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segunda-feira, 23 de março de 2015

300, e não «espartanos»

(DUAS adendas no final deste texto.)
Bobby Jindal afirmou recentemente que não tem «muita confiança na coluna vertebral («backbone») do GOP no Congresso». Depois, Glenn Beck mostrou que já não tinha qualquer confiança no «partido do elefante», ao declarar que «(já) não sou um republicano. Não darei um tostão ao Partido Republicano. Estou fora. (…) Eles (os republicanos) não são bons.» Por causa deste «desabafo» o ex-apresentador da Fox News e fundador da Blaze até se envolveu numa azeda troca de palavras com Karl Rove, ilustrando as divergências que persistem na direita americana.
A que se deve esta desconfiança, esta desilusão, até esta desistência? Ao facto de, apesar de ser um vencedor (as midterms do passado mês de Novembro confirmaram-no como o incontestável partido dominante ao nível nacional, exceptuando a presidência), o PR se comportar como um vencido. Apesar de dispor de maiorias nas duas câmaras do Congresso, na Casa e no Senado, permitiu, nas votações do orçamento para 2015 e face ao filibuster dos «burros», e através de uma «lei limpa» (uma «clean bill», um documento sem condições prévias) que não fossem reprovadas disposições que financiam o essencial da amnistia – por acção executiva – de imigrantes ilegais do Sr. Hussein. Uma vez mais, o medo de serem apontados – pela mainstream media que sempre foi e sempre será (?) o «braço armado» (com câmaras e microfones) do Partido Democrata – como culpados de um eventual, e adicional, shutdown do governo federal foi suficiente para diminuir a resistência republicana e assim trair a confiança daqueles que neles votaram e que os elegeram. Apesar de «elefantes», revelaram contudo terem memória curta: o anterior encerramento – parcial, e com consequências negativas mais imaginárias do que reais – não impediu nem diminuiu o triunfo de 2014, por maior que fosse a histeria quer nas sedes de campanha do PD quer nas redacções da ABC, da CBS, da NBC, do NYT, do WP, do LAT…   
Outro assunto em que o Partido Republicano – ou muitos dos seus militantes – insiste(m) em dar «tiros nos pés», em dar «parte de fraco», é o dos «direitos LGBT» em geral e do «casamento gay» em particular. Já aqui afirmei, e demonstrei, que defender ou tolerar tal «programa» não é, nada tem, de conservador. Convém sempre revelar – ou recordar – que o GOP foi fundado sobre duas premissas, dois objectivos principais: combater e eliminar a escravatura, e combater e eliminar a poligamia. Pelo que a defesa do casamento natural, normal e tradicional, entre um homem e uma mulher é tão intrínseco ao partido de Abraham Lincoln como a recusa do racismo sob qualquer forma. Nesse sentido, é de lamentar e assume especial gravidade a iniciativa de mais de 300 «republicanos» de redigirem e de assinarem um documento (um «amicus brief»), submetido ao Supremo Tribunal dos EUA, de apoio à redefinição do casamento. A vontade de ser «moderno» e/ou o receio de parecer «antiquado» levou aqueles «elefantes» a «esquecerem-se» de (e a traírem) um dos princípios basilares do PR. Pelo que, sim, Charlie Baker, David Koch, Jon Huntsman, Mark Kirk, Susan Collins, Rudolph Giuliani, e todos os outros que deram o seu nome, deveriam ser expulsos sumária e inapelavelmente daquele. A não ser que reflectissem, reconhecessem o erro que cometeram e renunciassem a uma posição que, na práctica, reforça as acções individuais de alguns juízes activistas e anti-democráticos que têm vindo a «anular» as decisões legais e soberanas, tomadas directamente em referendos ou indirectamente através dos seus representantes, por milhões de cidadãos eleitores dos EUA.
Estes 300, e não «espartanos», (ainda) membros do GOP, que em vez de resistirem à «invasão» dos (novos) «bárbaros» como que lhes abrem o caminho, acabaram por, ironicamente, escolher para se manifestarem um momento em que cada vez mais na comunidade afro-americana, a começar por líderes religiosos, se indignam com a equiparação, feita por Barack Obama e por vários outros democratas, das campanhas pelos direitos civis dos negros nos anos 60 do século passado com as realizadas pelos militantes homossexuais – mais concretamente, com o aproveitamento explícito, feito pelo presidente há cerca de duas semanas, da celebração dos 50 anos da marcha em Selma para promover a comunidade «arco-íris». Um assunto em que o Sr. Hussein, longe de «evoluir» na sua opinião como alegou, na verdade mentiu consciente e sistematicamente, tendo inclusivamente utilizado as próprias filhas para essa manipulação. David Axelrod, no seu livro de memórias «Believer – My Forty Years in Politics», recentemente publicado, mais não fez do que confirmar a suspeita de que o Nº 44, de que foi assessor e conselheiro próximo, não foi honesto – algo que, aliás, tem acontecido consecutivamente desde 2009.
Neste contexto, e em contraste, é de louvar a coerência e a coragem de Ben Carson, que, com a autoridade de médico e de cirurgião veterano e prestigiado, está à vontade para questionar os – pouco consistentes – argumentos que pretendem legitimar o comportamento homossexual. Apesar de, por causa disso, ter sido criticado, insultado e mesmo ridicularizado pela equipa do «Saturday Night Live», por Dan Savage (excremento humano por «excelência»), Joe Biden (que não devia «atirar pedras») e até Glenn Beck (!), e independentemente de a decisão pelo Supremo Tribunal dos EUA – que será tomada e anunciada este ano – poder vir a colocá-lo (aparentemente) do «lado errado da lei», a atitude de Carson, representativa de muitos, honra-o a ele e à memória de um movimento generoso e justo iniciado há mais de 150 anos para extinguir as «relíquias gémeas do barbarismo».    
(Adenda – As palavras de Glenn Beck sobre (e contra) Karl Rove - «a espinha de um verme, a ética de uma rameira» - podem ser, e são, muito violentas, mas não constituem um caso único de animosidade extrema no âmbito da direita. Veja-se – e ouça-se – Larry Pratt, director executivo da Gun Owners of America, a criticar os republicanos que, quando candidatos, dizem uma coisa e, quando eleitos, dizem outra, neste caso sobre a defesa da Segunda Emenda: «o mais invertebrado grupo de rapazolas que alguma vez se poderia ter imaginado». Alguém que de certeza não se enquadra nessa definição é o governador do Indiana, Mike Pence, que, corajosamente, decidiu assinar e promulgar uma lei de liberdade religiosa passada pelos legisladores daquele Estado, e que tem como um dos objectivos proteger os cidadãos que recusam colaborar, directa ou indirectamente, em «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo, e que por isso possam vir a ser alvos de acções – judiciais, e não só – por parte de organizações LGBT. Outro que sem dúvida tem a sua coluna vertebral no sítio é Ted Cruz, que a 23 de Março último anunciou a sua candidatura à presidência dos EUA, sendo assim a primeira das «grandes figuras» a fazê-lo; haverá tempo, oportunidades e pretextos para acompanhar e comentar a sua campanha, mas, por agora, registe-se que, como seria previsível, a sua decisão suscitou – obviamente, principalmente à esquerda, mas também à direita – reacções negativas, quase todas caracterizadas pela ignorância, pela intolerância e pelo ridículo.)
(Segunda adenda - Em entrevista à ABC, Mike Pence esclareceu que a lei de liberdade religiosa que assinou, e que tantas reacções a raiar o histérico tem recebido por parte dos «progressistas», mais não é, fundamentalmente, do que a transposição para o Estado do Indiana de uma outra, federal, que Bill Clinton assinou quando era presidente... e quando o seu entrevistador, George Stephanopoulos, trabalhava para o Nº 42. Aliás, outros 19 Estados têm leis semelhantes à agora aprovada em Indiana. Pelo que Hillary Clinton, antes de «atirar pedras», deveria verificar o seu «telhado».)  

quarta-feira, 11 de março de 2015

«Hillarity» (Parte 2)

(QUATRO adendas no final deste texto.)
Cada vez mais, a cada dia que passa, e há vários meses, talvez até desde há cerca de um ano, a victória de Hillary Clinton na eleição presidencial de 2016 parece menos inevitável e mesmo provável. Aliás, a hipótese de ela nem sequer se candidatar surge como crescentemente possível. Porquê? Porque as gaffes, os erros, as situações dúbias, os escândalos, até as ilegalidades, em que ela regularmente se envolve, ou se deixa envolver, tornam menos certa essa (quase) certeza…
… E a mais recente «bronca» a estalar e a afectar a mãe de Chelsea é particularmente grave: o New York Times (!) revelou, e na sequência da investigação que um comité do Congresso continua a fazer sobre o atentado em Benghazi em 2012, que Hillary Clinton só utilizou uma conta de correio privada enquanto foi secretária de Estado – sim, para assuntos relacionados com a sua actividade governativa e diplomática – e não uma estatal, do próprio DdE, como estava obrigada a fazê-lo… por normas aprovadas pela própria administração de Barack Obama! Nem sequer procedeu, pelo menos, a uma permanente cópia, armazenamento e entrega d(e todas)as mensagens, e tal procedimento só recentemente, e parcialmente, terá sido feito… em papel! Mas há mais e melhor… ou pior: a sustentar tal conta de correio privada estava (está) um servidor próprio que ela fez instalar na sua casa de Nova Iorque! São evidentes os perigos que tal práctica acarretou, em especial os de as comunicações relativas à política externa dos EUA serem alvo de um ataque informático por estarem a ser processadas num sistema menos seguro, menos reforçado. Além disso, dificulta, ou até mesmo impede, uma fiscalização dos actos de um(a) (alto(a)) funcionário(a) público(a) por parte de outros órgãos de soberania – nomeadamente, o Congresso – e de órgãos de comunicação social, além de instituições e cidadãos que procuram documentos oficiais e a eles pedem acesso através do «Freedom of Information Act (FOIA)».
Lawrence O’Donnell, da MSNBC (quem diria!) resumiu bem o problema: o sistema «caseiro» para o correio electrónico de Hillary Clinton constitui(u) uma «espantosa quebra de segurança (nacional)» e foi «desenhado para desafiar a lei». Como quase sempre acontece com os democratas, também neste caso é bem evidente a hipocrisia daqueles: em 2007 a então senadora por Nova Iorque e candidata presidencial criticou e condenou a administração de George W. Bush por alegados procedimentos menos transparentes, e mesmo ilegais, relativos a comunicações; mais tarde, já na actual administração, o embaixador Scott Gration – que, como todos os outros, estava sob a sua tutela – foi forçado a demitir-se (do seu posto no Quénia) por ter utilizado correio electrónico privado; e, de um modo geral, as normas obrigando à utilização de correio electrónico do (Departamento de) Estado tornaram-se mais restritivas para os seus funcionários nos últimos seis anos. Bem que podem tentar desviar as atenções, dizendo que, por exemplo, Jeb Bush e Scott Walker – por «coincidência», dois dos principais favoritos à nomeação republicana – também tiveram problemas semelhantes… o que não é verdade, e, mesmo que fosse, não desempenha(ra)m cargos federais, não exerceram funções que obrigam a lidar com matérias de política externa, defesa e segurança. Enfim, este episódio apenas vem confirmar uma certeza, uma imagem há muito associada aos Clinton: as leis são para os outros, e eles estão acima delas.      
Demonstrando mais uma vez que na Casa Branca não há qualquer noção do ridículo e que lá tomam todos (ou quase) os americanos por estúpidos, Josh Earnest declarou que Barack Obama soube deste problema da sua ex-secretária de Estado… pela comunicação social. Tal como em tantas (semelhantes) ocasiões… Uma desculpa que já não «pega», se é que alguma vez «pegou»: acaso é admissível que, durante quatro anos, no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia e em outras instituições federais, nunca se tivesse recebido uma mensagem de correio electrónico de Hillary Clinton e não se tivesse reparado que o «e-ndereço» não tinha a designação «state.gov» ou outra similar mas sim… «clintonemail.com»? Claro que não, e entretanto confirmou-se que ela e o Sr. Hussein se corresponderam electronicamente. Pelo que Mark Levin tem (como habitualmente) razão: este é (também, mais) um «escândalo de Obama». Aliás, e como demonstra Michelle Malkin, este é (que se saiba) o sexto caso de «problemas» na utilização de correio electrónico registado na actual administração.
Antes deste, e também muito recentemente (há cerca de um mês) outro grande escândalo afectou, e ainda está a afectar, Hillary: o de que vários governos de outros países fizeram doações à Fundação Clinton… no período em que ela era secretária de Estado! O que, sem dúvida, dá um outro – e sinistro – significado à expressão «negócios estrangeiros». Com a agravante de alguns desses países que tão «generosos» foram para com Bill e Hillary serem muçulmanos… e, logo, não se distinguirem por garantir direitos iguais às mulheres, uma causa que a ex-primeira dama aparentemente preconiza. E é, de facto, aparentemente, porque, tal como na Casa Branca sob Barack Obama, também a ex-senadora por Nova Iorque pagou, no Congresso, mais aos homens do que às mulheres.
Se os actos da putativa candidata presidencial não têm sido propriamente encorajadores nem susceptíveis de diminuir as desconfianças, as suas palavras ainda menos têm contribuído para tal. George Will usou de eufemismo para caracterizar Hillary Clinton como não sendo uma oradora fluente… e entusiasmante. Digamos que não caiu bem aquela afirmação de que a América devia sentir empatia para com os seus inimigos – ou seja, deduz-se, também para com o ISIS e a Al Qaeda. Ou a de que as corporações (empresas) não criam empregos, que surgiu como uma variação do infame «you didn´t build that» de Barack Obama – além de que, como recordou Chuck Lane, do Washington Post, pelo menos a NBC criou um emprego para Chelsea Clinton – onde esta ganhou 600 mil dólares num ano. Ou ainda a afirmação (justificação?) de que o Hamas põe os seus mísseis em áreas civis porque a Faixa de Gaza é muito pequena. Ou a de que o «reinício (do relacionamento) com a Rússia» resultou… embora os ucranianos talvez tenham uma opinião diferente. Ou a de que aos defensores da Segunda Emenda da Constituição, segundo ela uma «minoria», não deve ser permitido «aterrorizar a maioria». Ou a de que Abraham Lincoln foi senador pelo Illinois. Ou a de que, quando ela e o marido saíram da Casa Branca em 2000, estavam falidos («dead broke»), o que, pura e simplesmente, é mentira – não estavam é tão abastados quanto desejariam, e que posteriormente viriam mesmo a estar. Agora, chegam ao cúmulo de recorrer a expedientes financeiro-legais para evitarem pagar impostos cuja implementação eles apoiaram!
2014 foi um ano que, como reconheceu, entre outros, Jonathan Karl da ABC, não correu muito bem para Hillary Clinton… na verdade, foi como que um «annus horribilis» que ainda continua em 2015. E que começou, pode dizer-se, no lançamento do seu mais recente livro, «Hard Choices», que não teve o êxito que ela e a editora esperavam. Desde o início que observadores independentes perceberam que seria um desastre e que não justificaria os 14 milhões de dólares (!) que a Simon & Schuster pagou como adiantamento: uma semana depois do lançamento já não estava no «Top 10» e um mês depois já não estava no «Top 100». O que não impediu que ela realizasse uma digressão de promoção da obra, nos EUA e na Europa, com as despesas a serem pagas por organismos do governo federal norte-americano. O que não prejudicou a sua «carreira» pós-Departamento de Estado de conferencista que cobra preços elevados e que faz «exigências de diva» - como, por exemplo, só ela ficar com registos, gravações, dos seus discursos.       
Uma semana depois da notícia no New York Times, Hillary Clinton lá deu uma conferência de imprensa… na sede da ONU, onde, curiosamente, a obtenção de credenciais pela comunicação social é muito difícil. Talvez tenha sido «pior a emenda do que o soneto»: ela «justificou» utilizar um servidor próprio e uma(s) conta(s) privada(s) por ser de maior «conveniência» - um «argumento» que Lawrence O’Donnell (outra vez!) não aceita – e prometeu que não transmitiu material confidencial. Porém, desde quando é que os Clinton são dignos de confiança? Ficou evidente nesta ocasião que pelo menos um deles mente: Hillary disse que uma parte significativa das mensagens dos seus quatro anos como secretária de Estado foram privadas e trocadas com o marido, mas o porta-voz deste declarou que o Nº 42 só enviou dois e-mails em toda a sua vida! E, afinal, quantos aparelhos é que ela usa?
A situação é de tal modo confrangedora que Mark Halperin, Maureen Dowd e Ron Fournier, todos insuspeitos de serem direitistas, expressam agora dúvidas não só quanto ao sucesso da sua (potencial) candidatura mas também quanto à própria concretização da candidatura! Já lá vai o tempo em que Sally Kohn declarava que Hillary Clinton devia ser presidente, não apenas dos EUA, mas do Universo! Agora, a ideia de ela ser presidente porque «é a vez dela», ou porque é a vez… de uma mulher, já não chega.  
(Adenda – Os que pensa(ra)m, e deseja(ra)m, que o «caso do e-mail» deixe de o ser… desistam: ele está para ficar, e novas e assombrosas (ou nem tanto, tratando-se dos Clinton) revelações vão sucedendo-se. Primeira, independentemente de ter sido ou não o único aparelho que usou enquanto secretária de Estado, o Blackberry de Hillary não lhe foi dado pelo respectivo Departamento… e esteve, durante pelo menos dois meses, sem protecção específica (encriptação) contra eventuais ataques informáticos. Segunda, pelo menos 30 mil mensagens foram apagadas no seu servidor pessoal… sem serem lidas, tendo o critério usado sido uma busca por palavras-chave – o que, obviamente, não é uma garantia de que conteúdos relevantes tivessem sido poupados. Terceira, desconhece-se se ela terá preenchido e assinado o formulário OF-109 do DdE, obrigatório para todos os que cessam funções naquele departamento e que deve listar, e confirmar, a entrega e/ou a reprodução de todas as comunicações produzidas, emitidas e/ou recebidas. Portanto, sim, Hillary provavelmente não cumpriu uma série de leis, normas e regulamentos, e até é possível que pela segunda vez um Clinton venha a responder por perjúrio. Até no Gawker – que vai processar o DdE (tal como a Associated Press) apesar de não ser propriamente um órgão da direita – se usa a expressão «nixoniano»!) 
(Segunda adenda – Não havendo qualquer dúvida – aliás, ela própria o admitiu na conferência de imprensa na sede da ONU – de que Hillary Clinton não só não entregara ao governo federal todas as suas mensagens electrónicas emitidas e recebidas enquanto foi secretária de Estado como também apagara, indevidamente, uma grande quantidade daquelas, a questão era saber se era culpada de perjúrio ou de roubo (de documentos estatais) mediante o ter preenchido e assinado, ou não, o impresso OF-109 do Departamento de Estado. Hoje (17 de Março), e finalmente, a porta-voz daquele, Jen Psaki, esclareceu: Hillary não preencheu nem assinou. Logo, é culpada de roubo.)     
(Terceira adenda – Mas será que Hillary Clintom dotou o seu sistema privado – que usou para assuntos estatais – de correio electrónico com algum tipo de protecção? O mais básico, pelo menos? É duvidoso que tal tenha acontecido, porque agora descobriu-se que o seu servidor pessoal esteve desprotegido contra o chamado «spoofing». E vem ela, com um inacreditável, e hipócrita, atrevimento, alertar contra o perigo de a revogação do «ObamaCare» permitir às seguradoras «escreverem as suas próprias regras»! Um procedimento que, obviamente, não é prejudicial se for um Clinton a fazê-lo… E se ela decidir também dar lições quanto a desperdício de dinheiros públicos e ao «aquecimento global», é lembrar(-lhe) que, quando era senadora, foi quem gastou mais em voos privados.)  
(Quarta adenda – Hillary Clinton pode ainda (por quanto tempo?) beneficiar de uma considerável vantagem nas sondagens para a eleição do(a) próximo(a) presidente dos EUA, e constituir potencialmente a vencedora antecipada em muitos (ou a maioria dos) Estados se concorrer, mas se há um em que quase de certeza não triunfará é aquele onde o marido já foi governador e ela primeira-dama. Aquando das últimas midterms ambos participaram na campanha de candidatos democratas no Arkansas… mas sem sucesso (para os «burros»); aliás, e pela primeira vez em quase 150 anos, todos os congressistas (e os dois senadores e o governador) daquele Estado são republicanos! Porém, Hillary tem um problema pior para enfrentar na sua caminhada para a Casa Branca: o passado (e o presente?) sórdido de Bill; como se não chegassem todas as mulheres que ele alegadamente assediou, violou e com quem «adulterou», vieram revelações de que ele tem um pedófilo e organizador de orgias como amigo… No campo das agressões sexuais, a ex-secretária de Estado também tem os seus «esqueletos no armário», mais concretamente a orgulhosa defesa que fez, enquanto advogada, de um – comprovado – violador. E, se recuarmos mais no tempo, a recordação da correspondência que trocou com Saul Alinsky poderá trazer-lhe muitas desvantagens.)

terça-feira, 3 de março de 2015

Uma questão de patriotismo

Foi há cerca de duas semanas, mas os «ecos» de mais uma polémica «progressivamente» - e artificialmente - empolada ainda podem ser escutados… Houve uns quantos histéricos, e histéricas, e hipócritas, que como que molharam as cuecas de indignação por Rudolph Giuliani – numa cerimónia privada, note-se, mas cujos pormenores foram tornados públicos – ter de alguma forma questionado o patriotismo de Barack Obama. Mais concretamente, por ter afirmado que «eu não acredito que o presidente ama (os Estados Unidos d)a América». Posteriormente, o ex-mayor de Nova Iorque não só não recuou como reincidiu, repetiu, (n)o seu pensamento e nas suas palavras.
As reacções «escandalizadas» de muito(a)s do(a)s «suspeito(a)s do costume» não se fizeram esperar. Desde logo, a de Debbie Wasserman Schultz, que aproveitou talvez para tentar uma distracção relativamente a uma embaraçosa revelação relativa a uma sua eventual mudança de posição. Stephanie Miller, Steve Cohen e Van Jones, à falta de argumentos válidos, recorreram ao (falso argumento do) racismo como causa dos comentários de Rudy Giuliani… e outros fizeram o mesmo, se bem que mais sub-repticiamente, como no New York Times. Obviamente, da MSNBC (uns e outros), da CBS e da NBC, de muitos dos correspondentes na Casa Branca, vieram os inevitáveis e «isentos» reparos. Até, imagine-se, o fundador da Starbucks, Howard Schultz (será parente da Debbie e do Ed?), se achou no direito de «meter o bedelho» na discussão… criticando, claro, Giuliani. Curiosamente, do Partido Republicano também houve quem manifestasse reservas quanto à opinião do seu correligionário nova-iorquino. Lindsey Graham, Marco Rubio, Mike Pence e Rand Paul, nomeadamente, mesmo que criticando a cobertura mediática e injustificada que o assunto proporcionou, não deixaram de expressar, de uma forma ou de outra, o seu distanciamento.
Porém, e evidentemente, Rudy Giuliani, tinha, e tem, toda a razão. E é, foi, o próprio Barack Obama a dar-lhe toda a razão. Quem por várias vezes andou a pedir, no estrangeiro e a estrangeiros, desculpa pelos supostos erros dos EUA, e que, como salientou Mark Levin, anunciou querer «transformar fundamentalmente» o país, demonstrou não gostar dele, não o amar. Mais: ele disse em 2008 que George W. Bush não era patriótico por ter aumentado, e muito, a dívida, acusação com a qual muitos à esquerda concordaram entusiasticamente; pelo que o Sr. Hussein é o primeiro a declarar-se a ele próprio não patriótico – e, logo, a não amar o seu país – porque aumentou a dívida muito mais do que o seu antecessor – algo que Ed Henry, da Fox News, lembrou a Josh Earnest, que deveria preocupar-se mais com os legados de outros, a começar pelo do seu chefe… Enfim, se Obama realmente amasse a América não teria assistido, durante cerca de 20 anos, a Jeremiah Wright lançar imprecações como «God damn America!» E, já agora, Michelle Obama teria sentido orgulho no seu país antes de o seu marido ter sido nomeado pelo Partido Democrata como candidato à presidência. Portanto, e por tudo isto, como é que se pode duvidar, questionar, (d)o que Giuliani disse?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A noite do(a)s estarolas

A cerimónia de entrega dos prémios – conhecidos como os Óscares – da Academia (norte-americana) das Artes e das Ciências Cinematográficas já foi conhecida, merecidamente, como a noite das estrelas. Nos últimos anos, ou talvez décadas, e cada vez mais, tem-se «progressivamente» transformado na noite do(a) estarolas. E a mais recente, ocorrida no passado domingo, confirmou-o, porque foi especialmente ridícula, patética, até ofensiva…
… E não só pela apresentação, pela actuação, de Neil Patrick Harris, que, tendo «culminado» aquela com uma breve aparição em cuecas, mais parecia estar numa gala da GLAAD ou da ILGA – e após Ellen DeGeneres ter simbolizado em 2014 a letra «L» (lésbica) e o ex«Doogie Howser» este ano a «G» (gay), é de esperar que em 2016 seja um «B» (bissexual) o/a «mestre de cerimónias» e em 2017 seja um «T» (transgénero). Não só pela cada vez maior irrelevância da cerimónia, por os prémios já serem previsíveis na sua grande maioria ou totalidade após a atribuição prévia de vários outros galardões, e por aqueles distinguirem preferencialmente filmes pouco vistos, pouco populares, com reduzidas receitas de bilheteira. Não só por o(a)s melhores profissionais e as melhores obras raramente serem premiadas ou até nomeadas. Não só por cada vez mais a «fórmula» mais seguida na tentativa de obtenção de troféus basear-se em histórias de doenças e/ou deficiências físicas e/ou mentais, como se comprovou novamente anteontem pelos triunfos de Eddy Redmayne e de Julianne Moore…   
A cerimónia do passado dia 22 de Fevereiro foi especialmente ridícula, patética, até ofensiva, também, e principalmente, por ter sido mais uma demonstração de como o evento anual mais importante em Hollywood é frequentemente aproveitado pelos premiados (e não só) para fazerem inoportunas e constrangedoras declarações de carácter político e/ou social… e, claro, invariavelmente esquerdistas-liberais. Alejandro Iñárritu, mexicano que sucedeu ao seu compatriota Alfonso Cuáron como melhor realizador, e anunciado de uma forma «bem humorada» (?) pelo sempre «ponderado» Sean Penn como «filho da p*t*» que não se sabe como obteve a «carta verde», falou da imigração. Graham Moore, autor do melhor argumento adaptado, defendeu o direito à diferença, em especial a (homos)sexual. «Cidadão Quatro», que retrata favoravelmente Edward Snowden, ganhou como melhor documentário (longo). Patricia Arquette, melhor actriz secundária, protestou contra a discriminação, em especial a salarial, de que as mulheres são vítimas – o que é verdade, na Casa Branca e em outras organizações dirigidas por democratas, como os grandes estúdios de Hollywood. E John Legend e Common, este um notório racista que se opõe ao casamento inter-racial, lá ganharam para «Selma» uma estatueta, a da melhor canção, e assim ajudando a diminuir a inexistente «injustiça» de que aquele filme teria sido objecto; tiveram o atrevimento de aludir à obrigatoriedade de identificação dos votantes como uma forma de racismo. Só faltou alguém vir arengar sobre o «aquecimento global». É pois uma surpresa que a emissão deste ano tenha tido menos audiência do que a do ano passado e sido uma das menos vistas de sempre?
Os demagogos e agitadores raciais habituais, a começar por Al Sharpton, que se indignaram com a suposta «falta de diversidade», e concretamente o reduzido número de nomeações de «Selma», e que atribuíram esse facto a animosidade racial, talvez se tenham «esquecido» de que, em 2014, «12 Anos um Escravo» foi considerado o melhor filme, tendo proporcionado ainda Óscares – enquanto produtor - ao seu realizador, o inglês Steve McQueen, e à actriz queniana (secundária) Lupita Nyong’o… ambos negros. Como em outras áreas, alegar que no cinema não houve mudança para melhor no relacionamento inter-racial é pura e simplesmente uma mentira – e em Portugal, como não podia deixar de ser, há quem acredite. E mesmo quando se revisita a História convém que tal seja feito de uma forma correcta…. e completa. 
Para o exemplificar recuemos até Novembro passado, quando, durante a anual entrega de distinções honoríficas realizada pela AMPAS, Harry Belafonte, cuja loquacidade senil faz lembrar bastante a de Mário Soares, não encontrou melhor maneira de «agradecer» o prémio humanitário Jean Hersholt, que então a Academia lhe entregou, do que criticar Hollywood pelo (mau) tratamento que deu às minorias, e em especial aos afro-americanos, ao longo dos anos. Destacou e condenou, em particular, que um filme como «Nascimento de uma Nação», epopeia que elogia o Ku Klux Klan, tenha sido o primeiro a ser exibido na Casa Branca. Porém, saberá Belafonte, outro – e idoso - «Tio Tomás» por constantemente e rispidamente defender democratas e atacar republicanos, quem era o presidente dos EUA quando tal «sessão de cinema» teve lugar? Era Woodrow Wilson, que nada fez para punir a segregação e premiar a integração, muito pelo contrário, e que é um dos membros mais «destacados», pela negativa, do pouco recomendável «clube» dos chefes de Estado «burros». Muitos fazem «fitas»… mas nem uns nem outros são sempre de se ver e de se admirar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Perder a paciência

(DUAS adendas no final deste texto.)
Afinal, sempre vai haver «boots on the ground» norte-americanas no Iraque contra o ISIS: ao pedir (com atraso) ao Congresso autorização formal para combater o ISIS (algo que não fez em relação a outras intervenções no estrangeiro), Barack Obama, para todos os efeitos, anunciou-o. Depois de dizer que isso não aconteceria. Depois de ter retirado practicamente todas as tropas terrestres do Iraque, na ilusão («wishful thinking») de que «a guerra tinha terminado». Depois de, desse modo, assim ter criado as condições para a expansão daquele exército terrorista, que continua a matar pessoas inocentes e indefesas, não só cristãos mas também outros muçulmanos, às dezenas, às centenas, aos milhares, com cada vez maiores requintes de malvadez.
Este «arrepiar caminho», este (aparente) arrependimento de uma (má) decisão anterior será suficiente para desmentir as análises de Charles Krauthammer, de Chuck Todd e de Bob Woodward, e de outros, que concluíram pela inexistência de um verdadeiro plano por parte do Nº 44 e da sua equipa para combater eficazmente e destruir efectivamente os cruéis homens de negro? O comentador da Fox News afirma que tudo o que Barack Obama faz é no sentido de minimizar o que está a acontecer e de impedir («hold us back») uma (mais forte) reacção dos EUA. O apresentador da NBC reconhece que não parece existir uma estratégia de segurança nacional na actual administração. E o (veterano, prestigiado, famoso, premiado, não conservador) jornalista do Washington Post, além de concordar que não existe uma autêntica estratégia para derrotar o ISIS e que a Casa Branca se limita a «microgerir»micromanages», isto é, vai reagindo no imediato, no dia a dia, ou nem isso), revela que há a agravante de os militares estarem perturbados por Susan Rice lhes dizer como devem lutar!  
Porém, e como que para «contrariar» o cepticismo que se verifica tanto à esquerda como à direita, afinal há – foi apresentada – uma estratégia de segurança nacional (com implicações na política externa e na defesa). Cujo título, e principal conceito, é (o de)… «paciência estratégica». Não, não é uma piada, uma mentira de 1º de Abril antecipada ou um engano, um erro… é mesmo assim. No documento é dado destaque, e prioridade, ao combate à «discriminação» das pessoas LGBT e às «alterações climáticas». Aliás, o «aquecimento global» - que, nunca é de mais lembrar, é uma ficção, uma fraude – é encarado por Barack Obama como uma ameaça mais grave e mais urgente do que o terrorismo islâmico (expressão que, de resto, ele continua a não utilizar), e isso foi confirmado pelo próprio numa entrevista recente concedida ao órgão-de-propaganda-disfarçado-de-sítio-noticioso-vanguardista que é o Vox. A preocupação com o ambiente demonstrada pelo Sr. Hussein só vai, no entanto, até um certo ponto… não é suficiente para o demover de ir jogar golfe a uma região da Califórnia afectada pela seca.
Mais do que isso, qualquer iniciativa que pretenda convencer a opinião pública de que esta administração se preocupa seriamente, constantemente, com a segurança fica desde logo comprometida com o espectáculo ridículo (dado, disse-se, para promoção do «ObamaCare») do Nº 44 a brincar num vídeo do Buzzfeed, fazendo caretas para um espelho, fingindo que está a jogar basquetebol e brandindo um «selfie stick» - tudo adequado ao narcisista empedernido de que já não restam dúvidas de que ele é. Entretanto, no Iémen, país que a actual administração não há muito tempo apontava como um sucesso das suas políticas de cooperação contra o extremismo, a embaixada dos EUA foi evacuada na sequência de um golpe de Estado.
Muitos já perderam a paciência para com um presidente cuja atitude é (tristemente) simbolizada por uma sua porta-voz que afirma que «todos deveríamos estar a gritar quão terrível» é a violação sistemática dos direitos humanos cometida pelos elementos do ISIS. Há os que não se resignam a serem vítimas e que, por isso, encontram um amigo, e um aliado, em George W. Bush. Que não hesita em, na medida das suas possibilidades, em procurar ajuda. Porque, indubitavelmente, «o mal é real».
(Adenda – A «paciência» que esta administração demonstra ter é mesmo muita, mas o seu valor estratégico não parece ser elevado. De facto, Barack Obama é «paciente» - e crente – ao ponto de tomar como certa a «garantia» de Ali Khamenei de que obter uma arma nuclear seria (é) contrário à fé islâmica. Por sua vez, Marie Harf, segunda porta-voz do Departamento de Estado, acredita mais em proporcionar empregos aos terroristas do que em simplesmente aniquilá-los; e, depois de criticada por esta «ingenuidade», defendeu-se citando George W. Bush… favoravelmente. Entretanto, Eric Holder, ainda à espera de ser substituído, continua a ter disposição para censurar a Fox News… mas não, aparentemente, para admitir que os EUA estão em guerra com o ISIS. Representantes deste não terão, tudo o indica, estado presentes na cimeira contra o «extremismo violento» que a Casa Branca organizou esta semana, mas figuras com ligações a outras organizações islâmicas radicais terão efectivamente participado. E ouviram Joe Biden, quase de certeza na sequência das alusões (negativas) do seu chefe às Cruzadas e à Inquisição, lamentou a existência de «milicianos e de supremacistas de direita» que practicam a violência «em nome da Bíblia». Enfim, são tantas as hesitações, os eufemismos e as contradições evidenciadas pelo Sr. Hussein e pelos seus camaradas que até na MSNBC há quem já tenha perdido a paciência.)
(Segunda adenda - «Estratégica» ou não, é muita a «paciência» que a actual administração tem… para com os terroristas. Ao ponto de, através do Pentágono, revelar os potenciais planos do ataque ao ISIS. De não ter convidado para a cimeira sobre «extremismo violento» nem o director do FBI nem muçulmanos «moderados». De continuar a considerar que norte-americanos… de direita constituem uma ameaça tão grande ou maior do que islâmicos fanáticos – o que está em consonância com a circunstância de Marie Harf ter escrito uma tese universitária que afirma que o apoio dos conservadores a Israel dificulta a política externa dos EUA. Pelo que não é de surpreender que o Departamento de Estado, agora liderado por John Kerry, peça ao público, através do Twitter, «soluções para enfrentar o extremismo violento»… que, obviamente, os «extremistas violentos» também podem ler.          

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Mais distorções portuguesas

O Obamatório foi criado, como já o referi e aliás está explicito no seu cabeçalho, para (tentar) contrabalançar, equilibrar, o desvio constante na (des)informação, em quase todos os órgãos de comunicação social em Portugal, sobre a política (e também a sociedade e a cultura) nos Estados Unidos da América, a favor do Partido Democrata e em desfavor do Partido Republicano. Não há que negar que não tem tido muito sucesso nesse âmbito, também porque já foi, ou é, activamente discriminado. Porém, não sou arrogante e pretensioso ao ponto de acreditar que só eu e que só este blog – ou qualquer pessoa e qualquer blog, isoladamente – fariam uma (grande) diferença…
… Tanto mais que a qualquer leitor, a qualquer consumidor de notícias e de opiniões, cabe igualmente a responsabilidade, o dever de questionar tudo o que lhe põem à frente como facto. E são tantos os disparates, tantas as distorções que continuam a escrever-se em português sobre a situação nos EUA, que as desculpas são cada vez menos e menores. Veja-se, por exemplo, um artigo de Mário Vieira de Carvalho, identificado como «professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa», e que afirma que «tão levianamente radical como o discurso de (Pedro) Passos (Coelho), nos dias de hoje, só mesmo o do Tea Party nos EUA. Este ainda não chegou à Casa Branca, mas já se instalou em S. Bento.» Aliás, o título do artigo é mesmo «O Tea Party em S. Bento». Quão mau é o estado do ensino superior em Portugal que alguém que acredita, e escreve, (n)uma tal parvoíce consegue chegar ao topo da carreira docente? No entanto, há quem faça, e seja, pior… e, obviamente, tinha de ser Mário Soares. Não é insólito – sabendo como ele se tem comportado nos últimos anos – que ele tenha escrito, e que acredite, que «Barack Obama, um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, exce(p)cional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes». O que é insólito é que, aparentemente, ninguém na fundação com o seu nome, nenhum assessor ou colaborador, e, enfim, ninguém no Diário de Notícias tenha dado a entender ao ex-presidente da república que aquele excerto era, e é, de uma enorme estupidez e de um ridículo atroz.
Como é evidente, há mais quem se dedique a criar uma versão alternativa, adequada à sua ideologia e aos seus delírios, dos EUA, e que, não sofrendo (ainda) da senilidade patética de outros, opte por mentir insidiosa mas descaradamente, talvez confiante de que ninguém saberá, ou se atreverá, (a) desmascará-lo. É o caso de Eduardo Pitta, que, incansável no seu activismo homossexual, no qual, aparentemente, vale tudo, escreveu que «a lei estava aprovada desde o ano passado, mas só hoje entrou em vigor na Flórida, tendo-se realizado já os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo», e que «na Carolina do Sul a lei também foi aprovada, mas ainda não entrou em vigor.» Eis a verdade: na Carolina do Sul não foi aprovada ainda qualquer lei, num sentido ou noutro, e na Flórida foi efectivamente aprovada uma… mas proibindo o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo; todavia, escandalosa e incompreensivelmente, e à semelhança do que tem acontecido em outros Estados, a decisão legítima tomada directamente pelos eleitores ou indirectamente pelos seus representantes foi, no «Sunshine State», revertida por um juiz. Que ninguém se iluda com a lista que o Pitta apresenta: 31 Estados já votaram contra a redefinição do casamento. Alguém minimamente conhecedor da realidade dos EUA alguma vez acreditaria que a maioria dos cidadãos, por exemplo, do Alaska, do Idaho, do Oklahoma e do Utah concordaria com uma tal mudança? Nem na Califórnia isso aconteceu! Pelo menos no Alabama há quem não esteja, e muito bem, disposto a curvar-se e a aceitar decisões judiciais não democráticas e mesmo ditatoriais.
Eduardo Pitta não permite comentários no Da Literatura, pelo que a sua manipulação propagandística não pode ser lá confrontada. Contudo, outros blogs há em que tal restrição não é colocada, e em que, quando tal se justifica, eu posso continuar a denunciar e a questionar as incorrecções que neles surgem. Foram os casos, neste último ano (e por ordem cronológica), de: Malomil (um, dois); Estado Sentido; Aventar (um, dois, três); Delito de Opinião (um, dois, três, quatro, cinco, seis); Prosimetron; Corta-Fitas. Incorrecções essas em temas que vão (ainda!) da Guerra do Iraque ao restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba, passando pelo controlo de armas e pela corrupção.
Tenho perfeita consciência de que o meu esforço é pouco menos do que inglório. Afinal, trata-se de contrariar (maus) hábitos há muito tempo instalados, em que os «bons» e os «maus» estão previamente determinados e continuam a ser os mesmos. Inclusive quando se fala, não do presente, mas do passado: regularmente, lá vem mais uma «notícia» de como Ronald Reagan – ou, no caso, Nancy Reagan – era «estúpido(a)» ou até «cruel», mas não se vêem nos órgãos de comunicação social portugueses (e, se eu estiver errado, façam o favor de me corrigir) referências às acusações de violação de que Bill Clinton foi, e é, alvo. «Descansem» todos, porém, porque essas referências, e outras igualmente «incómodas», continuarão a ser feitas aqui.   

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

«Obamadorismos» (Parte 5)

(Três adendas no final deste texto.)
O discurso do «Estado da União» proferido por Barack Obama perante os membros das duas câmaras do Congresso (Casa e Senado) no passado dia 20 de Janeiro (data que assinalou também o sexto aniversário da sua primeira tomada de posse) foi… aquilo que se esperava: mais uma demonstração de arrogância, facciosismo, imaturidade; mais um anúncio de medidas, de promessas, que sabe – e, se não sabe, deveria saber – que não pode cumprir, ou porque são irrealizáveis ou porque os republicanos – que ele parece ainda não ter compreendido que, desde Novembro último, estão em maioria no Capitólio e no país – não concordam com elas. Como o aumento de impostos, não para ajudar a classe média – que já está também bastante pressionada – mas sim para dar mais «borlas» à classe baixa (especialmente afro-americana) e aos imigrantes ilegais que ele quer legalizar. E ainda, claro, para financiar o seu projecto de «universidade grátis» que, obviamente, outros terão de pagar… em suma, foi mais um exercício de ignorar a realidade.
As… «imprecisões» - para não lhe chamar mentiras – no discurso do Sr. Hussein foram assinaladas não só na Fox News mas também na Associated Press. Ele, mais uma vez, apelou à civilidade, e, mais uma vez, a seguir provocou os republicanos. Ele elogiou o bi-partidarismo mas terá, talvez, batido um recorde em número de ameaças de veto de legislação que não lhe agradar e que lhe vá parar às mãos vinda do Congresso – Wolf Blitzer, da CNN, também reparou nisso. Ele, incrivelmente, hipocritamente, insurgiu-se contra o excesso de angariações de fundos, algo que tem feito intensivamente desde que é presidente… e, após o final do discurso, o Partido Democrata enviou mensagens em seu nome pedindo dinheiro. Até se citou a ele próprio! Da Fortune, Nina Easton disse que o discurso foi como que um «dejá vu», e que Barack Obama «não evoluiu». Ainda da Fox News, John Stossel fez, com humor, a sua interpretação, «tradução», «descodificação» do discurso… e talvez não se tenha enganado muito.
É assim tão surpreendente que a própria Ruth Bader Ginsburg, que sem dúvida tem simpatia pelo presidente e pelas suas posições, tenha acabado por adormecer durante o discurso? Até os liberais (pelo menos alguns) têm limites para tolerar a demagogia e a monotonia. Outros exemplos vêm da NBC, onde Andrea Mitchell admitiu que «não está perto da realidade» a projecção que o presidente faz do sucesso na luta contra o terrorismo em geral e contra o ISIS em particular, e a Richard Engel soou que «o presidente estava a delinear um Mundo que ele desejaria em que todos nós estivéssemos a viver, mas que é muito diferente» do Mundo real.
O mais grave é que essa ilusória mundividência é seguida na governação, e nos actos concretos que a constituem, tanto ao nível interno como ao nível externo. Neste, continua a ressaltar, e de uma forma cada vez mais escandalosa, a dualidade de critérios com que a administração trata o Irão (um inimigo) e Israel (um aliado). Os democratas têm o atrevimento de criticar como sendo uma «quebra de protocolo», ou pior, que John Boehner tenha convidado Benjamin Netanyahu a discursar perante o Congresso (no dia 3 de Março) sem informar previamente a Casa Branca… «esquecendo-se», talvez, de todas as regras de decoro que Barack Obama já desrespeitou no relacionamento com os representantes e os senadores, em especial quando procedeu a acções executivas na imigração. Ao mesmo tempo, no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia insiste-se numa política de «paninhos quentes» com Teerão, que o democrata Bob Menendez, que já se havia distinguido na crítica ao Sr. Hussein por causa da abertura a Cuba, veio também vituperar uma e outra vez; também não ajuda que existam suspeitas de que tenha sido a administração norte-americana a revelar um relatório secreto da Mossad sobre, precisamente, as negociações com os iranianos.
Entretanto, Tulsi Gabbard, representante democrata do… Havai, é mais uma voz a criticar a renitência do Nº 44 e da sua equipa em utilizar a expressão «extremismo (ou terrorismo) islâmico». Extremismo esse que também é practicado, em outros moldes, na Arábia Saudita, onde faleceu recentemente o seu rei, Abdullah. Barack Obama, que, recorde-se, já lhe fizera uma vénia (proibida, esta sim, pelo protocolo diplomático norte-americano), achou que se justificava deslocar-se àquele país para prestar homenagem ao monarca saudita, que, segundo Richard Engel, desprezava o actual presidente norte-americano – se não por este se ter curvado (e sujeitado) perante ele, de certeza por causa das atitudes dos EUA na «Primavera Árabe», no derrube de Hosni Mubarak e na «reabilitação» internacional do Irão. Tal alteração nos planos não achou o Sr. Hussein que se justificava noutras ocasiões (como a da morte de Margaret Thatcher ou, mais recentemente, a da marcha em Paris contra o terrorismo), mas desta vez sim… pelo que ele terminou mais cedo a visita oficial à Índia – onde muitos se ofenderam por ele mascar pastilha elástica em público – e rumou a Riad onde se recusou a dar uma resposta concreta sobre (e muito menos a condenar) o caso do blogger Raif Badawi, condenado a receber 1000 chicotadas por, supostamente, ter ofendido o Islão. Enquanto isso, em Washington, no Departamento de Defesa acharam que seria uma boa ideia instituir um prémio de ensaio literário em honra de Abdullah, em cujo reinado as execuções por decapitação aumentaram para o quádruplo, e continuam com o seu sucessor. Porém, é verdade que no Irão, cujos dirigentes merecem o benefício da dúvida por parte de Obama, o ritmo de matança é ainda maior.
Ao nível interno, sucedem-se os relatos de (mais) problemas e mesmo de (mais) ilegalidades relacionados com o «ObamaCare»… que só é um «grande sucesso» de Barack Obama ou para os fãs mais irrazoáveis ou para os ignorantes mais impressionáveis. Um relatório do Gabinete de Orçamento do Congresso concluiu que o denominado «Affordable Care Act» está mais próximo de ser (o que não é uma surpresa)… unaffordable, pois custa(rá) a cada norte-americano, e em média, cerca de 50 mil dólares… e cerca de 30 milhões continuarão sem ter seguro de saúde. Os seus (ir)responsáveis continuam a divulgar números errados (ou falsificados) de subscrições, e, pior, continuam a recorrer aos serviços da mesma empresa que concebeu e implementou, desastrosamente, o sítio healthcare.gov. Para cúmulo, o (ainda deficiente) sistema tem transmitido informação médica confidencial de milhares – ou milhões – de pessoas a empresas para fins publicitários, obviamente sem o conhecimento nem o consentimento daquelas.
Pode-se e deve-se perguntar como é que tantos «amadorismos», de Barack Obama e dos seus comparsas, se repetem e se multiplicam. A resposta está em que eles são constantemente apoiados, nas suas disputas eleitorais, por doadores que estão em maioria (superam os dos republicanos) na lista dos 100 maiores. Há quem tenha uma noção diferente de «competência», e actue (com a carteira) de acordo com isso.
(Adenda – O problema com os «Obamadorismos» é que nunca cessam de acontecer e afectam practicamente todas as áreas da vida política e pública dos EUA. Internamente, e como era previsível, é só aparente a preocupação com a classe média por parte da administração; e esta discrimina os Estados consoante sejam «encarnados» ou «azuis» (com estes, obviamente, a serem beneficiados). Externamente, os talibãs, que continuam a matar às dezenas e às centenas de cada vez, em competição com os seus «camaradas» do Boko Haram e do ISIS, só têm a agradecer à Casa Branca: esta não os considera um «grupo terrorista» mas sim uma «insurgência armada», e um dos cinco que foram trocados por Bowe Bergdahl terá voltado ao «activo». Como salienta Charles Krauthammer, a situação já está para além da paródia.)    
(Segunda adenda – Se há aspecto em que Barack Obama e os seus subordinados se revelam profissionais – ou menos amadores – é na manutenção e na expansão do culto da personalidade devotado ao Nº 44. Culto que é, obviamente, sustentado em primeiro lugar pelo egotismo e pelo narcisismo do Sr. Hussein: aquando da sua recente visita à Índia proferiu um discurso em que se referiu a si próprio mais de 100 vezes em pouco mais de meia hora! E, apesar de tanto gostar de ficar bem em (boas) fotografias, é de lamentar que nem isso tenha sido um incentivo suficiente para ir a Auschwitz celebrar os 70 anos da libertação daquele campo de concentração. Não se associou à condenação dos nazis… e continua a desvalorizar a ameaça daqueles que são autênticos neonazis. Ele considera que se deve parar de «”sobre-inflacionar” a importância dos grupos terroristas» porque eles não são uma «ameaça existencial» para os EUA – na verdade, muitas pessoas deixaram de… existir a 11 de Setembro de 2001, e depois disso, devido às acções de uns quantos que, ainda segundo ele, têm uma «interpretação medieval» do Islão que é rejeitada por «99,9% dos muçulmanos». Porém, é um facto que tal percentagem é bastante inferior. Enfim, é prejudicial, e perigoso, quando alguém se acha, erradamente, o «tipo mais esperto na sala», mania que, na opinião de Robert Gates, nenhum dos melhores presidentes tinha. E ele sabe do que (de quem) fala. BHO é um amador que ainda vai causar muita… dor.)      
(Terceira adenda – Segundo o director do FBI existem pessoas suspeitas de terem ligações ao ISIS em 49 Estados; a excepção é o Alaska – talvez com medo de Sarah Palin e da sua família, e das armas (e da pontaria) que eles têm. James Comey contradiz, assim, Barack Obama, que assegurou que o ISIS não representa(va) uma «ameaça existencial» para o país (irá perguntar a Comey qual é a situação nos restantes «sete» Estados?) Afinal representa, e não só para os EUA: os torturadores e assassinos da bandeira negra terão alegadamente «representantes» em outros 12 países. Entretanto, o Sr. Hussein, depois de invocar os supostos crimes cometidos em nome de Cristo, incluindo referência às Cruzadas, reuniu-se na Casa Branca, à porta fechada, com líderes americano-muçulmanos, que se queixaram dos «preconceitos» e da «perseguição» de que são vítimas. Decididamente, a distância entre amadorismo (ou seja, incompetência) e traição já foi maior.)     

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ano Sete

Hoje assinala(m)-se o(s) início(s) do(s) sétimo ano da presidência de Barack Obama (e do sétimo ano da existência do Obamatório). 2015 começou, pode dizer-se, practicamente da mesma maneira que 2014 terminou, ou seja: com uma demonstração de fraqueza e de incompetência por parte da actual administração que prejudica os superiores interesses dos Estados Unidos da América.
Antes foi o restabelecimento oficial de contactos, negociações e até de relações diplomáticas com Cuba, criticado por políticos com ligações àquela ilha, da esquerda (Bob Menendez) à direita (Marco Rubio e Ted Cruz). Agora, foi a ausência do Sr. Hussein, de Joe Biden ou de outro alto dignatário norte-americano na marcha contra o terrorismo em Paris a 11 de Janeiro, criticada com ainda mais unanimidade e veemência através de todo o espectro político, e até na comunicação social. O que é mais preocupante nem terão sido os motivos (ou a inexistência deles, pelo menos de válidos e relevantes) apontados para o Air Force One não ter atravessado o Atlântico – que foram desde a preferência por ficar em casa (branca) a ver jogos de futebol (americano) na televisão a não querer ser apenas mais um entre os quase 50 chefes de Estado e de governo de todo o Mundo que desfilaram nas ruas da capital francesa; sim, estava lá Eric Holder, mas o (ainda) procurador-geral seria um mau representante não tanto por estar demissionário mas sim por ter um «currículo» - ou «cadastro» - de defensor de terroristas (e de ter enchido o Departamento de Justiça com mais defensores de terroristas) e de perseguidor de jornalistas.
O que é, sim, mais preocupante é a continuada, reiterada renitência da administração e dos seus porta-vozes em classificar actos como os que ocorreram a 7 de Janeiro em Paris – ou, para só mencionar os anteriores em cidades ocidentais, o de Dezembro em Sidney (Austrália) e o de Outubro em Otava (Canadá) – como de «terrorismo (ou extremismo) islâmico». A parte do «islâmico» fica invariavelmente de fora. Algo que, em contraste, François Hollande e Manuel Valls, respectivamente presidente e primeiro-ministro de França, e socialistas, não fazem, não hesitando em chamar os «bois pelos (verdadeiros) nomes»! E, entretanto, Obama vai libertando mais prisioneiros de Guantánamo…    
Ao contrário do que dizem e escrevem – e, aparentemente, acreditam – os admiradores e adoradores de Barack Obama, a imagem dos EUA no Mundo não melhorou com a chegada dele à presidência, e «esta falta de comparência» em Paris é tão só o mais recente (de uma longa lista) de «contributos» para a degradação dessa imagem. E, obviamente, não é só no plano externo que o falhanço do Nº 44 é evidente. Não, o «ObamaCare» não foi, não é, o seu «maior feito»… no sentido positivo; o ACA nunca deixou de ser – todas as sondagens o demonstraram, e continuam a demonstrar – impopular, negativo, para a maioria da população, e a victória do Partido Republicano nas midterms de Novembro último constituiu a conformação, a ratificação, dessa opinião. Do mesmo modo, a legalização de imigrantes ilegais tem a oposição da maioria dos norte-americanos, e é outra questão que serviu para o GOP conquistar o Senado (e manter a Casa, onde reforçou o seu domínio) no ano passado. E, claro, não se tem verificado uma autêntica recuperação económica.
Após seis anos de propaganda esta surge cada vez menos eficaz, e não resiste aos factos… e aos argumentos baseados em factos. Dana Milbank (que não é propriamente um extremista de direita) alude à «enervante conversa alegre» de Barack Obama. Michael Goodwin acredita que «o navio de Obama está a afundar» e que, entretanto, ele «aponta sempre o dedo da culpa a outra pessoa». Andrew Napolitano denuncia as «arrepiantes tentativas» da Casa Branca de «silenciar os seus detractores», e pergunta: «é o presidente incompetente ou fora-da-lei?» Outro Andrew, o Klavan, põe uma pergunta… «ligeiramente» diferente: «é Obama apenas um pacóvio infeliz?» Se sim, tal talvez aconteça por ele ou «não querer saber» ou por ser «distraído». E, com efeito, segundo Ben Shapiro, Obama parece «nunca ter um plano», regularmente queixa-se da sua vida enquanto presidente e a sua «doutrina» é a de «parecer que se importa até não ser preciso». Ou, como refere Keith Naughton, a «política» do Sr. Hussein – para a imigração, pelo menos – é «identificar o problema e nada fazer». Já para Cal Thomas, a única «carta» que aparentemente está no «baralho» do Nº 44 é a da raça, do racismo. Isto internamente, porque, externamente, a tendência é, segundo (o democrata) Douglas E. Schoen, o abandono de aliados, o que «não é uma estratégia mas sim um desastre». Pelo que se pode perguntar, como o fez Neil Cavuto: é Obama «leal e racional»? Não, e também porque, ao contrário do seu antecessor (e democrata) Harry Truman, e como salienta Josh Kraushaar, BHO não assume inequivocamente as suas responsabilidades
… A primeira das quais é certificar-se de que se faz tudo o que for possível para garantir a segurança da nação. Porém, estará essa tarefa a ser cumprida quando os EUA estão a diminuir o seu arsenal nuclear ao mesmo tempo que a China aumenta o dela? Quando a actual administração promove o Islão? Bob Woodward concorda: o Mundo está menos seguro do que há um ano.     

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A mais estúpida de 2014

Informo desde já que Katrina vanden Heuvel não repetiu em 2014 o seu «triunfo» de 2013 relativo à autoria da afirmação (declaração, expressão, frase) mais estúpida, mais ofensiva, mais ridícula do ano (passado) nos Estados Unidos da América… 
… E a escolha da «grande» vencedora não foi facilitada – muito pelo contrário – pelo facto de 2014 ter sido um ano de eleições e, ainda por cima, um ano em que aumentaram e se agravaram os casos, os escândalos e as incompetências relacionadas com Barack Obama e a sua administração, tudo factores que propiciar(i)am o multiplicar de «bocas» - ditas ou escritas – bombásticas, controversas e imbecis… todas elas, evidentemente, proferidas por democratas.  E que, feita a recolha das maiores ou «melhores» (neste caso, as piores), podem ser agrupadas em diferentes – mas sempre risíveis – categorias, por exemplo e mais especificamente…
… A de «republicanos e conservadores são tão maus ou piores do que…», com destaques para: «Eles (Tea Party) não acreditam que a União ganhou (a guerra civil)», Charles Rangel; «O ódio nunca, nunca desaparece… o fanatismo daqueles que querem limitar o direito (aplicar leis de identificação) de voto não pode ser abafado pela razão», Joe Biden; «A civilização como a conhecemos hoje estará em perigo se os republicanos ganharem o Senado», Nancy Pelosi; «As acções dos republicanos no Congresso são piores do que as do Estado Islâmico», Jesse Smith; «Isto é o melhor que o GOP tem para oferecer… intimidação, ameaças e escândalos», Debbie Wasserman Schultz. Aliás, a (ainda) líder do Comité Nacional Democrata e, recorde-se, «a mais estúpida de 2011», quase, quase teve direito a uma categoria (ou falta dela) só para si, tais são os dislates que continua a proferir regularmente: no ano passado distinguiu-se desfavoravelmente também por concordar que «é verdade» que os republicanos metem mais medo do que o ébola, e que «é insensível e é errado» aprovar leis que criminalizam a utilização de pílulas abortivas sem o conhecimento e o consentimento da mulher que está grávida.    
Sim, todas estas frases, (in)dignas representantes, e até expoentes, do pior que a «progressista» esquerda norte-americana tem para oferecer, são, eram, fortes candidatas ao triunfo. Porém, nenhuma delas o conseguiu: a vencedora veio da (habitualmente) mais caricata das categorias… a «em vez da realidade prefiro a fantasia». Terá sido Jim Moran com «os membros do Congresso são mal pagos»? Não. Terá sido David Ignatius com «(Barack Obama) tem sido talvez o presidente menos político da história moderna dos Estados Unidos»? Também não. Terá sido Chuck Schumer com «o público sabe no seu íntimo que um governo forte e activo é a única maneira de reverter o declínio da classe média e ajudar a reviver o Sonho Americano»? Esteve quase… mas não. A frase mais estúpida de 2014 é…
«O Sr. Obama está tendo um ano seriamente bom… de facto, há uma hipótese muito boa de que 2014 ficará nos livros de registos como um daqueles anos em que a América virou decididamente na direcção certa»… e é de Paul Krugman! Aqui a estupidez é espantosa a dois níveis: primeiro, porque quando foi escrita (em Junho) já começavam a acumular-se os desaires internos e externos do Nº 44; segundo, porque dar um palpite destes a meio do ano e quando ainda faltava realizarem-se (importantes e decisivas) eleições intercalares é um daqueles actos à partida irresponsáveis e ultimamente falhados que dão razão a John Kenneth Galbraith, que afirmou que as previsões económicas (ou de economistas) contribuem para a credibilidade das previsões astrológicas. Enfim, é mais uma prova – como se ela fosse necessária – de que o colunista do New York Times é um dos mais (ou talvez o mais) sobrestimados dos «pensadores» liberais contemporâneos; é um insulto associar a designação «Nobel» a esta falácia intelectual ambulante… que em Portugal conta, pelo menos, com um fã particularmente dedicado