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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Diplomacia macia (Parte 3)

(Três adendas no final deste texto.)
Não é que todo o Mundo esteja actualmente a «ferro e fogo», mas a verdade é que são várias as situações graves de crise e de conflito em outros tantos pontos do globo: na Venezuela o «jovem» regime comunista e ditatorial (redundância) de Nicolás Maduro apodrece, o que não impede uma repressão – desvalorizada, entre outros, por Oliver Stone – cada vez mais violenta de uma população carente e indefesa; na Nigéria os terroristas muçulmanos do Boko Haram matam dezenas de jovens em escolas cristãs; na Síria continua uma guerra civil entre maus (Assad e assalariados) e piores (Al Qaeda e aliados); na Ucrânia morreram mais de 100 pessoas numa quase guerra civil entre apoiantes da União Europeia e da Rússia; no Irão continuam a construir armas nucleares mas já sem as restrições de boicote económico e de sanções políticas; na Coreia do Norte o «velho» regime comunista e ditatorial (redundância) de Kim-Jong-Un já apodreceu mas ainda consegue massacrar os seus habitantes e ameaçar as nações vizinhas… com as armas nucleares que efectivamente construiu.
Enquanto tudo isto acontece, o que faz e diz John Kerry, secretário de Estado (isto é, ministro dos Negócios Estrangeiros) dos EUA? Em digressão pela Ásia, afirmou que as «alterações climáticas» - uma forma (um pouco) menos ridícula de se dizer «aquecimento global» - são o pior problema que o planeta enfrenta, mais, constituem até a maior «arma de destruição maciça» da actualidade! Isto num Inverno em que novos recordes de frio e de queda de neve foram batidos no Hemisfério Norte! Como se não fosse suficientemente patético tornar uma fraude científica parte de uma doutrina política nacional oficial, vai-se ao cúmulo de a «elevar» ao estatuto de suprema emergência e prioridade internacional! Evidentemente, o candidato derrotado (por George W. Bush) na eleição presidencial de 2004 limita-se apenas a seguir a orientação do «chefe», que declarou no seu mais recente discurso do Estado da União que «as alterações climáticas (antropogénicas) são um facto»…
… E que reiterou a falsidade, convenientemente, numa visita recente à Califórnia… única região do país onde há uma seca – que, aliás, é mais atribuível a (más) políticas ambientais do que a fenómenos atmosféricos. Melhor seria que Barack Obama se limitasse a repetir os estafados disparates ecologistas… mas não: revelando que não aprendeu com a estupidez de ter traçado uma «linha (vermelha)» na situação da Síria, voltou a fazer o mesmo, agora em relação à Ucrânia! Disse que «haverá consequências se as pessoas pisarem a linha» em Kiev. Jake Tapper, e não só, interrogou(-se) sobre quais seriam essas consequências. As mesmas que… não existiram para Damasco? A não ser que ele se estivesse a referir às linhas de trânsito nas estradas e nas ruas…
Perante tantas, tão graves e sucessivas demonstrações de inacreditável e hilariante incompetência, é de surpreender que a maioria (53%) dos norte-americanos acreditem, segundo uma sondagem da Gallup, que o seu presidente não é respeitado pelos outros líderes mundiais? É o resultado de uma contínua diplomacia macia… ou, por outras palavras, de uma «fraqueza provocadora» dos EUA… porque como que «provoca», «convida» todo o tipo de rufias internacionais a fazerem o que muito bem lhes aprouver. E com umas forças armadas reduzidas à dimensão que tinham antes da Segunda Guerra Mundial, que é o que acontecerá se for concretizada a proposta de orçamento do Pentágono para 2015 apresentada esta semana por Chuck Hagel, que medo e respeito poderá o país ainda inspirar aos seus inimigos? O secretário da Defesa nem sequer conseguiu que o seu homólogo ucraniano lhe atendesse os telefonemas que fez!
Diversos comentadores, como os conservadores Charles Krauthammer, George Will, Noah Rothman e Roger L. Simon, e os liberais Hank Heinkopf e Juan Williams, criticam asperamente a política externa e de defesa obamista, em especial o seu relacionamento com a Rússia, que alguns insistem em considerar um sucesso… e não o fracasso que de facto é. Agora não restam dúvidas de que, também nisto, Mitt Romney tinha razão. Esta administração, e nomeadamente o «esforçado» John Kerry, recebe, vá lá, o elogio de David Axelrod, mas a sua opinião não pode ser considerada insuspeita… Porém, as palavras mais desencantadas e eloquentes sobre uns EUA cada vez mais «encolhidos» na cena mundial vêm de Garry Kasparov. O famoso campeão de xadrez e opositor de Vladimir Putin, após relacionar, uma e outra vez, o que acontece(u) na Ucrânia com as… insuficiências da actual administração norte-americana, chegou à (inevitável?) conclusão: «ainda seria hoje um cidadão soviético se Barack Obama tivesse sido presidente em vez de Reagan.»
Felizmente para o Mundo, nessa época o Sr. Hussein era apenas um adolescente que queria principalmente drogar-se – se não com cocaína e charros, pelo menos com cigarros – e divertir-se. No entanto, e vendo bem, é isso que actualmente (continua a) acontece(r)… mas mais com golfe e festas. Distracções e descansos indispensáveis para quem, antes e depois, tanto se «cansa» clamando pelo aumento do salário mínimo e contra a desigualdade de rendimento.
(Adenda – Demonstrando não ter qualquer receio nem respeito pela «comunidade internacional», e em especial pelos EUA, a Rússia decidiu invadir a Ucrânia… algo que Sarah Palin previu há seis anos, baseando-se na já então evidente pusilanimidade do senador e candidato Barack Obama. E o que faz este agora quanto ao assunto, além de proferir uma declaração algo frouxa e pouco convincente mas em que, vá lá, fala de «custos» em vez de «linhas»? Obedece às ordens da esposa e, com Joe Biden, faz exercício - «devidamente» vestido – na Casa Branca; depois, vai «festejar» com os seus camaradas de partido; talvez de «ressaca», no dia seguinte falta a um encontro com os seus conselheiros em segurança nacional... mas, enfim, era num sábado! Pelo seu lado, John Kerry não quer ficar atrás no ridículo: antes, afirma que a Rússia está «pronta para ajudar a economia da Ucrânia»; depois, declara que Moscovo comete «um incrível acto de agressão»… que não é, contudo, de «alguém que seja forte»!)
(Segunda adenda – O Washington Post, em editorial não assinado (o mesmo é dizer, uma opinião oficial de todo o jornal), afirmou que a política externa de Barack Obama é «baseada em fantasia». Só agora é que descobriram isso?! Entretanto, há aqueles que continuam a recusar-se a aceitar a verdade e que preferem, ainda, culpar George W. Bush, como David Gregory e Rachel Maddow. Será que alguma vez se irão cansar de repetir a mesma patranha?) 
(Terceira adenda – Peter Baker, do New York Times, não pensa que Vladimir Putin tenha «muito respeito pelo Presidente Obama». A sério?! Terá isso a ver com a promessa de «maior flexibilidade» que o Nº 44 fez a Dmitri Medvedev? No que se refere à Ucrânia o objectivo do Sr. Hussein parece ser, agora, segundo Neil Munro, apenas o de «desescalar» este conflito internacional… para, é de supor, voltar a concentrar-se no que é mais importante para ele: escalar o conflito nacional com os republicanos.  Porém, a incompetência de BHO na política externa e de defesa não é surpreendente e se antecedente: como demonstra Ann Coulter, outros presidentes democratas falharam em momentos cruciais do passado.)   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Blá-blá-blá de Blasio

(Duas adendas no final deste texto.)
A 5 de Novembro de 2013 os cidadãos de Nova Iorque não elegeram apenas o primeiro mayor (presidente de câmara) militante do Partido Democrata dos últimos 20 anos, e por 73% dos votos! Também confirmaram que uma parte considerável do eleitorado norte-americano continua perigosamente afectado pela ignorância, pela irresponsabilidade e pela superficialidade – expressa igualmente numa abstenção também próxima de 75% naquela cidade. Tal como aconteceu com as victórias (de 2008 e de 2012) de Barack Obama, a de Bill de Blasio (cujo nome verdadeiro é Warren Wilhelm) representa o triunfo do estilo sobre a substância, da cor da pele sobre o conteúdo do carácter - isto é, a negação da «doutrina King». O presidente do país ganhou (duas vezes) principalmente porque é negro; o novo mayor de NY ganhou principalmente não porque é branco mas sim porque tem uma família bi-racial – é casado com uma negra e tem dois filhos mestiços…   
… E é melhor que seja essa a explicação, porque a alternativa é bem pior: os nova-iorquinos decidiram que queriam um comunista a dirigi-los. Porque é isso que Bill de Blasio é: um comunista. Não apenas por ter estado na Nicarágua a apoiar os sandinistas e em Cuba a gozar a lua-de-mel (depois trabalhou para Bill e Hillary Clinton). Também porque, já distante de eventuais e efémeros «devaneios de juventude», no seu discurso político actual, imediatamente antes e depois de ter sido eleito, ecoam pensamentos marxistas…. E, não, não estou a referir-me aos irmãos Chico, Groucho e Harpo mas sim ao «primo» Karl. O novo mayor já afirmou, mais do que uma vez, que o seu principal objectivo será o de acabar com as «desigualdades económicas e sociais» que «ameaçam» (?!) Nova Iorque, e que para isso vai seguir uma «nova direcção progressista».  
A cerimónia da sua tomada de posse, realizada no início de Janeiro, foi um espectáculo deplorável, mais típico de outra época… ou de outro país. Para se aferir o quanto foi mau basta dizer que até o New York Times a criticou! Não faltou um fossilizado Harry Belafonte a protagonizar mais um gerontocrático embaraço e a acrescentar a «racial» à lista das supostas «desigualdades»; outro convidado, o «reverendo» Fred Lucas Jr., (des)classificou a cidade como sendo uma «plantação»; e, talvez como acto simbólico inicial a marcar a futura política de «redistribuição de riqueza», a Bíblia de Franklin Delano Roosevelt sobre a qual Bill de Blasio fez o juramento desapareceu durante algumas horas… Enfim, foi uma demonstração de deselegância e de má educação – em especial para com o antecessor Michael Bloomberg, mas não só; ou, como Jake Tapper comentou, foi uma inauguração marcada pelo «partidarismo (ou facciosismo) amargo e por um tom de exclusão». Que seria confirmado – e agravado – um mês depois no «discurso do Estado da Cidade» em que BdB elencou os componentes fundamentais da sua utopia, que inclui o aumento generalizado dos salários dos funcionários públicos e a concessão de documentação a todos os imigrantes ilegais; a abertura de (mais) clínicas de aborto e o fecho de centros de (apoio à) gravidez; e ainda a contribuição «desinteressada» de ex-presidiários na definição das políticas de segurança de Nova Iorque.   
Na verdade, o que é que poderá correr mal? Sinceramente, haverá mesmo motivo para alarme? Afinal, qual é o «problema» de a metrópole mundial por excelência do capitalismo e da alta finança ter como principal autarca alguém que admite não ser a favor do mercado livre e acredita na «mão pesada do governo»? Que já avisou que vai – ou que quer – aumentar (muito) os impostos aos ricos para financiar vários (novos) programas sociais, em particular programas de educação pré-escolar? Que concordou, e reforçou, as (execráveis) declarações de Andrew Cuomo de que conservadores, portadores de armas, pró-vida e pelo casamento tradicional não têm lugar no Estado (e na cidade) de Nova Iorque? E que, ao contrário do governador estadual, não se arrependeu nem lamentou essas declarações, chegando a confessar – ao menos não é hipócrita -  que «não se deve entrar em maluqueiras com esta ideia de diversidade»… isto a propósito da hipótese (muito remota…) de a sua administração contratar republicanos…
Em «contrapartida», as pessoas que efectivamente integram o seu círculo mais próximo de amigos, aliados, assessores e amanuenses denotam uma elevada «diversidade»… nos tons de vermelho. Por exemplo, há Laurie Cumbo, que explica a ocorrência do denominado «knockout game» como o resultado de uma «preocupação genuína» com a influência judaica; Melissa Mark-Viverito, que foi presa em 2011 quando, ao participar no «Occupy Wall Street», resolveu ajudar a bloquear o trânsito na Ponte de Brooklyn – antes, em 2009, foi à Bolívia trabalhar na campanha eleitoral de Evo Morales; Inez Barron e Margaret Chin, admiradoras de Fidel Castro, Robert Mugabe, Muammar Khaddafi e Mao-Tse-Tung.  Uma galeria de «ídolos do proletariado» à qual quase só falta Che Guevara, cujo (icónico) rosto adorna a camisa que Bill de Blasio afirma usar só aos fins-de-semana…      
Rudy Giuliani, ante a perspectiva de ser destroçado todo o seu legado, está, compreensivelmente, (muito) preocupado. Peggy Noonan acusa BdB de ser um divisor, e não um unificador. Ann Coulter vai avisando que os índices de criminalidade vão aumentar drasticamente. Mas Christopher Bedford acredita que ainda vai levar algum tempo até de Blasio conseguir destruir a cidade, e George Will calcula que dentro de três anos os nova-iorquinos se vão arrepender e exigir o regresso à era pré-de Blasio. Talvez não seja preciso tanto tempo… Na verdade, vários dos seus camaradas democratas não parecem ser grandes entusiastas dos extremismos demográficos, fiscais e pedagógicos do mayor, de entre os quais se destaca… Andrew Cuomo, provavelmente perturbado por estar a perder o protagonismo entre os «progressistas» da «Grande Maçã». E há mais… BdB já anunciou que não irá integrar (a 17 de Março próximo) a tradicional marcha anual em honra de São Patrício por os organizadores daquela não permitirem a participação de grupos LGBT – nunca é boa ideia irritar os irlandeses e/ou descendentes de irlandeses em Nova Iorque. Reiterou repetidamente, antes e depois de ser eleito, a vontade de acabar com os (populares) serviços turísticos de passeios por carruagens com cavalos, alegando que se trata de maus-tratos a animais – mas há quem aponte para outro motivo, o interesse de Steve Nislick, promotor imobiliário e apoiante de Blasio, nos estábulos… para os transformar em lucrativos prédios de apartamentos. E a recente «resposta», ou falta dela, das autoridades municipais às sucessivas e intensas ondas de frio e quedas de neve, que incluiu uma deficiente e desigual limpeza nos diferentes bairros da cidade e a decisão de manter as escolas abertas, originou várias e veementes críticas.
O blá-blá-blá de Bill de Blasio é preocupante por poder configurar uma «cultura de intimidação» (típica, aliás, dos democratas), por prenunciar uma passagem das palavras (ameaçadoras) aos actos (prejudiciais). Seria de esperar que os nova-iorquinos (e não só) já tivessem aprendido a lição – sobre o que acontece quando certas pessoas têm acesso ao poder. Porém, e aparentemente, a memória é curta junto à foz do rio Hudson.
(Adenda – Alguém poderá ficar verdadeiramente surpreendido por Bill de Blasio ser mais um hipócrita adepto do «faz o que digo mas não o que faço»? Esta semana, depois de participar numa iniciativa sobre segurança rodoviária, foi «apanhado» em excesso de velocidade e a passar sinais vermelhos. O seu mandato tem tido um início «hilariante e horrífico» e provavelmente vai continuar assim. Entretanto, em Portugal há quem pareça estar iludido pela excessiva «hospitalidade» do novo mayor.)
(Segunda adenda – Entretanto, e como que em «compensação» pela – extrema – viragem à esquerda em Nova Iorque, no outro extremo dos EUA, na Califórnia, São Diego tem um novo, e republicano, mayor: Kevin Faulconer.)        

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

«PALINfrasia»* (Parte 4)

(Uma adenda no final deste texto.)
Sarah Palin celebra hoje o seu 50º aniversário, mas não é de esperar que a maioria dos órgãos de comunicação social dos EUA assinale a data da mesma maneira elogiosa, e até entusiástica, como assinalou os 50 anos de Michelle Obama, a 17 de Janeiro último…
… Apesar de a ex-governadora do Alaska ter um percurso pessoal, profissional e político em nada inferior ao da actual primeira-dama, muito pelo contrário. Porém, sabendo-se o que tem acontecido nos últimos seis anos, desde que Sarah Palin se tornou nacional e internacionalmente conhecida após ser escolhida em 2008 por John McCain como candidata à vice-presidência dos Estados Unidos da América pelo Partido Republicano, já será muito bom se ela passar esta data sem mais um ataque, insulto, ofensa, por parte dos seus adversários, e inimigos, ideológicos. O que não será fácil: a doença que eu designei de «PALINfrasia» continua sem ser debelada. Os democratas, liberais e «progressistas» declararam-lhe desde o início uma «guerra às mulheres personalizada» para a qual não há fim à vista; a sua mera existência é uma ameaça para eles, e exemplos mais ou menos recentes desse ódio não faltam. Dan Savage, «candidato» ao título de «”homem” mais nojento da América», expressou o desejo de que Palin se «engasgasse» com bolos de Natal e que morresse. Martin Bashir, já se sabe, «apenas» sugeriu que alguém defecasse na boca dela. Bill Maher, não satisfeito com denegrir a mãe, atreve-se a troçar do filho deficiente. Snoop Dogg (agora Lion) e amigos, fantasiam sexualmente com Sarah – aliás, qualquer homem inclinado à esquerda que diga mal dela muito provavelmente padece do «mal» conhecido como «quem desdenha quer comprar». Também de mulheres supostamente «liberadas» ela vai recebendo remoques… para uma republicana não há «solidariedade feminista». Tina Fey, que, aparentemente, pouco mais consegue fazer do que imitá-la (mal). Halle Berry, prima (distante) da ex-governadora e para quem essa relação de parentesco é «a pior coisa que se pode imaginar»!   
A paranóia, a perseguição e a «poluição» (mental) são de tal ordem que de Sarah Palin até fazem uma vilã de banda desenhada! Assim, por causa destas e de todas as outras atoardas que têm lançado sobre ela, não é de admirar que muitas mentes que não primam pela inteligência e pela tolerância acreditem em qualquer aldrabice que, a brincar ou não, se inventa sobre ela. Como, por exemplo, que: ela ia ser colaboradora da Al Jazeera… (no Washington Post «engoliram» esta); … e professora na Universidade de Harvard; Margaret Thatcher recusou recebê-la (no WP também «engoliram» esta); ela disse que o Dia de Acção de Graças não é um feriado para índios. Esta intrujice, em especial, originou tantas imprecações e tão desvairadas que ficamos sem saber se será mais adequado rir ou chorar… a rir.
No entanto, nem todos na «sinistra» são irremediavelmente, ou constantemente, estúpidos, como aqueles que ainda acreditam, em 2014, no «eu posso ver a Rússia da minha casa». Pelo menos uma vez Marc Lamont Hill, Noah Chomsky (!) e Ted Rall elogiaram e/ou concordaram com Sarah. Outros, muitos, continuam a não se aperceber da sua própria incoerência: se ela é «irrelevante» e «irresponsável» como dizem, então porque é que… continuam a falar dela? Numa sondagem divulgada no final de Janeiro, Palin é, continua a ser, a pessoa, a/o político(a) preferida dos republicanos que votam em eleições primárias. Provavelmente, entre muitos outros factores, porque teve razão antes do tempo ao avisar quanto aos perigos decorrentes do «ObamaCare», em especial a existência de «painéis da morte» e a interferência nas prerrogativas inerentes à Segunda Emenda.
O Alaska deve-lhe muito: Sarah Palin atrai turistas – e, logo, riqueza – para o Estado mais a Norte dos EUA. A família festeja mas também sofre por, e com, ela: só o pai já foi «visitado» pelo IRS seis vezes desde 2008, o que é sem dúvida uma «coincidência». E há os amigos, os colegas de partido, os «camaradas de armas» - literalmente e figurativamente – que lhe dão os parabéns e lhe desejam… feliz aniversário!
(* Palinfrasia – s. f. MEDICINA perturbação da elocução caracterizada pela repetição da última sílaba das palavras e, às vezes, de todas as sílabas de cada palavra (principalmente no atraso mental e na demência precoce) (Do gr. pálin, «de novo» + phrásis, «elocução» + ia) ) (Dicionário da Língua Portuguesa 2006, Porto Editora, página 1240)
(Adenda – Está já confirmada a presença de Sarah Palin na edição de 2014 da CPAC – a Conferência de Acção Política Conservadora.  Conseguirá ela ser mais ácida, mais acutilante do que no ano passado, em que quase ninguém, da esquerda à direita, escapou às suas críticas?)     

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Brincar aos médicos e enfermeiras

(Duas adendas no final deste texto.)
Decididamente, o mais recente discurso do Estado da União proferido por Barack Obama continua a dar que falar… e que escrever. Um dos momentos mais caricatos da cerimónia ocorreu quando o Sr. Hussein afirmou que ele, e a sua administração, estavam a reparar («fixing») o «Affordable Care Act»… e, logo a seguir, se ouviram gargalhadas. Da parte de republicanos, sem dúvida, mas não seria surpreendente se alguns democratas também não tivessem conseguido conter o riso, mesmo que discreto…
… Porque nos EUA só quem tem estado a dormir ininterruptamente desde Outubro é que não sabe que o «serviço nacional de saúde» que os democratas votaram e implementaram sozinhos continua a ser o desastre que se tornou evidente desde o princípio. Correcção: é um desastre ainda maior porque continuam a acumular-se novos factos sobre os (maus) efeitos da aplicação da lei. Há casos pessoais, isolados, que são eloquentes quanto à incompetência introduzida num sistema que, apesar de não ser perfeito, funcionava muito bem: um médico passou duas horas ao telefone à espera da autorização de uma seguradora para fazer uma cirurgia; há quem tenha levado seis semanas para se… «desinscrever» do «ObamaCare»; há quem tenha visto os seus dados pessoais serem roubados depois de ter acedido ao healthcare.gov (e não terá sido o único…); a muitas crianças estão a ser recusado tratamentos específicos, especializados, de que necessitam; e muitas crianças… que acabaram de nascer não estão a ser adicionadas aos processos dos seus país e famílias porque… o «eficiente» e «moderno» sítio na Internet que levou três anos e centenas de milhões de dólares para ser instalado não o permite! Entretanto, um funcionário do Departamento de Saúde admitiu, numa audiência no Congresso, que não se sabe o número de pessoas que pagou por um seguro de saúde… e, logo, quantas têm efectivamente cobertura! Tal acontece também, sem dúvida, porque o sistema, no início de Fevereiro, ainda não conseguia corrigir erros na submissão de candidaturas.       
Considerando tudo isto, é de surpreender que a Moody’s se prepare para descer a classificação das companhias de seguros e, desse modo, desvalorizar e diminuir as suas perspectivas comerciais e financeiras? Até no estrangeiro se sabe do caos que a (tentativa de) implementação do «(un)Affordable Care Act» está a causar – veja-se, por exemplo, uma reportagem do Daily Mail. No Washington Post alerta-se que a drástica redução dos médicos disponíveis sob o novo regime poderá deixar os pacientes «furiosos»… e impacientes; na Califórnia estes casos sucedem-se, incluindo doentes com cancro a quem médicos recusam fazer consultas. Também não muito contentes deverão ficar os (segundo o cálculo do Gabinete de Orçamento do Congresso) cerca de dois milhões e meio de pessoas que, por os empregadores quererem reduzir o mais possível os (altos) custos induzidos pelo «ObamaCare», deverão perder os seus empregos ou, na melhor das hipóteses, serem relegados para trabalho a tempo parcial. Um homem nessa situação teve recentemente, aliás, a possibilidade de confrontar directamente o próprio Sr. Hussein sobre o assunto. Da Casa Branca responderam através de Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Económicos do Nº 44, que: 2,5 milhões representam apenas «uma pequena percentagem da economia»; e, ao contrário de ser um desincentivo ao trabalho como afirma Douglas Elmendorf, director do CBO, o ACA pode até constituir, imagine-se, um «incentivo para mais empreendedorismo». No New York Times há quem concorde com esta interpretação (do aumento do desemprego), que consideram «libertadora»; já na MSNBC há quem prefira mudar de assunto…
Entre os esquerdistas há, na verdade, muitos, cada vez mais, que parecem estar, e estão, desiludidos com o «ObamaCare»; descobrem que aquilo que foi prometido não corresponde à realidade. Um deles é Michael Moore, que admitiu, em artigo também no NYT, que o ACA é «horrível» («awful»). O que surpreende, visto que no seu filme de 2007 «Sicko» ele apresentava o sistema de saúde de Cuba como um exemplo a seguir; então agora que o dos EUA vai igualmente, e finalmente, no sentido da (irreversível?) «terceiro-mundialização» é que ele se arrepende e muda de opinião? Tão inconstantes, estes «progressistas»… Enfim, é o que acontece quando idealistas inexperientes e irresponsáveis com demasiado tempo e poder nas mãos decidem brincar aos médicos e enfermeiras... fazendo de todo um país como que um enorme, imenso «hospital» para as suas experiências.
(Adenda – Nancy Pelosi, recorde-se, foi uma das principais «culpadas» pela concretização do «ObamaCare», e disse que este deveria primeiro ser aprovado para depois se saber o que estava dentro dele. Agora, veio agora também enaltecer a possibilidade de, com a nova lei da saúde, os trabalhadores «escaparem» aos seus empregos! E isto a seguir a ter admitido, perante um galhofeiro Jon Stewart, que não sabia porque o sítio healthcare.gov havia falhado, e que tal não era da sua responsabilidade! Com quem ela não quer falar é Bill O'Reilly... porque, enfim, a cobardia por vezes «fala» mais alto.) 
(Segunda adenda - Mais uma componente importante do ACA acaba de ser, ilegalmente, alterada... isto é, adiada... para 2016. Que «coincidência»! É mais uma ilegalidade cometida por Barack Obama. O que «não é» um problema porque, como ele diz, «eu posso fazer o que quiser».)  

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O aprendiz de ditador

(Três adendas no final deste texto.)
Barack Obama proferiu ontem perante os membros das duas câmaras do Congresso mais um discurso do Estado da União. E, como era previsível, nada teve de verdadeiramente novo e de substancial; pelo contrário, nele abundaram frases feitas, as ilusões e as promessas já habituais e conhecidas… até a de encerrar a prisão de Guantánamo! Pior: terá copiado partes de um discurso feito por George W. Bush em 2007! Sinceramente: algo do que ele disse no Capitólio merece seriamente ser acreditado ou considerado? Aliás, porque é que ele se deu ao trabalho de ir até lá e falar (durante mais de uma hora)? Só pode ter sido para provocar…
… Porque ele já deu a entender frequentemente, e com especial insistência nas últimas semanas, que não hesitará em usar e abusar (d)as ordens executivas – e da intervenção do governo federal e dos seus departamentos – se os legisladores não mostrarem maior vontade e rapidez em concretizar a agenda presidencial; ou, por outras e poucas palavras, que não precisa da Casa e do Senado seja para o que for. As ameaças têm-se sucedido, quer indirectamente, através de depoimentos por fontes não identificadas da Casa Branca, quer directamente, através de discursos em que o Sr. Hussein diz que tem «uma caneta e um telefone» e que actuará por conta própria sem o Congresso… não uma mas duas vezes! Mark Levin não duvida – e não é o único – de que o Nº 44 está a proceder a um «golpe de Estado gradual e silencioso»… o que não é verdade, porque ele não tem parado de proclamar, alto e bom som, quais são as suas verdadeiras intenções…
… Que estão em consonância com as habitualmente demonstradas por um qualquer ditador… ou aprendiz de ditador. A que não falta, para a caricatura em traços africanos e sul-americanos ser completa, a alegada preocupação com as agruras do povo através da recente e constante referência ao problema da «desigualdade de rendimento» («income inequality»)… enquanto, em simultâneo, no que é uma demonstração, mais uma, de hipocrisia, não corta nos luxos, pagos pelos contribuintes, para si e para a sua família – as férias de Natal e de Ano Novo no Havai terão custado aos contribuintes cerca de quatro milhões de dólares; e ainda teve o descaramento de criticar os políticos que foram passar a quadra natalícia nas suas terras com as famílias e que deixaram problemas por resolver, quando ele próprio esteve mais de duas semanas longe de Washington… Junte-se a isso a festa do quinquagésimo aniversário de Michelle Obama, cujo custo até Jonathan Karl quis saber, e fica desmascarada a suposta preocupação com os mais pobres.   
A hipocrisia vai mais longe e é mais grave, porque têm sido as suas decisões, as suas políticas, que mais têm contribuído para essa «desigualdade de rendimento», que é real e que tem uma dimensão que há muito tempo não era atingida. Não acreditem nos que dizem que a economia dos EUA está bem, está melhor, a progredir, a «recuperar». Os verdadeiros números indicam precisamente o contrário. Eis alguns mais recentes: o país saiu da lista dos «dez mais» em liberdade económica; em Dezembro só 74 mil empregos foram criados; 91,8 milhões de pessoas não estão na força de trabalho; a taxa de desemprego real é de 37,2%. Aliás, a insistência bastante estridente da Casa Branca junto do Congresso na aprovação de uma extensão do subsídio de desemprego é a demonstração inequívoca de que, neste âmbito, as percentagens oficiais não são credíveis. E o anúncio de que Barack Obama vai aumentar, por ordem executiva, o salário mínimo de (alguns) funcionários públicos é não só outro indício da fragilidade económica do país e da necessidade de «consolidar as bases» (leia-se «sindicatos»): também é mais uma confirmação dos impulsos – ditatoriais – do Sr. Hussein. Ele continua a esquecer-se, ou a não querer saber, de que não governa sozinho e que deve negociar com a oposição (Ronald Reagan e Bill Clinton fizeram-no): os republicanos têm tanta legitimidade eleitoral e democrática quanto ele, pelo que têm o direito e o dever de fazerem o «obstrucionismo» que quiserem.    
O declínio dos EUA na economia sob Barack Obama só é igualado, e talvez superado, pela desagregação na política externa. O «Grande Satanás» já não é respeitado nem receado. Com efeito, no Irão gostou-se tanto do acordo que supostamente travaria a nuclearização dos «ai-a-tolas» que o seu presidente, Hassan Rouhani, alardeou que «as potências mundiais renderam-se»; e o ministro dos negócios estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, garantiu (à CNN) que «não concordámos em desmantelar fosse o que fosse»… uma semana depois de ir a Beirute depor uma coroa de flores no túmulo de um dos maiores/piores terroristas de sempre, Imad Mughniyeh, do Hezbollah, culpado e/ou envolvido de/em vários atentados contra norte-americanos. Entretanto, o embaixador iraquiano em Washington, Lukman Faily, critica BHO e compara-o desfavoravelmente a George W. Bush. No Afeganistão a (aqui, sim, verdadeira) «guerra às mulheres» nunca foi tão grave. Atendendo a tudo isto, são verdadeiramente surpreendentes as revelações de Robert Gates no seu livro «Duty», recentemente editado, sobre a incompetência, inexperiência e/ou leviandade não só do Nº 44 mas também de Joe Biden e de Hillary Clinton? No Reino Unido, Hew Strachan, conselheiro das forças armadas britânicas, é ainda mais… expressivo: Obama é «cronicamente incapaz» em termos de estratégia, e, ao contrário de GWB, não tem qualquer «senso sobre o que quer fazer no Mundo», o que explica a maneira «maluca» como a crise na Síria foi tratada pela Casa Branca.      
Não há melhor sinal – e prova – do desastre que é esta presidência do que a multiplicação de democratas a criticá-la. Brian Schweitzer, ex-governador do Montana e potencial candidato para 2016, não consegue apontar um único aspecto positivo daquela: «a minha mãe disse-me que "se não tens nada de simpático para dizer muda de assunto”». Ann Kirkpatrick, congressista pelo Arizona, menciona num anúncio a «espantosa inépcia» na aplicação do «ObamaCare». Fareed Zakaria, apresentador e analista na CNN que já foi «conselheiro informal» do Sr. Hussein, referiu-se ao acordo com o Irão como um «descarrilamento». Howard Finemann, da MSNBC, afirmou que, com 43% de popularidade, Barack Obama «não é levado a sério» em Washington. E há o ex-membro do gabinete de BHO, citado, mas não identificado, por Peter Hamby da CNN, que admitiu que o Nº 44 «é realmente bom a fazer campanha. Talvez não a governar». Que «novidade»!
O facto de, regularmente, Barack continuar a dar… «barraca» também não ajuda a que os seus camaradas mantenham a confiança nele. Em Novembro passado emitiu uma ordem executiva sobre as «alterações climáticas» prevendo (e alertando para) as «temperaturas excessivamente altas» que, supostamente, estavam já a prejudicar a saúde pública… sim, o «aquecimento global» é tal que, por causa do frio e da neve, na Geórgia foi declarado o estado de emergência e na Flórida foram encerradas escolas; mais recentemente, em vez de «Dominican Republic» disse «Dominican Republican», e que foram precisos «150 anos» depois da guerra civil para os negros se aproximarem da igualdade formal com os brancos. Fossem estas, e outras, gaffes de GWB e já teriam sido largamente divulgadas…
No início de Janeiro, em discurso no Senado em que apelou a uma cooperação bi-partidária, Harry Reid declarou que o objectivo dos republicanos no Congresso é «fazerem tudo o que puderem para que o Presidente Obama fique mal visto». O velho sacana do Nevada que não seja injusto: como já está amplamente demonstrado, o «Barry» é capaz de conseguir isso sozinho.
(Adenda – Ainda sobre o discurso do Estado da União são de ler, entre outros, os artigos de Chriss W. Street, Douglas E. Schoen, Erick Erickson, Howard Kurtz, John Fund, Michael Snyder, Mike Huckabee, Ron Fournier e Todd S. Purdum.)
(Segunda adenda – Vários outros observadores, entre os quais Glenn Beck, utilizam a palavra «ditador» a propósito de Barack Obama. Não surge por acaso, não é um insulto injustificado: é um termo confirmado pelo seu comportamento, pelas suas afirmações e acções. Ele já disse que não é um, mas a verdade é que a reincidência em hipocrisias e mentiras não é característica de um autêntico adepto da democracia. Exemplos? No discurso da passada terça-feira ele: criticou a diferença salarial entre homens e mulheres nos EUA… que, porém, se verifica na Casa Branca (!); «exagerou» o número de inscrições no ACA; e «garantiu» que o Irão já começou a eliminar as suas reservas de urânio enriquecido. É por isto, e muito mais, que alusões a alegados «puxões de orelhas» feitos por BHO aos republicanos, como no Público e no Sol, são ridículas. Se há alguém que se tem portado infantilmente… é o «Barry».)
(Terceira adenda – Uma coisa é Barack Obama ser entrevistado… ou, melhor dizendo, ser bajulado por adoradores impenitentes que deitam fora a deontologia profissional em prol do «querido líder». Outra coisa, bem diferente, é ele ser entrevistado… ou, melhor dizendo, ser interrogado por verdadeiros jornalistas. Como Jake Tapper e Bill O’Reilly (parte um, parte dois).)       

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Ano Seis

(Três adendas no final deste texto.)
Tivesse Barack Obama perdido em 2012 e muito provavelmente não estaria o Obamatório a entrar hoje no seu sexto ano de existência e de actividade. Na verdade, o ano cinco que agora termina muito provavelmente teria sido suficiente para fazer o «inventário», e o «balanço», de uma presidência que em quatro anos muito prejudicou os Estados Unidos da América, tanto interna como externamente. Agora, imaginem-se os danos adicionais que mais quatro anos poderão causar…
Assim, e enquanto ele continuar na Casa Branca, aqui estarei para ajudar a denunciar e a desmascarar, para os cibernautas de língua portuguesa (e não só) que me dão o privilégio de visitar regularmente este sítio, todas as malfeitorias que o actual presidente e o Partido Democrata infligem aos EUA, malfeitorias essas em relação às quais a generalidade da comunicação social portuguesa faz tudo o que é possível para dissimular e desvalorizar. E há que reconhecer que, aparentemente, estão a ter sucesso, porque de contrário não continuariam a existir, na blogosfera (e não só), várias demonstrações – das mais «pesadas» às mais «leves» - de ignorância e de preconceito relativamente ao que acontece do outro lado do Atlântico…
… Que eu faço por contrariar sempre que as detecto e que se justifica. Neste âmbito ainda se encontra um pouco de tudo, incluindo temas que já são «clássicos»: a justificação e a legitimidade da guerra do Iraque, e o impacto daquela no património histórico do país; alusões às alegadas incapacidades de George W. Bush e à alegada inumanidade de Dick Cheney; os membros do Tea Party que são «extremistas»; Sarah Palin enquanto «idiota» ou «estrela cadente» que supostamente não distingue a Chechénia da República Checa (aqui e aqui). Também surgiram assuntos, ou perspectivas, algo surpreendentes, tais como a suposta «austeridade» que se verifica nos EUA com Barack Obama (muito pelo contrário), ou a falência de Detroit como caso isolado (não é, apesar de ser de facto o pior do género). Além da política e da economia, também pretextos para se discutir a cultura: as implicações de filmes como «Lincoln» e «The Butler», se Frank Miller é «fascista» e se Orson Scott Card é «racista» e «homófobo». De caminho, um pequeno «desvio» para se contestar mais uma atoarda contra Israel…
2013 ficou assinalado na política norte-americana como o ano em que mais se acumularam e se acentuaram os escândalos envolvendo Barack Obama e o Partido Democrata. Porém, isso não é apercebido lendo, vendo e ouvindo unicamente a comunicação social portuguesa. De todas as «broncas» apenas uma teve – aliás, ainda tem – considerável eco deste lado do Atlântico: a das «escutas» feitas pela National Security Agency e as concomitantes revelações feitas por Edward Snowden – o que se percebe, dadas as implicações internacionais do caso, traduzidas na vigilância que a NSA também faz de muitos «alvos» em todo o Mundo (incluindo Angela Merkel!), e não apenas nos EUA. Quanto aos outros, tão ou mais graves como aquele, como o do IRS a perseguir e a punir conservadores, o Departamento de Justiça a espiar jornalistas, a implementação fracassada e fraudulenta do «ObamaCare» e – o pior de todos – o ataque em Benghazi de que resultaram mortos e feridos por culpa da actual administração, pouco se falou…
… Pelo que se o Sr. Hussein for objecto de uma impugnação ou for suscitada a sua demissão, o que não é de todo improvável dadas as ilegalidades em que está implicado, serão bastantes os que em Portugal ficarão espantados. O que não seria inesperado: não duvido de que muita gente neste país acredita que é o Republicano o partido do racismo, da segregação e da escravatura.  
(Adenda –A 18 e a 19 de Janeiro últimos a RTP2 exibiu as duas partes de um documentário – na verdade, uma acção de pura propaganda – a que deu o título «Barack Obama – Grandes Expetativas». Ao menos por uma vez essa idiotice ilegal, inútil e prejudicial chamada AO90 serviu para resumir correctamente uma situação… a de que, com o actual presidente, os EUA estão mesmo a «espetar-se».)
(Segunda adenda – Simbólica e sintomática dos cinco anos da presidência de Barack Obama, e da incompetência e da irresponsabilidade que a caracterizam, é a escolha para próximo embaixador na Noruega: George Tsunis, de ascendência grega (!), milionário que foi dos maiores apoiantes financeiros do Nº 44 em 2012. Que, numa audiência no Senado no dia 22, demonstrou a sua ignorância – e a sua incapacidade – para o cargo ao classificar como extremistas, ou «elementos de franja» («fringe elements»), os membros de um dos partidos da coligação que suporta o governo norueguês, e, pior ainda, por, aparentemente, não saber que aquela nação escandinava é uma monarquia e não uma república. Previsivelmente, os visados já protestaram e exigiram um pedido de desculpas ao próprio BHO. Apetece dizer: é castigo por terem dado o Prémio Nobel da Paz ao Sr. Hussein!)
(Terceira adenda - Mais um candidato a embaixador que demonstra a sua ignorância. Mas ao menos este - Max Baucus, actual senador democrata pelo Montana, nomeado para a China - admite-o inequivocamente, afirmando perante o Senado que «não sou um verdadeiro especialista» naquele país. Enfim, é também assim que se faz a tal «política externa de sucesso» obamista...)     

domingo, 12 de janeiro de 2014

«The (New York) Times isn’t a-changin’»

(Três adendas no final deste texto.)
No conjunto de órgãos de comunicação social dos Estados Unidos da América que formam a habitualmente designada mainstream media – ou lamestream media, como lhe chama Sarah Palin – e que funcionam oficiosamente, quando não declaradamente, como extensões, suportes do Partido Democrata e da esquerda norte-americana, nenhum é mais antigo, fulcral e preponderante do que o New York Times. E não é só no âmbito doméstico que a sua má fama começou a ser construída cedo: nos anos 30 o famigerado Walter Duranty visitou a União Soviética e de lá enviou para publicação no NYT uma série de reportagens em que elogiava a acção de Josef Stalin e do Partido Comunista, ignorando as atrocidades cometidas ou permitidas por aqueles, em especial os julgamentos e fuzilamentos sumários e a grande fome na Ucrânia.       
Vale tudo para a denominada «Grey Lady» no apoio e na defesa das causas e das pessoas em que acredita. Exemplo mais recente – e ridículo – disso é o «artigo de investigação» publicado em 28 de Dezembro último e escrito por David D. Kirkpatrick sobre o atentado ao consulado de Benghazi, na Líbia, em 11 de Janeiro de 2012; entre as suas «conclusões», estão as de que o ataque foi motivado por um vídeo «anti-Islão» (excerto de um filme, ou pequeno filme) colocado no YouTube, e que aquele foi conduzido por uma organização sem ligação à Al-Qaeda – asserções anteriormente desmentidas por entidades como o Pentágono e por indivíduos como Gregory Hicks, Nº 2 do embaixador Christopher Stevens (uma das quatro vítimas mortais) à data dos acontecimentos. Tratou-se de um trabalho tão mau que até algumas fontes do Washington Post na actual administração duvida(ra)m dele! A intenção desta paródia de um verdadeiro jornalismo foi evidente para todos: (tentar) desculpabilizar, inocentar, Hillary Clinton de quaisquer responsabilidades – que as teve, e grandes, e graves – do que aconteceu na Líbia, e, assim, (tentar) remover um desagradável obstáculo na sua mais que provável «corrida» à presidência dos EUA em 2016. No que, evidentemente, não terá qualquer sucesso – no «apagamento» do caso, claro, porque quatro cadáveres não deverão ser impeditivos de muitos (levianos, supérfluos) democratas votarem, mesmo assim, em Hillary…
… Entre os quais estará, decerto, Thomas Friedman, um dos mais (tristemente) conhecidos colunistas do jornal, e para quem Benghazi não é, não foi, um escândalo, e os republicanos estão ao nível dos membros do Hezbollah. Outros «operativos opinativos» de má fama do New York Times são Paul Krugman e Maureen Dowd, que, ocasionalmente, parecem concertar-se para, na mesma edição, entrarem em histeria colectiva. Enfim, uma «confraria confrangedora» onde sem dúvida se integrará muito bem uma das mais recentes «aquisições» do jornal, o egípcio Alaa Al-Aswany, notório por ser adepto de teorias da conspiração anti-israelitas. Sem esquecer os editoriais (não assinados) do NYT, incessantes exercícios de humor: num dos mais recentes assegurava-se que Barack Obama não se havia exprimido bem («misspoke») ao repetir, dezenas de vezes, que com a implementação do «ObamaCare» quem gostasse do seu seguro de saúde poderia mantê-lo; um conceito que foi retomado e «reformulado» posteriormente, agora numa «notícia», ao classificar-se que tais garantias por parte do presidente – que viriam a revelar-se infundadas – não eram mais do que «promessas incorrectas». O contorcionismo que certas pessoas fazem para não utilizarem a palavra «mentira(s)»…
Na verdade, as secções informativas do New York Times não são necessariamente melhores do que as de opinião: na sua redacção há quem tenha dificuldade em situar num mapa o Dakota do Norte e o Dakota do Sul (algo que não costuma acontecer em qualquer jornal escolar), quem duvide da existência do denominado «knockout game» enquanto tendência (mas não são os únicos a fazê-lo) e quem se recuse a renunciar ao conceito - falacioso, fraudulento - de «aquecimento global» apesar de recordes negativos de temperatura, de décadas e até de um século, estarem a ser batidos nos EUA neste Inverno (idem) – tal como outros media, o NYT também não informou os seus leitores sobre o que iam fazer os cientistas resgatados há cerca de duas semanas de um navio preso nos gelos da Antárctida (onde, recorde-se, agora é Verão)… O facciosismo é tanto que o jornal nem costuma recensear, e, logo, divulgar, os livros de autores conservadores que costumam liderar a sua tabela de vendas de não-ficção!
Seja pela qualidade que diminui (e que, efectivamente, nunca foi muita) e/ou pela quantidade (receitas) que não aumenta, o certo é que são cada vez mais aqueles que saem do Nº 620 da Oitava Avenida. Um dos que ainda estão lá, Dean Baquet, confessou, numa conferência realizada na Universidade Estatal da Pensilvânia em Outubro, que «o meu único medo é que o ofício de testemunhar e de reportar a verdade venha a morrer». No jornal dele isso já aconteceu há bastante tempo… A todos os ignorantes, iludidos, ingénuos, que ainda tomam o NYT como uma (boa) referência de jornalismo fica o conselho: deixem de o fazer. Bob Dylan cantou em 1964 «the times they are a-changin’». Porém, o New York Times não muda. Correcção: mudará quando for fechado. O que já esteve mais longe de acontecer.
(Adenda – Até Dianne Feinstein rejeita a investigação do New York Times sobre Benghazi!)
(Segunda adenda – O carácter, bom ou mau (ou a falta dele), de uma instituição também é consequência do carácter das pessoas que nela têm influência. Bill Keller, que foi editor executivo do New York Times entre 2003 e 2011 (entrou para o jornal em 1984), recentemente escreveu um artigo em que desvaloriza, e até mesmo despreza, uma mulher que sofre de cancro – basicamente, repreendeu-a por se queixar publicamente das deficiências no tratamento que recebe; não é de crer que Keller seja republicano, porque os membros do GOP é que são frequentemente acusados de fazer «guerra às mulheres» e de querer que os doentes «morram depressa». Entretanto, no NYT continua a ter-se grande dificuldade em escrever-se «bebé» para referir uma criança ainda no ventre da mãe – preferem a palavra «feto», mesmo quando este está quase no sexto mês de gestação.)
(Terceira adenda – O New York Times celebrou efusivamente, incluindo um destaque de primeira página, os 50 anos de Michelle Obama; quando Laura Bush fez 60 o tratamento dado pelo jornal foi um «pouco» diferente… mas, mais uma vez, é verdade que o NYT não foi caso único na «graxa» dada à actual primeira-dama. Entretanto, entre as pessoas preferidas do «fishwrap of record» está também Carter Camp, criminoso condenado, cadastrado, que, por ser um «líder índio americano», mereceu uma elogiosa elegia aquando do seu falecimento na semana passada; em certas redacções qualquer radical que recorra à violência, desde que pelas «causas certas», merece habitualmente uma cobertura favorável, póstuma ou não - lembre-se o caso dos «ocupas» de Wall Street.)      

sábado, 4 de janeiro de 2014

A mais estúpida de 2013

(Três adendas no final deste texto.)
Quem terá sucedido a Chris Matthews como o/a «orgulhoso(a)» detentor(a) da afirmação mais estúpida, mais ofensiva, mais ridícula do ano nos Estados Unidos da América? Sim, é verdade: para grande tristeza dos seus inúmeros (?) admiradores, o homem cuja perna treme(u) por Barack Obama não venceu o «troféu» pelo segundo ano consecutivo. O que não quer dizer, obviamente, que o «estadista da MSNBC» (Phil Griffin dixit) não tenha dito, ou cuspido, muitas e grandes alarvidades em 2013. Porém, nenhuma delas, «objectivamente», pode ser considerada a pior. Nada do que ele disse desta vez (no ano passado) foi tão mau ou «originalmente» mau…
... Como qualquer das frases «finalistas» que a seguir vão ser recordadas, referidas, reveladas. Nenhuma delas foi antes mencionada no Obamatório – onde, habitualmente, são divulgadas as mais espectaculares idiotices proferidas pelos esquerdistas norte-americanos – porque, precisamente, eram, são, más de mais para serem verdade(s), isto é, para terem sido mesmo ditas e/ou escritas. Mas… são, foram, mesmo, e por isso merecem um «destaque especial». Pode-se começar, precisamente, pelo actual presidente, que afirmou que «não sou uma pessoa particularmente ideológica» (não faltam exemplos do contrário) e que classificou os escândalos que têm afectado os seus mandatos como sendo «artificiais», «falsos» («phony») – porque, claro, «só» é mesmo escândalo quando um republicano está envolvido. Na mesma linha, a sua fiel ex-embaixadora e actual conselheira Susan Rice considerou que Benghazi representa uma «falsa controvérsia» - há que não esquecer que ela mentiu descaradamente (e não foi a única) quanto às causas do atentado que matou quatro norte-americanos na Líbia em 2012. Já John Kerry não quer envolver-se em controvérsias alheias: na Arábia Saudita recusou responder a uma pergunta sobre a luta das mulheres daquele país para conduzirem automóveis, refugiando-se na desculpa de que a questão deve apenas ser debatida a nível interno – ficamos a aguardar a próxima vez em que um seu camarada de partido fale da suposta «guerra às mulheres» perpetrada pelos republicanos. Ainda sobre assuntos «bélicos», de assinalar que: Jeff Shesol, ex-escrevinhador de discursos para Bill Clinton, escreveu para a revista The New Yorker um artigo intitulado «A guerra republicana à competência»… no início do colapso do «ObamaCare»; e que Andrea Mitchell, da MSNBC, acredita que Obama encara o lançamento de ataques militares «sempre de uma perspectiva anti-guerra muito cautelosa»…
Estas afirmações, declarações, opiniões, estão entre as mais estúpidas porque ou denotam uma elevada parvoíce por parte de quem as profere… ou porque os seus autores tomam os outros por parvos. Assinalam extremos de hipocrisia, de desonestidade intelectual… ou de puro e simples alheamento da realidade. Outros exemplos: Colin Powell a asseverar que «não existe fraude eleitoral» nos EUA; e John Podesta, operacional de Bill Clinton e de George Soros, e que, acabado de ser nomeado como chefe de gabinete de Barack Obama, achou por bem dizer que «um culto digno de Jonestown tem a seu cargo uma das casas do Congresso»… No entanto, não são as mais estúpidas das mais estúpidas porque não advogam, implícita ou explicitamente, a violência – agressão ou até mesmo a morte – contra terceiros, habitualmente adversários ideológicos. As seguintes, entre as quais está a «vencedora» de 2013, fazem exactamente isso. Destaca-se, desde logo, e inevitavelmente, Martin Bashir, que sugeriu que alguém deveria urinar na cabeça e defecar na boca de Sarah Palin porque a ex-governadora do Alaska comparou o aumento da dívida à escravatura. Resultado? Duas semanas depois, Bashir saiu da MSNBC. Sim, significou um cúmulo de mau gosto, e de ódio, provavelmente nunca antes alcançado. Todavia, não foi a «mais estúpida» porque não exprimia o desejo de que o «alvo» morresse. O que as seguintes fazem, e de que maneira…
… Sendo a primeira – e «medalha de bronze» - um título de um artigo de Ella Taylor para a NPR: «Conheçam Brandon Darby», activista de base (e rato do FBI)». Porquê «rato»? Porque ele descobriu, e denunciou às autoridades, um plano, e respectivos conspiradores, para colocar uma bomba na convenção de 2008 do Partido Republicano. Repare-se bem: uma «jornalista» de um órgão de comunicação social «público» a criticar alguém que impediu que conservadores fossem mortos num ataque terrorista – e, subliminarmente, a apelar à sua eliminação. Não é um «modelo» para a profissão? A seguir («medalha de prata»), vem Charles Cook, «analista político», que queria (será que ainda quer?) ver Chris Christie ir à garganta de um membro do Tea Party que lhe chamasse «liberal» e «arrancar-lhe os pulmões. Pagaria dinheiro para ver isso». E, finalmente («medalha de ouro), eis «a mais estúpida (afirmação) de 2013», que é…
… «Talvez pudéssemos lançar uma intervenção naqueles Estados que estão a fazer uma guerra à democracia, revertendo direitos eleitorais?», proferida por Katrina vanden Heuvel, editora da (esquerdista) revista The Nation. Por outras palavras, o que este «furacão Katrina» propõe é que Barack Obama realize intervenções militares nos Estados dos EUA (enfim, serão menos do que 57…) que aprovaram leis que obrigam à apresentação de um cartão de identificação com fotografia aquando de uma votação. Enfim, é algo que sem dúvida George R. R. Martin aprovaria e apoiaria – e até seria capaz de escrever um livro sobre isso. E Colin Powell poderia sair da reforma e comandar as operações no terreno!
(Adenda – Ainda há tempo e espaço para, pelo menos, duas «menções desonrosas». A primeira é – porque ela «merece» sempre! – para Nancy Pelosi, que, aquando da «trapalhada» do Sr. Hussein com a «linha vermelha» na Síria, «twitou» que «a liderança do Presidente Obama trouxe as soluções diplomáticas de volta à mesa, e mostra a sua vontade de esgotar qualquer remédio antes do uso da força»… não é para rir? A segunda é para Maria Rodale, CEO do grupo de media com o seu nome, que enviou uma carta ao Nº 44, em que, a propósito também da guerra civil naquele país, escreveu: «Nós não somos melhores. Temos vindo a usar armas químicas contra as nossas próprias crianças, e nós próprios, há décadas, as armas químicas que usamos na agricultura para ganharmos a guerra às pragas, ervas daninhas, e a necessidade falsa de ainda maiores proventos»... marque-se já uma sessão extraordinário do Tribunal Internacional de Haia!)
(Segunda adenda – Aparentemente, Katrina vanden Heuvel fez questão de «confirmar» o seu triunfo… com mais uma estupidez. Nada original, porém: disse que «o racismo é o cerne do Tea Party». Entretanto, e confirmando o que eu escrevi acima sobre o dúbio conceito de «guerra às mulheres» constantemente apregoado pelos democratas contra os republicanos, Richard Socarides, antigo conselheiro de Bill Clinton, afirmou que desafiar, querer derrotar eleitoralmente, mulheres que são congressistas democratas incumbentes é… fazer «guerra» a elas! «Coitadas»! Acabe-se já com a democracia, e essas «afrontas» desaparecem!)
(Terceira adenda – Das muitas «listas» de fim de ano que foram feitas – e que são feitas habitualmente – na viragem de um para outro, é de destacar uma que foi apresentada pela Judicial Watch: «os dez políticos mais corruptos de 2013». Oito são democratas.) 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

«Prendas» de várias cores e feitios

(Uma adenda no final deste texto.)
Barack Obama em particular e o Partido Democrata em geral muito fazem, aparentemente, por se integrarem no «espírito de Natal» ao distribuírem «prendas» de várias cores e feitios… O problema é que nem todas essas «prendas» são agradáveis e/ou não vão parar às mãos de norte-americanos!
Exemplo maior da «generosidade» recente da actual administração foi o «acordo» celebrado com o Irão referente ao programa nuclear daquele país que, na práctica, poucas ou nenhumas garantias efectivas proporciona de que os «ai-as-tolas» não construirão, mais tarde ou mais cedo, uma bomba atómica. Aliás, o próprio Benjamin Netanyahu considerou o entendimento um «inacreditável presente de Natal». Menos irónicos, tanto Ben Shapiro como Charles Krauthammer classificaram-no como «o pior desde Munique». E, imagine-se, até Chuck Schumer não ficou satisfeito… ao ponto de ameaçar com a aprovação, pelo Congresso, de mais sanções contra Teerão! Porém, quando se soube que o regime iraniano alegava, como justificação para o prosseguimento do seu programa nuclear, a necessidade de combater o «aquecimento global», compreendeu-se porque é que o Sr. Hussein parece acreditar que aquele programa é, ou poderá ser, «pacifíco»! No entanto, esta situação tem um – grave – antecedente, que demonstra quão ingénuos – e incompetentes – os democratas são neste assunto (e em outros…). Em 1994 a administração de Bill Clinton ofereceu ajuda à Coreia do Norte em troca da promessa de que aquele país não iria desenvolver armas nucleares… mas, claro, foi exactamente isso que aconteceu; incrivelmente, e como fez notar Louie Gohmert, foi a mesma pessoa que há 20 anos conduziu as negociações com Pyongyang e agora com Teerão: Wendy Sherman. Decididamente, os «burros» não aprendem… Aliás, o défice de aprendizagem, o desfasamento dos «azuis» em relação à realidade é tal que John Kerry não parece saber que o regime dos Kim’s já tem a bomba atómica! Entretanto, e estranhamente, o acordo com o Irão não incluiu a libertação de dois norte-americanos, Robert Levinson e Saeed Abedini, presos naquele país; para ambos, muito longe das suas famílias, este Natal não será feliz.
Pelo contrário, há quem esteja nos EUA como imigrante ilegal, mas nem isso deverá obstar a que a sua consoada seja agradável. Na Califórnia, então, para quem vem do outro lado da fronteira é Natal quase todos os dias. Por vontade dos democratas daquele Estado, liderados pelo governador Jerry Brown, os «não documentados» poderão não só adquirir cartas de condução como até practicar advocacia! E, graças ao acordo orçamental recentemente apresentado por Patty Murray e Paul Ryan, poderão continuar a ter acesso em biliões de dólares em ajudas diversas… enquanto aos veteranos das forças armadas são reduzidas as suas pensões. Todavia, o imigrante ilegal mais famoso do país veio, há mais de 40 anos, do outro lado do Atlântico: Onyango Obama, tio do actual presidente, viu mais uma vez ser impedida – grande «prenda»! – a sua deportação, quase de certeza por deferência para com o seu famoso sobrinho; que, soube-se agora, viveu mesmo, durante algumas semanas, na casa do seu criminoso familiar quando era estudante – de Direito! – em Harvard, ao contrário do que tinha sido dito pela Casa Branca. É tão só mais uma mentira em que o Sr. Hussein é «apanhado»…
… O que não é, decerto, um problema para ele porque já está habituado a faltar à verdade… e a ser desmascarado. E aquela não é a maior mentira: o Politifact considerou que a «maior do ano» foi, como não poderia deixar de ser, a «se você gosta do seu plano de saúde poderá manter o seu plano de saúde». Porém, e porque, como já foi referido, ele fez a mesma afirmação dezenas de vezes desde 2009, esta mentira já é, de facto, a maior há quatro anos consecutivos… No entanto, e como é evidente, a «maior mentira» nem é o pior aspecto do «ObamaCare». Além dos já conhecidos, outros há mais recentes, que constituem autênticos «presentes envenenados»… para os cidadãos afectados e para os democratas que irão a eleições em 2014, mas não para os seus opositores republicanos… nem, eventualmente, para os humoristas: um homem viu o seu cão obter um seguro de saúde… em vez dele (uma «prenda» melhor do que um osso?); Harry Reid decidiu «presentear» (alguns d)os seus assessores com a dispensa de se inscreverem no «(Un)Affordable Care Act» depois de declarar que o mesmo será um factor positivo para os seus «camaradas» que vão a votos no próximo ano; Barack Obama afirmou que «100 milhões» de norte-americanos já se haviam inscrito para o ACA… na mesma ocasião (numa conferência) em que mais problemas técnicos se sucederam; 15 mil candidaturas – pelo menos! – terão sido perdidas, ou, por outras palavras, (ainda) não foram enviadas às seguradoras; e acções de promoção ridículas, de que a do «rapaz do pijama» é o maior/pior exemplo (até na MSNBC se riram!), não contribuem para a credibilidade e o sucesso da iniciativa…
… Pelo que, para tentar evitar uma cada vez mais provável (e inevitável?) autodestruição da lei, Barack Obama decidiu que as pessoas que viram as suas apólices de seguros canceladas não serão obrigadas a cumprir, no próximo ano, o «mandato individual», ou seja, serem sujeitas a multas por não estarem «cobertas». É um reconhecimento «oficial» do falhanço do «ObamaCare», e, mais espantoso e irónico, consiste practicamente naquilo que os republicanos exigiram antes de acontecer o shutdown… e pelo qual foram acusados de serem «inimigos domésticos», «raptores» e «terroristas»: o adiamento da implementação do (c)ACA. Há quem vá mais longe e afirme que Obama «revogou» o dito cujo. Seja como for, há que reconhecer que esta é um «prenda» bem melhor do que outras que ele ou a sua administração andaram a «distribuir» recentemente, entre as quais: a comutação (redução) de penas de oito condenados por posse e/ou tráfico de cocaína tipo crack (provavelmente por saber da sorte que teve por não ter sido detido quando também ele aspirava o pó branco), entre os quais está um primo de Deval Patrick, governador do Massachusetts; a renovação por 30 anos das licenças de empresas que operam parques eólicos sem aquelas serem responsabilizadas pela morte de (centenas, talvez milhares por ano) aves – incluindo espécies protegidas, como águias. Às quais se deve acrescentar a «dádiva» da Organizing for Action (a estrutura para a reeleição de BHO «reconvertida» em grupo de pressão) aos estagiários: trabalhar de graça! O que não os impede de, hipocritamente, e como todos os democratas, criticarem os republicanos por estes se mostrarem renitentes em aumentar o salário mínimo!
Um facto é indesmentível: 2013 foi um «ano terrível», o «pior ano da sua presidência»… segundo, respectivamente, Chris Matthews e Robert Gibbs! E, para acabar «em beleza» estes 12 meses desastrosos, para ele e principalmente para os EUA, nada «melhor» do que: fazer uma conferência de imprensa na Casa Branca em que ele pareceu estar não só «cansado, exausto, como alguém que teve um ano mau, que queria mesmo ir-se embora» mas até «deprimente, patético, que perdeu a capacidade para inspirar»; e, com a família, partir a seguir para umas – dispendiosas – duas semanas de férias no Havai, «oferta» dos contribuintes. E onde, eventualmente, poderá actuar como um «Pai Natal afro-americano», «um homem negro generoso e benevolente que vive num lugar que é mágico, que deu algo a todos os americanos, quer se tenham portado bem ou mal». Sem dúvida: 123 mil dólares de dívida por cada trabalhador do país! Ao contrário dos desejos e das esperanças, do que é expresso em palavras vãs e de circunstância, há, infelizmente, a forte probabilidade de 2014 não ser um próspero ano novo.
(Adenda - Não seria «justo» deixarmos de fora nesta quadra natalícia, entre as individualidades e/ou instituições norte-americanas que mais promovem a «paz», a «harmonia»... e a «competência», o IRS. Que, enquanto perseguia e prejudicava deliberadamente - com (poucas dúvidas restam disso) a cumplicidade e a colaboração da Casa Branca - organizações conservadoras, e assim contribuindo para adulterar, falsear, o resultado da eleição presidencial de 2012, «oferecia» milhões, e até biliões, de dólares a criminosos, mais concretamente a evasores fiscais e a falsificadores de identificações. Sabendo-se que este departamento terá uma participação fundamental na implementação do «ObamaCarre», são, pois, de esperar mais abusos, mais falhas, mais desperdícios, e cada vez piores.)