segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Amigos da onça

Aqui no Obamatório tenho continuamente divulgado actos e afirmações de estupidez, incompetência e maldade vindos de democratas e liberais contra republicanos e conservadores. Porém, isso não significa que os primeiros não saibam, não estejam conscientes… ocasionalmente, dos seus defeitos, das suas falhas, das suas insuficiências, bem como das do seu «grande chefe» do momento – isto é, do presidente do país, quando ele é «azul». Mais: por vezes até deixam transparecer as suas dúvidas, as suas desconfianças, as suas críticas. Por vontade própria ou forçados por outros… mas fazem-no. E aí fica demonstrado que a certeza quanto à(s) vitória(s) não é completa, que a fanfarronice não tem uma grande base de sustentação.
Chuck Schumer admitiu recentemente… o que (quase) toda a gente já sabe: que o actual presidente foi – é – o candidato que, na História dos EUA, mais dinheiro recebeu das firmas financeiras de Wall Street. Aliás, já antes Michael Moore havia declarado que aquela famosa rua de Nova Iorque «já tem o seu homem e o seu nome é Barack Obama». São factos e afirmações que não são muito favoráveis a quem quer ser visto como o defensor dos «99%», não é verdade? Porém, o senador por Nova Iorque não é o único senador democrata a admitir uma verdade inconveniente sobre o presidente. Outros cinco – Ben Nelson, Bill Nelson, Bob Casey, Joe Liberman e Joe Manchin – contestaram a recente intenção da administração de, no âmbito do «ObamaCare», forçar entidades de saúde (ligadas a igrejas) a fornecerem gratuitamente contraceptivos e pílulas abortivas - no que constitui talvez o maior ataque de um governo federal norte-americano à liberdade de religião no país. Tanto que Kathy Dahlkemper, ex-congressista democrata que perdeu o seu posto por ter votado favoravelmente a «reforma da saúde», veio admitir que teria procedido de outra forma se soubesse que tal afronta iria ocorrer…
… E quando também Chris Matthews classifica como «assustadora» aquela iniciativa da Casa Branca, então não restam quaisquer dúvidas quanto à gravidade da mesma. Entretanto, continuamos à espera que o Sr. «Arrepio pela Perna» revele as tais «histórias que eu ouço e que vocês não acreditariam» sobre a actual administração. Já o seu colega da MSNBC, Lawrence O’Donnell, não duvida de que Barack Obama não quer concorrer contra Mitt Romney. Por seu lado, Tina Brown (ex-Vanity Fair, ex-New Yorker, agora na Newsweek), afirmou que o Nº 44 «não gosta do seu trabalho… e não sabe exercer o poder» - não, ela não é simpatizante do GOP, muito pelo contrário. Até no Washington Post se verificam lapsos momentâneos de razão: aquele jornal criticou o «chumbo» do oleoduto Keystone e apelou ao «regresso» de Bill Clinton…      
… Embora a pessoa de apelido Clinton que continua a ser a mais desejada, entre os democratas, como alternativa é… Hillary! E não apenas como potencial substituta de Joe Biden enquanto vice-presidente, cargo para o qual Douglas Wilder, antigo governador da Virgínia, não reconhece competência ao homem do Delaware. Também para substituir o próprio Barack Obama! Tal é o desejo de Douglas Schoen e de Patrick Cadell, reputados operacionais «azuis», que querem que o actual presidente desista em favor da actual secretária de Estado! E a verdade é que, já neste mês de Janeiro, se verificaram movimentações na Carolina do Sul e no Nevada no sentido de colocarem o nome da ex-primeira dama nos boletins de voto das primárias.   
Nem entre os «irmãos» o apoio é já unânime e incondicional. Emanuel Cleaver, representante do Missouri, disse que o orçamento recentemente apresentado pela Casa Branca - que aumenta (ainda) mais a dívida, contrariando assim uma promessa de 2009 - é como que «um colapso nervoso em papel». E até Harry Belafonte e Cornel West, que ainda recentemente vilipendiavam Herman Cain, viraram-se contra Barack Obama: o primeiro declarou que ao presidente falta uma «bússola moral»; o segundo declarou que lhe falta… «espinha». Palavras muito duras que denunciam uma profunda decepção. E se dos vivos as críticas são o que são, então as dos mortos ganham uma outra ressonância: Steve Jobs, que não era conhecido como sendo um conservador, terá dito a Obama em 2010: «você está a dirigir-se para uma presidência de um termo».
Pode, pois, dizer-se que Barack Obama tem alguns «amigos da onça» entre as suas fileiras… mas merece-os totalmente! E, com «amigos» destes… mais fica facilitado o trabalho dos «inimigos».

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E se pagassem o que devem?

Na semana passada um ligeiro «arrepio» de satisfação e até de excitação percorreu os «obamistas» mais ou menos convictos, os apologistas do actual presidente norte-americano. A causa? A taxa de desemprego teria (alegadamente) registado o valor mais baixo dos últimos três anos. Porém, como aqui no Obamatório se presta mais atenção a factos do que a ficções e não se hesita em, quando é preciso, desempenhar a função de «desmancha-prazeres», não tardei a descobrir qual poderá ter sido um dos principais (ou até o principal dos) motivos para tal: é que o número de cidadãos activos – isto é, desempregados mas à procura de trabalho – baixou em 1,2 milhões no espaço de um mês. Portanto, o que aconteceu não foi tanto que aumentou o emprego mas sim, mais, que aumentou o número de pessoas que… desistiram de o procurar. E, obviamente, escusado será dizer – mas eu digo na mesma – que George W. Bush não beneficiou das mesmas «ginásticas» aritmético-gramaticais practicadas pelos media; então, em 2004 uma taxa de 5,6% era má mas em 2012 uma de 8,3 é boa?  
Este «episódio» não representa mais do que apenas um entre tantos de uma «série» que caracteriza as «Obamanomics» como uma sucessão de pouco mais do que efeitos especiais, de «smoke and mirrors», mesmo que tenham uma aparência high-tech, de alta tecnologia. E, aqui, a Solyndra continua a ser o pior exemplo, o maior escândalo entre vários de uma aposta nas «energias verdes» em que o verde mais nítido… é o das notas que transitaram dos cidadãos comuns para amigos e apoiantes dos democratas. Enquanto na sede da falida fabricante de painéis solares se destruiam dispendiosos e valiosos materiais, ia-se sabendo que: quase 180 milhões de dólares foram concedidos à Ener1 que… faliu; 1,4 biliões de dólares foram concedidos à BrightSource – empresa de Robert Kennedy Jr.! – que… faliu; 529 milhões de dólares para a Fisker Automotive que… já está a despedir pessoal; aquisição (para as forças armadas) de biocombustível à Solazyme (onde pontifica um ex-conselheiro de Bill Clinton)… a um preço quatro vezes superior ao de mercado. Ou seja, porque os comparsas não pagaram o que deviam… foram os contribuintes que pagaram.     
É inevitável a conclusão: os democratas preferem empresas «limpas»… que fracassam, a empresas «sujas»… com sucesso. Mais uma vez, é a ideologia a sobrepor-se à economia, é a teoria - a utopia, a miopia… - a impor-se à práctica. Só isso pode explicar a rejeição do oleoduto Keystone, para a qual se ouviram «justificações» inacreditáveis: há uma tentativa de «distorção das realizações» de Barack Obama por parte do «grande petróleo»; o «impacto ambiental» seria elevado e havia que proteger «a água e o ar que as nossas crianças bebem e respiram»; 20 mil empregos… «não são assim tantos empregos»; mais postos de trabalho s(er)ão criados pelo «alargamento do seguro de desemprego» do que seriam pelo oleoduto. Esta última afirmação, aliás, é apenas uma entre várias que demonstram a inabalável fé dos liberais-progressistas no Estado como incentivador/interventor/investidor da/na economia; como «explica» o actual presidente, «não somos bem sucedidos apenas por causa de nós próprios»; os cidadãos devem muito aos funcionários públicos, alguns dos quais – como os que estão nas agências federais – são «as pessoas que mais trabalham» no país!
Assim, e porque diminuir a dimensão do Estado, do governo federal, da administração pública, está, para os «burros», fora de questão, a ênfase é colocada não na redução da despesa mas sim no aumento da receita – ou seja, na subida de impostos. É por isso que cada vez mais se ouve Barack Obama e os seus «camaradas» - como Jan Schakowsky (a mesma que disse que 20 mil «não são muitos empregos»), cujo marido esteve preso por evasão fiscal – a insistirem que os «ricos» devem pagar a sua «fair share». Os mais ingénuos e/ou os menos informados poderão talvez ser levados a pensar que existe nos EUA uma fuga aos impostos em larga escala… mas não. Na verdade, e ao contrário do que dizem «ideólogos úteis» como Warren Buffett (que pode beneficiar bastante das políticas de BHO), os ricos já pagam, e muito, a sua «fair share». Por exemplo, em Nova Iorque 1% dos seus oito milhões de residentes paga 43% dos impostos. Entretanto, e curiosamente, soube-se que 36 assessores da Casa Branca devem mais de 800 mil dólares em impostos atrasados. Quem diria?! Logo, uma pergunta impõe-se: e se pagassem o que devem? De preferência antes de, hipocritamente, exigirem mais aos outros?
Não é só por isto que se deve duvidar das declarações de Barack Obama e da sua administração relativamente à economia – note-se que, neste âmbito, o Washington Post já lhes atribuiu a classificação de «três Pinóquios»! Não se deve esquecer, igualmente, que durante o mandato do Nº 44 já aumentaram, e muito: os preços de vários bens essenciais; e, evidentemente, e principalmente, a dívida norte-americana… mais do que todos os presidentes antes dele! E houve um certo senador pelo Illinois que teve o descaramento de dizer que o Nº 43 não era patriota por ter aumentado (mas menos) a dívida! Em resumo: deve-se desconfiar sempre quando é divulgado um indicador – taxa de desemprego, ou outro – positivo por parte deste presidente... aliás, é o que os próprios assessores dele não hesitam em fazer! Contrariamente ao que foi apregoado através de alguns sound bytes, não há (ainda) qualquer, e credível, «retoma económica» nos EUA - o próprio Obama admite que ela só deverá ocorrer dentro de um ou dois anos.    

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Levantem-se os «acusados»!

Se num ano «normal» as acusações feitas a políticos republicanos pelos seus congéneres democratas, e pelos cúmplices destes nos média, são elevadas, num ano «anormal» ou especial como é um de eleição presidencial (e em que o incumbente é um «burro»), já se sabe que os «processos de intenções» vão aumentar exponencialmente. 2012 ainda mal começou e já deu para perceber que não vai haver «excepção à regra». Vale tudo, ou quase, para a esquerda norte-americana, seja ela a «institucional» ou a «informativa», e o ridículo conhece sucessivamente novos e surpreendentes limites.
Antes de mais, e como não poderia deixar de ser, há as suspeitas de «racismo» em practicamente tudo o que os republicanos dizem e fazem… ou não dizem e não fazem. O GOP organiza um dos seus debates presidenciais no dia do feriado nacional em honra de Martin Luther King? Racismo! Porém, o Partido Democrata fez exactamente o mesmo em 2008… De qualquer forma, os espectadores desses debates são racistas! Mitt Romney dá dinheiro a uma sua apoiante afro-americana com problemas financeiros? Racismo! No entanto, imagine-se o que se diria se ele tivesse recusado ajudá-la… Newt Gingrich diz que Barack Obama é o «maior presidente das senhas de alimentação (food stamp president) da História dos EUA»? Racismo! Todavia, é verdade: nunca tantos norte-americanos beneficiaram como hoje daquele programa, e entre eles são mais os brancos do que os negros… Gingrich é também «racista» por causa da maneira como falou com Juan Williams (afro-americano liberal e colaborador da Fox)… Rick Perry já saiu da «corrida» presidencial, mas nem assim se livra de uma acusação de racismo… latente: a fofinha Wanda Sykes assegura que ele estaria quase, quase a proferir a palavra «nigger». Entretanto, Jan Brewer é acusada de ser… racista por se ter atrevido a «espetar» o dedo na cara de Barack Obama; contudo, o que nem todos dizem – como Brian Williams, que fez o mesmo a George W. Bush – é que a governadora do Arizona estava a reagir, irritada, a… uma acusação do presidente – de ela o ter denegrido num livro; aliás, o «racista» Bobby Jindal já havia sido protagonista de um incidente semelhante.
Compare-se com os democratas. Em Washington, Eric Holder defende-se das acusações de negligência (ou pior) no caso «Fast and Furious» alegando que aquelas são feitas… por ele e o presidente serem afro-americanos. Enfim, quem discorda de Barack Obama, quem o critica, só pode ser «racista». Mas, não esqueçamos, existem racistas «bons» e racistas «maus». Por exemplo, Bill Clinton, Joe Biden e Harry Reid podem fazer afirmações racistas envolvendo… Barack Obama, que pelo menos na MSNBC/MSDNC não serão chamados de… racistas.
Se não são acusados de racistas, o mais provável é serem acusados de… ricos. Neste caso, e recentemente, há apenas um visado: Mitt Romney. Com uma fortuna avaliada em 250 milhões de dólares, as insinuações sucedem-se, apesar de não haver um único indício – após divulgadas as suas declarações de impostos e as suas contas bancárias – de o antigo governador do Massachusetts ter obtido e mantido o seu dinheiro ilegalmente. Porém, o que a lamestream media não costuma repetir é que houve, e há, democratas tão ou mais abastados do que Romney. Exemplos? Franklin Roosevelt, John Kennedy… e John Kerry, cuja situação fiscal não mereceu da parte de John Heilemann a mesma atenção do que a tida para com a do candidato republicano. Este é igualmente, e regularmente, alvo de remoques por causa da Bain Capital, empresa a que pertenceu, e que costuma ser apresentada como um antro de especuladores sem escrúpulos. No entanto… surpresa! Aquela tem dado em campanhas eleitorais mais dinheiro a políticos democratas do que a políticos republicanos… numa proporção de três (dólares) para um! E nem sequer podem demonstrar que Romney é pouco generoso ou mesmo avarento: em 2010 e 2011 deu cerca de sete milhões de dólares a instituições de beneficência, o que correspondeu a 16% do seu rendimento. Já Barack Obama, em 2007, doou pouco mais de 240 mil dólares (5,7%); e Joe Biden, em 2010, doou 5350 dólares (1,4%). Não é muito, pois não?
Depois de tudo isto, só restava mesmo a um dos candidatos republicanos – no caso, Newt Gingrich – ser ridicularizado, por Jon Stewart mas não só, por ambicionar construir uma base lunar permanente. Há 50 anos qual foi a reacção ao desafio, lançado pelo então recém-empossado (e democrata) JFK, de mandar um homem à Lua até ao final da década de 60?      

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Agora também no Público

A partir de hoje os blogs Casa Branca, Era uma vez na América, EUA 2012, Máquina Política e, claro, Obamatório, passam também a dispor de ligações inseridas no blog Eleições EUA do Público – jornal de que sou colaborador, e cuja jornalista Rita Siza acedeu à minha sugestão, transmitida por telefone e por correio electrónico há cerca de duas semanas, de mencionar os nossos «espaços virtuais» exclusivamente dedicados à grande nação do outro lado do Atlântico. A ela e a toda a equipa do Público Online expresso aqui o meu agradecimento.
Pela minha parte já retribui a cortesia como devia, incluindo igualmente o Eleições EUA nos «Obséquios». Agora espero que os meus estimados colegas façam o mesmo. Um apelo que reforço em especial junto de Germano Almeida, do Casa Branca, que, desde que «reconverteu» o seu blog – de «2008» para «2012» - ainda não «reabriu» a sua área de ligações. Note-se que ele nunca colocou no CB uma imagem da capa do seu livro «Histórias da Casa Branca» (com ligação para a respectiva editora), ao contrário de mim, que o fiz assim que aquela obra foi publicada… Porém, e neste caso, dele se aguarda – e já tarda – uma demonstração de reciprocidade.       

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Terras da fantasia

Ontem, 24 de Janeiro, o dia ficou marcado por duas comunicações – uma ao início da manhã na Costa Oeste, a outra à noite na Costa Leste – provenientes das duas maiores terras da fantasia dos Estados Unidos da América: Los Angeles e Washington. Porém, a lista das nomeações para os Óscares de 2012, anunciada pelo presidente da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas, conseguiu ter uma maior relação com a realidade do que o discurso do Estado da União de 2012 proferido pelo presidente dos EUA… o que é dizer muito do distanciamento da Casa Branca perante o resto do país, já que os habitantes de Hollywood não são propriamente famosos por conhecerem e por se interessarem verdadeiramente pelas opiniões e pelos problemas dos seus compatriotas – ou, pelo menos, de metade daqueles (a que vota no GOP).
Para a grande (e mais antiga) festa do cinema, e quanto aos candidatos deste ano, aconteceu o mesmo que em outros: algumas ausências previstas, outras nem tanto. Não é de surpreender que Michael Fassbender, por «Shame», não esteja nomeado para melhor actor – os hipócritas de Hollywood são muito «prá-frentex» excepto quando se trata de nudez masculina. Mas já é de surpreender que Leonardo DiCaprio, por «J. Edgar», não esteja – afinal, este filme, escrito pelo mesmo argumentista de «Milk» (Dustin Lance Black, que ganhou um Óscar por aquele), reduz na práctica o impressionante percurso profissional do fundador do FBI à questão de saber se ele era ou não homossexual (aliás, não sou o único a pensar isso). Das outras categorias, e passando pela permanente anedota que é a de «melhor canção», destaque para a de «melhor documentário (longo)»: quando vi que um filme intitulado «Undefeated» estava nomeado exultei por um instante… até perceber que não se tratava de «(The) Undefeated» que é uma biografia de Sarah Palin mas sim de… outro. Sinceramente, alguma vez tal seria possível? Claro que não. Aldrabões como Al Gore e Michael Moore podem ser distinguidos na «Meca do cinema» mas nunca uma mulher conservadora que não aborta o seu filho deficiente.
Quanto à «grande (e mais antiga) festa da política norte-americana», viu-se… a «fita do costume» realizada e protagonizada por Barack Obama: retórica populista e divisiva num discurso que pareceu repetir… perdão, «reciclar» frases e expressões utilizadas anteriormente; como é que se pode levar a sério o seu «empenho» em criar empregos quando ele acabou com o oleoduto Keystone, que poderia proporcionar cerca de 20 mil postos de trabalho? Enfim, mais impostos para os «ricos» e mais «guerra de classes» parecem ser as «linhas de força» do «argumento» do Nº 44 para 2012. Na verdade, bem que ele poderia mudar-se permanentemente para Los Angeles, porque thrillers parecem ser a sua especialidade. É que, apesar de algumas reticências que surgiram recentemente quanto aos apoios financeiros e eleitorais que poderá receber dos «figurões» dos estúdios devido à sua posição ambígua face ao «Stop Online Piracy Act», Obama não deverá deixar de receber esses apoios… porque em Hollywood qualquer dúvida quanto a um democrata é invariavelmente e largamente superada pelo desprezo por um republicano.
De facto, e por vezes, parece que o Sr. Hussein já se está a «treinar» para uma carreira pós-presidência… como na semana passada, ao deslocar-se à (e discursar na) terra da fantasia por excelência que é o Walt Disney World. Newt Gingrich não perdeu a oportunidade de satirizar aquela visita, sugerindo que Mickey e Pateta teriam lugares garantidos na actual administração. Porém, a julgar pelo mais recente anúncio do Partido Republicano, construído como um trailer de um «filme» intitulado «1000 Dias sem um Orçamento», o «entretenimento» produzido pelo Partido Democrata não parece ser dirigido a todas as famílias.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ano Quatro

O Obamatório celebra hoje o seu terceiro aniversário e entra, assim, no seu quarto ano de existência – um ano aliás especialmente importante, e mesmo decisivo, porque irá culminar, em Novembro, com uma eleição presidencial. Até lá, e para além disso, continuará a ser o que tem sido: o mais abrangente e o mais acutilante blog português exclusivamente sobre a política e a sociedade, a comunicação e a cultura nos EUA, e em que as opiniões são sempre sustentadas por factos; aqui prova-se o que se afirma. Há quem considere outro(s) o(s) melhor(es)… mas só por ignorância e/ou por parcialidade, certamente…
Porém, não tem sido unicamente neste espaço, evidentemente, que eu intervenho regularmente no debate sobre os grandes temas da grande nação do outro lado do Atlântico. Na blogosfera não faltam «territórios» a necessitarem de informações e de esclarecimentos que eu de muito bom grado providencio; continuam a existir muitos boatos, mentiras, mitos, preconceitos, a precisarem de erradicação. Dependendo dos interlocutores, nuns casos faz-se a bem, e noutros casos… faz-se «à bruta»; ocasionalmente, com humor; e, obviamente, sempre assumindo-se os nomes que estão na origem, tanto o deste blog como o do seu autor – que não tem igualmente qualquer problema em exprimir a sua concordância e o seu apoio ao que outros escrevem, quando o merecem. Assim, já «assinei o livro de visitas», entre outros, de: A Arte da Fuga; Aventar; Blasfémias; Cachimbo de Magritte; Espectador Interessado; Estado Sentido; Forte Apache; Jugular; Lugares Comuns; Os Meus Livros; Pedro Santana Lopes; Praça do Bocage; PsicoLaranja. Outros há, como A Lei Seca, que não permitem comentários… mas aos quais não deixei de os enviar por correio electrónico (e devo dizer que Pedro Mexia respondeu-me).
De igual modo já assinalei a minha presença em todos os blogs-apenas-sobre-os-EUA feitos pelos meus estimados colegas aos quais faço o obséquio (esse plenamente retribuído, e que agradeço) de divulgar na coluna à direita do Obamatório. No entanto, e na verdade, nem todos ainda retribuíram as visitas. Nomeadamente: os autores do mais recente EUA 2012, de quem ainda estou à espera que demonstrem com factos certas afirmações ali feitas; e os do Era uma vez na América, de quem ainda estou à espera… do mesmo. Aliás, não deixa de ser curioso que foi com Nuno Gouveia – de quem estou ideologicamente mais próximo, de quem li tantos textos (mais no «Cachimbo de Magritte» e no «31 da Armada», é certo…) que subscreveria por inteiro – que tive o maior número de «discussões», por vezes bastante «acesas»… e invariavelmente por um só motivo: mulheres «às direitas» como Michele Bachmann e Sarah Palin. E nenhuma delas foi «a mais estúpida de 2011»!    

domingo, 15 de janeiro de 2012

Carregar a cruz

Mais um grande «escândalo», mais uma grande «polémica»: foram reveladas e divulgadas imagens de soldados norte-americanos no Afeganistão a urinarem sobre cadáveres de talibãs que tinham abatido. Envergonhada, indignada, a actual administração norte-americana não tardou… a pedir desculpa. Hillary Clinton e Leon Panetta exigiram investigações às chefias militares e deram explicações a Hamid Karzai, esse tão grande «aliado» e «amigo» dos EUA…
Pelo que até agora foi possível observar, Barack Obama não é responsabilizado pessoalmente por este caso como George W. Bush o foi pelo de Abu-Ghraib. E não seria inteiramente despropositado se assim acontecesse: de facto, o Nº 44 retirou tropas do Iraque e reforçou-as no Afeganistão – esta tornou-se efectivamente a «sua» guerra. Mais um caso de dualidade de critérios? Que ideia! Aliás, nenhuma ligação com os presentes inquilinos da Casa Branca fora estabelecida aquando de outros dois casos recentes: o de (alegados) abusos sobre prisioneiros e o de assassinato de civis afegãos, por outros grupos de militares dos EUA. No segundo desses casos os envolvidos já foram julgados e condenados em tribunal, tal como haviam sido os da famigerada prisão de Bagdad. Enfim, é a hipocrisia em todo o seu esplendor: pode-se matar terroristas, cara a cara com balas ou à distância com drones, mas não se deve «desrespeitar» as suas carcaças. Porque, afinal, os talibãs são tão «dignos» de respeito…
… E, segundo Joe Biden, não são o inimigo! Como é que os secretários de Estado e da Defesa não tremeriam de medo da reacção à «profanação» de terroristas muçulmanos quando é o próprio vice-presidente a declarar que eles não são os «maus da fita» e merecem ser parceiros de negociação? É a «lógica» democrata de apaziguamento, demonstrada também por: John Kerry, ao encontrar-se no Egipto com representantes da Irmandade Muçulmana, tendo saudado os resultados das eleições naquele país que deram a maioria dos votos a fundamentalistas islâmicos; Jeffrey Feltman (adjunto de Hillary Clinton), ao declarar que o seu governo quer dialogar com todos os partidos islâmicos que tomarem o poder nos seus países na sequência da «Primavera Árabe»; Dalia Mogahed, conselheira (muçulmana) de Barack Obama para «assuntos árabes e islâmicos», ao cancelar um encontro do presidente com o patriarca maronita (cristão) do Líbano; Mike Quigley, representante do Illinois, ao pedir desculpa «em nome da América» numa conferência islâmica em Chicago (nada de especial, estava só a seguir o exemplo do «chefe»); Leon Panetta, de novo, ao ratificar a classificação de «violência no local de trabalho» atribuída ao massacre em Fort Hood pelos seus subordinados no Departamento de Defesa! E convém lembrar que até a NASA foi «reorientada» para um «intercâmbio cultural» com o Médio-Oriente          
Não se pode, pois, dizer que os homens e as mulheres em uniforme que combatem no Afeganistão contam com uma «retaguarda» consistente e credível em casa. E, fora, no estrangeiro, no terreno, estão constantemente à mercê de ataques traiçoeiros: na semana passada um soldado afegão disparou sobre «colegas» norte-americanos que… jogavam voleibol, matando um e ferindo três. Este caso (o mais recente de vários semelhantes) mereceu igual destaque na comunicação social? Hamid Karzai pediu desculpa e prometeu que iria investigar? Não custa a acreditar que, lá longe, o moral das tropas esteja em baixo, sintam dúvidas e fiquem mais furiosos e predispostos a cometerem actos… menos honrosos. E nem sequer são autorizados (aqueles que o são) a mostrarem que são cristãos: até uma simples cruz que adornava uma capela improvisada, numa das bases da NATO, foi retirada pouco tempo antes do Natal!          
Mesmo que metaforicamente, os soldados que se «aliviaram» de tanta insegurança terão de «carregar a cruz» de terem desrespeitado, sim, a instituição a que pertencem, e não os que mataram. Eles erraram, «pecaram» (um pouco…), mas quem é que lhes pode «atirar a primeira pedra»? Os talibãs «bons» são os talibãs mortos: merecem, tanto na vida como na morte, serem tratados com violência e com desprezo; para eles não deve haver compreensão nem compaixão. E àqueles que disserem que tais sentimentos não são compatíveis com o Cristianismo, eu contraponho que no Afeganistão, e em outros países que têm o crescente nas bandeiras, trocar Maomé por Jesus pode traduzir-se numa execução. Há limites para «dar a outra face».
(Adenda: não são apenas os norte-americanos... quatro soldados franceses foram mortos por um soldado afegão.)     

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Entretanto, em Washington…

… E enquanto quase toda a gente anda entretida e distraída com as primárias do Partido Republicano, gastando milhares de caracteres em análises, especulações e previsões de resultados como se aquelas constituíssem uma qualquer competição desportiva, Barack Obama e a sua administração continuam a practicar o seu «business as usual». Mais concretamente, (tentar) «transformar fundamentalmente» os EUA nos seus… fundamentos - políticos, jurídicos, institucionais, ideológicos, culturais.
O mais recente «golpe(zinho) de Estado» (inconstitucional, ou quase) foi a nomeação de Richard Cordray como director do (novo) Gabinete de Protecção Financeira dos Consumidores, e de três membros para o Conselho Nacional de Relações Laborais… sem confirmação, aprovação, prévia do Congresso. E tais iniciativas presidenciais só são permitidas quando no Senado há um «recess» - isto é, uma pausa nas sessões legislativas – de pelo menos três dias, o que não aconteceu desta vez. O normalmente contido John Boehner classificou a decisão do presidente como «uma apropriação, sem precedente, de poder»; já o Nº 44 justificou-a dizendo que «tenho uma obrigação como presidente de fazer o que puder sem eles». Esta é pois mais um conflito criado pela Casa Branca, e desta vez não só entre democratas e republicanos: a Câmara de Comércio dos EUA ameaçou levar o caso a tribunal. Que «condenará» a Administração se seguir o «parecer» de Charles Krauthammer, de que esta acção é apenas «a última de uma longa série de acções fora-da-lei. Ao estilo de uma república das bananas».
Talvez típica também de uma ditadura da América Latina ou de África é o Acto de Autorização da Defesa Nacional, cuja disposição mais controversa é a (possibilidade de) detenção de suspeitos por tempo indeterminado – no que vai mais longe do que qualquer medida tomada por George W. Bush. Será que a ACLU e outros grupelhos esquerdistas extremistas, alegadamente pacifistas, irão levar os seus protestos ao ponto de chamarem igualmente a Barack Obama «criminoso de guerra»? Talvez não, porque, como que para «compensar», a Administração decidiu criar uma linha telefónica «especial» para prestar assistência a imigrantes ilegais que tenham sido presos (!); e poderá tentar utilizar dinheiro de impostos para produzir anúncios a favor do controlo de armas.
São acções – e intenções – como as referidas acima que fazem com que comentadores como David Limbaugh considerem que a esquerda norte-americana é algo «orwelliana». Afinal, pode não haver (ainda) um «Big Brother» mas já há uma... «Big Sister».          

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A mais estúpida de 2011

Os «balanços do ano» (anterior) devem sempre fazer-se… no (início do) ano seguinte. É pouco menos do que ridículo fazê-los com o ano em causa a decorrer, e em especial perto do Natal, quando falta uma semana para mudar de calendário e ainda tanto pode acontecer… O Obamatório não é adepto de retrospectivas prematuras…
… Pelo que é no primeiro texto de 2012 que anuncia aquela que escolheu como «a mais estúpida de 2011». Poder-se-á perguntar: «Mais estúpida? Mas quem ou o quê? Personalidade ou afirmação?» Sinceramente, a resposta é… ambas! Trata-se de um autêntico «dois em um», ou, mais correctamente, «duas em uma». Ao ter afirmado que os republicanos «estão a tentar viciar eleições ao bloquear o acesso de pessoas aos locais de voto porque sabem que não conseguem vencer pelos seus próprios méritos», Debbie Wasserman Schultz atingiu um nível de estupidez, de idiotice, de ordinarice que será difícil de igualar, quanto mais de superar. E qual é a «prova» que ela apresenta para uma acusação tão grave? A iniciativa por parte do GOP de (tentar) aprovar leis, se possível em todos os Estados, que exigem a todo o cidadão a apresentação de um documento de identificação que o habilite a votar! Parece, e é, algo de básico, de elementar, não é verdade? Imagine-se o que aconteceria, o que se diria se, por exemplo, em Portugal o Partido Socialista defendesse que era perfeitamente normal exercer-se aquele direito/dever cívico sem se mostrar o bilhete de identidade e/ou o cartão de eleitor!
Não se pense, porém, que Debbie Wasserman Schultz é a única no seu partido a pensar e a proferir tamanha parvoíce. Na verdade, é convicção generalizada entre os democratas que qualquer um pode e deve votar quando, onde e como quiser, independentemente de reunir as condições, os critérios, para tal. Outra representante «burra», Barbara Lee, equiparou a exigência de identificação eleitoral a um acto de racismo e de segregacionismo. John DeStefano, mayor de New Haven (cidade do Connecticut), quer que os imigrantes ilegais possam votar em eleições municipais. Caroline Heldman, «professora universitária», declara que a identificação (prévia de um eleitor) é «anti-democrática» e que a fraude eleitoral é menos provável do que ser-se atingido por um relâmpago! Perante tais opiniões (a que correspondem, sem dúvida, acções), é de surpreender que existam casos como o da ACORN? Que assinaturas como «Adolf Hitler» e «Mickey Mouse» sejam consideradas válidas nas tentativas de destituição de Scott Walker? Que em 2008 tenham existido irregularidades nas primárias democratas do Indiana que terão favorecido Barack Obama? No entanto, contraditória e ironicamente, um sindicato que é pró-PD (não são practicamente todos?) exige uma identificação com fotografia nas suas eleições internas!             
A afirmação citada acima seria sempre suficiente para valer à presidente do DNC a escolha como «a mais estúpida de 2011» (um critério para o cargo que ocupa?) Todavia, a verdade é que ela, no ano passado, cedo e por mais do que uma vez se «esforçou» por merecer tal «distinção». Destacámo-la logo aqui e aqui. E como não «admirar» a sua relutância em admitir o óbvio, o incontestável – o facto de o desemprego ter aumentado desde que o Nº 44 tomou posse? E o seu descaramento em apresentar-se como «líder judaica»?
Agora, e depois desta, sempre quero ver se certas pessoas continuam, levianamente, a (tentar) denegrir e diminuir Michele Bachmann e Sarah Palin…

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Passar o ano atrás das grades

Se quiséssemos exagerar de um modo caricatural, diríamos que existem três tipos de democratas: os que estiveram presos; os que estão presos; e os que ainda não estão presos. Pode-se e deve-se contrapor, e perguntar: mas não existem também republicanos – políticos, militantes, simpatizantes, apoiantes – que têm ou que tiveram problemas com a lei? Sem dúvida, e disso já demos um exemplo (entre outros possíveis) aqui no Obamatório. Porém, a propensão dos «azuis» para a ilegalidade é claramente superior à dos «encarnados»…
… E este ano de 2011 ficou marcado, entre outros casos, pela condenação a (pesadas) penas de prisão de dois homens, ambos por crimes de corrupção e de extorsão, que foram aliados muito próximos de Barack Obama, e não só no início da sua carreira pública e política: Rod Blagojevich (14 anos) e Antoin «Tony» Rezko (10 anos e meio). Este, «empresário» nas áreas do imobiliário e da restauração, já estava encarcerado e vai passar o ano atrás das grades, enquanto o ex-governador do Illinois vai aguardar em liberdade o resultado de um recurso. Entretanto, começa já em Janeiro – a não ser que o pedido de adiamento seja aceite – o julgamento de mais um grande nome dos «burros»: John Edwards, ex-senador e ex-candidato a presidente e a vice-presidente (com John Kerry em 2004), que é acusado de conspiração e de violação da lei das finanças eleitorais, e que, se condenado, poderá passar 30 anos (!) na prisão. Outro democrata proeminente cujo julgamento em tribunal é uma possibilidade cada vez maior: Jon Corzine. O ex-governador de Nova Jersey – derrotado em 2009 por Chris Christie – tentou explicar numa audiência no Congresso, mas sem grande sucesso, o que aconteceu a mais de um bilião de dólares que desapareceram das contas de clientes da companhia de investimentos MF Global, de que ele foi CEO.
Não se pense, no entanto, que entre os democratas a vontade de deitar a mão a valores e a votos alheios se restringe aos «peixes graúdos»: os «peixes miúdos» também mostram amiúde vontade de «progredir na carreira». Dois exemplos: Mary Hayashi, representante autárquica na Califórnia, foi detida em flagrante e acusada por roubo (de roupa) – ironicamente, um dos seus pelouros é a defesa do consumidor (!); Michael Loporto, também representante autárquico, mas em Nova Iorque, que admitiu ser culpado num caso de fraude eleitoral (falsificação de documentos de inscrição de eleitores), juntamente com três cúmplices.
Enfim, há aqueles cuja ausência numa prisão ou num tribunal provoca espanto. Como James Hoffa Jr. e Richard Trumka, que são talvez os mais poderosos líderes de confederações sindicais dos EUA, organizações que, naquele país, têm um perfil quase para-criminal: extorsão, intimidação e até agressão são prácticas a que recorrem regularmente para atingir os seus objectivos, que envolvem normalmente o apoio a políticos democratas e a oposição a republicanos. E como Barney Frank, representante do Massachusetts que, finalmente, decidiu «reformar-se» da política; incrivelmente, nunca foi judicialmente acusado pela sua (ir)responsabilidade no colapso do mercado imobiliário sub-prime que, por sua vez, causou a crise financeira mundial de 2008… nem pela sua cumplicidade no negócio de prostituição homossexual masculina montado por um dos seus «namorados» na sua própria casa! Foram mais de 30 os anos em que Frank serviu no Congresso, e cada um deles representou como que um annus… horribilis. Boas saídas e melhores entradas é o que (não) lhe desejamos.    
Que 2012, na política norte-americana, não seja «horrível» é o voto do Obamatório. Mas disso só poderemos ter a certeza a 7 de Novembro…          

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O «Grinch» existe…

… E o seu verdadeiro nome é Barack Obama. Seria de esperar que, após quase três anos a fazê-lo, o actual presidente norte-americano já se tivesse convencido de que é completamente inútil, e até contraproducente, insultar e provocar sistematicamente o Partido Republicano, os seus membros, simpatizantes e apoiantes, e todos os conservadores em geral – e essas «faltas de civilidade», ou pelo menos as principais, o Obamatório tem tentado divulgar. Mas não: apesar das várias vezes em que o «tiro» lhe saiu pela «culatra», o Nº 44 continua a insistir. Obama, obcecado? Que ideia…
A atoarda mais recente foi, imagine-se, dizer ao GOP para «não ser um "Grinch"»! Atoarda que, aliás, não tardaria a ser repetida, «papagueada», por uma «jornalista» da CBS. Aqueles que conhecem a personagem criada por Theodor «Dr. Seuss» Geisel, e encarnada, entre outros, por Jim Carrey num filme realizado por Ron Howard, sabem que o «Grinch» é um ser (imaginário) desagradável, que não só não gosta do Natal como tenta «roubá-lo», «destruí-lo». E qual é a inacreditável ironia aqui? É que foi o próprio Barack Obama, através do Departamento da Agricultura, a querer, aparentemente, «estragar» as festividades, ao propor a aplicação de uma taxa de 15 cêntimos – logo, aumentando o preço no mesmo valor – em cada árvore de Natal vendida! Porém, e perante a (previsível) contestação que começou a esboçar-se, a medida foi «adiada». Pelo que se o Sr. Hussein for reeleito no próximo ano é bem possível que então fique mais caro, em «comemoração da vitória», decorar uns ramos de pinheiro… Entretanto, isso não impede que a grande árvore em frente ao Capitólio tenha, não uma referência ao nazareno, mas sim ao havaiano – afinal, sempre é suposto ele ser o (novo) Messias…
Há que reconhecer, no entanto, que «taxar a árvore» nem é das afrontas mais graves que democratas, «progressistas» e esquerdistas regularmente – isto é, todos os anos em Dezembro – cometem contra o Natal. Desde há vários anos que se assiste nos EUA a uma autêntica guerra «politicamente/culturalmente correcta» ao carácter religioso da celebração, principalmente em entidades públicas mas não só. Abundam os casos de proibições, umas tentadas, outras concretizadas: de dizer e/ou de escrever, isto é, desejar, «Feliz Natal» («Merry Christmas»), impondo, em substituição, o mais «neutro» «Boas Festas» («Happy Holidays»); e de exibir figuras representando o Pai Natal, e Jesus, a Virgem Maria e os Reis Magos (exactamente, presépios) – ou, pelo menos, só autorizadas se existir, simultaneamente, a exibição de «símbolos do solstício». No fundo, o objectivo último é tirar o «Christ» de «Christmas». Do outro lado do Atlântico ninguém, nos últimos 15 anos (desde que a Fox News Channel começou), tem feito mais do que Bill O’Reilly para denunciar e combater estes disparates. Vejam-no e ouçam-no, só neste último mês: a recordar batalhas passadas; a zurzir numa escola do Texas e no governador de Rhode Island; a arrasar os serviços de correio do Congresso. Como ele, correctamente, lembra, o Natal é um feriado federal nos EUA, é (um)a «lei da Nação», e não uma palavra em relação à qual se deva ter vergonha.
Nada disto, claro, tem importância para a esquerda «secular» em geral e para os «burros» em particular. Mas que bom que seria que eles, neste assunto como em outros, se limitassem à crítica, mesmo que desabrida, e não se atrevessem ainda à profanação. Um exemplo? A 9 de Dezembro último, uma secção do PD de Houston realizou a sua «holiday party»… numa clínica da Planned Parenthood! Sim, isso mesmo: «celebraram» o nascimento de uma criança num local onde se fazem abortos! Muito sinceramente, começo a duvidar de que existam limites para a degenerescência dos democratas. Todavia, que a repulsa que eles suscitam não seja suficiente para impedir que tenhamos… um Feliz Natal!   

domingo, 18 de dezembro de 2011

Falta de «chá» (Parte 2)

Há quase exactamente dois meses (a 19 de Outubro), comentando os «ocupas de Wall Street» (e de outros locais), escrevi: «A questão principal que deve ser colocada é se a violência continuará a ser apenas (pouco mais do que) verbal (além das “palavras de ordem”, ameaças, actos de vandalismo, roubos, desobediência e consequentes detenções, (alegadas) violações)… ou se passará a ser literal e mais grave, isto é, com feridos e mortos. Há quem pense que isso é muito provável (e desejável?)»
Pois é: a violência deixou de ser apenas verbal; houve mesmo feridos e mortos; houve mesmo casos de violação, de assalto e de assédio sexual; venda e consumo de droga; perturbação geral da ordem pública e vandalismo. O que começou por ser (apenas, aparentemente) ingenuidade, irresponsabilidade e imbecilidade, degenerou em criminalidade. E chegou-se a um ponto em que até mayors democratas disseram «basta!» Aos «flea-baggers» foi dito que tinham de sair. Mas não o fizeram – não o estão a fazer – silenciosamente e pacificamente. E quando se recusam… arriscam-se a serem espancados, gaseados e presos.
Não se deve ter pena deles: a lista completa de ilegalidades é longa, diversificada… e assustadora. Porém, de entre o quadro geral há casos particulares que devem ser salientados: há quem apele a que… não sejam denunciados crimes; há crianças que são amedrontadas quando vão para a escola; outras que estão em tendas onde se comercializa heroína; ameaças de lançamento de cocktails Molotov… contra lojas cheias de pessoas; (tentativas de) paralisação de portos, impedindo assim o transporte de mercadorias… para todos, e não só para os «ricos»; interrupções de intervenções públicas de candidatos republicanos, como Michele Bachman e Newt Gingrich;  despedimentos em empresas prejudicadas pelas ocupações. Aliás, a questão do trabalho é tão só uma das várias em que se verificam contradições e incongruências – umas hilariantes, outras nem tanto – por parte dos «ocupas»: dizem não ter – e querer – empregos, mas rejeitam uma iniciativa que pretende precisamente solucionar esse problema; vociferam contra os bancos, mas não deixam de fazer depósitos neles; preconizam (?) a igualdade, mas subdividem-se em «classes» situadas em zonas diferentes!             
Entretanto, e por causa de todos estes episódios desagradáveis e degradantes, a esquerda em geral, o Partido Democrata em especial e a (cúmplice) comunicação social têm vindo a alterar o seu posicionamento perante os supostos representantes dos «99%»: há sinais de distanciamento e até mesmo de alguma «autofagia» - é sempre útil desmascarar os hipócritas de Hollywood… Enfim, a ocupação (de Wall Street e não só) é um falhanço: pretendia ser a resposta «progressista» ao Tea Party mas os dois movimentos não poderiam ser mais diferentes. E não só em civismo e em eficácia: um foi claramente mais protegido, e até privilegiado, em relação ao outro. Enquanto os «ocupas» puderam permanecer gratuitamente, e durante semanas, em espaços que sujavam ou mesmo destruíam, deixando a outros a «conta», os «fartos de impostos» («Taxed Enough Already») pagaram os custos, e submeteram-se aos formalismos burocráticos, inerentes à utilização legal – sempre por um dia – desses espaços. Pelo que, cada vez mais, e compreensivelmente, se fala em (exigir a) devolução do dinheiro despendido. Então uns são «filhos» e outros são «enteados»? No entanto, não há dúvida: os primeiros têm falta de «chá». E muita!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Powell: «powerless»

Se me fosse pedido um nome que, no panorama político norte-americano contemporâneo, melhor pudesse corporizar o conceito de «traidor», eu não teria quaisquer dúvidas na minha escolha: Colin Powell.
Em 2008, ao dar publicamente o seu apoio (e o seu voto) a Barack Obama, Colin Powell traiu John McCain não de uma, não de duas, mas sim de três maneiras: enquanto «amigo», enquanto antigo «camarada de armas» (ambos foram militares e são veteranos do Vietnam) e enquanto membro do mesmo partido. O ex-secretário de Estado, aliás, levara o seu cinismo ao ponto de, previamente, ter contribuído financeiramente para a campanha do senador pelo Arizona. E, por mais justificações que desse para a sua decisão, a certeza impôs-se quanto ao verdadeiro motivo daquela: racismo – a vontade de ver um «irmão de cor» como Presidente dos EUA, não obstante as diferenças ideológicas, o passado duvidoso e as reduzidas qualificações do então senador pelo Illinois e candidato pelo Partido Democrata.
Desde esse dia de infâmia… para si próprio, Colin Powell tem-se mantido mais ou menos discreto. Porém, quando «volta à superfície» é para, invariavelmente, directa ou indirectamente, criticar o campo que já foi o seu. Nomeadamente: o Partido Republicano, que ainda tem um «problema» com o racismo; os partidários (do GOP) que continuam a «atirar» sobre Barack Obama, tentando «deitá-lo abaixo e destruí-lo como figura política»; os elementos da «franja» (direitista) que criticam o presidente, não a propósito dos assuntos (relevantes), mas sim de «absurdos»; os «birthers» (entre eles Donald Trump), que foram «arrasados» quando Obama mostrou a sua certidão de nascimento; Dick Cheney, que na sua autobiografia fez referências menos elogiosas ao general; o Tea Party que, por insistir num «tom divisivo» e não querer fazer compromissos, não conseguirá produzir um candidato presidencial ganhador. No entanto, não teve para com os «Ocupas» (de Wall Street e de outros locais) palavras igualmente ácidas, pelo contrário: protestos como aqueles «são tão americanos como a tarte de maçã»!       
Todavia, ele já veio anunciar que (ainda) não está comprometido quer com Barack Obama quer com um candidato republicano para 2012. Que «desilusão»! Mal podemos esperar pela sua decisão! Agora a sério: querem ver um exemplo de um autêntico «Uncle Tom»? Olhem para Colin Powell. Oportunista, patético, impotente… powerless. Uma vergonha.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Jon Huntsman teria uma hipótese…

… Apesar de pequena e remota, de, enquanto candidato presidencial, conseguir a nomeação pelo Partido Republicano se deixasse de acreditar nessa fraude chamada «aquecimento global». Isto é algo que eu já pensei, que eu já disse para mim mesmo há bastante tempo. Entretanto, e aparentemente, o antigo governador do Utah poderá estar a fazer isso mesmo; e não se pode dizer que se trata de uma mudança de opinião por conveniência política – isto é, um flip-flop – mas sim, pura e simplesmente, por reconhecer que já são mais do que suficientes as provas de que os «dados» foram forjados e de que o alegado «consenso» no assunto é uma mistificação. E, na verdade, o escândalo (o furacão?) conhecido como «Climategate» não só não acalmou como continua, pelo contrário, a causar devastação entre os vigaristas que se apresentam como cientistas.
Se for definitivamente removido dos seus ombros o «fardo» que a crença nas supostas «alterações climáticas» representa para as suas aspirações, poucas ou nenhumas dúvidas restarão: Jon Huntsman é, dos sete que ainda permanecem na corrida, o melhor, o mais consistente e o mais credível dos candidatos republicanos. Também é mórmon e tem experiência executiva tanto no sector público como no sector privado… mas, ao contrário de Mitt Romney, não tem uma «história» de contradições nas suas posições nem fez aprovar algo parecido com o «RomneyCare» - do qual, aliás, é opositor, tal como do «ObamaCare». Também teve enquanto governador um excelente desempenho na economia e na criação de empregos no seu Estado… mas, ao contrário de Rick Perry, nunca foi democrata nem – horror! – apoiante de Al Gore. Enfim, em relação a Newt Gingrich… bem, diga-se apenas que se ficou pela primeira esposa e que não há indícios de infidelidade da sua parte, e o único momento de humor televisivo que protagonizou foi no programa Saturday Night Live e não num anúncio com – maior horror! – Nancy Pelosi.
Outro «pecado» que eventualmente lhe poderão (continuar a) apontar é o de ter sido, até Abril último, embaixador dos EUA na China por nomeação de Barack Obama. Porém, a sua carreira diplomática – com um enfoque especial na Ásia e no Pacífico – vem de longe: por nomeação de George H. Bush foi também embaixador em Singapura. Trabalhou em Taipé, na Formosa. E colaborou igualmente nas administrações de Ronald Reagan e de George W. Bush.             
Jon Huntsman, compreensivelmente, não se cansa, sempre que tem uma oportunidade, de recordar o seu currículo e as suas credenciais – como, por exemplo, numa entrevista recente a Sean Hannity. Erick Erickson, outro conservador influente, admitiu que, perante as más opções que são Gingrich e Romney, iria reconsiderar a sua rejeição inicial do antigo governador. E três das filhas deste não têm regateado o seu apoio bem-humorado ao pai. No entanto, tudo isto, provavelmente, não será suficiente e vem tarde de mais para o tornar um sério competidor. Não obstante o seu apelido, o «caçador» terá deixado escapar a «presa».   

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Michelle ou Michele?

Na semana passada, e quase ao mesmo tempo (pouco mais de um dia de intervalo), tanto Michelle Obama como Michele Bachmann foram desrespeitadas em público. A primeira-dama dos EUA foi vaiada por uma parte do público que assistia, em Miami, a uma corrida do campeonato automobilístico NASCAR. A congressista e candidata presidencial foi convidada por Jimmy Fallon a participar no programa daquele… e a sua entrada no estúdio foi feita ao som de uma canção chamada «Lyin’ Ass Bitch».
Qual das duas tem mais razões de queixa? Qual das duas pode dizer que foi mais ofendida do que a outra? Michelle, alvo de um protesto espontâneo mas inócuo, ou Michele, alvo de um insulto premeditado e cobarde? É indubitável que é a segunda. E esta evidência não é condicionável ou alterável por divisões político-ideológicas, comparações entre as coberturas mediáticas dos dois casos, o que Rush Limbaugh disse ou não disse… e os (sinceros?) pedidos de desculpas apresentados pelos (ir)responsáveis da («surpresa»!) NBC.   
Em última análise, tratou-se de mais um caso – e são já tantos! – de (tentativa de) destruição do carácter de uma mulher política conservadora. Mais uma vez, os tão «tolerantes» liberais pouco mais fazem do que chamar «nomes feios» aos adversários… e, se não é a falar,  é a cantar. «Criatividade» não lhes falta.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vai chamar «preguiçosos»…

… A outros! Preguiçoso és tu! Estas podem ter sido as reacções, as respostas imediatas e compreensíveis de muitos norte-americanos quando, na semana passada, e durante uma conferência no âmbito da Cooperação Económica Ásia-Pacífico realizada no Havai (território que, para Barack Obama, fica na Ásia!), ouviram o presidente a queixar-se de que os EUA têm sido um pouco «preguiçosos» na captação de investimento externo nos últimos 20 anos – período de tempo que inclui, note-se, não só as presidências dos dois George Bush (pai e filho) mas também a de Bill Clinton…
Na verdade, não constituiu uma surpresa que, mais uma vez (e já foram tantas!), o Nº 44 tenha, junto de estrangeiros, criticado, desvalorizado e até troçado (d)os seus compatriotas e/ou (d)o seu país, que considera já ter sido ultrapassado (pelos chineses) e pelo qual já pediu desculpa (aos muçulmanos)… Novamente mostrou não ter uma atitude e um comportamento «presidenciáveis», mas este incidente revestiu-se de uma ironia especial: é que o próprio Barack Obama, sempre ansioso, pressuroso, em aprovar a sua «jobs bill» (que é, sim, mais um plano de estímulo – leia-se «de despesa» - disfarçado) e em acusar o(s republicanos do) Congresso de nada fazer(em) para dinamizar a economia, se mostrou efectivamente… preguiçoso ao (não) tomar, recentemente, decisões que afectam – isto é, impedem – a aplicação de investimento e a criação de empregos!
São dois os casos principais em questão que demonstram aquela asserção. O primeiro é o da iniciativa da Boeing de construir uma nova fábrica na Carolina do Sul; o «problema» é que naquele Estado vigora o «right to work», ou seja, tem uma lei que proíbe a inscrição obrigatória em sindicatos, e estes, tradicionais apoiantes dos democratas, não hesitaram, por si próprios e através do National Labor Relations Board (um organismo do governo federal) em contestar (judicialmente) e em (tentar) impedir o investimento (interno) da conhecida companhia aero-espacial. O segundo caso é o da intenção da empresa TransCanada de construir um novo oleoduto (o Keystone XL) desde Alberta até ao Golfo do México; o «problema» é que, para não hostilizar os ecologistas – incluindo algumas «estrelas hollywoodescas» - que também são tradicionais apoiantes dos democratas, Barack Obama adiou a tomada de uma decisão para 2013… sim, exactamente, para depois da eleição presidencial!   
Porém, não se pense que estes são os únicos exemplos de sobreposição dos (seus) interesses políticos aos económicos por parte da actual administração norte-americana: sabe-se agora que o Departamento de Energia pediu à Solyndra que adiasse o anúncio de despedimentos para depois das eleições de Novembro de 2010 para, assim, não prejudicar (mais) os resultados dos democratas… Enfim, é sempre útil saber quais são as verdadeiras prioridades de quem ocupa a Casa Branca.