quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hipócritas sem hipóteses

Diz-se que «mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo». E também se pode dizer que «mais depressa se apanha um hipócrita do que um mentiroso». Num contexto ultra-mediático como é o actual, com múltiplos e diversificados canais e recursos, dificilmente os hipócritas têm hipóteses de «escapar» a serem desmascarados.
O panorama político-cultural nos EUA não cessa de fornecer exemplos dessa evidência. Comece-se por Michael Moore: sempre pronto a criticar o capitalismo (o tema, aliás, do seu filme mais recente), não surpreendeu que viesse a público apoiar o movimento «Occupy Wall Street» e todas as suas «réplicas» a nível nacional. Porém, nem tudo lhe tem corrido bem desde então: irritou-se quando um repórter (da CBS) lhe perguntou se a sua fortuna – avaliada em 50 milhões de dólares – o tornava parte dos alegados «1%»… contra os quais os «ocupas» protestam; e talvez tenha lido um artigo escrito pelo produtor Gavin Polone e publicado no Hollywood Reporter, em que se descreve um acordo financeiro, feito em 2005, por uma empresa cinematográfica (a dos irmãos Weinstein) com… a Goldman Sachs, e do qual Moore foi um dos maiores (e poucos) beneficiados.
Na verdade, é uma característica comum a muitos «liberais» e «progressistas» a tendência para, frequentemente, «morderem a mão» de quem lhes «dá de comer». O Partido Democrata não tardou a receber inúmeros avisos vindos de uma certa rua em Nova Iorque assim que dirigentes daquele – a começar pelo actual presidente do país – começaram a manifestar simpatia e até apoio pelos «ocupas». Habituais financiadores dos «burros» avisaram: «não podem tê-lo de duas maneiras». E um empresário milionário, democrata… e afro-americano, Robert Johnson, foi claro: «penso que o presidente tem de recalibrar a sua mensagem. Não se consegue que as pessoas gostem de ti atacando-as ou rebaixando o sucesso delas.» E ainda criticou Barack Obama por optar pela demagogia «simplesmente porque Warren Buffet diz que paga mais (impostos) do que a sua secretária.»
E, ocasionalmente, nem é preciso que outros denunciem os hipócritas: os próprios se encarregam disso. Graças a um microfone ligado desapareceram as dúvidas (que já não eram muitas…) sobre o que o Sr. Hussein pensa do actual primeiro-ministro israelita; e certamente que Benjamin Nathaniahu não seria tão desrespeitado por um «comandante em chefe» republicano… qualquer que ele fosse. Como, por exemplo, Herman Cain, que actualmente enfrenta a pior das hipocrisias, a da «isenta» comunicação social, que, no que se refere a alegados casos de «assédio (ou abuso) sexual», dão ao candidato do GOP um destaque muito, muito maior do que os que deram a Bill Clinton e a John Edwards.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

«Recuperação» duvidosa

É verdade que não é a primeira vez que acontece, mas desta vez o «coro» dos meus estimados colegas-da-blogosfera-nacional-que-analisam-a-política-nos-EUA mostrou-se mais «afinado» do que nunca. A 2 de Novembro: «Obama recupera». No mesmo dia, três horas antes: «Obama recupera». A 15 de Outubro: «Barack dá sinais de vida».
Quem não soubesse do que se tratava poderia pensar, apenas pela leitura dos títulos, que o presidente norte-americano tinha sobrevivido a um grave acidente ou a uma doença… Mas não: o tema em comum era a alegada «recuperação» de Barack Obama nas sondagens, isto é, o (suposto) aumento da sua popularidade, e o (hipotético) retomar da iniciativa política por parte da sua administração. Porém, «desalinhado» e melhor informado como habitualmente, o Obamatório esclarece: quando muito, o Sr. Hussein viu diminuída, um pouco, a sua impopularidade; o seu «saldo» continua a ser negativo, pelo que o seu «estado» continua a ser… crítico.
E mesmo que se tratasse de um problema de saúde, do «ObamaCare» dificilmente viriam benefícios. O próprio Barack já admitiu que os custos irão aumentar… e, com tanta pressa em ver concretizada a sua «obra», até se engana no calendário de aplicação… O que já antes se verificava mantém-se e até se acentuou: são cada vez maiores e mais evidentes as desvantagens da «reforma» do sistema de saúde aprovada em 2009. Com efeito, o governo federal vai: desenhar um «pacote de benefícios básicos»… para cerca de 70 milhões de norte-americanos que já têm um seguro de saúde (!); exigir às seguradoras as informações e os dados constantes nos ficheiros dos seus clientes; obrigar todos os contribuintes a subsidiar abortos, contracepções e esterilizações – mesmo os que, por motivos religiosos (como os cristãos), se oponham. Alguém falou em «Grande Irmão»?          
Além de que, como não podia deixar de ser, deverá aumentar o tempo de espera para receber cuidados de saúde. Mas isso, segundo Michael Moore, não é um problema para os «americanos patriotas». E, em alternativa, ele poderá levá-los para Cuba, esse país democrático e desenvolvido…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

… Como os democratas?

O dia 31 de Outubro significa, nos EUA, o Dia… das Bruxas (e de outros seres maléficos e sobrenaturais), isto é, o Halloween. E aqui no Obamatório voltamos a assinalar esta data, com humor, como convém…
… E neste ano de 2011 o destaque é dado a «The Ghost Breakers», um filme de 1940 realizado por George Marshall e protagonizado por Bob Hope. Porquê esta escolha? Porque a minha filha mais velha, nos seus regulares «passeios» pelo You Tube, encontrou e indicou-me este breve, extraordinário e hilariante excerto, que, ainda hoje, ajuda a «explicar» tanto do que se passa do outro lado do Atlântico. O enredo envolve um castelo (mal) assombrado onde, para além de um fantasma, existe um zombie. Diz a personagem Geoff Montgomery: «É pior do que horrível porque um zombie não tem vontade própria. É vê-los por vezes andarem às voltas cegamente, com olhos mortos, seguindo ordens, não sabendo o que fazem, não se preocupando.» Responde a personagem Larry Lawrence (desempenhada por Hope): «Quer dizer, como os democratas?»  
Sim, os tempos mudaram! Os democratas e os seus apoiantes liberais não só recusaram ser retratados como mortos-vivos como «devolveram» a descrição aos republicanos e aos seus apoiantes conservadores. Não através de uma simples piada numa comédia ingénua mas sim de um vídeo-jogo em que personalidades da política e da comunicação social como Brit Hume, Michele Bachman, Mike Huckabee, Newt Gingrich, Rick Santorum, Sarah Palin, Sean Hannity e Bill O’Reilly são apresentados como zombies prontos a serem massacrados. Estará o entretenimento electrónico de mau gosto abrangido pela «nova civilidade no discurso» pedida por Barack Obama? Provavelmente não porque, como já tantas vezes demonstrámos aqui, parece que só ao GOP é exigida contenção, e a «demonização» (vem mesmo a propósito…) de líderes democratas é «irresponsável», como se queixou Debbie Wasserman Schultz. Que depois pode, como todos os seus «camaradas», acusar os republicanos de quererem (ou, pelo menos, não se importarem) que americanos morram. 
Porém, não é «demonização» dizer, como fez Paul Ryan, o indesmentível: que os democratas, a começar por Barack Obama, têm usado (e abusado) de uma «retórica polarizadora que põe classe contra classe», e que propicia a proliferação da inveja, do medo e do ressentimento. Sentimentos que até poderiam ser apropriados… para o Halloween, mas não para a realidade do dia-a-dia. A estratégia de confronto e de perversão (de princípios, de conceitos basilares dos EUA) seguida pela actual administração tem estado a contribuir para que muitos norte-americanos se vejam a percorrer, mesmo que involuntariamente, como que uma «estrada para o Inferno». E este, como relembra Andrew Klavan, está cheio de (aparentes) «boas intenções» que tantas vezes trazem más consequências.     

domingo, 23 de outubro de 2011

O drama de Obama

Enquanto se foi tornando (mais) conhecido e até pouco depois de tomar posse como presidente, Barack Obama chegou a ser cognominado de «No Drama Obama» - porque, supostamente, ele se caracterizava pela sua calma, pelo seu tom conciliador acima das querelas político-partidárias, pela sua capacidade em unir uma nação desavinda e desunida. Não que isso alguma vez tivesse sido mesmo verdade…
Porém, agora, poucas dúvidas restam de que o Nº 44 é um(a) autêntico(a) «drama queen», sempre a exagerar (ainda mais) os floreados retóricos, e sempre pronto para fazer quer ameaças veladas (ou nem tanto…) quer exigências irrazoáveis quer súplicas arrevesadas… E parece passar rapidamente de umas para outras como que demonstrando uma indesejável instabilidade emocional para quem desempenha um cargo tão importante… No entanto, e em contrapartida, mostra ter um «talento» considerável para representar, para fazer figuras (tristes), enfim, para o teatro… ou (dadas as câmaras que normalmente o acompanham) para cinema e para a televisão. Assim, e quando se «celebram» os seus primeiros 1000 dias como presidente dos EUA, passemos em revista alguns dos seus mais recentes e notáveis «desempenhos»…
… No «drama épico». Barack Obama regularmente lança algumas «bravatas»… que, contraditórias, não soam muito convincentes: apelou a que «não se permita que o povo americano seja um dano colateral na guerra política em Washington»; ordenou aos seus conselheiros que descobrissem «como aprovar projectos de estímulo sem autorização adicional do Congresso»; pediu que «se colocassem de lado ressentimentos pessoais em prol do bem maior»; exigiu aos seus «irmãos» que «parem de se queixar e marchem (por ele)». Ao que a sempre «subtil» Maxine Waters, sem dúvida a pensar na superior taxa de desemprego entre os afro-americanos (em relação à média nacional), respondeu que «Obama nunca diria aos judeus ou aos gays para pararem de se queixar.» Curiosamente, o presidente poderia repreender-se a si próprio, porque se… queixou de que os EUA «costumavam ter as melhores coisas» (agora é a China que as tem).
… No «melodrama». Barack Obama ocasionalmente tem os seus momentos de «sinceridade», de fraqueza (?), de «carência»: declara que «perdemos a nossa ambição, a nossa imaginação, e a nossa vontade de fazer coisas (como a ponte Golden Gate, em São Francisco)»; admite que «o povo americano não está melhor agora do que estava há quatro anos»… embora esteja convencido de que «todas as escolhas que fizemos foram as acertadas»; deve ser isto que o leva a declarar «se me amam ajudem-me a passar este decreto» (!) Sim, o Congressional Black Caucus ama-o tanto que o seu líder disse que se o Sr. Hussein «não fosse o presidente, estaríamos a marchar para a Casa Branca.»     
… Na «comédia dramática». Barack Obama continua a lançar «piadas de mau gosto» sobre os republicanos… mas o riso não é muito: eles não querem (que a América seja) «um lugar onde as pessoas possam ter sucesso não obstante a sua aparência»; eles querem «o ar mais sujo, a água mais suja, menos pessoas com seguro de saúde»; e «talvez não tenham percebido o diploma para o emprego». Convém esclarecer que são os democratas no Senado que mais se opõem a que a «jobs bill» vá a votação, e que o Sr. Hussein nem sequer assegurou para si a própria designação daquela iniciativa legislativa(!)… o que pode talvez também explicar porque, desta vez, alguns humoristas resolveram gozar com o presidente, conseguindo, eles sim, algumas gargalhadas.
O que não falta a Barack Obama são palavras e, como o demonstrou (pela terceira vez) Andrew Klavan, elas têm servido principalmente para ele «falar porcaria» (isto é, fazer afirmações falsas e/ou sem sentido) . Pior, se a essas palavras forem contrapostos os números da sua governação, o quadro daí resultante é demonstrativo… e devastador. Todavia, ainda tem a protecção da maior parte dos media, que, por exemplo(s), não o ridicularizam (como fizeram a Sarah Palin sobre os jornais que ela lia) quando ele se atrapalha a (tentar) dizer quais os sítios na Internet em que navega, nem o denunciam quando ele mente sobre a situação profissional de um professor que utilizou como «adereço» num dos seus discursos . E é este autêntico «proteccionismo», esta (continuada) dualidade de critérios que constitui, precisamente, um dos maiores e verdadeiros dramas.   

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Diz-me quem te apoia…

… E dir-te-ei quem és? Que os «ocupantes de Wall Street» e de outras ruas e cidades dos Estados Unidos da América tenham recebido a solidariedade do Partido Democrata em geral, e, em particular, de Barack Obama (que para isso se atreveu a invocar o nome de Martin Luther King), Nancy Pelosi e Al Gore, entre outros, não é propriamente uma surpresa. O mesmo se pode dizer em relação às presenças, nos «protestos», de Alec Baldwin, Al Sharpton, Danny Glover, Kanye West, Keith Olbermann, Michael Moore, Susan Sarandon, Tim Robbins… enfim, os «suspeitos do costume».
Porém, o panorama começa a ficar realmente perturbador quando os «ocupas» contam igualmente com o encorajamento, e até a participação, dos («novos») Panteras Negras, dos neo-nazis e dos comunistas norte-americanos. E com o entendimento e a aprovação da China, da Coreia do Nortedo Irão, da Venezuela… Sim, tudo gente «respeitável». Tão «respeitável» como, por exemplo, dois dos principais organizadores da iniciativa: Robert Creamer, marido de Jan Schakowsky (representante do Illinois pelo Partido Democrata), operacional da campanha de Barack Obama em 2008, e que cumpriu pena de prisão por evasão fiscal e fraude bancária; e Lisa Fithian, activista sindical e anti-semita. Aliás, e tal como o anti-capitalismo, o ódio a Israel e aos judeus já se tornou um traço distintivo deste movimento.
A questão principal que deve ser colocada é se a violência continuará a ser apenas (pouco mais do que) verbal (além das «palavras de ordem», ameaças, actos de vandalismo, roubos, desobediência e consequentes detenções, (alegadas) violações)… ou se passará a ser literal e mais grave, isto é, com feridos e mortos. Há quem pense que isso é muito provável (e desejável?). E a partir do momento em que são disponibilizados mapas com alvos potenciais, como que convidando a acções mais radicais… as hipóteses de ocorrer uma tragédia aumentam. O melhor será esperar que a meteorologia permita que se «arrefeçam os ânimos», forçando os «campistas» a desmontar a «tenda», eventualmente deixando uma grande... poia. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sinais de desespero

A esquerda, tanto em Portugal como nos Estados Unidos da América (e no resto do Mundo), é «sinistra» devido aos conceitos e objectivos que habitualmente a caracterizam, independentemente do contexto geográfico e histórico: primazia atribuída ao Estado, e não ao mercado, na condução da economia – um processo que habitualmente causa elevados défices e dívidas, se não mesmo falências; complacência, simpatia e até apoio para com ditadores e terroristas; disponibilidade, prioridade e até urgência na realização de acções de reengenharia social e cultural, mesmo que tenham a oposição da maioria da população. E, porque perde sempre o debate com a direita porque não tem factos e lógica para suportar aqueles seus «princípios», a esquerda recorre invariavelmente ao insulto, à mentira e até ao incitamento à violência para dissimular a perniciosidade dos seus propósitos e manter a «moral» dos seus adeptos.
Nos EUA os democratas, tanto os políticos como os seus cúmplices na comunicação social e no entretenimento, já se comportavam assim quando Barack Obama tinha acabado de tomar posse e ainda gozava de altos índices de popularidade. Mas agora que ele vai descendo nas sondagens a cada semana que passa e deverá ceder o seu lugar em Janeiro de 2013 a um republicano… seja ele qual for, os «progressistas» têm vindo a acelerar os incidentes e os seus acessos de irritação (e de idiotice), que constituem outros tantos sinais de desespero. As marchas que se têm multiplicado em várias cidades dos EUA, e de que a mais notória foi – e ainda é – a que pretende «ocupar Wall Street», representam precisamente o maior desses sinais: reúnem fundamentalmente auto-denominados socialistas e até comunistas que querem a abolição do capitalismo e a redistribuição (para eles) do dinheiro dos ricos – estes, segundo alguns, até deveriam ser decapitados se recusassem ser roubados; todos eles ou quase foram, são e vão ser votantes e apoiantes de Obama… que, claro, já demonstrou compreensão para com os manifestantes - aliás, ele incentivou-os ao acusar constantemente os «ricos» de não pagarem o que devem (como Jeffrey Immelt, CEO da GE e consultor da Casa Branca?) Entretanto, os ocupantes estão a ser organizados e pagos por sindicatos e estão a c*g*r-se – literalmente – para a polícia. Além de que constituem «distracções» de casos como o «Fast & Furious» e o Solyndra...  Ann Coulter tem (mais uma vez) razão: por questões de higiene e não só, os «OWS's» formam como que um «Flea Party» («Partido das Pulgas»)! Inevitavelmente, fazem-se comparações com os protestos do Tea Party… e as diferenças são flagrantes nos fins e nos meios, na eficácia da mensagem e no civismo do comportamento. Os «partidários do chá» sabem que é contra o(s) governos(s) que se deve protestar e não contra as empresas, sejam elas do sector industrial ou do sector financeiro… e este, convém recordar, deu em 2008 ao então senador e candidato Obama as maiores contribuições da história das campanhas norte-americanas - um cenário que até se pode repetir em 2012.
Nos media, o panorama não é o mesmo porque… está cada vez pior. Não é surpreendente que a lamestream media, em que se destacam o New York Times e a ABC (e a CBS e a NBC…), celebre os ocupantes de Wall Street e tenha condenado os tea partiers. Nem é surpreendente que na MSNBC não existam, definitivamente, limites para a falta de profissionalismo e de respeito, para o baixo nível e o mau gosto. Thomas Roberts diz que «os republicanos querem construir uma máquina do tempo para (viajarem até) quando a escravatura era “fixe”» (isto é, supõe-se, quando os democratas a defendiam). Martin Bashir serve-se das mortes de Steve Jobs e de Fred Shuttlesworth para vilipendiar, respectivamente, Sarah Palin e Herman Cain. Lawrence O’Donnell acusa Cain de não ter participado nas campanhas dos direitos civis e de ter fugido à guerra do Vietnam – note-se que o candidato foi funcionário civil da Marinha norte-americana (como especialista em balística!) enquanto o apresentador, ele sim, esteve sete anos, entre 1969 e 1976, na universidade para não ir para a Indochina!
O recrudescimento dos ataques a Herman Cain, previsíveis após o seu aumento de popularidade na corrida pela nomeação republicana, constitui outro evidente sinal de desespero por parte dos «guardiões do templo liberal», que pura e simplesmente não «encaixam» a possibilidade de vir a haver um presidente pelo GOP e… negro! É por isso que Joy Behar, essa «voz da sabedoria», diz que aquele partido «não tem sido amigo dos negros há séculos» - os que não são estúpidos nem ignorantes sabem que o PR foi fundado em meados do século XIX para combater a escravatura e, na década de 60 do século passado, o seu apoio às leis dos direitos civis foi superior ao do PD… É por isso que Cornell Belcher e Eugene Robinson, ambos negros, acusam Cain de ser racista e (como um) segregacionista! Quando o medo é muito, o ridículo mostra-se em todo o seu requinte… Como eu os compreendo: se estivesse no lugar deles, provavelmente também ficaria aterrorizado ao ouvir um discurso como este.
Enfim, é o desespero que pode explicar igualmente a «proposta» de Beverly Perdue de «suspender as eleições para o Congresso durante dois anos até a economia recuperar»... e, ao contrário de Manuela Ferreira Leite, não estava a brincar. Então e agora? Não é isto um verdadeiro sinal de «incapacidade intelectual»? Uma «aberração» (mental) da qual a governadora (democrata) da Carolina do Norte se deveria «regenerar»?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais um? Quem diria!

Rezwan Ferdaus: este é o nome do mais recente potencial – ou efectivo – terrorista detectado e detido por planear – ou cometer – atentados terroristas nos EUA. E… quem diria? É mais um muçulmano! Outro que se junta à tal «galeria» (da infâmia) que já inclui nomes como o de Yonathan Melaku, o de Mohamed Osman Mohamud, o de Umar Farouk Abdulmutallab, o de Faisal Shahzad, o de Nidal Malik Hasan… enfim, tudo «boa gente» que professa a denominada «religião da paz»!
Este padrão «islamo-bombista» apenas vê aumentada com o tempo a sua intensidade – e recorde-se que os atacantes de 11 de Setembro de 2001 eram todos muçulmanos, e que os culpados do primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993, eram todos muçulmanos. Porém, as evidências não parecem ser suficientes para o Departamento de Segurança Interna, que continua a apontar para «americanos brancos da classe média» como os «terroristas mais prováveis» - um critério que continua a ser seguido pela TSA nas suas «apalpações selectivas». Quem também resiste à realidade é a entidade – financiada por George Soros! – que organizou um «curso de jornalismo sobre o Islão», e que tinha como um dos objectivos «contextualizar» a ameaça que a Jihad representa e o número de vítimas que provoca… quando comparada com outras causas de morte, como as doenças! Uma «perspectiva» partilhada no New York Times, onde se escreve a apelar a que «não se tenha medo da lei islâmica na América»!
A (aparente) bonomia com que os seguidores de Maomé são encarados pela esquerda norte-americana parece, no entanto, ser contraditada pela práctica continuada de assassínio selectivo de terroristas muçulmanos, da qual Anwar al-Awlaqi – um cidadão norte-americano! – é o mais recente alvo atingido. É caso para perguntar onde estão todos aqueles que chamaram a George W. Bush «criminoso de guerra»… Se Barack Obama ainda hoje se queixa de que herdou do seu antecessor uma má economia, porque é que não diz também que herdou dele um bom sistema anti-terrorista? Além de que «segurança nacional e política externa de sucesso» deve ser muito mais do que matar jihadistas com mísseis teleguiados.
(Adenda: este texto constitui o post Nº 200 do Obamatório, uma marca devidamente assinalada no meu outro blog, o Octanas.) 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Diplomacia… macia

Há uma «narrativa» que, compreensivelmente, tem vindo a ser defendida por alguns apologistas de Barack Obama, tanto do outro lado do Atlântico como deste: a de que a presidência daquele, mesmo que seja, ou venha a ser, considerada «falhada», «fracassada» no plano interno, não o é ou não o será no plano externo – pelo contrário, até se pode falar em êxito no que se refere aos negócios estrangeiros. Mas tal fantasia também não corresponde, como é óbvio, à realidade.
Ao nível doméstico, «vitórias com sabor a derrotas» (porque são contestadas pela maioria dos americanos) como a aprovação do «plano de estímulo à economia» (que não a estimulou, bem pelo contrário) e do «ObamaCare», e a revogação da «Don’t Ask, Don’t Tell», não podem nem devem ser «compensadas» pelo Prémio Nobel da Paz em 2009, que não tardaria em ser desautorizado, desvalorizado, e mesmo anulado, entre outros «belicismos», pelo recrudescimento das operações no Afeganistão e pela intervenção na Líbia (não ratificada pelo Congresso). Saindo do campo militar para o civil, as recentes críticas à União Europeia – e, mais concretamente, à forma como aquela tem estado a lidar com a crise na zona Euro decorrente do colapso da Grécia – feitas pelo presidente americano poderão finalmente, quem sabe, e a julgar pela polémica que provocaram (em especial na Alemanha, onde os comentários de BHO foram considerados «absurdos» e «arrogantes»), começar a quebrar o «muro de protecção» que a comunicação social do Velho Continente ainda mantém, na sua maioria, à volta do Sr. Hussein – divulgando pouco ou mal o que verdadeiramente acontece nos EUA.
Entretanto, o que aconteceu neste mês de Setembro em Nova Iorque, na sede da Organização das Nações Unidas, acabou por constituir mais uma demonstração da falta de tacto do Nº 44 também na frente externa… e de como a diplomacia norte-americana, liderada formalmente por Hillary Clinton mas na verdade conduzida e condicionada pelas atitudes de Barack Obama, se tem revelada… macia para com adversários e inimigos e dura para com aliados e amigos. Antes, o discurso dele perante a assembleia geral não havia sido grande coisa. Depois, a exigência feita, no mesmo local, por Mahmoud Abbas do reconhecimento unilateral da Palestina como estado independente mais não foi do que a última consequência da estratégia de apaziguamento para com o Islão preconizada por Obama. A manobra do líder da Autoridade Palestiniana não passou de um atrevimento, de uma provocação que se sabia, à partida, sem possibilidade de sucesso: o veto será sempre (?) a resposta inevitável para com um regime que não reconhece a existência de Israel, que não corta relações com o Hamas e que favorece a criação de um sistema de apartheid entre árabes e judeus. No entanto, o exibicionismo de Abbas pode ter sido estimulado pelas afirmações e acções de uma administração, e do seu chefe, que, por exemplo, e só nos últimos meses: «removeu» Jerusalém de Israel; afirma que o Islão «sempre fez parte da nossa família americana»; autoriza que militares colaborem na construção de um «centro islâmico» no Afeganistão; pressiona o Congresso a manter o apoio financeiro à AP; contacta – e, logo, reconhece oficialmente – a Irmandade Muçulmana (do Egipto); e confunde «jews» com «janitors» (porteiros) … É pois de surpreender que Obama registe uma aprovação de 80% entre os muçulmanos americanos?
Àqueles que podem achar risível a «solução de um Estado» proposta por Andrew Klavan, e que consiste em dar todo o Médio Oriente aos judeus (!), é de perguntar se não acham ridícula a «análise» de Barack Obama de que aquela região tem registado um «abalo teutónico» (!!!)… Aliás, naquela parte do Mundo e em outras têm acontecido vários «abalos tectónicos», grandes e pequenos, e de que os EUA nem sempre se saem bem: na Síria o embaixador Robert Ford foi alvo de ataques por parte de partidários do ditador Bashar al-Assad… mas a Casa Branca não protestou; do Gabão veio o ditador (e filho de ditador) Ali Bongo para a Casa Branca, a convite do filho de queniano; e para a Argentina foi o apoio dos EUA na questão da soberania das ilhas Falklands, através de uma declaração unânime da Organização dos Estados Americanos – ou seja, subscrita também por Washington – apelando a Londres para entrar em negociações com Buenos Aires relativas ao futuro daquele arquipélago.                  
Perante todas estas posições… comprometedoras da diplomacia norte-americana, compreende-se perfeitamente porque é que Vladimir Putin apoia e aguarda com entusiasmo a reeleição de Barack Obama!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Escândalos à escolha

A falência (fraudulenta) da Solyndra, que agora é um dos temas mais em destaque na comunicação social dos EUA (mesmo na lamestream) e está sob investigação do FBI, já havia sido referida no Obamatório, em Março.
O caso é significativo e relevante em sim mesmo. Recordemo-lo: uma empresa que tinha como seu maior accionista George Kaiser, um apoiante e financiador de Barack Obama (e que o visitou na Casa Branca), encerrou depois de ter recebido mais de 500 milhões de dólares no âmbito do «programa de estímulo à economia»; existem vários estudos e recomendações, por parte de departamentos governamentais, a desaconselharem a concessão daquelas verbas, e que terão sido ignorados e mesmo contrariados por altas figuras da actual administração, entre as quais Valerie Jarrett, Joe Biden e o próprio Obama… que visitou a sede da companhia e a apontou como um modelo para «um futuro mais brilhante e próspero»; a anterior administração (de George W. Bush) recusou dar qualquer suporte à Solyndra. Mas o caso é também significativo e relevante enquanto (o pior) exemplo da política de criação de «empregos verdes» dos democratas, em que mais de 17 biliões de dólares foram gastos na criação de pouco mais de 3500 postos de trabalho… isto é, cada um custou cerca de cinco milhões! Para tornar a coisa mais ridícula, lembre-se que a Casa Branca continua sem painéis solares no telhado, pelo que se justifica perguntar: porque é que não os compraram à Solyndra? Porque não tinham qualidade suficiente?    
Jon Stewart referiu-se a este caso como um «escândalo Obama encomendado à medida» para os republicanos, e que proporcionaria ainda à Fox News «uma erecção que duraria mais de quatro horas». Só que… há mais por onde escolher! Igualmente em Março mencionei no Obamatório outro escândalo que envolve cada vez mais esta administração: o chamado «Fast and Furious», em que a ATF (organização policial do Departamento de Justiça que se dedica ao controlo de álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos) promoveu a venda de armamento a criminosos mexicanos com o objectivo de se infiltrar nas suas organizações… mas acabou por perder o controlo sobre a operação, tendo inclusivamente um agente norte-americano sido assassinado com uma dessas armas! Também por este caso, em que é quase impossível alegar desconhecimento, e não só devido às suas prácticas discriminatórias no DdJ, Eric Holder vê a sua posição ser cada vez mais insustentável.
E como não há duas sem três… «Lightsquared» é a «palavra-passe» do mais recente escândalo a afectar a Casa Branca, e é igualmente o nome de uma empresa de telecomunicações – que tem como maior accionista Philip Falcone, outro apoiante e financiador de Barack Obama! – que quer construir uma avançada rede de banda larga. O problema é que: primeiro, se concretizada, essa rede irá interferir com as comunicações das forças armadas, em especial o sistema de GPS utilizado por aquelas; segundo, o general William Sheldon, da força aérea, revelou recentemente que foi pressionado pela Casa Branca para alterar o seu testemunho numa audiência no Congresso sobre o assunto… no sentido de desvalorizar os perigos resultantes do projecto daquela empresa.    
Dos três escândalos, um – o «Fast and Furious» - já começou a ser investigado pelo Congresso, e os outros dois deverão sê-lo muito em breve. Porém, e como já salientou John Kass num jornal da «cidade ventosa», isto «cheira» mais (e mal) a Chicago do que a Washington; nada representa de novo, apesar de estar em causa muito mais dinheiro.

sábado, 17 de setembro de 2011

É preciso fazer um desenho?

O democrata Anthony Weiner captou e divulgou fotografias da sua «salsicha»… e o resultado foi que um republicano ocupa agora aquele que era o seu lugar na Casa dos Representantes em Washington.
Esta é a forma mais simples (e jocosa) de resumir o processo que levou à vitória (por 53% contra 47% dos votos), a 13 de Setembro último, de Robert Turner na eleição especial do 9º distrito eleitoral de Nova Iorque. Ao analisar-se o resultado foram apresentadas duas causas principais para o desaire democrata… e ambas de carácter nacional e não local: a (má) situação da economia e a (degradada) relação com Israel – um tema sensível numa zona com uma importante comunidade judaica. Ou seja, a votação em Nova Iorque terá consistido num pequeno «referendo» das políticas – e da popularidade – de Barack Obama.
É uma conclusão correcta… mas nem todos terão apreendido na totalidade as implicações deste triunfo «vermelho» naquele que é (era?) considerado «um dos distritos mais azuis da nação» - onde um «elefante» já não triunfava desde 1920 (!) e onde a proporção de democratas para republicanos nos eleitores registados é de três para um. Repare-se: ao contrário do seu opositor David Weprin, do seu antecessor Anthony Weiner e do seu apoiante – e antigo mayor (democrata!) de Nova Iorque – Ed Koch, Bob Turner não é judeu mas sim cristão e católico... e reside no distrito pelo qual concorria, ao contrário de Weprin! E é contra: a construção de uma mesquita perto do Ground Zero; a amnistia de imigrantes ilegais; o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo; a legalização do aborto; o ObamaCare; o aumento de impostos. E não acredita no «aquecimento global»! Ou seja, é o completo oposto de Weiner!  Turner é como que uma corporização de tudo o que os «progressistas» não são… e não gostam; é um verdadeiro conservador que vem da «liberal» Nova Iorque e que é agora uma «voz» daquela!     
Os «obamistas» compreendem o que isto quer dizer? São suficientes as palavras… ou é preciso fazer um desenho? A vitória de Bob Turner é ainda mais significativa – e simbólica – do que a de Scott Brown no Massachusetts (tomando o lugar do Senado que era de Edward Kennedy) e a de Mark Kirk no Illinois (tomando o lugar do Senado que era de Barack Obama). Representa mais um avassalador aviso, mais um preocupante prenúncio (para os «burros») do que irá acontecer em 2012. Pelo que é de recear que se sucedam mais casos como os de fraude eleitoral no Connecticut (suspeita) e em Nova Iorque (comprovada), e desvio de fundos de campanha na Califórnia… isto, sim, é «manipulação» e «batota»! Para já não falar de acções «sindicais» violentas contra opositores - esses «filhos da puta», como lhes chamou James Hoffa na presença do Sr. Hussein, o tal que apelou a uma maior «civilidade» no discurso político. E se os democratas já se comportam assim quando não estão (muito) desesperados… imagine-se o que poderá acontecer até Novembro do próximo ano!  

domingo, 11 de setembro de 2011

Parece que foi ontem

Passam hoje dez anos sobre os atentados terroristas nos Estados Unidos da América, que provocaram perto de três mil mortos, e em que os alvos foram as duas torres do World Trade Center em Nova Iorque (destruídas), o Pentágono (danificado) e, muito provavelmente, o Capitólio em Washington (salvo). Como é possível? Sim, não é original dizê-lo, mas é a verdade do que sinto: parece que foi ontem.
Onde é que eu estava, nessa distante mas tão próxima terça-feira de 2001? Em Lisboa, a trabalhar, mais precisamente na Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, de cuja revista, Comunicações, eu era redactor. Tinha acabado de vir do almoço, passava pouco das 14 horas. Numa outra sala, perto da minha, estava um televisor ligado. Já não me lembro em que canal estava sintonizado, mas creio que se estabelecera uma ligação em directo após o embate do primeiro avião; ainda não se sabia o que acontecera, não havia certezas, mas pensava-se, dizia-se, que fora um acidente. Por pouco tempo: quando o segundo avião veio… as dúvidas dissiparam-se. Pelas janelas eu podia ver, como habitualmente, a Avenida Fontes Pereira de Melo, o edifício-sede da Portugal Telecom, o edifício Imaviz, o Hotel Sheraton; aparentemente estava tudo na mesma… mas algo havia mudado, e muito, para sempre. E nos minutos, horas, dias seguintes, foi quase impossível pensar, falar, saber, sobre outro assunto. E nas semanas, meses, anos, que se seguiram nunca a memória daquele dia desapareceu por inteiro da minha mente… e, acredito, das de muitas outras pessoas.
O 11 de Setembro de 2001 representou igualmente para mim o final de um processo – solitário e sofrido – de mudança ideológica, da esquerda para a direita, iniciado 12 anos antes com a queda do Muro de Berlim em 1989… mas cujos primeiros «sintomas» haviam aparecido em 1985. E as reacções aos atentados, ou certas reacções de determinados quadrantes, selaram a minha mudança. Entre os muçulmanos houve festa ou um ruidoso silêncio – o Islão pode não ser sempre a religião da guerra mas é sempre a da discriminação, do obscurantismo e da supremacia. Entre a esquerda ocidental em geral, e a europeia em especial, a atitude preferencial foi do tipo «condenamos, MAS…» Chegaram-me ecos de afirmações, feitas inclusivamente por portugueses, do género «os Estados Unidos tiveram, finalmente, o que mereciam». Será que as pessoas, incluindo crianças, que iam naqueles aviões, e as que estavam nos edifícios atingidos, mereceram o que lhes aconteceu?
O 11 de Setembro de 2001 constituiu, enfim, o dia em que George W. Bush iniciou o percurso que o tornaria, de facto, no «homem da década». Tudo o que aconteceu nos dez anos seguintes, no seu país e no Mundo, foi determinado pelas suas decisões. Muitos não acreditavam nas suas capacidades, pouco ou nada esperavam dele. Ele era apenas o «filho do papá» que também se tornara presidente, e para mais numa eleição muito disputada e polémica. Eu próprio, em 2000, fiquei dividido sobre por quem deveria «torcer»; Al Gore era como um segundo Bill Clinton… mas com as qualidades e sem os defeitos de Bill Clinton; não me parecia então um mau candidato, muito pelo contrário – ainda não se tornara o maior «vendedor de banha da cobra» do planeta, o principal «culpado» dessa gigantesca fraude chamada «aquecimento global». Quanto a GWB, pouco sabia dele, não conseguia formar uma opinião clara… mas senti, pensei, que estavam a criticá-lo, e a desvalorizá-lo, prematuramente, injustamente.
O artigo que escrevi e publiquei no Diário Digital, em 20 de Janeiro de 2009, quando deixou de ser presidente – e que constituiu o tema do meu primeiro post no Obamatório – acabou por ser também, de certo modo, o relato dessa viagem que todos nós iniciámos há dez anos, e que teve, quer se gostasse ou não, o «cowboy de Crawford» como comandante. Mesmo ocupando o cargo que o tornava «o homem mais poderoso da Terra», não deixava de ser uma pessoa como nós, comum, normal. E que, como a nós, lhe custou a acreditar – como tão bem se viu pelo seu rosto naquela escola da Flórida – que o Mal havia transposto um novo, e horrível, limite.
(Adendas: George Soros e Paul Krugman continuam a lembrar-nos como são desprezíveis, e que nem valem a saliva que poderíamos cuspir-lhes; Rui Calafate escreveu sobre a «direita americana»… e saiu disparate (e Obama é que é «burro»).) 
         

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sharpton, o charlatão

Recentemente causaram sensação certas afirmações de alguns destacados políticos nos EUA – mais concretamente, congressistas afro-americanos – contra o Tea Party. Os membros deste movimento já se «habituaram» a serem chamados de «racistas» e de «terroristas», mas desta vez tiveram «direito» a novos «requintes». Nomeadamente, por parte de Maxine Waters, que disse que podem ir todos «direito para o Inferno», e por parte de Andre Carson, que os acusou de quererem ver os negros «pendurados de árvores».
Esta crescente e ridícula radicalização do discurso de alguns destacados dirigentes «a-a», quase sempre pertencentes a organizações genuinamente racistas como o Congressional Black Caucus ou a National Association for the Advancement of Colored People, não representa apenas um indício do desespero, perante a cada vez maior impopularidade – e, logo, cada vez menor probabilidade de reeleição – de Barack Obama, sentido pelos seus apoiantes mais fiéis. Representa, também, (mais) uma confirmação da decepcionante e degradante evolução (?) ideológica da maioria da população «colorida» norte-americana, que optou por permanecer prisioneira, numa nova «plantação», do partido que no passado lhe «deu» a escravatura (slavery) e a segregação, e que no presente lhes parece querer dar o socialismo como «forma avançada» da segurança social alargada com as políticas da «Great Society» de Lyndon B. Johnson – os três K’s metamorfosearam-se em três S’s. E como é hilariante – tristemente hilariante… - ouvir no presente democratas negros a acusar republicanos de comportamentos e de actos hediondos que, na verdade, foram practicados no passado por democratas brancos! Allen West e Herman Cain são duas das (vilipendiadas) excepções numa etnia que, para preservar a sua identidade dermatológica e cultural, alinhou na estratégia de «divisão por grupos» do PD.
No entanto, Waters e Carson, embora abjectos, estão muito longe do (mais baixo) «nível» daquele que, nos EUA, representa a epítome do racismo invertido enquanto acção afirmativa: Al Sharpton. Charlatão impenitente, não se «distinguiu» unicamente enquanto manipulador oportunista que utiliza a raça como arma para obter (mais) poder político, mediático… e financeiro: ele é também um agitador, um provocador perigoso que tem, de facto, sangue nas mãos. Jeff Dunetz elaborou uma breve mas assustadora biografia do «Reverendo» que, quando era mais novo… e mais gordo, se envolveu em (e empolou) casos como o de Tawana Brawley (em que uma jovem negra falsamente acusou jovens brancos de a terem violado) e o de Crown Heights (motins em Nova Iorque entre negros e judeus que causaram a morte de oito pessoas). Sharpton nunca pediu desculpa pela sua participação e responsabilidade nestes graves incidentes.
Com o passar dos anos ele não só não viu diminuída a sua liderança como até a reforçou, vociferando contra practicamente tudo o que é branco e está à direita. E, obviamente, tornou-se um dos principais apoiantes de Barack Obama. Assim, é compreensível que ele se sinta à vontade para: tentar tirar a liberdade de expressão aos que não pensam como ele – em especial Rush Limbaugh; exigir ao governo uma mais justa redistribuição do «espólio», um maior «pedaço da tarte» (isto é, dinheiro dos contribuintes); acusar – erradamente – o Arizona de não celebrar o dia feriado em honra de Martin Luther King e, por isso, ter feito como que uma «secessão»; contestar as afirmações… incontestáveis de Rick Santorum (partes um, dois, três) condenando a elevada taxa de aborto na população negra, equiparando essa mortandade – que implica não considerar um feto como uma pessoa – à escravatura – em que um negro não era considerado uma pessoa.
Porém, poucos seriam capazes de prever o «êxito» de Al Sharpton, neste Verão, na MSNBC, enquanto apresentador do seu próprio programa – em substituição de Cenk Uygur que, segundo o próprio, terá sido «convidado a sair» porque não defendia o actual presidente e a sua administração tanto como era exigido. Nesse aspecto, sem dúvida que da parte do líder da National Action Network há muito mais intensidade, mas o «pacote» inclui(u) também ignorância e incompetência. Os momentos risíveis ou simplesmente incompreensíveis sucederam-se, estando a dificuldade apenas na escolha do mais insólito. Talvez o «resist we much»?
Sim, Al Sharpton é uma anedota, e sem (muita) graça. Mas nunca se deve esquecer que ele é igualmente uma ameaça permanente a uma autêntica harmonia racial e social.
(Adenda: mesmo a propósito, Al Sharpton e Herman Cain dialogaram após o debate presidencial do GOP de 8 de Setembro, e ficou bem evidente a diferença de categoria entre ambos... o «Reverendo» nem sequer sabe em que ano foi aprovada a Lei dos Direitos Civis!)   

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

«Silly Season» (Parte 2)

Já o afirmámos aqui: nos EUA, e para algumas individualidades e instituições, a «Silly Season» dura todo o ano… aliás, nunca é interrompida para qualquer tipo de descanso ou de férias. Porém, e voltando a cumprir a «tradição», vejamos alguns episódios não propriamente edificantes que aconteceram do outro lado do Atlântico neste Verão que está a terminar…
… E a prioridade primeira e principal tem de ser dada, novamente e quase inevitavelmente, a Barack Obama. Que se deslocou, mais uma vez, a Martha’s Vineyard, um bastião democrata cada vez menos receptivo ao seu famoso visitante. Jay Carney negou que fossem umas «férias presidenciais»… no que constituiu uma atitude radicalmente – e previsivelmente – diferente da que ele tivera anteriormente, enquanto «jornalista» da Time, para com George W. Bush. Mas eis o mais «silly»: o presidente decidiu, antes de se deslocar ao Massachusetts, fazer a sua própria digressão de autocarro pelo país para «contactar com o povo»… ou, pelo menos, uma (pequena) parte dele. E desta iniciativa dois aspectos principais, pelo menos, imediatamente se destacam: primeiro, que se tratou de uma imitação descarada – e com menos sucesso, com menor impacto – da que Sarah Palin fez; segundo, o próprio veículo era, em si mesmo, deprimente – totalmente negro, como uma limusine três vezes maior… ou como um carro funerário três vezes maior. Uma comparação adequada tendo em consideração os números «fatalistas»da economia norte-americana. Em especial os referentes ao desemprego, maiores entre os afro-americanos, facto que terá levado a congressista Maxine Waters a apontá-los como o motivo para Obama não visitar certas cidades e comunidades no seu autocarro. No entanto, ela não é a única entre os democratas que parecem estar a distanciar-se cada vez mais do seu «querido líder». E, como se tudo isto não fosse suficiente para causar fastio no Estio ao Sr. Hussein, há relatos de que ele criticou a sua esposa pelos elevados gastos em turismo que ela tem feito desde que passaram a residir na Casa Branca.
Habituados a levar uma vida de luxo, sem dúvida que Barack e Michelle Obama compreendem e se «solidarizam» com as (diferentes) «angústias» sentidas neste Verão por dois multimilionários que são seus apoiantes e financiadores. Um, Warren Buffett, deu início – ou reavivou – uma campanha transcontinental (porque teve «ecos» na Europa) de demagogia ao apelar para que sejam aumentados os «impostos sobre os ricos»… incluindo, aparentemente, ele próprio; todavia, as verdadeiras intenções do patrão da Berkshire Hathaway não serão propriamente inocentes e desinteressadas. Outro, George Soros, viu a sua missão de «patrono de caluniadores» perturbada com as acusações da sua ex-namorada – jovem, brasileira e actriz! – já concretizadas num processo judicial de, não só não lhe ter oferecido um apartamento que lhe prometera, mas também, muito pior, de a ter agredido! Quem diria? O influente e intimidante especulador internacional ridicularizado e reduzido a um papel de vulgar, e violento, «sugar daddy»! Não é tão silly? Sim, como é «difícil» a vida d(e algum)as celebridades…         

domingo, 28 de agosto de 2011

Os «fios» de Arianna

Nos últimos meses… ou anos, parece que da Grécia só surgem desgraças e más notícias. Primeiro, o triunfo no Campeonato da Europa de Futebol, em Portugal e frente… a Portugal. Depois… anarquia. Batalhas campais. Caos. Dívida e défices gigantescos. Falsificações e fraudes financeiras… monumentais. Manifestações e protestos contínuos. Até já se fala de uma «infecção» ateniense que «contamina» as economias dos países vizinhos… Porém, há pelo menos uma «praga» que se «propagou» das costas helénicas há ainda mais tempo, atravessou o Mediterrâneo e o Atlântico… e chegou aos EUA.
O seu nome? Arianna Stassinopoulos… mais conhecida como Arianna Huffington, depois de ter casado com o político republicano Michael Huffington. E, depois de se terem divorciado, ele revelou que era bissexual… e ela iniciou a transição de conservadora para liberal. Alguma conexão entre os dois factos? O certo é que, ocasionalmente, ela lá larga uma bujarda brejeira, como, por exemplo, dizer que, com os homens, «tudo é sobre quem tem o maior pirilau». O que por sua vez pode explicar porque, num recente artigo no sítio da America OnLine, já depois de esta ter adquirido o Huffington Post, se incentivava os homens a masturbarem-se!
Pensava provavelmente a «égua de Tróia» que aquele negócio decorreria sem problemas de maior, e que poderia contar e gastar tranquilamente as centenas de milhões de dólares que recebeu… mas enganou-se! Dois processos em tribunal contra ela, um movido por pessoas que alegam ter co-criado o HP e outro movido por pessoas que colabora(ra)m no HP, reclamam ambos uma distribuição mais equitativa, menos egoísta, do «espólio», e asseguram que Arianna se vai «ver grega» durante bastante tempo com problemas judiciais. E os «fios» de influência política e mediática que durante décadas, habilmente e pacientemente, teceu, não a deverão ajudar a sair do labirinto que ela própria construiu. Desta vez não há Minotauro… mas também não há Teseu.          

sábado, 20 de agosto de 2011

Conheçam os Klein

Klein é um apelido que, no panorama «me*diático» norte-americano, já se tornou sinónimo de disparate. Tal deve-se, principalmente, a Ezra Klein e a Joe Klein, jornalistas e colunistas que se «distinguem» nomeadamente, e respectivamente, no jornal Washington Post e na revista Time.
Ezra Klein já afirmou que: a Constituição dos EUA é «confusa»; também «jovens cristãos» fazem tiroteios nas escolas; a proposta do Partido Republicano para um orçamento equilibrado representa uma «má política económica»; Barack Obama, nas políticas domésticas e financeiras, é como um republicano moderado; os congressistas deveriam portar-se como «adultos» e aumentarem os impostos; é necessário mais um plano de estímulo (!). Na verdade, não parece perceber as leis do capitalismo  
Por sua vez, Joe Klein já afirmou que: «nada de mais aconteceu em 2010»; Paul Ryan deveria ser processado por «más prácticas políticas»; o triunfo de um democrata na eleição intercalar em Nova Iorque foi «uma vitória para o socialismo»; Barack Obama tem com os militares uma relação melhor do que a de George W. Bush – uma «asserção» que não tardou a ser desmentida por uma sondagem da Gallup. 
Atendendo às sua idades e às suas «ideias», Ezra bem que poderia ser «filho» (bastardo) de Joe Klein – se não biológica, pelo menos ideologicamente. E a «família» teria de incluir, naturalmente, a «filha» Naomi Klein, a jornalista e activista canadiana, autora, entre outros, dos livros «No Logo» e «The Schock Doctrine», que advoga, e que encarna, practicamente, todas as causas esquerdistas, fracturantes e «politicamente correctas» possíveis – é contra a globalização, contra a guerra no Iraque, contra Israel… e acredita no «aquecimento global». Enfim, um(a) autêntico(a) «modelo»!
Por falar em modelos, há que não esquecer o «tio» Calvin Klein. Cujas campanhas, apesar de serem frequentemente «chocantes», pelo menos não são (abertamente) políticas. Embora ele seja um financiador habitual do Partido Democrata…

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BHO (negativo)

Barack Obama celebrou o seu 50º aniversário no passado dia 4 de Agosto. E, no dia seguinte, a agência Standard & Poor’s deu, a ele e aos Estados Unidos da América, uma enorme «prenda»: desceu a notação financeira do país de AAA (máximo) para AA+, o que acontece pela primeira vez na História… e contrariando as «previsões» do tão «competente» secretário do Tesouro Timothy Geithner. Bem que se pode dizer que «sim, ele conseguiu!»… finalmente, «baixar o nível» da nação mais poderosa do Mundo – ou seja, em consonância com a sua (falhada) presidência, a mais «virada à esquerda» de sempre. O «índice» é, cada vez mais, não do tipo A mas sim BHO (negativo).
E qual foi a justificação apresentada pela S&P para a sua decisão? Principalmente, a de que o plano de redução do défice passado pelo Congresso a 2 de Agosto «não vai suficientemente longe para estabilizar a situação da dívida do país, e a actividade legislativa não é tão estável e efectiva quanto necessário para enfrentar o corrente desafio económico». Este facto é importante por dois motivos: primeiro, os defensores das teorias da conspiração (da treta) são totalmente desautorizados – afinal, uma agência de rating norte-americana também se «atreve» a «atacar» os próprios Estados Unidos, e não só países europeus como a Grécia e Portugal; segundo, o movimento Tea Party e os seus adeptos têm toda a razão nas suas alegadas atitudes «intransigentes» e «irresponsáveis» - os seus argumentos coincidem, no essencial, com os da S&P. E será que os analistas desta empresa agora também vão ser comparados a «terroristas» (antes eram «racistas») que não só querem fazer «reféns» mas também pretendem, com «barras de dinamite» atadas aos corpos, fazer «explodir» a economia norte-americana?
Os impropérios, e até mesmo as ameaças, que liberais e «progressistas» continuam a atirar ao «Partido do Chá» em especial e ao Partido Republicano – e a todos os conservadores – em geral não são mais do que meros indicadores, embora importantes, que demonstram, sem deixar lugar a dúvidas, até que ponto o panorama político dos EUA foi a(du)lterado pela eleição do seu 44º presidente. Não é como no tempo de Bill Clinton, nem é como no tempo de Jimmy Carter! E os meus – inexperientes e ingénuos - «colegas» bloggers que, em maior ou menor grau, também «vão na corrente» e alinham na (falsa) narrativa de que os «culpados» são os «teabaggers» (esta, sim, uma expressão de ódio), ainda não se aperceberam, nem se convenceram, de que não foi o GOP que se «radicalizou»; os «burros», sim, é que extremaram as suas posições. Quando aqueles que estão, de facto, no mainstream, que são moderados, razoáveis, sensatos, são (des)classificados como criminosos por, simplesmente, não quererem que o seu país continue a endividar-se e entre em falência… então não há dúvida de que o ridículo atingiu uma nova dimensão. Já o descaramento democrata não tem mesmo limites: John Kerry e David Axelrod não hesitam em falar de um «Tea Party downgrade»!
Entretanto, Barack Obama, que cada vez mais fala de Washington como se nada tivesse a ver com o que se passa na capital, está cada vez mais em delírio, longe da realidade e num «mundo de fantasia»: não só afirma que os EUA serão sempre um país de «A triplo» (sim, como «messias», ele adivinha o futuro…) como até deveria ser de «A quadruplo»! E, obviamente, não assume qualquer responsabilidade pela situação; as culpas são de todos os outros excepto dele, e, provavelmente até tem uma «lista de inimigos». Exige-se-lhe liderança, mas ele não parece saber exercê-la num sistema político como o americano, queixando-se inclusivamente da sua «grande democracia, dura e confusa», e admitindo que é «tentador» ignorar o Congresso e «mudar as leis sozinho». Alguém falou em tendências ditatoriais? Não se deve, pois, ficar surpreendido ao saber que o Partido Comunista dos EUA apoia a reeleição do Sr. Hussein.