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quinta-feira, 10 de abril de 2014

… Não é um conservador

Porque continua a existir sobre o assunto alguma confusão, bastantes dúvidas, várias incertezas, permitam-me dar de imediato o meu, necessariamente modesto, contributo: quem é a favor do denominado «casamento» entre pessoas do mesmo sexo – e, concomitantemente, a favor da adopção por «casais» homossexuais – não é, não pode ser, de direita; não é, não pode ser, um conservador. Ponto. Mesmo que partilhe outros dos ideais habitualmente associados àquele campo ideológico, como a – efectiva – liberdade de expressão, a prioridade à economia de mercado, a rejeição de um Estado omnipresente, o combate a todos os totalitarismos.
A defesa intransigente do casamento entre um homem e uma mulher e a rejeição de formas «alternativas» de matrimónio é o princípio primeiro, básico, fundamental, do conservadorismo. E quem não o respeitar e não o faça respeitar, na medida das suas possibilidades, não é de direita… seja onde for, e não só nos Estados Unidos da América. Na Europa, já se sabe, David Cameron deixou de ser conservador – e o Partido «Conservador» deixou de o ser! – a partir do momento em que, mais do que permitirem ou apoiarem, propuseram e aprovaram (!) a redefinição do casamento no Reino Unido; e, em Portugal, Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, não é de direita porque favorece a «adopção» por «casais» homossexuais... e até foi «premiado» pela ILGA por isso!
Do outro lado do Atlântico, o «matrimónio gay» é um assunto que continua a ser factor de fricção, e quiçá de fraccionamento, dentro do Partido Republicano. Mas não deveria ser: só aqueles que são inseguros, que não têm confiança nas posições – e nas convicções – que formam o núcleo programático do GOP é que podem ter dúvidas neste âmbito… e, pior, mudarem de opinião por motivos estritamente conjunturais ou pessoais. A este respeito os exemplos mais lamentáveis foram dados por Mark Kirk, senador do Illinois, e Rob Portman, senador do Ohio… este depois do filho se ter assumido como homossexual! Ambos poderão ainda ser republicanos mas deixaram de ser de direita, de ser verdadeiros conservadores… se é que alguma vez realmente o foram. Tal como Clint Eastwood, ex-mayor de Carmel (cidade da Califórnia), que assinou uma petição a favor da revogação da Proposição Oito; Larry Pressler, ex-senador do Dakota do Sul, para quem o apoio ao CEPMS é, imagine-se, a «nova posição conservadora» (!); até, incrivelmente, o ex-presidente George H. Bush, que aceitou ser, com a esposa Barbara, testemunha oficial – isto é, mais do que assistir, assinou documentos – no casamento de duas lésbicas!  
Do lado oposto estão, entre outros: Matt Salmon, representante do Arizona, na mesma situação que Rob Portman, mas que não muda, e muito bem, a sua posição por também ter um filho gaye este resiste, também muito bem, a apelos a que rejeite o pai por causa disso; e Liz Cheney, cuja irmã lésbica não a fez mudar de ideias quanto ao que um verdadeiro casamento deve ser. São dois exemplos, dois casos tanto mais de louvar porque são cada vez mais os que, neste âmbito, se desanimam e parecem desistir. Jeff Flake, senador pelo Arizona, mantém no presente a sua posição mas já aceita que no futuro será derrotado. E as invectivas de uma jovem impressionável e manipulável como S. E. Cupp não são tão prejudiciais como as dúvidas de uma voz - e de um valor – da veterania como Rush Limbaugh. A questão está em saber se os republicanos – a maioria deles, pelo menos – s(er)ão capazes de resistir às pressões: dos órgãos de comunicação social que, nesta matéria como em outras, alinham pela esquerda em suporte de todas as «causas fracturantes» - chegando ao ponto de utilizar as próprias crianças como adereços; de sondagens – que, por definição, têm sempre margens de erro; de lobbys que apregoam uma inevitabilidade que está por demonstrar…
… Porque se o «reconhecimento da igualdade matrimonial» (expressão falaciosa porque os homossexuais sempre puderam casar-se) tem vindo a «ganhar terreno» nos EUA, tal deve-se, na esmagadora maioria dos casos, a decisões judiciais tomadas por magistrados democratas e/ou nomeados por democratas que não hesitam, frequentemente, em anular resoluções tomadas por cidadãos em referendos – o que não é democracia mas sim ditadura. E, na verdade, as acções dos activistas da homossexualidade têm tudo a ver com totalitarismo, com a eliminação da oposição. São já vários os casos de empresas e de profissionais que se vêem prejudicados, processados, boicotados, despedidos, por terem a «ousadia» de acreditar que um casamento deve ser apenas entre um homem e uma mulher.
O exemplo mais recente de perseguição deste tipo é o de Brendan Eich, que foi forçado a despedir-se de cargo de CEO da Mozilla por, em 2008, ter ajudado financeiramente a Proposição Oito – ou seja, por então ter a mesma posição que, entre muitos outros, Barack Obama e Hillary Clinton tinham; seriam pois o actual presidente e a ex-secretária de Estado também comparáveis a segregacionistas a precisarem de reabilitação? Convirá recordar – ou revelar – que o (verdadeiro) maior homófobo (não muçulmano) dos EUA, o (recentemente falecido) Fred Phelps, era democrata! Nos comentários a este caso não surpreende que Newt Gingrich manifeste a sua condenação, utilizando – correctamente – a expressão «novo fascismo»; o que surpreende, sim, é que Bill Maher e Andrew Sullivan também o façam, e de formas igualmente inequívocas – o primeiro fala da «máfia gay» e o segundo (homossexual assumido!) de uma (nova) «Inquisição».
George Will não tem razão em classificar os homossexualistas como «vencedores azedos»… não por causa do «azedos» (que o são) mas sim por causa do «vencedores» (que ainda não são, e, no que depender de mim, nunca serão). Os seus «triunfos» são ilusórios e obtidos à custa de batotice, chantagem e demagogia. Os republicanos não têm pois qualquer vantagem em ceder às absurdas exigências destes novos fascistas, em proceder, como diz John Hayward, a um «desarmamento unilateral nas guerras culturais» que os tornariam practicamente indistinguíveis dos democratas. O que eles têm, basicamente, de fazer é de preservar, ou de crescer, uma coluna vertebral. Ou, por outras palavras, (man)tê-los no sítio… certo. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Até parece mentira… (Parte 5)

(Duas adendas no final deste texto.)
… Que a actual administração tenha proibido, no último Natal, que fossem oferecidos aos veteranos das forças armadas prendas embrulhadas em papéis alusivos à época, e que lhes cantassem canções de temática religiosa. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que três representantes do Partido Democrata – Alan Grayson (Flórida), Barbara Lee (Califórnia) e Jan Schakowsky (Illinois) – tenham convidado um apoiante da Al Quaeda a assistir a uma reunião sobre a utilização de drones. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a NAACP tenha convocado uma manifestação contra a obrigatoriedade, em alguns Estados, de apresentação de uma identificação para votar, e requerido aos manifestantes que trouxessem uma… identificação. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Michelle Obama tenha «tweetado» uma fotografia dos seus cães sentados à mesa na Casa Branca (supõe-se que, dessa vez, para comerem e não para serem comidos). Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Bill Clinton, adúltero, também acusado de assédio e de agressão sexual, conhecido por ter ejaculado para um vestido azul de Monica Lewinski, tenha recebido de uma organização feminina o «Prémio Vestido Vermelho». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que no Estado do Oregon (governado por democratas) nem uma só pessoa tenha aderido ao «ObamaCare». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que apologistas – isto é, aldrabões – das «alterações climáticas» tenham tentado impedir Charles Krauthammer de publicar um artigo sobre o assunto no Washington Post. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que o Departamento de Segurança Doméstica tenha ordenado aos guardas fronteiriços para fugirem dos imigrantes ilegais. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Barack Obama não tenha conseguido soletrar correctamente a palavra «Respeito» («Respect»), título de um dos maiores êxitos de Aretha Franklin… na presença da própria cantora! Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Cory Booker, senador de Nova Jersey pelo Partido Democrata, tenha dito, no Congresso, que quando era adolescente viajou de automóvel até ao Havai (provavelmente para fumar uma ganza com Barack Obama). Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Sheila Jackson Lee, representante do Texas pelo Partido Democrata, pense – e tenha afirmado! – que a Constituição dos EUA tem cerca de 400 anos (e, logo, que o país tem uma idade idêntica)! Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a Câmara Municipal de Minneapolis (dirigida por democratas) tenha decidido celebrar o «Dia do Hijab». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Harry Reid tenha acusado o Partido Republicano de ser culpado, em parte, pela invasão russa da Crimeia. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Nancy Pelosi, que se assume como católica, tenha recebido o «Prémio Margaret Sanger», assim designado em honra da fundadora da Planned Parenthood, racista que promovia o aborto e a eugenia. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Barack Obama tenha cometido dois (graves) erros – mais concretamente, proferido duas afirmações erradas (primeira, que o Kosovo realizou um referendo sob supervisão da ONU antes da independência; segunda, que a Geórgia não iniciou um processo de adesão à NATO) – aquando da sua recente viagem à Europa, demonstrando, mais uma vez, a sua ignorância e incompetência e/ou as dos que o «aconselham». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a actual administração queira diminuir a flatulência das vacas como parte do seu combate contra as «alterações climáticas». Mas, sim, é mesmo verdade. 
… Que no – suposto – último dia de inscrição para o «ObamaCare», e quando os seus «construtores»/«defensores» alegavam que agora tudo estava bem, o sítio healthcare.gov foi-se abaixo, mais uma vez. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a Fundação Nacional para a Ciência dos EUA tenha gasto cerca de 700 mil dólares na produção de um espectáculo musical, intitulado «A Grande Imensidão», que tem como tema… as «alterações climáticas». Mas, sim, é mesmo verdade.
(Adenda – O dia 1 de Abril foi sem dúvida a data adequada para Barack Obama anunciar que havia sido atingido o objectivo de inscrever pelo menos sete milhões de pessoas no «ObamaCare» até ao dia anterior, mais concretamente 7,1; e, como disse Charles Krauthammer, trata-se de um número falso («phony number»), que não merece qualquer credibilidade – como, aliás, qualquer coisa que venha deste presidente e desta administração, que já demonstraram sucessivas – e demasiadas – vezes que não hesitam em quebrar promessas, dizer mentiras, difamar opositores e lançar contra eles, directa e indirectamente, e ainda contra jornalistas, os meios – humanos e técnicos – do Estado que têm à sua disposição. Dessas supostas sete milhões de inscrições quantas de facto se concretizaram num pagamento e não apenas numa intenção? E qual é o rácio entre «novos» seguros e entre os «velhos» que foram cancelados por causa do ACA? Jimmy Fallon, inesperadamente, foi quem reagiu mais acidamente – e certeiramente – contra este alegado «êxito», salientando ironicamente que é «espantoso o que se pode conseguir quando se torna algo obrigatório e se multam as pessoas que não o fazem e se continua a alargar o prazo-limite durante meses.»)      
(Segunda adenda – Decididamente, o Sr. Hussein não consegue deixar de mentir; é algo que nele é «normal», sai-lhe «naturalmente». Esta de não terem procedido a uma «venda dura» («hard sell») do «ObamaCare»… nem dá vontade de rir. Então as dezenas de anúncios com celebridades, as presenças do Nº 44 em todo o tipo de programas de televisão e de rádio, campanha maciça nas redes sociais… foi o quê? Uma «light sell»?)

quinta-feira, 27 de março de 2014

«NA(u)S(e)A»

(Duas adendas no final deste texto.)
A invasão e anexação da Crimeia pela Rússia, e as subsequentes sanções políticas e económicas aplicadas àquela, podem proporcionar – aliás, já estarão a proporcionar – consequências algo constrangedoras, danos, se não concretos, físicos, materiais, então pelo menos de imagem. Concretizando: os países europeus poderão sofrer retaliações por parte de Moscovo no que se refere ao abastecimento de gás natural. E os Estados Unidos da América? Haverá alguma área em que possam ser prejudicados pela pátria de Vladimir Putin por terem decidido – tarde e deficientemente, está comprovado – opor-se aos desígnios territoriais do presidente russo? Na verdade, há; mas não se trata de algo que acontece na Terra mas sim… fora dela.
A actual administração norte-americana decidiu, recorde-se, e para além das forças armadas, também «transformar fundamentalmente» a National Aeronautics and Space Administration: esta passou a ter um papel cada vez mais preponderante na promoção das causas do «politicamente correcto», como a apologia do «aquecimento global» ou das «alterações climáticas» - um exemplo, pode dizer-se, de grande «criatividade artística» - e a valorização dos contributos de muçulmanos no desenvolvimento da ciência; conquistar o espaço deixou de ser prioritário, e, revertendo uma decisão, ou uma ambição, de George W. Bush, Barack Obama não autorizou, directa ou indirectamente, o desenvolvimento de um projecto de «regresso à Lua» nem a concretização de uma alternativa aos vaivéns após estes terem deixado de ser utilizados… definitivamente. Tão avessos a poupar, os democratas decidiram fazê-lo exactamente onde não convinha… Resultado? Os norte-americanos viram-se, e vêem-se, desde então na contingência – e na (dispendiosa) humilhação – de dependerem dos russos, seus históricos rivais desde o lançamento do Sputnik, para transportarem os seus cosmonautas até à Estação Espacial Internacional. Agora, a pergunta óbvia é: e se Moscovo decidir que as «boleias» nas Soyuz acabaram?     
Se a resposta for… aquela que é mais de recear, a vergonha do outro lado do Atlântico será incomensurável. E tal será da inteira responsabilidade de Barack Obama e de quem o «aconselhou» a fazer um «downsizing» da NASA; esta ter-se-á já transformado em «NA(u)S(e)A» - uma situação de grande... gravidade. Entretanto, a vontade de vomitar aumentou com mais uma (deplorável) intervenção da agência, especificamente no apoio a um estudo que, sob o pretexto de traçar cenários de «colapso da civilização», acaba por subscrever, como solução e prevenção, as mais desacreditadas fórmulas marxistas – indo ao encontro, aliás, do que na ONU se anda igualmente a propor. É aquilo que se pode designar de «abordagem melancia»: verde por fora, vermelha por dentro…    
Se no que se refere ao espaço sideral a desistência parece ser a opção dos democratas, o mesmo parece estar a ocorrer quanto ao ciberespaço. Na Casa Branca está em curso aquela que Joel B. Pollak designa como «a pior coisa, de longe, que Barack Obama fez em política externa»: a cedência do controlo da Internet, por parte dos EUA e através da ICANN, à ITU e à «comunidade internacional» - onde, claro, não faltam países oprimidos por ditaduras ou «quase-ditaduras» desejosas de controlar e mesmo de eliminar as comunicações electrónicas. Venezuela e Turquia são os membros mais recentes de um (infame) «clube» onde já têm assento permanente Cuba e a China. Até Bill Clinton está contra a decisão! Porém, deve-se colocar a questão de os próprios EUA, sob Barack Obama, se terem tornado uma «nação-prisão» no espaço virtual: os efeitos das revelações sobre as actividades de «recolha de dados» da National Security Agency (NASA, NSA, isto estará tudo… ligado?) continuam a surgir e a fazer-se sentir, e o próprio presidente, ou os seus conselheiros, vêem-se obrigados a dar explicações, e a acalmar os ânimos, de empresas como a Facebook e a Google, cujos fundadores e presidentes se contavam (será que ainda se contam?), ironicamente, entre os seus maiores apoiantes
A «América de Obama», caracterizada pelo excesso de propaganda, e pelos abusos estatais sobre cidadãos com recurso a tecnologias cada vez mais sofisticadas, poderia proporcionar a Philip K. Dick ideias e inspirações para novos romances; mas não tanto a Arthur C. Clarke, porque o ímpeto para conhecer novos mundos é quase inexistente... Pelo que voltar a viajar até à Lua, e, eventualmente, construir lá uma base permanente, e até enviar uma missão tripulada a Marte, são projectos que, infelizmente, parecem ser e vão continuar a ser apenas do domínio da ficção científica. Pelo menos enquanto os democratas continuarem no poder. (Também no Simetria.
(Adenda - Ao prescindirem de ocupar os «espaços vitais» - o espaço exterior, o ciberespaço -  e, ao mesmo tempo, a optarem por diminuírem as suas forças armadas, os EUA estarão a retirar-se e, logo, a renderem-se.)
(Segunda adenda - Há gente que não tem mesmo a noção do ridículo... ao persistir, de uma forma cada vez mais histérica, em aceitar ficções como factos. Nos EUA como em Portugal. Todos, provavelmente, são grandes admiradores de Roland Emmerich.

sábado, 22 de março de 2014

Onde está o senador Obama?

(Uma adenda no final deste texto.)
Há um «mistério» que continua sem solução mais de cinco anos depois: o que terá acontecido ao senador Barack Obama, do Partido Democrata pelo Illinois? Ele «desapareceu» a 20 de Janeiro de 2009, isto é, no dia da sua tomada de posse como 44º presidente dos Estados Unidos da América… Quem temos visto na Casa Branca desde então «só pode ser» um impostor porque diz e faz exactamente o contrário do que o senador Obama defendia.
Trey Gowdy, representante pelo Partido Republicano da Carolina do Sul, lembrou há pouco mais de uma semana, durante uma intervenção sua no Congresso, várias afirmações do saudoso senador Barack Obama, todas com o mesmo tema: a condenação do abuso de poder por parte do ramo executivo, da perda de prerrogativas por parte do ramo legislativo, enfim, do desrespeito da Constituição; há gravações de intervenções dele no mesmo sentido, como por exemplo esta de 2006 e esta de 2008. Ora, acontece que aquele que se faz passar por «presidente» Obama tem feito precisamente o oposto, em especial no que se refere à aplicação do denominado Affordable Care Act, adiando e/ou alterando sucessivamente, à revelia do Congresso, componentes e prazos fundamentais daquela lei. Mas não é só nisto que se sente a falta do senador Obama: ele prometeu a «administração mais transparente de sempre», e o que há é precisamente o oposto; ele prometeu que não contrataria lobbyists, e muitos entraram na Casa Branca; ele prometeu que fecharia a prisão de Guantánamo... e esta continua aberta; ele insurgiu-se contra a alegada «tortura» feita a terroristas… e agora são às dezenas os que são «executados» sumariamente com drones; ele condenou em 2008 uma dívida nacional total que era então de nove triliões de dólares, e classificou o aumento, por George W. Bush, de quatro triliões, como algo de «irresponsável» e «não patriótico»… e agora a dívida está em 17 triliões, ou seja, oito (o dobro de GWB) foram adicionados pelo actual «presidente». E a senadora (democrata) Claire McCaskill diz que se trata de um valor «irresponsável»!    
É pouco provável que o senador Barack Obama fizesse, repetidas vezes, promessas quanto às consequências de uma reforma do sistema de saúde do país… e, confirmando-se que foram quebradas, admitir essa autêntica «traição» - decisiva, sem dúvida, na reeleição do «impostor» - calmamente, como se nada fosse, numa entrevista à televisão! De facto, que dúvidas podem existir de que não estamos perante o homem que venceu em Novembro de 2008? Será que o «verdadeiro» Obama, em plena crise causada pela invasão e anexação russa da Crimeia, e ainda, como preocupações adicionais, a ter de lidar com problemas na Venezuela, Turquia, Síria, Irão e Coreia do Norte, teria tempo e paciência para fazer entrevistas descontraídas com humoristas como Zack Galifianakis e Ellen DeGeneres, com quem aproveitou para «vender» o (c)ACA, tal como um actor a promover o seu mais recente filme? E para receber Lance Bass e os «Marretas» na Casa Branca? Teria tempo e paciência para anunciar em directo as suas previsões para o campeonato universitário de basquetebol norte-americano? Permitiria uma viagem da esposa, filhas e sogra à China no Air Force One, sem motivos válidos (que não, mais uma vez, o turismo) e sem jornalistas a acompanhá-las? Estaria já a preparar – ou teria já dado instruções nesse sentido – as suas próximas férias de Verão no sítio «chique» do costume?
Acaso estes são comportamentos dignos de um verdadeiro presidente? Claro que não. Nem do - «desaparecido» - senador Barack Obama, que, certamente, não organizaria uma iniciativa denominada «My Brother’s Keeper», destinada a auxiliar as famílias carenciadas afro-americanas, e mantendo ao mesmo tempo, hipocritamente, uma relação problemática com… irmãos dele. Na verdade, ele não tem sido o «guardador» do seu meio-irmão George Hussein Obama, que (sobre)vive num bairro de lata em Nairobi, a capital do país (Quénia) onde ele antes dizia ter nascido. Nem de outro meio-irmão, Mark Obama Ndesandjo, que afirmou que o presidente mentiu sobre (não) ter estado com ele. Nem de ainda outro meio-irmão, Malik Obama, que afirmou que «os muçulmanos destruirão Israel» - com este o «guardar» não quererá tanto dizer «proteger» mas sim mais «vigiar»…
Um verdadeiro presidente, e para mais do Partido Democrata, não chegaria a um ponto em que… vários democratas, liberais, esquerdistas, se queixam dele! A começar pelos congressistas que têm os seus lugares em risco nas próximas midterms e que, por isso, não hesitam em (continuar a) produzir e divulgar anúncios eleitorais contra o «ObamaCare». E passando pelos artistas que o satirizam e pelos jornalistas (uns mais legítimos do que outros) que se queixam de serem censurados pela actual administração… e já não só de serem «apenas» vigiados, «escutados». A ideia de que Barack Obama é como que «venenoso» começa a difundir-se, e não é só um opositor como Reince Priebus a dizê-lo: são também «burros» a admiti-lo, a coberto, claro, do anonimato, a órgãos de comunicação social como o New York Times; um verdadeiro presidente não seria «tóxico», como que «impróprio para consumo». O que também pode explicar porque é que a pessoa que tomou o lugar do Nº 44 não integra a lista dos 50 grandes líderes mundiais, elaborada e divulgada pela revista Fortune; e porque é apontado, numa recente «pesquisa», como o «quinto melhor presidente dos EUA»… uma posição que não é tão favorável quanto parece. ;-) De qualquer forma, não há dúvida: há que encontrar, o mais depressa possível, o senador Obama, o verdadeiro Barack Obama!
(Adenda - Mais uma «prova» de que a pessoa que passa por presidente dos EUA não é o «verdadeiro» Barack Obama? Este, ao contrário do «usurpador», já teria reconhecido que Mitt Romney tinha razão; e não insistiria no erro, não se recusaria a reconhecer a realidade de que a Rússia não é, apenas, uma «potência regional». E há que perguntar a Hillary Clinton, que agora veio afirmar que está «muito preocupada com a direcção» que o país tem tomado, o que é que ela andou a fazer durante quatro anos.)    

segunda-feira, 17 de março de 2014

Sinais de desespero (Parte 2)

(Uma adenda no final deste texto.)
Na frente externa, em resumo, é isto: por causa da «flexibilidade» que prometeu a Vladimir Putin, Barack Obama permitiu o surgimento de uma «nova guerra fria» que tem na ocupação de parte do território da Ucrânia - a Crimeia – por forças militares russas o motivo de maior preocupação (mas há outros). Na frente interna, em resumo, é isto: como ficou demonstrado pela victória do republicano David Jolly na eleição para um lugar na Casa dos Representantes pela Flórida contra a democrata Alex Sink (que até era a favorita, dispôs de maior apoio financeiro e político e corria num círculo eleitoral que BHO venceu em 2008 e 2012), a aprovação e implementação do «ObamaCare» pelo Partido Democrata vai – tudo neste momento o indica – custar muito caro aos seus congressistas nas eleições de Novembro próximo.
Neste contexto deprimente, o que fazem os «burros»? Reagem como estão habituados a fazer: (tentam) desvalorizar a derrota e/ou (tentam) desviar as atenções para outro assunto e/ou causa, frequentemente falsa e/ou ridícula. Agora, e mais uma vez, são as «alterações climáticas» - antropogénicas, isto é, (supostamente) causadas pelo homem – que servem de (fraco) «refúgio» aos desorientados democratas… que não têm vergonha em organizar uma «sessão alongada» - várias horas seguidas, entrando pela madrugada dentro! – no Senado para debitarem todas as idiotices já por demais conhecidas neste âmbito. Note-se que os cerca de 30 «azuis» não conseguiram, porém, aguentar-se mais tempo do que Ted Cruz, sozinho, no ano passado. Além disso, esta «maratona» de manipulação e de mentira terá tido a particularidade de constituir uma «encomenda» de (ou um «frete» feito a) Tom Steyer, bilionário que doou recentemente 100 milhões de dólares (!) para financiar as campanhas eleitorais dos democratas, e que é um «crente» nas «causas ecológicas». 
No entanto, a este seu «benfeitor» - e, já agora, também a George Soros – é que não ouvimos Harry Reid chamar de «não americano» do qual «não tem medo» e acusá-lo de «querer comprar a América», que foi o que ele fez recentemente em pleno Capitólio, não uma, não duas, não três, não quatro mas sim cinco vezes (!!) em relação aos irmãos Charles e David Koch. Que têm o «descaramento» de apoiar candidatos e projectos mais à direita, apesar de não serem, longe disso, os que mais gastam nos EUA, no total dos «mecenas», tanto conservadores como liberais. Têm, todavia, 100 milhões de dólares para oferecer ao Hospital Presbiteriano de Nova Iorque, uma acção de extraordinária generosidade que, mesmo assim, foi alvo de inacreditável contestação por parte de uma turba vil de sindicalistas esquerdistas!
Harry Reid acusa os republicanos de serem «viciados em Koch» mas é ele quem tem estado constantemente com Koch na boca… porca. Tão porca, aliás, que teve o atrevimento de afirmar que «todas as “histórias de horror” (sobre o «ObamaCare») não são verdadeiras», e foram fabricadas para anúncios pagos pelos irmãos Koch – pois, é uma obsessão aparentemente sem remissão. Depois, lá corrigiu para «grande maioria» (dessas histórias). Previsivelmente, os protestos não se fizeram esperar, como o de Julie Boonstra, doente com cancro que perdeu o seu seguro de saúde devido ao (un)Affordable Care Act e que exigiu um pedido de desculpa ao «Rei(d) da Comédia». Ela bem que pode esperar sentada…
Evidentemente, não é só o sacana e senil líder da maioria no Senado a dar (novos) sinais de desespero, seu e do seu partido. Joe Biden fez uma «pausa» na sua normal produção de gaffes mais ou menos risíveis para afirmar que a aprovação de novas leis eleitorais no Alabama, na Carolina do Norte e no Texas que requerem a apresentação de um cartão de identificação para votar são uma demonstração de «ódio» - algo com que George R. R. Martin concordará. Menos conhecido, mas não menos raivoso, é Allan Brauer, democrata da Califórnia, que não se importaria de ver mortos todos os políticos republicanos, e ainda os filhos deles. Em suma, os «burros» estão com medo, em pânico e andam a «passar-se», o que pode explicar algumas «sessões de gritaria» recentes. Eles, sim, são os radicais, na forma como no conteúdo.
(Adenda – Hillary Clinton pode ter comparado recentemente Vladimir Putin a Adolf Hitler, mas isso não apagará a responsabilidade que ela tem no presente (mau) estado das relações com a Rússia, simbolizado naquele ridículo episódio do «botão de reinício» («reset»)… Entretanto, Joe Biden voltou a meter a «pata na poça», desta vez na Polónia; mais uma gaffe… ou mentira? Um «camarada» dos dois, Chris Murphy, também foi «apanhado» a fazer figuras tristes: foi de porta em porta para tentar convencer eleitores do Estado de que é senador, o Connecticut, a se inscreverem no «ObamaCare»! O que, porém, sempre é menos mau do que tentar impingi-lo a uma turista candiana! O que faz o desespero…)     

domingo, 9 de março de 2014

Forças (des)armadas

(Uma adenda no final deste texto.)
Poderá ter sido mais do que uma coincidência? Cerca de 48 horas depois de Chuck Hagel ter anunciado uma redução do número de efectivos das forças armadas dos EUA, a Rússia avançou para a Crimeia. Como se quisesse dizer: «Eles vão ser menos, logo nós não temos medo»…
Porém, nem russos, chineses ou outros declarados (ou não) rivais dos EUA precisam de se preocupar (muito) com um potencial confronto com o Pentágono… porque os próprios (ir)responsáveis governamentais estão a tratar, internamente, de minar a operacionalidade e a moral militares. A «transformação fundamental» prometida por Barack Obama passa também pela defesa. E as mudanças mais significativas já introduzidas não são tanto (ainda) ao nível quantitativo mas sim ao nível qualitativo. O Partido Democrata está a enfraquecer – deliberadamente? – a melhor, mais sofisticada, mais poderosa estrutura mundial, tornando-a num espaço onde impera o «politicamente correcto». Onde agora predomina a apologia da causa LGBT e a afronta ao cristianismo. Onde se contemporiza com muçulmanos e se apontam compatriotas de direita como inimigos. 
Os exemplos têm-se sucedido desde a tomada de posse do Nº 44. Em Junho de 2012 o Departamento de Defesa organizou pela primeira vez o seu próprio evento de «orgulho gay», com mensagens especiais do presidente e do então secretário da Defesa Leon Panetta; na capela da Academia de West Point já se celebram «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo… e quem ousar criticá-los arrisca-se a ser punido pela sua eventual comandante lésbica; na base aérea de Kadena, no Japão, já se organizam espectáculos de travestis em apoio dos LGBT’s em uniforme. Entretanto, o Pentágono anunciou que levaria a tribunal marcial os militares cristãos que «promovessem» a sua fé, e para a prisão os sacerdotes que prestassem serviço durante o último «fecho governamental»… decisões, provavelmente, resultantes da – bizarra – associação do DdD com o extremista anti-religioso Mike Weinstein; e presépios foram retirados de pelo menos duas bases, a de Guantánamo e a de Shaw. Neste contexto, (quase) não surpreende que no ano passado se soubesse não de um mas sim de dois casos em que entidades dentro do exército classificaram cristãos e/ou direitistas como potenciais perigosos extremistas; o que «justificará», por sua vez, que um sargento tenha sido proibido de ler livros de autores como David Limbaugh, Mark Levin e Sean Hannity…        
… Porque, provavelmente, aqueles famosos conservadores são exemplos dos «homens brancos, heterossexuais e cristãos» que são criticados num recente manual de treino militar como sendo (injustamente) privilegiados. Em outro manual, específico para os soldados colocados no Afeganistão, aqueles são aconselhados a não defenderem naquele país os direitos das mulheres, a não criticarem a pedofilia e os talibans. Estes, ou os seus simpatizantes, podem por sua vez insultar militares norte-americanos mortos em acção em frente aos seus familiares e camaradas… o que aconteceu numa cerimónia fúnebre realizada em 2011 na base de Bagram, em Kabul; igualmente ofensiva foi a decisão, por parte do Departamento de Defesa, de não atribuir, postumamente, condecorações – cruzes púrpura – aos militares mortos em Fort Hood pelo terrorista infiltrado Nidal Hasan em 2009. Afinal, há agora prioridades maiores do que homenagear devidamente os que caíram em combate… tais como, na Marinha, fazer das «alterações climáticas» um princípio orientador, o que inclui gastar dezenas de milhões de dólares em «combustível biológico» de qualidade duvidosa. E, além de «verde», o Pentágono não se importa de ficar «vermelho»: não se compreende a «lógica» nem as vantagens de os EUA decidirem recorrer a um satélite chinês para realizar (parte das su)as comunicações militares!
As «novas forças (des)armadas» norte-americanas encontraram em Chuck Hagel, mais do que em Robert Gates ou em Leon Panetta, o seu representante ideal. Há todos os motivos para desconfiar e duvidar de alguém que é elogiado por notórios anti-semitas como Ahmed Yousef (conselheiro do Hamas) e Louis Farrakhan… talvez porque gostaram de saber que o ex-senador republicano concorda(va) que os EUA são como que o «rufia do Mundo» e que acredita(va) que Israel controla(va) o Departamento de Estado – apenas duas de várias opiniões e posições polémicas que Hagel assumiu ao longo dos anos, incluindo em iniciativas organizadas por grupos de pressão árabe-americanos. Apesar da oposição dos senadores do GOP à nomeação, expressa na respectiva audiência no Capitólio, e em que se destacou Ted Cruz, ele foi mesmo confirmado. Pouco mais de seis meses depois, Bill O’Reilly pediu a demissão do secretário de Defesa por este não ter assegurado o pagamento, aquando do shutdown, de benefícios a familiares de militares mortos.
Barack Obama já deu a entender, mais do que uma vez, que, qual rei ou imperador, considera as forças armadas como sendo algo seu. E, segundo diversos comentadores e especialistas, será esse sentimento de posse que o leva a proceder naquelas a «experiências sociais radicais» (que fazem dos soldados «ratos de laboratório»), «purgas» e mais «purgas», e até mesmo uma «operação de demolição». A manipulação e a perversão são de tal ordem que há quem fale que está em vigor uma nova directiva «Don’t Ask, Don’t Tell»… mas revertida.
(Adenda – Mike Weinstein «voltou a atacar»: agora conseguiu que a academia da força aérea norte-americana removesse um verso da Bíblia do quadro branco de um aluno! É (mais) um exemplo de um (inadmissível) abuso sobre um indivíduo que, se continuar a ser repetido, pode degenerar em más condutas que afectam toda (um)a instituição. Como foi o caso da equipa dos Navy Seals abatida em 2011 devido em grande parte à negligência da actual administração, o que está hoje mais do que comprovado.)   

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Diplomacia macia (Parte 3)

(Três adendas no final deste texto.)
Não é que todo o Mundo esteja actualmente a «ferro e fogo», mas a verdade é que são várias as situações graves de crise e de conflito em outros tantos pontos do globo: na Venezuela o «jovem» regime comunista e ditatorial (redundância) de Nicolás Maduro apodrece, o que não impede uma repressão – desvalorizada, entre outros, por Oliver Stone – cada vez mais violenta de uma população carente e indefesa; na Nigéria os terroristas muçulmanos do Boko Haram matam dezenas de jovens em escolas cristãs; na Síria continua uma guerra civil entre maus (Assad e assalariados) e piores (Al Qaeda e aliados); na Ucrânia morreram mais de 100 pessoas numa quase guerra civil entre apoiantes da União Europeia e da Rússia; no Irão continuam a construir armas nucleares mas já sem as restrições de boicote económico e de sanções políticas; na Coreia do Norte o «velho» regime comunista e ditatorial (redundância) de Kim-Jong-Un já apodreceu mas ainda consegue massacrar os seus habitantes e ameaçar as nações vizinhas… com as armas nucleares que efectivamente construiu.
Enquanto tudo isto acontece, o que faz e diz John Kerry, secretário de Estado (isto é, ministro dos Negócios Estrangeiros) dos EUA? Em digressão pela Ásia, afirmou que as «alterações climáticas» - uma forma (um pouco) menos ridícula de se dizer «aquecimento global» - são o pior problema que o planeta enfrenta, mais, constituem até a maior «arma de destruição maciça» da actualidade! Isto num Inverno em que novos recordes de frio e de queda de neve foram batidos no Hemisfério Norte! Como se não fosse suficientemente patético tornar uma fraude científica parte de uma doutrina política nacional oficial, vai-se ao cúmulo de a «elevar» ao estatuto de suprema emergência e prioridade internacional! Evidentemente, o candidato derrotado (por George W. Bush) na eleição presidencial de 2004 limita-se apenas a seguir a orientação do «chefe», que declarou no seu mais recente discurso do Estado da União que «as alterações climáticas (antropogénicas) são um facto»…
… E que reiterou a falsidade, convenientemente, numa visita recente à Califórnia… única região do país onde há uma seca – que, aliás, é mais atribuível a (más) políticas ambientais do que a fenómenos atmosféricos. Melhor seria que Barack Obama se limitasse a repetir os estafados disparates ecologistas… mas não: revelando que não aprendeu com a estupidez de ter traçado uma «linha (vermelha)» na situação da Síria, voltou a fazer o mesmo, agora em relação à Ucrânia! Disse que «haverá consequências se as pessoas pisarem a linha» em Kiev. Jake Tapper, e não só, interrogou(-se) sobre quais seriam essas consequências. As mesmas que… não existiram para Damasco? A não ser que ele se estivesse a referir às linhas de trânsito nas estradas e nas ruas…
Perante tantas, tão graves e sucessivas demonstrações de inacreditável e hilariante incompetência, é de surpreender que a maioria (53%) dos norte-americanos acreditem, segundo uma sondagem da Gallup, que o seu presidente não é respeitado pelos outros líderes mundiais? É o resultado de uma contínua diplomacia macia… ou, por outras palavras, de uma «fraqueza provocadora» dos EUA… porque como que «provoca», «convida» todo o tipo de rufias internacionais a fazerem o que muito bem lhes aprouver. E com umas forças armadas reduzidas à dimensão que tinham antes da Segunda Guerra Mundial, que é o que acontecerá se for concretizada a proposta de orçamento do Pentágono para 2015 apresentada esta semana por Chuck Hagel, que medo e respeito poderá o país ainda inspirar aos seus inimigos? O secretário da Defesa nem sequer conseguiu que o seu homólogo ucraniano lhe atendesse os telefonemas que fez!
Diversos comentadores, como os conservadores Charles Krauthammer, George Will, Noah Rothman e Roger L. Simon, e os liberais Hank Heinkopf e Juan Williams, criticam asperamente a política externa e de defesa obamista, em especial o seu relacionamento com a Rússia, que alguns insistem em considerar um sucesso… e não o fracasso que de facto é. Agora não restam dúvidas de que, também nisto, Mitt Romney tinha razão. Esta administração, e nomeadamente o «esforçado» John Kerry, recebe, vá lá, o elogio de David Axelrod, mas a sua opinião não pode ser considerada insuspeita… Porém, as palavras mais desencantadas e eloquentes sobre uns EUA cada vez mais «encolhidos» na cena mundial vêm de Garry Kasparov. O famoso campeão de xadrez e opositor de Vladimir Putin, após relacionar, uma e outra vez, o que acontece(u) na Ucrânia com as… insuficiências da actual administração norte-americana, chegou à (inevitável?) conclusão: «ainda seria hoje um cidadão soviético se Barack Obama tivesse sido presidente em vez de Reagan
Felizmente para o Mundo, nessa época o Sr. Hussein era apenas um adolescente que queria principalmente drogar-se – se não com cocaína e charros, pelo menos com cigarros – e divertir-se. No entanto, e vendo bem, é isso que actualmente (continua a) acontece(r)… mas mais com golfe e festas. Distracções e descansos indispensáveis para quem, antes e depois, tanto se «cansa» clamando pelo aumento do salário mínimo e contra a desigualdade de rendimento.
(Adenda – Demonstrando não ter qualquer receio nem respeito pela «comunidade internacional», e em especial pelos EUA, a Rússia decidiu invadir a Ucrânia… algo que Sarah Palin previu há seis anos, baseando-se na já então evidente pusilanimidade do senador e candidato Barack Obama. E o que faz este agora quanto ao assunto, além de proferir uma declaração algo frouxa e pouco convincente mas em que, vá lá, fala de «custos» em vez de «linhas»? Obedece às ordens da esposa e, com Joe Biden, faz exercício - «devidamente» vestido – na Casa Branca; depois, vai «festejar» com os seus camaradas de partido; talvez de «ressaca», no dia seguinte falta a um encontro com os seus conselheiros em segurança nacional... mas, enfim, era num sábado! Pelo seu lado, John Kerry não quer ficar atrás no ridículo: antes, afirma que a Rússia está «pronta para ajudar a economia da Ucrânia»; depois, declara que Moscovo comete «um incrível acto de agressão»… que não é, contudo, de «alguém que seja forte»!)
(Segunda adenda – O Washington Post, em editorial não assinado (o mesmo é dizer, uma opinião oficial de todo o jornal), afirmou que a política externa de Barack Obama é «baseada em fantasia». Só agora é que descobriram isso?! Entretanto, há aqueles que continuam a recusar-se a aceitar a verdade e que preferem, ainda, culpar George W. Bush, como David Gregory e Rachel Maddow. Será que alguma vez se irão cansar de repetir a mesma patranha?) 
(Terceira adenda – Peter Baker, do New York Times, não pensa que Vladimir Putin tenha «muito respeito pelo Presidente Obama». A sério?! Terá isso a ver com a promessa de «maior flexibilidade» que o Nº 44 fez a Dmitri Medvedev? No que se refere à Ucrânia o objectivo do Sr. Hussein parece ser, agora, segundo Neil Munro, apenas o de «desescalar» este conflito internacional… para, é de supor, voltar a concentrar-se no que é mais importante para ele: escalar o conflito nacional com os republicanos.  Porém, a incompetência de BHO na política externa e de defesa não é surpreendente e se antecedente: como demonstra Ann Coulter, outros presidentes democratas falharam em momentos cruciais do passado.)   

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Blá-blá-blá de Blasio

(Duas adendas no final deste texto.)
A 5 de Novembro de 2013 os cidadãos de Nova Iorque não elegeram apenas o primeiro mayor (presidente de câmara) militante do Partido Democrata dos últimos 20 anos, e por 73% dos votos! Também confirmaram que uma parte considerável do eleitorado norte-americano continua perigosamente afectado pela ignorância, pela irresponsabilidade e pela superficialidade – expressa igualmente numa abstenção também próxima de 75% naquela cidade. Tal como aconteceu com as victórias (de 2008 e de 2012) de Barack Obama, a de Bill de Blasio (cujo nome verdadeiro é Warren Wilhelm) representa o triunfo do estilo sobre a substância, da cor da pele sobre o conteúdo do carácter - isto é, a negação da «doutrina King». O presidente do país ganhou (duas vezes) principalmente porque é negro; o novo mayor de NY ganhou principalmente não porque é branco mas sim porque tem uma família bi-racial – é casado com uma negra e tem dois filhos mestiços…   
… E é melhor que seja essa a explicação, porque a alternativa é bem pior: os nova-iorquinos decidiram que queriam um comunista a dirigi-los. Porque é isso que Bill de Blasio é: um comunista. Não apenas por ter estado na Nicarágua a apoiar os sandinistas e em Cuba a gozar a lua-de-mel (depois trabalhou para Bill e Hillary Clinton). Também porque, já distante de eventuais e efémeros «devaneios de juventude», no seu discurso político actual, imediatamente antes e depois de ter sido eleito, ecoam pensamentos marxistas…. E, não, não estou a referir-me aos irmãos Chico, Groucho e Harpo mas sim ao «primo» Karl. O novo mayor já afirmou, mais do que uma vez, que o seu principal objectivo será o de acabar com as «desigualdades económicas e sociais» que «ameaçam» (?!) Nova Iorque, e que para isso vai seguir uma «nova direcção progressista».  
A cerimónia da sua tomada de posse, realizada no início de Janeiro, foi um espectáculo deplorável, mais típico de outra época… ou de outro país. Para se aferir o quanto foi mau basta dizer que até o New York Times a criticou! Não faltou um fossilizado Harry Belafonte a protagonizar mais um gerontocrático embaraço e a acrescentar a «racial» à lista das supostas «desigualdades»; outro convidado, o «reverendo» Fred Lucas Jr., (des)classificou a cidade como sendo uma «plantação»; e, talvez como acto simbólico inicial a marcar a futura política de «redistribuição de riqueza», a Bíblia de Franklin Delano Roosevelt sobre a qual Bill de Blasio fez o juramento desapareceu durante algumas horas… Enfim, foi uma demonstração de deselegância e de má educação – em especial para com o antecessor Michael Bloomberg, mas não só; ou, como Jake Tapper comentou, foi uma inauguração marcada pelo «partidarismo (ou facciosismo) amargo e por um tom de exclusão». Que seria confirmado – e agravado – um mês depois no «discurso do Estado da Cidade» em que BdB elencou os componentes fundamentais da sua utopia, que inclui o aumento generalizado dos salários dos funcionários públicos e a concessão de documentação a todos os imigrantes ilegais; a abertura de (mais) clínicas de aborto e o fecho de centros de (apoio à) gravidez; e ainda a contribuição «desinteressada» de ex-presidiários na definição das políticas de segurança de Nova Iorque.   
Na verdade, o que é que poderá correr mal? Sinceramente, haverá mesmo motivo para alarme? Afinal, qual é o «problema» de a metrópole mundial por excelência do capitalismo e da alta finança ter como principal autarca alguém que admite não ser a favor do mercado livre e acredita na «mão pesada do governo»? Que já avisou que vai – ou que quer – aumentar (muito) os impostos aos ricos para financiar vários (novos) programas sociais, em particular programas de educação pré-escolar? Que concordou, e reforçou, as (execráveis) declarações de Andrew Cuomo de que conservadores, portadores de armas, pró-vida e pelo casamento tradicional não têm lugar no Estado (e na cidade) de Nova Iorque? E que, ao contrário do governador estadual, não se arrependeu nem lamentou essas declarações, chegando a confessar – ao menos não é hipócrita -  que «não se deve entrar em maluqueiras com esta ideia de diversidade»… isto a propósito da hipótese (muito remota…) de a sua administração contratar republicanos…
Em «contrapartida», as pessoas que efectivamente integram o seu círculo mais próximo de amigos, aliados, assessores e amanuenses denotam uma elevada «diversidade»… nos tons de vermelho. Por exemplo, há Laurie Cumbo, que explica a ocorrência do denominado «knockout game» como o resultado de uma «preocupação genuína» com a influência judaica; Melissa Mark-Viverito, que foi presa em 2011 quando, ao participar no «Occupy Wall Street», resolveu ajudar a bloquear o trânsito na Ponte de Brooklyn – antes, em 2009, foi à Bolívia trabalhar na campanha eleitoral de Evo Morales; Inez Barron e Margaret Chin, admiradoras de Fidel Castro, Robert Mugabe, Muammar Khaddafi e Mao-Tse-Tung.  Uma galeria de «ídolos do proletariado» à qual quase só falta Che Guevara, cujo (icónico) rosto adorna a camisa que Bill de Blasio afirma usar só aos fins-de-semana…      
Rudy Giuliani, ante a perspectiva de ser destroçado todo o seu legado, está, compreensivelmente, (muito) preocupado. Peggy Noonan acusa BdB de ser um divisor, e não um unificador. Ann Coulter vai avisando que os índices de criminalidade vão aumentar drasticamente. Mas Christopher Bedford acredita que ainda vai levar algum tempo até de Blasio conseguir destruir a cidade, e George Will calcula que dentro de três anos os nova-iorquinos se vão arrepender e exigir o regresso à era pré-de Blasio. Talvez não seja preciso tanto tempo… Na verdade, vários dos seus camaradas democratas não parecem ser grandes entusiastas dos extremismos demográficos, fiscais e pedagógicos do mayor, de entre os quais se destaca… Andrew Cuomo, provavelmente perturbado por estar a perder o protagonismo entre os «progressistas» da «Grande Maçã». E há mais… BdB já anunciou que não irá integrar (a 17 de Março próximo) a tradicional marcha anual em honra de São Patrício por os organizadores daquela não permitirem a participação de grupos LGBT – nunca é boa ideia irritar os irlandeses e/ou descendentes de irlandeses em Nova Iorque. Reiterou repetidamente, antes e depois de ser eleito, a vontade de acabar com os (populares) serviços turísticos de passeios por carruagens com cavalos, alegando que se trata de maus-tratos a animais – mas há quem aponte para outro motivo, o interesse de Steve Nislick, promotor imobiliário e apoiante de Blasio, nos estábulos… para os transformar em lucrativos prédios de apartamentos. E a recente «resposta», ou falta dela, das autoridades municipais às sucessivas e intensas ondas de frio e quedas de neve, que incluiu uma deficiente e desigual limpeza nos diferentes bairros da cidade e a decisão de manter as escolas abertas, originou várias e veementes críticas.
O blá-blá-blá de Bill de Blasio é preocupante por poder configurar uma «cultura de intimidação» (típica, aliás, dos democratas), por prenunciar uma passagem das palavras (ameaçadoras) aos actos (prejudiciais). Seria de esperar que os nova-iorquinos (e não só) já tivessem aprendido a lição – sobre o que acontece quando certas pessoas têm acesso ao poder. Porém, e aparentemente, a memória é curta junto à foz do rio Hudson.
(Adenda – Alguém poderá ficar verdadeiramente surpreendido por Bill de Blasio ser mais um hipócrita adepto do «faz o que digo mas não o que faço»? Esta semana, depois de participar numa iniciativa sobre segurança rodoviária, foi «apanhado» em excesso de velocidade e a passar sinais vermelhos. O seu mandato tem tido um início «hilariante e horrífico» e provavelmente vai continuar assim. Entretanto, em Portugal há quem pareça estar iludido pela excessiva «hospitalidade» do novo mayor.)
(Segunda adenda – Entretanto, e como que em «compensação» pela – extrema – viragem à esquerda em Nova Iorque, no outro extremo dos EUA, na Califórnia, São Diego tem um novo, e republicano, mayor: Kevin Faulconer.       

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

«PALINfrasia»* (Parte 4)

(Uma adenda no final deste texto.)
Sarah Palin celebra hoje o seu 50º aniversário, mas não é de esperar que a maioria dos órgãos de comunicação social dos EUA assinale a data da mesma maneira elogiosa, e até entusiástica, como assinalou os 50 anos de Michelle Obama, a 17 de Janeiro último…
… Apesar de a ex-governadora do Alaska ter um percurso pessoal, profissional e político em nada inferior ao da actual primeira-dama, muito pelo contrário. Porém, sabendo-se o que tem acontecido nos últimos seis anos, desde que Sarah Palin se tornou nacional e internacionalmente conhecida após ser escolhida em 2008 por John McCain como candidata à vice-presidência dos Estados Unidos da América pelo Partido Republicano, já será muito bom se ela passar esta data sem mais um ataque, insulto, ofensa, por parte dos seus adversários, e inimigos, ideológicos. O que não será fácil: a doença que eu designei de «PALINfrasia» continua sem ser debelada. Os democratas, liberais e «progressistas» declararam-lhe desde o início uma «guerra às mulheres personalizada» para a qual não há fim à vista; a sua mera existência é uma ameaça para eles, e exemplos mais ou menos recentes desse ódio não faltam. Dan Savage, «candidato» ao título de «”homem” mais nojento da América», expressou o desejo de que Palin se «engasgasse» com bolos de Natal e que morresse. Martin Bashir, já se sabe, «apenas» sugeriu que alguém defecasse na boca dela. Bill Maher, não satisfeito com denegrir a mãe, atreve-se a troçar do filho deficiente. Snoop Dogg (agora Lion) e amigos, fantasiam sexualmente com Sarah – aliás, qualquer homem inclinado à esquerda que diga mal dela muito provavelmente padece do «mal» conhecido como «quem desdenha quer comprar». Também de mulheres supostamente «liberadas» ela vai recebendo remoques… para uma republicana não há «solidariedade feminista». Tina Fey, que, aparentemente, pouco mais consegue fazer do que imitá-la (mal). Halle Berry, prima (distante) da ex-governadora e para quem essa relação de parentesco é «a pior coisa que se pode imaginar»!   
A paranóia, a perseguição e a «poluição» (mental) são de tal ordem que de Sarah Palin até fazem uma vilã de banda desenhada! Assim, por causa destas e de todas as outras atoardas que têm lançado sobre ela, não é de admirar que muitas mentes que não primam pela inteligência e pela tolerância acreditem em qualquer aldrabice que, a brincar ou não, se inventa sobre ela. Como, por exemplo, que: ela ia ser colaboradora da Al Jazeera… (no Washington Post «engoliram» esta); … e professora na Universidade de Harvard; Margaret Thatcher recusou recebê-la (no WP também «engoliram» esta); ela disse que o Dia de Acção de Graças não é um feriado para índios. Esta intrujice, em especial, originou tantas imprecações e tão desvairadas que ficamos sem saber se será mais adequado rir ou chorar… a rir.
No entanto, nem todos na «sinistra» são irremediavelmente, ou constantemente, estúpidos, como aqueles que ainda acreditam, em 2014, no «eu posso ver a Rússia da minha casa». Pelo menos uma vez Marc Lamont Hill, Noah Chomsky (!) e Ted Rall elogiaram e/ou concordaram com Sarah. Outros, muitos, continuam a não se aperceber da sua própria incoerência: se ela é «irrelevante» e «irresponsável» como dizem, então porque é que… continuam a falar dela? Numa sondagem divulgada no final de Janeiro, Palin é, continua a ser, a pessoa, a/o político(a) preferida dos republicanos que votam em eleições primárias. Provavelmente, entre muitos outros factores, porque teve razão antes do tempo ao avisar quanto aos perigos decorrentes do «ObamaCare», em especial a existência de «painéis da morte» e a interferência nas prerrogativas inerentes à Segunda Emenda.
O Alaska deve-lhe muito: Sarah Palin atrai turistas – e, logo, riqueza – para o Estado mais a Norte dos EUA. A família festeja mas também sofre por, e com, ela: só o pai já foi «visitado» pelo IRS seis vezes desde 2008, o que é sem dúvida uma «coincidência». E há os amigos, os colegas de partido, os «camaradas de armas» - literalmente e figurativamente – que lhe dão os parabéns e lhe desejam… feliz aniversário!
(* Palinfrasia – s. f. MEDICINA perturbação da elocução caracterizada pela repetição da última sílaba das palavras e, às vezes, de todas as sílabas de cada palavra (principalmente no atraso mental e na demência precoce) (Do gr. pálin, «de novo» + phrásis, «elocução» + ia) ) (Dicionário da Língua Portuguesa 2006, Porto Editora, página 1240)
(Adenda – Está já confirmada a presença de Sarah Palin na edição de 2014 da CPAC – a Conferência de Acção Política Conservadora.  Conseguirá ela ser mais ácida, mais acutilante do que no ano passado, em que quase ninguém, da esquerda à direita, escapou às suas críticas?)     

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Brincar aos médicos e enfermeiras

(Duas adendas no final deste texto.)
Decididamente, o mais recente discurso do Estado da União proferido por Barack Obama continua a dar que falar… e que escrever. Um dos momentos mais caricatos da cerimónia ocorreu quando o Sr. Hussein afirmou que ele, e a sua administração, estavam a reparar («fixing») o «Affordable Care Act»… e, logo a seguir, se ouviram gargalhadas. Da parte de republicanos, sem dúvida, mas não seria surpreendente se alguns democratas também não tivessem conseguido conter o riso, mesmo que discreto…
… Porque nos EUA só quem tem estado a dormir ininterruptamente desde Outubro é que não sabe que o «serviço nacional de saúde» que os democratas votaram e implementaram sozinhos continua a ser o desastre que se tornou evidente desde o princípio. Correcção: é um desastre ainda maior porque continuam a acumular-se novos factos sobre os (maus) efeitos da aplicação da lei. Há casos pessoais, isolados, que são eloquentes quanto à incompetência introduzida num sistema que, apesar de não ser perfeito, funcionava muito bem: um médico passou duas horas ao telefone à espera da autorização de uma seguradora para fazer uma cirurgia; há quem tenha levado seis semanas para se… «desinscrever» do «ObamaCare»; há quem tenha visto os seus dados pessoais serem roubados depois de ter acedido ao healthcare.gov (e não terá sido o único…); a muitas crianças estão a ser recusado tratamentos específicos, especializados, de que necessitam; e muitas crianças… que acabaram de nascer não estão a ser adicionadas aos processos dos seus país e famílias porque… o «eficiente» e «moderno» sítio na Internet que levou três anos e centenas de milhões de dólares para ser instalado não o permite! Entretanto, um funcionário do Departamento de Saúde admitiu, numa audiência no Congresso, que não se sabe o número de pessoas que pagou por um seguro de saúde… e, logo, quantas têm efectivamente cobertura! Tal acontece também, sem dúvida, porque o sistema, no início de Fevereiro, ainda não conseguia corrigir erros na submissão de candidaturas.       
Considerando tudo isto, é de surpreender que a Moody’s se prepare para descer a classificação das companhias de seguros e, desse modo, desvalorizar e diminuir as suas perspectivas comerciais e financeiras? Até no estrangeiro se sabe do caos que a (tentativa de) implementação do «(un)Affordable Care Act» está a causar – veja-se, por exemplo, uma reportagem do Daily Mail. No Washington Post alerta-se que a drástica redução dos médicos disponíveis sob o novo regime poderá deixar os pacientes «furiosos»… e impacientes; na Califórnia estes casos sucedem-se, incluindo doentes com cancro a quem médicos recusam fazer consultas. Também não muito contentes deverão ficar os (segundo o cálculo do Gabinete de Orçamento do Congresso) cerca de dois milhões e meio de pessoas que, por os empregadores quererem reduzir o mais possível os (altos) custos induzidos pelo «ObamaCare», deverão perder os seus empregos ou, na melhor das hipóteses, serem relegados para trabalho a tempo parcial. Um homem nessa situação teve recentemente, aliás, a possibilidade de confrontar directamente o próprio Sr. Hussein sobre o assunto. Da Casa Branca responderam através de Jason Furman, presidente do Conselho de Assessores Económicos do Nº 44, que: 2,5 milhões representam apenas «uma pequena percentagem da economia»; e, ao contrário de ser um desincentivo ao trabalho como afirma Douglas Elmendorf, director do CBO, o ACA pode até constituir, imagine-se, um «incentivo para mais empreendedorismo». No New York Times há quem concorde com esta interpretação (do aumento do desemprego), que consideram «libertadora»; já na MSNBC há quem prefira mudar de assunto
Entre os esquerdistas há, na verdade, muitos, cada vez mais, que parecem estar, e estão, desiludidos com o «ObamaCare»; descobrem que aquilo que foi prometido não corresponde à realidade. Um deles é Michael Moore, que admitiu, em artigo também no NYT, que o ACA é «horrível» («awful»). O que surpreende, visto que no seu filme de 2007 «Sicko» ele apresentava o sistema de saúde de Cuba como um exemplo a seguir; então agora que o dos EUA vai igualmente, e finalmente, no sentido da (irreversível?) «terceiro-mundialização» é que ele se arrepende e muda de opinião? Tão inconstantes, estes «progressistas»… Enfim, é o que acontece quando idealistas inexperientes e irresponsáveis com demasiado tempo e poder nas mãos decidem brincar aos médicos e enfermeiras... fazendo de todo um país como que um enorme, imenso «hospital» para as suas experiências.
(Adenda – Nancy Pelosi, recorde-se, foi uma das principais «culpadas» pela concretização do «ObamaCare», e disse que este deveria primeiro ser aprovado para depois se saber o que estava dentro dele. Agora, veio agora também enaltecer a possibilidade de, com a nova lei da saúde, os trabalhadores «escaparem» aos seus empregos! E isto a seguir a ter admitido, perante um galhofeiro Jon Stewart, que não sabia porque o sítio healthcare.gov havia falhado, e que tal não era da sua responsabilidade! Com quem ela não quer falar é Bill O'Reilly... porque, enfim, a cobardia por vezes «fala» mais alto.) 
(Segunda adenda - Mais uma componente importante do ACA acaba de ser, ilegalmente, alterada... isto é, adiada... para 2016. Que «coincidência»! É mais uma ilegalidade cometida por Barack Obama. O que «não é» um problema porque, como ele diz, «eu posso fazer o que quiser».)