domingo, 26 de junho de 2016

Cuspir nos cadáveres

(Uma adenda no final deste texto.)
Há ocasiões, há acontecimentos – incluindo os horríficos, os infelizes, os trágicos – que aconselham a que se espere algum tempo para mais e melhor se adquirir a (e reflectir sobre a) informação disponível antes de se fazer um comentário minimamente fundamentado. Há cerca de duas semanas, a 12 de Junho, aconteceu na Flórida, e mais concretamente em Orlando, aquele que foi o maior assassinato colectivo por armas de fogo na história dos Estados Unidos da América, e, ao mesmo tempo, o pior atentado terrorista no país desde 11 de Setembro de 2001…
… Quando um individuo chamado Omar Mateen, cidadão norte-americano muçulmano de origem afegã, matou 49 pessoas e feriu mais de 50 no Pulse, um clube homossexual daquela cidade. Repare-se em como este criminoso constituía um autêntico «três em um» do mal, do ódio, da perversão: durante o ataque ele telefonou para a polícia reivindicando o atentado em nome do ISIS e jurando fidelidade ao líder daquele, Abu Bakr Baghdadi: existem relatos, informações, de que Mateen seria ele próprio homossexual, embora não assumido; e, mas isto está confirmado, era um democrata registado – repito, um democrata registado. Porém, quem é que a esquerda, Partido Democrata, «liberais» e «progressistas», lamestream media, culpam principalmente, se não exclusivamente, pelo ocorrido? «Obviamente», a direita, Partido Republicano, cristãos e conservadores, a NRA. Por exemplo, é ver, e vomitar, com o que ACLU, New York Times, Reddit, Rolling Stone, Salon, afirmaram, escreveram, fizeram.
Espantoso? Estranho? Indigno? Insólito? Revoltante? Sim, mas não surpreendente… pelo menos, não para quem conhece de facto como é, como se processa, a politica norte-americana das últimas décadas, e a relação de forças – e de fraquezas – entre os seus protagonistas mais importantes. Ou para quem lê e consulta regularmente o Obamatório…
O que aconteceu em Orlando veio demonstrar que, infelizmente, pouco ou nada se aprendeu com os anteriores ataques em São Bernardino e em Boston. Que o «politicamente» («religiosamente», «culturalmente») correcto implementado, imposto, por Barack Obama em todos os níveis da administração pública, incluindo as forças policiais, tem causado graves danos, que se estendem lamentavelmente à perda de inocentes vidas humanas. Os receios, e acusações, de «islamofobia» têm feito com que muitos e variados «sinais de alarme» relativos a certas pessoas e aos seus comportamentos não sejam detectados, e, se e quando o são, não sejam valorizados. Na verdade, há anos que Omar Mateen «avisava» que poderia um dia causar problemas graves, de que há a destacar: aquando do 9/11 celebrara os ataques e afirmara que a América os merecera; um colega dele já denunciara, ao patronato da empresa de segurança (!) em que ambos trabalhavam, estranhas e desagradáveis atitudes do futuro terrorista; o FBI já o havia investigado em 2013 e em 2014 e não o considerara uma ameaça; e, em Abril deste ano, o FBI foi contactado por elementos do DisneyWorld (localizado em Orlando), que suspeitaram de Mateen e a esposa depois de o casal ter visitado o famoso parque de diversões…       
Se o «antes» do atentado já foi mau, o «depois» foi ainda pior. Como em outras ocasiões semelhantes, os democratas não esperaram que os corpos das vítimas arrefecessem para deles se aproveitarem de modo a reafirmar os seus habituais – e errados – dogmas políticos. Porque obviamente que não iriam clamar por maiores e melhores medidas contra o islamismo radical; o que eles querem, sim,é mais gun control, maior controlo de armas, uma diminuição da capacidade de os cidadãos se defenderem. O Pulse – do qual Omar Mateen era, ao que consta, um cliente regular – é, como não podia deixar de ser e como não é difícil de adivinhar, (mais) uma gun free zone. Pelo que os «burros» mais não fizeram do que, simbolicamente, ou até literalmente, cuspir nos cadáveres de cinco dezenas de membros de uma comunidade – a LGBT – de qual se proclamam como os principais defensores…
… Embora, na realidade, não o sejam. Demonstrando, novamente, que são, sim, mais do que hipócritas, uns demagogos sem vergonha, vários representantes do PD na Casa decidiram organizar uma «festa temática» cujo tema foram os anos 60… nada mais, nada menos do que um «sit in» em que, literalmente, se sentaram no chão daquela câmara do Congresso de modo a exigirem à maioria republicana – que, vá lá, não alinha em todas as depravações azuis – que retirasse direitos constitucionais, isto é, os conferidos pela Segunda Emenda, a todos os cidadãos que, muitas vezes arbitrariamente e sem conhecimento dos próprios, têm os seus nomes colocados em «listas negras» - como a «no fly list» e a «terror watch list» - elaboradas por organismos do governo federal; não se tratou, como eu ouvi a mais do que um órgão de comunicação social português, de implementar e de expandir background checks, verificações de segurança e tempos de espera, que aliás já se aplicam em muitos Estados (e que raramente têm efeitos positivos), mas sim de negar a cidadãos o due process, o direito de terem os seus casos dirimidos em tribunais. Pormenor particularmente ridículo em toda esta palhaçada? O de John Lewis, um dos líderes deste quase shutdown, já ter estado igualmente numa dessas famigeradas listas, e de o seu mentor e líder da campanha dos afro-americanos pela igualdade, Martin Luther King (que usava armas!), também!   
Saúde-se ao menos, e desta vez, a honestidade de um colega de bancada de John Lewis, Charles Rangel, que admitiu acreditar que eles, representantes do povo, merecem mais ser protegidos por armas e por homens armados do que o povo que representam! Povo que, para a actual administração, mais não é do que uma maralha ignorante e facilmente influenciável e manobrável, porque, através do Departamento de (in)Justiça, decidiram publicar a transcrição das comunicações de Omar Mateen com a polícia… mas na quais todas as referências ao ISIS foram apagadas! A gozação foi tanta e tão feroz que os obamistas lá divulgaram depois a versão integral, não «corrigida», da transcrição… Evidentemente, esta não foi a primeira vez que os patéticos «pajens» do Nº 44 se serviram da censura para (tentar) ocultar a «verdade inconveniente» da existência do terrorismo islâmico e da violência agravada e generalizada que lhe é inerente. Contudo, qual é a surpresa? Os (maus) exemplos vêm de cima, e o «chefe» deles é, além de um incompetente com mau carácter, um ideólogo vil que cresceu e se formou rodeado de comunistas e de muçulmanos. Os cerca de seis meses que faltam para ele sair da Casa Branca vão custar mesmo muito a passar.
(Adenda – Não é novidade que a «comunidade LGBT» não prima propriamente pela consistência e pela inteligência quando se trata de mostrar o seu «orgulho»; nem, frequente e ironicamente, pela coragem. Na recente parada «arco-íris» em Nova Iorque, realizada duas semanas após o ataque em Orlando, podia ler-se numa enorme faixa: «ódio republicano mata». Repito uma segunda vez: era democrata, além de muçulmano, o autor do atentado… Aliás, antes, activistas homossexuais já haviam protestado contra Donald Trump às portas da sua «torre» na «Grande Maçã»… não é curioso eles nunca se manifestarem frente a mesquitas? Entretanto, bem que podiam pedir protecção àqueles democratas no Congresso que, apesar de exigirem, até com «birras» indignas de adultos, (mais) controlo ou mesmo confiscação de armas, não deixam de ter as suas…)           

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Rever em baixa (Parte 13)

«Presidente Obama quer desarmar a América», Todd Starnes; «Porque é inconstitucional a acção executiva de Obama sobre armas», Andrew P. Napolitano; «É mesmo, Obama, somos “agarrados amargos”», Tim Donnelly; «Controlo executivo de armas – Obama cria “lista de doidos”, desarma os idosos», Charles Hurt; «A Casa Branca de Obama falha o alvo em controlo de armas e em doença mental», Keith Ablow; «Obama e as armas – Onze alegações falsas ou enganadoras nas declarações do presidente esta semana», John R. Lott; «O universo paralelo do Presidente Obama», Bill O’Reilly; «O legado de Obama é o abuso executivo», David Harsanyi; «Um desesperado Obama ignora a lei e brinca à política quanto às armas», Ken Blackwell; «DdEU de Obama – O triunfante presidente transformativo», Ben Shapiro; «É tempo de Obama dizer a verdade sobre o acordo climático de Paris», Tom Harris; «O último discurso do Estado da União de Obama em três palavras – Desconjuntado, irrelevante e decepcionante», Edward Rollins; «Sete razões porque Obama está errado sobre a Convenção de Genebra», Joel B. Pollak; «O legado de Obama está já a colapsar», John Thune; «Outro cambalacho de Obama – Desperdiçar dinheiro dos impostos no carro auto-conduzido», Keith Naughton; «”Juiz Obama”? Hillary Clinton não pode estar a falar a sério», Jim Huffman; «Uma história de duas gravações – O adolescente Cruz e o afagador-de-terror Obama», Michelle Malkin; «Você não sabe o que Obama disse na mesquita», Dennis Prager; «Os logros orçamentais do Presidente Obama», James C. Capretta; «A “Economia Obama” e a eleição», R, Emmett Tyrrell Jr.; «Os ramos legislativo e judicial contra atacam os abusos de Obama», George Will; «Barack Obama, inimigo do primado da lei», Kevin D. Williamson; «Qual é o trato entre Obama e o Islão?», Susan Smith; «Recuperando da Doutrina Obama», Alexander Benard; «Presidente Obama é um narcisista político», Matthew Continetti; «A Doutrina Obama – Feita para os anos 90, desastrosa hoje», James F. Jeffrey; «As férias ideológicas de Obama em Havana», Charles Krauthammer; «O recrudescimento populista é o maior legado de Obama», J. T. Young; «Obama irá deixar ao seu sucessor mais desastres no Médio Oriente do que os que herdou», Michael Brendan Dougherty; «O inaceitável caso de amor de Obama com o comunismo», David Limbaugh; «A enorme fraude do acordo com o Irão está a apanhar Obama», Fred Fleitz; «A Casa Branca de Obama virou de cima para baixo a política de defesa», David Landau; «Obama intromete-se no Brexit mas esquiva-se a Netanyahu quando ele fala sobre o Irão», Alan Dershowitz; «As constantes intromissões de Obama estão a matar-nos, América – Precisamos de liderança, não de amadorismo», Liz Peek; «O deastre do ObamaCare será o duradouro legado doméstico de Obama», Marc A. Thiessen; «Porque a política de Obama para o Iraque está a colapsar», Tom Rogan; «Contra o mito perigoso de que o GOP “deu a Obama tudo o que ele quis”», Charles C. W. Cooke; «A “diplomacia esperta” do “Presidente Falhanço”», Bill Whittle; «Enquanto Aleppo arde, Obama faz de cego», Farid Ghadry; «O aviso de Obama sobre o género – A transformação fundamental do nosso país está a acelerar», Cal Thomas; «O legado de Obama – Ludibriar a América a respeito de tudo é o nome do jogo», Tammy Bruce; «As novas regras de transgéneros para as escolas têm a ver com a guerra cultural de Obama», Frederick M. Hess; «A ditatorial proclamação transgénero de Obama», Mario Loyola; «Como a política diplomática de Obama desestabilizou o Mundo», Victor Davis Hanson; «A América está a ter tudo menos justiça do Departamento de Justiça de Obama», Jay Sekulow; «Obama e Trump são duas faces da mesma moeda», Michael Goodwin; «A história secreta – Obama é um paspalhão», Andrew Klavan; «Depois de Orlando, Obama despeja o discurso mais partidário de sempre», James Jay Carafano; «Obama agarra-se à sua mal sucedida estratégia de contraterror», John Yoo; «Sete ataques terroristas islâmicos no turno de Obama», Robert Kravchik; «Obama – De que lado está ele?», Mona Charen; «A pergunta de Obama – O que há num nome?» David Horowitz; «Presidente Obama está errado sobre a lei, Trump maioritariamente certo sobre a interdição de muçulmanos», John Banzhaf. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Obituário: Prince Rogers Nelson

No passado dia 21 de Abril, à tarde, estava, como quase sempre, em frente do computador, lendo e escrevendo. E, também como normalmente, tinha acabado de fazer mais uma «ronda» pelos principais sítios noticiosos que consulto preferencialmente. Porém, a notícia que não queria saber, que estava longe de imaginar que pudesse acontecer, foi-me dada por telefone. A minha esposa telefonou-me. Perguntou: «Já sabes o que aconteceu com o Prince?» Sobressaltei-me: «Não. O que foi?» A resposta gelou-me: «O pior que poderia ser». Acedi de imediato à Fox News, onde estivera não mais do que quinze minutos antes, e vi, li… em grande destaque, no topo da página. No Público também. Entretanto, a Prince.org, comunidade virtual de admiradores, havia «crashado». Gritei «não!» e bati várias vezes com a mão direita no tampo da secretária. Uma das minhas filhas espantou-se e preocupou-se; entristeceu-se depois… desde muito nova que eu – tal como às irmãs – lho tinha dado a ouvir. Porquê, porquê, porquê?..
À noite, telefona-me a minha mãe: «Filho, já sei que ele morreu. Imagino como deves estar triste. Lembro-me de como gostavas dele, de como estavas sempre a ouvi-lo, mas ignoro se, nos últimos anos, continuava a ter a mesma importância para ti…» Sim, sempre continuou a ser muito importante. À minha frente, erguido num suporte próprio em madeira, está o (grande) livro (de fotografias) «21 Nights» (que inclui o disco ao vivo «Indigo Nights»), editado na sequência dos concertos que deu em Londres em 2007. Desde Outubro de 2015, isto é, desde que coloquei a capa de «Around The Word In A Day», então a celebrar 30 anos de edição, como ilustração da Simetria Sonora do ano passado, que vinha ouvindo novamente todos os discos dele que possuo, que são quase todos. E, mais comovente… e mais inquietante, nesse próprio dia 21 de Abril adquirira uma das mais recentes obras dele que ainda não fazia parte da minha discografia, «Art Official Age»; o recibo da FNAC indica 14 horas e 31 minutos; se não me engano, mais ou menos nesse preciso momento, do outro lado do Atlântico, estariam a encontrá-lo, inconsciente, num elevador da sua casa, estúdio, museu, mausoléu…          
Em Paisley Park, Chanhassen, no Estado do Minnesota, não terá nevado naquele dia…
O que mais me custou, o que mais me surpreendeu? O facto de ele ter morrido sozinho – aliás, e aparentemente, de ele viver, estar, sozinho em períodos prolongados. Algo ainda mais inadmissível por, poucos dias antes, ter apanhado um susto que o fez aterrar no Illinois para receber assistência hospitalar de emergência. Não era suposto haver alguém com ele, a acompanhá-lo, a vigiá-lo? É certo que não tinha família mais chegada – esposa, filhos – mas não faltariam, supostamente, outras pessoas, tais como assistentes, colaboradores, amigos (músicos e não só) que durante toda a sua carreira o rodearam, que poderiam – e deveriam – fazer isso; aliás, ele sempre esteve longe de ser um eremita; era um génio, mas não um recluso.
Numa palavra, Prince morreu por negligência – dele próprio e de outros. Tal também deve ter acontecido devido a arrogância, a uma excessiva confiança, a um sentimento de invulnerabilidade, talvez a uma sensação de imortalidade. Há quem fale em «ignorância e medo». Sim, ele, tanto quanto se sabe, nunca terá caído nos excessos em que Michael Jackson caiu; no entanto, se é certo que ele nunca terá tentado alterar a sua aparência estritamente física, embora o tenha feito continuamente no penteado e nas roupas, terá tentado (é essa a minha avaliação) manter-se jovem, ou, melhor dizendo, manter o mesmo estilo de vida, feita de digressões e de espectáculos prolongados e exigentes, cansativos, extenuantes, noitadas e «directas» de gravações, quando não de festas. Enfim, ele talvez ter-se-á convencido de que, passados os 50 anos, e já a caminho dos 60, conseguiria manter o ritmo que tinha aos 20 anos e aos 30. Suspeitava-se de que ele abusava de analgésicos… e a autópsia, cujas conclusões foram anunciadas na semana passada, revelaram que ele morreu devido à auto-administração de uma dose excessiva de Fentanyl, «o mais potente narcótico conhecido, um opióide artificial 50 vezes mais forte do que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina», e usado para tratar «dor severa e crónica».
Ele não mudou a sua maneira de estar e de agir, não descansou, não abrandou a velocidade a que vivia… e por isso parou definitivamente, prematuramente. Uma enorme desilusão, a maior que ele causou, a mim e a muitos outros. E em quase 40 anos de carreira não foram assim tantas nem graves as decepções: artísticas, praticamente nenhumas; pessoais… dir-se-ia a promiscuidade, mas nunca alguma mulher se queixou ou o acusou de ter um comportamento menos próprio; religiosas… a sua conversão às Testemunhas de Jeová espantou, e terá eventualmente dificultado a obtenção atempada e correcta de auxílio médico; políticas… ao contrário de vários (demasiados) colegas de profissão, nunca se notabilizou negativamente por afrontar e ofender partes significativas do público com afirmações, atitudes e acções controversas e divisivas – uma excepção terá sido, em 2015, o seu envolvimento (acredito que bem intencionado) com figuras tão sinistras como os «Black Lives Matter», Al Sharpton e outros racistas criminosos e «progressistas» aquando dos motins em Baltimore, tendo inclusivamente escrito e gravado uma canção sobre o assunto (depois soube-se também que doara dinheiro à família de Trayvon Martin). Poucos «pecados»… facilmente perdoados. Nada de (muito) grave para todos quantos, como eu, lhe devem tanto.        
Agora, a grande questão, a grande incógnita, é o que vai acontecer ao seu legado, ao seu património, tanto cultural como financeiro. Tudo indica que ele nunca redigiu nem deixou um testamento… o que expressa, uma (última) vez mais, uma reprovável negligência. A quem caberá, pois, a sua enorme fortuna? Aos seus irmãos e sobrinhos? Aos seus amigos? Às ex-mulheres e amantes? Será concretizada a campanha de reedição dos seus discos – remasterizados, remisturados, «completos» com faixas-extra – pela Warner Brothers Records, anunciada em 2014 e que era suposto ter produzido, para começar, a edição especial do 30º aniversário de «Purple Rain»? Serão divulgadas, e, se sim, como, as canções inéditas guardadas no seu «cofre» (que, apesar de muito provavelmente serem bastantes, não acredito no entanto que sejam cerca de duas mil, como alguém calculou)? Em 1993 escrevi - em artigo publicado na revista TV Mais – que Paisley Park poderia tornar-se numa nova Graceland; mantenho esta previsão, e há quem concorde comigo.
Prince Rogers Nelson nasceu a 7 de Junho de 1958, pelo que completaria hoje, se fosse vivo, 58 anos de idade. Uma data que muitos admiradores, do seu Minnesota natal mas não só, gostariam que fosse transformada num feriado no seu Estado, e já há uma petição nesse sentido. Todavia, o actual governador, (o democrata) Mark Dayton, (ainda) não fez isso… mas decidiu designar 23 de Maio como «Dia de Beyoncé», artista que não tem qualquer ligação à «terra dos dez mil lagos». Porquê? Talvez porque, ao contrário da esposa de Jay-Z, «sua alteza púrpura» nunca votou em Barack Obama nem apelou a que se votasse no actual presidente, não obstante ter tocado e cantado para ele na Casa Branca. E, eventualmente, também porque no fundo, por detrás da sua aparência exuberante, ele era socialmente conservador, o que incluía ser opositor do «casamento» entre pessoas do mesmo sexo. Controverso… contudo, no que respeita ao mais importante, do lado certo. Celebremos a sua vida e a sua obra... como se fosse, ainda e sempre, 1999. (Também no Octanas.) 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Suicídio colectivo

(Três adendas no final deste texto.)
Um dos contos que integram o meu primeiro livro a ser publicado (em 2003), «Visões», intitula-se «Decreto-Lei Nº 54», e descreve, sob a forma de uma (obviamente) fictícia nova norma emanada de um qualquer governo e utilizando – ou tentando utilizar – uma «linguagem político-jurídica» que habitualmente caracteriza os textos inseridos no Diário da República (aliás, foi daí que eu retirei a inspiração, a ideia, neste caso), a criação de uma nova instituição estatal, incluindo os seus motivos e os seus objectivos: o «Instituto de Apoio ao Suicídio», abreviadamente… e apropriadamente designado de «IAS».
Aquele meu texto pretendeu ser (mais) um «exercício de absurdo» em que a minha obra de estreia é de facto pródiga, e que António de Macedo, na sua introdução-prefácio, tão bem descreveu. Então, e até recentemente, acreditava que tal entidade, ou actividade, só poderia existir no domínio da (mais distorcida, ou retorcida) imaginação. Porém, seria previsível que a – verdadeiramente «sinistra» - esquerda «liberal» e «progressista» norte-americana, agrupada principalmente no Partido Democrata, mais tarde ou mais cedo, e à semelhança de outros conceitos «fantásticos» (?), de outras «utopias que na verdade se revelam depois serem distopias, faria os possíveis e os impossíveis para a tornar realidade.
E assim foi… na Califórnia, como não podia deixar de ser, terra onde nenhuma loucura é inaceitável, Estado que cada vez mais se afigura como uma gigantesca Disneyland de depravação: o Departamento de Saúde Pública do (cada vez mais «nublado») «sunshine state» decidiu criar, na sequência da aprovação do «End Of Life Option Act», uma linha telefónica gratuita que tem como objectivo prestar informações sobre como… pôr termo à vida; além disso, a California Medical (uma versão estadual do Medicaid) poderá pagar, a cada doente com comprovados menores recursos financeiros, até 5400 dólares para aquisição das substâncias químicas (porque «medicamentos» parece-me ser uma palavra desadequada aqui) necessárias para provocar a morte. No total, cerca de 2,3 milhões de dólares do orçamento californiano para 2016 est(ar)ão reservados para aquela despesa «eutanasiante» (e quiçá… entusiasmante para alguns), no que é mais uma iniciativa da equipa do incansável – no mau sentido – governador Jerry Brown…
… Que, efectivamente, não se cansa de multiplicar, com os seus muitos (demasiados) «camaradas» na Califórnia, as formas e os meios que lhes permitam criar as condições para um autêntico suicídio colectivo – e, se não físico, pelo menos, e primeiramente, mental. Na verdade, há que registar ainda a decisão da cidade de Richmond em pagar até 12 mil dólares a ex-presidiários para não cometerem assassínios com armas de fogo. Isto para não falar da proliferação de «cidades-santuário» como São Francisco, em que criminosos que sejam imigrantes ilegais não são entregues pelas autoridades locais às federais para serem deportados – algo que já causou vários homicídios, como o de Kate Steinle, e outros delitos menos graves. Outro factor de autodestruição generalizada, não tanto física mas sim mais financeira, não imediatamente perceptível mas inevitável, inexorável, nos seus efeitos (negativos, como a diminuição do emprego e a estagnação económica), é o aumento – acentuado e não sustentado – do salário mínimo… algo que até Jerry Brown é capaz de entender e de admitir.
A concretização – para já, e de que eu tenha conhecimento, apenas na Califórnia – de um «Instituto de Apoio ao Suicídio» é tão só mais uma demonstração de que aquilo que vários escritores de ficção científica imaginaram corre o risco de se tornar… não ficção; e, infelizmente, os aspectos negativos dessas previsões parecem sobrepor-se aos positivos. No âmbito político e social, estas «inovações» da esquerda americana não vêm apenas comprovar mais uma vez, como se tal ainda necessário fosse, de que o Partido Democrata é a maior e mais antiga organização criminosa dos EUA, que continua a ter como principal missão, e tarefa, a promoção, a prática e a protecção de crime e de criminosos – esta de pagar àqueles para não assassinarem deveria ser suficiente para eliminar as dúvidas que eventualmente permanecessem; também vêm comprovar que, de um modo mais abrangente, mundial, a «sinistra» está apostada em proceder ao aniquilamento gradual da civilização ocidental, para tal recorrendo a métodos directos e indirectos, rápidos e lentos, concretos e simbólicos: massificação facilitada, financiada e incentivada do aborto e da eutanásia; «normalização» e até imposição da homossexualidade em todas as áreas da vida pública; cedência crescente à radical infiltração (demográfica e ideológica) muçulmana; restrição das liberdades de expressão e de associação, em especial (mas não só) nos estabelecimentos de ensino; aplicação de políticas de retrocesso tecnológico e económico alegando como causa o inexistente, fraudulento, «aquecimento global antropogénico».    
A todos os soldados dos novos totalitarismos, qual exército de zombies que nem as – muito criativas – mentes de autores como Aldous Huxley, Anthony Burgess, George Orwell, e outros, conseguiram prever, deve-se pelo menos começar por se dizer o que Nancy Reagan aconselhava que se respondesse aos traficantes de droga: «não». (Também no Simetria.)
(Adenda – Mais anormalidades (e outras se seguirão, evidente e infelizmente) ao estilo «California Uber Alles» (recorde-se que, nesta – premonitória – canção de 1980, os Dead Kennedys atacam Jerry Brown, então na sua primeira «encarnação» enquanto governador, como sendo um aspirante a ditador): o procurador-geral de Los Angeles quer obrigar os centros de gravidez (pró-vida) da cidade a fazerem igualmente promoção do aborto enquanto alternativa e dos locais onde ele é feito; e a Assembleia Estatal quer proibir a utilização de gravações das suas reuniões em anúncios políticos e/ou comerciais, no que constitui uma violação da Primeira Emenda. Ambos estes abusos de poder estão a ser, como seria previsível, contestados em tribunal.)
(Segunda adenda – Uma das «melhores» formas de concretizar um suicídio colectivo é proceder-se ao desarmamento geral dos bons cidadãos, tornando-os indefesos perante criminosos que não obedecem às directivas do «gun control»; infelizmente, mais uma prova disso foi dada esta semana na Universidade da Califórnia-Los Angeles, obviamente uma «gun free zone»… menos para o maníaco que assassinou um professor e que depois se suicidou; porém, para os idiotas do costume, a culpa é sempre da NRA.)
(Terceira adenda – Mais três recentes demonstrações do – mau – carácter degenerado, fascizante e suicidário dos legisladores democratas californianos… eles querem: dar aos presidiários o direito de voto; acusar e levar a tribunal os cépticos do «aquecimento global antropogénico»; e alargar – gratuitamente – a cobertura do «ObamaCare» aos imigrantes ilegais.)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

«Hillarity» (Parte 5)

Quem diria, há não muitos meses, que ainda antes de Maio de 2016 as primárias do Partido Republicano para a eleição do próximo presidente dos EUA, que começaram com 17 candidatos e nenhum favorito destacado, já estariam praticamente terminadas, enquanto que as primárias do Partido Democrata, com cinco candidatos e uma favorita destacada, ainda não?
Porém, é esse o real cenário actual: Donald Trump já estava à frente em votos e em delegados, e, após as desistências (formalmente, «suspensões de campanha») de Ted Cruz e de John Kasich, ficou sozinho na corrida e é, pois, o «nomeado presuntivo» entre os «encarnados»; Hillary Clinton continua a ter a (cerrada) concorrência de Bernie Sanders, mas continua a ser apontada como a virtual vencedora entre os «azuis». No entanto, enquanto o milionário continua a ter as suas (muitas) afirmações e acções contraditórias, controversas, duvidosas, quando não ofensivas, devidamente divulgadas e escrutinadas, as da ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado nem tanto. Pelo que novamente no Obamatório se procede a uma inventariação… longe de ser exaustiva dos momentos de «hilaridade» (ou nem tanto) que a campanha da esposa de Bill Clinton – que, definitivamente, não é tão sensata quanto ele, o que é dizer muito – tem proporcionado, em especial desde Outubro último.
E há tanto por onde escolher… sabiam que ela alega que, quando era mais jovem, tentou alistar-se nos Marines, mas foi recusada? Que se riu quando um dos seus apoiantes lhe disse que lhe apetecia estrangular Carly Fiorina? Que deu números errados (pronto, está bem, mentiu…), durante um debate, sobre a quantidade de mortos por armas de fogo? Isto como mais uma forma de apelar a um maior «gun control», apesar de, confirmou-se depois, tanto ela como o marido já beneficiarem há décadas de segurança armada… paga pelos contribuintes. Entretanto, e porque não lhe bastou criar (ou participar n)uma falsa narrativa envolvendo um vídeo (aquele que supostamente causou o ataque ao consulado em Benhazi), decidiu criar (ou participar n)outra, dizendo que Donald Trump estava a ser «usado (mostrado) literalmente» em vídeos de propaganda do ISIS, o que não era verdade.. mas o marido foi; depois, e pior, chamou indirectamente (ou será que foi directamente?) de mentirosos aos familiares das vítimas do atentado na Líbia.     
As fontes do seu financiamento – pessoal, familiar, político – constituem outro factor de perturbação constante para Hillary Clinton e para a sua campanha. Às perguntas sobre se o dinheiro que a Goldman Sachs, e outras empresas de Wall Street, lhe pagaram por discursos não poderia ser considerado excessivo, ela respondeu «foi o que eles ofereceram…» Tal como «não é muito» os 150 mil dólares em contribuições que ela recebeu de companhias de petróleo e de gás… e, de facto, não é, mas para os fanáticos contra as energias fósseis um dólar já seria demais. Já das empresas mineiras de carvão, e respectivos trabalhadores, não é de esperar grandes donativos, pois ela prometeu levá-los à falência. Será por isto também que ela afirma ser, nos EUA, «o (a) funcionário(a) público(a) mais transparente dos tempos modernos»? As funcionárias… privadas da Fundação Clinton não deverão tirar disso grande satisfação, já que ganham em média menos 38% do que os seus colegas masculinos. Mais uma vez, não acreditem quando os democratas se queixarem - acusando frequentemente, em simultâneo, os republicanos - de discriminação salarial. 
Outra constante na campanha de Hillary Clinton – e que quase começa a  parecer uma «maldição» (auto-infligida) – tem sido a de proferir frases que são imediatamente anuladas, ou contraditadas, por acontecimentos passados, mais ou menos remotos. A candidata afirmou que se deve acreditar em todas as mulheres que alegam ser vítimas de violação… e, numa acção de campanha, em Dezembro último, em New Hampshire, perguntaram-lhe se isso também se aplicava às mulheres que acusaram o marido; criticou, em Fevereiro, Bernie Sanders por assentar a sua campanha em promessas sucessivas de «coisas grátis»… mas, antes, criticou Jeb Bush por este acusar os democratas de fazerem isso; ao seu concorrente directo perguntou, em Março, onde é que ele estava nos anos 90, quando a então primeira-dama lutava por alterar o sistema de saúde do país… e a equipa do senador do Vermont respondeu «literalmente, atrás de si»; no mesmo mês, e em entrevista a Chris Matthews, disse que «não perdemos uma só pessoa na Líbia» (!); um dia depois, disse, referindo-se a Donald Trump, que «o nosso comandante-em-chefe tem de ser capaz de defender o nosso país, e não de o embaraçar»… o que levantou a possibilidade de ela também se estar a referir ao marido.         
Tantas falhas de memória e até de conhecimento como que dão razão à sua assistente (e esposa do infame Anthony Weiner) Huma Abedin, que chegou a confidenciar, no início de 2013, numa mensagem de correio electrónico dirigida a uma colega, que Hillary Clint «está (estava) confusa frequentemente». E vários outros exemplos recentes existem dessa… desorientação. Como: afirmar que quer «começar boas coisas antes que aconteçam» (?!); pôr-se a ladrar, literalmente, num comício; garantiu que sempre tentou dizer a verdade e não acredita que alguma vez tenha mentido; e confundiu a Constituição com a Declaração da Independência! E há que não esquecer a sua já longa lista de «flip-flops», de mudanças de opinião e de posição sobre uma série de assuntos. E a pressão vinda da sua esquerda, de Bernie Sanders e dos seus apoiantes, é tal que as «cambalhotas» a levam a extremismos indignos, que incluem: afirmar que os fabricantes de armas transformam cidadãos em terroristas; prometer que serão derrubadas todas as barreiras existentes à obtenção de cidadania por parte de imigrantes, para isso criando, eventualmente, uma nova agência federal para auxiliar ilegais; condenar – na sequência de uma acção em tribunal interposta pela (cada vez mais desprezível) ACLU – uma lei recentemente aprovada no Indiana que proíbe qualquer forma de aborto selectivo.
Para piorar o panorama, alguns dos seus aliados e «camaradas» não a têm propriamente ajudado com as declarações que fazem, com as atitudes que tomam… aliás, em alguns casos, por serem quem são. É caso para dizer: «com amigos destes, quem precisa de inimigos?» Nomeadamente: Lena Dunham, convidada para gerir (durante um dia) a conta oficial de Instagram da candidatura de HC; David Axelrod, que fez pelo menos não uma mas sim duas críticas a Hillary em campanha; Madeleine Albright, que mostrou não ser muito… «bright» ao afirmar que «há um lugar especial no Inferno para as mulheres que não se ajudam umas às outras» - ou seja, neste caso, votar na mãe de Chelsea; Dianne Feinstein, que não soube responder, quando lhe perguntaram numa entrevista, quais os feitos da Sra. Clinton enquanto senadora… até disse a um assessor para pesquisar no Google (!); Peter Schumlin, governador do Vermont e «superdelegado» de Hillary, que negou a asserção daquela de que vêm daquele Estado muitas das armas usadas em crimes cometidos no de Nova Iorque; e até Bill Clinton, que confessou que «às vezes desejava não ser casado com ela para poder dizer o que realmente penso»… embora, o que é um facto, ele já se tenha comportado muitas vezes como se não fosse! De tal forma, aliás, que, segundo um livro publicado em Dezembro último, Hillary obrigou-o a fazer o teste do HIV (ela também o terá feito, e deu negativo para ambos), o que terá tornado verdadeira a piada de Jay Leno
O que já não é de todo hilariante, muito pelo contrário, é a investigação - e não o «inquérito sobre segurança» - que o FBI tem estado a realizar há vários meses sobre a utilização, por parte de HC (e da sua equipa) nos quatro anos que serviu como secretária de Estado, de um servidor privado para enviar, receber e guardar mensagens de correio electrónico contendo informações classificadas, confidenciais, sensíveis, secretas. Juridicamente falando, o «cerco» estará a apertar-se, a «tempestade perfeita» estará a formar-se. Mais detalhes, mais novidades, deverão surgir em breve.               

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O «legado horrível»

(Uma adenda no final deste texto.)
Foi há mais de um mês – concretamente, a 21 de Março último – mas merece ser assinalado, e não só porque «mais vale tarde do que nunca»: então, entre o frenesim provocado pela visita a Cuba de Barack Obama e também pelos atentados terroristas em Bruxelas, não terão sido muitos os que se aperceberam do que Bill Clinton disse, e fez, num comício eleitoral da sua esposa em Washington: denunciou, e condenou, o «legado horrível dos últimos oito anos»; que, por «coincidência», são, foram, os da presidência de Barack Obama… e em que Hillary Clinton também participou, enquanto secretária de Estado, ou seja, chefe da diplomacia (… macia ;-)) dos Estados Unidos da América.
Uma semana depois, no Arizona, nova afirmação… surpreendente – ou nem tanto, porque é verdade – do Nº 42: a maioria dos trabalhadores norte-americanos não vê o seu salário aumentado desde 2008; quase ao mesmo tempo, e curiosamente, o principal conselheiro económico do Sr. Hussein como que (involuntariamente) concorda. Mais sete dias se passam, e um ainda mais notável acontecimento ocorre: o ex-presidente dos EUA confronta – e critica – membros do movimento «Black Lives Matter» que haviam penetrado outro comício de Hillary, em que ele participava, para protestarem (ruidosamente), e à semelhança do que já haviam feito em outras ocasiões, contra a ex-senadora de Nova Iorque. O ex-«primeiro presidente negro da América» não se conteve e acusou os manifestantes de serem cúmplices dos que, na comunidade afro-americana, leva(va)m os seus irmãos de etnia ao crime e à destruição familiar. É este o principal «problema» com Bill Clinton: por mais que o queiramos denegrir, detestar, definitivamente, não só, ou não tanto, por ser democrata mas também, e principalmente, por ser um adúltero e abusador sexual, de vez em quando ele sai-se com demonstrações de razoabilidade, de sensatez, como estas mais recentes. Na verdade, e estritamente enquanto político, ele não foi, não é, dos piores; não foi um mau presidente – embora, nunca é demais recordar, tenha para isso beneficiado muito da colaboração de um Congresso então dominado pelos republicanos e que tinha Newt Gingrich como speaker.     
Como seria previsível, depois do «arrufo» com os BLM «Slick Willie» veio de certa forma desculpabilizar-se pelo que disse, atenuar o impacto das suas acusações, retractar-se de algum modo. Tal terá, provavelmente, acontecido por pressão de Hillary, que não pode dar-se ao luxo de desperdiçar um único voto de racistas negros. Aliás, e como que para provar esta suspeita, logo depois de o marido ter falado do «legado horrível», ela veio «esclarecer» que a expressão era dirigida ao Congresso, actualmente e novamente controlado pelo GOP, e não a Barack Obama. Porém, os republicanos só são a força (maioritariamente) dominante há menos de dois anos, e não há oito… Entretanto, e ironicamente, se não é o pai (contra a vontade da mãe) a ouvir a boca fugir-lhe para a verdade, é a filha: Chelsea Clinton lamentou que os custos com a saúde sejam «esmagadores» apesar – ou melhor (pior), por causa – do «ObamaCare»; este, seis anos depois da sua aprovação, acumula falhanços. Virá a Sra. Clinton dizer que também neste caso a culpa é dos «elefantes», não obstante nem um só de entre eles então nas duas câmaras legislativas ter votado a favor da coisa?
Evidentemente, não seria preciso esperar pelas intervenções da família Clinton para se ter a certeza do tipo de «herança» que Barack Obama lega ao país e ao Mundo. O «testamento» é desolador em vários aspectos, como tenho vindo indubitavelmente a demonstrar, logo desde o primeiro dia, aqui no Obamatório. Ainda estão por avaliar completamente – mas tal já começou a ser feito – os estragos que a actual administração causou na (e com a) NASA e no (e com o) IRS, (maus) exemplos extremos do que as «bur(r)ocracias» podem causar. Na comunicação social o panorama é sem dúvida desolador: Brian Stelter é o mais recente jornalista… inclinado à esquerda a afirmar que a actual administração é «a menos transparente de sempre», e até os Repórteres Sem Fronteiras se pronunciam formal e negativamente sobre o que os seus colegas norte-americanos sofrem. Algo que, obviamente, não é divulgado pela «isenta» comunicação social portuguesa, com (lamentável) destaque para as «amestradas» RTP, SIC e TVI, que ao invés, e jovialmente, passam reportagens sobre o recente jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, animado desta vez pelo «cómico» Larry Wilmore, que, entre outras inanidades, chamou de «nigga» ao Sr. Hussein… e este gostou! Como notou, e bem, Rush Limbaugh, este episódio demonstra até que ponto, com o Nº 44, a presidência foi «desvalorizada» (ao nível, digo eu, de um «reality-show»), e este é apenas mais um item do «legado horrível».  
Não que BHO, naturalmente (para ele), pense isso. Pelo contrário, ele está convencido da qualidade e da importância do que deixa para trás, e agora está decidido a aproveitar da melhor maneira, e até alegremente, o tempo (felizmente pouco) que lhe resta no Salão Oval. É ver as figuras... tristes que ele fez aquando da cimeira sobre segurança nuclear realizada em Washington a 1 de Abril último (pois…), e que incluíram adoptar poses… inadequadas nas fotografias oficiais e permitir que François Hollande fosse censurado. Não foi um «corte» qualquer, logicamente: o presidente francês «atreveu-se» a proferir a expressão «terrorismo islâmico», e isso continua a ser «tabu» para os democratas. Alguns dias antes, Obama insistia novamente que não se deve «estigmatizar os muçulmanos americanos»… ou quaisquer muçulmanos, o que Hollande deve ter sem dúvida «aprendido». E, não, ao contrário do que Ted Cruz exigiu, não parece que Barack vá deixar de dar «lições» sobre (contra) «islamofobia» aos seus compatriotas enquanto o ISIS continua a ser, literalmente, uma «ameaça existencial» (muitas vidas já deixaram de existir por causa dos infames jihadistas) para todos… mas não para o Sr. Hussein, que tem «muito (mais) no prato» para se ocupar (e comer?)…
… Como brincar com crianças durante uma festa da Páscoa na Casa Branca, e preparar-se para os «três a quatro meses» que passará a dormir depois de deixar o cargo. Sim, tanto golfe pode ser, e é, cansativo… tal como «ralhar» com os verdadeiros «inimigos», os republicanos, que insistem, ao contrário (diz ele) dos seus congéneres direitistas europeus, negar a existência de aquecimento global antropogénico, e que, além disso (diz ele), não mostram «respeito por esta incrível experiência democrática que os nossos fundadores criaram». É caso para dizer: olha quem fala…
(Adenda – O «legado horrível» também abrange, o que não é novidade, a mais descarada hipocrisia. O mais recente exemplo, após dezenas (centenas?) nos últimos anos? Barack Obama a afirmar, a propósito do… estilo de Donald Trump, que a corrida para a presidência dos EUA «não é um reality-show»… quando ele próprio já participou em vários desde que tomou posse. Porém, pior do que a hipocrisia é a mentira, em especial quando referente a assuntos de segurança nacional: Ben Rhodes, conselheiro naquela área do Sr. Hussein, admitiu ao New York Times que a actual administração mentiu à comunicação social quanto ao contexto e às características do «acordo» nuclear com o Irão…. E, ainda por cima, gabou-se disso! Não espanta, pois, que, emulando práticas tipicamente estalinistas e assim procurando evitar embaraços maiores, tentem não tanto «retocar» fotografias mas mais, sim, «apagar» de vídeos perguntas incómodas que lhes fizeram.       

terça-feira, 26 de abril de 2016

«Saudades»? Nenhumas! (Parte 2)

Segue-se a segunda (e última) parte do «especial» dedicado, no Obamatório, à minha recente discussão virtual com Pedro Correia a propósito do texto «Saudades antecipadas de Obama» que aquele escreveu e publicou no blog Delito de Opinião, e que acabou por constituir um pretexto para uma (breve) «revisão da matéria dada» nos últimos sete anos. Na primeira parte terminei expressando o meu espanto – sim, ainda é possível ele dizer e/ou fazer algo que até a mim surpreende – por Barack Obama ter equiparado o capitalismo ao comunismo… isto na Argentina onde dançou o tango enquanto em Bruxelas se choravam os mortos de mais um atentado terrorista perpetrado por muçulmanos extremistas, e depois de Cuba, onde confraternizou com repressores comunistas…
… E Pedro Correia ripostou com a relativização que já usara antes, recordando episódios, factos históricos anteriores de presidentes norte-americanos que foram ao encontro… de homólogos pouco respeitáveis e recomendáveis, e isto porque «os interesses são permanentes e as alianças variam em função dos interesses e submetem-se a eles.» Eu contrapus: «O que diria hoje eu se visse um presidente americano a deslocar-se ao encontro de um Estaline? Ou de um Mao (e a Revolução Cultural, em 1972, já terminara ou estava a cessar)? Reitero o que disse no meu comentário anterior: dependeria da confiança que esse presidente inspirasse. Roosevelt, Nixon, Reagan, e até Bill Clinton, inspiravam. Apesar das suas falhas em algumas (e diferentes) matérias, ninguém duvidava de que acreditavam na supremacia do capitalismo sobre o comunismo, e lutavam efectiva, contínua e consistentemente nesse sentido. Barack Obama não. Sem dúvida que há que enterrar os últimos resquícios da Guerra Fria. O problema é que esses... resquícios não querem ser enterrados. Cuba e Coreia do Norte não só não melhora(ra)m como estão cada vez mais arrogantes, agressivos. O Pedro soube, leu, (d)o artigo (supostamente) escrito por Fidel Castro depois da visita de Obama? Nenhuma abertura promete(u), tal como não são sinais de desanuviamento as constantes ameaças apocalípticas feitas pelo mais novo dos Kim. Ambos não respeitam, não receiam, o actual presidente dos EUA... e também por o terem visto a fazer vénias, a curvar-se, perante o rei da Arábia e o imperador do Japão. Concordo que há uma equivalência entre o nazismo e o terrorismo de matriz islâmica - que, aliás, não é só de agora, porque muitos muçulmanos, incluindo o seu então líder “espiritual” máximo, eram apoiantes declarados de Hitler. Porém, é uma ingenuidade falar-se apenas do “terror sunita” quando existe um “terror xiita” pelo menos tão perigoso e preocupante quanto aquele. No Irão também se executam “blasfemos” e homossexuais. O regime de Teerão, além de ser ele próprio uma organização terrorista, apoia terroristas no estrangeiro há quase 40 anos. E, agora, com a “generosa” contribuição da actual administração norte-americana, esse apoio vai aumentar.»
O meu interlocutor «voltou à carga» e (re)começou por dizer que «a história precisa de tempo para sedimentar-se. Roosevelt e Truman, por exemplo, beneficiam hoje de uma distância temporal para serem avaliados com a justiça que só o distanciamento permite. Mas você certamente não ignora que foram ambos alvos das mais duras críticas enquanto exerceram funções. A corrente isolacionista, muito forte nos EUA, lançou os insultos mais desprimorosos a Roosevelt, acusando-o de envolver o país no conflito mundial. E só Pearl Harbor silenciou essas críticas. Truman, por sua vez, foi acusado de ser um dos mais impreparados presidentes de sempre - incluindo por gente do Partido Democrata. Foi reeleito à tangente e impiedosamente ridicularizado por cartunistas e colunistas até ao último dia na Casa Branca. Chamaram-lhe de tudo, incluindo "criminoso de guerra" por ter mandado arrasar Hiroxima e Nagasáqui.» Depois regressou a casos mais recentes… Pela minha parte, reconheci e concordei que «o Pedro - tal como muitas outras pessoas - é “incapaz de compará-lo (o regime cubano) com o regime totalitário da Coreia do Norte, imensamente pior.” Sem dúvida. Porém... Cuba e Coreia do Norte mantêm relações - diplomáticas, culturais, económicas e militares (incluindo tráfico de armas... há três anos um navio norte-coreano carregando armamento cubano foi arrestado no Panamá) - muito próximas há mais de 50 anos. Aliás, Teerão tem em Havana outros dos seus maiores amigos. Um autêntico (outro) “eixo do mal” que a fraqueza, a incompetência e o relativismo ideológico de Barack Obama e dos “democratas” norte-americanos mais não têm feito do que reforçar.»
O criador e coordenador do DdO considerou, enfim, que seria preferível esperar «pelo próximo ciclo político para avaliar inteiramente o que ainda não se esgotou. O tempo é o melhor juiz, como creio já ter dado alguns exemplos.» No entanto, neste caso a minha opinião é a de que já passou tempo suficiente: «eu não preciso de esperar pelo próximo ciclo político (norte-americano) para avaliar (quase) definitivamente a presidência de Barack Obama. A menos que aconteça um milagre de autênticas características mágicas, avassaladoras, a apreciação será sempre negativa. E desde 2007-2008 que eu sei que tipo de pessoa ele é: educado, inspirado, por Frank Marshall Davis, comunista; na juventude (ele admite-o) procurava rodear-se de marxistas - aliás, os seus registos universitários (incluindo trabalhos, teses, que escreveu) continuam selados, o que só aumenta as suspeitas de que proporcionariam revelações desagradáveis; já na idade adulta, e em Chicago, tornou-se próximo de fanáticos (Jeremiah Wright, seu pastor durante 20 anos, que o casou, conhecido por gritar “God damn America!”), terroristas (Bill Ayers e Bernardine Dohrn, casal em cuja casa iniciou a sua carreira política), corruptos (Rod Blagojevich, actualmente preso) e mafiosos (Tony Rezko, que lhe arranjou uma casa em condições favoráveis). Entrado na Casa Branca, mostrou-se pior do que Richard Nixon: ameaças a jornalistas e a “whistleblowers”, escutas telefónicas e processos em tribunal; assédio, perseguição e sabotagem a/de opositores políticos (republicanos, conservadores) através, principalmente, do serviço de IRS; libertação (perdão) constante de criminosos, tanto nacionais (traficantes de droga) como estrangeiros (jihadistas); instrumentalização de todo o aparelho do Estado, do governo federal, na prossecução de causas “fracturantes” e “politicamente correctas”, em especial a “agenda LGBT” e as “alterações climáticas”. Não, nem é necessário considerar a sua (desastrosa) diplomacia, feita de fraqueza, “linhas vermelhas” transpostas sem consequências, negligência e até desrespeito por aliados, e transigência com inimigos, para se poder afirmar, com certeza, que estes oito anos constituem uma catástrofe para os EUA e para o Mundo. “Saudades”? Nenhumas!»
Pedro Correia não é, no entanto e infelizmente, o único jornalista português a manifestar antecipadamente «saudades» por Barack Obama deixar de ser presidente dos EUA. Teresa de Sousa, em artigo no Público do passado domingo, exprimiu exactamente o mesmo sentimento. O que demonstra, mais uma vez, que a experiência e o (suposto) conhecimento adquirido dos assuntos proporcionado (em princípio) por aquela não são obstáculos a que se caia em equívocos e se passe por situações embaraçosas, e não propriamente dignas da profissão que se tem. 

domingo, 17 de abril de 2016

«Saudades»? Nenhumas!

Há cerca de três meses escrevi aqui no Obamatório que, quanto ao «balanço» da actividade deste meu blog, a fazer no próximo ano, seria pouco provável que a avaliação final resultante desse balanço não fosse «de desilusão, de fracasso, de “missão não conseguida”: a minha meta de influenciar, de alterar, mesmo que ligeiramente, a perspectiva predominante em Portugal sobre a realidade política norte-americana, não foi alcançada; a desinformação, a omissão, e por vezes a pura e simples mentira, beneficiando “burros” e prejudicando “elefantes”, ainda são constantes e até ridiculamente hilariantes. (…) Consequência habitual e quase inevitável: a multiplicação de leitores-consumidores-cidadãos ignorantes, iludidos, pouco exigentes, prontos a ceder aos seus preconceitos, e capazes de escreverem – e de acreditarem – em imbecilidades.»
Se já é grave que isto aconteça com alguém mais ou menos anónimo e não muito atento a estes assuntos (e facilmente manipulável), que dizer quando acontece com pessoas já com algum estatuto e perfil público, que estimamos e de quem esperaríamos muito mais e melhor? Foi essa a situação com que me deparei quando li – e me espantei – com o texto «Saudades antecipadas de Obama», escrito por Pedro Correia no seu blog Delito de Opinião no passado dia 30 de Março. Tal como eu um jornalista que «cresceu» no papel mas que encontrou no digital o seu espaço preferencial, PC não é um comentador qualquer mas «apenas» um dos mais atentos, conhecedores, lúcidos, multifacetados e sensatos da blogosfera portuguesa. Tal como eu um opositor incansável do AO90, quase sempre me revejo no que escreve e faço minhas as palavras dele… e não só em questões de ortografia. É por isso que a desilusão foi muita quando li… «inexactidões» como: «Barack Obama não foi o santo milagreiro que alguns desejavam. Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009. Os Estados Unidos, embora longe da prosperidade de outrora, registam crescimento económico, o desemprego foi reduzido para metade, a inflação situa-se a níveis residuais e nunca tantos americanos beneficiaram de medidas de protecção social como no seu mandato. No plano externo, o Presidente agiu com prudência no vespeiro do Médio Oriente, enfrentou com firmeza as tentativas de expansionismo russo e pôde anunciar ao mundo a captura (na verdade, foi a morte) de Bin Laden. (…) Venha quem vier depois dele, pressinto que não tardaremos a ter saudades de Obama. Do seu gesto inspirador, da sua palavra eloquente, da sua apaziguadora bonomia. Em suma: da sua decência, que parece um pouco fora de moda e muito deslocada no tempo.»
Estava dado o «mote» para uma discussão virtual (porque não presencial mas à distância, electrónica) intensa mas cordial. Respondi ao texto notando que «nada nele corresponde à verdade; pelo contrário, e como demonstro há mais de sete anos em blog próprio, Barack Obama deixa(rá) os EUA e o Mundo piores do que os encontrou. Por arrogância, cobardia, incompetência, inexperiência, extremismo ideológico. “Apaziguadora bonomia”? Sim... para inimigos e ditadores estrangeiros, não para aliados e opositores domésticos. “Decência”? Não a tem quem é a favor do “late term abortion” e considera o (inexistente) “aquecimento global” uma ameaça mais grave do que o terrorismo islâmico. “Saudades”? “Tantas” vou ter que, provavelmente, darei uma festa no dia em que ele sair da Casa Branca, mesmo que seja substituído (“vade retro, Satanás”!) por outro democrata.» Pedro Correia justificou a sua avaliação: «Comparo os EUA de 2009 com o país actual. E verifico que no mundo ocidental são uma ilha de prosperidade - o que basta para constituir um sinal de esperança. Tímida prosperidade, é certo, mas tomáramos nós aqui na Europa termos a dinâmica de crescimento deles aliada à baixíssima taxa de desemprego lá existente. (…) Dizer que o actual inquilino da Casa Branca cortejou ditadores estrangeiros é ignorar décadas de política externa norte-americana. Roosevelt reuniu-se em três cimeiras com Estaline - e é difícil conceber pior interlocutor para o chamado líder do mundo livre. Nixon visitou Mao e Brejnev. Na altura recebeu críticas muito mais duras do que aquelas agora escutadas por Obama nesta deslocação a Cuba.»
Eu reafirmei qual é a minha perspectiva permanente nesta área (e em outras) e esclareci que não se deve comparar, ou mesmo confundir, o que é diferente, factual e/ou contextualmente: «O Pedro não consegue “raciocinar - ou escrever - sobre política com base em ódios ou animosidades viscerais”, é “absolutamente incapaz disso”. Eu também: raciocino e escrevo com base em factos. E, no que se refere a Barack Obama e à sua presidência, repito que observo, registo e comento... factos (afirmações, atitudes, comportamentos, acções, decisões) há mais de sete anos. Não só se pode como se deve “retirar mérito à administração Obama na gestão da economia.” Se esta melhorou (pouco) tal aconteceu apesar dele, e não por causa dele. Sobre o desemprego, existem muitos norte-americanos - segundo os últimos dados, mais de 93 milhões (!) - que desistiram de procurar trabalho. Além de que o intervencionismo estatizante da actual administração causa estagnação e mesmo retrocesso nos EUA: na saúde, o “ObamaCare”, autêntica (tentativa de) nacionalização do sector da prestação de cuidados médicos, tem causado o aumento dos preços dos seguros, afastado utentes dos seus médicos e diminuído a liberdade de escolha, enquanto as empresas diminuem as horas de trabalho e até despedem para reduzir as despesas de saúde dos seus funcionários; no ambiente, a EPA, apenas para “demonstrar liderança” (a sua directora admitiu-o recentemente), está empenhada em destruir as indústrias assentes na utilização de carvão e em sustentar (artificialmente) as ditas “energias renováveis”, despendendo milhões em projectos que depois não revelam eficiência... ou entram em falência. Quanto à política externa, as épocas e os protagonistas não são propriamente comparáveis. Franklin Roosevelt encontrou-se com Josef Stalin... porque havia que derrotar Adolf Hitler. E Richard Nixon e Ronald Reagan visitaram a China e a União Soviética em contextos de “arrefecimento internacional”. Moscovo, com Brejnev, aceitara reduzir o número de armas nucleares, e, com Gorbatchov, iniciara mesmo, com a “Perestroika”, um processo de incipiente democratização. Pelo contrário, agora, Barack Obama nada de concreto, nenhuma melhoria efectiva, consegue de Cuba e do Irão, tendo inclusivamente facultado aos “ai-as-tolas” 150 biliões de dólares em fundos “descongelados” que o próprio John Kerry admitiu que serão canalizados, em parte, para apoiar terroristas! Mais: nenhumas dúvidas existem de que Roosevelt, Nixon e Reagan - aliás, todos os presidentes até 2008 - eram anticomunistas. Porém, com BHO não há essa certeza; não só por ter sido educado por esquerdistas, marxistas, comunistas; também por, há dias na Argentina, ter dito a uma audiência de jovens que, entre o capitalismo e o comunismo, escolhessem o que funcionasse (“choose from what works”)! Digamos que não é (não era) suposto, mais de 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o suposto “líder do Mundo livre” dizer isto.»

sábado, 9 de abril de 2016

Não é «Verdade»

Estreou em Portugal no passado dia 7 de Abril o filme «Verdade» - «Truth», no original – que tem Robert Redford e Cate Blanchett como protagonistas e James Vanderbilt como realizador. Porém, seria mais apropriado ter-se estreado no dia 1 porque, ao contrário do que o título indica, tem por base uma (enorme) mentira. E, 12 anos depois dos «factos» que lhe deram origem, continua a haver muitas pessoas que acreditam nela – as suficientes, pelo menos e precisamente, para fazer um filme com um orçamento e um elenco consideráveis pelos actuais padrões de Hollywood…
… Mas que, no entanto, não foram suficientes para evitar que fosse um fracasso de bilheteira assim que estreou nos EUA, em Outubro do ano passado. Pior, além de falhanço comercial foi também um falhanço crítico – até em órgãos de comunicação social mais à esquerda, como Bloomberg, New York Times, Vox, e em vários outros, entre os quais o Daily Beast e o Guardian, se sucederam as apreciações desvalorizadoras, quando não arrasadoras. A CBS, estação de televisão insuspeita de simpatias pró-republicanas e onde o «caso» em causa originalmente ocorreu em 2004, recusou inclusivamente exibir qualquer publicidade ao filme – digamos que preferiram perder (algum) dinheiro a colaborarem em algo que os incluía entre os «maus da fita» e os deixava – injustamente, reconheça-se – mal vistos.
Para os que não sabem e/ou que já se esqueceram, eis, em poucas palavras, o que aconteceu: aquando da campanha eleitoral para a presidência dos EUA em 2004, Dan Rather, principal jornalista, apresentador, «rosto» da informação da CBS, e a sua produtora Mary Mapes, decidiram realizar e difundir uma reportagem numa emissão do programa «60 Minutos» sobre documentos que tinham obtido e que alegadamente demonstrariam que George W. Bush – então a procurar a reeleição e um segundo mandato contra John Kerry – teria sido beneficiado ilegítima e ilegalmente de facilidades e de favores no seu serviço militar, cumprido n(a Guarda Aérea Nacional d)o Texas e não no Vietnam. A palavra fundamental aqui é «alegadamente»… porque os documentos foram desmascarados como falsos por vários «cidadãos-jornalistas» na Internet, em especial no blog Powerline. O que aconteceu depois? Rather e Mapes demitiram-se – ou foram demitidos – da CBS; as suas carreiras praticamente terminaram. Desde então, ele aparece ocasionalmente neste ou naquele canal mandando «bitaites» invariavelmente irrelevantes e ocasionalmente ridículos – incluindo equiparar insultuosamente Barry Goldwater a George Wallace e, incrivelmente, aconselhar o GOP a «colocar-se em contacto com um Mundo baseado em factos»!..
… E ela decidiu escrever um livro – de que o filme em questão é uma adaptação – em que procura desculpar-se, desresponsabilizar-se, juntamente com Rather, do que aconteceu; na sua perspectiva, ambos foram vítimas inocentes e manipuladas num processo em que outros – políticos republicanos, executivos da CBS, indivíduos indeterminados movendo-se na sombra – cometeram erros… ou crimes; não admitem que o que aconteceu se deveu à sua falta de prudência, de profissionalismo, algo à partida inadmissível e incompreensível em pessoas com os anos de experiência deles… a não ser que dessem prioridade, como acabaram por dar, aos seus preconceitos ideológicos, aos seus «bias», falta de isenção, e assim tentarem destruir a candidatura, e a presidência, de um homem de quem não gostavam. Tal como não gostavam do pai dele: outro ponto baixo da carreira de Dan Rather foi, é, a entrevista que fez em 1988 ao então vice-presidente e candidato à presidência George H. Bush, e em que, tentando encurralar o Nº 2 de Ronald Reagan com o escândalo «Irão-Contras», acabou por se aperceber de que tinha «telhados de vidro».
Rather é tão desavergonhado que ainda hoje continua a acreditar, e a afirmar, que era… verdade o que ele transmitiu naquela famigerada emissão. Sem vergonha é também Mary Mapes, que, igualmente em promoção de «Truth», inventou – isto é, mentiu – que o próprio pai tinha dado uma entrevista a Rush Limbaugh em que a criticava! E, enfim, tão ou mais desavergonhado é Robert Redford, um dos maiores e mais patéticos liberais de Los Angeles, que decidiu gastar o seu tempo e o seu talento com esta treta, com esta teoria da conspiração, com esta tentativa de reescrita da História levada ao cinema. Para ele tudo não passou de uma «tecnicalidade». Que distância, em anos (em 2016 passam 40) e em qualidade, de «Todos os Homens do Presidente», de que ele também foi protagonista. Só que Bob Woodward não é Dan Rather, e Richard Nixon não é George W. Bush. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Até parece mentira… (Parte 7)

… Que Barack Obama tenha culpado as «alterações climáticas» pelos ataques de asma que a filha Malia teve, mas não o seu vício de fumador. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Geil Lundestad, ex-director do Instituto Nobel da Noruega, tenha confessado num seu livro que a atribuição, em 2009, do Prémio da Paz a Barack Obama havia sido um erro. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Jimmy Carter, que continuamente critica Israel e compara este país à África do Sul do apartheid, e apoia o movimento BDS (boicote, desinvestimento e sanções) contra o Estado judaico, tenha recebido e beneficiado de um tratamento com um medicamento contra o cancro desenvolvido inicial e principalmente naquela nação. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a Casa Branca tenha convidado vários sacerdotes homossexuais e activistas transsexuais para a recepção ao Papa Francisco realizada naquela aquando da visita do pontífice aos EUA em Setembro último. Mas, sim, é mesmo verdade. 
… Que James Carville tenha afirmado que o comité do Congresso que investiga(va) o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi é(ra) «uma criação de Rupert Murdoch e dos irmãos Koch». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não o que disse).
… Que Kareem Abdul-Jabbar tenha escrito um artigo (publicado na revista Time) intitulado «Ben Carson é terrível para os americanos negros». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o escreveu, não que Carson fosse, ou seja, terrível).
… Que Dan Kimmel, democrata candidato a um lugar de representante no congresso estatal do Minnesota, tenha afirmado (num tweet) que o «ISIS não é necessariamente mau («evil»)». Mas, sim, é mesmo verdade (e, o que não surpreende, depois desistiu de se candidatar).
… Que a 27 cristãos iraquianos tenha sido recusado asilo por perseguição religiosa e sido dada ordem de expulsão dos EUA (enquanto milhares de imigrantes ilegais conseguem permanecer no país). Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Barack Obama tenha cometido, durante o discurso que proferiu ao país aquando do atentado em São Bernardino, um (relativamente grave) erro na definição do estatuto de Tashfeen Malik, uma de dois terroristas (o outro era o marido) culpado daquele – um erro que a Casa Branca, à semelhança de tantos outros anteriores, teve de corrigir. Mas, sim, é mesmo verdade.  
… Que uma caricaturista do Washington Post tenha «retratado» as duas filhas (menores, ambas com menos de 10 anos) de Ted Cruz como macacas. Mas, sim, é mesmo verdade (e imaginem se fizessem algo semelhante às duas filhas do Sr. Hussein).
… Que o Departamento de Estado tenha considerado, no seu balanço de 2015, como um dos seus maiores sucessos «estar a levar («bringing») paz e segurança à Síria». Mas, sim, é mesmo verdade (que eles se vangloriam de algo que não acontece(u).) 
… Que Barack Obama não saiba quantos anos os EUA têm enquanto nação independente. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que 40% das cartas de condução emitidas na Califórnia em 2015 tenham sido para imigrantes ilegais, «não documentados», que deste modo passaram a ser (indevidamente) documentados. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que políticos democratas tenham recebido de sindicatos cerca de 420 milhões de dólares entre 2012 e 2014. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que (pelo menos) um batalhão do exército dos EUA tenha sido obrigado a assistir a um seminário sobre «privilégio branco». Mas, sim, é mesmo verdade.
 … Que o Departamento de Justiça tenha considerado a possibilidade de, em colaboração com o FBI, acusar criminalmente os «negadores» da existência de «alterações climáticas» (causadas pela humanidade). Mas, sim, é mesmo verdade (Loretta Lynch admitiu-o).  
… Que uma «jornalista» do Politico, Susan Glasser, tenha afirmado que a administração de Barack Obama nunca foi afectada por escândalos. Mas, sim, é mesmo verdade (que ela o disse, não o que disse).
… Que Barack Obama tenha considerado Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, uma «super-heroína da vida real». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não o que disse).
… Que Gina McCarthy, directora da Agência de Protecção Ambiental, tenha admitido que as directivas que a EPA tem imposto às indústrias, com destaque para as centrais a carvão, servem não para diminuir eventuais impactos negativos no ambiente mas sim para demonstrar «liderança». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Jill Abramson, ex-editora executiva do New York Times, considere que Hillary Clinton é «fundamentalmente honesta». Mas, sim, é mesmo verdade (que Jill acredita, não que Hillary seja).