quinta-feira, 6 de setembro de 2012

George R. R. Martin é um idiota

Sou um firme defensor da ideia de que se pode e deve admirar um(a) artista mesmo que se desgoste ou até despreze (d)o cidadão, (d)o homem (ou cidadã e mulher) que habita o mesmo corpo; que se pode e deve apreciar, desfrutar, preferir uma obra, o resultado da imaginação e do trabalho mesmo que se abomine as afirmações e/ou as acções em outros âmbitos do indivíduo que criou aquela. Exemplos? José Saramago apesar do seu comunismo e iberismo. Louis-Ferdinand Céline apesar do seu anti-semitismo. Ezra Pound apesar do seu fascismo.
Vem isto a propósito de outro caso no mesmo género, não obstante ser menos grave. Mas não deixa de ser decepcionante, e há que afirmá-lo claramente, inequivocamente, «branco no preto»: George R. R. Martin é um idiota. E bem grande, por sinal. O autor de «A Game of Thrones» («Um Jogo de Tronos», mas que em Portugal recebeu o título «A Guerra dos Tronos» - sim, concordo, há traduções piores…), um dos grandes nomes da FC & F actuais, elogiado pelos críticos, escolhido e consumido pelos leitores, norte-americano, é também – soube-o apenas recentemente – apoiante, simpatizante, votante, do Partido Democrata. Pelo que não surpreende que ele seja capaz: de acreditar, e de declarar, que Barack Obama é «o presidente mais inteligente que tivemos desde Jimmy Carter»; de celebrar a aprovação do «ObamaCare»; de sugerir que se devia retirar a cidadania a Joe Lieberman (teria a mesma opinião se aquele senador não fosse judeu?)   
Porém, a estupidez (na política, pelo menos…) de Martin atingiu um nível verdadeiramente delirante… e indefensável quando decidiu (voltar a) vituperar o Partido Republicano por este, supostamente, querer «suprimir votos» e, dessa forma, «negar o mais básico e importante direito de qualquer cidadão americano a centenas e a milhares de pessoas». Afinal, de que se trata? Simplesmente, isto: aprovar leis – nos Estados em que tal ainda não é obrigatório – que fazem depender a possibilidade de votar da apresentação prévia de um cartão de identificação com fotografia. Como acontece em Portugal e em qualquer país civilizado. Para impedir ou diminuir os casos de fraude eleitoral, que os «burros» insistem que não existem em número considerável nos EUA, apesar de diversas investigações criminais e acusações judiciais demonstrarem o contrário – e em que os arguidos são, normalmente, democratas (Adenda - Esta semana mais um foi acrescentado à desonrosa lista) (Segunda adenda - E mais outra!). No entanto, o autor das «Crónicas de Gelo e Fogo» vê naquelas iniciativas não mais do que a «escassa consideração pela nossa república e os seus valores» por parte de «oligarcas e racistas envoltos em peles de elefantes mortos». Verdadeiramente «épico»! Será esta a sinopse do seu próximo livro?      
George R. R. Martin, que tem sempre de apresentar, tal como em várias outras situações do quotidiano, um cartão de identificação com fotografia quando quer viajar (e ele viaja muito…), vive mesmo num mundo de fantasia. E, muito provavelmente, ele nem sabe quanto. (Também no Simetria.)

domingo, 2 de setembro de 2012

Respeitar as convenções

Está-se num momento de «transição» entre as convenções nacionais dos dois principais partidos políticos dos Estados Unidos da América. A republicana, realizada em Tampa, na Flórida, terminou na passada quinta-feira, dia 30 de Agosto, e confirmou Mitt Romney e Paul Ryan como candidatos aos cargos, respectivamente, de presidente e de vice-presidente. A democrata, que vai realizar-se em Charlotte, na Carolina do Norte, começa amanhã, dia 3 de Setembro, e confirmará Barack Obama e Joseph Biden como recandidatos aos mesmos cargos.
Porém, os dois eventos não são, obviamente, imunes a acontecimentos políticos prévios mais ou menos relevantes. E um «incidente verbal» - mais um entre muitas dezenas (a justificarem, provavelmente e proximamente, um texto especial) – protagonizado há cerca de duas semanas precisamente por Joe Biden exemplifica, simboliza perfeitamente as diferenças de atitude não só entre as duas candidaturas mas também entre os dois partidos. A 14 de Agosto, num comício de campanha em Danville, na Virgínia, frente a uma audiência predominantemente afro-americana, o vice-presidente «avisou» que os republicanos, se vencerem, «vão voltar a pôr-vos em correntes». É preciso explicar até que ponto isto é ofensivo, estúpido e quase criminoso? Um alto dirigente de um partido que tem na sua essência e no seu historial a escravatura, o racismo e a segregação a dizer que os herdeiros dos abolicionistas é que querem «acorrentar» negros?
As reacções, as respostas, multiplicaram-se (houve em Portugal algum outro local, sem ser no Obamatório, onde tenham tido conhecimento disto?), umas mais previsíveis do que outras. Os democratas, obviamente, a começar por Barack Obama, desculparam, desvalorizaram este (mais um) vómito verbal de Biden (porque, como se sabe, há uma «competição» permanente no campo azul para expelir o mais repelente), mas o que mais continua a surpreender (ou já nem isso…) é a atitude de alguns (talvez representando a maioria, mas não todos) afro-americanos do PD perante alarvidades como esta. Douglas Wilder foi uma das (muito) poucas vozes que não chegam para compensar, para contrabalançar as fracas figuras de Emanuel Cleaver, Russell Simmons e William Keen, autênticos «Tios Tomás» dos tempos modernos, novos e voluntários escravos dos seus «donos e senhores» democratas, que renunciam a ser pessoas e se contentam em serem coisas, adereços, de disputas políticas dos «patrões brancos». E esta «reprodução» de miserabilismo (mental, pelo menos) continua: repare-se em Touré Neblett, quiçá sobrevivente da Planned Parenthood (apesar de tentarem incansavelmente, os continuadores de Margaret Sanger não conseguem abortar todos os «bebés pretos feios»), tão novo e já tão sacana, a dizer que Mitt Romney promove a «escarumbização» («niggerization», no original) de Barack Obama! E porquê? Porque o candidato republicano, defendendo-se das inacreditáveis e injustas acusações de que tem sido alvo (que incluem assassinato e fuga aos impostos), caracterizou, e correctamente, a campanha do seu adversário como sendo animada por sentimentos de «divisionismo, zanga e ódio»… e, para aquele fedelho, um homem branco equipara «zangado» a «negro»! Atente-se nisto: Biden faz uma afirmação realmente racista… mas os democratas dizem que não foi; Romney riposta, e por o fazer os democratas dizem que ele é racista! Claro que eles querem que os republicanos fiquem calados, porque só assim talvez não haja «perigo»… por exemplo, de os «Novos Panteras Negras», tão «conhecedores» da história dos EUA, atacarem ou até matarem aqueles. Infelizmente, homens como Allen West ainda são excepções à regra.
No entanto, e no dia seguinte, 15 de Agosto, aconteceu um acto pior do que quaisquer palavras: um indivíduo entrou no escritório de Washington do Family Research Council, uma instituição católica, conservadora, que se opõe ao aborto e ao «casamento» entre pessoas do mesmo sexo; depois de afirmar que se opunha às posições do FRC, sacou de uma pistola (tinha igualmente dezenas de munições) e, no átrio, disparou sobre um segurança que, apesar de ferido, conseguiu desarmar e imobilizar o atacante com a ajuda posterior de alguns colegas – impedindo assim, quase de certeza, a concretização de um massacre com dezenas de vítimas caso o invasor tivesse conseguido aceder aos gabinetes.
As reacções, as respostas, multiplicaram-se (houve em Portugal algum outro local, sem ser no Obamatório, onde tenham tido conhecimento disto?), umas mais previsíveis do que outras. Como as dos principais membros da lamestream media, que pouca, nenhuma – ou muito atrasada – cobertura deram ao assunto. Soube-se depois o mais que provável motivo: o criminoso é, ou tinha sido até recentemente, voluntário em organizações LGBT, organizações essas que haviam classificado o FRC como… um «hate group», um «grupo que promove o ódio» por… ser contra o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo! Decididamente, há ironias mais perigosas do que outras… Não será demais lembrar que essas organizações LGBT, que classificam de «odiosas» outras que têm ideias diferentes das suas e que são (i)moralmente responsáveis pelo ataque ao FRC, estão agora plenamente integradas no Partido Democrata – e serão sem dúvida bem visíveis na convenção que começa amanhã – devido à «conversão», ao «sair do armário» de Barack Obama a favor do «casamento» gay – no que representou, na verdade, pelo menos a sua segunda mudança de posiçãoflip-flop») sobre este assunto enquanto político. Porque, como fizeram notar, respectivamente, Rahm Emanuel e Chuck Todd, o dinheiro dos judeus e o de Wall Street (nas campanhas eleitorais democratas) foram, ou estão a ser, substituídos pelo dinheiro dos homossexuais.
Esta é, aliás, outra área em que se podem estabelecer analogias entre José Sócrates e Barack Obama: tanto Portugal como os EUA estão, ficaram, muito piores depois da passagem de ambos pelo poder, mais fragilizados financeira e socialmente, mais deprimidos anímica e materialmente; só numa matéria se verificaram «avanços», «progressos», e essa é a dos «direitos LGBT», pelo que não surpreende que seja entre os activistas da homossexualidade que tanto Sócrates como Obama têm os seus defensores mais empenhados; todavia, há que reconhecer que, por exemplo, Eduardo Pitta e Miguel Vale de Almeida, apesar de serem intelectualmente desonestos, nunca, até agora (que eu saiba), atingiram os extremos de abjecção de que, por exemplo, Andrew Sullivan e Dan Savage mostraram ser capazes… tal como alguns dos seus «companheiros de luta» convidados a visitar a Casa Branca em Junho último e que decidiram «posar», à maneira deles, frente ao retrato de Ronald Reagan. (Adenda: e há outros daqueles... activistas portugueses, também intelectualmente desonestos, que defendem o actual presidente norte-americano.)  
E que «bom» que seria que os democratas limitassem os seus comportamentos desviantes às campanhas eleitorais. Contudo, e para cúmulo, estendem-nos ao próprio acto de votar. Uma das suas maiores «taras» é contestar, combater, a obrigatoriedade de apresentar um cartão de identificação com fotografia aquando de eleições, porque isso, para eles, significa «discriminar» os eleitores mais desfavorecidos, em especial os das minorias («racismo»!) e impedi-los de ir às urnas! É claro que esse requisito é também exigido para tarefas tão prosaicas como, entre muitas outras, alugar um DVD, comprar bebidas alcoólicas e tabaco… e entrar na convenção democrata! Face a estes argumentos, Bernard Whitman, «estratega» dos «azuis», limitou-se a desconversar, e não respondeu quando Sean Hannity lhe perguntou: «você não tem vergonha? Vocês (democratas) não têm vergonha?!» Não, não têm. Nem todos querem respeitar as mais básicas convenções… da civilidade. Todd Akin fez afirmações gravíssimas? Sim, e todos os principais dirigentes do GOP foram inequívocos em criticá-lo, em condená-lo… e em «convidá-lo» a desistir da sua candidatura ao Senado; do outro lado, o mesmo não aconteceu com as afirmações de Joe Biden… a começar com o actual presidente dos EUA. E esta é (um)a grande diferença.  

domingo, 26 de agosto de 2012

Não precisam de agradecer

Como já por mais de uma vez disse e/ou dei a entender, não é só no Obamatório que eu exerço uma vigilância mais ou menos constante e rigorosa – à medida da minha capacidade e da minha disponibilidade – sobre o que se vai dizendo e escrevendo no espaço público informativo português, com especial enfoque na blogosfera, intervindo e comentando, sempre que me parece oportuno e relevante, para corrigir, denunciar e/ou esclarecer erros, mentiras e preconceitos sobre a política (e a cultura) norte-americana – e, claro, sempre sem anonimato. Eis alguns casos recentes… e não precisam de agradecer.
Com os meus «colegas de blogs sobre os EUA» os contactos são regulares, mas practicamente todos num só sentido – raramente (ou nunca) são retribuídos. Muitas vezes são feitos, precisamente, para corrigir erros «simples», sem malícia, como os de João Luís Dias no Máquina Política (um, dois, três) e um de Alexandre Burmester no Era uma Vez na América – escusado será dizer que espero que façam o mesmo se eu me enganar (não, não sou infalível… ;-)) Quanto a Nuno Gouveia, nada de recente da minha parte há a assinalar, mas não porque ele tenha desistido de (tentar) ridicularizar Sarah Palin persistindo em criancices cada vez menos desculpáveis – prefere fazê-lo no 31 da Armada, onde não permite comentários e, por isso, não tem de me «ouvir»… Mas isto não é (muito) grave, ao contrário de, concretamente, juntar, aos dislates demagógicos a favor de democratas, mentiras sobre factos, utilizando-se ainda por cima o aberrante, abominável «aborto ortográfico». Aliás, são dois os blogs a quem eu faço (por enquanto…) o «obséquio» de mencionar em permanência no Obamatório que já capitularam perante os perversores da língua portuguesa. Lamentável, ridículo e vergonhoso.
Porém, há pior no que se refere a delírios e a disparates «tugas» a respeito dos EUA, e isso, inevitavelmente, é encontrado com frequência nos tugúrios «generalistas» esquerdistas. Não é de surpreender que: um comunista empedernido, mesmo que «enfeitado com fruta», não tenha a mínima ideia do que se passa realmente nos EUA; que um «gato» não consiga reconhecer um dos seus «donos ideológicos»; que alguém que se assume como «o terrorista» equiparasse republicanos aos talibãs, e que se revelasse como racista misógino; e que um grupo de pessoas que se assume como de «Esquerda Republicana» mostrasse a sua reduzida capacidade (e a desonestidade) intelectual, individual e colectiva, ao lançar acusações sem provas, ao (tentar) desvalorizar factos, a dar credibilidade a «estudos» fraudulentos, a acreditar que a Fox News «desinforma», a mostrar uma hipocrisia demente e mal-agradecida para com aqueles que os acolhem. No entanto, há que reconhecer e assinalar que também à direita há ingenuidades avaliativas, insuficiências informativas e desproporções opinativas sobre os EUA em geral e os conservadores em particular que não devem igualmente ficar sem resposta.         
Todavia, a gravidade da de(sin)formação atinge níveis verdadeiramente preocupantes quando é practicada por pessoas investidas de especiais responsabilidades, recursos e «respeitabilidades». Como professores e jornalistas.
Para o seu artigo «A ficção furiosa de Hunter S. Thompson», saído no Público em Dezembro de 2011, o jornalista Francisco Valente pediu a opinião de Teresa Botelho, professora e investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa, cujas declarações – ou algumas em especial, pelo menos – me levaram a contactá-la por correio electrónico e a escrever que «a senhora poderá ser, eventualmente, “especialista em estudos americanos” mas não é, de certeza, especialista em (conhecedora da) comunicação social norte-americana. E, claramente, não vê, não costuma ver - e, provavelmente, nunca viu - a Fox News. Se visse, não a colocaria ao mesmo (baixo) nível de um “jornalista” drogado e suicida. Então na FNC não há “moderação do riso”? Aconselho-a a ver um programa chamado “Red Eye”. E não duvide de que naquele canal se tem acesso à verdade - a de numerosos factos (acções, decisões, afirmações), erros, lapsos, que são omitidos, deturpados, e/ou, sim, desvirtuados em outros órgãos “inclinados à esquerda”, como a ABC, a CBS, a NBC, a MSNBC, a CNN, o New York Times, o Washington Post... Já ouviu falar dos casos “Fast and Furious” e “Solyndra”? São escândalos que abalam actualmente a administração de Barack Obama, mas dos quais poucas ou nenhumas referências encontrará, sem ser na FNC, naqueles media...» Respondeu-me a Prof.ª Botelho tentando explicar, esclarecer, o que havia dito, ao que eu ripostei que «pela sua resposta, mais fico convencido de que a senhora não vê, e possivelmente nunca viu, a Fox News. Se visse, nunca compararia... o que não é comparável, ou seja, um canal que emite 24 horas por dia com um programa que dura meia hora. São os admiradores de Jon Stewart que procuram no “The Daily Show” uma “confirmação dos seus pontos de vista”, porque, apesar da presença ocasional, rara, de um ou outro convidado não liberal (isto é, de esquerda), a tónica do programa é, claramente, assumidamente, criticar, combater, ridicularizar os conservadores. O próprio Stewart já admitiu que ele e a sua equipa passam horas todos os dias a verem a Fox à procura de material para construirem as suas sátiras... mesmo que se trate de pormenores insignificantes! E quando ocasionalmente fazem troça de democratas e “progressistas” é invariavelmente para criticarem os seus fracos desempenhos na defesa dos seus valores, não os valores propriamente ditos. Stewart é um humorista, não um jornalista; se dá factos é sempre com a sua interpretação, a sua “mundivisão”... Enquanto que na Fox, apesar de ter uma posição assumidamente pró-republicana, conta com a participação constante de democratas, entre trabalhadores permanentes, colaboradores e comentadores. E, se mais não aparecem, é porque não querem...»
Faço notar, novamente, que Teresa Botelho respondeu às minhas mensagens, e isto para diferenciar claramente o comportamento dela do de Nuno Galopim, jornalista do Diário de Notícias, que não o fez. Em Maio deste ano, no blog Sound + Vision que partilha com João Lopes (e onde não são permitidos comentários), decidiu divulgar e comentar uma gaffe – esta, sim, verdadeira (e «gravíssima»!) – d(a equipa da candidatura d)e Mitt Romney, que «transformou», numa aplicação informática, «America» em «Amercia». Escrevi-lhe: «é claro que eu sei que, no vosso blog (que, no entanto, considero excelente e vejo todos os dias), o Nuno e o João Lopes são claramente... tendenciosos, na “política externa” e não só. Aliás, há mais de dois anos, em Fevereiro de 2010, enviei para aí outra mensagem sobre um texto do João em que ele afirmava, mais ou menos, o seguinte: que bastava assistir às paródias de Jon Stewart sobre a Fox News para se perceber o que é e como funciona aquele canal de televisão. Obviamente, apontei e desmontei a falácia de tal “argumento”, inadmissível num jornalista, mas não só. E até hoje ainda “estou” à espera da resposta... Logicamente, Mitt Romney e os colaboradores da sua equipa de campanha sabem como se escreve “America”. Apesar de insólito, nada mais foi do que um erro que terá sido prontamente corrigido. Apesar da experiência e dos meios de que dispõem, não estão livres de, uma vez por outra, meterem uma “argolada” e das grandes (como esta). Eles não são perfeitos, e não alegam sê-lo. Mas o que eu gostaria de saber é porque é que o Nuno até hoje não referiu e não “reflectiu” sobre os muitos erros de Barack Obama & Cia. em termos de Geografia (é claro que há muitos outros relativos a diferentes “áreas do saber”), e muito mais graves do que escrever «Amercia». É por não os conhecer ou por, conhecendo-os, optar por não os divulgar nem comentar? Dou só alguns exemplos... o presidente já disse: que havia visitado “57 Estados” dos EUA; que o Havai é na Ásia; que existe a “língua austríaca”; que a Europa é um país; que estava contente por estar no Texas... quando, na verdade, estava no Kansas. Além de ter escrito, ou pelo menos permitido, que, durante quase 20 anos estivesse numa sua biografia oficial (fornecida pela sua agente literária) que ele havia “nascido no Quénia”. Deixo-lhe um “desafio”: o de descobrir porque é que estes “insignificantes” lapsos nunca se tornaram “anedotas virais que correram o mundo digital nas mais variadas formas e variações”.» 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Boas Férias com Alá

Voltemos ao tema da política externa e, mais concretamente, à viagem que Mitt Romney fez ao estrangeiro – Grã-Bretanha, Israel e Polónia – no início deste mês… Há para aí quem tenha dito (escrito) que a digressão foi um «desastre», um «périplo internacional atribulado», que ele «escorrega na política externa»… Tudo tretas, claro, delírios de obamistas mais ou menos assanhados, e preguiçosos ao ponto de acreditarem cegamente em todas as patranhas espalhadas por uma comunicação social alinhada e desavergonhada… 
Na verdade, as alegadas gaffes de Romney ou não existiram ou foram grandemente exageradas… Mas querem falar de verdadeiras gaffes? Que tal Barack Obama a curvar-se perante chefes de Estado estrangeiros? A prometer ao presidente russo «maior flexibilidade» num segundo mandato? A referir-se aos campos de concentração construídos pelos nazis como «campos de morte polacos»? A devolver aos ingleses um busto de Winston Churchill que eles haviam cedido a George W. Bush? A oferecer DVD’s de filmes a Gordon Brown e um iPod com os seus discursos à Rainha Isabel II? Em Londres o candidato republicano mais não fez do que umas considerações genéricas e inócuas sobre (in)segurança, no que tem toda a autoridade e legitimidade para as fazer dada a sua qualidade de organizador de (outros) Jogos Olímpicos. Em Jerusalém a visita foi significativa apenas pelo motivo (há outros) de Obama nunca ter visitado a pátria judaica… e de a ter excluído como participante num fórum internacional sobre terrorismo. Em Varsóvia Romney recebeu o apoio de Lech Walesa, resistente anti-comunista, fundador do sindicato independente Solidariedade, Prémio Nobel da Paz, ex-Presidente da Polónia… que Obama se recusou a receber na Casa Branca. Em poucas palavras: a visita de Mitt ao estrangeiro correu muito bem.
Querem continuar a falar de autênticas… burradas em matéria de política externa? Que tal Barack Obama a declarar, numa entrevista, que as afirmações e acções de Hugo Chávez nos últimos anos não tiveram «um impacto sério na segurança nacional» dos EUA, apesar de ele próprio não negar que o actual regime da Venezuela é também um autêntico representante do Irão para a América Latina? É certo que Caracas não precisa de enviar para o Norte «agentes infiltrados» a favor do fundamentalismo islâmico, com ou sem treino em Teerão… porque eles já lá estão. Em Maio último o representante do Indiana Andre Carson declarou que as madrassas muçulmanas deveriam servir de exemplo às escolas norte-americanas; adivinhem a que partido ele pertence… No ano passado um juiz da Flórida decidiu que a Sharia poderia ser usada como lei, num caso concreto, em território dos Estados Unidos! E uma universidade católica, privada, foi alvo de uma queixa por não dar espaços de oração sem símbolos cristãos aos seus alunos muçulmanos! Também em 2011 havia sido notada a (apenas?) aparente condescendência do Departamento de Estado liderado por Hillary Clinton para com a criminalização da «difamação da religião», mais concretamente, do Islão – ou seja, a limitação à liberdade de expressão. E há sinais recentes – de há poucas semanas! – de que a actual administração estará mesmo a ceder.
Apesar do 11 de Setembro de 2001, apesar do que aconteceu antes e depois daquela data fatídica, os democratas continuam a dar a impressão de que não levam a sério os avisos, os sinais que se podem ver no horizonte. Lembrando a destruição das estátuas de Buda pelos talibãs no Afeganistão antes da invasão, islamitas loucos, obscurantistas e sanguinários (tripla redundância) destroem túmulos em mesquitas no Mali (!) e apelam à destruição das pirâmides do Egipto! Na tolerante e multicultural Grã-Bretanha uma inglesa foi insultada, agredida, acusada e levada a tribunal por racismo e «crime de ódio» por querer ajudar uma mulher muçulmana assoberbada por objectos que mal podia carregar e por ter criticado o marido que, junto a ela, se recusava a ajudá-la! E nos EUA há quem faça «estudos» que concluem que os muçulmanos são «incompreendidos» e que não querem impor a sua religião, as suas leis e costumes a todo o Mundo! «Coitadinhos»!
Será que, além de Boas Festas com Alá, vamos ter de suportar também Boas Férias? Considerando que os genocidas iranianos continuam a ameaçar Israel com a aniquilação total, arriscamo-nos ainda a passar por um Verão – e/ou um Outono, e/ou um Inverno, e/ou uma Primavera – nuclear(es).   

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

«R & R»

A candidatura do Partido Republicano à eleição presidencial de 2012 vai ser mesmo feita sob a sigla «R & R», quase como se significasse «Rock & Roll»… Porém, a escolha para «vice» de Mitt Romney recaiu não em Condoleeza Rice ou em Marco Rubio mas sim em Paul Ryan. O que constitui(u) para mim, pelo menos inicialmente, uma leve desilusão…
… Mas não porque o congressista do Partido Republicano pelo Wisconsin seja má pessoa, mau candidato, sem qualidades pessoais e profissionais, sem qualificações para ser vice-presidente e, eventualmente, presidente dos Estados Unidos da América. Muito, muito pelo contrário! Paul Ryan é, sob todas as perspectivas, humanas e políticas, simplesmente excepcional. No entanto, o seu alto conhecimento, as suas elevadas competências em assuntos e matérias fiscais, orçamentais e económicas torna(va)m-no, sim, uma opção perfeita para secretário do Tesouro – isto é, e em termos europeus, para ministro das Finanças. A consistência e a coragem com que tem denunciado e demonstrado o excessivo endividamento do país e a necessidade de serem adoptadas, urgentemente, medidas decisivas e efectivas para diminuir esse endividamento – medidas que ele tem proposto – tornaram-no, de facto, o grande especialista, e a grande referência, dos conservadores norte-americanos neste domínio fundamental. E, sem surpresa, também por isso que há algum tempo se convertera num dos alvos preferidos e privilegiados da demagogia e da mentira democratas. Estes, previsivelmente, não tardaram em anunciar que iriam renovar e reforçar os seus ataques, incidindo em especial nas propostas do congressista para a reforma do Medicare.
Dito de outro modo: as «áreas de especialização» de Mitt Romney e de Paul Ryan são, practicamente, as mesmas. São, ambos, gestores, «homens de números», com provas dadas tanto no sector público como no sector privado. A haver complementaridade entre ambos, ela será «apenas» geracional. Ryan servirá para convencer, para consolidar e para motivar – o que já não é pouco – a base eleitoral do GOP, mas, à partida, pouca ou nenhuma capacidade terá para alargar (significativamente) aquela base, para «entrar em territórios» independentes e mesmo democratas, para apelar a outros segmentos – étnicos e/ou ideológicos – da população norte-americana, para oferecer outras capacidades e outras experiências distintas das de Romney. Marco Rubio, Condoleeza Rice e até David Petraeus poderiam, precisamente, proporcionar isso.
Todavia, estas são conjecturas, hipóteses, previsões, susceptíveis de serem desmentidas (ou confirmadas) no decorrer da campanha eleitoral. Aguardemos, pois, pelo que vai acontecer. E em especial pelo debate que os candidatos a vice-presidente vão realizar a 11 de Outubro, em Danville, no Kentucky. «Pobre» Joe Biden! Ele até sabe o que o espera. Vai ser penoso – hilariantemente penoso – vê-lo definitivamente demolido e destroçado… intelectualmente, claro. Não que seja algo difícil… 

sábado, 11 de agosto de 2012

O Rei(d) da Comédia

Mais uma demonstração (como se ela fosse precisa…) de que os democratas não conhecem limites na degradação – política e moral – para que estão disponíveis em cair: Harry Reid acusou Mitt Romney de não pagar impostos há dez anos!
O líder da maioria (actualmente democrata) no Senado – e, logo, uma das figuras mais importantes da hierarquia política dos EUA – já há muito que é conhecido pelas suas afirmações e atitudes insólitas, quando não imbecis. Porém, o que torna esta última atoarda particularmente escandalosa é que: Reid atirou-a no Capitólio (primeiro numa entrevista no seu gabinete, depois repetindo-a na sala do Senado), garantindo assim (existe essa garantia em Washington) a sua imunidade – e inimputabilidade – contra um eventual processo judicial; baseou-a numa declaração que lhe foi feita por uma fonte anónima, que não identificou (alegadamente, um investidor da Bain Capital), sem apresentar provas… e, para cúmulo, e «invertendo o ónus», desafiou Mitt Romney a demonstrar a sua inocência (!!); ele próprio nunca divulgou qualquer das suas declarações de IRS desde que é membro do Congresso; e, na sua autobiografia, queixou-se das acusações, suspeitas e insinuações de corrupção e de ligações à Máfia (nunca provadas) de que foi alvo quando era membro do organismo que regula a indústria do jogo no Nevada, e cujas (más) consequências na sua reputação sofreu durante anos! Harry, Rei(d) da comédia? Se for, é de um humor negro, de mau gosto, sem graça alguma.
As reacções, previsivelmente, não tardaram. Reince Priebus, presidente do RNC, chamou a Harry Reid um «mentiroso sujo». John Nolte classifica a controvérsia como mais uma manobra de distracção, por parte dos democratas, para desviar as atenções dos eleitores do que é fundamental – o fracasso da presidência de Barack Obama. Charles Krauthammer e George Will compararam-no a Joseph McCarthy, tal como Bob Schieffer, que não é conhecido como sendo um conservador… Nem Howard Kurtz, que incluiu a calúnia na categoria de «democratic talking point», nem Dana Milbank, que aproveitou para fazer um breve historial das incontinências verbais de Reid. E Jon Stewart merece um destaque especial por ter «dedicado» ao líder do Senado uma das suas sátiras mais demolidoras dos últimos tempos, incluindo uma menção à sua vergonhosa, inacreditável idiotice de invocar o «fantasma» de George Romney para criticar o filho! É claro que o Sr. Leibowitz lá teve de mandar umas «farpas» à Fox News para compensar, mas, mesmo assim…  
«Dingy Harry» tinha-se queixado antes de que havia o perigo de «17 homens brancos velhos e zangados» comprarem o país (para o candidato republicano), mas ele bem que podia pertencer a esse «clube»… E, ironicamente, a acusação a Mitt Romney aconteceu quase em simultâneo com a revelação de que HR tem estado a apoiar a instalação, no seu Estado, de uma empresa energética estrangeira da qual o seu filho, Rory Reid, é advogado. De que país? Da China… pois, desde que lá não fabriquem os uniformes da representação olímpica dos EUA não há problema… «Felizmente» para Harry, ele sempre pode contar com o apoio de Nancy «os-republicanos-são-Ecoli» Pelosi, que não tem dúvidas de que o seu comparsa disse a «verdade». Sim, Reid só tem «qualidades»: anedótico, difamador, que-faz-aos-outros-o-que-não-gosta-que-façam-a-ele, hipócrita, interesseiro, medíocre, mentiroso, obstrucionista, nepotista, político-carreirista-há-tempo-demais-no-poder-e-(re)eleito-de-forma-duvidosa, racista, superficial… Em suma: um democrata-modelo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Faltam três meses…

… Sim, exactamente três meses para a eleição presidencial nos Estados Unidos da América. Este é, pois, também um momento apropriado para se proceder a balanços, a recapitulações, a «revisões da matéria dada», enfim, a sínteses das principais acções, características e tendências da administração de Barack Obama…
… E uma dessas, bastante abrangente por sinal, foi feita por Sean Hannity, na Fox News. Escusado será dizer que os ignorantes e preconceituosos que tremem só de ouvir o nome daquele canal, que invariavelmente chamam de «Faux News», não precisam de se incomodar em ver e ouvir. A não ser, claro, que estejam interessados em descobrir e em conhecer o «verdadeiro Obama», notório por: promessas quebradas; a conexão Saul Alinsky; (procurar o) poder absoluto; (entrar no) jogo da culpa; a «digressão da desculpa»; a «presidência imperial»; dar as boas-vindas a «Obamaville»; (aumentar a) dívida nacional; trair Israel; «fugir ao guião» (com maus resultados); (ter um) círculo próximo radical; (ter designado um) «czar verde»; muitas partidas de golfe; parecer um «Carter 2.0»; retrocessos em vez de progressos; apaziguamento (com os inimigos dos EUA).
Em resumo, são bem evidentes os modos em que, efectivamente, Barack Obama «transformou fundamentalmente» os EUA. Se essa transformação fundamental é irreversível ou não, saber-se-á em breve.           

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Raparigas da Califórnia

Está-se em pleno Verão, e, nos Estados Unidos da América em especial, e em todo o Mundo em geral, a estação estival nunca está completa sem se recordar e se ouvir os Beach Boys – que em 2012 assinalam os seus 50 anos de carreira (não, não são só os Rolling Stones...) e os 70 de Brian Wilson. De entre as suas muitas e conhecidas canções deve-se destacar também «California Girls», em que eles, depois de descreverem as qualidades de raparigas de outras partes do país, dizem que desejavam que todas elas fossem da Califórnia…
… Mas isso era antes. Agora, é de duvidar que eles sintam o mesmo, tendo em consideração alguns exemplares femininos que vêm daquele Estado – mais concretamente, espécimenes democratas. Os «rapazes da praia» sempre foram republicanos (já tocaram em comícios e em convenções do GOP), e Bruce Johnston, em particular, já fez este ano afirmações muito… fortes contra Barack Obama. Porém, mesmo que não fossem, não é de crer que se sentissem (bem) impressionados com figuras como Nancy Pelosi. A líder dos democratas na Casa dos Representantes já «mereceu» aqui uma e outra referência específica, tais são os dislates que ela dispara com uma assinalável regularidade. Como dizer que John Boehner, o speaker republicano, escolheu ir para o «lado negro»; ou que os democratas tentaram «salvar o Mundo do orçamento do GOP, salvar a vida neste planeta tal como a conhecemos»! E para que não restem quaisquer dúvidas de como Pelosi é degenerada e desavergonhada, ela teve o descaramento de acusar os republicanos, normalmente pró-vida, de não quererem proteger «o pequeno bebé nascido com um defeito» - «esquecendo-se» de que os seus camaradas democratas, como o actual presidente, não se opõem a que se abortem todos os bebés, com ou sem deficiências e para além das 12 primeiras semanas de gestação.  
É evidente que, no «Golden State», o ridículo não se restringe a São Francisco. De Oakland veio Barbara Boxer, que: acusou os cépticos das «alterações climáticas» e do «aquecimento global» de «porem em perigo a Humanidade»; acusou os republicanos de serem «mccartistas» por quererem investigar a Planned Parenthood, e comparou esta ao YMCA; e apelou a todos os «seres humanos que se auto-respeitam» a votarem em Barack Obama! E de Los Angeles veio Maxine Waters que, apesar de suspeita de corrupção e de ter sido acusada de violação de regras éticas pelo respectivo sub-comité do Congresso, ainda arranja tempo e inspiração para chamar «demónios» a colegas republicanos como Boehner e Eric Cantor, e exigir à Casa Branca um novo «programa de empregos» no valor de um trilião de dólares!
Há uma outra rapariga (democrata) da Califórnia que arranjou para ela um específico, interessante e «lucrativo» programa de emprego: Kinde Durkee, que foi tesoureira das campanhas eleitorais de Dianne Feinstein e trabalhou para outros políticos «azuis», foi acusada de ter desviado a cerca de 50 pessoas, incluído a própria senadora, mais de sete milhões de dólares. Não foi decididamente em alguém como ela(s) que Brian Wilson e Mike Love estavam a pensar quando escreveram a canção…  

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Que os Jogos comecem!

Começam hoje, em Londres, os Jogos Olímpicos de 2012. Apesar de a vertente desportiva dever ser sempre a mais importante e a que mais atenção, interesse e participação deve suscitar, é quase inevitável que outras questões, polémicas e controversas, especialmente de âmbito político ou económico, surjam ocasionalmente. Felizmente, e nas últimas edições, nenhuma foi tão grave e drástica como os boicotes consecutivos aos jogos de 1980, em Moscovo, e de 1984, em Los Angeles…
… Mas desta vez há uma controvérsia que traz incontestavelmente um leve «aroma» de «outros (bons e velhos?) tempos», de «guerra fria». Qual? Soube-se recentemente que os uniformes da representação dos Estados Unidos da América foram fabricados… na China! E este facto originou protestos de alguns políticos, quase todos democratas, indignados por as roupas não terem sido produzidas no próprio país, por empresas norte-americanas e por trabalhadores norte-americanos. O mais veemente foi Harry Reid, líder da maioria democrata no Senado, que declarou inclusivamente que o comité olímpico dos EUA «deveria ter vergonha» e que todas aquelas peças de vestuário deveriam ser amontoadas e queimadas! «Ecos» desta «bronca» chegaram a Pequim: a agência noticiosa (ou seja, de propaganda) Xinhua denunciou a «hipocrisia» e a «irresponsabilidade» da política norte-americana – que, recorde-se, e ao contrário da chinesa, (ainda) permite mais do que um ponto de vista.
Não consta – pelo menos tal não foi referido explicitamente – que o desagrado dos democratas também se devesse às (re)conhecidas deficientes condições de trabalho de muitas unidades industriais chinesas, habituais fornecedoras de várias empresas estrangeiras, incluindo norte-americanas – algumas, como a Apple e a Nike, já se ressentiram nas suas imagens devido a essas «ligações (algo) perigosas». E é de perguntar se, antes de terem decidido protestar, se sabiam – ou se recordavam – que a pessoa responsável pela decisão de fabricar na China os uniformes olímpicos norte-americanos é Ralph Lauren, famoso estilista e empresário, multimilionário, e que é também um dos mais notórios apoiantes e financiadores do Partido Democrata!
Há quem, como Ben Shapiro, suspeite que esta atitude dos democratas contra este «outsourcing têxtil-desportivo» mais não é do que a preparação de outra fase da campanha deles contra Mitt Romney sobre o mesmo tema: em 2002, os atletas norte-americanos que participaram nos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City terão envergado uniformes fabricados… no Canadá. Porém, deve-se fazer duas ressalvas: Romney foi «apenas» o responsável máximo do evento, e, como tal, pouca ou nenhuma influência teve na escolha do equipamento das equipas; e, fazendo a comparação em termos políticos e económicos, com enfoque em «direitos, liberdades e garantias», antes o «grande vizinho do Norte» (cujos habitantes, entretanto, já são mais ricos do que os americanos) do que o «Império do Meio»… 
De qualquer forma, e também neste âmbito, a vantagem é toda do ex-governador do Massachusetts: a sua acção enquanto CEO dos Jogos de 2002, com inegáveis e consideráveis custos pessoais, levando ao sucesso desportivo e financeiro uma organização que, antes de ele entrar, parecia inevitavelmente condenada ao fracasso, é uma enorme mais-valia no seu currículo profissional… e eleitoral. Por seu lado, Barack Obama limitou-se a ser o «padrinho» de uma candidatura fracassada de Chicago aos Jogos de 2016 (perdeu para o Rio de Janeiro). Assim, e se forem bem aproveitados pela sua campanha, estes Jogos Olímpicos que hoje se iniciam na capital inglesa poderão, mesmo que indirectamente, funcionar como uma poderosa manobra de promoção a favor de Mitt Romney nos seus... jogos políticos.      

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um gajo simpático?

John McCain cometeu esse erro em 2008, e talvez tenha sido o principal da sua campanha: considerou Barack Obama «a nice guy», um gajo simpático, uma boa pessoa, um candidato responsável, em vez de o ter atacado com… a verdade, que se podia depreender do que já então se sabia: um político «educado» na «Escola de Chicago», com tudo o que isso implica de corrupção, crime, golpes baixos e troca de favores, e que recebeu (por vontade própria) «formação complementar» de uma «galeria de notáveis» extremistas, marxistas, racistas e terroristas.
Mitt Romney pareceu, em 2012, e até determinado momento, repetir o erro do seu predecessor. Mas isso não faria qualquer sentido nem teria qualquer justificação, antes de mais porque quase quatro anos de constantes afirmações e acções ofensivas e divisivas, não só contra o Partido Republicano mas também contra todo o país, desvaneceram qualquer dúvida que pudesse subsistir acerca do mau carácter e dos poucos escrúpulos do homem que se tornou – inacreditavelmente, porque não tinha competência, experiência e qualificações (pessoais e profissionais) para tal – o 44º presidente dos EUA. E, agora que os «cães de ataque» do Sr. Hussein, como David Axelrod, Debbie Wasserman Schultz, Rahm Emanuel e Stephanie Cutter lhe chamam, com a maior das calmas e a bênção e o beneplácito do chefe, «ou criminoso («felon») ou mentiroso», é provável que Romney se tenha convencido definitivamente de que o seu opositor não inspira nem merece respeito, confiança e (um resto de) benefício da dúvida.
E repare-se no «raciocínio» (retorcido) dos obamistas: acusa-se o «inimigo» apenas com insinuações, sem apresentar provas; e, se ele responder, protestar, negar, está a ser «queixinhas», ou, pior, racista. É claro que isto só funciona se houver a complacência, e a cumplicidade, d(e algum)a comunicação social, raramente ou nunca disposta a apontar as contradições, as duplicidades, as hipocrisias, com uma memória maior ou menor consoante as pessoas e os partidos em causa. Lá como cá: será apenas ignorância e ingenuidade, ou algo pior, que faz com que uma jornalista supostamente com experiência na área internacional escreva que «para o presidente, é uma estratégia arriscada porque quebra a imagem de pureza firmada nas eleições de há quatro anos: o candidato que não usava tácticas sujas contra os seus rivais.» Eis uma «notícia de última hora»: Barack Obama nunca foi «puro» na política; nas suas campanhas para o Senado e na primária democrata de 2008 não faltaram exemplos de «tácticas sujas» - e outras tantas queixas de Hillary Clinton contra aquelas.
Mitt Romney «exportou» empregos americanos para o estrangeiro? Não há certeza disso; mas é certo que Obama o fez, directamente com o «estímulo» às «energias limpas», e indirectamente através do seu amigo e conselheiro Jeffrey Immelt, da General Electric. O presidente e os seus capangas sugerem que Romney é um criminoso? Então, nada melhor do que apresentar uma lista dos dez maiores, e verdadeiros, criminosos (há mais) com quem BHO tem ou teve relações – aliás, a suspeita persiste de que o Sr. Hussein seja o maior criminoso de todos. O presidente e os seus capangas exigem que Romney divulgue mais declarações de rendimentos dos que as legalmente exigidas (o que ele já fez)? Então, nada melhor do que apresentar uma lista dos dez principais documentos (há mais) que Barack Obama ainda não divulgou… em que se destacam os relativos à sua educação (ou falta dela). Em Portugal discute-se muito, actualmente, o percurso académico de Miguel Relvas (e, retroactiva e comparativamente, o de José Sócrates), mas não seria surpreendente se viesse a descobrir-se que o de Obama foi ainda mais tortuoso.
Que ninguém se deixe enganar pela propaganda e pela histeria, papagueada, entre outros, pelo anedótico o(Bama)nanista Chris Matthews, que, depois talvez de mais um «arrepio pela perna» (e consequente molhar das calças), declarou, surpreendido e indignado pelo «ódio» e pelas críticas que os republicanos fazem a BHO (pois é, porque será?), que «ele é o pai perfeito, o marido perfeito, o americano perfeito». Na verdade… ele não presta. Nem enquanto americano (se de facto o é) nem enquanto presidente. Como pai talvez, mas não como irmão e sobrinho: George Obama (sobre)vive num bairro de lata em Nairobi, e Onyango Obama e Zeituni Onyango tornaram-se imigrantes ilegais nos EUA. O Nº 44 não poderia «redistribuir» um pouco da sua riqueza para ajudar os seus familiares? Ou, por via de mais uma ordem executiva, vai conceder-lhes uma amnistia?  

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Acertar contas na Suíça

Não é novidade, e já referi aqui no Obamatório, que a campanha de Barack Obama, por nada ter de positivo a defender, optou por fazer consecutivas críticas e acusações – pessoais e profissionais – a Mitt Romney. Até agora todas – «bully», «tax cheat», «outsourcer» – se revelaram falsas, mas isso não tem impedido os «burros» de persistirem e de insistirem em «atirar barro à parede» - ou lama, ou m*rd* - a ver se alguma coisa «pega».
A mais recente dessas (risíveis) tentativas tem «Suíça» como palavra-chave. Aparentemente, o candidato do Partido Republicano e/ou a sua família tem ou teve dinheiro em pelo menos uma conta de um banco daquele país europeu, alegadamente no valor de três milhões de dólares – o que, só por si, não significa, logicamente, qualquer comportamento criminal ou incorrecto. Porém, isso não tem impedido várias figuras de relevo do Partido Democrata e da lamestream media de lançarem as mais torpes insinuações. Matthew Yglesias, da Slate, «descobriu» que Adolf Hitler também tinha uma conta na Suíça – sim, é tão «original» comparar um conservador ao líder nazi. Robert Gibbs disse que «o autocarro (de Mitt Romney) provavelmente foi feito na Suíça» - embora, «estranhamente», não tenha falado no de Barack Obama, que foi feito (de certeza) no Canadá. Martin O’Malley, governador do Maryland, afirmou – na mesma ocasião em que a sua repetitiva lengalenga feita de ocos talking points foi estilhaçada pelos factos e números apresentados pelo seu homólogo do Louisiana Bobby Jindal – que Romney «apostou contra os EUA» ao abrir uma conta na Suíça; no entanto, melhor faria O’Malley em mudar ele próprio de políticas, em especial as fiscais, que estão a afastar investidores do seu Estado. E não podia faltar Debbie Wasserman Schultz que, justificando o seu «título» de «A mais estúpida de 2011» e tentando repeti-lo em 2012, declarou que o ex-governador do Massachusetts não está «comprometido com a América» por ter contas bancárias no estrangeiro, na Suíça e não só; todavia, vem a descobrir-se que… a própria «Dumb Debbie» colocou parte do seu dinheiro num fundo de reforma que investiu, entre outras instituições, no maior grupo bancário privado suíço! E em empresas de países como o Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Índia, China e Japão!
Também não ajuda muito a credibilizar esta atoarda que George Clooney, não satisfeito com realizar jantares milionários de angariação de fundos para Barack Obama em Los Angeles, faça o mesmo… em Genebra. Enfim, que mais se pode dizer de tão deprimentes demonstrações de dualidade de critérios? Talvez que tais «quebras de memória» se devam a um excesso de consumo de queijo… suíço

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dia da «Dependência»

Hoje, 4 de Julho, é o Dia da Independência, o dia nacional dos Estados Unidos da América. Porém, neste ano de 2012, várias são as pessoas, a começar por Andrew Klavan, que se interrogam, que perguntam se este não será verdadeiramente o – primeiro - «Dia da Dependência». No seu livro «Da Democracia na América», Alexis de Toqueville avisou para a possibilidade de, no futuro, as imensas liberdades de que os norte-americanos goza(va)m virem a ser postas em causa por um «governo de gentileza tirânica», que «degradaria as pessoas sem as atormentar», tornando o Estado mais indispensável ao substituir a iniciativa privada em várias áreas e sectores de actividade, tornando os indivíduos cada vez mais dependentes e subordinados das instituições, e das ajudas, públicas, estabelecendo autênticas «políticas de dependência».
Com a recente decisão do Supremo Tribunal dos EUA de considerar constitucional o «Affordable Care Act» ou «ObamaCare», muitos receiam que esse momento tenha finalmente chegado. Mais concretamente, estará enfim aparentemente cumprida a promessa de Barack Obama de «transformar fundamentalmente» o país… que, em vez de USA, deveria chamar-se URSA? E tal não se infere apenas da – burocratizante, socializante - «reforma da saúde», cuja aprovação significa, para todos os efeitos, que o governo passa a ter o poder para obrigar os cidadãos a comprarem o que, e a comportarem-se como, aquele achar mais adequado. Tal mudança essencial também se depreende: da amnistia dada por Obama a quase um milhão de imigrantes ilegais, ao mesmo tempo que a sua administração tenta assegurar-lhes o direito de voto, combatendo os esforços de alguns Estados – como a Flórida – de «limpar» os cadernos eleitorais e de exigir uma identificação; da nomeação de Richard Griffin, um advogado com ligações à Máfia, para o Conselho Nacional de Relações Laborais; da classificação, pelo Departamento de Segurança Doméstica, como (potenciais) «terroristas» de cidadãos que «reverenciam a liberdade individual» e que «suspeitam de uma autoridade federal centralizada»; da (primeira) celebração pelo Pentágono do «orgulho gay», da homossexualidade, da bissexualidade e da transsexualidade, incluindo mensagens do presidente e do secretário da Defesa, Leon Panetta; do pedido de desculpas oficial apresentado por Hillary Clinton ao Paquistão pela morte acidental de civis daquele país por forças da NATO – mas ainda não há um pedido de desculpas do governo de Islamabad pela ajuda dada a Osama Bin Laden durante anos, nem se prevê que Shakil Afridi, que ajudou a localizar o líder da Al-Qaeda, seja libertado brevemente; enfim, da «inclinação» contínua de Obama perante homólogos estrangeiros – a mais recente foi com Felipe Calderon, presidente do México – no que é já uma indubitável «tradição» do seu mandato.
Outras tradições «vermelhas, brancas e azuis» mais antigas e genuínas parecem estar cada vez mais em risco ou mesmo em vias de extinção. Hastear e ostentar bandeiras das «estrelas e listras» são actos crescentemente condicionados, e até já se suspende o lançamento de fogo-de-artifício para não assustar pássaros! Sim, os EUA de 2012 são uma nação diferente – e pior – do que era em 2008. Ao menos, e enquanto não é proibido, que se ouça a música daquele que foi considerado a «primeira super-estrela» norte-americana: John Philip Sousa, que era filho de um português

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Leiam os lábios dele

Um facto incontestável: a decisão, tomada a 28 de Junho pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América, de considerar constitucional o «Affordable Care Act», mais conhecido como «ObamaCare», representou uma grande – e inesperada – victória para Barack Obama, a sua administração e o Partido Democrata. Outro facto tão ou mais incontestável: tratou-se de uma «victória de Pirro», uma «victória com sabor a derrota», cujas desvantagens a médio e a longo prazo serão muito maiores para os liberais do que as (virtuais?) vantagens imediatas e de curto prazo. Eles vão desejar – aliás, quase de certeza desejavam, antes da decisão – terem sido derrotados…
… Porque assim têm agora menos uma «força de bloqueio», o ST, contra a qual possam protestar e «motivar as tropas» nas «batalhas» desta «guerra eleitoral» que vai durar até 6 de Novembro. E o triunfo implica aceitar, mesmo que implicitamente, mesmo que contrariados, o argumento utilizado pelo tribunal para aprovar o «ObamaCare»: o mandato individual é um imposto. Habituados ao «hoje é verdade, amanhã é mentira», a mudarem de posições conforme as conveniências, a quererem «sol na eira e chuva no nabal», a não aceitarem as consequências pelos seus actos, os democratas ainda têm o descaramento de dizer que não se trata de um imposto. Esforço inútil, mas compreensível. Tal como os de George H. Bush (o pai) há 20 anos (a famosa e funesta frase «read my lips, no new taxes»), leiam os lábios dele: Barack Obama tinha dito e prometido – em especial numa entrevista a George Stephanopoulos em 2009 – que o AFA não constituía um novo imposto. Mas é, e vai afectar principalmente os menos ricos, ou seja, os que ganham menos de 250 mil dólares por ano – ou até mesmo os que ganham menos de 120 mil, sobre os quais, segundo algumas previsões, vão incidir 75% dos custos. Na verdade, e mais correctamente, a aplicação da «reforma da saúde» vai traduzir-se no aumento e/ou na introdução de sete impostos; centenas de biliões de dólares em novas despesas; maior carga fiscal sobre os militares; e, sim, estão previstos «painéis da morte» (embora não com esse nome, claro). Como se apercebeu imediatamente Rush Limbaugh após o veredicto, está-se perante «o maior aumento de impostos da história mundial».  
Naturalmente decepcionados, desanimados, desiludidos, com a decisão do Supremo Tribunal, os republicanos pouco ou nada beneficiarão questionando e criticando John Roberts, que, para surpresa geral, desempatou a favor dos «azuis», confirmando, aparentemente, as reservas que a sua nomeação suscitou, nomeadamente, a Ann Coulter e a Ben Shapiro. Terá o chief justice sucumbido às ameaças e às pressões dos democratas? Terá o juízo do juiz sido afectado pelos medicamentos contra a epilepsia? Nem deve o GOP deixar-se perturbar e provocar pelas comemorações dos «burros», previsivelmente caracterizadas pela arrogância e pela ordinarice de que até o presidente deu mostras – embora alguns mais lúcidos, como Ed Rendell e Geraldo Rivera, pressintam o perigo. O importante para os conservadores, para a direita norte-americana, é saber se, num contexto em que a reforma da saúde se tornará o assunto mais importante da campanha eleitoral, Mitt Romney, autor do «RomneyCare», será o candidato, o «porta-estandarte» ideal do movimento político contra o «ObamaCare». As dúvidas nunca desapareceram, e a recente, e desastrada, intervenção do seu conselheiro Eric Fehrnstrom apenas veio aumentá-las. Decididamente, é difícil não pensar que Rick Santorum tinha (alguma) razão.  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quarto Poder ou Quinta Coluna?

A campanha para a reeleição de Barack Obama não está a correr bem. Isto, na verdade, é um eufemismo: está a correr mal, não está mesmo muito distante de se tornar num desastre.
O candidato-presidente não só está a perder vantagem nas sondagens, ou até está já em desvantagem em várias, como está – ele próprio o admite – a angariar menos dinheiro do que se esperava, apesar do número recorde de eventos de angariação de fundos em que participou. O que está a ter consequências inesperadas, e até ridículas, como, por exemplo: redução da dimensão e da duração da convenção nacional democrata em Charlotte; não pagamento das despesas de (alguns) eventos; pedidos para que sejam doadas à campanha… prendas de casamento! Entretanto, e para «compensar», continua a aumentar o número de políticos democratas que (anunciam que) não vão estar presentes na convenção, que não apoiam (publicamente, pelo menos) a reeleição de Obama ou que, pura e simplesmente, se desvinculam do partido – em especial por causa da nova posição daquele sobre o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo, mas não só. Arthur Davis, no Alabama, e Jo Ann Nardelli, na Pensilvânia, são apenas dois exemplos de (ex-)figuras destacadas ao nível estadual do PD que decidiram transitar para o PR.
Estas e outras contrariedades e dificuldades mais não são do que consequências previsíveis das desilusões e das deficiências resultantes deste mandato presidencial, que pouco ou nada de bom, de positivo, tem para mostrar. E, nesta situação, como também seria previsível, a reacção «burra» tem sido mais, não tanto a de defender Barack Obama, mas de atacar Mitt Romney. E para isso continuam a contar com a colaboração de bastantes indivíduos e instituições dos media norte-americanos, que, mais do que omitirem, também mentem e caluniam (e apelam inclusive à violência) contra o candidato republicano. Desistiram de ser o Quarto Poder para se tornarem numa Quinta Coluna a favor do status quo «progressista».
Exemplos? Pode-se começar por Martin Bashir, da MSNBC, que, depois de alvitrar que Mitt Romney não é «material presidencial» porque não bebe álcool (!), fantasiou - com vídeo! - a explosão do autocarro do antigo governador do Massachusetts. Joy Behar, na Current (o canal televisivo de Al Gore), «limitou-se» a imaginar o incêndio da casa dele. Na Time, menos violentos, afirmam que o (quase) nomeado pelo GOP está «demasiado focado na economia» (que chatice!) e que «faz flip-flops em quase tudo» enquanto Barack Obama é «consistente»! Na NBC, continuando o que já é uma «tradição» naquela estação, editaram – deturparam – um registo audiovisual de Romney de forma a mostrá-lo como ignorante, ingénuo, out-of-touch. «Out» esteve também a ABC ao repetir a mentira de que Mitt teria, na Bain Capital, promovido o «outsourcing» através do «envio de empregos (norte-americanos) para a China»… mentira, aliás, originada no Washington Post, uma de entre as «coincidências» recentes – na verdade, conluios – entre posições da Casa Branca e «notícias» daquele jornal; e, afinal, foi Obama que se especializou nesse tipo de «exportação»… O New York Times, em editorial (não assinado), classifica o caso «Fast & Furious» como uma «luta partidária sem sentido». No Buzzfeed «produzem» anúncios em que Romney «publicita» Viagra. No Los Angeles Times questiona-se a utilização, por Ann Romney, e por motivos de saúde, de cavalos de competição. Enfim, os três principais canais televisivos dos EUA fizeram este ano muitas mais referências à riqueza de Romney do que as que fizeram em 2004 à de John Kerry.  
O que é mais surpreendente é que nem há, da parte de alguns «jornalistas» que à partida poderiam e deveriam ser considerados mais «equidistantes», qualquer pudor em assumir publicamente a preferência por um determinado partido – o Democrata – ou candidato – Barack Obama. Nomeadamente, Dean Singleton, presidente da Associated Press, que elogiou profusamente o actual presidente num encontro de… editores! Que garantias de isenção podem dar estes «profissionais»? Poucas ou nenhumas. Alguns, ao fim de muito tempo, e a custo, «abrem os olhos» e reconhecem a realidade tal como ela é. Como Greg Kandra, que, depois de 25 anos a trabalhar na mainstream (lamestream) media, se cansou de «defender o indefensável e de explicar o inexplicável». Agora um sacerdote, não custa a acreditar que a sua indignação se estenda ao silêncio quase total que a mesma MSM reservou para os processos em tribunal postos por dezenas de organizações religiosas norte-americanas contra a actual administração. Não os perdoais… porque eles sabem o que (não) fazem?    

sábado, 23 de junho de 2012

Amnésia e amnistia

Será um caso – um problema - de amnésia? Se é, tem estado a piorar consecutivamente e consideravelmente. Ao decidir e anunciar, no passado dia 15 de Junho, conceder uma autêntica amnistia a muitos milhares – talvez a quase um milhão! – de imigrantes ilegais através de uma ordem executiva, Barack Obama faz exactamente o contrário daquilo que disse há pouco mais de um ano: «Existem leis suficientes nos livros pelo Congresso, que são muito claras em termos de como temos de implementar o nosso sistema de imigração, que, para mim, ignorar, através simplesmente de uma ordem executiva, esses mandatos congressionais, não estaria conforme ao meu papel apropriado como presidente.»
Deve-se dizer que, à partida, dificilmente se colocaria em causa o (bom) princípio, vá lá, moral, que está no cerne desta iniciativa. Quem acredita que os filhos não devem ser punidos pelos «pecados» dos pais não pode deixar de concordar que o governo federal dos EUA cesse a deportação de imigrantes ilegais que tenham entrado involuntariamente no país com menos de 16 anos, e que agora tenham menos de 30, um cadastro criminal limpo, (pelo menos) um diploma liceal ou tenham prestado serviço nas forças armadas. Contudo, impõe-se a pergunta: neste caso os fins justificam os meios? Por se tratar de um assunto tão importante e sensível haveria toda a conveniência em se estabelecer uma política consensual, convergente, bi-partidária, de longo prazo. Marco Rubio, em especial, tem estado a trabalhar nesse sentido desde que entrou para o Senado, e viu algumas das suas propostas, que antes eram criticadas pelos liberais, serem agora apropriadas e louvadas por aqueles… devido a serem apresentadas por um presidente democrata. Enfim, é uma decisão populista, desesperada, demagógica e, quase de certeza, ilegal, inconstitucional, porque entra em matérias que são da competência (quase) exclusiva do Congresso, do poder legislativo; e eleitoralista, porque apela a um grupo específico da população, tal como o tinha sido a decisão de «apoiar» o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Porém, poucos dias depois, ainda não satisfeito, talvez, com a quantidade de polémica que provocara… e que o prejudicara, Barack Obama resolveu exercer novamente o seu poder de… executar, desta vez através do «privilégio executivo», para isentar Eric Holder de entregar ao Congresso todos os documentos que aquele exige relacionados com o caso «Fast & Furious». Já alvo de um processo de contempt (acusação de desobediência, desrespeito, desprezo para com os representantes do povo) por parte dos congressistas, o attorney-general vê enfraquecida, e não reforçada, a sua posição com a decisão do presidente – aumentando ainda mais as suspeitas, e quase certezas, de que o Departamento de Justiça cometeu graves erros, e até ilegalidades, no programa de entrega (des)controlada de armas a traficantes de droga mexicanos. Mais: Holder, ao pedir a protecção do «chefe», também se «esqueceu» do que prometeu em 2009 – de que seria o «advogado do povo», distante da Casa Branca; e Obama, com a sua decisão de conceder uma «amnistia» (pessoal e temporária) a Holder, envolve-se ele próprio, directamente, no processo, tornando-se igualmente suspeito aos olhos da opinião pública. Ou então foi mais um acesso de amnésia: em 2007 criticara o (ab)uso, por parte de George W. Bush, daquele mesmo poder. E àqueles que agora se indignam por Marco Rubio exigir a demissão do actual AG deve-se… recordar que, também em 2007, o então senador pelo Illinois exigiu – por motivos muito menos graves – a demissão de Alberto Gonzales, AG do Nº 43. A hipocrisia é tão evidente e escandalosa que nem Jon Stewart resistiu a satirizá-la…      
Aqueles que estão mais à esquerda dirão que Barack Obama não tem «lapsos de memória» mas que, simplesmente… «evolui»; não é, nunca foi um «flip-flopper», um «vira-casacas», um adepto de «o que hoje é verdade amanhã é mentira». Que ideia! É por isso que ele já «evoluiu» não só sobre o «casamento gay» e os poderes executivos do presidente mas também, entre outros temas, sobre o financiamento público de campanhas eleitorais, o aumento da dívida, o mandato individual na reforma da saúde, o encerramento da prisão de Guantanamo e o julgamento de terroristas em tribunais civis nos EUA – agora, e pelo contrário, esses terroristas, integrantes ou não de alguma «kill list», são simplesmente abatidos (à queima-roupa, por Navy Seal’s, ou à distância, por drones) sem sequer se procurar, antes, obter informações deles. O que se compreende, porque, «coitados», se fossem detidos e não mortos poderiam ser sujeitos a essa «tortura desumana» que é o waterboarding – que, recorde-se, foi aplicada a apenas três pessoas e nenhuma delas morreu por causa disso.
Enfim, também já se pode afirmar que, em Barack Obama, a «amnésia» surgiu precocemente. Desde logo, por não ter a certeza onde nasceu, no Havai ou no Quénia – sim, ele foi o primeiro birther. E, depois, por se ter «esquecido» de divulgar que: foi membro do (esquerdista e radical) Partido Novo; foi apoiado pelos Socialistas Democráticos da América; e tinha mesmo uma relação de amizade com Bill Ayers e Bernadine Dohrn, tendo frequentado a casa do casal de antigos terroristas pelo menos até 2005. No entanto, haja uma certa tolerância: o «mal» parece ser de família, porque o seu avô paterno, afinal, e ao contrário do que alegaram o próprio e os seus descendentes, não terá sido aprisionado e torturado pelos ingleses. Por tudo isto a ver vamos se, no futuro, não será Barack Obama a precisar de uma amnistia.