…
Sim, que não haja dúvidas: são os democratas os principais (ir)responsáveis por este shutdown: a Casa passou resoluções que asseguravam o financiamento de todo o governo federal, excepto o «Affordable Care Act» (ACA) – e quanto a este já nem falavam de repeal ou defund, apenas adiá-lo por um ano. Pode ver-se aqui flexibilidade, vontade de chegar a um entendimento, a um compromisso, quanto baste – mas, do outro lado, há só birras e intolerância. Nem o Senado – melhor dizendo, a maioria liderada por Harry Reid – nem a Casa Branca pretendem chegar a uma solução, mas tão só «ganhar». E porquê esta intransigência? Porque Barack Obama e os seus camaradas sabem que têm sido um fracasso em outras áreas e, portanto, esperaram e até provocaram o shutdown para se armarem em vítimas e terem ganhos políticos, para poderem (continuar a) dizer que «eles (os outros) é que são maus»… no que, como é óbvio, contam com a colaboração de quase toda a comunicação social. Não lhes interessa as consequências, os custos que o seu (mau) comportamento tem nos cidadãos. É por isso que Harry Reid não considera relevante curar uma criança com cancro. É por isso que o speaker John Boehner, exasperado mas minimamente sensato, exclama que «isto não é um maldito jogo!»
… Porque ele e todos os representantes – e os senadores - do GOP no Congresso têm toda a autoridade e toda a legitimidade – aquelas que lhes foram, e são, dadas pelos votos, pelo seus eleitores – para tentarem impor as suas ideias e derrubar as medidas que consideram inúteis, negativas, prejudiciais. Não têm qualquer obrigação de se renderem, de se submeterem àquilo que os «burros» exigem, e, obviamente, não devem impressionar-se – aliás, já estão mais do que habituados – com as calúnias, os insultos, até os apelos à violência, vindos daqueles… que é tudo o que têm, porque do lado «azul» não há argumentos nem factos dignos desses nomes. Sim, o «ObamaCare» é para ser destruído por todos os meios possíveis, se possível legítimos: representa uma intromissão sem precedentes do Estado nas esferas privada, familiar e empresarial da nação, e não representa qualquer melhoria – médica, organizativa, económica – no sistema de saúde, muito pelo contrário.
E querem falar de sondagens? Eu não o costumo fazer, mas, agora, vamos a isso: todas as que foram e são feitas sobre o tema – e saliento todas – mostra(ra)m que a maioria da população é contra o dito (c)ACA. E para aqueles que histericamente berram – como derradeira, e patética, «defesa» - que é a «law of the land», eu contraponho que, por exemplo, também a Segunda Emenda e a «Defense of Marriage Act» também o são – e isso não impede os democratas de as desrespeitarem e de as combaterem ferozmente. E o Sr. Hussein fez cerca de 70 alterações à lei depois de aquela ser passada e ratificada… o que é ilegal! E desde quando é que uma lei é eterna, que é para ser respeitada incondicional e infinitamente? A denominada «Proibição» (a «lei seca») também esteve em vigor durante bastantes anos… até ser revogada.
E àqueles – mesmo entre os próprios republicanos, conservadores, opositores a Barack Obama – que dizem para se parar o combate ao «Affordable Care Act», deixá-lo passar e esperar que ele «caia por si», sob o seu próprio «peso» de inutilidade, incompetência e ineficiência, há que dizer, que lembrar… que nem todos são tão egoístas a ponto de quererem, ou de não se importarem, de que o povo em geral seja prejudicado apenas para depois poderem dizer «vêem como nós tínhamos razão?» Há quem coloque os interesses fundamentais dos seus concidadãos – dos que representam em Washington – acima das politiquices, das triviais disputas partidárias. E é isso que os republicanos têm tentado fazer. E, enfim, se o «ObamaCare» é assim tão bom, porque é que os democratas têm dado isenções aos amigos, a grandes empresas e não só? Porque é que na Casa Branca e no Congresso não aderem às novas regras, deixando de ser excepções? Portanto, sejamos sérios e deixemo-nos de criancices… 
… Embora este seja um conselho que, está mais do que visto nestes últimos anos, o Nº 44 não irá aceitar e seguir. Desde que ele tomou posse que a política norte-americana está numa permanente «silly season»… e, infelizmente, nem sempre tudo o que é dito e feito nestas disputas ideológicas dá vontade de rir. Barack Obama continua a «dar o (mau) tom» aos seus seguidores reiterando as já «clássicas» acusações de que os republicanos estão a «apontar uma arma à cabeça dos americanos» e a exigir um «resgate» pelos «reféns que tomam» - como já vão longe os pedidos pós-Tucson de uma retórica menos agressiva (pedidos esses que, comprovou-se depois, excluíam os democratas); em «contrapartida», assegura que se «contorceu» («bent over backwards») para trabalhar com os republicanos! Quem é que ele pensa que engana com tal mentira? Ele de facto já se curvou várias vezes, mas sim perante chefes de Estado de outros países, em especial monarcas…
A «flexibilidade», já se sabe, fica para os estrangeiros, gasta-se toda com eles… Pelo contrário, para os compatriotas – incluindo idosos veteranos da Segunda Guerra Mundial! – resta a arrogância, a manipulação e a prepotência: diversos sectores e serviços da administração pública – e até alguns de âmbito privado! – têm sido desnecessária e provocatoriamente encerrados, ou dificultados no seu acesso e utilização. A lista destes casos vai aumentando, e há a vontade deliberada de prejudicar o maior número de pessoas possível – há ordens expressas nesse sentido, e não vêm de John Boehner… Entretanto, e antecipando próximas «lutas», Jay Carney anunciou que Barack Obama «desenhou (mais) uma linha» (vermelha?), agora para as negociações sobre o aumento (mais um?) do tecto da dívida. Na Casa Branca já deveriam ter aprendido que isso é algo muito silly para se fazer
(Adenda – Sim, este presidente não tem precedente em bastantes aspectos – na arrogância, na inexperiência, na intolerância, na incompetência… na hipocrisia e na mentira. E, sim, não se tem ouvido os republicanos a chamarem aos democratas «bombistas suicidas» e «raptores», entre muitos outros insultos. Afinal, de onde é que vem a verdadeira «hostilidade»?)         

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Doutrina da cobardia

(Duas adendas no final deste texto.)
Em resumo, é assim: Barack Obama, e todos os que o acompanham na sua administração (e no Congresso e no Partido Democrata), já admitiram que estão receptivos para falar, para negociar sobre armamentos (nucleares, químicos, e outros) – aliás, já o fizeram – com Vladimir Putin e a Rússia, e, indirectamente, com Bashar al-Assad e a Síria… e também, eventualmente, com Hassan Rouhani e o Irão! Entretanto, recusam-se a falar e a negociar com o Partido Republicano sobre assuntos de política doméstica, em que se destacam o funcionamento do governo federal e o financiamento do «ObamaCare». Aliás, o Sr. Hussein já deixou bem claro que «tal não vai acontecer». O que dizer, pois, de um presidente disposto a fazer cedências a inimigos estrangeiros mas não a adversários seus compatriotas?
John Boehner e o seu gabinete rapidamente se aperceberam desta contradição e produziram e divulgaram um vídeo que a denuncia. Entretanto, e como não podia deixar de ser, Harry Reid e Nancy Pelosi, duas completas – e concretas – caricaturas de tudo o que a política nos EUA tem de mais desprezível e risível, ajudaram à «festa», acusando os membros do GOP – e em especial os mais inconformados como Ted Cruz – de serem «anarquistas» e «incendiários» - o que vem na sequência de «elogios» anteriores como «assassinos» e «terroristas». A votação efectuada a 20 de Setembro, na Casa dos Representantes, de uma resolução que aprova a remuneração dos serviços públicos excepto os que tenham a ver com a implementação do denominado «Affordable Care Act» mais enfureceu o Nº 44, que, em novo acesso de narcisismo, se queixou de que os republicanos estavam a «tentar meter-se com ele»! Então, neste segundo mandato, a «flexibilidade» vai toda, apenas e exclusivamente, para o estrangeiro? Que «discriminação» tão injusta!
O facciosismo e o fanatismo para «consumo interno» já estão de tal modo entranhados entre os «azuis» que nem sequer a ocorrência de atentados e/ou de tragédias os demove de criticar os opositores. A 16 de Setembro último, e enquanto Aaron Alexis procedia a um massacre no Navy Yard de Washington, Barack Obama não sentiu a necessidade de adiar um discurso em que acusava os republicanos de «extremistas» por – alegadamente – estarem dispostos a «afundar toda a economia» do país unicamente para «marcarem pontos políticos». Este (mais um) ataque partidário a partir da Casa Branca – algo que, como Brit Hume salientou, este presidente practica mais do que qualquer um dos seus antecessores – foi, obviamente, considerado «inteiramente apropriado» (!) por Jay Carney. Digamos que esta prestação do Sr. Hussein foi tão má, mas mesmo tão má, que até na MSNBC se imaginou o que aconteceria (não é difícil) se tivesse sido George W. Bush a portar-se daquela maneira lamentável, e se avisou que, feita a asneira, já era tarde para se voltar atrás e fazer tudo de novo...
«Suave com os russos, duro com os republicanos»: como faz notar Matt K. Lewis, este não é tanto um «paradoxo (unicamente) de Obama» porque esta tendência já existia entre os democratas muito antes de o Nº 44 tomar posse. Porém, mais do que um paradoxo, trata-se de uma filosofia da fraqueza, de uma doutrina da cobardia, causa – e consequência – de uma «diplomacia macia». E essa insólita mundividência, essa «extraordinária capacidade» que os democratas em geral – e este presidente em particular – têm para ignorar a realidade ficou bem nítida a 24 de Setembro último: no discurso que então proferiu perante a assembleia geral das Nações Unidas, Barack Obama afirmou que «o Mundo é mais estável agora do que era há cinco anos». Não, não é brincadeira, ele disse-o mesmo… poucos dias depois de terroristas islâmicos terem assassinado no total mais de 200 cristãos em atentados no Quénia (aqui incluindo uma colaboradora, grávida, de Bill Clinton) e no Paquistão, poucas semanas depois de gás Sarin ter sido utilizado contra civis na Síria, no ano de mais uma revolução – e muitos mortos – no Egipto, em que o Irão e a Coreia do Norte (aqui apesar dos esforços desse grande «diplomata» que é Dennis Rodman) ainda constituem ameaças nucleares, em que as vítimas aumentaram no Iraque e no Afeganistão após o Sr. Hussein ter anunciado as datas da retirada das tropas norte-americanas naqueles dois países…
… Sim, tanta «estabilidade»! No entanto, o que seria de esperar por parte de alguém que não só lê quase exclusivamente o New York Times mas que também recorre aos colunistas daquele jornal para o aconselharem em matérias de negócios estrangeiros? O mesmo NYT que aceitou publicar um artigo de opinião de Vladimir Putin em que este aproveitou para achincalhar os EUA e o seu actual presidente? Que Garry Kasparov classificou de «patético» por providenciar ao presidente russo uma «plataforma para propaganda condescendente»? Todavia, e como bem recordou Sean «Jim Treacher» Medlock, a perspectiva de Putin sobre o «excepcionalismo americano» nem é diferente da de Obama. Como Charles Krauthammer observou, estes são «os frutos de uma política externa epicamente incompetente». E o novo presidente do Irão, ao recusar um encontro na ONU com o seu homólogo norte-americano… que este havia solicitado (!), também já sabe que pode provar e saborear esses «frutos». Fica a dúvida: quem será o próximo ditador a dar a «Obambi» uma «bofetada de luva branca» (ou de outra cor)?
(Adenda – Barack Obama não se encontrou pessoalmente em Nova Iorque com Hassan Rouhani porque este não quis… aliás, recusou por cinco vezes o pedido da Casa Branca nesse sentido! Porém, o presidente iraniano, para não dizerem que é de todo impaciente para com insistências «infantis», lá concordou – e já não foi mau! – com uma conversa por telefone. E o Sr. Hussein ficou tão contente por finalmente falar com um ayatollah que até lhe ofereceu depois uma taça de prata, oriunda da antiga Pérsia e com cerca de 2700 anos, no valor de um milhão de dólares! Uma prenda um «pouco» mais cara do que aquelas que ofereceu à Rainha Isabel II e a Gordon Brown – respectivamente, um iPod com os seus discursos e uma caixa com 25 DVD’s.)
(Segunda adenda – Barack Obama e os democratas não negoceiam – ou não querem negociar – com republicanos, que acusam de ser «bombistas suicidas» («pessoas com bombas ligadas ao peito»). Mas negoceiam com iranianos que, de facto, apoia(ra)m «bombistas suicidas». E acusam os republicanos de «fazerem reféns»… mas falam com iranianos que, em 1979, aprisionaram norte-americanos da embaixada dos EUA e que, efectivamente, fizeram deles reféns. Entretanto, descobre-se que o Sr. Hussein «enfiou um barrete».. persa, o que não espanta, e explica muita coisa.)         

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Reservas de caça

(Duas adendas no final deste texto.)
Mais um massacre nos EUA, mais um assassino em série – e mentalmente doente – à solta (deveria estar internado) que matou muitas – demasiadas – pessoas (12, e oito feridas)… antes de ser abatido: foi a 16 de Setembro último no denominado Navy Yard, uma base militar em Washington. Rapidamente e previsivelmente, e tal como em anteriores, semelhantes e infelizes ocorrências, não faltaram, na política e na comunicação social, aqueles (à esquerda) que se precipitaram, se enganaram (em especial quanto ao tipo de armas utilizadas) e reclamaram mais gun control
…Mas depressa se devem ter arrependido quando foi conhecido que o culpado, Aaron Alexis, era um admirador de Barack Obama! Que pode ter seguido o «conselho» de Joe Biden pois utilizou uma caçadeira! E outro motivo há que deveria levar todos os democratas, «progressistas» e liberais a morderem a língua sempre que ocorre um crime deste tipo e se sentem logo impelidos a expelir a sua demagogia. Tudo pode começar pela seguinte pergunta: o que têm em comum o liceu de Columbine, o cinema de Aurora, o campus da Virginia Tech, a escola de Newtown, Fort Hood e o Navy Yard em Washington? Sim, são, foram, todos locais de múltiplos morticínios… e, além disso, são, eram, todas «gun free zones», isto é, «zonas livres de armas», isto é, áreas nas quais os respectivos (ir)responsáveis decidiram tornar proibido, a cidadãos legalmente autorizados a tal (isto é, sem cadastro criminal), o porte e o uso das suas armas, e onde é frequentemente assinalada igualmente e publicamente tal proibição – invariavelmente com o famigerado símbolo da pistola com um risco por cima
Pergunta praticamente inevitável: mas então os exemplos no Texas e na capital dos EUA, ambos instalações das forças armadas, também são «gun free zones»? Resposta: sim, são! Naquelas, tal como em todas as bases norte-americanas, as mulheres e os homens em uniforme são obrigados a entregar e a guardar as suas armas à entrada – uma situação tanto mais ridícula quando se sabe que elas e eles têm como profissão, precisamente, a utilização de todas as formas de armamento, da mais simples à mais complexa (e poderosa)! As únicas excepções são os elementos encarregados do policiamento dessas instalações. Outra pergunta praticamente inevitável: quem tomou uma decisão tão absurda? Resposta: Bill Clinton! Tinha de ser um democrata a instituir o gun control nas forças armadas… e os (trágicos) resultados estão à vista!     
Estas «zonas livres de armas» (in)devidamente delimitadas, demarcadas e divulgadas mais não são do que «zonas cinegéticas exclusivas», reservas de caça, campos de tiro, para predadores, psicopatas, homicidas de todos os tamanhos, cores e feitios. Os assassinos podem ser loucos – e, nos casos mencionados, todos eram – mas não são estúpidos… para o meio de uma rua, rodeados de pessoas desconhecidas (e das quais não se sabe o que têm escondido debaixo das roupas) é que normalmente eles não vão! É por isso que convém contabilizar e conhecer nove casos, nove situações em que um potencial massacre foi evitado por uma pessoa com bom carácter... e armada.
Numa coincidência curiosa… e infeliz, este múltiplo crime em Washington ocorreu poucos dias – quase uma semana – depois de, no Colorado, terem sido realizadas duas eleições especiais – as denominadas «recall» – que afastaram dos seus cargos dois senadores estaduais democratas por terem apoiado e aprovado (mais) normas de controlo de armas naquele Estado – que, ironicamente, os «burros» controlam, pois os actuais governador e (os dois) senadores federais são «azuis». Mas nem todo o esquerdismo em Denver foi suficiente para «aguentar» John Morse e Angela Giron, tendo esta, numa demonstração de mesquinho mau perder, alegado – sem apresentar provas – que a sua derrota se devera a «supressão de votos»… uma atoarda que Debbie Wasserman Schultz secundou – o que não surpreende, visto o «cadastro» de estupidez dela neste (e em outros) temas. Entretanto, na MSNBC, o «dia seguinte» foi difícil… pelo menos para Joe Scarborough e para Lawrence O’Donnell. Já na CNN, Don Lemon parece começar a aprender… ele não quer ser um sitting duck, «caçado como um pato» - e, aparentemente, depois cozinhado com limão.
(Adenda - O que haverá de mais ridículo do que um imigrante ilegal – que não obedece(u) a leis nem a avisos, sinais, que o impedem de entrar nos EUA se não pelos canais próprios – acreditar que um cartaz proibindo a utilização de armas num certo espaço evitará que um criminoso entre com elas naquele?) 
(Segunda adenda - Quem diria: mais um criminoso armado que não obedeceu à ordem de não entrar, armado, em mais uma gun free zone, neste caso, o campus da Universidade Central da Carolina do Norte!)  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Linhas vermelhas de sangue

(Duas adendas no final deste texto.
Por causa da incompetência e da inconsciência criminosas – repito-o, criminosas - de Barack Obama e de todos os que o rodeiam, a partir de hoje, 11 de Setembro de 2013, lembra-se e lamenta-se não apenas os atentados de 11 de Setembro de 2001 mas também o atentado de 11 de Setembro de 2012. Todos foram cometidos em território dos EUA: em Nova Iorque, Washington e Shanksville, há 12 anos; e no consulado de Benghazi, na Líbia, há um. 
O mais triste, o mais terrível, é a sensação, a ideia, e até mesmo a certeza, de que todas as lições, todos os ensinamentos, tudo o que se melhorou, corrigiu, aperfeiçoou – em termos de prevenção, de coordenação, de (re)acção – depois daquele fatídico dia do segundo ano deste século e milénio foi perdido, desperdiçado, corrompido, estragado, pela actual administração, mais preocupada em «parecer bem», em pedir desculpa por supostos «crimes» e «erros» do seu país do que em assegurar a segurança dos seus cidadãos em todas as ocasiões e circunstâncias. Desvalorizar ameaças, avisos, palpites, sinais, tornou-se práctica corrente na Casa Branca. E não foi só no ano passado em Líbia; pode dizer-se que o mesmo aconteceu este ano em Abril, em Boston, e em 2009, em Fort Hood. Porém, o que aconteceu em Benghazi foi particularmente grave porque foi como que «anunciado». Recordemo-lo: antes do ataque, (vários) pedidos de mais e melhor segurança foram feitos pelo embaixador Christopher Stevens; durante, foi pedida ajuda a Washington, que não foi enviada – e quatro homens morreram; depois, a actual administração mentiu quanto à causa do ataque, atribuindo a culpa a um filme colocado no YouTube (cujo realizador continua preso na Califórnia!) e que teria causado «protestos». Tudo para que não ficasse (ainda mais) em evidência a outra mentira – a de que a Al Qaeda estava derrotada, destruída, depois da morte de Osama Bin Laden; e, consequentemente, para que a reeleição do Sr. Hussein não fosse (muito) prejudicada – o que, de facto, e infelizmente, aconteceu.
Um ano depois, e apesar das promessas feitas nesse sentido, nenhum dos culpados foi capturado e presente à justiça – embora um deles já tenha dado entrevistas aos media norte-americanos, e haja alegações de que os atacantes de Benghazi treinaram «colegas» na Síria; ainda não é permitido aos sobreviventes serem visitados e questionados por congressistas e jornalistas – John Kerry «renovou» a proibição que havia sido decidida pela sua antecessora (porque será?) – e prestarem depoimentos públicos; os funcionários do Departamento de Estado «castigados» pelas suas… insuficiências neste caso já foram reintegrados, enquanto Gregory Hicks, Nº 2 de Chris Stevens em Tripoli, que, ele sim (com outros dois colegas), depôs – corajosamente – perante o Congresso, queixa-se de ter sido punido. Entretanto, dá-se o colapso da estrutura para os negócios estrangeiros dos EUA… Prova adicional de que a Al Qaeda não representa uma ameaça «menor» – e muito menos «inexistente» - foi dada pela «vaga» de encerramentos de embaixadas e de consulados ocorrida em Agosto, na sequência de alertas para eventuais atentados – algo que não foi inédito, mas que nunca antes tinha atingido uma tal dimensão. Com Barack Obama os EUA «encolheram-se» como nunca antes se tinham «encolhido» - os inimigos não só não passaram a gostar da pátria de Abraham Lincoln como perderam (grande parte d)o medo que antes lhe tinham…
… E a grande, enorme «trapalhada» relativa à Síria mais não fez do que «amplificar» e «consolidar» esse colapso. Já abordei a situação anteriormente, mas justifica-se um resumo actualizado: no seguimento da transposição da «linha vermelha» (utilização de armas químicas) estabelecida pelo Nº 44, John Kerry faz uma intervenção apaixonada apelando a um ataque imediato… e vem Barack Obama dizer que vai remeter a decisão ao Congresso. O presidente dá entrevistas a várias televisões e prepara-se para fazer um discurso à nação justificando o ataque… mas o seu secretário de Estado, respondendo uma pergunta de uma jornalista, alvitra que se o governo da Síria entregar, no prazo de uma semana (mais uma «linha vermelha») à «comunidade internacional» todas as suas armas químicas («oferta» que alguém na administração considerou uma «major goof»)… então não haverá um ataque… que, a acontecer, seria «inacreditavelmente pequeno». Vladimir Putin, que não é, ao contrário do seu homólogo dos EUA, um amador, aproveita logo e apela ao seu aliado de Damasco para aceitar… o que acontece – no próprio dia do discurso de Obama a apelar e a justificar um ataque! A acontecer um tal acordo de «entrega e verificação» de armas químicas por parte do governo sírio, tal acontecerá sob a égide das Nações Unidas… organização que o Sr. Hussein desvalorizou, e caricaturou, como sendo dada a manobras de prestidigitação - «hocus pocus». Conclusão: Bashar al-Assad mantém-se no poder e o presidente da Rússia «sai por cima» desta situação – é o incontestado vencedor deste «jogo de xadrez geopolítico», por mais que alguns «yes (wo)men» clamem que foi uma victória do seu «querido líder».
Espero para ver se alguém em Portugal tem suficiente descaramento para falar/escrever novamente sobre a «competência» desta administração e os seus «sucessos» em matérias de diplomacia e de defesa. Na verdade, tudo isto foi, é, ridículo, dá (alguma) vontade de rir… mas o assunto é sério. Muito sério. E triste, quanto mais não seja, em última análise, porque acontece, porque culmina, na véspera de mais um aniversário do 11 de Setembro, com mais um discurso redundante de Barack Obama que confirma a perda de poder e de prestígio dos EUA, e em que ele, para não variar, e mais uma vez, mentiu.
As verdadeiras linhas vermelhas… de sangue estiveram lá, nas paredes de Benghazi. Ao contrário do que alguns disseram e desejaram, o atentado de há um ano não desapareceu nem desaparecerá. Nem a Síria nem qualquer outro tema distrairá do que aconteceu na Líbia em Setembro de 2012. E Hillary Clinton que não pense que os «fantasmas» daqueles que abandonou não voltarão – durante a sua (mais do que provável) campanha presidencial, ou até antes – para a assombrar. Os gritos não exorcizarão a sua culpa. Porque quatro cadáveres (e bastava um...) fazem, mesmo, a diferença.
(Adenda – David Burge, incisivo e sucinto como habitualmente, contabiliza os minutos de silêncio pelas vítimas do 11 de Setembro… as de 2001 e as de 2012.)
(Segunda adenda – Quase 12 anos depois do início da intervenção armada dos EUA no Afeganistão, feita em resposta aos atentados de 11 de Setembro de 2001, verifica-se que 73% das mortes de soldados norte-americanos naquele conflito ocorreram desde que Barack Obama é presidente. Tal como em relação à ameaça de ataque à Síria, e ao contrário do que aconteceu durante a «era Bush», os esquerdistas «pacifistas» mantêm-se calados (que nem ratos?) sobre este assunto. Entretanto, há a informação de que a CIA já iniciou a entrega de armas aos opositores de Bashar al-Assad, sobre os quais há vários relatos (confirmados) de intolerância e de crueldade, e não só contra cristãos. Aparentemente, a actual liderança de Washington não aprendeu com as experiências – e os erros – anteriores.)  

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

É a «flexibilidade», lembram-se?

(Duas adendas no final deste texto.)
Neste Verão (mais ou menos) quente de 2013 surgiram «ecos» da Guerra Fria de anos anteriores, das décadas de 1950 e 1960… porque as relações entre os EUA e a Rússia conheceram algumas tensões neste período estival. E isso reflectiu-se na cimeira do G-20 realizada nestas quinta e sexta-feiras em São Petersburgo: o mal-estar, o… «mau olhado», o incómodo, os constrangimentos, terão sido talvez superiores ao habitual nestas ocasiões… Porquê? Por dois motivos principais…
Em primeiro lugar, por causa de Edward Snowden. Barack Obama e a sua administração ficaram de tal forma desagradados com a concessão de asilo político, ao ex-colaborador da Agência Nacional de Segurança, por parte do governo de Moscovo, que decidiram cancelar o encontro «a dois» com Vladimir Putin que estava previsto que ocorresse aquando da reunião dos líderes das vinte maiores economias mundiais na segunda cidade russa. Porém, não se compreende, e não se justifica, a desilusão, e mesmo a irritação, do Sr. Hussein em relação ao seu homólogo russo. Porque se queixa ele agora de Putin depois de ter dito o que disse a Dmitri Medvedev no ano passado, concretamente, que teria mais «flexibilidade» num segundo mandato? Nesse sentido, os ocupantes do Kremlin mais não têm feito do que (se limitado a) actuar para com os da Casa Branca segundo a carta… branca que o Nº 44 lhes deu: sem respeito algum – que também, diga-se, não merecem. E Obama não se dá ao respeito porque, depois de ter dito que não telefonaria a Vladimir, acabou por fazer… isso mesmo, e, além disso… também acabou por se reunir mesmo a sós com o ex-alto funcionário do KGB! Este sabe perfeitamente que a actual administração norte-americana, apesar de ter condenado as fugas de informação feitas por Snowden, também procedeu a algumas por sua conta própria – as que lhe pareceram politicamente vantajosas (por exemplo, detalhes da localização e eliminação de Osama Bin Laden no Paquistão) – e apenas condena as «fugas não autorizadas». O descaramento é tanto que, na MSNBC, até o habitualmente fiel Chris Hayes criticou, não uma mas sim duas vezes, a dualidade de critérios e a hipocrisia dos democratas.  
O segundo motivo principal para o corrente «desconforto» nas relações entre Washington e Moscovo continua a ter como característica central a «flexibilidade», e tem a ver com a Síria – e, mais concretamente, com a guerra civil naquele país e com a recente utilização de armas químicas no conflito. A «flexibilidade», desta vez, é visível na posição de Barack Obama relativamente aos acontecimentos naquele país… ou será que se deve dizer «posições»? Mais do que «flexibilidade», trata-se de autêntico «contorcionismo». Que atingiu o seu ponto máximo – de atrevimento – na quarta-feira, em Estocolmo, escala do Sr. Hussein na sua viagem até São Petersburgo: em conferência de imprensa, ele declarou que tinha sido o «Mundo», e não ele, a desenhar uma «linha vermelha» - ou seja, a fazer o aviso de que a utilização de armas químicas seria o factor que levaria a uma intervenção militar dos EUA, ou liderada pelos EUA. No entanto, ele fez isso mesmo, no ano passado… como John Kerry admitiu! Mais: agora afirmou que não é a sua credibilidade pessoal que está em causa mas sim a da «comunidade internacional», a da América e a do Congresso norte-americano, ao qual o Nº 44 remeteu a responsabilidade de aprovar, ou não, um ataque a Damasco (após o que foi jogar golfe com o seu Vice)! Por outras palavras, Obama atribui, novamente, a outros – vá lá, desta vez não é a George W. Bush - a culpa pelas suas palavras e pelos seus actos!
Note-se, aliás, que esta não é a primeira vez que a actual administração é «apanhada» numa situação dúbia referente à Síria – já em 2011, como aqui referimos, se verificavam as insuficiências da «diplomacia macia» ao estilo Obama & Clinton. Todavia, o panorama é bem pior dois anos – e dezenas de milhares de mortos – depois. E que é agravado pelo facto de os EUA terem como comandante-em-chefe alguém que anuncia previamente a toda a gente – incluindo os supostos alvos – as características, a duração («dias, não semanas») e o objectivo do eventual ataque («enviar uma mensagem» e não a mudança de regime) – mas que não garante a não colocação de tropas no terreno (ou «botas no chão», como se tem dito). E que, agora, quer a concordância do Congresso, depois de, em muitos casos anteriores, relativos a outros assuntos, não ter pedido àquele a autorização que devia pedir. Os fracassos desta administração na política externa para o Médio Oriente, nomeadamente quanto à Líbia (atentado em Benghazi, e antes) e ao Egipto (tomada do poder pela Irmandade Muçulmana), comprovararam a sua incompetência. Pelo que não surpreende que Barack Obama tenha chegado a São Petersburgo envolto em desconfiança, desautorizado, diminuído, descredibilizado, enfraquecido, ridicularizado, depois das suas «flexões» à volta da Síria. Que demonstram, sem surpresa, que o presidente e os seus acólitos são amadores, que não têm uma (verdadeira) estratégia e que não dispõem de apoio nacional e internacional. E nem seria preciso que Charles Krauthammer o dissesse. Até à esquerda se multiplicam as vozes que expressam surpresa, dúvida, embaraço, discordância e até troça para com a «política para a Síria» do Sr. Hussein, como Charles Rangel, Chris Mathews, David Letterman, Fareed Zakaria, Frederic Hof e Richard Wolffe. Nem todos estão sempre dispostos a obedecer incondicionalmente ao «Querido Líder»…
O desconforto dos democratas neste assunto é aumentado pelo – inevitável – confronto das posições… flexíveis de algumas das suas maiores figuras perante diferentes conflitos, ou o mesmo conflito em diferentes momentos. Nancy Pelosi, Hillary Clinton e John Kerry, que tanto criticaram George W. Bush depois de ele ter conseguido formar uma coligação de mais de 40 países (não, ele não decidiu «unilateralmente») contra o Iraque de Saddam Hussein que, de facto, usou armas químicas contra a sua própria população (no instante em que escrevo ainda não há essa certeza quanto a Bashar Al-Assad), abrigou terroristas, alvejou aviões estrangeiros, atentou contra a vida de George H. Bush e desrespeitou resoluções do Conselho de Segurança da ONU, agora apoiam um ataque isolado e pouco (ou nada) fundamentado contra o ditador de Damasco… a quem, ainda há poucos anos, elogiavam como «reformador» e visitavam! John Kerry que, em 2009, jantou com o casal Assad acompanhado da esposa, agora coloca-o no mesmo «clube» de Hitler e de Hussein (o Saddam, não o Barack)! Tal inconstância permite que Vladimir Putin, com o maior à-vontade, chame «mentiroso» ao actual secretário de Estado dos EUA (por este alegar que os opositores a Assad são, fundamentalmente, «moderados» e não controlados pela Al Qaeda). Entretanto, Chuck Hagel, que acusara a Rússia de fornecer armas químicas à Síria, acabou por voltar com a palavra atrás. E Joe Biden, que no ano passado acusava Mitt Romney de querer, irresponsavelmente, atacar aquele país do Médio Oriente, agora afadiga-se a tentar convencer os seus camaradas no Congresso a apoiarem o seu «chefe»… Do outro lado da «barricada», Rand Paul age de modo a justificar a expressão «tudo o que disser poderá ser usado contra si».
Antes era assim, agora é Assad(o). Antes o lema era «forward», agora é «for war» - basta tapar o «d»…
(Adenda – Leituras adicionais: «A desvanecida esquerda anti-guerra», Brent Bozell; «10 diferenças principais entre o Iraque de Bush e a Síria de Obama», Joel B. Pollak; «14 celebridades anti-guerra com princípios que receamos possam ter sido raptadas», John Ekdahl; «Porque a América está a dizer “não”», Peggy Noonan.
(Segunda adenda - «Coitados» dos «jornalistas» e dos «colunistas» do New York Times, em especial os que trabalham para a secção internacional… A sua vida tem sido tão difícil, e algo esquizofrénica, nas últimas semanas… Como lhes deve custar escrever e publicar «notícias» sobre o seu adorado Barack Obama, agora que ele está armado em «war monger», e lembrando-se do que escreveram e publicaram sobre George W. Bush… Ao anterior presidente é que não disseram para «bombardear a Síria mesmo que seja ilegal»! E, para esse bombardeamento eventual, a lista de alvos potenciais não pára de aumentar. Porém, e para que os falhanços não sejam muito ostensivos, sempre se pode «aligeirar» - alterar – um título algo desfavorável… Entretanto, e para piorar as coisas, mais um conservador, mais um direitista (no caso, Mark Levin), alcança (na categoria de não-ficção) o topo da tabela de venda de livros com o nome do jornal – mas que, apesar disso, e como habitualmente acontece com todos os autores conservadores e de direita, não terá direito a uma recensão nas páginas do NYT. Enfim, os que neste trabalham não devem desesperar com a constante diminuição das tiragens, das receitas e da credibilidade - porque talvez Jeff Bezos os «salve» tal como fez com o Washington Post.) 

domingo, 1 de setembro de 2013

A pele e o carácter

(Uma adenda no final deste texto.)
E o «culto» continua… Porém, o facto de, mais uma vez, a bandeira dos EUA ter sido «obamizada», «personalizada» - ou seja, desfigurada, profanada – nem foi o mais grave na «comemoração» dos 50 anos do discurso «I have a dream» de Martin Luther King em Washington. O pior acabou por ser a própria cerimónia no dia exacto da efeméride, 28 de Agosto, e, mais concretamente, os oradores e o que (vários d)eles disseram. Uma vergonha. Um vómito. Uma ofensa inaudita, um ultraje inadmissível à memória do líder da luta pelos direitos civis e Prémio Nobel da Paz. Ele, que toda a sua vida afrontou e enfrentou racistas, veio a ser «homenageado» por racistas! Ele, que sempre combateu a discriminação e a segregação raciais, acabou por ser o pretexto para uma acção de discriminação e de segregação políticas!
Aquilo não foi uma celebração nacional mas sim uma continuação da convenção do Partido Democrata. Na verdade, Leah Daughtry, a «produtora executiva» da cerimónia, havia sido antes CEO da Convenção Democrata de 2008 e chefe de gabinete de Howard Dean! Nem um só republicano, nem um só conservador esteve presente no pódio para discursar. Mas não foram convidados elementos do GOP? Uns não; outros, sim, foram… poucos, tardiamente, mesmo «em cima» do acontecimento, e quase todos para «estarem presentes», para assistirem, sem garantia de fazerem uma alocução. Proceder-se deste modo equivale a dizer «não venham porque não vos queremos cá». E porque, com efeito, iriam lá? Para ouvirem as afirmações – as mentiras – mais vis, repulsivas e divisivas? Para serem acusados de «crimes» que não cometeram? Nem Tim Scott, actualmente o único senador afro-americano, compareceu. Nem, obviamente, Clarence Thomas, há muito tempo odiado pelo «pecado» de ser conservador (logo, um «preto traidor»), juiz do Supremo Tribunal, entidade que, aliás, foi comparada ao Ku Klux Klan na quarta-feira passada, na capital do país, em frente ao monumento a Abraham Lincoln… único republicano a marcar presença, pelo menos em «espírito» e em mármore. E não parece que tenha sido lembrada a Proclamação de Emancipação assinada pelo 16º presidente dos EUA em 1863, ou seja, há 150 anos!
Em «contrapartida», não podiam faltar, evidentemente, para botar discursos demagógicos, e entre outros: Al Sharpton – que Cornel West (insuspeito de direitismo) designou de «negro doméstico da plantação de Obama»; a família de Trayvon Martin, tendo este sido despudoradamente equiparado aos – verdadeiros – mártires do passado; as filhas de JFK (Caroline) e de LBJ (Lynda); Jimmy Carter e Bill Clinton, presidentes que nasceram, cresceram e se (des)educaram no Sul democrata e racista; Oprah Winfrey; Jamie Foxx, que teve o atrevimento de sugerir que ele próprio, Jay-Z e Kanye West – rappers que cantam a misoginia e a violência – poderão vir a ser os grandes defensores dos direitos civis do futuro (!); Martin O’Malley, que utilizou a expressão «pessoas de cor». Só quase faltou desenterrarem os cadáveres de John E. Rankin, Robert Byrd e George Wallace e colocá-los à frente do microfone! Não ficariam a destoar… muito!
Por falar em cemitérios, o que todas estas alimárias fizeram equivaleu, figuradamente, a cuspirem, a urinarem, a defecarem sobre o túmulo de Martin Luther King. Não só pela intolerância ideológica e racial mas também, e talvez principalmente, pela hipocrisia «metafísica». Repare-se, e recorde-se: MLK era um clérigo, um pastor protestante; um homem religioso de vocação e de profissão, que colocava Deus em practicamente todos os seus trabalhos e discursos – sim, também no de 23 de Agosto de 1963. Acham que ele ficaria feliz se soubesse que foi apropriado por ateus e aborcionistas, por aqueles que não só não se importam como até incentivam a destruição das famílias, e não só das afro-americanas? Por ser invocado por elementos e apoiantes não só da Planned Parenthood mas também da ACLU, que querem eliminar toda e qualquer referência ao Cristianismo nas instituições estatais e públicas norte-americanas? No entanto, irónica e escandalosamente, são capazes, como os candidatos democratas ao cargo de governador do Iowa, de dizerem orações pedindo-Lhe mais e melhores serviços de IVG! Serão irremediavelmente desavergonhados – ao ponto de cometerem a blasfémia mais ofensiva – ou simplesmente não se enxergam?
A presidir a toda esta falácia, a toda esta fantochada, está Barack Hussein Obama, que, a 27 de Agosto, véspera de ser a principal «estrela» num «espectáculo» de ignomínia, declarou que MLK, se fosse vivo, apoiaria o «ObamaCare»! Sim, o mesmo «ObamaCare» que prevê a obrigatoriedade de as igrejas financiarem a contracepção e o aborto! Enfim, qual é a surpresa? BHO é a antítese, o oposto de MLK, e do seu discurso de há 50 anos. O conteúdo do seu carácter é mau, e só chegou onde chegou, e é defendido, por causa da cor da sua pele. Rush Limbaugh, como habitualmente, tinha razão. E não tem escapado a ele, nem a outros comentadores, o silêncio do Nº 44 e dos seus «acólitos» relativamente aos (bastantes) crimes cometidos por negros contra brancos nos últimos meses, silêncio esse «ensurdecedor» quando comparado com o barulho que fizeram a propósito de Trayvon Martin. É contá-los: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito. Incluem agressões e assassinatos, como os do australiano Christopher Lane e de Delbert Benton, veterano – octogenário! – da Segunda Guerra Mundial. Então e quanto a estes delinquentes? Não poderia um deles ser filho de Obama? Ou ele próprio há 35 anos? Nenhuma das vítimas, ou familiar das vítimas, merece um telefonema vindo da «Casa Negra», como Sandra Fluke mereceu? E Al Sharpton não vai organizar manifestações e protestos?
É difícil não concordar com a afirmação de Pat Buchanan de que «os brancos são o único grupo que pode ser legalmente discriminado na América agora». E, logo, duvidar da – bem-intencionada – asserção de Walter E. Williams de que «a luta pelos direitos civis acabou e foi vencida.» Todavia, será que se pode falar em (completa) victória quando ainda se fazem tentativas de reescrever a História, das quais o exemplo mais recente foi dado pelo Los Angeles Times e por um artigo deste garantindo que foram os democratas a liderar a aprovação da legislação dos direitos civis? Contra esta «doença» propagada pelos que estão «contaminados» pela «propagandite», nada melhor do que tomar o «remédio» receitado pela Dra. Ann Coulter, e em cinco «doses»: primeira, segunda, terceira, quarta e quinta. É ler para acabar com as dúvidas.
(Adenda – No que terá sido uma estreia, um primeiro encontro (tristemente) histórico, representantes do Ku Klux Klan e da National Association for the Advancement of Colored People encontraram-se no final de Agosto em Casper, no Wyoming. Porque será que duas entidades com tão fortes ligações ao Partido Democrata levaram tanto tempo a reunir-se formalmente? Refira-se que John Abarr, o representante dos «encapuçados», concorda com o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, é também membro do famigerado (anti-conservador, anti-cristão) Southern Poverty Law Center e, no final do encontro, manifestou a intenção de se filiar igualmente no NAACP! O que faz sentido: quem pertence a uma organização racista pode pertencer a duas.)