terça-feira, 26 de abril de 2016

«Saudades»? Nenhumas! (Parte 2)

Segue-se a segunda (e última) parte do «especial» dedicado, no Obamatório, à minha recente discussão virtual com Pedro Correia a propósito do texto «Saudades antecipadas de Obama» que aquele escreveu e publicou no blog Delito de Opinião, e que acabou por constituir um pretexto para uma (breve) «revisão da matéria dada» nos últimos sete anos. Na primeira parte terminei expressando o meu espanto – sim, ainda é possível ele dizer e/ou fazer algo que até a mim surpreende – por Barack Obama ter equiparado o capitalismo ao comunismo… isto na Argentina onde dançou o tango enquanto em Bruxelas se choravam os mortos de mais um atentado terrorista perpetrado por muçulmanos extremistas, e depois de Cuba, onde confraternizou com repressores comunistas…
… E Pedro Correia ripostou com a relativização que já usara antes, recordando episódios, factos históricos anteriores de presidentes norte-americanos que foram ao encontro… de homólogos pouco respeitáveis e recomendáveis, e isto porque «os interesses são permanentes e as alianças variam em função dos interesses e submetem-se a eles.» Eu contrapus: «O que diria hoje eu se visse um presidente americano a deslocar-se ao encontro de um Estaline? Ou de um Mao (e a Revolução Cultural, em 1972, já terminara ou estava a cessar)? Reitero o que disse no meu comentário anterior: dependeria da confiança que esse presidente inspirasse. Roosevelt, Nixon, Reagan, e até Bill Clinton, inspiravam. Apesar das suas falhas em algumas (e diferentes) matérias, ninguém duvidava de que acreditavam na supremacia do capitalismo sobre o comunismo, e lutavam efectiva, contínua e consistentemente nesse sentido. Barack Obama não. Sem dúvida que há que enterrar os últimos resquícios da Guerra Fria. O problema é que esses... resquícios não querem ser enterrados. Cuba e Coreia do Norte não só não melhora(ra)m como estão cada vez mais arrogantes, agressivos. O Pedro soube, leu, (d)o artigo (supostamente) escrito por Fidel Castro depois da visita de Obama? Nenhuma abertura promete(u), tal como não são sinais de desanuviamento as constantes ameaças apocalípticas feitas pelo mais novo dos Kim. Ambos não respeitam, não receiam, o actual presidente dos EUA... e também por o terem visto a fazer vénias, a curvar-se, perante o rei da Arábia e o imperador do Japão. Concordo que há uma equivalência entre o nazismo e o terrorismo de matriz islâmica - que, aliás, não é só de agora, porque muitos muçulmanos, incluindo o seu então líder “espiritual” máximo, eram apoiantes declarados de Hitler. Porém, é uma ingenuidade falar-se apenas do “terror sunita” quando existe um “terror xiita” pelo menos tão perigoso e preocupante quanto aquele. No Irão também se executam “blasfemos” e homossexuais. O regime de Teerão, além de ser ele próprio uma organização terrorista, apoia terroristas no estrangeiro há quase 40 anos. E, agora, com a “generosa” contribuição da actual administração norte-americana, esse apoio vai aumentar.»
O meu interlocutor «voltou à carga» e (re)começou por dizer que «a história precisa de tempo para sedimentar-se. Roosevelt e Truman, por exemplo, beneficiam hoje de uma distância temporal para serem avaliados com a justiça que só o distanciamento permite. Mas você certamente não ignora que foram ambos alvos das mais duras críticas enquanto exerceram funções. A corrente isolacionista, muito forte nos EUA, lançou os insultos mais desprimorosos a Roosevelt, acusando-o de envolver o país no conflito mundial. E só Pearl Harbor silenciou essas críticas. Truman, por sua vez, foi acusado de ser um dos mais impreparados presidentes de sempre - incluindo por gente do Partido Democrata. Foi reeleito à tangente e impiedosamente ridicularizado por cartunistas e colunistas até ao último dia na Casa Branca. Chamaram-lhe de tudo, incluindo "criminoso de guerra" por ter mandado arrasar Hiroxima e Nagasáqui.» Depois regressou a casos mais recentes… Pela minha parte, reconheci e concordei que «o Pedro - tal como muitas outras pessoas - é “incapaz de compará-lo (o regime cubano) com o regime totalitário da Coreia do Norte, imensamente pior.” Sem dúvida. Porém... Cuba e Coreia do Norte mantêm relações - diplomáticas, culturais, económicas e militares (incluindo tráfico de armas... há três anos um navio norte-coreano carregando armamento cubano foi arrestado no Panamá) - muito próximas há mais de 50 anos. Aliás, Teerão tem em Havana outros dos seus maiores amigos. Um autêntico (outro) “eixo do mal” que a fraqueza, a incompetência e o relativismo ideológico de Barack Obama e dos “democratas” norte-americanos mais não têm feito do que reforçar.»
O criador e coordenador do DdO considerou, enfim, que seria preferível esperar «pelo próximo ciclo político para avaliar inteiramente o que ainda não se esgotou. O tempo é o melhor juiz, como creio já ter dado alguns exemplos.» No entanto, neste caso a minha opinião é a de que já passou tempo suficiente: «eu não preciso de esperar pelo próximo ciclo político (norte-americano) para avaliar (quase) definitivamente a presidência de Barack Obama. A menos que aconteça um milagre de autênticas características mágicas, avassaladoras, a apreciação será sempre negativa. E desde 2007-2008 que eu sei que tipo de pessoa ele é: educado, inspirado, por Frank Marshall Davis, comunista; na juventude (ele admite-o) procurava rodear-se de marxistas - aliás, os seus registos universitários (incluindo trabalhos, teses, que escreveu) continuam selados, o que só aumenta as suspeitas de que proporcionariam revelações desagradáveis; já na idade adulta, e em Chicago, tornou-se próximo de fanáticos (Jeremiah Wright, seu pastor durante 20 anos, que o casou, conhecido por gritar “God damn America!”), terroristas (Bill Ayers e Bernardine Dohrn, casal em cuja casa iniciou a sua carreira política), corruptos (Rod Blagojevich, actualmente preso) e mafiosos (Tony Rezko, que lhe arranjou uma casa em condições favoráveis). Entrado na Casa Branca, mostrou-se pior do que Richard Nixon: ameaças a jornalistas e a “whistleblowers”, escutas telefónicas e processos em tribunal; assédio, perseguição e sabotagem a/de opositores políticos (republicanos, conservadores) através, principalmente, do serviço de IRS; libertação (perdão) constante de criminosos, tanto nacionais (traficantes de droga) como estrangeiros (jihadistas); instrumentalização de todo o aparelho do Estado, do governo federal, na prossecução de causas “fracturantes” e “politicamente correctas”, em especial a “agenda LGBT” e as “alterações climáticas”. Não, nem é necessário considerar a sua (desastrosa) diplomacia, feita de fraqueza, “linhas vermelhas” transpostas sem consequências, negligência e até desrespeito por aliados, e transigência com inimigos, para se poder afirmar, com certeza, que estes oito anos constituem uma catástrofe para os EUA e para o Mundo. “Saudades”? Nenhumas!»
Pedro Correia não é, no entanto e infelizmente, o único jornalista português a manifestar antecipadamente «saudades» por Barack Obama deixar de ser presidente dos EUA. Teresa de Sousa, em artigo no Público do passado domingo, exprimiu exactamente o mesmo sentimento. O que demonstra, mais uma vez, que a experiência e o (suposto) conhecimento adquirido dos assuntos proporcionado (em princípio) por aquela não são obstáculos a que se caia em equívocos e se passe por situações embaraçosas, e não propriamente dignas da profissão que se tem. 

domingo, 17 de abril de 2016

«Saudades»? Nenhumas!

Há cerca de três meses escrevi aqui no Obamatório que, quanto ao «balanço» da actividade deste meu blog, a fazer no próximo ano, seria pouco provável que a avaliação final resultante desse balanço não fosse «de desilusão, de fracasso, de “missão não conseguida”: a minha meta de influenciar, de alterar, mesmo que ligeiramente, a perspectiva predominante em Portugal sobre a realidade política norte-americana, não foi alcançada; a desinformação, a omissão, e por vezes a pura e simples mentira, beneficiando “burros” e prejudicando “elefantes”, ainda são constantes e até ridiculamente hilariantes. (…) Consequência habitual e quase inevitável: a multiplicação de leitores-consumidores-cidadãos ignorantes, iludidos, pouco exigentes, prontos a ceder aos seus preconceitos, e capazes de escreverem – e de acreditarem – em imbecilidades.»
Se já é grave que isto aconteça com alguém mais ou menos anónimo e não muito atento a estes assuntos (e facilmente manipulável), que dizer quando acontece com pessoas já com algum estatuto e perfil público, que estimamos e de quem esperaríamos muito mais e melhor? Foi essa a situação com que me deparei quando li – e me espantei – com o texto «Saudades antecipadas de Obama», escrito por Pedro Correia no seu blog Delito de Opinião no passado dia 30 de Março. Tal como eu um jornalista que «cresceu» no papel mas que encontrou no digital o seu espaço preferencial, PC não é um comentador qualquer mas «apenas» um dos mais atentos, conhecedores, lúcidos, multifacetados e sensatos da blogosfera portuguesa. Tal como eu um opositor incansável do AO90, quase sempre me revejo no que escreve e faço minhas as palavras dele… e não só em questões de ortografia. É por isso que a desilusão foi muita quando li… «inexactidões» como: «Barack Obama não foi o santo milagreiro que alguns desejavam. Mas prepara-se para deixar um país melhor do que encontrou ao tomar posse, em Janeiro de 2009. Os Estados Unidos, embora longe da prosperidade de outrora, registam crescimento económico, o desemprego foi reduzido para metade, a inflação situa-se a níveis residuais e nunca tantos americanos beneficiaram de medidas de protecção social como no seu mandato. No plano externo, o Presidente agiu com prudência no vespeiro do Médio Oriente, enfrentou com firmeza as tentativas de expansionismo russo e pôde anunciar ao mundo a captura (na verdade, foi a morte) de Bin Laden. (…) Venha quem vier depois dele, pressinto que não tardaremos a ter saudades de Obama. Do seu gesto inspirador, da sua palavra eloquente, da sua apaziguadora bonomia. Em suma: da sua decência, que parece um pouco fora de moda e muito deslocada no tempo.»
Estava dado o «mote» para uma discussão virtual (porque não presencial mas à distância, electrónica) intensa mas cordial. Respondi ao texto notando que «nada nele corresponde à verdade; pelo contrário, e como demonstro há mais de sete anos em blog próprio, Barack Obama deixa(rá) os EUA e o Mundo piores do que os encontrou. Por arrogância, cobardia, incompetência, inexperiência, extremismo ideológico. “Apaziguadora bonomia”? Sim... para inimigos e ditadores estrangeiros, não para aliados e opositores domésticos. “Decência”? Não a tem quem é a favor do “late term abortion” e considera o (inexistente) “aquecimento global” uma ameaça mais grave do que o terrorismo islâmico. “Saudades”? “Tantas” vou ter que, provavelmente, darei uma festa no dia em que ele sair da Casa Branca, mesmo que seja substituído (“vade retro, Satanás”!) por outro democrata.» Pedro Correia justificou a sua avaliação: «Comparo os EUA de 2009 com o país actual. E verifico que no mundo ocidental são uma ilha de prosperidade - o que basta para constituir um sinal de esperança. Tímida prosperidade, é certo, mas tomáramos nós aqui na Europa termos a dinâmica de crescimento deles aliada à baixíssima taxa de desemprego lá existente. (…) Dizer que o actual inquilino da Casa Branca cortejou ditadores estrangeiros é ignorar décadas de política externa norte-americana. Roosevelt reuniu-se em três cimeiras com Estaline - e é difícil conceber pior interlocutor para o chamado líder do mundo livre. Nixon visitou Mao e Brejnev. Na altura recebeu críticas muito mais duras do que aquelas agora escutadas por Obama nesta deslocação a Cuba.»
Eu reafirmei qual é a minha perspectiva permanente nesta área (e em outras) e esclareci que não se deve comparar, ou mesmo confundir, o que é diferente, factual e/ou contextualmente: «O Pedro não consegue “raciocinar - ou escrever - sobre política com base em ódios ou animosidades viscerais”, é “absolutamente incapaz disso”. Eu também: raciocino e escrevo com base em factos. E, no que se refere a Barack Obama e à sua presidência, repito que observo, registo e comento... factos (afirmações, atitudes, comportamentos, acções, decisões) há mais de sete anos. Não só se pode como se deve “retirar mérito à administração Obama na gestão da economia.” Se esta melhorou (pouco) tal aconteceu apesar dele, e não por causa dele. Sobre o desemprego, existem muitos norte-americanos - segundo os últimos dados, mais de 93 milhões (!) - que desistiram de procurar trabalho. Além de que o intervencionismo estatizante da actual administração causa estagnação e mesmo retrocesso nos EUA: na saúde, o “ObamaCare”, autêntica (tentativa de) nacionalização do sector da prestação de cuidados médicos, tem causado o aumento dos preços dos seguros, afastado utentes dos seus médicos e diminuído a liberdade de escolha, enquanto as empresas diminuem as horas de trabalho e até despedem para reduzir as despesas de saúde dos seus funcionários; no ambiente, a EPA, apenas para “demonstrar liderança” (a sua directora admitiu-o recentemente), está empenhada em destruir as indústrias assentes na utilização de carvão e em sustentar (artificialmente) as ditas “energias renováveis”, despendendo milhões em projectos que depois não revelam eficiência... ou entram em falência. Quanto à política externa, as épocas e os protagonistas não são propriamente comparáveis. Franklin Roosevelt encontrou-se com Josef Stalin... porque havia que derrotar Adolf Hitler. E Richard Nixon e Ronald Reagan visitaram a China e a União Soviética em contextos de “arrefecimento internacional”. Moscovo, com Brejnev, aceitara reduzir o número de armas nucleares, e, com Gorbatchov, iniciara mesmo, com a “Perestroika”, um processo de incipiente democratização. Pelo contrário, agora, Barack Obama nada de concreto, nenhuma melhoria efectiva, consegue de Cuba e do Irão, tendo inclusivamente facultado aos “ai-as-tolas” 150 biliões de dólares em fundos “descongelados” que o próprio John Kerry admitiu que serão canalizados, em parte, para apoiar terroristas! Mais: nenhumas dúvidas existem de que Roosevelt, Nixon e Reagan - aliás, todos os presidentes até 2008 - eram anticomunistas. Porém, com BHO não há essa certeza; não só por ter sido educado por esquerdistas, marxistas, comunistas; também por, há dias na Argentina, ter dito a uma audiência de jovens que, entre o capitalismo e o comunismo, escolhessem o que funcionasse (“choose from what works”)! Digamos que não é (não era) suposto, mais de 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, o suposto “líder do Mundo livre” dizer isto.»

sábado, 9 de abril de 2016

Não é «Verdade»

Estreou em Portugal no passado dia 7 de Abril o filme «Verdade» - «Truth», no original – que tem Robert Redford e Cate Blanchett como protagonistas e James Vanderbilt como realizador. Porém, seria mais apropriado ter-se estreado no dia 1 porque, ao contrário do que o título indica, tem por base uma (enorme) mentira. E, 12 anos depois dos «factos» que lhe deram origem, continua a haver muitas pessoas que acreditam nela – as suficientes, pelo menos e precisamente, para fazer um filme com um orçamento e um elenco consideráveis pelos actuais padrões de Hollywood…
… Mas que, no entanto, não foram suficientes para evitar que fosse um fracasso de bilheteira assim que estreou nos EUA, em Outubro do ano passado. Pior, além de falhanço comercial foi também um falhanço crítico – até em órgãos de comunicação social mais à esquerda, como Bloomberg, New York Times, Vox, e em vários outros, entre os quais o Daily Beast e o Guardian, se sucederam as apreciações desvalorizadoras, quando não arrasadoras. A CBS, estação de televisão insuspeita de simpatias pró-republicanas e onde o «caso» em causa originalmente ocorreu em 2004, recusou inclusivamente exibir qualquer publicidade ao filme – digamos que preferiram perder (algum) dinheiro a colaborarem em algo que os incluía entre os «maus da fita» e os deixava – injustamente, reconheça-se – mal vistos.
Para os que não sabem e/ou que já se esqueceram, eis, em poucas palavras, o que aconteceu: aquando da campanha eleitoral para a presidência dos EUA em 2004, Dan Rather, principal jornalista, apresentador, «rosto» da informação da CBS, e a sua produtora Mary Mapes, decidiram realizar e difundir uma reportagem numa emissão do programa «60 Minutos» sobre documentos que tinham obtido e que alegadamente demonstrariam que George W. Bush – então a procurar a reeleição e um segundo mandato contra John Kerry – teria sido beneficiado ilegítima e ilegalmente de facilidades e de favores no seu serviço militar, cumprido n(a Guarda Aérea Nacional d)o Texas e não no Vietnam. A palavra fundamental aqui é «alegadamente»… porque os documentos foram desmascarados como falsos por vários «cidadãos-jornalistas» na Internet, em especial no blog Powerline. O que aconteceu depois? Rather e Mapes demitiram-se – ou foram demitidos – da CBS; as suas carreiras praticamente terminaram. Desde então, ele aparece ocasionalmente neste ou naquele canal mandando «bitaites» invariavelmente irrelevantes e ocasionalmente ridículos – incluindo equiparar insultuosamente Barry Goldwater a George Wallace e, incrivelmente, aconselhar o GOP a «colocar-se em contacto com um Mundo baseado em factos»!..
… E ela decidiu escrever um livro – de que o filme em questão é uma adaptação – em que procura desculpar-se, desresponsabilizar-se, juntamente com Rather, do que aconteceu; na sua perspectiva, ambos foram vítimas inocentes e manipuladas num processo em que outros – políticos republicanos, executivos da CBS, indivíduos indeterminados movendo-se na sombra – cometeram erros… ou crimes; não admitem que o que aconteceu se deveu à sua falta de prudência, de profissionalismo, algo à partida inadmissível e incompreensível em pessoas com os anos de experiência deles… a não ser que dessem prioridade, como acabaram por dar, aos seus preconceitos ideológicos, aos seus «bias», falta de isenção, e assim tentarem destruir a candidatura, e a presidência, de um homem de quem não gostavam. Tal como não gostavam do pai dele: outro ponto baixo da carreira de Dan Rather foi, é, a entrevista que fez em 1988 ao então vice-presidente e candidato à presidência George H. Bush, e em que, tentando encurralar o Nº 2 de Ronald Reagan com o escândalo «Irão-Contras», acabou por se aperceber de que tinha «telhados de vidro».
Rather é tão desavergonhado que ainda hoje continua a acreditar, e a afirmar, que era… verdade o que ele transmitiu naquela famigerada emissão. Sem vergonha é também Mary Mapes, que, igualmente em promoção de «Truth», inventou – isto é, mentiu – que o próprio pai tinha dado uma entrevista a Rush Limbaugh em que a criticava! E, enfim, tão ou mais desavergonhado é Robert Redford, um dos maiores e mais patéticos liberais de Los Angeles, que decidiu gastar o seu tempo e o seu talento com esta treta, com esta teoria da conspiração, com esta tentativa de reescrita da História levada ao cinema. Para ele tudo não passou de uma «tecnicalidade». Que distância, em anos (em 2016 passam 40) e em qualidade, de «Todos os Homens do Presidente», de que ele também foi protagonista. Só que Bob Woodward não é Dan Rather, e Richard Nixon não é George W. Bush. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Até parece mentira… (Parte 7)

… Que Barack Obama tenha culpado as «alterações climáticas» pelos ataques de asma que a filha Malia teve, mas não o seu vício de fumador. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Geil Lundestad, ex-director do Instituto Nobel da Noruega, tenha confessado num seu livro que a atribuição, em 2009, do Prémio da Paz a Barack Obama havia sido um erro. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Jimmy Carter, que continuamente critica Israel e compara este país à África do Sul do apartheid, e apoia o movimento BDS (boicote, desinvestimento e sanções) contra o Estado judaico, tenha recebido e beneficiado de um tratamento com um medicamento contra o cancro desenvolvido inicial e principalmente naquela nação. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a Casa Branca tenha convidado vários sacerdotes homossexuais e activistas transsexuais para a recepção ao Papa Francisco realizada naquela aquando da visita do pontífice aos EUA em Setembro último. Mas, sim, é mesmo verdade. 
… Que James Carville tenha afirmado que o comité do Congresso que investiga(va) o ataque ao consulado norte-americano em Benghazi é(ra) «uma criação de Rupert Murdoch e dos irmãos Koch». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não o que disse).
… Que Kareem Abdul-Jabbar tenha escrito um artigo (publicado na revista Time) intitulado «Ben Carson é terrível para os americanos negros». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o escreveu, não que Carson fosse, ou seja, terrível).
… Que Dan Kimmel, democrata candidato a um lugar de representante no congresso estatal do Minnesota, tenha afirmado (num tweet) que o «ISIS não é necessariamente mau («evil»)». Mas, sim, é mesmo verdade (e, o que não surpreende, depois desistiu de se candidatar).
… Que a 27 cristãos iraquianos tenha sido recusado asilo por perseguição religiosa e sido dada ordem de expulsão dos EUA (enquanto milhares de imigrantes ilegais conseguem permanecer no país). Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Barack Obama tenha cometido, durante o discurso que proferiu ao país aquando do atentado em São Bernardino, um (relativamente grave) erro na definição do estatuto de Tashfeen Malik, uma de dois terroristas (o outro era o marido) culpado daquele – um erro que a Casa Branca, à semelhança de tantos outros anteriores, teve de corrigir. Mas, sim, é mesmo verdade.  
… Que uma caricaturista do Washington Post tenha «retratado» as duas filhas (menores, ambas com menos de 10 anos) de Ted Cruz como macacas. Mas, sim, é mesmo verdade (e imaginem se fizessem algo semelhante às duas filhas do Sr. Hussein).
… Que o Departamento de Estado tenha considerado, no seu balanço de 2015, como um dos seus maiores sucessos «estar a levar («bringing») paz e segurança à Síria». Mas, sim, é mesmo verdade (que eles se vangloriam de algo que não acontece(u).) 
… Que Barack Obama não saiba quantos anos os EUA têm enquanto nação independente. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que 40% das cartas de condução emitidas na Califórnia em 2015 tenham sido para imigrantes ilegais, «não documentados», que deste modo passaram a ser (indevidamente) documentados. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que políticos democratas tenham recebido de sindicatos cerca de 420 milhões de dólares entre 2012 e 2014. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que (pelo menos) um batalhão do exército dos EUA tenha sido obrigado a assistir a um seminário sobre «privilégio branco». Mas, sim, é mesmo verdade.
 … Que o Departamento de Justiça tenha considerado a possibilidade de, em colaboração com o FBI, acusar criminalmente os «negadores» da existência de «alterações climáticas» (causadas pela humanidade). Mas, sim, é mesmo verdade (Loretta Lynch admitiu-o).  
… Que uma «jornalista» do Politico, Susan Glasser, tenha afirmado que a administração de Barack Obama nunca foi afectada por escândalos. Mas, sim, é mesmo verdade (que ela o disse, não o que disse).
… Que Barack Obama tenha considerado Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, uma «super-heroína da vida real». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não o que disse).
… Que Gina McCarthy, directora da Agência de Protecção Ambiental, tenha admitido que as directivas que a EPA tem imposto às indústrias, com destaque para as centrais a carvão, servem não para diminuir eventuais impactos negativos no ambiente mas sim para demonstrar «liderança». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Jill Abramson, ex-editora executiva do New York Times, considere que Hillary Clinton é «fundamentalmente honesta». Mas, sim, é mesmo verdade (que Jill acredita, não que Hillary seja). 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Não fechem Guantánamo!

Continuando a falar em «Obamadorismos»… «foi a hora do amador»: desta vez Donald Trump teve razão, e a não presença de Raul Castro, no aeroporto de Havana, para receber Barack Obama foi apenas o primeiro de vários momentos embaraçosos, humilhantes, vergonhosos da primeira visita oficial de um presidente dos EUA a Cuba desde 1928. Mas, também, o que seria de esperar quando se decide tentar «reabilitar» um regime iníquo de censores e de torturadores que não dá quaisquer sinais reais de, efectivamente, se regenerar, se democratizar?
Na véspera da chegada do Sr. Hussein ainda estavam a prender (mais) opositores. Depois, foram umas atrás das outras… A fotografia junto ao mural de Che Guevara, que posteriormente seria «retocada» de uma forma mais adequada – e àqueles que vieram dizer que prévios (e republicanos) presidentes também haviam sido gravados perto de outras imagens (de) comunistas, há que responder que deles não havia dúvidas quanto às suas filiações ideológicas. A participação num programa de «comédia» local. Uma conferência de imprensa que viverá na infâmia, onde, entre outros momentos «dignos» de Neville Chamberlain, o Nº 44 disse que ambos os países podem «aprender um com o outro», e que «pessoalmente não discordaria» de críticas feitas pelo irmão mais novo de Fidel; este assegurou que a posição do seu governo quanto a direitos humanos não mudará, desafiou os jornalistas presentes a apresentarem-lhe uma lista de prisioneiros políticos, e, no final, tratou literalmente BHO como um boneco, um fantoche
Compreende-se agora quando ele disse que ia a Cuba para «avançar os objectivos que nos guiam». Um dos seus lacaios até fez de porta-voz oficioso do castrismo! E, através de Valerie Jarrett, ficou-se a saber o quanto o suposto «líder do Mundo livre» admira a mais-que-cinquentenária ditadura: ele acha que «Cuba tem um recurso extraordinário… um sistema de educação que valoriza cada rapaz e cada rapariga»! E porque não se disse e se fez mais, se foi mais longe, nesta viagem ideológico-turística a Havana? Em coerência com os seus recentes elogios ao movimento «Black Lives Matter», feitos num encontro pessoal com representantes daquele, Barack Obama «deveria» ter visitado, em Cuba, JoAnne Chesimard, mais conhecida por Assata Shakur, que fugiu para a ilha em 1984 depois de assassinar um polícia em 1973 em Nova Jersey. Ou então, «obviamente», anunciar o encerramento não só da prisão de Guantánamo mas de toda a base, como o seu «anfitrião» regularmente exige. Considerando os antecedentes, a acontecer tal não seria inteiramente surpreendente…
Porém, e como habitualmente, os factos – e, em especial, as más notícias, os terríveis acontecimentos – vieram intrometer-se nas fantasias, e os atentados em Bruxelas ocorridos no passado dia 22 de Março demonstraram a todos – excepto, claro, aos que recusam conhecer e/ou encarar a realidade – que é de todo indispensável manter aberta aquela prisão. Provas? Há um mês foi detido em Espanha um antigo «hóspede» de Guantánamo que, depois de ser libertado, aderira ao ISIS e se preparava para participar num ataque no país vizinho. E, um dia depois da ofensiva terrorista na Bélgica, um funcionário do Departamento de Defesa admitiu, em audiência no Congresso, que norte-americanos haviam sido mortos por ex-presidiários em Cuba. Entretanto, pelo menos dois morreram em Bruxelas, e ainda está por saber se, entre os islamitas extremistas culpados do ocorrido, estará alguém que passou uma temporada a ver o sol «aos quadradinhos» nas Caraíbas… Assim, por tudo isto, fica o apelo: não fechem (a prisão de) Guantánamo! E muito menos a base naval, obviamente… Pelo contrário, deviam aumentá-la, expandi-la… para lá serem metidos outros criminosos, terroristas, ditadores de todo o Mundo… a começar pelos irmãos Castro e pelos seus muitos capangas.
Depois de saber o que acontecera do outro lado do Atlântico, o Sr. Hussein fez o que já tinha feito em anteriores e semelhantes ocasiões: continuou a divertir-se. Neste caso, assistindo a um jogo de baseball com Raul Castro, onde até fez, com o ditador cubano e os outros espectadores, a hola! Antes, dedicara apenas cerca de um minuto ao mais recente ataque terrorista na Europa, uma adição de última hora num discurso já preparado e focado no carácter (tristemente) «histórico» da sua visita. Não foram só comentadores conservadores como Charles Krauthammer a indignarem-se com este comportamento do Nº 44 e dos seus serviçais; também liberais como Brian Williams, Chris Matthews (!) e Tom Brokaw ficaram mal impressionados. Compare-se a atitude de BHO com a de Marco Rubio, que, no último debate presidencial em que participou, enunciou claramente o que seria um «bom acordo» com Cuba, e as respectivas exigências prévias indispensáveis a um relacionamento normal entre as duas nações. Muito mais do que a actual administração, que, aparentemente, contenta-se com a devolução de um míssil e pouco mais. 

quinta-feira, 17 de março de 2016

«Obamadorismos» (Parte 6)

Tal como afirmei há pouco mais de um mês, a presente «corrida» à presidência dos EUA, e a respectiva sucessão de eleições primárias, partidárias, em outros tantos Estados não me afasta nem me distrai do essencial da minha missão no Obamatório – relatar e comentar o que o actual presidente diz e (não) faz. Não que, obviamente, não saiba plenamente o que está a acontecer na campanha, tanto do lado democrata, em que Hillary Clinton continua a dar muitos motivos de… hilaridade, como do lado republicano, em que Donald Trump, surpreendentemente, se assume cada vez mais como frontrunner, como favorito principal à nomeação pelo GOP – mas tal ainda não se concretizou nem é absolutamente garantido que acontecerá, ao contrário do que vários querem fazer crer. Tanto sobre um lado da disputa como sobre o outro pretendo fazer, em breve, comentários. Porém, e por agora, regressemos ao mais importante, às afirmações e às in(acções) incompetentes e/ou insultuosas, invariavelmente hipócritas que Barack Obama não cessa de fazer…
… Como, numa cimeira internacional – EUA-ASEAN – queixar-se de que todos os candidatos republicanos negam a existência de alterações climáticas, o que é «problemático para a comunidade internacional» - uma asserção que é altamente duvidosa, empolada, até mentirosa, mas que não seria a primeira vinda do Sr. Hussein; de qualquer forma, que crédito merece a dita «comunidade internacional», onde abundam líderes ineptos, ditatoriais e corruptos, dos conservadores norte-americanos? Entretanto, e ainda no âmbito de uma política externa conduzida por amadores, da Rússia e da Coreia do Norte vieram (outras) demonstrações de como o Departamento de Estado «obamista» - tanto na «versão Hillary Clinton» como na «versão John Kerry» - apenas aumentaram a insegurança internacional: da primeira, Dmitry Medvedev afirmou que existe uma «nova guerra fria» - sinal de que o famigerado «botão de reinício» não terá (que «surpresa»!) funcionado; com a segunda, a actual administração concordou realizar «conversações de paz»… poucos dias antes de Kim Jong-Un ter realizado mais um teste nuclear – algo que, recorde-se, o regime de Pyongyang era suposto não fazer na sequência da «brilhante» diplomacia durante os mandatos de Bill Clinton, e que augura o mesmo, «tranquilizador», desenlace com o Irão. E pode a abordagem de Obama de temas internacionais tornar-se mais ridícula? É uma pergunta retórica… claro que pode! O Nª 44, na sua contínua campanha de desvalorização do ISIS, lembrou-se de o comparar ao Joker… sim, o (fictício) inimigo principal do (também fictício) Batman! Uma personagem de «banda desenhada» que – admitiu finalmente Kerry – tem estado a cometer genocídio nos territórios que ocupou.
Domesticamente, o «obamadorismo» igualmente não pára de aumentar, e que bom que seria que apenas fosse embaraçoso. Que dizer do facto de BHO ter-se encontrado, reunido e dialogado com líderes do movimento «Black Lives Matter», que elogiou pelo «trabalho notável» («outstanding work»), «sério e construtivo», que aqueles supostamente têm desenvolvido? Esse «trabalho», recorde-se, mais não é do que, basicamente, o fomento de racismo e o incitamento à ocorrência de motins e ao assassínio de polícias. Por isso, quando o líder de um país torna criminosos em heróis, não é de espantar que tenha outras manifestações de inversão – ou de negação – da realidade. Tais como (continuar a) queixar-se de uma «viciada atmosfera política (que tem de acabar)», apelar a um aumento da «civilidade na política», alegar que «certamente não contribuí» para aumentar a divisão e a polarização no país – quando ele é, tem sido, o principal culpado disso tudo nos últimos oito anos. E a nomeação de um juiz – concretamente, (o previsivelmente liberal) Merrick Garland – para ocupar o lugar deixado vago no Supremo Tribunal dos EUA pelo recentemente falecido e conservador Antonin Scalia mais não é do que uma nova provocação – e uma perda de tempo – ao Senado maioritariamente republicano, que já avisara que não aprovaria qualquer nome proposto por Barack Obama a menos de um ano de terminar o seu segundo e (felizmente) último mandato. E, não, não por causa de um suposto «atoleiro Trump», como alguém insuficientemente informado, e desconhecedor da História, perorou: devido, sim, a uma prática verdadeiramente bi-partidária seguida há cerca de 80 anos – e que, aliás, figuras influentes do Partido Democrata como Joe Biden e Chuck Schumer invocaram quando eram de outra «cor» política os que estavam na Casa Branca. E, aliás, porque fariam os senadores «elefantes» a vontade a um presidente «burro» num assunto tão fundamental, para mais depois de anos em que, em várias ocasiões, através de ordens executivas, depoimentos assinados e não só, ele os desrespeitou, e ao Congresso...
… E à Constituição? A lei fundamental que, num cúmulo de descaramento, os democratas dizem aos republicanos para respeitar? Descaramento esse também desmesurado quando o presidente, e o seu porta-voz, se queixam de «obstrucionismo» por parte da oposição! Na verdade, a haver – e há – queixas, é contra a reduzida, fraca, oposição «vermelha» (no Capitólio) à situação «azul». Enfim, descaramento ainda do Sr. Hussein quando, ao enunciar os motivos porque Donald Trump não é qualificado para ser o comandante-em-chefe, não se apercebe de que está a descrever-se… a ele próprio, e ao seu amadorismo.  

quarta-feira, 9 de março de 2016

Enfim, ilibado!

Há quase dois anos que esperava referir este assunto… com, de preferência, a sua conclusão. E ela aí está: no passado dia 24 de Fevereiro Rick Perry foi ilibado em tribunal da segunda e última das acusações de abuso de poder que lhe haviam sido feitas em Agosto de 2014 … acusações essas vindas de um grande júri da (liberal) cidade de Austin – a capital do Texas, e palco também do Festival SXSW que Barack Obama decidiu visitar em vez de participar no funeral de Nancy Reagan – depois de o então governador do «Lone Star State» ter ameaçado vetar a atribuição de verbas ao gabinete da procuradora distrital – e democrata – Rosemary Lehmberg por esta se ter recusado a demitir-se após ter sido detida por conduzir embriagada, e, pior, ter ameaçado com represálias os polícias que a prenderam!
O mais surpreendente neste caso – e nem o devia ser – é o facto de, quando «rebentou», não terem sido apenas os comentadores mais à direita, simpatizantes de republicanos, a considera-lo sem mérito, injusto, politicamente motivado, vingativo, até estúpido e ridículo. Também os mais à esquerda, simpatizantes de democratas, o fizeram, com destaque para Ari Melber, Jonathan Chait, Mark Halperin e Timothy Noah. O argumento comum era, e é, o seguinte: onde iremos parar se a ameaça – e o exercício legítimo, por parte de quem legalmente o detém – de vetar algo com que não se concorda ou que lhe desagrada for considerado um crime? Por essa «lógica», Barack Obama pouco mais faria nos últimos anos do que ir a tribunal… Aliás, o director de uma das organizações que formaram uma «coligação progressista» nesta acção contra Rick Perry, apoiada financeiramente – que «surpresa»! – por George Soros, admitiu involuntariamente (?) em entrevista televisiva tratar-se de uma autêntica «caça às bruxas». Segundo Kevin D. Williamson, este desagradável episódio é o resultado de uma «cultura de corrupção» com que, apesar de todos os seus progressos em outras áreas, o Texas ainda se debate.   
Aquando do início deste processo a generalidade da lamestream media, como não poderia deixar de ser, deu-lhe larga cobertura; aliás, até em Portugal foi notícia… Agora, a decisão definitiva de ilibar o ex-governador não mereceu por parte dos «suspeitos do costume» um tempo de antena idêntico – na verdade, o silêncio total foi a reacção deles. E porque haveria de ser diferente? Haviam feito o «mais importante»: contribuído para fragilizar a (segunda) candidatura presidencial de um homem que tinha e tem para apresentar um dos mais notáveis – em quantidade e em qualidade – currículos políticos, e, mais especificamente, governativos, com obra(s) feita(s). O próprio Rick Perry admitiu que a não resolução da sua situação jurídica havia prejudicado grandemente a recolha de fundos para a sua campanha - e daí ele ter sido um dos primeiros a desistir. Neste momento, e superado a seu contento o problema, ele mostra-se disponível para, se tal se proporcionar, ser de novo uma alternativa viável para a presidência dos EUA pelo Partido Republicano se a disputa actualmente em curso não proporcionar um vencedor inequívoco. E porque não pensaria assim? Tem todo o direito a isso. Afinal, há quem tenha tido «deslizes» muito, muito mais graves do que esquecer uma das agências federais que se quer(ia) extinguir…

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Estúpidas «estrelas»

(Três adendas no final deste texto.)
Nos EUA o início de cada ano é também, já se sabe, e desde há bastante tempo, marcado pela realização de diversas cerimónias de entrega de prémios nas artes e nos espectáculos, com destaque para o cinema e para a música. Numa tendência que se vem agravando na última década, essas ocasiões constituem igualmente oportunidades para muitas «estrelas» exporem a sua estupidez em assuntos de política, assim dando a entender que não se incomodam com alienar grande parte – talvez metade, ou até mais – da sua potencial audiência. E, num ano de eleição presidencial, é inevitável que os disparates aumentem consideravelmente em quantidade e em «qualidade». Seguem-se alguns exemplos…
… E pode-se começar com alguns ocorridos no âmbito da música. Quando não estão a tentar conquistar Grammy’s e prémios MTV, Beyoncé e Katy Perry não se importam de ser instrumentalizadas – ou de se instrumentalizarem – a favor de figuras e de causas «progressistas». A cantora de «I Kissed a Girl» continua a ser fiel aos Clinton, participando – e cantando – em comícios de Hillary e com ela tirando fotografias. Já a cantora de «Single Ladies», comprovando mais uma vez que tipo de «dama» ela é, decidiu homenagear racistas negros, como os dos Black Panthers e dos «Black Lives Matter» (aos quais, com o marido Jay-Z, doou dinheiro) na sua segunda actuação no (intervalo do) «Super Bowl» em três anos; ou seja, e mesmo que indirectamente, apoiou a retórica violenta contra polícias, apesar de ter beneficiado da escolta e da protecção daqueles no percurso para o estádio…              
No cinema, vejamos os casos de algumas das pessoas nomeadas para os Óscares que ontem foram entregues em Hollywood. Como Matt Damon, que não se conseguiu conter e criticou… a embaraçosa «branquidão» das estatuetas para as quais ele competia (e que já ganhou), e até, por causa da água de Flint, que exigiu que o governador do Michigan se demitisse – porém, não consta que tenha feito o mesmo em relação a Jerry Brown, governador da Califórnia, que procedeu a pesquisas petrolíferas em propriedades suas, algo «herético» para ambientalistas extremistas como o protagonista de «O Marciano». Como Bryan Cranston, que pode saber de representação mas não de como funcionam as nomeações para o Supremo Tribunal dos EUA. Como (o mexicano) Alejandro Iñárritu, «vendedor de banha da cobra» (não sou eu que o afirmo), que ontem ganhou o seu segundo Óscar consecutivo de melhor realizador, provavelmente devido a todos os membros da Academia com sentimentos de culpa que têm criados hispânicos – talvez ilegais e mal pagos – nas suas casas, e que afirmou que a (eventual) construção de uma «muralha» na fronteira com o México constituiria uma «traição à fundação deste país»…
… Embora, e entretanto, não tenha constado que o realizador de «O Revelante» alguma vez tivesse aberto as portas do seu (supõe-se que espaçoso e confortável) lar em Los Angeles para acolher os seus compatriotas. No mesmo tipo de dilema costuma encontrar-se George Clooney, que, ao mesmo tempo que apela aos políticos do seu país para acolherem mais refugiados sírios e se encontra com Angela Merkel para lhe agradecer o ter feito isso mesmo na Alemanha, faz por se entrincheirar cada vez mais nas suas mansões, em especial na de Itália; talvez para fugir dos seus frequentes fracassos na bilheteira? No entanto, não faltaram outros anteriores nomeados e vencedores de Óscares a pronunciaram-se igual e recentemente sobre temas da actualidade política. Foram os casos de Danny DeVito, para quem «o país inteiro é racista»; Michael Moore, que se espanta por saber «quão segregada esta cidade (a dos «anjos»), esta indústria (a do cinema), é» - não devia, porque, sendo os democratas quem mandam em Hollywood, é claro que há segregação… aliás, Chris Rock, ontem durante o seu monólogo de abertura no Teatro Dolby, também salientou isso; Jane Fonda, que acusou Donald Trump de, com a sua retórica, incentivar os jovens muçulmanos ao terrorismo; Emma Thompson, que propôs (a brincar?), como solução para a falta de diversidade no cinema, matar lentamente todos os membros brancos e velhos da Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas; Bette Midler, que, como se fosse uma «especialista» em Direito Constitucional, alegou que os «obstrucionistas» do GOP no Senado que se recusam a ouvir e a votar um substituto para Antonin Scalia proposto por Barack Obama são «criminosos»…
Não é novidade que muitas das «estrelas», muitas das «celebridades» que tomam uma posição política o fazem a favor de democratas. E, neste ciclo eleitoral, o interesse (?) está em saber quantos estão com Bernie Sanders e quantos estão com Hillary Clinton. Esta pode contar com Will Ferrell, Morgan Freeman… e Kendall Jenner, que, nitidamente, neste aspecto não se deixou influenciar pelo pai… perdão, (segunda) «mãe» Caitlyn Jenner, que, garante, é mais criticada por ser conservador(a) (?) do que por ser transgénero. Já o senador socialista de Vermont conta com Emily Ratajkowski, também porque, segundo ela, Hillary é de «extrema-direita»! Habituada como está a posar nua, ou quase, para milhentas fotografias, «EmRata» talvez não se desse mal, efectivamente, com uma presidência de Bernie, que, por pretender impor impostos sobre o rendimento com uma taxa de pelo menos 75%, deixaria os norte-americanos com pouco mais do que a roupa que têm no corpo. Enfim, apenas mais um caso de uma mulher muito bonita que, contudo, pouco deve à inteligência.  
Enfim, e voltando à grande «festa do cinema» ocorrida na «cidade dos anjos» neste domingo que passou… Leonardo DiCaprio, que tem tanto de talentoso e de trabalhador como de imbecil, conseguiu estragar o momento culminante da sua vida e da sua carreira ao aproveitar o palco do Teatro Dolby para apregoar, mais uma vez, a fraude do aquecimento global antropogénico (ou «alterações climáticas», embora estas não sejam entendidas como a natural sucessão de estações), incluindo a mentira de que 2015 foi o ano mais quente registado. Mas ele não foi o único a protagonizar uma situação embaraçosa nesta ocasião. Alusões a abusos sexuais, reais ou imaginários, rigorosas ou empoladas, não faltaram: pela canção co-escrita e cantada por Lady Gaga, que mereceu a «honra» de ser apresentada por… Joe Biden (!) e que contou com a presença de alegadas vítimas; e, principalmente, pelo filme considerado o «melhor», «Spotlight», cujo tema é o caso das violações de crianças por padres católicos em Boston – o realizador, Tom McCarthy, desafiou o Vaticano a «restaurar a fé», e Mark Ruffalo, um dos actores, antes da cerimónia foi protestar em frente da catedral de Los Angeles, e, mais, revelou ser («surpresa»!) um racista paternalista! Ainda estamos à espera de ver as mesmas pessoas indignarem-se contra crimes bem piores cometidos por muçulmanos, e actualmente, não há 10, 20 ou 30 anos. Sam Smith, co-autor e intérprete da (considerada) «melhor canção», «Writing’s on the Wall», de «Spectre», o mais recente filme da série «James Bond», que, mais do que se apresentar como «homossexual orgulhoso» e assumido, pensou que era o primeiro do… género a vencer um Óscar – não foi ele mas sim Dustin Lance Black, argumentista de «Milk», e os dois depois envolveram-se numa controvérsia que, mesmo à distância e electrónica, fez(-me) lembrar um sketch da série «Little Britain» sobre o «only gay in the village».
Quando se pensa que os Óscares não podem ficar mais ridículos… somos mais uma vez desmentidos. Antes dedicar mais atenção aos Prémios Duranty.
(Adenda – Quando até Tina Fey se queixa do excesso de proselitismo de várias causas «politicamente correctas» promovidas por vencedores dos Óscares, mas que, em última análise, só demonstram a hipocrisia daqueles, percebe-se melhor porque a cerimónia, apesar de toda a polémica do alegado racismo nas nomeações e da popularidade – isto é, sucesso comercial – de vários dos filmes a concurso (o que nem sempre acontece), traduziu-se num novo mínimo histórico em termos de audiências televisivas. Entretanto, confirmou-se o que Leonardo DiCaprio (que, definitivamente, é do tipo «atenta no que eu digo, não no que eu faço»), Barack Obama e Osama Bin Laden têm (enfim, no caso do líder terrorista, tinha) em comum.)
(Segunda adenda - Hoje, 6 de Março, faleceu Nancy Reagan. Tal como o seu marido Ronald Reagan, também se iniciou na arte da representação; ambos pertenceram a uma Hollywood bem diferente da actual. As condolências e os pêsames sucederam-se, não se limitando a uma só das metades da arena política, mas as abordagens bizarras feitas na NBC, no New York Times e no Washington Post ao óbito da antiga primeira-dama não deixaram de surpreender... pela negativa, como é óbvio. E Bernie Sanders mostrou, mais uma vez, classe, embora muitos dos seus adeptos nem tanto...)
(Terceira adenda - Barack Obama não irá comparecer, na próxima sexta-feira, 11 de Março, no funeral de Nancy Reagan, sendo representado pela esposa Michelle. Acaso esta notícia surpreende, em especial depois de, há poucas semanas, ele ter igualmente faltado ao funeral de Antonin Scalia? Não que ele não tenha uma «justificação», porém: no mesmo dia ele estará no Texas para participar no Festival (multimédia, e, sim, também cinematográfico) South by Southwest, em Austin. Enfim, há que ter prioridades... e prestar uma derradeira homenagem a alguém que insultou logo após ter sido eleito não é a maior para o Sr. Hussein.)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bur(r)ocracias

Um dos meios principais – se não mesmo o principal – que Barack Obama e o Partido Democrata têm utilizado para proceder à – invariavelmente ilegal - «transformação fundamental» dos Estados Unidos da América é o aparelho do Estado federal, a burocracia, efectivamente transformada em «burrocracia» pelos «progressistas» empenhados em perverter a sociedade norte-americana, mesmo que seja contra a maioria dos seus compatriotas. Procedamos, pois, a uma breve listagem de alguns dos mais recentes – e insolentes – (ab)usos neste âmbito…
… E pode-se começar pela agência governamental que durante décadas foi indubitavelmente a mais prestigiada mas que, desde 2009, se tornou cada vez mais numa anedota: a NASA, agora indutora de náusea e não pelas vicissitudes das viagens no espaço, sob a presidência de Barack Obama já não se limita (o que não é pouco) a privilegiar, pela atribuição de verbas no seu orçamento, o «aquecimento global» - agora também permite a discriminação e a perseguição religiosas (e o constrangimento da liberdade de expressão) dos seus funcionários, chegando ao cúmulo de em Houston haver aparentemente incómodo com a simples menção do nome de Jesus.
Outra agência de (autêntico) «desemprego» é a EPA: a iniciativa «Clean Power Plan» mais não é do que a sistematização da vontade – anunciada pelo Nº 44 logo no início – de destruir a indústria do carvão no país, e, entre outros efeitos devastadores, aumenta(ria) 33 vezes (!) os custos de operação de pequenas e médias empresas hidroeléctricas; porém, nem tudo estará perdido, pois no passado dia 9 – ou seja, ainda com Antonin Scalia vivo e actuante, no que terá sido talvez a sua última deliberação – o Supremo Tribunal dos EUA suspendeu a aplicação daquela directiva, em resultado de uma acção judicial interposta por 27 Estados. Infelizmente, este «cartão amarelo» não deverá ser suficiente para acabar com uma «cultura de corrupção» que, segundo o representante do Arizona Paul Gosar, é predominante na EPA, onde vários dos seus funcionários foram «apanhados» em transgressões mais ou menos graves – como roubo de materiais de escritório, consumo de marijuana, condução sob efeito de álcool e visionamento de pornografia – e receberam apenas (leves) penas de suspensão. Mas a agência de protecção ambiental – com culpas (não suficientemente divulgadas) nos casos de poluição das águas em Flint (no Michigan) e em Silverton (no Colorado) – não é o único organismo público em Washington apostado em ir até às últimas (e ridículas) consequências no alarmismo das «alterações climáticas»…
… Pois tem o «apoio» do Departamento de Energia, encabeçado pelo «português e parvo» Ernest Moniz, que emitiu um comunicado em que se queixa de que as abóboras, muito utilizadas (depois de cortadas e decoradas) no Dia das Bruxas, contribuem para o «aquecimento global»! No entanto, pior e mais preocupante é, como já referi, que este activismo de extrema-esquerda, em especial no «controlo da temperatura», se estenda também às forças armadas. No Departamento de Defesa foram emitidas directivas neste sentido que deverão modificar – isto é, piorar – o desempenho do Pentágono a todos os níveis. Outras manias «politicamente correctas», todavia, não faltam, e na Marinha já se começou a «combater» as «discriminações de género» patentes em muitas das designações de posições e de funções! Não se luta, contudo, com tanta determinação contra o despesismo e o desperdício…
… E é por isso que o DoD não conseguiu explicar cabalmente como é que conseguiu gastar cerca de 43 milhões de dólares na construção de um posto de abastecimento de combustíveis no Afeganistão. O que, com o bilião de dólares que ao Departamento de Segurança Doméstica custou digitalizar e disponibilizar em linha um impresso de imigração, ajuda a explicar porque é que Barack Obama deverá deixar, quando sair da Casa Branca, uma dívida nacional na ordem dos 20 triliões de dólares. E ainda há quem se enerve, por vezes até à histeria, com a perspectiva de que ocorra mais um shutdown do governo federal. Esperemos que sim, pois tal só traz vantagens, aspectos positivos, o principal dos quais o de impedir, mesmo que por pouco tempo, que uma súcia de incompetentes arruínem ainda mais o erário público… e o carácter da nação.           

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Obituário: Antonin Scalia

(Uma adenda no final deste texto.)
Não são, de facto, e felizmente, muitos: este é apenas o segundo obituário no Obamatório: o primeiro, há quase quatro anos, foi sobre Andrew Breitbart, e hoje é sobre outro grande vulto do conservadorismo norte-americano, que faleceu no passado sábado, no Texas, devido a um (aparente) ataque cardíaco: Antonin Scalia, juiz do Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América, escolhido e nomeado em 1986 por Ronald Reagan e confirmado no Senado por 98-0. Mas, infelizmente, a sua morte dificilmente poderia ter acontecido em pior momento – aliás, para Mark Levin foi mesmo um «absoluto desastre» e para Ben Shapiro poderá significar «o fim da Constituição». E ela seria sempre de lamentar porque o eminente constitucionalista, nascido em 1936, que disseminou a sua sabedoria e sensatez em muitas sentenças e frases, constituiu sempre um combatente corajoso e temível contra os abusos da esquerda, quer estivesse na maioria quer na minoria aquando das decisões do SCOTUS, em especial em casos relativos à posse e uso de armas e ao «casamento» entre pessoas do mesmo sexo – quanto a este, o seu texto de «dissent» (que aqui divulguei na altura) perdurará sempre como uma exaustiva, lúcida e valorosa denúncia das perversões que o «politicamente correcto» - e juridicamente incorrecto – pode proporcionar.
O estatuto – e a estatura (se não física, então moral) – de Antonin Scalia tiveram o condão de, mesmo que brevemente, unir os actualmente tão desavindos candidatos presidenciais do Partido Republicano (enfim, os que ainda continuam na «corrida»…) no elogio à sua pessoa, à sua vida e obra: Jeb Bush, Ben Carson, Ted Cruz, John Kasich, Marco Rubio e Donald Trump pronunciaram-se nesse sentido; de destacar as homenagens expressas também por George W. Bush e Jeff Sessions. Quanto aos democratas, e com a excepção bem-educada, honesta e respeitosa (neste caso) de Bernie Sanders, as reacções não primaram pelo decoro. Desde logo, pelo oportunismo e pela pressa por eles expressas em, ainda antes de o corpo do juiz ter arrefecido, procederem à sua substituição. Barack Obama, que não reagiu imediatamente à notícia – o seu pessoal na Casa Branca fê-lo por ele – porque («surpresa»!) estava a jogar golfe, depois deixou bem clara a sua intenção. Porém, no Senado, e mais concretamente para a liderança (republicana) do mesmo, não há qualquer vontade de sequer ouvir – quanto mais confirmar – algum eventual candidato que o Sr. Hussein proponha, e Mitch McConnell já reiterou essa (o)posição. Porquê? Porque há uma tradição – seguida por «azuis» e por «vermelhos» nos últimos 80 anos – de não preencher vagas no STJ dos EUA no último ano de mandato de um presidente… e porque, obviamente, da parte do GOP não há qualquer vontade em dar a mais pequena possibilidade de que (mais) um juiz liberal seja empossado para ajudar na «transformação fundamental» preconizada pelo Sr. Hussein e pelos seus «camaradas». E o próprio Scalia, compreensivelmente, não gostaria que o seu substituto desfizesse aquilo que ele fez. Bob Woodward tem a certeza de que Obama não pode(ria) levar a sua avante neste caso através de uma ordem executiva, mas, sabendo (de ginjeira!) como ele é, não me admiraria que tentasse…
A ausência de decoro neste assunto por parte dos democratas também se nota na – flagrante e desavergonhada – hipocrisia, tão intrínseca às suas atitudes e comportamentos: tanto Barack Obama como Chuck Schumer já foram entretanto «apanhados» a defenderem actuações opostas consoante o presidente em exercício fosse (seja) «burro» ou «elefante». No entanto, a contínua «vira-casaquice» dos democratas na política, mais uma vez desmascarada com a morte de Antonin Scalia, até é civilizada se comparada com o contentamento manifestado por democratas no entretenimento e na comunicação social pela morte do juiz, revelando o seu muito baixo nível, a sua vileza… enfim, o habitual. Ao mesmo tempo, mais ou menos as mesmas pessoas começaram a desejar que Clarence Thomas, e o mais rapidamente possível, «seguisse o exemplo» de Scalia – nada mais «normal» do que militantes e/ou votantes e/ou apoiantes do PD (com ou sem capuzes e mantos brancos) a quererem que um afro-americano que não lhes obedece receba um «castigo»… definitivo. Se eu fosse da mesma laia desejaria que Ruth Bader Ginsburg fosse a próxima da «lista», e depressa. Mas não sou. ;-)
(Adenda – Realizou-se ontem o funeral de Antonin Scalia, que incluiu (pormenor particularmente comovente) uma missa conduzida pelo seu filho Paul. Entre os que compareceram estava Ted Cruz, apesar de haver quem tivesse dito que ele não iria. Porém, quem de facto não apareceu foi Barack Obama, e o facto de, na véspera, ter comparecido na vigília – por menos de dois minutos! – não compensa, de todo, a deselegância, sem dúvida cometida por motivos ideológicos. Como posso ter a certeza? É suficiente saber a que funerais o Sr. Hussein foi enquanto presidente: nenhum de uma só personalidade conservadora, mais à direita; um de alguém que ele não conhecia pessoalmente (ao contrário do juiz do Supremo Tribunal dos EUA); um de um racista que foi dos principais líderes do Ku Klux Klan, organização associada ao Partido Democrata de que ele faz parte.)  

domingo, 7 de fevereiro de 2016

… Ele é um comediante!

(Uma adenda no final deste texto.)
Depois de muitos meses – na verdade, quase um ano – de anúncios, comícios, debates, especulações, intrigas, notícias e previsões, no passado dia 1 ocorreu, no Iowa, o primeiro momento de real relevância na campanha eleitoral para a presidência dos EUA em 2016: a primeira votação estadual nas primárias para os dois principais partidos. No Republicano, Ted Cruz venceu, seguido de Donald Trump e de Marco Rubio. No Democrata, Hillary Clinton e Bernie Sanders empataram – não se pode dizer, verdadeiramente, que a ex-secretária de Estado venceu ao ter ficado à frente por menos de dez votos e, em alguns casos, ter ganho por «moeda ao ar». Estes são os factos, o resto é conversa inútil. No Obamatório – e não é de agora – não se perde tempo e espaço a despejar caracteres em longas e ridículas divagações sobre o que acontecerá se o candidato A vencer em vez do B, e, por isso, o cenário X poder ser mais provável do que o Y. E, igualmente, aqui também não se dá importância a sondagens, que, mais uma vez, e para não variar, falharam agora em acertar nos resultados finais.
Aqueles que tanto esforço despendem em fazer constantes palpites sobre idas às urnas – quase como se estivessem a apostar em competições desportivas – não costumam mostrar, igualmente, vontade em relatar e em comentar o que realmente interessa: as afirmações e as (in)acções políticas da administração de Barack Obama (e, em menor grau, por culpa própria, dos membros do Congresso), que afectam efectivamente a sociedade, a cultura e a economia dos EUA, e não as declarações de um bilionário do imobiliário que nunca exerceu um cargo público. E enquanto quase todas as atenções se concentravam – e se distraíam! – nos escrutínios no Iowa e no New Hampshire, o Sr. Hussein continuou a dizer e a fazer das suas… (tentativas de) transformações fundamentais. Quase todas as atenções, não todas: eu nunca deixei – nunca deixo – de estar atento ao fundamental.
Por onde começar? Pela visita que ele fez no dia 4 à mesquita da Sociedade Islâmica de Baltimore, que pouco ou nada fez para diminuir as acusações, as insinuações… e as gozações de que ele é, no fundo, um muçulmano. Na verdade, aquela instituição corânica na maior cidade do Baltimore é (tristemente) conhecida por nela se terem apoiado bombistas suicidas e condenado homossexuais, para além de ter uma área separada, segregada, para as mulheres – algo que até fez com que no New York Times se criticasse a visita e o presidente! Porém, imperturbável, isso não o impediu de afirmar que «o Islão sempre fez parte da América» (o que não é verdade) e que muitos norte-americanos têm dos seus praticantes uma «impressão enormemente distorcida» resultante de igualmente «distorcidos retratos nos media» e de «retórica política inexcusável», e que, portanto, a crítica a eles não tem (não deve ter) lugar no país. No dia seguinte, durante o National Prayer Breakfast, reiterou o seu peculiar proselitismo pró-Crescente, bizarro para quem se diz cristão, ao enaltecer o suposto «espírito pacífico do Islão». Entretanto, soube-se que, em 2015, 81 muçulmano-americanos estiveram associados a actos de terror (tentados ou concretizados) nos EUA, o maior número desde o 11 de Setembro de 2001, e que representa, neste (desagradável) âmbito, uma enorme desproporção daquela comunidade em relação a outras…
No entanto, e infelizmente, a passividade e mesmo a simpatia para com os seguidores de Maomé não é apenas para «consumo caseiro». Pior é a (continuada) atitude da Casa Branca perante todos os que se curvam para Meca, em especial no estrangeiro. O Irão tem beneficiado ultimamente de uma bizarra bonomia: John Kerry admitiu (que «surpresa»!) que algum do dinheiro que Teerão irá receber (cerca de 150 biliões de dólares) com o fim das sanções será para apoiar grupos terroristas; há a suspeita de que se terá pago 1,7 biliões de dólares aos iranianos para libertar os norte-americanos detidos; e nenhuma referência foi feita ao regime dos «ai-as-tolas», e à negação da Shoah feita por aqueles, pelo Sr. Hussein quando discursou no Dia Internacional de Lembrança do Holocausto, onde teve o descaramento de se assumir como líder global contra o anti-semitismo! Enquanto isso, continua a desvalorizar o ISIS: em meados de Dezembro último insistia em tentar impingir a ideia de «contenção», afirmando no Pentágono que o Daesh «desde o Verão não teve uma só operação ofensiva com sucesso no chão do Iraque e da Síria» - pois não… mas teve no chão de França (Paris) e dos EUA (São Bernardino); e culpou – uma e outra vez – a comunicação social, na sua ânsia de obter audiências, pelo medo que as populações têm dos «soldados de negro», o que pode «explicar» a reacção algo alheada («tone deaf») notada e admitida até por David Axelrod. Ou então é a faceta «no drama» de Barack Obama, que também pode «explicar» que tenha ido jogar golfe depois de saber que seis soldados haviam sido mortos no Afeganistão por mais um bombista suicida dos talibãs… os mesmos talibãs que receberam cinco dos seus líderes em troca da libertação de Bowe Bergdahl, que, como era previsível, vai mesmo ser julgado por deserção; libertado – de Guantánamo - também foi o inventor do «sapato-bomba», elogiado por Osama Bin Laden…
… E que foi apenas um dos muitos foras-da-lei que a actual administração mandou soltar das prisões norte-americanas nos últimos meses. Antes de partir para o Havai nas férias de Natal, Barack Obama decidiu dar uma grande «prenda» à comunidade criminal nacional: comutou as sentenças de quase 100 presidiários condenados por crimes graves, em especial tráfico de droga – mais uma parcela dos cerca de seis mil que foi decidido soltar no ano passado. Entretanto, de Washington continuam a vir ordens para os agentes deixarem entrar e/ou não perseguir e/ou não deter imigrantes ilegais – e é de crer de que a reprovação, pelo Tribunal de Apelos do Quinto Circuito, da ordem executiva do Sr. Hussein que expandiu a amnistia não tenha grande impacto nas tentativas constantes dos «burros» de aumentar os «democratas não documentados». Neste contexto de subida (induzida por eles) do número de bandidos em circulação, que fazem o Nº 44 e os seus cúmplices para «melhorar» a segurança dos seus concidadãos? Duas coisas. Primeira, insistem cada vez mais n(a falsa solução d)o «gun control», ou seja, na progressiva restrição da posse e uso de arma, indo talvez à confiscação e, logo, na (drástica) diminuição da capacidade de auto-defesa. Segunda, enfraquecem – moralmente, se não mesmo materialmente – a acção da(s) polícia(s): quão hipócrita é alguém que, depois de condenar aqueles que fazem dos agentes da lei «bodes expiatórios pelos falhanços da sociedade e do sistema de justiça criminal», alega que a actividade do movimento «Black Lives Matter» – de que muitos membros advogam a violência contra, e até a morte, (d)aqueles agentes – é um sinal de «progresso», apesar de «um pouco desconfortável». Não surpreende que o actual presidente admita que espera que o seu sucessor se preocupe tanto como ele com os «assuntos da disparidade e da (in)justiça racial» - o que não é de admirar porque ele é um democrata, logo, racista…
… E um impenitente narcisista ainda com adoradores suficientes para manterem um «culto da personalidade» que, embora atenuado, ainda vai registando episódios insólitos, se não ridículos, como: ter sido o primeiro presidente em exercício a aparecer (autorizado pelo próprio) na capa de uma publicação LGBT – e isto enquanto outras, e mais relevantes, «primeiras vezes» para políticos do GOP não são igualmente destacadas; ter o seu nome dado a uma estrada numa cidade da Flórida em substituição da expressão «Old Dixie» evocativa da Confederação esclavagista - ou seja, manteve-se a «toponímia democrata». E, como que para comprovar a sua imagem de – segundo o «moderado» Van Jones – de «pessoa mais fixe («cool») alguma vez nascida» (algo que até em Portugal se acredita, como referi aqui antes), acusa os republicanos de serem «sombrios, eles são como o Gato Rabugento».  Porque, na verdade, com Barack Obama é «só» alegria, boa disposição, optimismo, riso, arcos-íris… ;-)
… E por isso não surpreende que ele tenha participado no programa de Jerry Seinfeld «Comediantes em Carros Tomando Café»; pelo contrário, faz todo o sentido… porque, afinal, ele é um comediante! Tão ou mais do que o seu «camarada» Harry Reid! Demonstram-no, por exemplo, e além dos seus «brilhantes» desempenhos nos jantares anuais dos correspondentes da Casa Branca, a preferência por aparecer em bizarros, excêntricos programas de… entretenimento (alguns só na Rede) e a relutância e até desagrado em responder a perguntas difíceis feitas por jornalistas, algo que tanto James Corden como Rick Santorum fizeram notar. E, no seu «reportório» recente, há «piadas» como: assegurar que «não se faz a mudanças através de lemas», ou, numa palavra, «sloganeering» (olha quem fala!); dar Chicago como um (bom) exemplo na luta contra a corrupção (!); e asseverar que ter seguro de saúde, em especial com o «ObamaCare», proporciona «paz de espírito» - os milhares, ou mesmo milhões, de norte-americanos que viram as suas despesas médicas aumentarem e/ou que perderam a cobertura e/ou o(s) médico(s) que preferiam devem «concordar». Enfim, é só gargalhadas. O que vem mesmo a calhar neste fim-de-semana «prolongado» de Carnaval... embora, neste caso, exista quem leve a mal.
(Adenda – E ele continua a dizer «anedotas»… sem propriamente muita graça. Por exemplo, que «nos últimos sete anos fizemos investimentos históricos em energia limpa que ajudaram companhias do sector privado a criar dezenas de milhares de bons empregos». Na verdade, quase todos esses «investimentos» foram desperdícios de dinheiros públicos, pagamentos de favores a amigos, e quase todos – nomeadamente os feitos na famigerada Solyndra – acabaram por resultar em relativamente poucos empregos criados… e em falência; o que, a juntar à «guerra ao carvão» feita pela actual administração através da EPA, se traduziu, na práctica, pelo aumento do desemprego. Outra «anedota», de tão «complicada», só mais de seis anos depois teve a sua «punch line»: em 2009 Joe Wilson acusou de mentiroso Barack Obama por este assegurar que imigrantes ilegais não seriam beneficiados pelo «ObamaCare»… e agora foi confirmado que aquele republicano estava certo; não é de esperar que todos aqueles que então criticaram e condenaram severamente o representante da Carolina do Sul pelo seu comportamento alegadamente incorrecto reconheçam que, afinal, ele tinha razão. Mas bem se pode dizer que quem ri por último...