segunda-feira, 25 de julho de 2016

É de sangue, e não de ketchup

Não seriam necessários os mais recentes ataques terroristas ocorridos nos Estados Unidos da América (São Bernardino e Orlando) e na Europa (França e Alemanha) cometidos por muçulmanos que juraram obediência ao ISIS para comprovar e para salientar o quanto foi ridícula e vergonhosa (vergonhosamente ridícula, ridiculamente vergonhosa) a afirmação de John Kerry, feita em entrevista dada a Jake Tapper na CNN há cerca de uma semana, de que os membros do autoproclamado Estado Islâmico estão «em fuga» - ou «a correr», tradução literal do «on the run» original. Sim, eles estão a correr, não de mas sim contra nós, ocidentais, atacando, assassinando, massacrando indiscriminadamente cidadãos inocentes, homens, mulheres e crianças; por vezes não o fazem a pé mas sim conduzindo um camião, como em Nice, ou dentro de um comboio, como em Wurzburg.   
É evidente que o actual secretário de Estado dos EUA não é o culpado, o (ir)responsável directo pela insegurança que afecta presentemente os habitantes do Velho Continente, mas sim as várias gerações de políticos e de governantes deste lado do Atlântico que não só permitiram que se criassem e se consolidassem comunidades de muçulmanos que não se integra(ra)m, que não respeitam os valores judaico-cristãos e as leis dos países onde vivem, mas decidiram também «importar» mais uns quantos milhares de «refugiados» que mais não são, na sua quase totalidade, do que imigrantes ilegais… e agressivos. Tanto de um «lote» como do outro têm surgido, nos últimos anos, sucessivos terroristas, cuja «aprendizagem» se inicia, invariavelmente, pelo ataque a mulheres, quer molestando-as (tocando e mesmo violando) sexualmente – são centenas, se não mesmo milhares, os casos (pouco ou nada noticiados na comunicação social) só no Reino Unido, na Alemanha e na Suécia – quer tentando matá-las – por vezes falham, como a mãe e as três filhas em Garde-Colombe, por vezes acertam, como a grávida em Reutlingen; diferenciam-se porque são originários de Marrocos, da Tunísia, da Síria, do Irão (como o atirador de Munique), do Afeganistão, mas têm em comum o serem, todos, islamitas. Porém, deve ser atribuído à actual administração norte-americana o «pecado original» da desvalorização e da relativização da ameaça maometana extremista na sua «versão» mais moderna, que começou com a designação «JV team» de Barack Obama (e a retirada das tropas note-americanas do Iraque) e cuja iteração mais recente foi dada (anteontem, 23 de Julho, em Viena) por, precisamente, John Kerry, que equiparou, em gravidade, o ISIS aos aparelhos de ar condicionado e aos frigoríficos – enquanto «causadores» de «aquecimento global».
Sim, o candidato presidencial do Partido Democrata em 2004 (derrotado por George W. Bush) é uma anedota, um incansável produtor de gaffes (nisso «rivalizando» com o seu «camarada» e ex-colega do Senado Joe Biden), mas tal não é de agora – na verdade, é uma «carreira» que já dura há quase 50 anos. E o facto de ser o «rosto» da diplomacia dos EUA apenas acentua – e amplia, infelizmente – essa propensão. Daria vontade de rir (às vezes convulsivamente) se não fosse, ao mesmo tempo, tão deprimente, ouvi-lo dizer: aos membros de uma subcomissão do Senado, «não era suposto ele (um ex-prisioneiro de Guantánamo que voltou a combater pela Al-Qaeda) fazer isso»; aos graduados da Universidade de Northeastern, que eles acabaram de entrar «num mundo complexo e sem fronteiras»; a jornalistas numa conferência de imprensa no Departamento de Estado, que neste «tentamos desfazer o ódio» - aqui só faltou ter, mais uma vez, James Taylor a acompanhá-lo à guitarra…
É de sangue, e não de ketchup, que John Kerry tem as mãos sujas… nem que seja figuradamente. E mesmo no que respeita àquele condimento não se pode dizer que a limpeza seja inequívoca… Recorde-se, antes de se explicar o porquê das dúvidas quanto à «higiene» moral do ex-senador pelo Massachusetts, que ele é casado, desde 1995, com a luso-americana (nascida em Moçambique) Teresa Heinz, até então viúva de Henry Heinz III, que se notabilizara não só enquanto herdeiro da companhia alimentar com o mesmo nome (famosa pelos feijões e pelo tomate) mas também como senador do Partido Republicano pela Pensilvânia. Pois bem (ou mal), este ano foram conhecidas pelo menos duas características muito controversas da carteira de poupanças e de investimentos do casal: a utilização de (onze!) «paraísos fiscais» off-shore; e participações em (doze!) empresas chinesas, incluindo uma que opera no Tibete. Não consta que os «social justice warriors», predominantes tanto nas ruas como nas redacções, tenham manifestado o seu desagrado.       

sábado, 16 de julho de 2016

Nem as europeias

(Uma adenda no final deste texto.)
No passado dia 7 de Julho, em Dallas, cinco polícias foram mortos e nove foram feridos por Micah Johnson, um negro, veterano do Afeganistão, um autêntico racista - ao contrário do que ridiculamente afirmou Marc Lamont Hill - e genuíno terrorista, que, previamente, anunciara a sua vontade e intenção de matar brancos, e em especial agentes da autoridade. Numa cruel ironia, o crime ocorreu aquando de uma manifestação (que decorria pacificamente) naquela cidade do Texas contra as mortes, por elementos das polícias do Louisiana e do Minnesota, de mais dois cidadãos afro-americanos; ou seja, mais dois pretextos para os habituais demagogos e agitadores, que incluem Kamala Harris, procuradora-geral da Califórnia e candidata democrata ao Senado, alegarem irresponsavelmente que existe o objectivo deliberado, ou, pelo menos, uma tendência predominante, por parte de homens e mulheres em uniforme, de atirarem sobre, e matarem, negros – uma falácia persistente que foi recente e comprovadamente desmentida num estudo realizado por um académico afro-americano! Nos dois dias seguintes, nos Estados da Geórgia, do Missouri e Tennessee, outros polícias foram alvejados. Entretanto, na «terra dos dez mil lagos», elementos locais do «Black Lives Matter» exigiram, nem mais nem menos, do que o desmantelamento do departamento da polícia!
Joe Walsh, ex-representante do Illinois pelo Partido Republicano, e o New York Post foram acerbamente criticados (à esquerda) pelas suas reacções ao ataque em Dallas: o primeiro emitiu um tweet (que depois apagou, mas não a tempo de evitar que ficasse registado) em que afirmava «isto agora é guerra»; o segundo colocou, na sua capa do dia 8, as palavras «guerra civil». Que, efectivamente, existe nos Estados Unidos da América, e não é de agora, como afirmei em texto, aqui no Obamatório, publicado em Abril do ano passado, concretamente «uma segunda guerra civil, mais uma vez por culpa dos democratas, que, com as suas (más) posições em áreas e em assuntos fundamentais, têm vindo a colocar em causa seriamente a coesão, a integridade e o desenvolvimento da nação. Agora a luta não envolve literalmente canhões e espingardas mas outras armas, de outros tipos… políticos, judiciais, administrativos e burocráticos, económicos e demográficos.» Entretanto, a luta, de facto e infelizmente, passou mesmo a envolver armas de fogo. Não que, reitero-o, elas sejam indispensáveis na guerra que a «sinistra» norte-americana promove e pratica, e com posições, creio, em que nem as suas congéneres europeias, em particular a portuguesa, se revêem. Atrever-me-ia (e atrevo-me) a supor que quase todos os dirigentes e os militantes do PCP, do BE e do PS ignoram que no PD: se contesta e se combate a utilização obrigatória de cartões de identificação em eleições; se defende a imigração em larga escala, sem penalizações para os que entram ilegalmente no país, e, pelo contrário, a concessão àqueles de diversos benefícios, incluindo na segurança social e na educação; se propõe o silenciamento (não acesso aos órgãos de comunicação social e às escolas) e até mesmo a prisão dos que não acreditam na existência de «aquecimento global»; se enaltece e se estimula o aborto em qualquer fase da gravidez, incluindo no fim da gestação, aos nove meses, com a criança prestes a nascer…
… E, sabendo-se isto tudo, não é propriamente surpreendente que os «progressistas» norte-americanos, sempre na procura de novos limites de depravação e de loucura para superar, tenham decidido abrir uma nova «frente» na sua guerra permanente aos mais básicos conceitos e fundamentos civilizacionais: as casas de banho. Na sequência da votação e da aprovação, com acalorada discussão, de «leis de liberdade religiosa» em Estados como a Carolina do Norte e a Geórgia, propostas para tentar contrariar a imposição, pelo governo federal, da «agenda LGBT», a actual administração, através do Departamento de (Des)Educação, enviou uma carta a todas as escolas do país «sugerindo» - na verdade, exigindo – que as «pessoas transgénero» devem aceder ao lavabo (e ao balneário, e ao vestiário) que corresponda(m) à sua «identidade de género escolhida» - ou seja, mesmo sem ter efectuado qualquer cirurgia, qualquer homem que diga ser mulher (e vice-versa) deve poder penetrar… onde quiser. E porquê? Porque, para os «liberais» do outro lado do Atlântico, e tal como foi expresso por Loretta Lynch, «discriminar» (a entrada em determinadas instalações) por sexo é tão grave e condenável como discriminar por raça ou etnia! Mais uma vez, é a «homossexualização» forçada da sociedade a ser implementada sob a forma de oposição à «heteronormatividade»: se a existência de machos e de fêmeas é geradora de conflitos, então que cada um(a) passe a ser um ou outro onde e quando quiser, ou qualquer outra das muitas (?) coisas que ficam entre os dois
É um novo cúmulo da hipocrisia o facto de praticamente as mesmas pessoas que ainda recentemente alertavam para a existência (não demonstrada) de uma «cultura da violação» («rape culture») nas universidades (e não só) dos EUA estejam agora a favorecer a propagação, a outros níveis, dessa «cultura», a criar as condições para que aquela realmente exista! Porque, obviamente, nunca faltaram nem faltarão os tarados, criminosos, que, aproveitando mais esta «mudança de mentalidades» e alegando que são «mulheres», mais facilmente conseguirão os seus intentos… a não ser que sejam apanhados e impedidos a tempo. Casos documentados e noticiados não faltam: é um aqui, outro ali, cinco cá, vinte e cinco acolá… Para além disso, o que também já não espanta, não houve escassez de políticos, «artistas» e até organizações que não só manifestaram o seu apoio ao «direito» de se escolher a retrete onde se quer urinar e defecar mas também, incrivelmente, ameaçaram ou concretizaram mesmo boicotes aos Estados onde isso estava a ser posto em causa. Porém, várias dessas individualidades e instituições mostraram ter «telhados de vidro» porque, enquanto se insurgem contra a falsa homofobia de cristãos, seus compatriotas, que apenas não querem participar em casamentos contra-natura e em outras manias desviantes, não se lhes conhece um protesto contra a verdadeira homofobia de (países) muçulmanos e comunistas, que assassinam LGBT’s só por o serem, e junto dos quais actuam e fazem negócios. Destacam-se, nessa autêntica galeria da infâmia, Andrew Cuomo, Bryan Adams, Cirque du Soleil, Javier Gonzales, Marvel, NBA, PayPal e Walt Disney.
É degradante, deprimente, e mais um indicador do quanto os EUA foram «transformados fundamentalmente», que várias e importantes entidades do país sejam dirigidas, aparentemente, não por gestores competentes mas sim por «guerreiros da justiça social» incoerentes. No entanto, se eles não hesitam em fazer das empresas como que «máquinas de guerra» que tomam (parte d)os consumidores como alvos, então estes devem ripostar recorrendo às melhores «armas» que têm: as suas carteiras.
(Adenda – Ontem, 18 de Julho, os noticiários das 13 horas na RTP e na SIC (não me foi possível verificar se aconteceu o mesmo no da TVI) passaram reportagens sobre o início da Convenção do Partido Republicano, que decorre este ano em Cleveland; em ambas foi dado «tempo de antena» aos manifestantes, esquerdistas, democratas, que já se encontram naquela cidade, contra o PR e contra Donald Trump, para expressarem as suas «opiniões»… e em ambas não se ouviu um único apoiante de um e de outro. Também nos dois noticiários se fez referência a mais um ataque a polícias, desta vez em Baton Rouge, no Louisiana, que causou três mortos – soube-se depois que o atirador foi membro dessa «tolerante», muçulmana, «nada radical» organização que é a Nação do Islão. Entretanto, verificaram-se outros ataques, em Milwaukee e em Kansas City, tendo dois agentes da autoridade ficado feridos. É evidente que nunca ocorreria a certos «jornalistas» das televisões portuguesas apontar o facto de que muitos dos que protestam contra os «elefantes» também incitam à violência contra polícias, e até «justificam» os assassinatos destes – como é o caso de um «redactor» do ThinkProgress, organização que, nunca é de mais lembrar, é financiada por George Soros.)     

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Menos livres e menos bravos

(DUAS adendas no final deste texto.
Mais um 4 de Julho que se assinala, mais um «Dia da (In)Dependência» que se celebra… A data mais importante na história dos Estados Unidos da América, um feriado em que supostamente se reconhece e se festeja o orgulho de ser cidadão daquele país, e a força, o poder, o respeito que dele emana…
… Porém, e na verdade, desde que Barack Obama é presidente, os EUA têm vindo… progressivamente a ter menos motivos para se sentirem seguros da sua superioridade. Não restam dúvidas de que o Sr. Hussein tem procurado, deliberadamente, enfraquecer, diminuir, o papel e o contributo do seu país na cena mundial, o que, mais preocupante, se traduz igualmente numa maior fragilização interna – uma economia que não se expande decisivamente (o que não surpreende, com um Estado, um governo federal, cada vez mais regulador e constrangedor), e uma multiplicação de conflitos «identitários» (raciais, étnicos, sexuais) estimulados e causados por militantes esquerdistas extremistas (uma redundância) que vêem na divisão e no ressentimento, mesmo que artificiais, a sua razão de ser. Tudo isto, claro, permitido e até incentivado por um «comandante-em-chefe» que não mostra – nunca mostrou – qualquer aptidão para o cargo. Ele gosta – sempre gostou – de, isso sim, fazer campanha eleitoral, e prepara-se para voltar à estrada e dar uma ajuda a Hillary Clinton na campanha presidencial – que, depois da conversa privada que o marido teve com Loretta Lynch, deverá muito provavelmente escapar a uma acusação… Afinal, qual é a surpresa? Acaso seria de esperar que a actual administração, e concretamente o Departamento de (In)Justiça, prejudicasse grave e irreversivelmente a candidata que o «chefe» daquela vai apoiar?
Portanto, é «business as usual» para o Partido Democrata, a maior e mais antiga organização criminosa dos EUA. Que se está «nas tintas» para que o país, ainda sob o seu controlo ao nível federal, se tenha «transformado fundamentalmente» numa anedota. E os exemplos disso não só não escasseiam como se vão sucedendo… Uma investigação recentemente completada e divulgada pela Marinha concluiu que os militares que em Janeiro deste ano foram capturados por iranianos não se comportaram à altura das circunstâncias e dos «altos padrões» que deles são esperados. Pelo que não é descabida a acusação de Carl Higbie, ex-SEAL, que a propósito daquele «embaraço nacional» considerou que se tem vindo a verificar uma «wussification» das forças armadas. Como que a confirmar essa «emasculação» já este ano se ficou a saber que soldados na Geórgia tiveram de assistir, em 2015, a uma apresentação sobre os «privilégios de ser branco, macho e heterossexual», e que a proibição da admissão de transgéneros havia sido levantada.
Evidentemente, a «wussification» alastra igualmente entre os civis, e nestes ainda com mais força. Há relatos de que, na Europa, diplomatas norte-americanos têm vindo a ser assediados, incomodados, ameaçados e até perseguidos por elementos das agências russas de inteligência e de segurança; as reacções da Casa Branca não têm sido propriamente marcadas pela firmeza e muito menos pela retaliação, o que vem provar mais uma vez a «flexibilidade» que Barack Obama prometeu a Vladimir Putin se fosse reeleito. Na verdade, as prioridades em Washington são outras: o Departamento de (In)Justiça anunciou que, a partir de 2017, todos os seus funcionários receberão formação e treino contra «bias», «preconceitos» - e isto segundo um modelo que parece decalcado de uma proposta dos «Black Lives Matter»; entretanto, o FBI, organização sob tutela do DdJ, não tem informado e avisado os norte-americanos de que estão em «listas para matar» do ISIS; em simultâneo, o director da CIA, John Brennan, «expressou preocupação» que o «Estado Islâmico» possa realizar nos EUA ataques semelhantes ao do ocorrido no aeroporto de Istambul em 28 de Junho último – o que é… insólito, porque os atentados em São Bernardino e em Orlando, reivindicados pelo «Daesh», foram anteriores ao da Turquia. Porém, nada de preocupações, pois Susan Rice tem a «solução» perfeita para aperfeiçoar os serviços de segurança e de inteligência da nação: recrutar mais junto das minorias, dado que existe uma preponderância naqueles de «white, male and Yale»; registe-se, por curiosidade, que Ash Carter, John Kerry e Samantha Power se formaram naquela universidade…
Obviamente, num contexto conspurcado pelo «politicamente correcto» e pela perversão esquerdista quem se assume como patriota e quer exibir a «stars and stripes» arrisca-se a ter problemas. De facto, não é de agora que o símbolo máximo dos EUA aparenta ser uma bandeira da discórdia. Mais recentemente, e neste âmbito, ela foi queimada por hispânicos que se manifestavam (violentamente) contra Donald Trump, arrancada por uma muçulmana envergando uma burqa (!), pretexto para chamar a bombeiros «terroristas», motivo para despedir um veterano e para ameaçar outro de despejo, e amontoada(s) num cemitério. No entanto, tão ou mais revoltante do que fazem uns com a bandeira na realidade é o que outros têm feito com uma personagem fictícia que é, todavia, uma corporização viva, se bem que simbólica, daquela – o Capitão América. Só no último ano ele já foi colocado (nas revistas, não nos filmes) a defender imigrantes ilegais e a revelar-se como um agente nazi e membro da Hydra, e, porque há quem lamente a sua «virilidade heterossexual» (no cinema), surgiu uma campanha no Twitter para o tornarem homossexual e arranjarem-lhe um «namorado»! Sim, são ideias insultuosas de idiotas de m*rd*, mas é o que acontece quando as «políticas de identidade», que os «progressistas» propagam, nada nem ninguém poupam.
Sim, esta é uma época «excelente» para celebrar o 4 de Julho. América, «land of the free, home of the brave» («terra dos livres, lar dos bravos»), como reza o hino nacional, «The Star-Spangled Banner»? Com Barack Obama, os americanos estão menos livres e menos bravos. 
(Adenda – Tal como eu previ, e outros também (o que, aliás, não era difícil), o FBI decidiu não recomendar uma acusação contra Hillary Clinton por ter usado um servidor privado para enviar e receber informações enquanto foi secretária de Estado – informações essas que incluíram material confidencial; porém, James Comey, director do «Bureau», admitiu na conferência de imprensa em que anunciou a decisão que a candidata do Partido Democrata à presidência dos EUA incorreu em vários comportamentos incorrectos e mesmo ilegais, e confirmou isso hoje (7 de Julho) em audiência no Congresso e em resposta a perguntas de Trey Gowdy. O representante da Carolina do Sul, tal como o senador Ted Cruz e outros observadores reputados, juristas prestigiados ou não, concordam que se está perante (mais) um grave precedente, (mais) uma ameaça ao primado da lei. Entretanto, Loretta Lynch tomou a decisão de encerrar formalmente a investigação… mas ela e os seus cúmplices que não pensem que isso vai apagar (mais) este escândalo da memória colectiva.)
(Segunda adenda – Quatro dias depois do 4 de Julho, Barack Obama terá pedido à NATO, aquando da cimeira de 2016 da organização, realizada em Varsóvia, «firmeza contra a Rússia». Não admira, porque, dele, só há a esperar… flexibilidade.) 

domingo, 26 de junho de 2016

Cuspir nos cadáveres

(Uma adenda no final deste texto.)
Há ocasiões, há acontecimentos – incluindo os horríficos, os infelizes, os trágicos – que aconselham a que se espere algum tempo para mais e melhor se adquirir a (e reflectir sobre a) informação disponível antes de se fazer um comentário minimamente fundamentado. Há cerca de duas semanas, a 12 de Junho, aconteceu na Flórida, e mais concretamente em Orlando, aquele que foi o maior assassinato colectivo por armas de fogo na história dos Estados Unidos da América, e, ao mesmo tempo, o pior atentado terrorista no país desde 11 de Setembro de 2001…
… Quando um individuo chamado Omar Mateen, cidadão norte-americano muçulmano de origem afegã, matou 49 pessoas e feriu mais de 50 no Pulse, um clube homossexual daquela cidade. Repare-se em como este criminoso constituía um autêntico «três em um» do mal, do ódio, da perversão: durante o ataque ele telefonou para a polícia reivindicando o atentado em nome do ISIS e jurando fidelidade ao líder daquele, Abu Bakr Baghdadi: existem relatos, informações, de que Mateen seria ele próprio homossexual, embora não assumido; e, mas isto está confirmado, era um democrata registado – repito, um democrata registado. Porém, quem é que a esquerda, Partido Democrata, «liberais» e «progressistas», lamestream media, culpam principalmente, se não exclusivamente, pelo ocorrido? «Obviamente», a direita, Partido Republicano, cristãos e conservadores, a NRA. Por exemplo, é ver, e vomitar, com o que ACLU, New York Times, Reddit, Rolling Stone, Salon, afirmaram, escreveram, fizeram.
Espantoso? Estranho? Indigno? Insólito? Revoltante? Sim, mas não surpreendente… pelo menos, não para quem conhece de facto como é, como se processa, a politica norte-americana das últimas décadas, e a relação de forças – e de fraquezas – entre os seus protagonistas mais importantes. Ou para quem lê e consulta regularmente o Obamatório…
O que aconteceu em Orlando veio demonstrar que, infelizmente, pouco ou nada se aprendeu com os anteriores ataques em São Bernardino e em Boston. Que o «politicamente» («religiosamente», «culturalmente») correcto implementado, imposto, por Barack Obama em todos os níveis da administração pública, incluindo as forças policiais, tem causado graves danos, que se estendem lamentavelmente à perda de inocentes vidas humanas. Os receios, e acusações, de «islamofobia» têm feito com que muitos e variados «sinais de alarme» relativos a certas pessoas e aos seus comportamentos não sejam detectados, e, se e quando o são, não sejam valorizados. Na verdade, há anos que Omar Mateen «avisava» que poderia um dia causar problemas graves, de que há a destacar: aquando do 9/11 celebrara os ataques e afirmara que a América os merecera; um colega dele já denunciara, ao patronato da empresa de segurança (!) em que ambos trabalhavam, estranhas e desagradáveis atitudes do futuro terrorista; o FBI já o havia investigado em 2013 e em 2014 e não o considerara uma ameaça; e, em Abril deste ano, o FBI foi contactado por elementos do DisneyWorld (localizado em Orlando), que suspeitaram de Mateen e a esposa depois de o casal ter visitado o famoso parque de diversões…       
Se o «antes» do atentado já foi mau, o «depois» foi ainda pior. Como em outras ocasiões semelhantes, os democratas não esperaram que os corpos das vítimas arrefecessem para deles se aproveitarem de modo a reafirmar os seus habituais – e errados – dogmas políticos. Porque obviamente que não iriam clamar por maiores e melhores medidas contra o islamismo radical; o que eles querem, sim,é mais gun control, maior controlo de armas, uma diminuição da capacidade de os cidadãos se defenderem. O Pulse – do qual Omar Mateen era, ao que consta, um cliente regular – é, como não podia deixar de ser e como não é difícil de adivinhar, (mais) uma gun free zone. Pelo que os «burros» mais não fizeram do que, simbolicamente, ou até literalmente, cuspir nos cadáveres de cinco dezenas de membros de uma comunidade – a LGBT – de qual se proclamam como os principais defensores…
… Embora, na realidade, não o sejam. Demonstrando, novamente, que são, sim, mais do que hipócritas, uns demagogos sem vergonha, vários representantes do PD na Casa decidiram organizar uma «festa temática» cujo tema foram os anos 60… nada mais, nada menos do que um «sit in» em que, literalmente, se sentaram no chão daquela câmara do Congresso de modo a exigirem à maioria republicana – que, vá lá, não alinha em todas as depravações azuis – que retirasse direitos constitucionais, isto é, os conferidos pela Segunda Emenda, a todos os cidadãos que, muitas vezes arbitrariamente e sem conhecimento dos próprios, têm os seus nomes colocados em «listas negras» - como a «no fly list» e a «terror watch list» - elaboradas por organismos do governo federal; não se tratou, como eu ouvi a mais do que um órgão de comunicação social português, de implementar e de expandir background checks, verificações de segurança e tempos de espera, que aliás já se aplicam em muitos Estados (e que raramente têm efeitos positivos), mas sim de negar a cidadãos o due process, o direito de terem os seus casos dirimidos em tribunais. Pormenor particularmente ridículo em toda esta palhaçada? O de John Lewis, um dos líderes deste quase shutdown, já ter estado igualmente numa dessas famigeradas listas, e de o seu mentor e líder da campanha dos afro-americanos pela igualdade, Martin Luther King (que usava armas!), também!   
Saúde-se ao menos, e desta vez, a honestidade de um colega de bancada de John Lewis, Charles Rangel, que admitiu acreditar que eles, representantes do povo, merecem mais ser protegidos por armas e por homens armados do que o povo que representam! Povo que, para a actual administração, mais não é do que uma maralha ignorante e facilmente influenciável e manobrável, porque, através do Departamento de (in)Justiça, decidiram publicar a transcrição das comunicações de Omar Mateen com a polícia… mas na quais todas as referências ao ISIS foram apagadas! A gozação foi tanta e tão feroz que os obamistas lá divulgaram depois a versão integral, não «corrigida», da transcrição… Evidentemente, esta não foi a primeira vez que os patéticos «pajens» do Nº 44 se serviram da censura para (tentar) ocultar a «verdade inconveniente» da existência do terrorismo islâmico e da violência agravada e generalizada que lhe é inerente. Contudo, qual é a surpresa? Os (maus) exemplos vêm de cima, e o «chefe» deles é, além de um incompetente com mau carácter, um ideólogo vil que cresceu e se formou rodeado de comunistas e de muçulmanos. Os cerca de seis meses que faltam para ele sair da Casa Branca vão custar mesmo muito a passar.
(Adenda – Não é novidade que a «comunidade LGBT» não prima propriamente pela consistência e pela inteligência quando se trata de mostrar o seu «orgulho»; nem, frequente e ironicamente, pela coragem. Na recente parada «arco-íris» em Nova Iorque, realizada duas semanas após o ataque em Orlando, podia ler-se numa enorme faixa: «ódio republicano mata». Repito uma segunda vez: era democrata, além de muçulmano, o autor do atentado… Aliás, antes, activistas homossexuais já haviam protestado contra Donald Trump às portas da sua «torre» na «Grande Maçã»… não é curioso eles nunca se manifestarem frente a mesquitas? Entretanto, bem que podiam pedir protecção àqueles democratas no Congresso que, apesar de exigirem, até com «birras» indignas de adultos, (mais) controlo ou mesmo confiscação de armas, não deixam de ter as suas…)           

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Rever em baixa (Parte 13)

«Presidente Obama quer desarmar a América», Todd Starnes; «Porque é inconstitucional a acção executiva de Obama sobre armas», Andrew P. Napolitano; «É mesmo, Obama, somos “agarrados amargos”», Tim Donnelly; «Controlo executivo de armas – Obama cria “lista de doidos”, desarma os idosos», Charles Hurt; «A Casa Branca de Obama falha o alvo em controlo de armas e em doença mental», Keith Ablow; «Obama e as armas – Onze alegações falsas ou enganadoras nas declarações do presidente esta semana», John R. Lott; «O universo paralelo do Presidente Obama», Bill O’Reilly; «O legado de Obama é o abuso executivo», David Harsanyi; «Um desesperado Obama ignora a lei e brinca à política quanto às armas», Ken Blackwell; «DdEU de Obama – O triunfante presidente transformativo», Ben Shapiro; «É tempo de Obama dizer a verdade sobre o acordo climático de Paris», Tom Harris; «O último discurso do Estado da União de Obama em três palavras – Desconjuntado, irrelevante e decepcionante», Edward Rollins; «Sete razões porque Obama está errado sobre a Convenção de Genebra», Joel B. Pollak; «O legado de Obama está já a colapsar», John Thune; «Outro cambalacho de Obama – Desperdiçar dinheiro dos impostos no carro auto-conduzido», Keith Naughton; «”Juiz Obama”? Hillary Clinton não pode estar a falar a sério», Jim Huffman; «Uma história de duas gravações – O adolescente Cruz e o afagador-de-terror Obama», Michelle Malkin; «Você não sabe o que Obama disse na mesquita», Dennis Prager; «Os logros orçamentais do Presidente Obama», James C. Capretta; «A “Economia Obama” e a eleição», R, Emmett Tyrrell Jr.; «Os ramos legislativo e judicial contra atacam os abusos de Obama», George Will; «Barack Obama, inimigo do primado da lei», Kevin D. Williamson; «Qual é o trato entre Obama e o Islão?», Susan Smith; «Recuperando da Doutrina Obama», Alexander Benard; «Presidente Obama é um narcisista político», Matthew Continetti; «A Doutrina Obama – Feita para os anos 90, desastrosa hoje», James F. Jeffrey; «As férias ideológicas de Obama em Havana», Charles Krauthammer; «O recrudescimento populista é o maior legado de Obama», J. T. Young; «Obama irá deixar ao seu sucessor mais desastres no Médio Oriente do que os que herdou», Michael Brendan Dougherty; «O inaceitável caso de amor de Obama com o comunismo», David Limbaugh; «A enorme fraude do acordo com o Irão está a apanhar Obama», Fred Fleitz; «A Casa Branca de Obama virou de cima para baixo a política de defesa», David Landau; «Obama intromete-se no Brexit mas esquiva-se a Netanyahu quando ele fala sobre o Irão», Alan Dershowitz; «As constantes intromissões de Obama estão a matar-nos, América – Precisamos de liderança, não de amadorismo», Liz Peek; «O deastre do ObamaCare será o duradouro legado doméstico de Obama», Marc A. Thiessen; «Porque a política de Obama para o Iraque está a colapsar», Tom Rogan; «Contra o mito perigoso de que o GOP “deu a Obama tudo o que ele quis”», Charles C. W. Cooke; «A “diplomacia esperta” do “Presidente Falhanço”», Bill Whittle; «Enquanto Aleppo arde, Obama faz de cego», Farid Ghadry; «O aviso de Obama sobre o género – A transformação fundamental do nosso país está a acelerar», Cal Thomas; «O legado de Obama – Ludibriar a América a respeito de tudo é o nome do jogo», Tammy Bruce; «As novas regras de transgéneros para as escolas têm a ver com a guerra cultural de Obama», Frederick M. Hess; «A ditatorial proclamação transgénero de Obama», Mario Loyola; «Como a política diplomática de Obama desestabilizou o Mundo», Victor Davis Hanson; «A América está a ter tudo menos justiça do Departamento de Justiça de Obama», Jay Sekulow; «Obama e Trump são duas faces da mesma moeda», Michael Goodwin; «A história secreta – Obama é um paspalhão», Andrew Klavan; «Depois de Orlando, Obama despeja o discurso mais partidário de sempre», James Jay Carafano; «Obama agarra-se à sua mal sucedida estratégia de contraterror», John Yoo; «Sete ataques terroristas islâmicos no turno de Obama», Robert Kravchik; «Obama – De que lado está ele?», Mona Charen; «A pergunta de Obama – O que há num nome?» David Horowitz; «Presidente Obama está errado sobre a lei, Trump maioritariamente certo sobre a interdição de muçulmanos», John Banzhaf. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Obituário: Prince Rogers Nelson

No passado dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador, lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma «ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente. Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou: «Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite, telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano, mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…          
Em Paisley Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás, e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso; aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um recluso.
Numa palavra, Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que, passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor severa e crónica».
Ele não mudou a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações, atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas» aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de (muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.        
Agora, a grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos? Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de «Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993 escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton, (ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé», artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê? Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo. Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Octanas.) 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Suicídio colectivo

(Três adendas no final deste texto.)
Um dos contos que integram o meu primeiro livro a ser publicado (em 2003), «Visões», intitula-se «Decreto-Lei Nº 54», e descreve, sob a forma de uma (obviamente) fictícia nova norma emanada de um qualquer governo e utilizando – ou tentando utilizar – uma «linguagem político-jurídica» que habitualmente caracteriza os textos inseridos no Diário da República (aliás, foi daí que eu retirei a inspiração, a ideia, neste caso), a criação de uma nova instituição estatal, incluindo os seus motivos e os seus objectivos: o «Instituto de Apoio ao Suicídio», abreviadamente… e apropriadamente designado de «IAS».
Aquele meu texto pretendeu ser (mais) um «exercício de absurdo» em que a minha obra de estreia é de facto pródiga, e que António de Macedo, na sua introdução-prefácio, tão bem descreveu. Então, e até recentemente, acreditava que tal entidade, ou actividade, só poderia existir no domínio da (mais distorcida, ou retorcida) imaginação. Porém, seria previsível que a – verdadeiramente «sinistra» - esquerda «liberal» e «progressista» norte-americana, agrupada principalmente no Partido Democrata, mais tarde ou mais cedo, e à semelhança de outros conceitos «fantásticos» (?), de outras «utopias que na verdade se revelam depois serem distopias, faria os possíveis e os impossíveis para a tornar realidade.
E assim foi… na Califórnia, como não podia deixar de ser, terra onde nenhuma loucura é inaceitável, Estado que cada vez mais se afigura como uma gigantesca Disneyland de depravação: o Departamento de Saúde Pública do (cada vez mais «nublado») «sunshine state» decidiu criar, na sequência da aprovação do «End Of Life Option Act», uma linha telefónica gratuita que tem como objectivo prestar informações sobre como… pôr termo à vida; além disso, a California Medical (uma versão estadual do Medicaid) poderá pagar, a cada doente com comprovados menores recursos financeiros, até 5400 dólares para aquisição das substâncias químicas (porque «medicamentos» parece-me ser uma palavra desadequada aqui) necessárias para provocar a morte. No total, cerca de 2,3 milhões de dólares do orçamento californiano para 2016 est(ar)ão reservados para aquela despesa «eutanasiante» (e quiçá… entusiasmante para alguns), no que é mais uma iniciativa da equipa do incansável – no mau sentido – governador Jerry Brown…
… Que, efectivamente, não se cansa de multiplicar, com os seus muitos (demasiados) «camaradas» na Califórnia, as formas e os meios que lhes permitam criar as condições para um autêntico suicídio colectivo – e, se não físico, pelo menos, e primeiramente, mental. Na verdade, há que registar ainda a decisão da cidade de Richmond em pagar até 12 mil dólares a ex-presidiários para não cometerem assassínios com armas de fogo. Isto para não falar da proliferação de «cidades-santuário» como São Francisco, em que criminosos que sejam imigrantes ilegais não são entregues pelas autoridades locais às federais para serem deportados – algo que já causou vários homicídios, como o de Kate Steinle, e outros delitos menos graves. Outro factor de autodestruição generalizada, não tanto física mas sim mais financeira, não imediatamente perceptível mas inevitável, inexorável, nos seus efeitos (negativos, como a diminuição do emprego e a estagnação económica), é o aumento – acentuado e não sustentado – do salário mínimo… algo que até Jerry Brown é capaz de entender e de admitir.
A concretização – para já, e de que eu tenha conhecimento, apenas na Califórnia – de um «Instituto de Apoio ao Suicídio» é tão só mais uma demonstração de que aquilo que vários escritores de ficção científica imaginaram corre o risco de se tornar… não ficção; e, infelizmente, os aspectos negativos dessas previsões parecem sobrepor-se aos positivos. No âmbito político e social, estas «inovações» da esquerda americana não vêm apenas comprovar mais uma vez, como se tal ainda necessário fosse, de que o Partido Democrata é a maior e mais antiga organização criminosa dos EUA, que continua a ter como principal missão, e tarefa, a promoção, a prática e a protecção de crime e de criminosos – esta de pagar àqueles para não assassinarem deveria ser suficiente para eliminar as dúvidas que eventualmente permanecessem; também vêm comprovar que, de um modo mais abrangente, mundial, a «sinistra» está apostada em proceder ao aniquilamento gradual da civilização ocidental, para tal recorrendo a métodos directos e indirectos, rápidos e lentos, concretos e simbólicos: massificação facilitada, financiada e incentivada do aborto e da eutanásia; «normalização» e até imposição da homossexualidade em todas as áreas da vida pública; cedência crescente à radical infiltração (demográfica e ideológica) muçulmana; restrição das liberdades de expressão e de associação, em especial (mas não só) nos estabelecimentos de ensino; aplicação de políticas de retrocesso tecnológico e económico alegando como causa o inexistente, fraudulento, «aquecimento global antropogénico».    
A todos os soldados dos novos totalitarismos, qual exército de zombies que nem as – muito criativas – mentes de autores como Aldous Huxley, Anthony Burgess, George Orwell, e outros, conseguiram prever, deve-se pelo menos começar por se dizer o que Nancy Reagan aconselhava que se respondesse aos traficantes de droga: «não». (Também no Simetria.)
(Adenda – Mais anormalidades (e outras se seguirão, evidente e infelizmente) ao estilo «California Uber Alles» (recorde-se que, nesta – premonitória – canção de 1980, os Dead Kennedys atacam Jerry Brown, então na sua primeira «encarnação» enquanto governador, como sendo um aspirante a ditador): o procurador-geral de Los Angeles quer obrigar os centros de gravidez (pró-vida) da cidade a fazerem igualmente promoção do aborto enquanto alternativa e dos locais onde ele é feito; e a Assembleia Estatal quer proibir a utilização de gravações das suas reuniões em anúncios políticos e/ou comerciais, no que constitui uma violação da Primeira Emenda. Ambos estes abusos de poder estão a ser, como seria previsível, contestados em tribunal.)
(Segunda adenda – Uma das «melhores» formas de concretizar um suicídio colectivo é proceder-se ao desarmamento geral dos bons cidadãos, tornando-os indefesos perante criminosos que não obedecem às directivas do «gun control»; infelizmente, mais uma prova disso foi dada esta semana na Universidade da Califórnia-Los Angeles, obviamente uma «gun free zone»… menos para o maníaco que assassinou um professor e que depois se suicidou; porém, para os idiotas do costume, a culpa é sempre da NRA.)
(Terceira adenda – Mais três recentes demonstrações do – mau – carácter degenerado, fascizante e suicidário dos legisladores democratas californianos… eles querem: dar aos presidiários o direito de voto; acusar e levar a tribunal os cépticos do «aquecimento global antropogénico»; e alargar – gratuitamente – a cobertura do «ObamaCare» aos imigrantes ilegais.)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

«Hillarity» (Parte 5)

Quem diria, há não muitos meses, que ainda antes de Maio de 2016 as primárias do Partido Republicano para a eleição do próximo presidente dos EUA, que começaram com 17 candidatos e nenhum favorito destacado, já estariam praticamente terminadas, enquanto que as primárias do Partido Democrata, com cinco candidatos e uma favorita destacada, ainda não?
Porém, é esse o real cenário actual: Donald Trump já estava à frente em votos e em delegados, e, após as desistências (formalmente, «suspensões de campanha») de Ted Cruz e de John Kasich, ficou sozinho na corrida e é, pois, o «nomeado presuntivo» entre os «encarnados»; Hillary Clinton continua a ter a (cerrada) concorrência de Bernie Sanders, mas continua a ser apontada como a virtual vencedora entre os «azuis». No entanto, enquanto o milionário continua a ter as suas (muitas) afirmações e acções contraditórias, controversas, duvidosas, quando não ofensivas, devidamente divulgadas e escrutinadas, as da ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado nem tanto. Pelo que novamente no Obamatório se procede a uma inventariação… longe de ser exaustiva dos momentos de «hilaridade» (ou nem tanto) que a campanha da esposa de Bill Clinton – que, definitivamente, não é tão sensata quanto ele, o que é dizer muito – tem proporcionado, em especial desde Outubro último.
E há tanto por onde escolher… sabiam que ela alega que, quando era mais jovem, tentou alistar-se nos Marines, mas foi recusada? Que se riu quando um dos seus apoiantes lhe disse que lhe apetecia estrangular Carly Fiorina? Que deu números errados (pronto, está bem, mentiu…), durante um debate, sobre a quantidade de mortos por armas de fogo? Isto como mais uma forma de apelar a um maior «gun control», apesar de, confirmou-se depois, tanto ela como o marido já beneficiarem há décadas de segurança armada… paga pelos contribuintes. Entretanto, e porque não lhe bastou criar (ou participar n)uma falsa narrativa envolvendo um vídeo (aquele que supostamente causou o ataque ao consulado em Benhazi), decidiu criar (ou participar n)outra, dizendo que Donald Trump estava a ser «usado (mostrado) literalmente» em vídeos de propaganda do ISIS, o que não era verdade.. mas o marido foi; depois, e pior, chamou indirectamente (ou será que foi directamente?) de mentirosos aos familiares das vítimas do atentado na Líbia.     
As fontes do seu financiamento – pessoal, familiar, político – constituem outro factor de perturbação constante para Hillary Clinton e para a sua campanha. Às perguntas sobre se o dinheiro que a Goldman Sachs, e outras empresas de Wall Street, lhe pagaram por discursos não poderia ser considerado excessivo, ela respondeu «foi o que eles ofereceram…» Tal como «não é muito» os 150 mil dólares em contribuições que ela recebeu de companhias de petróleo e de gás… e, de facto, não é, mas para os fanáticos contra as energias fósseis um dólar já seria demais. Já das empresas mineiras de carvão, e respectivos trabalhadores, não é de esperar grandes donativos, pois ela prometeu levá-los à falência. Será por isto também que ela afirma ser, nos EUA, «o (a) funcionário(a) público(a) mais transparente dos tempos modernos»? As funcionárias… privadas da Fundação Clinton não deverão tirar disso grande satisfação, já que ganham em média menos 38% do que os seus colegas masculinos. Mais uma vez, não acreditem quando os democratas se queixarem - acusando frequentemente, em simultâneo, os republicanos - de discriminação salarial. 
Outra constante na campanha de Hillary Clinton – e que quase começa a  parecer uma «maldição» (auto-infligida) – tem sido a de proferir frases que são imediatamente anuladas, ou contraditadas, por acontecimentos passados, mais ou menos remotos. A candidata afirmou que se deve acreditar em todas as mulheres que alegam ser vítimas de violação… e, numa acção de campanha, em Dezembro último, em New Hampshire, perguntaram-lhe se isso também se aplicava às mulheres que acusaram o marido; criticou, em Fevereiro, Bernie Sanders por assentar a sua campanha em promessas sucessivas de «coisas grátis»… mas, antes, criticou Jeb Bush por este acusar os democratas de fazerem isso; ao seu concorrente directo perguntou, em Março, onde é que ele estava nos anos 90, quando a então primeira-dama lutava por alterar o sistema de saúde do país… e a equipa do senador do Vermont respondeu «literalmente, atrás de si»; no mesmo mês, e em entrevista a Chris Matthews, disse que «não perdemos uma só pessoa na Líbia» (!); um dia depois, disse, referindo-se a Donald Trump, que «o nosso comandante-em-chefe tem de ser capaz de defender o nosso país, e não de o embaraçar»… o que levantou a possibilidade de ela também se estar a referir ao marido.         
Tantas falhas de memória e até de conhecimento como que dão razão à sua assistente (e esposa do infame Anthony Weiner) Huma Abedin, que chegou a confidenciar, no início de 2013, numa mensagem de correio electrónico dirigida a uma colega, que Hillary Clint «está (estava) confusa frequentemente». E vários outros exemplos recentes existem dessa… desorientação. Como: afirmar que quer «começar boas coisas antes que aconteçam» (?!); pôr-se a ladrar, literalmente, num comício; garantiu que sempre tentou dizer a verdade e não acredita que alguma vez tenha mentido; e confundiu a Constituição com a Declaração da Independência! E há que não esquecer a sua já longa lista de «flip-flops», de mudanças de opinião e de posição sobre uma série de assuntos. E a pressão vinda da sua esquerda, de Bernie Sanders e dos seus apoiantes, é tal que as «cambalhotas» a levam a extremismos indignos, que incluem: afirmar que os fabricantes de armas transformam cidadãos em terroristas; prometer que serão derrubadas todas as barreiras existentes à obtenção de cidadania por parte de imigrantes, para isso criando, eventualmente, uma nova agência federal para auxiliar ilegais; condenar – na sequência de uma acção em tribunal interposta pela (cada vez mais desprezível) ACLU – uma lei recentemente aprovada no Indiana que proíbe qualquer forma de aborto selectivo.
Para piorar o panorama, alguns dos seus aliados e «camaradas» não a têm propriamente ajudado com as declarações que fazem, com as atitudes que tomam… aliás, em alguns casos, por serem quem são. É caso para dizer: «com amigos destes, quem precisa de inimigos?» Nomeadamente: Lena Dunham, convidada para gerir (durante um dia) a conta oficial de Instagram da candidatura de HC; David Axelrod, que fez pelo menos não uma mas sim duas críticas a Hillary em campanha; Madeleine Albright, que mostrou não ser muito… «bright» ao afirmar que «há um lugar especial no Inferno para as mulheres que não se ajudam umas às outras» - ou seja, neste caso, votar na mãe de Chelsea; Dianne Feinstein, que não soube responder, quando lhe perguntaram numa entrevista, quais os feitos da Sra. Clinton enquanto senadora… até disse a um assessor para pesquisar no Google (!); Peter Schumlin, governador do Vermont e «superdelegado» de Hillary, que negou a asserção daquela de que vêm daquele Estado muitas das armas usadas em crimes cometidos no de Nova Iorque; e até Bill Clinton, que confessou que «às vezes desejava não ser casado com ela para poder dizer o que realmente penso»… embora, o que é um facto, ele já se tenha comportado muitas vezes como se não fosse! De tal forma, aliás, que, segundo um livro publicado em Dezembro último, Hillary obrigou-o a fazer o teste do HIV (ela também o terá feito, e deu negativo para ambos), o que terá tornado verdadeira a piada de Jay Leno
O que já não é de todo hilariante, muito pelo contrário, é a investigação - e não o «inquérito sobre segurança» - que o FBI tem estado a realizar há vários meses sobre a utilização, por parte de HC (e da sua equipa) nos quatro anos que serviu como secretária de Estado, de um servidor privado para enviar, receber e guardar mensagens de correio electrónico contendo informações classificadas, confidenciais, sensíveis, secretas. Juridicamente falando, o «cerco» estará a apertar-se, a «tempestade perfeita» estará a formar-se. Mais detalhes, mais novidades, deverão surgir em breve.               

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O «legado horrível»

(Uma adenda no final deste texto.)
Foi há mais de um mês – concretamente, a 21 de Março último – mas merece ser assinalado, e não só porque «mais vale tarde do que nunca»: então, entre o frenesim provocado pela visita a Cuba de Barack Obama e também pelos atentados terroristas em Bruxelas, não terão sido muitos os que se aperceberam do que Bill Clinton disse, e fez, num comício eleitoral da sua esposa em Washington: denunciou, e condenou, o «legado horrível dos últimos oito anos»; que, por «coincidência», são, foram, os da presidência de Barack Obama… e em que Hillary Clinton também participou, enquanto secretária de Estado, ou seja, chefe da diplomacia (… macia ;-)) dos Estados Unidos da América.
Uma semana depois, no Arizona, nova afirmação… surpreendente – ou nem tanto, porque é verdade – do Nº 42: a maioria dos trabalhadores norte-americanos não vê o seu salário aumentado desde 2008; quase ao mesmo tempo, e curiosamente, o principal conselheiro económico do Sr. Hussein como que (involuntariamente) concorda. Mais sete dias se passam, e um ainda mais notável acontecimento ocorre: o ex-presidente dos EUA confronta – e critica – membros do movimento «Black Lives Matter» que haviam penetrado outro comício de Hillary, em que ele participava, para protestarem (ruidosamente), e à semelhança do que já haviam feito em outras ocasiões, contra a ex-senadora de Nova Iorque. O ex-«primeiro presidente negro da América» não se conteve e acusou os manifestantes de serem cúmplices dos que, na comunidade afro-americana, leva(va)m os seus irmãos de etnia ao crime e à destruição familiar. É este o principal «problema» com Bill Clinton: por mais que o queiramos denegrir, detestar, definitivamente, não só, ou não tanto, por ser democrata mas também, e principalmente, por ser um adúltero e abusador sexual, de vez em quando ele sai-se com demonstrações de razoabilidade, de sensatez, como estas mais recentes. Na verdade, e estritamente enquanto político, ele não foi, não é, dos piores; não foi um mau presidente – embora, nunca é demais recordar, tenha para isso beneficiado muito da colaboração de um Congresso então dominado pelos republicanos e que tinha Newt Gingrich como speaker.     
Como seria previsível, depois do «arrufo» com os BLM «Slick Willie» veio de certa forma desculpabilizar-se pelo que disse, atenuar o impacto das suas acusações, retractar-se de algum modo. Tal terá, provavelmente, acontecido por pressão de Hillary, que não pode dar-se ao luxo de desperdiçar um único voto de racistas negros. Aliás, e como que para provar esta suspeita, logo depois de o marido ter falado do «legado horrível», ela veio «esclarecer» que a expressão era dirigida ao Congresso, actualmente e novamente controlado pelo GOP, e não a Barack Obama. Porém, os republicanos só são a força (maioritariamente) dominante há menos de dois anos, e não há oito… Entretanto, e ironicamente, se não é o pai (contra a vontade da mãe) a ouvir a boca fugir-lhe para a verdade, é a filha: Chelsea Clinton lamentou que os custos com a saúde sejam «esmagadores» apesar – ou melhor (pior), por causa – do «ObamaCare»; este, seis anos depois da sua aprovação, acumula falhanços. Virá a Sra. Clinton dizer que também neste caso a culpa é dos «elefantes», não obstante nem um só de entre eles então nas duas câmaras legislativas ter votado a favor da coisa?
Evidentemente, não seria preciso esperar pelas intervenções da família Clinton para se ter a certeza do tipo de «herança» que Barack Obama lega ao país e ao Mundo. O «testamento» é desolador em vários aspectos, como tenho vindo indubitavelmente a demonstrar, logo desde o primeiro dia, aqui no Obamatório. Ainda estão por avaliar completamente – mas tal já começou a ser feito – os estragos que a actual administração causou na (e com a) NASA e no (e com o) IRS, (maus) exemplos extremos do que as «bur(r)ocracias» podem causar. Na comunicação social o panorama é sem dúvida desolador: Brian Stelter é o mais recente jornalista… inclinado à esquerda a afirmar que a actual administração é «a menos transparente de sempre», e até os Repórteres Sem Fronteiras se pronunciam formal e negativamente sobre o que os seus colegas norte-americanos sofrem. Algo que, obviamente, não é divulgado pela «isenta» comunicação social portuguesa, com (lamentável) destaque para as «amestradas» RTP, SIC e TVI, que ao invés, e jovialmente, passam reportagens sobre o recente jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, animado desta vez pelo «cómico» Larry Wilmore, que, entre outras inanidades, chamou de «nigga» ao Sr. Hussein… e este gostou! Como notou, e bem, Rush Limbaugh, este episódio demonstra até que ponto, com o Nº 44, a presidência foi «desvalorizada» (ao nível, digo eu, de um «reality-show»), e este é apenas mais um item do «legado horrível».  
Não que BHO, naturalmente (para ele), pense isso. Pelo contrário, ele está convencido da qualidade e da importância do que deixa para trás, e agora está decidido a aproveitar da melhor maneira, e até alegremente, o tempo (felizmente pouco) que lhe resta no Salão Oval. É ver as figuras... tristes que ele fez aquando da cimeira sobre segurança nuclear realizada em Washington a 1 de Abril último (pois…), e que incluíram adoptar poses… inadequadas nas fotografias oficiais e permitir que François Hollande fosse censurado. Não foi um «corte» qualquer, logicamente: o presidente francês «atreveu-se» a proferir a expressão «terrorismo islâmico», e isso continua a ser «tabu» para os democratas. Alguns dias antes, Obama insistia novamente que não se deve «estigmatizar os muçulmanos americanos»… ou quaisquer muçulmanos, o que Hollande deve ter sem dúvida «aprendido». E, não, ao contrário do que Ted Cruz exigiu, não parece que Barack vá deixar de dar «lições» sobre (contra) «islamofobia» aos seus compatriotas enquanto o ISIS continua a ser, literalmente, uma «ameaça existencial» (muitas vidas já deixaram de existir por causa dos infames jihadistas) para todos… mas não para o Sr. Hussein, que tem «muito (mais) no prato» para se ocupar (e comer?)…
… Como brincar com crianças durante uma festa da Páscoa na Casa Branca, e preparar-se para os «três a quatro meses» que passará a dormir depois de deixar o cargo. Sim, tanto golfe pode ser, e é, cansativo… tal como «ralhar» com os verdadeiros «inimigos», os republicanos, que insistem, ao contrário (diz ele) dos seus congéneres direitistas europeus, negar a existência de aquecimento global antropogénico, e que, além disso (diz ele), não mostram «respeito por esta incrível experiência democrática que os nossos fundadores criaram». É caso para dizer: olha quem fala…
(Adenda – O «legado horrível» também abrange, o que não é novidade, a mais descarada hipocrisia. O mais recente exemplo, após dezenas (centenas?) nos últimos anos? Barack Obama a afirmar, a propósito do… estilo de Donald Trump, que a corrida para a presidência dos EUA «não é um reality-show»… quando ele próprio já participou em vários desde que tomou posse. Porém, pior do que a hipocrisia é a mentira, em especial quando referente a assuntos de segurança nacional: Ben Rhodes, conselheiro naquela área do Sr. Hussein, admitiu ao New York Times que a actual administração mentiu à comunicação social quanto ao contexto e às características do «acordo» nuclear com o Irão…. E, ainda por cima, gabou-se disso! Não espanta, pois, que, emulando práticas tipicamente estalinistas e assim procurando evitar embaraços maiores, tentem não tanto «retocar» fotografias mas mais, sim, «apagar» de vídeos perguntas incómodas que lhes fizeram.