segunda-feira, 6 de maio de 2013

Por fora da adulação

Justifica-se que eu faça um esclarecimento sobre porque é que não divulguei a publicação e a apresentação (em Lisboa e no Porto) do novo livro de Germano Almeida, intitulado «Por Dentro da Reeleição» - ao contrário do que fiz, em 2010, em relação ao anterior, e primeiro livro, do autor do blog Casa Branca, intitulado «Histórias da Casa Branca».
Tal não se deveu ao – previsível – carácter apologista, propagandístico, da obra, autêntico exercício de adulação practicamente acrítica; cada um é livre de se entregar à fantasia da sua escolha, livre dos factos (desagradáveis) que podem estragar aquela. E também não se deveu, se não à cumplicidade, pelo menos à conivência revelada por Germano Almeida – e também pelos autores dos blogs Era uma Vez na América, Máquina Política, e outro – com a discriminação de que eu, e o Obamatório, fomos alvos por parte da TVI; foi desagradável, fiquei muito desiludido, mas não foi isso que me levou a não ajudar à promoção da obra.
O verdadeiro motivo é, tão simplesmente, este: correspondendo ao que já acontece no seu próprio blog, o Germano escreveu o seu novo livro utilizando o abjecto, ilegal, inútil e ridículo «acordo ortográfico de 1990»… e eu não divulgo todo e qualquer livro, seja ele de quem for, que esteja estragado por uma «ortografia» concebida a partir dos delírios de alguns, poucos, pervertidos, e utilizada por causa das debilidades de outros, infelizmente bastantes (mas não a maioria), medrosos. Convém avisar, já agora, que o próprio Casa Branca poderá em breve deixar de estar nos «Obséquios» (isto é, ter uma ligação permanente aqui) exactamente pelo mesmo motivo. A ver vamos… Porém, «Histórias da Casa Branca» vai continuar a estar presente (em imagem de capa e ligação para a página da sua editora) no Obamatório; para mim, para todos os efeitos, é como se o seu «sucessor» não existisse, pelo que não será substituído. Aliás, neste aspecto continuo a fazer mais por ele do que o próprio autor, que nunca o colocou no seu blog
No entanto, não posso deixar de reparar, apenas nesta ocasião, em alguns aspectos algo… insólitos relativos ao dito cujo livro. Antes de mais, o elogio feito por José Gomes André – e impresso na própria capa! – de que «Germano Almeida é, provavelmente, a pessoa que melhor escreve sobre os EUA em Portugal.» A sério? Bem, é evidente que nunca esperei que ele dissesse, e escrevesse, isso sobre mim, apesar de ser eu, obviamente, a pessoa que melhor escreve sobre os EUA em Portugal… ;-) O que é surpreendente é que JGA não tenha atribuído tal «classificação» a um dos seus dois colegas de blog, Alexandre Burmester e Nuno Gouveia. Enfim, ele lá terá a sua justificação (ou não)… Outro aspecto que me causou surpresa, e estranheza, é o próprio título. Terá estado o autor «infiltrado» na equipa de campanha de Barack Obama, ou contactado de perto com os seus principais colaboradores, com o próprio candidato-presidente? Assistiu aos seus comícios? Participou em análises e/ou em debates em instituições de investigação e/ou em órgãos de comunicação social norte-americanos? Pois, eu diria que não… o «dentro», parece-me, refere-se à circunstância de ele ter andado pelos EUA nas (duas? Três?) semanas anteriores à eleição de 6 de Novembro… Pela mesma «lógica», eu, que, claro, vivia em Portugal aquando do 25 de Abril de 1974 (tinha 9 anos, e lembro-me do dia) e que fui uma testemunha ingénua (pelo menos pela televisão) do PREC, também poderia, porque não, escrever um livro intitulado «Por Dentro da Revolução»…
O meu último comentário sobre este tema é relativo ao prefácio do livro, escrito por Allan Katz, actual embaixador dos EUA em Portugal. Não surpreende, visto que é um democrata (isto é, membro do Partido Democrata), mas esta participação não pode deixar de ser assinalada, e eu reconheço-o, como um feito que tem algo de notável; semelhante privilégio não tive eu em 2009, quando o então embaixador do Reino Unido, Alexander Ellis, recusou o meu convite, e da minha editora, para estar presente na apresentação da minha tradução de «Poemas» de Alfred Tennyson. Todavia, «espero» que Germano Almeida tenha aproveitado a oportunidade para explicar ao senhor embaixador Allan Katz, e convencê-lo, de que o inglês que ele escreve é «arcaico» por ter tantas vogais e consoantes «mudas» e repetidas, ter quase 20 ortografias, e usar o «obsoleto» ph em palavras como… pharmacy ou physics. ;-))  

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Apenas mais uma biblioteca?

No passado dia 25 de Abril, em Dallas, a inauguração da biblioteca-museu presidencial de George W. Bush revestiu-se de enorme importância e interesse.
Antes de mais, pelo próprio edifício e entidade, que alberga milhares de documentos e de objectos relevantes da história recente dos EUA. E, depois, pela presença simultânea, no mesmo local, de todos os presidentes vivos, um encontro que é muito raro – o último, com os mesmos cinco protagonistas, havia ocorrido em 2008 na Casa Branca, pouco depois da eleição de BHO. Os discursos foram generalizadamente elogiosos e pontualmente marcados pelo bom humor. Contudo, e como habitualmente, Barack Obama destoou, tendo mostrado novamente a sua deselegância e o seu egotismo ao aproveitar a ocasião para falar da reforma da imigração… Porém, e isso já não é mau de todo, não procedeu pela enésima vez – porque isso implicaria fazê-lo cara a cara com o visado – ao atirar de culpas para cima do seu antecessor, tentando (sem sucesso) desresponsabilizar-se pelos (muitos e notórios) falhanços da sua presidência…
Ignorada pelas três estações de televisão portuguesas (tanto quanto pude apurar e me aperceber) e… pelos outros blogs nacionais sobre os EUA, a cerimónia mereceu, nos principais média do nosso país, uma fotografia com uma legenda desenvolvida em dois jornais e um artigo não muito grande noutro. Que, previsivelmente, não surpreendentemente, apresentou como premissa principal a pouca probabilidade, se não mesmo a impossibilidade, de o Nº 43 poder vir a ser «reabilitado» pela opinião pública devido aos seus supostos «erros» (e quiçá «crimes») como a guerra no Iraque, o furacão Katrina e a crise financeira… No entanto, só os que – em Portugal e não só – continuam, pouco e mal informados, a pensar como se estivéssemos ainda em 2008, é que ainda estão convencidos de que essa é uma táctica que já não deu tudo o que tinha a dar. Do outro lado do Atlântico, e quatro anos depois de ter saído definitivamente da Sala Oval, George W. Bush vê a sua presidência ser efectivamente reavaliada e revalorizada, não só isoladamente mas também em comparação com a do Nº 44, e as sondagens mostram isso mesmo. O atentado em Boston e a inacção quanto à Síria, demonstrativos das deficiências, do desleixo e da desorientação da actual administração em questões de segurança, tanto interna como externa, e que têm estado – infelizmente – em destaque, antes e depois da inauguração em Dallas, tornaram claro como a estrutura de defesa norte-americana, reformulada e reforçada a seguir ao 11 de Setembro de 2001, se tem vindo… progressivamente a degradar. Além de que a economia só tem vindo a piorar desde 2009, e não por causa do anterior presidente – que, como igualmente já demonstrámos, não foi o culpado pela crise financeira de há cinco anos.
Peggy Noonan resumiu o que estava a acontecer talvez melhor do que ninguém: «esta semana alguma coisa mudou. George W. Bush está de volta, para descerrar o pano da sua biblioteca presidencial. Os seus números estão dramaticamente altos. Sabem porquê? Porque ele é a coisa mais longe de Barack Obama. A fatiga de Obama abriu o caminho para a afeição por Bush». No entanto, quem considerar a colunista do Wall Street Journal pouco digna de crédito por ser conservadora, leia-se o que outros, liberais, escreveram sobre o Nº 43, e com… bastante afecto. Nomeadamente, Ron Fournier e Lanny Davis, ambos a afirmarem – nos títulos dos seus artigos! – que o anterior presidente é um «homem bom», e Ellen Ratner, que declara, e demonstra, que ele «salvou mais vidas do que qualquer outro presidente americano» - referindo-se especificamente às suas acções contra a Sida em África, iniciativa também louvada explicitamente por Jimmy Carter.
George W. Bush mostra estar, presentemente, tranquilo em relação ao seu passado, e confiante no seu legado para o futuro. Que revele, continuamente, ter mais classe, mais dignidade, do que Bill Clinton e Barack Obama é tão só um pormenor, entre outros, que ajuda(rá) a explicar essa tranquilidade e essa confiança.   

sexta-feira, 26 de abril de 2013

O médico é um monstro

Parece que há em Portugal alguém que ficou muito chocado com o alegado «pior slogan de sempre», da autoria, ou responsabilidade, do representante republicano do Texas Steve Stockman, e que, traduzido, lê-se «se os bebés tivessem armas não seriam abortados». Reconheça-se que, apesar de compreensível e previsível por parte de um texano conservador, não será propriamente um modelo de lógica e de bom gosto. Porém, nada mais é do que… um slogan. E simbólico.
No entanto, se aquele slogan, de algum modo, correspondesse à verdade ou a uma possibilidade, até que seria bom… para todas as crianças – e sublinho crianças – que foram assassinadas por Kermit Gosnell, um «médico» aborcionista que está em julgamento em Filadélfia por uma série de crimes que fazem dele um dos maiores, e verdadeiros, monstros alguma vez acusados… talvez mesmo o maior – e, logo, o pior – assassino em série de sempre; foi acusado de oito homicídios, mas terão sido muitos, muitos, muitos mais. Este Kermit é um «sapo» que nunca se tornará num príncipe. E aconselho a todos aqueles que se queixam do «mau gosto» de uma frase de campanha eleitoral que leiam, que conheçam, a lista de atrocidades, de crimes, de horrores, practicados por Gosnell na sua «clínica», que incluem relatos de cortes com tesouras das espinais medulas de bebés vivos, de pedaços de corpos a entupirem periodicamente a canalização, e de uma colecção de frascos com pés lá dentro.
E, por mais que o tentem – inutilmente - negar, este caso representa o culminar de um modo – pervertido – de pensamento e de prioridades, o ponto mais baixo até onde pode descer a ideologia esquerdista, liberal e «progressista», permissiva, que concebe a «pró-escolha» e o aborto como a derradeira marca da «modernidade». Simultaneamente, não surpreende que a lamestream media só nas últimas duas semanas tenha, finalmente, começado a reconhecer a existência deste caso – revelado há cerca de dois anos – e começado a fazer, se bem que timidamente, a cobertura do julgamento. Uma «jornalista» do Washington Post justificou a não cobertura do julgamento deste autêntico carniceiro por se tratar apenas de um caso de «crime local». Mas então… Trayvon Martin não foi um caso de «crime local»? E o «Joker» de Aurora? E Newtown? Não foram todos casos de «crime local» que tiveram repercussão nacional por poderem ser - e foram - aproveitados por uma comunicação social ideologicamente comprometida?
Porquê esta relutância, este medo? Porque eles sabem, e reconhecem, que Kermit Gosnell – que, ainda por cima, é afro-americano! – é a corporização, o exemplo acabado – em mais do que um sentido – de como as suas convicções, prenhes de cumplicidades envergonhadas e de silêncios comprometedores, estão profundamente erradas. Por outras, e poucas palavras, é alguém que destrói a sua narrativa, a sua «agenda». E esta insensibilidade levada ao extremo, este chocante desrespeito pela vida humana – e pelas mais indefesas das vidas humanas, a de bebés – encontra corporização e expressão em pessoas como Melissa Harris-Perry, da MSNBC, que classifica os embriões como «coisas», e que afirma que se, por acaso, aqueles se transformam em crianças, estas pertencem «a toda a comunidade» e não só aos pais.
Não é, pois, também de admirar que aqueles que não hesitaram em criticar, quantas vezes de uma forma vil, o médico afro-americano Benjamin Carson – neurocirurgião afamado e prestigiado – por ser conservador, sejam practicamente os mesmos que agora estão silenciosos relativamente ao «médico» Kermit Gosnell. Carson salvou, e salva crianças, não as mata, mas é ele que foi chamado de «monstro»! Por não ser liberal e democrata, e, logo, por não ser um (verdadeiro) «Tio Tomás» que não sai da «plantação» do partido dos racistas. Como já escrevi aqui em Janeiro, há ainda muitos «Djangos» que não querem ser libertados.
Entretanto, a Casa Branca não tem comentários a fazer sobre este assunto… mas o Sr. Hussein não teve problemas em comentar que Trayvon Martin podia ser filho dele quando George Zimmerman – hispânico e democrata! – foi vilipendiado como assassino racista daquele. As crianças que Gosnell matou não poderiam ser filhos dele? Uma pergunta incómoda para a qual não convém dar resposta quando se é a «estrela principal» da conferência anual da Planned Parenthood.
Por tudo isto, é de desejar «boa sorte» aos democratas que quiserem utilizar Steve Stockman como exemplo de um republicano «radical e extremista» para tentarem melhorar as suas hipóteses de recuperarem a Casa dos Representantes. É que em resposta são capazes de «levar em cima», não com um slogan, mas com uma imagem de um bebé atirado para uma sanita e a tentar sair dela.    

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Acusadores precoces

(Quatro adendas no final deste texto - Identificados os culpados!)
Boston, 15 de Abril de 2013: os EUA voltaram a ser alvo de terroristas. Porém, infelizmente, desta vez e ao contrário de outras em que foi impedido, o atentado concretizou-se. No entanto, e tal como em outras ocasiões em que um acto de grande violência foi cometido, houve várias pessoas que não conseguiram controlar a sua tendência para, com pouca ou nenhuma informação, procurar de imediato culpados e acusar, precocemente, explícita ou implicitamente, aqueles de que discordam ideologicamente. Não aprendem com as lições (amargas) de um passado recente, como, por exemplo, as de Tucson, Aurora ou Newtown.
Houve um comentador à direita que desde logo avançou com uma «teoria da conspiração»: Alex Jones. Porém, ele foi practicamente a única excepção, e o seu disparate mais do que foi «compensado» por vários outros à esquerda – alguns são «suspeitos do costume» neste tipo de incontinência verbal – que não hesitaram em insinuar, ou afirmar, que republicanos, conservadores e membros do Tea Party, enfim «homens brancos», poderiam estar por detrás do infame ataque à maratona da capital do Massachusetts. Entre eles estiveram Barney Frank, Chris Matthews, David Sirota, Jay Mohr, Luke Russert, Michael Moore, Nicholas Kristof e Peter Bergen. E há ainda aqueles, como Mark Potok do execrável Southern Poverty Law Center, que não acreditam que tenha sido alguém de direita porque esta costuma ter como alvos «negros, judeus, gays ou muçulmanos». Com «defensores» destes… É «curioso», todavia, que nenhum deles se lembre de mencionar, e de comentar, que os mais recentes, e confirmados, «bombistas domésticos», apesar de – felizmente – falhados, são elementos do movimento (de esquerda) «Occupy», sendo este, aliás, como se sabe, não mais do que um acumular de actos criminosos. Mas que inspirou a Noah Chomsky a feitura de um livro laudatório que algumas pessoas em Portugal, ignorantes e ingénuas, acreditam ser digno de atenção e de importância…
Quanto a Barack Obama, há que louvar que não tenha, ao contrário do que aconteceu aquando do ataque em Benghazi, culpado um filme obscuro pelo atentado em Boston. Contudo, começou por referir-se a este acto de terrorismo como sendo uma «tragédia», palavra obviamente insuficiente, e inapropriada, para classificar o que aconteceu - «tragédia» é algo (muito) grave mas não deliberado que causa mortos, como um acidente de trabalho, de aviação ou de viação, ou uma calamidade natural como um furacão, um terramoto ou uma inundação. David Axelrod explicou deste modo a frouxidão retórica do presidente: «não sabemos realmente quem fez isto… era “Dia de Impostos”.» Ou seja, o Sr. Hussein também terá pensado – foi o que disse um dos seus mais próximos conselheiros – que os culpados vinham da direita. Porém, parte da culpa também lhe cabe, pois a sua administração reduziu (em comparação com a de George W. Bush) em 40% a rubrica do orçamento do Departamento de Segurança Interna referente à prevenção de atentados bombistas. Existem de facto nos EUA muitos exemplos de desperdício ridículo de dinheiros públicos, mas a defesa contra terroristas não é seguramente um deles.
(Adenda (19 de Abril, 17.35) - Foram identificados os culpados do atentado de Boston: são dois irmãos vindos da Chechénia, Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev; o primeiro foi morto durante um tiroteio, esta madrugada, com a polícia de Boston; o segundo ainda não foi capturado; sim, muçulmanos.)
(Segunda adenda - Dzhokhar Tsarnaev foi capturado; entretanto, descobriu-se que ele é também apoiante de - e terá sido votante em - Barack Obama; David Axelrod ainda não comentou.)
(Terceira adenda – Cada vez mais este atentado em Boston se parece com o atentado em Fort Hood… não só por serem ambos crimes de terrorismo levados a cabo por muçulmanos radicais mas também porque em ambos houve «avisos» prévios que, por causa do «politicamente (etnicamente, culturalmente) correcto», isto é, o medo de «ofender» determinadas minorias, não foram devidamente atendidos: alertado pelo seu congénere russo, o FBI interrogou em 2011 Tamerlan Tsarnaev, o mais velho dos dois irmãos bombistas, mas depois… «perdeu-lhe o rasto». Entretanto, e num crescendo de «pc» estimulado pela administração de Barack Obama, aquela agência eliminou do seu manual de treino palavras e referências ao Islão – algo que, aliás, a Associated Press também fez no seu livro de estilo. Enfim, fica um conselho aos que depositam grandes esperanças na reforma da imigração preconizada pelo chamado «Bando dos Oito»: percam essas grandes esperanças. Sabendo-se que os Tsarnaev, apesar de dez anos como imigrantes aparentemente integrados, fizeram… o que fizeram, e que provavelmente pertenceram a uma «célula» de uma dúzia de terroristas não tão «adormecida» quanto isso, não me admiraria se toda e qualquer legislação que visa «liberalizar» a imigração seja refreada. Aguardemos pelos próximos «capítulos»…)
(Quarta adenda – Não é de surpreender, e era só uma questão de (pouco) tempo até acontecerem... os esforços por parte de alguns à esquerda para tentarem «compreender» e até «desculpar» as acções dos irmãos Tsarnaev. Há quem, apesar das provas, defenda que o mais novo, Dzhokhar, é inocente, e há quem se inspire nele para escrever poesia para com ele estabelecer «empatia»; no Washington Post pergunta-se se a culpa não é dos americanos «islamofóbicos»; e há outros, como Richard Falk, «especialista da ONU em direitos humanos», que afirmam isso mesmo. Enfim, o habitual espectáculo degradante de cobardia e de negação.)    

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nunca terá «ferrugem»

(Duas adendas no final deste texto.)
Não é incorrecto nem exagerado afirmar que o partido político que mais legitimidade tem para se declarar como herdeiro do legado ideológico da monárquica Margaret Thatcher é o Partido Republicano norte-americano. Não, não é o Conservador britânico: os «Tories» deixaram de ser conservadores este ano depois de David Cameron ter, surpreendente e vergonhosamente, cedido ao «politicamente correcto» tipicamente esquerdista e «progressista», e feito aprovar, no e pelo seu próprio partido, a falácia intelectual e social que é o «casamento entre pessoas do mesmo sexo».
Falecida no passado dia 8 de Abril, aos 87 anos, a extraordinária mulher que foi primeira-ministra da Grã-Bretanha entre 1979 e 1990 ainda terá, talvez, tido tempo para se aperceber da autêntica traição (mais uma…) cometida por um dos seus sucessores. Porém, do outro lado do Atlântico, e apesar de algumas, poucas, recentes «desistências» neste âmbito, não é de crer que o GOP venha a prescindir, enquanto instituição, de um dos seus maiores fundamentos, e que o distingue de democratas degenerativos. O que será uma forma de (continuar a) homenagear a «Dama de Ferro»: nos Estados Unidos da América, Margaret Thatcher conquistou um lugar muito especial junto dos right wingers através da especial relação pessoal e política que estabeleceu com Ronald Reagan. Conheceram-se em 1975 e viriam a dominar, durante a década de 80, a política mundial; foi, de facto, uma coincidência curiosa e (bem) afortunada que duas pessoas com tanto em comum tenham chegado à liderança das respectivas nações na mesma altura, e que, apoiando-se um ao outro, tenham imprimido às suas políticas, tanto internas como externas, os mesmos objectivos, os mesmos princípios, os mesmos valores.
O desaparecimento físico, que não histórico, de Margaret Thatcher, suscitou, como seria de esperar, inúmeras e variadas reacções e retrospectivas. Previsivelmente, há quem festeje a sua morte. No entanto, aqueles que não são estúpidos nem ignorantes nem pervertidos sabem que, apesar de não ter sido uma pessoa e uma política perfeita, o balanço da sua vida e da sua carreira apresenta um saldo final imensamente positivo. Tal como o seu amigo Ronald Reagan, conseguiu para o seu país e para o Mundo mais liberdade e mais prosperidade. O seu (bom) exemplo, o seu modelo, nunca terá «ferrugem».
A ler (e a ver/ouvir) também: «Margaret Thatcher, descansa em paz», Andrew Klavan; «Recordando (e esquecendo) Thatcher», Brent Bozell; «Lições oportunas de Thatcher para os conservadores americanos», Chris Stirewalt; «Uma independente mas fiável aliada, cujo conselho eu valorizei», George H. Bush; «Como Margaret Thatcher trouxe a liberdade económica à Grã-Bretanha», Ira Stoll; «Não, Margaret Thatcher não seria agora uma liberal», Jamelle Bouie; «Thatcher era às direitas, a esquerda era errada», Kevin D. Williamson; «Thatcher, liberdade, e mercados livres», Larry Kudlow; «Margaret Thatcher, a mais resoluta aliada de Reagan», Lou Cannon; «O que Reagan teria dito sobre Thatcher», Marc Thiessen; «A anti-declinista», Mark Steyn; «Margaret Thatcher era mais dura do que Reagan», Matthew Cooper; «Recordando Margaret Thatcher», Matt K. Lewis; «O que Margaret Thatcher pode ensinar a Hillary Clinton», Michael Hirsh; «Margaret Thatcher mudou o Mundo», Paul Johnson; «Margaret Thatcher foi uma mulher de ferro… com um travesso sentido de humor», Paul Wolfowitz; «Como Margaret Thatcher mudou o Iraque, a URSS e a indústria petrolífera», Steve LeVine; «Como Margaret Thatcher transformou a política britânica», Tunku Varadarajan; «Margaret Thatcher e o Presidente Obama», Bill O’Reilly.
(Adenda – Na Associated Press lamentou-se mais a morte de Hugo Chávez do que a de Margaret Thatcher.)
(Segunda adenda - Barack Obama decidiu não enviar um representante ao funeral da antiga primeira-ministra britânica; no entanto, fez-se representar no funeral do presidente venezuelano. Uma vez mais, é de notar as prioridades... e as preferências. E é mais uma gaffe a acrescentar à lista específica - há outras - das «gaffes relativas ao Reino Unido».

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Até parece mentira… (Parte 4)

… Que 70% dos óbitos de soldados norte-americanos na Guerra do Afeganistão tenham ocorrido durante a presidência de Barack Obama – ou seja, nos (então) pouco mais de três anos do primeiro mandato do actual presidente verificou-se o dobro das mortes verificadas nos oito anos dos dois mandatos de George W. Bush. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Nancy Pelosi tenha participado num evento de angariação de fundos com islamitas apoiantes do Hamas, que deram dinheiro para as campanhas eleitorais de vários candidatos democratas. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Dan Rather, cuja carreira de jornalista na práctica terminou em 2004 quando apresentou, como sendo verdadeiros, documentos falsos que denegriam George W. Bush, tenha afirmado que os republicanos não vivem «num mundo baseado em factos». Mas, sim, é mesmo verdade (que ele é um aldrabão hipócrita e uma vergonha para a profissão).
… Que Lawrence O’Donnell, actual apresentador na MSNBC, onde o seu colega Chris Matthews ridicularizou os que assinaram petições de secessão dos EUA a seguir à reeleição de Barack Obama, tenha em 2004 sugerido que os Estados «azuis» fizessem o mesmo a seguir à reeleição de George W. Bush. Mas, sim, é mesmo verdade. 
… Que aqueles – que formam, segundo Mark Halperin, o «espectáculo da esquisitice esquerdista» - que criticaram Marco Rubio por acreditar na Criação do Mundo tal como narrada na Bíblia não tenham criticado Barack Obama por ter afirmado, em 2008, exactamente o mesmo. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Hank Johnson, representante da Geórgia pelo Partido Democrata, tenha afirmado que a Constituição deveria ser emendada para restringir a liberdade de expressão (das «corporações»). Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que na Casa Branca, ignorando ou desvalorizando experiências gastronómicas passadas do actual presidente, se decida não uma mas sim duas vezes a fazer bolos com a forma do cão Bo; e que a PETA – associação de «defesa» dos animais que em 2012 matou mais de 1600 cães e gatos – tenha difundido a seguinte citação do Nº 44: «A maneira como tratamos os nossos animais reflecte a maneira como tratamos a nós próprios». Mas, sim, é mesmo verdade. 
… Que no governo federal da «era Obama» se proceda a uma sessão de treino contra um «apocalipse zombie», e, em especial para os fãs de «Star Trek», a uma conferência sobre «Cristianismo e Klingons» e à realização – pelo departamento de impostos! – de uma paródia à famosa série televisiva que custou «apenas» 60 mil dólares! Mas, sim, é mesmo verdade.   
… Que Jeff Immelt, presidente da General Electric e também do Conselho para os Empregos e para a Competitividade (entidade que aconselha Barack Obama naqueles assuntos), tenha afirmado que o governo comunista chinês «funciona» (bem). Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não que o regime de Pequim seja um bom exemplo).
… Que o programa conhecido por «Cash for Clunkers» («dinheiro por chaços»), formalmente designado por Car Allowance Rebate System (CARS), que custou três biliões de dólares e que tinha por objectivo renovar o parque automóvel dos EUA, se tenha transformado num «pesadelo ambiental». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que o gabinete criado em 2009 por Barack Obama com o objectivo de preparar o encerramento da prisão de Guantanamo tenha sido… encerrado, e ao seu único funcionário tenham sido atribuídas novas funções. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que a actual administração tenha concedido ajudas no valor de 40 milhões de dólares a organizações sindicais estrangeiras, e de quatro biliões de dólares a empresas de «energias renováveis» estrangeiras – incluindo a EDP! – que competem nos EUA com empresas norte-americanas. Mas, sim, é mesmo verdade.  
… Que o Conselho de Educação de Newtown – a cidade do Connecticut onde em Dezembro último dezenas de crianças foram assassinadas numa escola – tenha decidido, após votação, requerer a colocação de guardas armados em todos os estabelecimentos de ensino sob a sua jurisdição… ou seja, que tenham aceitado a sugestão feita pela National Rifle Association após o massacre, e que tão vilipendiada fora por políticos e comentadores «liberais e progressistas». Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que (quatro) congressistas democratas, e até Michelle Obama, tenham convidado imigrantes ilegais a assistirem, no Capitólio, ao mais recente discurso do Estado da União proferido por Barack Obama. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Maxine Waters tenha dito que «170 milhões de empregos» poderiam ser perdidos devido à «sequestração» (decidida, recorde-se mais uma vez, pelo Sr. Hussein)… num país que terá, no máximo, 155 milhões. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Nancy Pelosi tenha dito em duas ocasiões na mesma semana – numa entrevista à CNN e numa conferência de imprensa no Congresso – que Barack Obama tenta sempre ouvir, e que respeita, as opiniões dos republicanos. Mas, sim, é mesmo verdade (que ela o disse, não que BHO respeite o GOP).
… Que a Casa Branca tenha ao seu serviço três caligrafistas – uma «principal» e dois «assistentes» - que em 2012 receberam em remunerações mais de 270 mil dólares. Mas, sim, é mesmo verdade.
… Que Joe Biden tenha dito que Gabby Giffords foi «mortalmente ferida» aquando do atentado de 2011 em Tucson. Mas, sim, é mesmo verdade (que ele o disse, não que ela morreu). 

domingo, 24 de março de 2013

Diplomacia… macia (Parte 2)

(Uma adenda no final deste texto.)
Barack Obama fez, nesta semana, uma breve viagem ao Médio Oriente. E, com a excepção de aquela ter incluído a sua primeira visita a Israel, não se vislumbra(ra)m quaisquer vantagens, quaisquer resultados úteis deste périplo… deste passeio (mais um) com o Air Force One. 
Antes de mais, passou apenas por dois países: para além da pátria judaica, a Jordânia – enfim, três, pois também foi à Cisjordânia, ou seja, à Autoridade Palestiniana, onde comparou o relacionamento entre israelitas e palestinianos com relacionamento entre… norte-americanos e canadianos! Mais do que um comentador se interrogou se alguma vez do Canadá foram lançados mísseis contra os EUA… Em Israel deu-se ao desplante de «dar lições» de empatia aos israelitas em relação aos palestinianos… como se não fossem estes que não reconhecem àqueles o direito de viver numa nação própria; antes tinha sido «recebido» com uma «salva de boas-vindas» de foguetes (mais uma) disparados da Faixa de Gaza pelo Hamas – pelo que aquela presunção, do início da sua presidência, de que os EUA passariam a ser melhor vistos pelos muçulmanos por ele ter vivido entre eles é já só uma distante memória… se é que alguma vez teve um mínimo de consistência.
É de questionar por que motivo este périplo não incluiu mais países daquela zona do Mundo. Nomeadamente, especialmente, o Egipto. Terá Barack Obama concordado com a advertência que terá sido feito pelo Rei Abdullah da Jordânia para «ter cuidado com a Irmandade Muçulmana»? Uma organização que a actual administração norte-americana tanto incentivou e de que tanto esperou aquando da «Primavera Árabe»? Porém, e aparentemente, a passividade das autoridades do Cairo aquando do ataque, a 11 de Setembro último, à embaixada dos EUA na capital egípcia não terá prejudicado a confiança da Casa Branca nos novos senhores do Nilo. Se assim não fosse, não teriam aprovado a oferta de aviões F-16, a venda de gás lacrimogéneo e a concessão de uma ajuda financeira no valor de 250 milhões de dólares – e isto num período em que os cortes resultantes do «sequestro» (decidido por BHO) fizeram cancelar as visitas de crianças ao Nº 1600 da Avenida de Pensilvânia. Na verdade, o que há a recear de Mohammed Morsi e dos seus comparsas? O presidente do Egipto «apenas» tem no seu «cadastro» afirmações (de 2010) como a de que os judeus são «sanguessugas descendentes de macacos e de porcos» ou a de que «devemos educar os nossos filhos e netos no ódio aos judeus»; já o seu assessor principal, Fathi Shihab Eddim, afirmou este ano que o Holocausto é «um mito e uma indústria que a América inventou». Sim, «não há» dúvida de que o actual Egipto é um aliado «credível» dos EUA e de Israel. «Certeza» que ficou sem dúvida «reforçada» com a condenação em tribunal, também já em 2013, de toda uma família (mãe e sete filhos) a 15 anos de prisão por se terem convertido ao Cristianismo. Mas a oposição popular à Irmandade Muçulmana existe na terra dos faraós; muitos têm-se manifestado regularmente e não se mostram contentes com a colaboração – ou, pelo menos, a tolerância – do governo norte-americano com Morsi e companhia.
Outro país que «ficava no caminho» - de ida e de volta – de Barack Obama, e no qual ele poderia ter feito uma «escala», era a Líbia. Seria talvez uma oportunidade para o presidente esclarecer o que de facto aconteceu em Benghazi, também a 11 de Setembro de 2012, e o que ele fez então em Washington… ou não fez. Leon Panetta, então secretário da Defesa, e (o general) Martin Dempsey, então coordenador do comité militar conjunto (chair of the Joint Chiefs of Staff), declararam-no, inequivocamente, numa audiência no Senado: o presidente foi informado, brevemente, do ataque ao consulado norte-americano naquela cidade líbia logo após ter começado e, depois, não mais voltou a querer saber do que se passava lá. Este comportamento só pode ter uma classificação: criminoso. Nos dias e semanas seguintes, e como se sabe, mentiu sobre as causas e as circunstâncias daquele atentado, para não prejudicar a sua campanha de reeleição. E até se permitiu fazer humor, lançar uma piada, com as mortes de quatro compatriotas, incluindo o embaixador, que ele provavelmente conheceu em Chicago…     
… E a sua então secretária de Estado Hillary Clinton é igualmente culpada, co-(ir)responsável por este e por outros fracassos na política externa e de segurança dos últimos quatro anos – embora o de Benghazi tenha sido, indubitavelmente, o maior e o pior, e não só de 2012. Só mesmo quem é completamente ignorante ou intelectualmente desonesto é que pode afirmar que a mulher de Bill foi uma excelente ministra dos negócios estrangeiros. Barack Obama, claro, pertence à segunda (falta de) categoria, acrescida por uma (habitual) falta de gramática: Hillary foi «uma das melhores secretária de Estados»… sim, foi tão «boa» e tão «competente» que, na mesma ocasião (uma conferência, em Janeiro) em que equiparou os republicanos a terroristas muçulmanos (uma práctica habitual no Partido Democrata), também expressou a sua «grande esperança» de um dia poder sentar-se à mesma mesa, e negociar, com o Hamas! E nem tudo o que aconteceu na Líbia lhe mereceu o mesmo comportamento, o que se «compreende»… Ela recusou-se a dar entrevistas após o atentado de 11 de Setembro último, mas quando em 2011 o regime de Muhammar Khadaffi foi derrubado e o ditador morto, ela não teve qualquer problema em vangloriar-se na televisão… Causa, pois, alguma surpresa que ela tenha tido o atrevimento de perguntar, e de exclamar, durante a sua audiência final no Senado enquanto secretária de Estado, «que diferença é que faz» saber como e porque é que aconteceu o ataque ao consulado de Benghazi e as mortes de quatro compatriotas? Mas, sim, faz toda a diferença. O seu comportamento foi vergonhoso, indigno da posição que ocupava… e sem dúvida que será recordado se e quando ela se candidatar a presidente em 2016.
Se Hillary Clinton foi má, ou pelo menos medíocre, enquanto chefe da diplomacia norte-americana, o seu sucessor no cargo reúne todos os «atributos» para ser ainda pior… Recorde-se que John Kerry acusou compatriotas seus de cometerem crimes de guerra no Vietnam e no Iraque; votou contra a Guerra do Golfo (de 1991); visitou regularmente Bashar Al-Assad na Síria; investiu em empresas acusadas de violarem as sanções comerciais contra o Irão. Enfim, os seus dislates na área dos negócios estrangeiros já foram tantos que permitiram a elaboração de uma lista dos seus «dez maiores erros». E, assim que se viu confirmado e empossado no seu novo cargo, não perdeu tempo a procurar mais itens para uma próxima lista. O seu primeiro discurso enquanto secretário de Estado não foi sobre a Coreia do Norte, a China, o Médio Oriente, a Rússia, Europa, África ou a América Latina mas sim sobre… o «aquecimento global»! «Inventou» um país… o «Quirzaquistão» - nada de especial, tendo em conta que Barack Obama «inventou» (pelo menos) mais sete Estados norte-americanos. E em Berlim «esclareceu» uma audiência de estudantes alemães que nos EUA qualquer cidadão tem «o direito de ser estúpido»; um «direito» que, com efeito, ele exerce frequentemente. 
Não sejamos, no entanto, demasiado «duros» com Hillary Clinton e com John Kerry. Eles podem ser, oficialmente, as figuras de proa desta actual diplomacia… macia – e ridícula – norte-americana, mas, na verdade, mais não fazem do que cumprir as directivas do «chefe». A «Doutrina Obama» na política externa, se é que ela existe, revelou-se um fracasso, que ele não admite, e até critica um jornalista – o habitualmente «fiel» Chuck Todd! – que sugeriu isso. Um livro recentemente publicado caracteriza-o, neste âmbito, como um presidente mal aconselhado, «hesitante, controlador e avesso a atitudes de risco» – isto é, atitudes de risco contra inimigos. O que talvez explique porque a actual administração continua a recusar a divulgação de informações – incluindo imagens – do «funeral» de Osama Bin Laden, porque tal poderia «inflamar tensões entre populações estrangeiras que incluem membros ou simpatizantes da Al-Qaeda». Ou que tenha concedido à Arábia Saudita, e aos seus habitantes, o privilégio de «viajante(s) de confiança», ou seja, a possibilidade de entrarem nos EUA com menores – ou inexistentes – formalidades burocráticas… algo de que os cidadãos, por exemplo, do Reino Unido, da França, da Alemanha e de Israel ainda não dispõem. Recorde-se que a Arábia Saudita - perante cujo rei BHO já se curvou - «forneceu» 15 dos 19 terroristas do 11 de Setembro de 2001; e no seu território ainda se fazem crucificações. Vão se percebendo os critérios do Sr. Hussein para escolher os «países amigos».
(Adenda – Em 2012, Barack Obama recusou-se a falar, na Universidade de Georgetown, sob um símbolo de Jesus Cristo. Todavia, em 2013, nesta sua viagem ao Médio Oriente, aceitou falar sob uma – grande – fotografia de Yasser Arafat; posteriormente, foi noticiado que os EUA haviam concedido à Autoridade Palestiniana uma ajuda financeira de 500 milhões de dólares. Continuam a perceber-se as prioridades desta presidência…)   

terça-feira, 19 de março de 2013

Não me arrependo

Celebra-se hoje o décimo aniversário do início da invasão do Iraque, liderada pelos Estados Unidos da América por iniciativa do então presidente George W. Bush, e apoiada por uma coligação de vários outros países, e que culminaria, menos de dois meses depois, no derrube do regime totalitário encabeçado por Saddam Hussein, um dos maiores, piores, mais violentos, mais sanguinários ditadores da História.
A palavra é mesmo «celebrar»: então como agora não me arrependo de ter apoiado, defendido, esta guerra. E orgulho-me de ter sido em Portugal, na chamada «Cimeira dos Açores», que a decisão final – de a desencadear – terá sido tomada. Ao contrário de (muitos) outros, a minha opinião neste tema não mudou, não «evoluiu». Porque vale sempre a pena combater, derrotar e capturar um assassino de massas que terá sido responsável, material e (i)moralmente, por cerca de um milhão de mortos, principalmente iraquianos, mas também iranianos e kuwaitianos. As armas de destruição maciça… existiram mesmo: perguntem aos curdos, sobreviventes e familiares das vítimas, gaseados em 1988 às ordens de Bagdad, se elas eram reais ou não.
Um dos melhores indicadores, hoje, da justificação e do sucesso da libertação do Iraque é… a ausência de notícias sobre o Iraque! Não total, evidentemente: ocasionalmente, são reportados atentados perpetrados por extremistas que ainda não foram exterminados, e que, por mais que se «esforcem», não conseguem desestabilizar definitivamente um novo país, uma nova sociedade que – por mais que se espantem jornalistas, especialistas, analistas e outros «istas» – vai sendo, com dificuldade é certo, mas também com perseverança, com esperança, construída pela população, pensando em especial nas suas novas gerações. População essa que, ao contrário do que dá a entender a comunicação social internacional, não se limita a esperar, escondida e amedrontada, pela próxima explosão bombista e que, melhor ou pior, vai fazendo a sua vida. Que até Bill Maher mostre a sua surpresa por isso é muito significativo, e simbólico, do que muitos ainda desconhecem… ou, se conhecem, não querem admitir. Mas existe sempre a experiência, e o testemunho, dos veteranos, alguns ainda jovens como Tom Cotton e Tulsi Gabbard; ambos são, agora, representantes no Congresso, ele republicano e ela democrata; e ambos concordam em não dar por desperdiçado o tempo que deram às forças armadas, mesmo que possam discordar, hoje, quanto às causas e às consequências do conflito de há uma década.
Sobre este assunto, e evocando a efeméride, é de ler também: «Dez anos depois, ganhámos a guerra do Iraque?», Andrew Bacevich; «O colapso iminente do Médio Oriente?», Fred Kaplan; «Iraque, dez anos mais tarde: devemos recordar a nossa victória, não apenas a guerra propriamente dita», Joel B. Pollak; «A véspera da destruição: como era opor-se à guerra do Iraque em 2003», John B. Judis; «Iraque foi a última grande guerra», Matt Gurney; «Não é preciso arrepender-se por ter apoiado a Guerra do Iraque», Max Boot; «Dez anos passados, o caso para invadir o Iraque continua válido», Nick Cohen; «Guerra do Iraque ensinou-nos lições duras, mas o Mundo está melhor sem Saddam Hussein», Paul Wolfowitz; «Nunca esquecer: a nossa invasão do Iraque foi uma quebra de confiança», Richard A. Clarke; «O que nós aprendemos no Iraque», Steve Chapman; «Dez anos mais tarde, um aniversário que muitos iraquianos prefeririam ignorar», Tim Arango; «América hoje e a Guerra do Iraque», Bill O'Reilly.
(Adenda - Nouri al-Maliki, actual primeiro-ministro do Iraque, reafirma, em artigo no Washington Post, que a guerra foi justificada e que os seus compatriotas estão hoje, apesar de tudo, melhor do que durante o regime de Saddam Hussein. Mas o que é uma «ditadurazinha» para os pacifistas da treta?)  

terça-feira, 12 de março de 2013

Parabéns, Sr. Romney!

Hoje é dia de desejar um feliz aniversário a Willard Mitt Romney, que completa 66 anos de idade. E os EUA também estariam de parabéns se ele o celebrasse enquanto presidente…
… Porque, descontados todos os exageros partidários e apagadas todas as mentiras eleitorais, nunca existiram quaisquer dúvidas, antes e depois de 6 de Novembro último (uma data que, como foi revelado aqui no Obamatório, tinha para o filho de George Romney uma carga simbólica acrescida), sobre quem, de entre ele e Barack Obama, era – e é – o mais competente para o cargo. Uma dessas mentiras, aliás, veio a ser posteriormente esclarecida: um dos anúncios de Mitt Romney havia feito a alegação de que veículos Jeep iriam ser produzidos na China… e, afinal, longe de ser a «lie of the year», era mesmo verdade. Também houve quem reparasse que as «pastas cheias de (currículos de) mulheres» a que o ex-governador do Massachusetts recorreu para formar a sua equipa em Boston teriam sido úteis a Barack Obama numa Casa Branca em que a diversidade, apesar das aparências, não é efectiva; e que o candidato do Partido Republicano tinha conhecimento, durante a campanha, do conflito no Mali e das suas (previsíveis) consequências negativas, comprovando a sua atenção e capacidade em política externa. Aliás, neste domínio, uma das pessoas que mais terá lamentado a derrota de Romney é o primeiro-ministro de Israel: não serão muitos os que sabem que os dois foram colegas de trabalho e são amigos há quase 40 anos. Não, Benjamin Netanyahu não apostou no «homem errado»…  
… E quem o fez foram outros. Vários têm sido os indícios, os sinais de buyer’s remorse, de «remorso de comprador», de arrependimento por parte de (bastantes) eleitores. É evidente que, em «contrapartida», existem sempre aqueles que pensam – e escrevem – que o candidato derrotado tem alguma obrigação de continuar na política activa e de como que contribuir para sucesso do seu opositor e vencedor… Mas não, não tem. Barack Obama que trate de resolver – se quiser e puder – o fiscal cliff e outros cliffs e sequesters que se lhe apresentem (e de que ele tem culpa). Queriam aproveitar as capacidades de Mitt Romney? Os norte-americanos que o elegessem! Não tendo isso acontecido, ele tem todo o direito de voltar à esfera privada, tanto familiar como profissional, e até inclusivamente, de certo modo, conjugando as duas, ao assumir um cargo de chefia na empresa de um dos seus filhos. Ele já havia declarado: «Não me vou embora»… o mesmo é dizer, vai continuar a andar por aí…
… E está de consciência tranquila, como ficou comprovado pela entrevista que deu (a primeira depois da eleição), juntamente com a esposa Ann, há cerca de duas semanas a Chris Wallace e à Fox News. Os dois confirmaram que acreditavam, sentiam, que iam ganhar; e, depois da desilusão da derrota, a maior frustração é não estar na Sala Oval para poder agir de um modo diferente, e melhor; comportando-se como um adulto e não como uma criança mimada e birrenta em campanha eleitoral permanente, que é o que o actual presidente faz – e que, assim, e inevitavelmente, hostiliza os opositores e inviabiliza qualquer acordo com eles. E ambos não deixaram de reconhecer a óbvia, e indesmentível, desigualdade de tratamento por parte da comunicação social em geral, que, na práctica, ampliou a estratégia de destruição de carácter seguida pela equipa de Barack Hussein Obama. Os Romney têm todas as razões para se queixarem e para estarem «amargos» - à semelhança de John e de Cindy McCain há quatro anos.
Porém, Mitt e Ann também reconhece(ra)m erros e insuficiências do seu lado. E, apesar de não o terem nomeado especificamente, uma das maiores falhas, se não a principal, terá sido o próprio «estrategista principal» de Romney, Stuart Stevens. Uma demonstração da sua incompetência foi dada recentemente: negou que os media estivessem «in the tank» (digamos, a «fazer… panelinha») com Barack Obama. Com «amigos» destes quem precisa de inimigos? É pouco provável que quem se recusa a ver, a reconhecer, a realidade esteja em condições de dar bons conselhos e de delinear e de desenvolver uma estratégia vencedora; e também não é muito abonatório que essa mesma pessoa tenha uma relação próxima com George Clooney, que é «apenas» um dos maiores apoiantes de Obama! Curiosamente, John McCain também passou por uma situação algo semelhante: o seu estrategista principal em 2008, Steve Schmidt, que agora anda a dizer que o GOP tem uma «postura anti-gay», também teve um desempenho deficiente que depois tentou disfarçar, e desculpabilizar, responsabilizando Sarah Palin pelo fracasso. Fica uma sugestão para os próximos candidatos republicanos: escolham melhor os vossos principais conselheiros e, pelo sim pelo não, evitem os que se chamam Steve(n)…           

sexta-feira, 8 de março de 2013

Palavras-Chave(z)

Quem, nos Estados Unidos da América, lamentou a morte de Hugo Chávez? Quais foram as individualidades e as instituições norte-americanas com um mínimo de notoriedade pública que elogiaram, que enalteceram as «qualidades» de um quase-ditador que regularmente insultava… os EUA (e não só George W. Bush), que quase destruiu a democracia na Venezuela principalmente pelas restrições à oposição e à comunicação social, que se tornou amigo dos maiores facínoras do Mundo como os «ai-a-tolas» do Irão – que até decretaram um dia de luto oficial por ele – e os irmãos Castro de Cuba (e de facínoras menores como o «só-cretino» português), que alegadamente terá enriquecido escandalosamente enquanto a maioria dos seus compatriotas empobrecia num país cada vez mais violento?
Quem teve palavras simpáticas para com ele? Bem… os «progressistas», «liberais»…democratas do costume. Todos apoiantes e votantes, mais ou menos declarados, de Barack Obama. Entre outros, e previsivelmente, Michael Moore, Sean Penn e Oliver Stone, que perderam um «amigo» que «viverá para sempre na História» (só se for por maus motivos…). No New York Times, sem surpresa, foram vários os que homenagearam aquele que supostamente «deu poder e energia a milhões de pobres».  Do Washington Post, Eugene Robinson falou do «rápido, popular» e engraçado Hugo. Na The Nation, Greg Gardin, professor da Universidade de Nova Iorque, queixou-se de que Chávez «não era suficientemente autoritário». A ABC e a NBC desmultiplicaram-se em peças apologéticas e apoplécticas. Houve quem perguntasse, e com razão, se o HP (Huffington Post) se havia tornado uma «página dos fãs» de HC. Tantos outros exemplos houve de uma «imperialista» imprensa impressionada e impressionável com a morte do seu «ídolo» que até na ThinkProgress, covil dos «controleiros» e censores ao serviço de George Soros, se viram obrigados a (tentar) refrear um pouco os ânimos…    
… O que poucos resultados deve ter tido, porque em São Francisco – where else? – se organizou uma vigília à luz das velas em memória de Hugo Chávez, de que um dos lemas foi «precisamos de uma revolução aqui!» Essa «revolução», lembre-se, foi tentada através do chamado movimento «Occupy» (Wall Street e outros locais), de que o coronel de Caracas/do caraças foi um dos «santos padroeiros». E, agora que está morto, Hugo vai ter uma utilização condizente com a de um grande «herói socialista/comunista/leninista»: mumificado, embalsamado, e em exposição permanente! O que talvez beneficie o turismo venezuelano… Nesse sentido, os representantes democratas Jose Serrano – que desejou a Chávez «descanse em paz» - e Gregory Meeks – que se sentiu «honrado» por representar os EUA no funeral daquele – bem que se podem tornar visitas regulares daquela nação sul-americana, para se prostrarem (protegendo as próstatas) junto ao túmulo do fala-barato que «não se calava». Mas no dia 5 de Março calou-se. Finalmente.     

sábado, 2 de março de 2013

«A coisa mais próxima de Nixon»

«Vai arrepender-se disto!» Sim, Bob Woodward a ser ameaçado (foi o que aconteceu, apesar de ele não ter utilizado a palavra), intimidado, por Gene Sperling, um «conselheiro» (consigliere?) de Barack Obama é grave, mas é, antes de mais, ridículo: será que o presidente e os seus «capangas» não sabem quem ele é, o que já fez e o que é capaz de fazer, o que representa? Porém, tal não surpreende numa administração norte-americana que já excedeu todos os anteriores limites de incompetência e de insolência; eles já mostraram que são capazes de tudo. E «avisar» o histórico, lendário (e liberal) jornalista do Washington Post para não os contrariar nem é o pior que a Casa Branca e os seus «anexos» fizeram recentemente.
Bob Woodward limitou-se, afinal, a revelar e a reafirmar a verdade: que a «sequestração» - isto é, cortes obrigatórios em programas (despesas) federais – que entrou em vigor ontem e que Barack Obama descreveu nas últimas semanas como uma catástrofe quase apocalíptica (que não é) cuja culpa – claro! – seria do Partido Republicano, afinal resultou de uma ideia, de uma proposta… dele próprio e da sua equipa! O actual presidente a mentir e a não assumir as suas (ir)responsabilidades? Que «surpresa»! Mais, aqueles cortes não serão mais do que 85 biliões de dólares de um total de 3,6 triliões no primeiro ano, e, em vez de serem aleatórios como os democratas apregoam, podem ser escolhidos e aplicados pelas entidades públicas de forma a atenuar, a diminuir, os seus eventuais efeitos prejudiciais. No entanto, os factos não interessam de todo a quem está apostado em criar e em manter um ambiente permanente de confronto e de medo. Para quem está constantemente a acusar os adversários políticos de tomarem os americanos como «reféns» e de exigirem «resgates», ou seja, de os… sequestrar, não deixa de ser irónico que finalmente seja revelado e provado «para além de uma dúvida razoável» quem está, de facto, a «apontar uma arma à cabeça» dos norte-americanos, em especial dos contribuintes: aqueles que se recusam a reconhecer, a começar por Obama, que os EUA têm um – assustador – spending problem. Há «males que vêm por bem», e talvez esta sequestração, este «pequeno» corte acabe por representar o início de uma inevitável e indispensável desaceleração, e de uma diminuição, dos gastos públicos que atingiram no primeiro mandato de Obama valores absolutamente inacreditáveis e insustentáveis.
Entretanto, quem não alinha na narrativa da Casa Branca, quem confronta a «versão oficial»… tem problemas; «quem se mete com o PD… leva!» E já é não só a Fox News a ser colocada em «ponto de mira». Para além de Bob Woodward, outros «alvos» inesperados vieram nos últimos dias denunciar coacções de que foram vítimas: Ron Fournier, director editorial do National Journal; Lanny Davis, democrata que foi conselheiro de Bill Clinton, enquanto colunista do Washington Times; Jonathan Alter, ex-editor da Newsweek. Nenhum deles pode ser considerado um conservador right winger, muito pelo contrário… E não surpreende que existam muitos «jornalistas» que, obedientes ao seu «dono», preferem usar a sua «voz» para duvidar e até troçar das alegações de Woodward, e de outros… enfim, não têm a coragem, as qualidades, do co-autor de «All the President’s Men». Justificam o incidente com o facto de todas as administrações terem tido episódios de confrontação com a imprensa. Mas então… não era suposto Barack Obama ser diferente (para melhor)? Não foi com base nisso que ele concorreu e venceu?
Esta administração já não se restringe a acusar tudo e todos excepto si própria, a desperdiçar (tempo e dinheiro), a mentir descaradamente… agora já está igualmente disponível para se deixar corromper abertamente. Prova disso é a revelação de que a Organizing for America, a nova forma institucional do movimento de campanha de Barack Obama, está a vender acesso ao Sr. Hussein, encontros trimestrais com o presidente, a doadores que despendam pelo menos 500 mil dólares. Deve ser este o montante da tantas vezes mencionada «fair share». Não é novidade esta predilecção selectiva pelo «vil metal»: os «milionários» só são os «maus da fita» quando não dão dinheiro a democratas. E percebe-se melhor a revelação que Al Sharpton fez de algo que o Nº 44 lhe disse: «(ainda) não consegui tudo o que quero dos ricos». Palavras de um comunista, como suspeita Harry C. Alford, CEO da Black Chamber of Commerce que votou em BHO em 2008 (mas não em 2012)? Provavelmente, não; é mais de um extorsionista de Chicago.
Patrick Caddell, outra figura insuspeita (é democrata e foi conselheiro de Jimmy Carter), não tem dúvidas e escreve preto no branco: «Obama é a coisa mais próxima de Nixon que vimos nos últimos 40 anos». É evidente que essa proximidade é aos (baixos) níveis da paranóia, da conflitualidade, da indiferença em practicar acções ética e legalmente condenáveis. Porque, ao nível das realizações, as diferenças – a favor do Nº 37, cujo centenário do nascimento se assinala este ano – são enormes. Entre outras, Richard Nixon, bem ou mal, teve de terminar, e terminou, o envolvimento dos EUA no Vietnam iniciado por John Kennedy e continuado por Lyndon Johnson; deu seguimento, e conclusão, ao programa Apolo de viagens à Lua iniciado por Kennedy e continuado por Johnson; criou a Environmental Protection Agency; e fez a viagem à China continental, reconhecendo o regime de Pequim e Mao-Tse-Tung, o que representou uma transformação fundamental nas relações internacionais e na ordem mundial. E quando, ainda por cima, Bob Woodward, um dos homens que desencadeou o caso Watergate que levaria à renúncia de «Tricky Dicky», se vê envolvido, é impossível não ver o paralelismo, não aceitar o prenúncio… de que a História se pode repetir, mas agora em sentido – partidário – inverso.
Enfim, a lista de motivos para uma impugnação – ou para uma demissão – está cada vez maior. A 18 de Novembro escrevi aqui: «Quem acredita em “movimentos cíclicos” na política, quem acredita que 2012 foi uma repetição “ao contrário” de 2004, então tem de aceitar que 2014 vai ser igualmente uma repetição “ao contrário” de 2006, e 2016 uma repetição “ao contrário” de 2008… Contudo, quem sabe se, a curto ou médio prazo, 2012 não acabará por parecer-se mais com… 1972?» E, consequentemente, quem sabe se, a curto ou médio prazo, 2014 não acabará por parecer-se mais com… 1974? 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Luzes, câmaras, decepção!

Um só facto seria suficiente para não dar qualquer atenção e importância (ou, pelo menos, para não perder horas de sono assistindo em directo à cerimónia d)à 85ª cerimónia de entrega dos Óscares, realizada ontem em Los Angeles: a total ausência nas nomeações – nem uma só! – do melhor filme de 2012, «O Cavaleiro Negro Ergue-se». Outra ausência indesculpável, também por motivos de «mensagem», ideológicos, políticos (isto é, por ser um filme mais à direita do que a «tolerante» Hollywood tolera), mas esta mais previsível, foi a de «2016 - A América de Obama», que foi «apenas» o documentário que mais dinheiro fez nas bilheteiras no ano passado; Ou seja: falácias filmadas como «Uma Verdade Inconveniente» e «Fahrenheit 9/11» terão sempre mais hipóteses de serem seleccionadas e galardoadas.
Quanto ao espectáculo propriamente dito, e apesar das aparentes mudanças, novidades e variações introduzidas todos os anos, acabou por ser a «treta» do costume, uma «seca» monumental. Que não terá sido inteiramente compensada pelo apresentador, Seth MacFarlane, que se excedeu em piadas misóginas – um esquerdista é (quase) sempre um sexista - e atingiu um ponto baixo com outra sobre Abraham Lincoln. Em poucas palavras, imaturidade e mau gosto, que foram do desagrado, imagine-se, até de Debbie Wasserman-Schultz! Porém, o ponto mais baixo da noite, o momento mesmo mau, acabou por ser a aparição de Michelle Obama em directo de Washington, para anunciar o último Óscar da noite, para melhor filme, atribuído a «Argo» - sem dúvida o favorito da Casa Branca, pois John Kerry já havia desejado boa sorte a Ben Affleck. Até os jornalistas do entretenimento estacionados na Califórnia, que mais liberais não podem ser, mostraram desagrado face a este excesso (mais um) de cumplicidade entre a «primeira família» e as gentes do cinema, entre a política («progressista») e o entretenimento. Soube-se depois que tinha sido Harvey Weinstein, grande apoiante de Barack Obama (e mais um judeu que não se incomoda com a atitude demasiado permissiva da actual administração em relação ao Islão), a organizar esta manobra, provavelmente também como forma de promover o filme de que é produtor («Guia Para um Final Feliz»), e na qual terá contado com a colaboração da operativa democrata – e mentirosa impenitente – Stephanie Cutter.
«Zero Escuridão Trinta», ao início um favorito ao triunfo final, acabou por ser prejudicado pela «acusação» – o «horror»! – de que dá a entender que as técnicas de interrogatório reforçado (waterboarding) podem ter ajudado a localizar e a eliminar Osama Bin Laden; e nem pensar em elogiar, em valorizar, mesmo que indirecta e remotamente, George W. Bush, logo… nada feito, ou quase – só um Óscar, na categoria de edição de som. Mas entre tanta decepção sob as luzes e as câmaras, um aspecto positivo: nem Steven Spielberg nem Tony Kushner ganharam uma estatueta dourada enquanto, respectivamente, realizador e argumentista de «Lincoln» - este proporcionou, contudo, prémios a Daniel Day-Lewis (melhor actor) e a Jim Erickson e a Rick Carter (desenho de produção). E porquê? Porque apoiantes de um partido racista não merecem fazer um filme sobre o homem que aboliu a escravatura nos EUA, quanto mais serem distinguidos por ele. Kushner, em especial, pelo que é, pelo que pensa e pelo que diz, mostrou ser uma pessoa particularmente desprezível e indigna de respeito. E incompetente: a película mostra os então representantes do Connecticut a votarem contra a 13ª Emenda, o que na realidade não aconteceu. Já se sabe, e já se espera, que Hollywood tome algumas liberdades com a História… mas convém não abusar e não exagerar.