domingo, 7 de outubro de 2012

Reescrever a História

«Normalmente», os revisionistas procedem à adulteração dos factos anos após aqueles terem ocorrido… Porém, nos Estados Unidos da América, desde que Barack Obama é presidente, e especialmente neste ano de eleições, as tentativas de reescrever a História têm-se sucedido a um ritmo mensal, semanal, diário, ou mesmo mais rápido… quase hora a hora ou ao minuto! 
Dois exemplos entre muitos: o programa do Partido Republicano «parece ser de 1812» (o GOP foi fundado em 1854); e a recente convenção daquele parecia ser do tempo «da televisão a preto e branco» (dificilmente um defeito, pois os EUA eram mais fortes económica e militarmente quando não havia outras cores nos pequenos ecrãs.) Isto para não falar das «confusões» clássicas sobre qual dos partidos, sempre, ainda hoje, racista, é que tem um passado de escravatura e de segregação... É a dualidade de critérios e a hipocrisia levadas ao extremo, às últimas consequências. Mais do que isso, os democratas procuram – e muitas vezes conseguem – alterar as características do «jogo» à medida dos seus interesses, necessidades e objectivos. Não é tão «bom» ser uma «criança grande», ser imaturo e irresponsável, querer «jogar» tentando adaptar continuamente as «regras» às conveniências próprias e momentâneas, fazer desaparecer, como se não existisse, aquilo que não é agradável? 
Pôde-se assistir precisamente, e novamente, a tal triste «espectáculo» logo no dia seguinte ao do primeiro debate presidencial. Barack Obama disse que o «verdadeiro» Mitt Romney não é aquele que esteve em Denver… e que lhe foi totalmente superior, a ponto de se pensar se estaria a «debater» com uma... cadeira vazia; é, pois, de supor que será aquele que aparece nos anúncios do PD como sendo um homem cruel, ganancioso, mentiroso e até criminoso… Mais: o Sr. Hussein - que, ele sim, mentiu na véspera - disse também que o seu opositor deve ser responsabilizado - «held accountable» - pelas suas… decisões (?!) e pelo que tem andado a dizer no último ano. Mas então… o ex-governador do Massachusetts é que é o presidente?! Na verdade, e pensando bem, atendendo à atitude e ao comportamento de cada um, o candidato republicano – mais competente, mais experiente, mais sensato, mais… adulto – é que parece ser o incumbente.
Estará mesmo o Mundo – ou, pelo menos, os EUA - «ao contrário», virado do avesso? Num certo sentido, Ben Shapiro tem razão: ao contrário do que se andou a gritar na convenção nacional democrata em Charlotte, Osama Bin Laden está «vivo» e a General Motors está «morta». São os símbolos do fracasso desta presidência, no plano externo e no plano interno: extremistas islâmicos tão ou mais activos e perigosos do que antes; e uma (grande) empresa norte-americana dependente do apoio governamental, refém dos sindicatos, (ainda) em risco de falência e que não se reestrutura nem se moderniza. Que interessa se a nação está enfraquecida, dentro e fora das suas fronteiras? O «importante», segundo Touré Neblett, é que ela «prove», mais uma vez, que não é racista… reelegendo BHO. É a repudiação total de Martin Luther King: a cor da pele sobrepõe-se ao conteúdo do carácter.
O tempo é outro conceito que, consoante se seja «azul» ou «encarnado», «burro» ou «elefante», é muito… relativo. É perfeitamente «admissível» falar de Mitt Romney quando, n(o início d)a década de 60, ele era um adolescente no liceu – e, supostamente, um bully – ou quando, n(o início d)a década de 80, já pai de família, «maltratou» um animal colocando-o no tejadilho do carro – mas não o comeu, ao contrário de uma certa pessoa… No entanto, nem pensar em ir ao passado recente de Barack Obama. Como em 2007 (já candidato à presidência!), quando elogiou Jeremiah Wright (que depois renegaria e tentaria subornar para se calar), acicatou a conflitualidade racial, e mentiu sobre a ajuda dada às áreas e às populações afectadas pelo furacão Katrina. Como em 2002, quando recorreu à «luta de classes» falando de «ricos» e de «não-violência». Como em 1998, quando afirmou que «acredito na redistribuição de riqueza».
E quanto aos números… tanto que haveria para dizer (outra vez). Por agora, fiquemo-nos pela taxa de desemprego recentemente divulgada: 7,8%. Credível? Não. E nem é por uma suspeita de que a administração tenha feito uma adulteração dos dados – embora, considerando o «cadastro» dos democratas em ética e em legalidade, tal não constituiria uma surpresa. Muito simplesmente, não são tidos em conta os que desistiram de trabalhar, pelo que a taxa efectiva é sem dúvida superior a 10%, talvez até 15%. E mesmo entre os que trabalham as situações, e as perspectivas, são muito variáveis: nem todos têm um emprego com o ordenado, benefícios e «ajudas de custo» como o do actual presidente – os gastos da Casa Branca ascenderam, no último ano, ao valor recorde de 1,4 biliões de dólares! Eis outro número para ficar na História deste mandato... cujo relato final e definitivo não ficará escrito e concluído assim tão cedo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

«Obamadorismos» (Parte 3)

(Uma adenda - sobre o primeiro debate - no final deste texto.)
Barack Obama por vezes (várias) faz (e diz) «coisas estúpidas (boneheaded things), erros». Foi ele próprio que o disse! E tem razão: muitas têm sido as idiotices desde que é presidente dos EUA, e que demonstram à saciedade o seu amadorismo, a sua incompetência, quando não a sua leviandade, cinismo e até maldade. 
Algumas, à primeira, dão mesmo vontade de rir, embora à segunda se tornem algo assustadoras pelo que podem indiciar quanto às (in)capacidades do «comandante-em-chefe». Por exemplo(s), falar dos produtos que ostentam «três orgulhosas palavrasMade in the USA» (Joe Biden já falara da «palavra de três letras… jobs»). Ou acrescentar um «s» ao nome da equipa de basquetebol campeã da NBA. Ou sair de um restaurante sem pagar a conta, literalmente, depois de acusar George W. Bush de o ter feito figuradamente. Ou mostrar que não sabe utilizar um iPhone. Ou chamar «Jack Ryan» a Paul Ryan. Ou referir-se aos «para-legais» quando queria dizer «paramédicos». Ou confessar que, em encontros internacionais, é mais provável que esteja a fazer desenhos do que a tirar notas. Ou admitir que não sabe se é legal o fabrico de cerveja na Casa Branca – incrível «ignorância» por parte de alguém que, não só é presidente, mas também licenciado em Direito… e por Harvard! Ou estar «disponível» para, além de «lavar os carros» dos republicanos, «passear os cães» daqueles… o que não é muito aconselhável porque haveria o risco de comê-los!
Pergunto a quem está a ler se tinha conhecimento destas – e de outras anteriores - (verdadeiras) gaffes, e se tal aconteceu através da comunicação social portuguesa, televisiva, radiofónica ou impressa. A resposta a ambas as perguntas será, quase de certeza, «não». Certos «jornalistas» nacionais preferem falar de – falsas – gaffes de Mitt Romney, como a de «abrir janelas de aviões». E também não é através deles que igualmente se fica a saber das mais recentes, verdadeiras, muito mais graves, e sem graça alguma, de Barack Obama. A recente crise no Médio Oriente resultante dos ataques a embaixadas norte-americanas demonstrou, como se tal fosse necessário, até que ponto o Nº44 é irresponsável, tal como a sua administração.
O Sr. Hussein tem em si «alguma preguiça». Foi ele próprio que o disse! Pelo que não se deve considerar incorrecto, injusto, e muito menos «racista», o slogan «Obama não está a trabalhar» lançado pela campanha de Mitt Romney. Slogan esse que se aplica não só na política interna, na situação económica, cujos principais indicadores apresentam valores piores do que os de há quatro anos – um dos quais é o da (descomunal) dívida pública, que não constitui, para o presidente, algo com que se deva ter preocupação «no curto prazo». Também na política externa e de segurança ele não está a trabalhar como deve ser, e até se tem revelado algo… absentista: ao longo da sua presidência faltou a mais de metade dos intelligence briefings diários, com especial enfoque nos que foram realizados na semana anterior a 11 de Setembro último. O que ajuda a explicar as respostas desastrosas dadas tanto pela Casa Branca como pelo Departamento de Estado: o governo democrata já não consegue esconder que ignorou avisos quanto à eventualidade de acções terroristas planeadas, e que não tomou as medidas necessárias para assegurar, e mesmo reforçar, a segurança de instalações diplomáticas em países muçulmanos, em especial no Egipto e na Líbia.     
Ao descuido, ao desleixo, à negligência, sucederam-se as «desculpas esfarrapadas» e de «mau pagador», as justificações contraditórias, as declarações escandalosas. Para quem pensava que já era suficientemente mau – e vergonhoso – continuar a apontar um «filme no YouTube» - até na ONU! – como o culpado pela violência de há quase um mês no Médio Oriente (pondo em causa, ao mesmo tempo, a Primeira Emenda da Constituição, isto é, a liberdade de expressão), só pode ter sido revoltante ouvir Barack Obama: a dizer que os protestos de fanáticos – que causa(ra)m prejuízos e até perdas de vidas – são «naturais»; a reduzir, na práctica, a morte de quatro norte-americanos – incluindo um embaixador – a meros «saltos na estrada»; a pedir aos muçulmanos ajuda, «cooperação total», na protecção dos cidadãos dos EUA – tendo em conta a «amostra» recente, tal é «sem dúvida» uma expectativa «razoável»… A trapalhada já chegou a um tal ponto que nem todos os democratas vão na conversa, e exigem explicações; e BHO chega ao cúmulo de ser corrigido por membros do seu gabinete – seus subordinados! – na questão de saber se o Egipto ainda é, ou não, um aliado. Compreende-se agora muito melhor porque é que é «perigoso» ele afastar-se do teleponto e porque é que ele costuma «reciclar» os discursos para «consumo interno», e repetir a mesma «frase de circunstância» quando se encontra com líderes estrangeiros.
Apesar de algumas (poucas) excepções na lamestream media que mais não fazem do que confirmar a regra, os erros de Barack Obama e dos seus camaradas não têm o destaque que, normalmente, se justificariam. Na CBS até se omite uma passagem de uma entrevista em que ele admite que a sua campanha… cometeu erros – sim, pode-se inclusive listar os 10 maiores. Porém, ninguém comete erros piores do que o próprio Sr. Hussein. Alguns, no entanto, até são… positivos, surpreendentes, bem-vindos: a sua – espantosa! – admissão de que não se consegue – ele não conseguiu! - «mudar Washington por dentro» significou, pura e simplesmente, a confissão do falhanço de toda a sua presidência. O «yes, we can» transformou-se em «no, we can’t» ou «no, I couldn’t»! Assim sendo, pode-se concluir que ele não vai levar a mal, compreenderá, e até concordará, se perder a 6 de Novembro.
(Adenda – Só os que têm vivido numa «realidade alternativa» nos últimos quatro anos, ou, o que vai dar no mesmo, os que acreditam no que os esquerdistas nos media espalham… e não lêem o Obamatório, é que ficaram surpreendidos com o desfecho do primeiro debate presidencial. Mitt Romney não se limitou a vencer Barack Obama… «arrasou» com ele!  Conhecendo os muitos «(ob)amadorismos» em que ele tem sido prolífico, como os dados no texto anterior a esta adenda e não só, e sabendo que ele nunca havia enfrentado um adversário - mais, um interlocutor - tão competente, experiente e motivado como o ex-governador do Massachusetts, quem é que honestamente acreditaria que o Sr. Hussein «sairia por cima»? Enfim, um momento memorável, esclarecedor… e talvez decisivo. Entretanto, podemos divertir-nos com as reacções – de desespero, (in)conformismo, incredulidade, e mesmo histeria – de Al «a culpa foi da altitude» GoreAndrew Sullivan, Bill Maher, Chris «temos as nossas facas» Matthews, Ed Schultz, James Carville, Michael Moore)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

«Vão se f*d*r!» ;-)

Na língua inglesa existem poucas palavras mais… evocativas do que «fuck». Esta, e todas as expressões que dela derivam, como «fuck off», «fuck yourself» e «motherfucker», entre outras, são uma garantia de polémica se forem utilizadas. Nos EUA são frequentemente ouvidas, e lidas, nas artes e no entretenimento, mesmo que tal implique críticas e penalizações – mas, enfim, para alguém que queira ser «edgy», ousado, «prafrentex», é «de rigor» proferi-las.
Por exemplo, Bill Maher e Jon Stewart, assumidos e conhecidos apoiantes dos democratas e de Barack Obama, (ab)usam muito – talvez até demais… – (d)a palavra «fuck» (e d)e todas as suas variantes, em especial contra adversários ideológicos. E Madonna, outra apoiante do Sr. Hussein, que, num recente concerto em Washington, apelou aos espectadores e admiradores para votarem no «fucking Obama», o «muçulmano negro na Casa Branca» que «está a lutar pelos direitos dos gays» (?!). Será que uma senilidade precoce está a afectar a «material girl»?
Porém, o caso muda de figura quando são os próprios políticos a utilizar, directa e/ou indirectamente (eles próprios e/ou os seus apoiantes e ajudantes), mas sempre deliberadamente, a palavra «f*d*r». Na campanha eleitoral para a reeleição do actual presidente, e na actividade da actual administração, tal tem acontecido com alguma frequência.
Para começar, recorde-se a expressão dita por Joe Biden a Barack Obama quando o Affordable Care Act, ou «ObamaCare», foi aprovado: «this is a big fucking deal»; pois bem, este ano uma camisa com as palavras «Health reform is still a BFD» foi posta à venda pela organização de candidatura do presidente e re-candidato… «Excelente» propaganda, sem dúvida! E pode-se continuar com um espectáculo de angariação de fundos para Obama, em que este esteve presente, e em que Cee Lo Green cantou a sua canção «Fuck You» - aproveitando também para fazer o «tal sinal» com o dedo do meio. E há o anúncio televisivo protagonizado por Samuel L. Jackson em que este declara «wake the fuck up, vote for Obama» - convém recordar que aquele actor afirmou que votou em BHO porque ele (também) é negro… E para terminar (por agora), nada melhor do que revelar o que escreveu Philippe Reines, porta-voz de Hillary Clinton, ao jornalista Michael Hastings, após este ter questionado repetidamente o Departamento de Estado sobre o ataque terrorista na Líbia, que vitimou o embaixador dos EUA e outros três norte-americanos: «Fuck off».
Depois disto tudo, parece-nos que o melhor que os democratas têm a fazer é meterem-se em aviões (ou em navios), atravessarem o Atlântico em direcção à Europa, aterrarem em Viena e dirigirem-se a uma pequena cidade chamada Fucking, onde sem dúvida se sentirão completamente à vontade. E Barack Obama poderá então aproveitar a oportunidade para aperfeiçoar o seu domínio da «língua austríaca».
(Adenda - Como referi, Bill Maher e Jon Stewart nunca «desiludem»...)

domingo, 23 de setembro de 2012

«Silly Season» (Parte 3)

(Duas adendas no final deste texto.)
O Verão terminou na semana passada, e, mais uma vez, aqui no Obamatório destaca-se alguns dos acontecimentos mais hilariantemente deprimentes da estação estival nos EUA… que, por um motivo ou por outro, não foram referidos em textos anteriores. Porque, deve-se novamente lembrar, a parvoíce na política norte-americana não acontece apenas quando o clima está mais quente e o calor aperta…
… E pode-se começar pelo – ou regressar ao – maior evento humorístico da temporada: a convenção nacional do Partido Democrata. Onde, para rir, não houve só a «trapalhada» da «reinserção de Deus e de Jerusalém» na plataforma do PD. Mencione-se a utilização de botões de lapela, por mulheres (feministas contra a «guerra às mulheres», sem dúvida), dizendo «Sluts Vote» («galdérias votam»), ou a existência de uma cabina onde se podia «abraçar um rufia sindical». O «respeito», a «simpatia», a «tolerância» dos «burros» para com os «elefantes» também ficaram demonstradas. E como não soltar uma boa gargalhada com a revelação de que os navios e os aviões militares cujas imagens foram mostradas como cenário eram, não norte-americanos, mas sim, respectivamente, russos e turcos? Já uma «anedota» sem muita graça foi o encerramento, por imperativos de segurança e de circulação, de um centro de tratamento de cancro por causa da convenção. E ainda se atrevem a acusar Mitt Romney de ter morto uma mulher?!
Nas últimas semanas também se pôde assistir, com um sorriso, a algumas contradições… curiosas. Como, por exemplo, o protesto, junto da Organização Mundial de Comércio, contra a China por este país dar apoios estatais à sua indústria automóvel… por um governo que não quer desfazer-se da sua participação accionista na General Motors, que entretanto se desvalorizou, significando mais um prejuízo para as finanças públicas - aliás, o bailout correu «tão bem» na GM que BHO quer repetir o processo em todas as indústrias! Ou as ameaças, através do Departamento de Justiça, a mais de 50 estabelecimentos – legais – de venda de marijuana do Colorado, por parte de uma administração liderada por alguém que, quando mais novo, usou drogas (erva e cocaína) frequentemente.
Continuando no tema «lei e ordem», merece uma referência (e um riso abafado) a revelação recente – que confirma o que já se suspeitava – de irregularidades graves na eleição em 2008, no Minnesota, de Al Franken (democrata) para o Senado, em detrimento de Norm Coleman (republicano), por uma diferença final de 312 votos; o «problema» é que se descobriu igualmente que votaram mais de mil presidiários daquele Estado, o que é (supostamente) ilegal! Franken não só não foi preso como continua no seu cargo, tal como Kathleen Sebelius, que fez campanha eleitoral a favor de Barack Obama enquanto secretária (ministra) da Saúde e Serviços Humanos. Quem já está mesmo preso e a aguardar julgamento, acusado de corrupção e de extorsão, é Tony Mack, ex-mayor da cidade de Trenton, em Nova Jersey. Quem já foi julgado e condenado, mas ainda não está preso, é Don Siegelman, ex-governador do Alabama, que foi a Charlotte à procura de um perdão presidencial. A que partido pertencem eles? Mas… é mesmo necessário fazer (e responder a) essa pergunta?
A terminar, aquele que, mesmo sem uma audiência alargada, poderá ter sido o maior «sketch de comédia» dos últimos tempos em Washington: depois de uma troca de palavras algo desagradável, David Axelrod e Eric Holder terão quase andado à pancada um com o outro! Uma «batalha dos bigodes»! Quando ambos deixarem a Casa Branca, poderão, quem sabe, iniciar uma nova e fulgurante carreira no wrestling!
(Adenda – Ironicamente, é no início do Outono, e, logo, ainda com alguns «ecos» do Verão, que a mais «silly» desta «season» ocorreu… a alegada (mais uma…) gaffe de Mitt Romney em que este terá dado a entender que deveria ser possível abrir as janelas dos aviões… Obviamente, foi uma piada, mesmo que mal metida e contada. Alguém com um mínimo de inteligência e de sensatez («o Sr.» Rachel Maddow não tem nem uma nem outra) acreditaria por um instante que um homem com duas licenciaturas por Harvard, empresário de sucesso, organizador de Jogos Olímpicos, governador de um Estado e «frequent flyer» pudesse dizer aquilo a sério? Porém, houve quem acreditasse, em Portugal e não só… o que, infelizmente, é «normal», dados os muitos anos de desinformação, de propaganda, de mentira que «transforma(ra)m» todos os republicanos, conservadores, norte-americanos em estúpidos, ignorantes, preconceituosos… Há quem, com tanta pressa em ser «engraçado» (até se pede a opinião de uma professora de Física!), não consiga, nem queira, esperar, parar para pensar… Deveriam ter vergonha, e pedir desculpa. Mas duvido que alguma vez tenham, e que peçam.)
(Segunda adenda - Mais uma «piada» envolvendo Mitt Romney que muitos dos «suspeitos do costume» levaram a sério. Não aprendem...)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O partido dos Pinóquios

(Uma adenda no final deste texto.)
Até parece mentira… que o Partido Democrata e a candidatura de Barack Obama continuem a inventar mentira após mentira sobre o Partido Republicano e a candidatura de Mitt Romney de modo a (tentar) distrair do fracasso da sua governação – depois da «guerra às mulheres», das declarações de impostos, das contas na Suíça, dos empregos enviados para o estrangeiro, da mulher que morreu de cancro, agora a alegação é de que Romney e Paul Ryan pura e simplesmente… mentem. Mas não é verdade.
Um conselho aos mais inexperientes e ingénuos: desconfiem sempre que um democrata insiste que um republicano mente. Os factos demonstram que, quase sempre, não só o republicano não mente como é o democrata que está a tentar dissimular uma verdadeira (e maior) mentira. O mesmo se aplica aos «idiotas úteis» que infestam o Huffington Post, o New York Times – em geral e as suas páginas de opinião em particular – e a Rolling Stone (que melhor faria em se limitar ao entretenimento), autênticos operativos camuflados (ou nem tanto) do PD; e também aos ditos «fact-checkers», que – eu sei que isto chocará algumas «almas sensíveis» – não são impolutos e isentos, esterilizados, divinos «donos da verdade» mas sim também… autênticos operativos camuflados (ou nem tanto) do PD. Dar credibilidade tanto a uns como a outros... é ridículo.
Para começar, Neil Newhouse, elemento da equipa de Mitt Romney, não disse, obviamente, que «os factos não iriam ditar a mensagem da campanha» dos republicanos; ele referiu-se, sim, aos «fact-checkers». E Paul Ryan não mentiu, obviamente, durante o seu discurso da convenção republicana – o «problema» é que quando são confrontados com factos ditos de forma apelativa por um opositor credível, como é o caso do representante do Wisconsin candidato a vice-presidente, os «burros» fazem «birras», queixam-se de «discurso de ódio» e de «mentiras», embora estas, habitualmente, não sejam mais do que «verdades de que os democratas não gostam». E só mesmo os estúpidos e os mal-intencionados é que podem dar grande importância ao engano de Ryan quanto ao tempo que fez quando correu uma maratona há 20 anos, um assunto «sem dúvida» muito mais importante do que as autênticas mentiras proferidas – e preferidas – pelos (dos) democratas, entre as quais a maior sem dúvida é…
… Que os Estados Unidos da América estão hoje melhores do que há quatro anos. É uma ideia tão idiota que está para além de qualquer diferença de opinião: factos são factos, e os números não mentem. Porém, «obedientes» como são, contrariando as evidências e expondo-se às gargalhadas, Martin O’Malley (que se «descuidara» antes), «Dumb» Debbie Wasserman-Schultz e Stephanie Cutter lá repetiram a «profissão de fé». Mas estas duas meninas merecem uma menção especial por se terem revelado autênticas «Pinóquias» capazes das mais despudoradas «pinocadas» sobre a verdade. Cutter, com um descaramento e uma descontracção característicos de uma profissional já muito batida e rodada, afirmara antes que os republicanos «pensam que mentir é uma virtude» - quando ela, sim, é que mentiu quando disse não conhecer o homem que acusara Mitt Romney da morte da esposa por cancro nem saber da sua «história» antes da transmissão daquele anúncio indecoroso. Schultz, por sua vez, viu-se em apuros ainda maiores quando fez declarações – de que há gravação – garantindo que o Embaixador de Israel nos EUA teria criticado o Partido Republicano, algo que aquele diplomata prontamente desmentiu, e ainda acusou um jornalista de ter deturpado as suas palavras.
O Partido Democrata mente sobre a sua própria história. Rotinado nas patranhas e nos plágios, é um partido de Pinóquios, e eles não faltaram na convenção em Charlotte. «Ó avozinha, porque tens um nariz tão grande? É porque menti melhor, minha netinha…» Michelle Obama mentiu no seu discurso. Bill Clinton mentiu no seu discurso – e o «entusiasmo» com que «apoiou» Obama consistiu apenas num (grande) esforço para depois não ser acusado da derrota do Nº 44, além de querer apagar a má impressão (mais uma) resultante da sua desconsideração (mais uma) de ter dito que BHO, noutros tempos, não faria mais do que «carregar-lhe as malas». E o presidente, evidentemente, mentiu no seu discurso, embora para ele e para os seus cúmplices faltar à verdade não seja algo de anormal. Aliás, o próprio local do discurso representou uma mentira: não foi (a previsão de) um clima adverso que impediu que aquele ocorresse no Bank of America Stadium, mas sim o receio – justificado – de não conseguirem ocupar todos os 75 mil lugares, apesar de ainda terem tentado oferecer bilhetes!
Porém, a mentira mais grave da convenção democrata acabou por ser a resultante da «trapalhada» da (tentativa) de reinserção na plataforma (programa do partido) de referências a Deus e a Jerusalém como capital de Israel, que haviam sido retiradas com a concordância de Barack Obama. Um «espectáculo» (degradante e deprimente) para mais tarde recordar, devido principalmente às vaias com que a proposta foi recebida por uma grande parte dos delegados, mas também por causa do próprio modo displicente com que foi «aprovada», à terceira, sem verdadeira contagem (nem sequer houve braços no ar à maneira comunista): o que contou foi a comparação da «potências sonoras» dos «sins» e dos «nãos»… practicamente idênticas! Pelo que, constrangido e embaraçado, Antonio Villaraigosa disse «que na opinião do chairman (ele) a proposta foi aprovada.» Um resultado por opinião! Aliás, o resultado, o texto, já estava no teleponto que o mayor de Los Angeles leu… Não há qualquer dúvida de que não foram registados os dois terços necessários para fazer a alteração. Mais uma vez, os democratas não quiseram saber de cumprir as regras… nem mesmo as deles! O que não é de admirar: num partido que é contra a apresentação de um cartão de identificação com fotografia nas eleições e em que tantos são a favor de que imigrantes ilegais votem, o que aconteceu na Time Warner Arena não tem muita importância…
Após a convenção, as mentiras continuaram sob a forma de sondagens que davam a Barack Obama um «salto», um aumento da vantagem sobre Mitt Romney – sem qualquer credibilidade porque, habitualmente, as amostras da ABC, CBS, NBC e CNN contêm mais democratas do que republicanos. Nem a Gallup é agora inteiramente confiável, depois de ter sido – no que constituiu um autêntico acto de represália – alvo de um processo em tribunal pelo Departamento de Justiça na sequência de ter realizado e divulgado outra sondagem não propriamente favorável à actual administração…
(Adenda - Barack Obama, o «Pinóquio-Chefe», continua a dizer mentiras descaradamente, com quantos dentes tem na boca... a mais recente é a de que a operação «Fast & Furious» começou na presidência anterior. Quatro anos depois, o principal «argumento» democrata continua a ser «blame Bush»! Sim, continuem a criticar Mitt Romney e a sua campanha, continuem... porque «não há» assuntos mais importantes neste momento!)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A pior das escumalhas

(Sete adendas no final deste texto.)
11 anos depois do 11 de Setembro… Lenta, mas sólida e seguramente, tem sido feita a reconstrução dos espaços atingidos pelos atentados de 2001. Em Washington a do Pentágono foi concluída em 2008 com a inauguração de um memorial. Outro, o de homenagem aos passageiros e tripulação do United 93, foi aberto há um ano na Pensilvânia. Em Nova Iorque a reconstrução do World Trade Center continua, e em Maio último o principal edifício do novo complexo tornou-se, apesar de ainda inacabado, o mais alto da cidade, superando novamente o Empire State Building.
Porém, pode-se repor os objectos mas não as pessoas que se perderam. A mágoa mantém-se, mesmo que mitigada pelo passar do tempo. E se o sofrimento de sobreviventes e de familiares das vítimas já é elevado o suficiente pela constante evocação daquele dia e do que então aconteceu, é agravado de cada vez que os «truthers» – adeptos da teoria d(e um)a conspiração – se fazem ouvir. Invariavelmente, todas estas anedotas asquerosas são «inclinadas» à esquerda, «progressistas», (próximas dos) democratas. Há os «truthers» (mais ou menos) famosos, com destaque para «estrelas» do entretenimento; há os políticos como Rabbi Alam (muçulmano apesar do nome), apoiante de Barack Obama e que já visitou a Casa Branca. E há os anónimos, ou quase, sempre à procura dos seus 15 minutos (ou segundos) de fama, cidadãos comuns… excepto no que se refere às suas obsessões – como aquele que apareceu em meados de Agosto em Wisconsin para protestar contra Mitt Romney e Paul Ryan, e que não duvida de que George W. Bush liderou um «inside job» no 9/11; alguns (candidatos a) «spin doctors» tugas, adeptos da «meia bola e força», que falam da «raiva anti-Obama» republicana (sem dar exemplos), deveriam ouvir este espécimen dizer que «adoramos republicanos mortos»…
… E depois de verem, como eu vi – «grande momento» da televisão portuguesa – no passado dia 22 de Agosto, na TVI24 (um canal que, não há dúvida, pugna pela «credibilidade»), numa emissão do programa «Observatório do Mundo», um «documentário» do «colectivo» conhecido como «Loose Change», que elevou a paranóia a novos patamares de «sofisticação» e chegou ao cúmulo de apontar Prescott Bush – pai de George H. e avô de George W. – como um «pioneiro» de modernas e maquiavélicas conspirações. Pelos vistos, o «mal» é de família e vem de trás… No entanto, os «truthers» costumam «esquecer-se» de um «pequeno», «insignificante» pormenor… é que terroristas islâmicos já tinham tentado destruir o World Trade Center em 1993, detonando um veículo cheio de explosivos no parque de estacionamento subterrâneo de uma das torres. O «cérebro» dessa operação foi o mesmo da de oito anos depois: Khalid Sheik Mohammed. Porque é que não surgiram «teorias alternativas» dessa vez? Será porque, então, o presidente era o democrata Bill Clinton? Agora, o seu «sucessor» decidiu assinalar a data: quebrando (mais) uma promessa, a de não fazer campanha eleitoral hoje; e enviando uma mensagem de saudação ao... Fórum Árabe de Recuperação de Activos (!) Um comportamento que não espanta em alguém que chegou a apoiar publicamente a construção de uma mesquita perto do «Ground Zero» de Nova Iorque.
Os «truthers» estão entre a pior das escumalhas, e bem perto deles estão os que consideram a invasão do Iraque um «crime de guerra» pelo qual GWB e Tony Blair (e José Maria Aznar e Durão Barroso?) deveriam ser julgados no Tribunal Internacional de Haia. Porquê? Porque hoje naquele país «não» existe uma democracia minimamente digna desse nome e sem as regressões sociais que se estão a verificar, por exemplo, no Egipto e na Tunísia após a «Primavera Árabe»? Porque Saddam Hussein «não» era um ditador sanguinário, responsável material e moral por cerca de um milhão de mortes? Porque ele «não» invadiu o Irão e o Kuwait? Porque «não» acolheu terroristas? Porque «não» desrespeitou várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU? Porque «não» tinha, «não» utilizara contra os curdos, e «não» planeava utilizar novamente, armas de destruição maciça? Aliás, de tal forma essas armas «não» existiram que, numa breve notícia divulgada discretamente no final de Julho último, se revela que elas afinal… ainda existem: a Grã-Bretanha vai auxiliar o Iraque a eliminar o que resta do arsenal químico do «carniceiro (e ladrão) de Bagdad»; o mais curioso está no título – fala-se em «resíduos»… que ocupam «apenas» o espaço de dois bunkers!  
Venham os do costume dizer que os americanos (republicanos) mentiram por causa do petróleo… Decididamente, já não há paciência, já não há pachorra, para esta gentalha, «parentes», por sua vez, dos que negam o Holocausto – e que, aliás, certamente têm em Mahmoud Ahmadinejad um ídolo, já que o presidente do Irão é um autêntico «três em um» em termos de teorias da conspiração. Não é preciso, nem vale a pena, mandá-los à m*rd*… porque eles já são m*rd*.
(Adenda – Nada «melhor» para assinalar o 11 de Setembro, e para confirmar o «sucesso» da política externa de Barack Obama, do que ataques de muçulmanos a representações diplomáticas norte-americanas no Egipto e na Líbia, tendo neste país morrido o respectivo embaixador e outras três pessoas. Não era suposto que eles deixassem de odiar os EUA depois da eleição do Sr. Hussein e de este ter pedido desculpa por «erros passados» e apoiado os derrubes de Hosni Mubarak e de Muhammar Khadaffi? As primeiras reacções da actual administração foram previsíveis: cobardes, contraditórias e vergonhosas. Previsivelmente, histéricos «jornalistas» da treta optararam por dar maior destaque às declarações de Mitt Romney do que à impotência e à incompetência (houve avisos que foram ignorados) do presidente. Este, entretanto, não encontra espaço na sua agenda para se encontrar em Nova Iorque com o primeiro-ministro de Israel… mas encontra-o para visitar David Letterman e também Beyonce. Alguém falou em 1979 e no  assalto à embaixada de Teerão com tomada de reféns? Jimmy Carter perdeu o Irão e Obama - ele próprio o reconhece - perdeu o Egipto. Sinceramente, como é possível que (em Portugal e não só) ainda exista gente com descaramento para defender os democratas e a sua permanência na Casa Branca por mais quatro anos?)
(Segunda adenda – «O que estamos a ver no ecrã é o derretimento, o colapso da política de Obama no mundo muçulmano. A ironia é que começou no Cairo, no mesmo local onde ele fez um discurso no início da sua presidência, e em que ele disse que queria um novo começo com respeito mútuo, dando a entender que sob outros presidentes, particularmente (George W.) Bush, havia uma falta de respeito mútuo. O que foi um insulto aos Estados Unidos, que foram à guerra seis vezes nos últimos 20 anos a favor de muçulmanos oprimidos, no Kuwait, no Kosovo, Bósnia, Iraque, Afeganistão, e outros lugares.» Charles Krauthammer)
(Terceira adenda - Eis os EUA na era pós-Obama... «autoridades federais» procuram, localizam e revelam a identidade dos autores do filme que, supostamente, «ofendeu» os muçulmanos; a Casa Branca, cedendo aos chantagistas islamitas, pede ao YouTube que aquele seja removido. Ainda estamos no Verão, pelo que as «Boas Férias com Alá» continuam. Já se nota a «flexibilidade», e não apenas perante Vladimir Putin.)
(Quarta adenda - «Hillary Clinton, defensora da infidelidade e dos assassinos de infiéis», Jeannie DeAngelis. Aliás, depois de receber os caixões com os americanos mortos na Líbia, a secretária de Estado celebrou o fim do Ramadão com o embaixador daquele país.)
(Quinta adenda - John Nolte, brilhantemente irónico, aqui e aqui.)
(Sexta adenda - John Kerry, em 2004, e o próprio Barack Obama, em 2008, acusaram, em plena campanha eleitoral, George W. Bush aquando das mortes de norte-americanos em ataques de muçulmanos. Quem agora critica Mitt Romney mas se recusa - mesmo retroactivamente - a criticar Kerry e Obama não tem um mínimo de credibilidade.)
(Sétima adenda - A actriz Kerry Washington, ao discursar na convenção democrata, alertou contra as «pessoas» que querem «tentar tirar os nossos (das mulheres) direitos, de voto, de escolha, de educação de qualidade, de pagamento igual, de acesso à saúde...» Sim, ela tinha, e tem, razão: essas pessoas são os muçulmanos fanáticos que querem impôr a Sharia. De «certeza» que ela não se estava a referir aos republicanos... isso seria muito, muito estúpido.)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

George R. R. Martin é um idiota

Sou um firme defensor da ideia de que se pode e deve admirar um(a) artista mesmo que se desgoste ou até despreze (d)o cidadão, (d)o homem (ou cidadã e mulher) que habita o mesmo corpo; que se pode e deve apreciar, desfrutar, preferir uma obra, o resultado da imaginação e do trabalho mesmo que se abomine as afirmações e/ou as acções em outros âmbitos do indivíduo que criou aquela. Exemplos? José Saramago apesar do seu comunismo e iberismo. Louis-Ferdinand Céline apesar do seu anti-semitismo. Ezra Pound apesar do seu fascismo.
Vem isto a propósito de outro caso no mesmo género, não obstante ser menos grave. Mas não deixa de ser decepcionante, e há que afirmá-lo claramente, inequivocamente, «branco no preto»: George R. R. Martin é um idiota. E bem grande, por sinal. O autor de «A Game of Thrones» («Um Jogo de Tronos», mas que em Portugal recebeu o título «A Guerra dos Tronos» - sim, concordo, há traduções piores…), um dos grandes nomes da FC & F actuais, elogiado pelos críticos, escolhido e consumido pelos leitores, norte-americano, é também – soube-o apenas recentemente – apoiante, simpatizante, votante, do Partido Democrata. Pelo que não surpreende que ele seja capaz: de acreditar, e de declarar, que Barack Obama é «o presidente mais inteligente que tivemos desde Jimmy Carter»; de celebrar a aprovação do «ObamaCare»; de sugerir que se devia retirar a cidadania a Joe Lieberman (teria a mesma opinião se aquele senador não fosse judeu?)   
Porém, a estupidez (na política, pelo menos…) de Martin atingiu um nível verdadeiramente delirante… e indefensável quando decidiu (voltar a) vituperar o Partido Republicano por este, supostamente, querer «suprimir votos» e, dessa forma, «negar o mais básico e importante direito de qualquer cidadão americano a centenas e a milhares de pessoas». Afinal, de que se trata? Simplesmente, isto: aprovar leis – nos Estados em que tal ainda não é obrigatório – que fazem depender a possibilidade de votar da apresentação prévia de um cartão de identificação com fotografia. Como acontece em Portugal e em qualquer país civilizado. Para impedir ou diminuir os casos de fraude eleitoral, que os «burros» insistem que não existem em número considerável nos EUA, apesar de diversas investigações criminais e acusações judiciais demonstrarem o contrário – e em que os arguidos são, normalmente, democratas (Adenda - Esta semana mais um foi acrescentado à desonrosa lista) (Segunda adenda - E mais outra!). No entanto, o autor das «Crónicas de Gelo e Fogo» vê naquelas iniciativas não mais do que a «escassa consideração pela nossa república e os seus valores» por parte de «oligarcas e racistas envoltos em peles de elefantes mortos». Verdadeiramente «épico»! Será esta a sinopse do seu próximo livro?      
George R. R. Martin, que tem sempre de apresentar, tal como em várias outras situações do quotidiano, um cartão de identificação com fotografia quando quer viajar (e ele viaja muito…), vive mesmo num mundo de fantasia. E, muito provavelmente, ele nem sabe quanto. (Também no Simetria.)

domingo, 2 de setembro de 2012

Respeitar as convenções

Está-se num momento de «transição» entre as convenções nacionais dos dois principais partidos políticos dos Estados Unidos da América. A republicana, realizada em Tampa, na Flórida, terminou na passada quinta-feira, dia 30 de Agosto, e confirmou Mitt Romney e Paul Ryan como candidatos aos cargos, respectivamente, de presidente e de vice-presidente. A democrata, que vai realizar-se em Charlotte, na Carolina do Norte, começa amanhã, dia 3 de Setembro, e confirmará Barack Obama e Joseph Biden como recandidatos aos mesmos cargos.
Porém, os dois eventos não são, obviamente, imunes a acontecimentos políticos prévios mais ou menos relevantes. E um «incidente verbal» - mais um entre muitas dezenas (a justificarem, provavelmente e proximamente, um texto especial) – protagonizado há cerca de duas semanas precisamente por Joe Biden exemplifica, simboliza perfeitamente as diferenças de atitude não só entre as duas candidaturas mas também entre os dois partidos. A 14 de Agosto, num comício de campanha em Danville, na Virgínia, frente a uma audiência predominantemente afro-americana, o vice-presidente «avisou» que os republicanos, se vencerem, «vão voltar a pôr-vos em correntes». É preciso explicar até que ponto isto é ofensivo, estúpido e quase criminoso? Um alto dirigente de um partido que tem na sua essência e no seu historial a escravatura, o racismo e a segregação a dizer que os herdeiros dos abolicionistas é que querem «acorrentar» negros?
As reacções, as respostas, multiplicaram-se (houve em Portugal algum outro local, sem ser no Obamatório, onde tenham tido conhecimento disto?), umas mais previsíveis do que outras. Os democratas, obviamente, a começar por Barack Obama, desculparam, desvalorizaram este (mais um) vómito verbal de Biden (porque, como se sabe, há uma «competição» permanente no campo azul para expelir o mais repelente), mas o que mais continua a surpreender (ou já nem isso…) é a atitude de alguns (talvez representando a maioria, mas não todos) afro-americanos do PD perante alarvidades como esta. Douglas Wilder foi uma das (muito) poucas vozes que não chegam para compensar, para contrabalançar as fracas figuras de Emanuel Cleaver, Russell Simmons e William Keen, autênticos «Tios Tomás» dos tempos modernos, novos e voluntários escravos dos seus «donos e senhores» democratas, que renunciam a ser pessoas e se contentam em serem coisas, adereços, de disputas políticas dos «patrões brancos». E esta «reprodução» de miserabilismo (mental, pelo menos) continua: repare-se em Touré Neblett, quiçá sobrevivente da Planned Parenthood (apesar de tentarem incansavelmente, os continuadores de Margaret Sanger não conseguem abortar todos os «bebés pretos feios»), tão novo e já tão sacana, a dizer que Mitt Romney promove a «escarumbização» («niggerization», no original) de Barack Obama! E porquê? Porque o candidato republicano, defendendo-se das inacreditáveis e injustas acusações de que tem sido alvo (que incluem assassinato e fuga aos impostos), caracterizou, e correctamente, a campanha do seu adversário como sendo animada por sentimentos de «divisionismo, zanga e ódio»… e, para aquele fedelho, um homem branco equipara «zangado» a «negro»! Atente-se nisto: Biden faz uma afirmação realmente racista… mas os democratas dizem que não foi; Romney riposta, e por o fazer os democratas dizem que ele é racista! Claro que eles querem que os republicanos fiquem calados, porque só assim talvez não haja «perigo»… por exemplo, de os «Novos Panteras Negras», tão «conhecedores» da história dos EUA, atacarem ou até matarem aqueles. Infelizmente, homens como Allen West ainda são excepções à regra.
No entanto, e no dia seguinte, 15 de Agosto, aconteceu um acto pior do que quaisquer palavras: um indivíduo entrou no escritório de Washington do Family Research Council, uma instituição católica, conservadora, que se opõe ao aborto e ao «casamento» entre pessoas do mesmo sexo; depois de afirmar que se opunha às posições do FRC, sacou de uma pistola (tinha igualmente dezenas de munições) e, no átrio, disparou sobre um segurança que, apesar de ferido, conseguiu desarmar e imobilizar o atacante com a ajuda posterior de alguns colegas – impedindo assim, quase de certeza, a concretização de um massacre com dezenas de vítimas caso o invasor tivesse conseguido aceder aos gabinetes.
As reacções, as respostas, multiplicaram-se (houve em Portugal algum outro local, sem ser no Obamatório, onde tenham tido conhecimento disto?), umas mais previsíveis do que outras. Como as dos principais membros da lamestream media, que pouca, nenhuma – ou muito atrasada – cobertura deram ao assunto. Soube-se depois o mais que provável motivo: o criminoso é, ou tinha sido até recentemente, voluntário em organizações LGBT, organizações essas que haviam classificado o FRC como… um «hate group», um «grupo que promove o ódio» por… ser contra o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo! Decididamente, há ironias mais perigosas do que outras… Não será demais lembrar que essas organizações LGBT, que classificam de «odiosas» outras que têm ideias diferentes das suas e que são (i)moralmente responsáveis pelo ataque ao FRC, estão agora plenamente integradas no Partido Democrata – e serão sem dúvida bem visíveis na convenção que começa amanhã – devido à «conversão», ao «sair do armário» de Barack Obama a favor do «casamento» gay – no que representou, na verdade, pelo menos a sua segunda mudança de posiçãoflip-flop») sobre este assunto enquanto político. Porque, como fizeram notar, respectivamente, Rahm Emanuel e Chuck Todd, o dinheiro dos judeus e o de Wall Street (nas campanhas eleitorais democratas) foram, ou estão a ser, substituídos pelo dinheiro dos homossexuais.
Esta é, aliás, outra área em que se podem estabelecer analogias entre José Sócrates e Barack Obama: tanto Portugal como os EUA estão, ficaram, muito piores depois da passagem de ambos pelo poder, mais fragilizados financeira e socialmente, mais deprimidos anímica e materialmente; só numa matéria se verificaram «avanços», «progressos», e essa é a dos «direitos LGBT», pelo que não surpreende que seja entre os activistas da homossexualidade que tanto Sócrates como Obama têm os seus defensores mais empenhados; todavia, há que reconhecer que, por exemplo, Eduardo Pitta e Miguel Vale de Almeida, apesar de serem intelectualmente desonestos, nunca, até agora (que eu saiba), atingiram os extremos de abjecção de que, por exemplo, Andrew Sullivan e Dan Savage mostraram ser capazes… tal como alguns dos seus «companheiros de luta» convidados a visitar a Casa Branca em Junho último e que decidiram «posar», à maneira deles, frente ao retrato de Ronald Reagan. (Adenda: e há outros daqueles... activistas portugueses, também intelectualmente desonestos, que defendem o actual presidente norte-americano.)  
E que «bom» que seria que os democratas limitassem os seus comportamentos desviantes às campanhas eleitorais. Contudo, e para cúmulo, estendem-nos ao próprio acto de votar. Uma das suas maiores «taras» é contestar, combater, a obrigatoriedade de apresentar um cartão de identificação com fotografia aquando de eleições, porque isso, para eles, significa «discriminar» os eleitores mais desfavorecidos, em especial os das minorias («racismo»!) e impedi-los de ir às urnas! É claro que esse requisito é também exigido para tarefas tão prosaicas como, entre muitas outras, alugar um DVD, comprar bebidas alcoólicas e tabaco… e entrar na convenção democrata! Face a estes argumentos, Bernard Whitman, «estratega» dos «azuis», limitou-se a desconversar, e não respondeu quando Sean Hannity lhe perguntou: «você não tem vergonha? Vocês (democratas) não têm vergonha?!» Não, não têm. Nem todos querem respeitar as mais básicas convenções… da civilidade. Todd Akin fez afirmações gravíssimas? Sim, e todos os principais dirigentes do GOP foram inequívocos em criticá-lo, em condená-lo… e em «convidá-lo» a desistir da sua candidatura ao Senado; do outro lado, o mesmo não aconteceu com as afirmações de Joe Biden… a começar com o actual presidente dos EUA. E esta é (um)a grande diferença.  

domingo, 26 de agosto de 2012

Não precisam de agradecer

Como já por mais de uma vez disse e/ou dei a entender, não é só no Obamatório que eu exerço uma vigilância mais ou menos constante e rigorosa – à medida da minha capacidade e da minha disponibilidade – sobre o que se vai dizendo e escrevendo no espaço público informativo português, com especial enfoque na blogosfera, intervindo e comentando, sempre que me parece oportuno e relevante, para corrigir, denunciar e/ou esclarecer erros, mentiras e preconceitos sobre a política (e a cultura) norte-americana – e, claro, sempre sem anonimato. Eis alguns casos recentes… e não precisam de agradecer.
Com os meus «colegas de blogs sobre os EUA» os contactos são regulares, mas practicamente todos num só sentido – raramente (ou nunca) são retribuídos. Muitas vezes são feitos, precisamente, para corrigir erros «simples», sem malícia, como os de João Luís Dias no Máquina Política (um, dois, três) e um de Alexandre Burmester no Era uma Vez na América – escusado será dizer que espero que façam o mesmo se eu me enganar (não, não sou infalível… ;-)) Quanto a Nuno Gouveia, nada de recente da minha parte há a assinalar, mas não porque ele tenha desistido de (tentar) ridicularizar Sarah Palin persistindo em criancices cada vez menos desculpáveis – prefere fazê-lo no 31 da Armada, onde não permite comentários e, por isso, não tem de me «ouvir»… Mas isto não é (muito) grave, ao contrário de, concretamente, juntar, aos dislates demagógicos a favor de democratas, mentiras sobre factos, utilizando-se ainda por cima o aberrante, abominável «aborto ortográfico». Aliás, são dois os blogs a quem eu faço (por enquanto…) o «obséquio» de mencionar em permanência no Obamatório que já capitularam perante os perversores da língua portuguesa. Lamentável, ridículo e vergonhoso.
Porém, há pior no que se refere a delírios e a disparates «tugas» a respeito dos EUA, e isso, inevitavelmente, é encontrado com frequência nos tugúrios «generalistas» esquerdistas. Não é de surpreender que: um comunista empedernido, mesmo que «enfeitado com fruta», não tenha a mínima ideia do que se passa realmente nos EUA; que um «gato» não consiga reconhecer um dos seus «donos ideológicos»; que alguém que se assume como «o terrorista» equiparasse republicanos aos talibãs, e que se revelasse como racista misógino; e que um grupo de pessoas que se assume como de «Esquerda Republicana» mostrasse a sua reduzida capacidade (e a desonestidade) intelectual, individual e colectiva, ao lançar acusações sem provas, ao (tentar) desvalorizar factos, a dar credibilidade a «estudos» fraudulentos, a acreditar que a Fox News «desinforma», a mostrar uma hipocrisia demente e mal-agradecida para com aqueles que os acolhem. No entanto, há que reconhecer e assinalar que também à direita há ingenuidades avaliativas, insuficiências informativas e desproporções opinativas sobre os EUA em geral e os conservadores em particular que não devem igualmente ficar sem resposta.         
Todavia, a gravidade da de(sin)formação atinge níveis verdadeiramente preocupantes quando é practicada por pessoas investidas de especiais responsabilidades, recursos e «respeitabilidades». Como professores e jornalistas.
Para o seu artigo «A ficção furiosa de Hunter S. Thompson», saído no Público em Dezembro de 2011, o jornalista Francisco Valente pediu a opinião de Teresa Botelho, professora e investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa, cujas declarações – ou algumas em especial, pelo menos – me levaram a contactá-la por correio electrónico e a escrever que «a senhora poderá ser, eventualmente, “especialista em estudos americanos” mas não é, de certeza, especialista em (conhecedora da) comunicação social norte-americana. E, claramente, não vê, não costuma ver - e, provavelmente, nunca viu - a Fox News. Se visse, não a colocaria ao mesmo (baixo) nível de um “jornalista” drogado e suicida. Então na FNC não há “moderação do riso”? Aconselho-a a ver um programa chamado “Red Eye”. E não duvide de que naquele canal se tem acesso à verdade - a de numerosos factos (acções, decisões, afirmações), erros, lapsos, que são omitidos, deturpados, e/ou, sim, desvirtuados em outros órgãos “inclinados à esquerda”, como a ABC, a CBS, a NBC, a MSNBC, a CNN, o New York Times, o Washington Post... Já ouviu falar dos casos “Fast and Furious” e “Solyndra”? São escândalos que abalam actualmente a administração de Barack Obama, mas dos quais poucas ou nenhumas referências encontrará, sem ser na FNC, naqueles media...» Respondeu-me a Prof.ª Botelho tentando explicar, esclarecer, o que havia dito, ao que eu ripostei que «pela sua resposta, mais fico convencido de que a senhora não vê, e possivelmente nunca viu, a Fox News. Se visse, nunca compararia... o que não é comparável, ou seja, um canal que emite 24 horas por dia com um programa que dura meia hora. São os admiradores de Jon Stewart que procuram no “The Daily Show” uma “confirmação dos seus pontos de vista”, porque, apesar da presença ocasional, rara, de um ou outro convidado não liberal (isto é, de esquerda), a tónica do programa é, claramente, assumidamente, criticar, combater, ridicularizar os conservadores. O próprio Stewart já admitiu que ele e a sua equipa passam horas todos os dias a verem a Fox à procura de material para construirem as suas sátiras... mesmo que se trate de pormenores insignificantes! E quando ocasionalmente fazem troça de democratas e “progressistas” é invariavelmente para criticarem os seus fracos desempenhos na defesa dos seus valores, não os valores propriamente ditos. Stewart é um humorista, não um jornalista; se dá factos é sempre com a sua interpretação, a sua “mundivisão”... Enquanto que na Fox, apesar de ter uma posição assumidamente pró-republicana, conta com a participação constante de democratas, entre trabalhadores permanentes, colaboradores e comentadores. E, se mais não aparecem, é porque não querem...»
Faço notar, novamente, que Teresa Botelho respondeu às minhas mensagens, e isto para diferenciar claramente o comportamento dela do de Nuno Galopim, jornalista do Diário de Notícias, que não o fez. Em Maio deste ano, no blog Sound + Vision que partilha com João Lopes (e onde não são permitidos comentários), decidiu divulgar e comentar uma gaffe – esta, sim, verdadeira (e «gravíssima»!) – d(a equipa da candidatura d)e Mitt Romney, que «transformou», numa aplicação informática, «America» em «Amercia». Escrevi-lhe: «é claro que eu sei que, no vosso blog (que, no entanto, considero excelente e vejo todos os dias), o Nuno e o João Lopes são claramente... tendenciosos, na “política externa” e não só. Aliás, há mais de dois anos, em Fevereiro de 2010, enviei para aí outra mensagem sobre um texto do João em que ele afirmava, mais ou menos, o seguinte: que bastava assistir às paródias de Jon Stewart sobre a Fox News para se perceber o que é e como funciona aquele canal de televisão. Obviamente, apontei e desmontei a falácia de tal “argumento”, inadmissível num jornalista, mas não só. E até hoje ainda “estou” à espera da resposta... Logicamente, Mitt Romney e os colaboradores da sua equipa de campanha sabem como se escreve “America”. Apesar de insólito, nada mais foi do que um erro que terá sido prontamente corrigido. Apesar da experiência e dos meios de que dispõem, não estão livres de, uma vez por outra, meterem uma “argolada” e das grandes (como esta). Eles não são perfeitos, e não alegam sê-lo. Mas o que eu gostaria de saber é porque é que o Nuno até hoje não referiu e não “reflectiu” sobre os muitos erros de Barack Obama & Cia. em termos de Geografia (é claro que há muitos outros relativos a diferentes “áreas do saber”), e muito mais graves do que escrever «Amercia». É por não os conhecer ou por, conhecendo-os, optar por não os divulgar nem comentar? Dou só alguns exemplos... o presidente já disse: que havia visitado “57 Estados” dos EUA; que o Havai é na Ásia; que existe a “língua austríaca”; que a Europa é um país; que estava contente por estar no Texas... quando, na verdade, estava no Kansas. Além de ter escrito, ou pelo menos permitido, que, durante quase 20 anos estivesse numa sua biografia oficial (fornecida pela sua agente literária) que ele havia “nascido no Quénia”. Deixo-lhe um “desafio”: o de descobrir porque é que estes “insignificantes” lapsos nunca se tornaram “anedotas virais que correram o mundo digital nas mais variadas formas e variações”.» 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Boas Férias com Alá

Voltemos ao tema da política externa e, mais concretamente, à viagem que Mitt Romney fez ao estrangeiro – Grã-Bretanha, Israel e Polónia – no início deste mês… Há para aí quem tenha dito (escrito) que a digressão foi um «desastre», um «périplo internacional atribulado», que ele «escorrega na política externa»… Tudo tretas, claro, delírios de obamistas mais ou menos assanhados, e preguiçosos ao ponto de acreditarem cegamente em todas as patranhas espalhadas por uma comunicação social alinhada e desavergonhada… 
Na verdade, as alegadas gaffes de Romney ou não existiram ou foram grandemente exageradas… Mas querem falar de verdadeiras gaffes? Que tal Barack Obama a curvar-se perante chefes de Estado estrangeiros? A prometer ao presidente russo «maior flexibilidade» num segundo mandato? A referir-se aos campos de concentração construídos pelos nazis como «campos de morte polacos»? A devolver aos ingleses um busto de Winston Churchill que eles haviam cedido a George W. Bush? A oferecer DVD’s de filmes a Gordon Brown e um iPod com os seus discursos à Rainha Isabel II? Em Londres o candidato republicano mais não fez do que umas considerações genéricas e inócuas sobre (in)segurança, no que tem toda a autoridade e legitimidade para as fazer dada a sua qualidade de organizador de (outros) Jogos Olímpicos. Em Jerusalém a visita foi significativa apenas pelo motivo (há outros) de Obama nunca ter visitado a pátria judaica… e de a ter excluído como participante num fórum internacional sobre terrorismo. Em Varsóvia Romney recebeu o apoio de Lech Walesa, resistente anti-comunista, fundador do sindicato independente Solidariedade, Prémio Nobel da Paz, ex-Presidente da Polónia… que Obama se recusou a receber na Casa Branca. Em poucas palavras: a visita de Mitt ao estrangeiro correu muito bem.
Querem continuar a falar de autênticas… burradas em matéria de política externa? Que tal Barack Obama a declarar, numa entrevista, que as afirmações e acções de Hugo Chávez nos últimos anos não tiveram «um impacto sério na segurança nacional» dos EUA, apesar de ele próprio não negar que o actual regime da Venezuela é também um autêntico representante do Irão para a América Latina? É certo que Caracas não precisa de enviar para o Norte «agentes infiltrados» a favor do fundamentalismo islâmico, com ou sem treino em Teerão… porque eles já lá estão. Em Maio último o representante do Indiana Andre Carson declarou que as madrassas muçulmanas deveriam servir de exemplo às escolas norte-americanas; adivinhem a que partido ele pertence… No ano passado um juiz da Flórida decidiu que a Sharia poderia ser usada como lei, num caso concreto, em território dos Estados Unidos! E uma universidade católica, privada, foi alvo de uma queixa por não dar espaços de oração sem símbolos cristãos aos seus alunos muçulmanos! Também em 2011 havia sido notada a (apenas?) aparente condescendência do Departamento de Estado liderado por Hillary Clinton para com a criminalização da «difamação da religião», mais concretamente, do Islão – ou seja, a limitação à liberdade de expressão. E há sinais recentes – de há poucas semanas! – de que a actual administração estará mesmo a ceder.
Apesar do 11 de Setembro de 2001, apesar do que aconteceu antes e depois daquela data fatídica, os democratas continuam a dar a impressão de que não levam a sério os avisos, os sinais que se podem ver no horizonte. Lembrando a destruição das estátuas de Buda pelos talibãs no Afeganistão antes da invasão, islamitas loucos, obscurantistas e sanguinários (tripla redundância) destroem túmulos em mesquitas no Mali (!) e apelam à destruição das pirâmides do Egipto! Na tolerante e multicultural Grã-Bretanha uma inglesa foi insultada, agredida, acusada e levada a tribunal por racismo e «crime de ódio» por querer ajudar uma mulher muçulmana assoberbada por objectos que mal podia carregar e por ter criticado o marido que, junto a ela, se recusava a ajudá-la! E nos EUA há quem faça «estudos» que concluem que os muçulmanos são «incompreendidos» e que não querem impor a sua religião, as suas leis e costumes a todo o Mundo! «Coitadinhos»!
Será que, além de Boas Festas com Alá, vamos ter de suportar também Boas Férias? Considerando que os genocidas iranianos continuam a ameaçar Israel com a aniquilação total, arriscamo-nos ainda a passar por um Verão – e/ou um Outono, e/ou um Inverno, e/ou uma Primavera – nuclear(es).   

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

«R & R»

A candidatura do Partido Republicano à eleição presidencial de 2012 vai ser mesmo feita sob a sigla «R & R», quase como se significasse «Rock & Roll»… Porém, a escolha para «vice» de Mitt Romney recaiu não em Condoleeza Rice ou em Marco Rubio mas sim em Paul Ryan. O que constitui(u) para mim, pelo menos inicialmente, uma leve desilusão…
… Mas não porque o congressista do Partido Republicano pelo Wisconsin seja má pessoa, mau candidato, sem qualidades pessoais e profissionais, sem qualificações para ser vice-presidente e, eventualmente, presidente dos Estados Unidos da América. Muito, muito pelo contrário! Paul Ryan é, sob todas as perspectivas, humanas e políticas, simplesmente excepcional. No entanto, o seu alto conhecimento, as suas elevadas competências em assuntos e matérias fiscais, orçamentais e económicas torna(va)m-no, sim, uma opção perfeita para secretário do Tesouro – isto é, e em termos europeus, para ministro das Finanças. A consistência e a coragem com que tem denunciado e demonstrado o excessivo endividamento do país e a necessidade de serem adoptadas, urgentemente, medidas decisivas e efectivas para diminuir esse endividamento – medidas que ele tem proposto – tornaram-no, de facto, o grande especialista, e a grande referência, dos conservadores norte-americanos neste domínio fundamental. E, sem surpresa, também por isso que há algum tempo se convertera num dos alvos preferidos e privilegiados da demagogia e da mentira democratas. Estes, previsivelmente, não tardaram em anunciar que iriam renovar e reforçar os seus ataques, incidindo em especial nas propostas do congressista para a reforma do Medicare.
Dito de outro modo: as «áreas de especialização» de Mitt Romney e de Paul Ryan são, practicamente, as mesmas. São, ambos, gestores, «homens de números», com provas dadas tanto no sector público como no sector privado. A haver complementaridade entre ambos, ela será «apenas» geracional. Ryan servirá para convencer, para consolidar e para motivar – o que já não é pouco – a base eleitoral do GOP, mas, à partida, pouca ou nenhuma capacidade terá para alargar (significativamente) aquela base, para «entrar em territórios» independentes e mesmo democratas, para apelar a outros segmentos – étnicos e/ou ideológicos – da população norte-americana, para oferecer outras capacidades e outras experiências distintas das de Romney. Marco Rubio, Condoleeza Rice e até David Petraeus poderiam, precisamente, proporcionar isso.
Todavia, estas são conjecturas, hipóteses, previsões, susceptíveis de serem desmentidas (ou confirmadas) no decorrer da campanha eleitoral. Aguardemos, pois, pelo que vai acontecer. E em especial pelo debate que os candidatos a vice-presidente vão realizar a 11 de Outubro, em Danville, no Kentucky. «Pobre» Joe Biden! Ele até sabe o que o espera. Vai ser penoso – hilariantemente penoso – vê-lo definitivamente demolido e destroçado… intelectualmente, claro. Não que seja algo difícil… 

sábado, 11 de agosto de 2012

O Rei(d) da Comédia

Mais uma demonstração (como se ela fosse precisa…) de que os democratas não conhecem limites na degradação – política e moral – para que estão disponíveis em cair: Harry Reid acusou Mitt Romney de não pagar impostos há dez anos!
O líder da maioria (actualmente democrata) no Senado – e, logo, uma das figuras mais importantes da hierarquia política dos EUA – já há muito que é conhecido pelas suas afirmações e atitudes insólitas, quando não imbecis. Porém, o que torna esta última atoarda particularmente escandalosa é que: Reid atirou-a no Capitólio (primeiro numa entrevista no seu gabinete, depois repetindo-a na sala do Senado), garantindo assim (existe essa garantia em Washington) a sua imunidade – e inimputabilidade – contra um eventual processo judicial; baseou-a numa declaração que lhe foi feita por uma fonte anónima, que não identificou (alegadamente, um investidor da Bain Capital), sem apresentar provas… e, para cúmulo, e «invertendo o ónus», desafiou Mitt Romney a demonstrar a sua inocência (!!); ele próprio nunca divulgou qualquer das suas declarações de IRS desde que é membro do Congresso; e, na sua autobiografia, queixou-se das acusações, suspeitas e insinuações de corrupção e de ligações à Máfia (nunca provadas) de que foi alvo quando era membro do organismo que regula a indústria do jogo no Nevada, e cujas (más) consequências na sua reputação sofreu durante anos! Harry, Rei(d) da comédia? Se for, é de um humor negro, de mau gosto, sem graça alguma.
As reacções, previsivelmente, não tardaram. Reince Priebus, presidente do RNC, chamou a Harry Reid um «mentiroso sujo». John Nolte classifica a controvérsia como mais uma manobra de distracção, por parte dos democratas, para desviar as atenções dos eleitores do que é fundamental – o fracasso da presidência de Barack Obama. Charles Krauthammer e George Will compararam-no a Joseph McCarthy, tal como Bob Schieffer, que não é conhecido como sendo um conservador… Nem Howard Kurtz, que incluiu a calúnia na categoria de «democratic talking point», nem Dana Milbank, que aproveitou para fazer um breve historial das incontinências verbais de Reid. E Jon Stewart merece um destaque especial por ter «dedicado» ao líder do Senado uma das suas sátiras mais demolidoras dos últimos tempos, incluindo uma menção à sua vergonhosa, inacreditável idiotice de invocar o «fantasma» de George Romney para criticar o filho! É claro que o Sr. Leibowitz lá teve de mandar umas «farpas» à Fox News para compensar, mas, mesmo assim…  
«Dingy Harry» tinha-se queixado antes de que havia o perigo de «17 homens brancos velhos e zangados» comprarem o país (para o candidato republicano), mas ele bem que podia pertencer a esse «clube»… E, ironicamente, a acusação a Mitt Romney aconteceu quase em simultâneo com a revelação de que HR tem estado a apoiar a instalação, no seu Estado, de uma empresa energética estrangeira da qual o seu filho, Rory Reid, é advogado. De que país? Da China… pois, desde que lá não fabriquem os uniformes da representação olímpica dos EUA não há problema… «Felizmente» para Harry, ele sempre pode contar com o apoio de Nancy «os-republicanos-são-Ecoli» Pelosi, que não tem dúvidas de que o seu comparsa disse a «verdade». Sim, Reid só tem «qualidades»: anedótico, difamador, que-faz-aos-outros-o-que-não-gosta-que-façam-a-ele, hipócrita, interesseiro, medíocre, mentiroso, obstrucionista, nepotista, político-carreirista-há-tempo-demais-no-poder-e-(re)eleito-de-forma-duvidosa, racista, superficial… Em suma: um democrata-modelo.