quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Diz-me quem te apoia…

… E dir-te-ei quem és? Que os «ocupantes de Wall Street» e de outras ruas e cidades dos Estados Unidos da América tenham recebido a solidariedade do Partido Democrata em geral, e, em particular, de Barack Obama (que para isso se atreveu a invocar o nome de Martin Luther King), Nancy Pelosi e Al Gore, entre outros, não é propriamente uma surpresa. O mesmo se pode dizer em relação às presenças, nos «protestos», de Alec Baldwin, Al Sharpton, Danny Glover, Kanye West, Keith Olbermann, Michael Moore, Susan Sarandon, Tim Robbins… enfim, os «suspeitos do costume».
Porém, o panorama começa a ficar realmente perturbador quando os «ocupas» contam igualmente com o encorajamento, e até a participação, dos («novos») Panteras Negras, dos neo-nazis e dos comunistas norte-americanos. E com o entendimento e a aprovação da China, da Coreia do Nortedo Irão, da Venezuela… Sim, tudo gente «respeitável». Tão «respeitável» como, por exemplo, dois dos principais organizadores da iniciativa: Robert Creamer, marido de Jan Schakowsky (representante do Illinois pelo Partido Democrata), operacional da campanha de Barack Obama em 2008, e que cumpriu pena de prisão por evasão fiscal e fraude bancária; e Lisa Fithian, activista sindical e anti-semita. Aliás, e tal como o anti-capitalismo, o ódio a Israel e aos judeus já se tornou um traço distintivo deste movimento.
A questão principal que deve ser colocada é se a violência continuará a ser apenas (pouco mais do que) verbal (além das «palavras de ordem», ameaças, actos de vandalismo, roubos, desobediência e consequentes detenções, (alegadas) violações)… ou se passará a ser literal e mais grave, isto é, com feridos e mortos. Há quem pense que isso é muito provável (e desejável?). E a partir do momento em que são disponibilizados mapas com alvos potenciais, como que convidando a acções mais radicais… as hipóteses de ocorrer uma tragédia aumentam. O melhor será esperar que a meteorologia permita que se «arrefeçam os ânimos», forçando os «campistas» a desmontar a «tenda», eventualmente deixando uma grande... poia. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sinais de desespero

A esquerda, tanto em Portugal como nos Estados Unidos da América (e no resto do Mundo), é «sinistra» devido aos conceitos e objectivos que habitualmente a caracterizam, independentemente do contexto geográfico e histórico: primazia atribuída ao Estado, e não ao mercado, na condução da economia – um processo que habitualmente causa elevados défices e dívidas, se não mesmo falências; complacência, simpatia e até apoio para com ditadores e terroristas; disponibilidade, prioridade e até urgência na realização de acções de reengenharia social e cultural, mesmo que tenham a oposição da maioria da população. E, porque perde sempre o debate com a direita porque não tem factos e lógica para suportar aqueles seus «princípios», a esquerda recorre invariavelmente ao insulto, à mentira e até ao incitamento à violência para dissimular a perniciosidade dos seus propósitos e manter a «moral» dos seus adeptos.
Nos EUA os democratas, tanto os políticos como os seus cúmplices na comunicação social e no entretenimento, já se comportavam assim quando Barack Obama tinha acabado de tomar posse e ainda gozava de altos índices de popularidade. Mas agora que ele vai descendo nas sondagens a cada semana que passa e deverá ceder o seu lugar em Janeiro de 2013 a um republicano… seja ele qual for, os «progressistas» têm vindo a acelerar os incidentes e os seus acessos de irritação (e de idiotice), que constituem outros tantos sinais de desespero. As marchas que se têm multiplicado em várias cidades dos EUA, e de que a mais notória foi – e ainda é – a que pretende «ocupar Wall Street», representam precisamente o maior desses sinais: reúnem fundamentalmente auto-denominados socialistas e até comunistas que querem a abolição do capitalismo e a redistribuição (para eles) do dinheiro dos ricos – estes, segundo alguns, até deveriam ser decapitados se recusassem ser roubados; todos eles ou quase foram, são e vão ser votantes e apoiantes de Obama… que, claro, já demonstrou compreensão para com os manifestantes - aliás, ele incentivou-os ao acusar constantemente os «ricos» de não pagarem o que devem (como Jeffrey Immelt, CEO da GE e consultor da Casa Branca?) Entretanto, os ocupantes estão a ser organizados e pagos por sindicatos e estão a c*g*r-se – literalmente – para a polícia. Além de que constituem «distracções» de casos como o «Fast & Furious» e o Solyndra...  Ann Coulter tem (mais uma vez) razão: por questões de higiene e não só, os «OWS's» formam como que um «Flea Party» («Partido das Pulgas»)! Inevitavelmente, fazem-se comparações com os protestos do Tea Party… e as diferenças são flagrantes nos fins e nos meios, na eficácia da mensagem e no civismo do comportamento. Os «partidários do chá» sabem que é contra o(s) governos(s) que se deve protestar e não contra as empresas, sejam elas do sector industrial ou do sector financeiro… e este, convém recordar, deu em 2008 ao então senador e candidato Obama as maiores contribuições da história das campanhas norte-americanas - um cenário que até se pode repetir em 2012.
Nos media, o panorama não é o mesmo porque… está cada vez pior. Não é surpreendente que a lamestream media, em que se destacam o New York Times e a ABC (e a CBS e a NBC…), celebre os ocupantes de Wall Street e tenha condenado os tea partiers. Nem é surpreendente que na MSNBC não existam, definitivamente, limites para a falta de profissionalismo e de respeito, para o baixo nível e o mau gosto. Thomas Roberts diz que «os republicanos querem construir uma máquina do tempo para (viajarem até) quando a escravatura era “fixe”» (isto é, supõe-se, quando os democratas a defendiam). Martin Bashir serve-se das mortes de Steve Jobs e de Fred Shuttlesworth para vilipendiar, respectivamente, Sarah Palin e Herman Cain. Lawrence O’Donnell acusa Cain de não ter participado nas campanhas dos direitos civis e de ter fugido à guerra do Vietnam – note-se que o candidato foi funcionário civil da Marinha norte-americana (como especialista em balística!) enquanto o apresentador, ele sim, esteve sete anos, entre 1969 e 1976, na universidade para não ir para a Indochina!
O recrudescimento dos ataques a Herman Cain, previsíveis após o seu aumento de popularidade na corrida pela nomeação republicana, constitui outro evidente sinal de desespero por parte dos «guardiões do templo liberal», que pura e simplesmente não «encaixam» a possibilidade de vir a haver um presidente pelo GOP e… negro! É por isso que Joy Behar, essa «voz da sabedoria», diz que aquele partido «não tem sido amigo dos negros há séculos» - os que não são estúpidos nem ignorantes sabem que o PR foi fundado em meados do século XIX para combater a escravatura e, na década de 60 do século passado, o seu apoio às leis dos direitos civis foi superior ao do PD… É por isso que Cornell Belcher e Eugene Robinson, ambos negros, acusam Cain de ser racista e (como um) segregacionista! Quando o medo é muito, o ridículo mostra-se em todo o seu requinte… Como eu os compreendo: se estivesse no lugar deles, provavelmente também ficaria aterrorizado ao ouvir um discurso como este.
Enfim, é o desespero que pode explicar igualmente a «proposta» de Beverly Perdue de «suspender as eleições para o Congresso durante dois anos até a economia recuperar»... e, ao contrário de Manuela Ferreira Leite, não estava a brincar. Então e agora? Não é isto um verdadeiro sinal de «incapacidade intelectual»? Uma «aberração» (mental) da qual a governadora (democrata) da Carolina do Norte se deveria «regenerar»?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais um? Quem diria!

Rezwan Ferdaus: este é o nome do mais recente potencial – ou efectivo – terrorista detectado e detido por planear – ou cometer – atentados terroristas nos EUA. E… quem diria? É mais um muçulmano! Outro que se junta à tal «galeria» (da infâmia) que já inclui nomes como o de Yonathan Melaku, o de Mohamed Osman Mohamud, o de Umar Farouk Abdulmutallab, o de Faisal Shahzad, o de Nidal Malik Hasan… enfim, tudo «boa gente» que professa a denominada «religião da paz»!
Este padrão «islamo-bombista» apenas vê aumentada com o tempo a sua intensidade – e recorde-se que os atacantes de 11 de Setembro de 2001 eram todos muçulmanos, e que os culpados do primeiro ataque ao World Trade Center, em 1993, eram todos muçulmanos. Porém, as evidências não parecem ser suficientes para o Departamento de Segurança Interna, que continua a apontar para «americanos brancos da classe média» como os «terroristas mais prováveis» - um critério que continua a ser seguido pela TSA nas suas «apalpações selectivas». Quem também resiste à realidade é a entidade – financiada por George Soros! – que organizou um «curso de jornalismo sobre o Islão», e que tinha como um dos objectivos «contextualizar» a ameaça que a Jihad representa e o número de vítimas que provoca… quando comparada com outras causas de morte, como as doenças! Uma «perspectiva» partilhada no New York Times, onde se escreve a apelar a que «não se tenha medo da lei islâmica na América»!
A (aparente) bonomia com que os seguidores de Maomé são encarados pela esquerda norte-americana parece, no entanto, ser contraditada pela práctica continuada de assassínio selectivo de terroristas muçulmanos, da qual Anwar al-Awlaqi – um cidadão norte-americano! – é o mais recente alvo atingido. É caso para perguntar onde estão todos aqueles que chamaram a George W. Bush «criminoso de guerra»… Se Barack Obama ainda hoje se queixa de que herdou do seu antecessor uma má economia, porque é que não diz também que herdou dele um bom sistema anti-terrorista? Além de que «segurança nacional e política externa de sucesso» deve ser muito mais do que matar jihadistas com mísseis teleguiados.
(Adenda: este texto constitui o post Nº 200 do Obamatório, uma marca devidamente assinalada no meu outro blog, o Octanas.) 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Diplomacia… macia

Há uma «narrativa» que, compreensivelmente, tem vindo a ser defendida por alguns apologistas de Barack Obama, tanto do outro lado do Atlântico como deste: a de que a presidência daquele, mesmo que seja, ou venha a ser, considerada «falhada», «fracassada» no plano interno, não o é ou não o será no plano externo – pelo contrário, até se pode falar em êxito no que se refere aos negócios estrangeiros. Mas tal fantasia também não corresponde, como é óbvio, à realidade.
Ao nível doméstico, «vitórias com sabor a derrotas» (porque são contestadas pela maioria dos americanos) como a aprovação do «plano de estímulo à economia» (que não a estimulou, bem pelo contrário) e do «ObamaCare», e a revogação da «Don’t Ask, Don’t Tell», não podem nem devem ser «compensadas» pelo Prémio Nobel da Paz em 2009, que não tardaria em ser desautorizado, desvalorizado, e mesmo anulado, entre outros «belicismos», pelo recrudescimento das operações no Afeganistão e pela intervenção na Líbia (não ratificada pelo Congresso). Saindo do campo militar para o civil, as recentes críticas à União Europeia – e, mais concretamente, à forma como aquela tem estado a lidar com a crise na zona Euro decorrente do colapso da Grécia – feitas pelo presidente americano poderão finalmente, quem sabe, e a julgar pela polémica que provocaram (em especial na Alemanha, onde os comentários de BHO foram considerados «absurdos» e «arrogantes»), começar a quebrar o «muro de protecção» que a comunicação social do Velho Continente ainda mantém, na sua maioria, à volta do Sr. Hussein – divulgando pouco ou mal o que verdadeiramente acontece nos EUA.
Entretanto, o que aconteceu neste mês de Setembro em Nova Iorque, na sede da Organização das Nações Unidas, acabou por constituir mais uma demonstração da falta de tacto do Nº 44 também na frente externa… e de como a diplomacia norte-americana, liderada formalmente por Hillary Clinton mas na verdade conduzida e condicionada pelas atitudes de Barack Obama, se tem revelada… macia para com adversários e inimigos e dura para com aliados e amigos. Antes, o discurso dele perante a assembleia geral não havia sido grande coisa. Depois, a exigência feita, no mesmo local, por Mahmoud Abbas do reconhecimento unilateral da Palestina como estado independente mais não foi do que a última consequência da estratégia de apaziguamento para com o Islão preconizada por Obama. A manobra do líder da Autoridade Palestiniana não passou de um atrevimento, de uma provocação que se sabia, à partida, sem possibilidade de sucesso: o veto será sempre (?) a resposta inevitável para com um regime que não reconhece a existência de Israel, que não corta relações com o Hamas e que favorece a criação de um sistema de apartheid entre árabes e judeus. No entanto, o exibicionismo de Abbas pode ter sido estimulado pelas afirmações e acções de uma administração, e do seu chefe, que, por exemplo, e só nos últimos meses: «removeu» Jerusalém de Israel; afirma que o Islão «sempre fez parte da nossa família americana»; autoriza que militares colaborem na construção de um «centro islâmico» no Afeganistão; pressiona o Congresso a manter o apoio financeiro à AP; contacta – e, logo, reconhece oficialmente – a Irmandade Muçulmana (do Egipto); e confunde «jews» com «janitors» (porteiros) … É pois de surpreender que Obama registe uma aprovação de 80% entre os muçulmanos americanos?
Àqueles que podem achar risível a «solução de um Estado» proposta por Andrew Klavan, e que consiste em dar todo o Médio Oriente aos judeus (!), é de perguntar se não acham ridícula a «análise» de Barack Obama de que aquela região tem registado um «abalo teutónico» (!!!)… Aliás, naquela parte do Mundo e em outras têm acontecido vários «abalos tectónicos», grandes e pequenos, e de que os EUA nem sempre se saem bem: na Síria o embaixador Robert Ford foi alvo de ataques por parte de partidários do ditador Bashar al-Assad… mas a Casa Branca não protestou; do Gabão veio o ditador (e filho de ditador) Ali Bongo para a Casa Branca, a convite do filho de queniano; e para a Argentina foi o apoio dos EUA na questão da soberania das ilhas Falklands, através de uma declaração unânime da Organização dos Estados Americanos – ou seja, subscrita também por Washington – apelando a Londres para entrar em negociações com Buenos Aires relativas ao futuro daquele arquipélago.                  
Perante todas estas posições… comprometedoras da diplomacia norte-americana, compreende-se perfeitamente porque é que Vladimir Putin apoia e aguarda com entusiasmo a reeleição de Barack Obama!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Escândalos à escolha

A falência (fraudulenta) da Solyndra, que agora é um dos temas mais em destaque na comunicação social dos EUA (mesmo na lamestream) e está sob investigação do FBI, já havia sido referida no Obamatório, em Março.
O caso é significativo e relevante em sim mesmo. Recordemo-lo: uma empresa que tinha como seu maior accionista George Kaiser, um apoiante e financiador de Barack Obama (e que o visitou na Casa Branca), encerrou depois de ter recebido mais de 500 milhões de dólares no âmbito do «programa de estímulo à economia»; existem vários estudos e recomendações, por parte de departamentos governamentais, a desaconselharem a concessão daquelas verbas, e que terão sido ignorados e mesmo contrariados por altas figuras da actual administração, entre as quais Valerie Jarrett, Joe Biden e o próprio Obama… que visitou a sede da companhia e a apontou como um modelo para «um futuro mais brilhante e próspero»; a anterior administração (de George W. Bush) recusou dar qualquer suporte à Solyndra. Mas o caso é também significativo e relevante enquanto (o pior) exemplo da política de criação de «empregos verdes» dos democratas, em que mais de 17 biliões de dólares foram gastos na criação de pouco mais de 3500 postos de trabalho… isto é, cada um custou cerca de cinco milhões! Para tornar a coisa mais ridícula, lembre-se que a Casa Branca continua sem painéis solares no telhado, pelo que se justifica perguntar: porque é que não os compraram à Solyndra? Porque não tinham qualidade suficiente?    
Jon Stewart referiu-se a este caso como um «escândalo Obama encomendado à medida» para os republicanos, e que proporcionaria ainda à Fox News «uma erecção que duraria mais de quatro horas». Só que… há mais por onde escolher! Igualmente em Março mencionei no Obamatório outro escândalo que envolve cada vez mais esta administração: o chamado «Fast and Furious», em que a ATF (organização policial do Departamento de Justiça que se dedica ao controlo de álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos) promoveu a venda de armamento a criminosos mexicanos com o objectivo de se infiltrar nas suas organizações… mas acabou por perder o controlo sobre a operação, tendo inclusivamente um agente norte-americano sido assassinado com uma dessas armas! Também por este caso, em que é quase impossível alegar desconhecimento, e não só devido às suas prácticas discriminatórias no DdJ, Eric Holder vê a sua posição ser cada vez mais insustentável.
E como não há duas sem três… «Lightsquared» é a «palavra-passe» do mais recente escândalo a afectar a Casa Branca, e é igualmente o nome de uma empresa de telecomunicações – que tem como maior accionista Philip Falcone, outro apoiante e financiador de Barack Obama! – que quer construir uma avançada rede de banda larga. O problema é que: primeiro, se concretizada, essa rede irá interferir com as comunicações das forças armadas, em especial o sistema de GPS utilizado por aquelas; segundo, o general William Sheldon, da força aérea, revelou recentemente que foi pressionado pela Casa Branca para alterar o seu testemunho numa audiência no Congresso sobre o assunto… no sentido de desvalorizar os perigos resultantes do projecto daquela empresa.    
Dos três escândalos, um – o «Fast and Furious» - já começou a ser investigado pelo Congresso, e os outros dois deverão sê-lo muito em breve. Porém, e como já salientou John Kass num jornal da «cidade ventosa», isto «cheira» mais (e mal) a Chicago do que a Washington; nada representa de novo, apesar de estar em causa muito mais dinheiro.

sábado, 17 de setembro de 2011

É preciso fazer um desenho?

O democrata Anthony Weiner captou e divulgou fotografias da sua «salsicha»… e o resultado foi que um republicano ocupa agora aquele que era o seu lugar na Casa dos Representantes em Washington.
Esta é a forma mais simples (e jocosa) de resumir o processo que levou à vitória (por 53% contra 47% dos votos), a 13 de Setembro último, de Robert Turner na eleição especial do 9º distrito eleitoral de Nova Iorque. Ao analisar-se o resultado foram apresentadas duas causas principais para o desaire democrata… e ambas de carácter nacional e não local: a (má) situação da economia e a (degradada) relação com Israel – um tema sensível numa zona com uma importante comunidade judaica. Ou seja, a votação em Nova Iorque terá consistido num pequeno «referendo» das políticas – e da popularidade – de Barack Obama.
É uma conclusão correcta… mas nem todos terão apreendido na totalidade as implicações deste triunfo «vermelho» naquele que é (era?) considerado «um dos distritos mais azuis da nação» - onde um «elefante» já não triunfava desde 1920 (!) e onde a proporção de democratas para republicanos nos eleitores registados é de três para um. Repare-se: ao contrário do seu opositor David Weprin, do seu antecessor Anthony Weiner e do seu apoiante – e antigo mayor (democrata!) de Nova Iorque – Ed Koch, Bob Turner não é judeu mas sim cristão e católico... e reside no distrito pelo qual concorria, ao contrário de Weprin! E é contra: a construção de uma mesquita perto do Ground Zero; a amnistia de imigrantes ilegais; o «casamento» entre pessoas do mesmo sexo; a legalização do aborto; o ObamaCare; o aumento de impostos. E não acredita no «aquecimento global»! Ou seja, é o completo oposto de Weiner!  Turner é como que uma corporização de tudo o que os «progressistas» não são… e não gostam; é um verdadeiro conservador que vem da «liberal» Nova Iorque e que é agora uma «voz» daquela!     
Os «obamistas» compreendem o que isto quer dizer? São suficientes as palavras… ou é preciso fazer um desenho? A vitória de Bob Turner é ainda mais significativa – e simbólica – do que a de Scott Brown no Massachusetts (tomando o lugar do Senado que era de Edward Kennedy) e a de Mark Kirk no Illinois (tomando o lugar do Senado que era de Barack Obama). Representa mais um avassalador aviso, mais um preocupante prenúncio (para os «burros») do que irá acontecer em 2012. Pelo que é de recear que se sucedam mais casos como os de fraude eleitoral no Connecticut (suspeita) e em Nova Iorque (comprovada), e desvio de fundos de campanha na Califórnia… isto, sim, é «manipulação» e «batota»! Para já não falar de acções «sindicais» violentas contra opositores - esses «filhos da puta», como lhes chamou James Hoffa na presença do Sr. Hussein, o tal que apelou a uma maior «civilidade» no discurso político. E se os democratas já se comportam assim quando não estão (muito) desesperados… imagine-se o que poderá acontecer até Novembro do próximo ano!  

domingo, 11 de setembro de 2011

Parece que foi ontem

Passam hoje dez anos sobre os atentados terroristas nos Estados Unidos da América, que provocaram perto de três mil mortos, e em que os alvos foram as duas torres do World Trade Center em Nova Iorque (destruídas), o Pentágono (danificado) e, muito provavelmente, o Capitólio em Washington (salvo). Como é possível? Sim, não é original dizê-lo, mas é a verdade do que sinto: parece que foi ontem.
Onde é que eu estava, nessa distante mas tão próxima terça-feira de 2001? Em Lisboa, a trabalhar, mais precisamente na Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, de cuja revista, Comunicações, eu era redactor. Tinha acabado de vir do almoço, passava pouco das 14 horas. Numa outra sala, perto da minha, estava um televisor ligado. Já não me lembro em que canal estava sintonizado, mas creio que se estabelecera uma ligação em directo após o embate do primeiro avião; ainda não se sabia o que acontecera, não havia certezas, mas pensava-se, dizia-se, que fora um acidente. Por pouco tempo: quando o segundo avião veio… as dúvidas dissiparam-se. Pelas janelas eu podia ver, como habitualmente, a Avenida Fontes Pereira de Melo, o edifício-sede da Portugal Telecom, o edifício Imaviz, o Hotel Sheraton; aparentemente estava tudo na mesma… mas algo havia mudado, e muito, para sempre. E nos minutos, horas, dias seguintes, foi quase impossível pensar, falar, saber, sobre outro assunto. E nas semanas, meses, anos, que se seguiram nunca a memória daquele dia desapareceu por inteiro da minha mente… e, acredito, das de muitas outras pessoas.
O 11 de Setembro de 2001 representou igualmente para mim o final de um processo – solitário e sofrido – de mudança ideológica, da esquerda para a direita, iniciado 12 anos antes com a queda do Muro de Berlim em 1989… mas cujos primeiros «sintomas» haviam aparecido em 1985. E as reacções aos atentados, ou certas reacções de determinados quadrantes, selaram a minha mudança. Entre os muçulmanos houve festa ou um ruidoso silêncio – o Islão pode não ser sempre a religião da guerra mas é sempre a da discriminação, do obscurantismo e da supremacia. Entre a esquerda ocidental em geral, e a europeia em especial, a atitude preferencial foi do tipo «condenamos, MAS…» Chegaram-me ecos de afirmações, feitas inclusivamente por portugueses, do género «os Estados Unidos tiveram, finalmente, o que mereciam». Será que as pessoas, incluindo crianças, que iam naqueles aviões, e as que estavam nos edifícios atingidos, mereceram o que lhes aconteceu?
O 11 de Setembro de 2001 constituiu, enfim, o dia em que George W. Bush iniciou o percurso que o tornaria, de facto, no «homem da década». Tudo o que aconteceu nos dez anos seguintes, no seu país e no Mundo, foi determinado pelas suas decisões. Muitos não acreditavam nas suas capacidades, pouco ou nada esperavam dele. Ele era apenas o «filho do papá» que também se tornara presidente, e para mais numa eleição muito disputada e polémica. Eu próprio, em 2000, fiquei dividido sobre por quem deveria «torcer»; Al Gore era como um segundo Bill Clinton… mas com as qualidades e sem os defeitos de Bill Clinton; não me parecia então um mau candidato, muito pelo contrário – ainda não se tornara o maior «vendedor de banha da cobra» do planeta, o principal «culpado» dessa gigantesca fraude chamada «aquecimento global». Quanto a GWB, pouco sabia dele, não conseguia formar uma opinião clara… mas senti, pensei, que estavam a criticá-lo, e a desvalorizá-lo, prematuramente, injustamente.
O artigo que escrevi e publiquei no Diário Digital, em 20 de Janeiro de 2009, quando deixou de ser presidente – e que constituiu o tema do meu primeiro post no Obamatório – acabou por ser também, de certo modo, o relato dessa viagem que todos nós iniciámos há dez anos, e que teve, quer se gostasse ou não, o «cowboy de Crawford» como comandante. Mesmo ocupando o cargo que o tornava «o homem mais poderoso da Terra», não deixava de ser uma pessoa como nós, comum, normal. E que, como a nós, lhe custou a acreditar – como tão bem se viu pelo seu rosto naquela escola da Flórida – que o Mal havia transposto um novo, e horrível, limite.
(Adendas: George Soros e Paul Krugman continuam a lembrar-nos como são desprezíveis, e que nem valem a saliva que poderíamos cuspir-lhes; Rui Calafate escreveu sobre a «direita americana»… e saiu disparate (e Obama é que é «burro»).) 
         

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sharpton, o charlatão

Recentemente causaram sensação certas afirmações de alguns destacados políticos nos EUA – mais concretamente, congressistas afro-americanos – contra o Tea Party. Os membros deste movimento já se «habituaram» a serem chamados de «racistas» e de «terroristas», mas desta vez tiveram «direito» a novos «requintes». Nomeadamente, por parte de Maxine Waters, que disse que podem ir todos «direito para o Inferno», e por parte de Andre Carson, que os acusou de quererem ver os negros «pendurados de árvores».
Esta crescente e ridícula radicalização do discurso de alguns destacados dirigentes «a-a», quase sempre pertencentes a organizações genuinamente racistas como o Congressional Black Caucus ou a National Association for the Advancement of Colored People, não representa apenas um indício do desespero, perante a cada vez maior impopularidade – e, logo, cada vez menor probabilidade de reeleição – de Barack Obama, sentido pelos seus apoiantes mais fiéis. Representa, também, (mais) uma confirmação da decepcionante e degradante evolução (?) ideológica da maioria da população «colorida» norte-americana, que optou por permanecer prisioneira, numa nova «plantação», do partido que no passado lhe «deu» a escravatura (slavery) e a segregação, e que no presente lhes parece querer dar o socialismo como «forma avançada» da segurança social alargada com as políticas da «Great Society» de Lyndon B. Johnson – os três K’s metamorfosearam-se em três S’s. E como é hilariante – tristemente hilariante… - ouvir no presente democratas negros a acusar republicanos de comportamentos e de actos hediondos que, na verdade, foram practicados no passado por democratas brancos! Allen West e Herman Cain são duas das (vilipendiadas) excepções numa etnia que, para preservar a sua identidade dermatológica e cultural, alinhou na estratégia de «divisão por grupos» do PD.
No entanto, Waters e Carson, embora abjectos, estão muito longe do (mais baixo) «nível» daquele que, nos EUA, representa a epítome do racismo invertido enquanto acção afirmativa: Al Sharpton. Charlatão impenitente, não se «distinguiu» unicamente enquanto manipulador oportunista que utiliza a raça como arma para obter (mais) poder político, mediático… e financeiro: ele é também um agitador, um provocador perigoso que tem, de facto, sangue nas mãos. Jeff Dunetz elaborou uma breve mas assustadora biografia do «Reverendo» que, quando era mais novo… e mais gordo, se envolveu em (e empolou) casos como o de Tawana Brawley (em que uma jovem negra falsamente acusou jovens brancos de a terem violado) e o de Crown Heights (motins em Nova Iorque entre negros e judeus que causaram a morte de oito pessoas). Sharpton nunca pediu desculpa pela sua participação e responsabilidade nestes graves incidentes.
Com o passar dos anos ele não só não viu diminuída a sua liderança como até a reforçou, vociferando contra practicamente tudo o que é branco e está à direita. E, obviamente, tornou-se um dos principais apoiantes de Barack Obama. Assim, é compreensível que ele se sinta à vontade para: tentar tirar a liberdade de expressão aos que não pensam como ele – em especial Rush Limbaugh; exigir ao governo uma mais justa redistribuição do «espólio», um maior «pedaço da tarte» (isto é, dinheiro dos contribuintes); acusar – erradamente – o Arizona de não celebrar o dia feriado em honra de Martin Luther King e, por isso, ter feito como que uma «secessão»; contestar as afirmações… incontestáveis de Rick Santorum (partes um, dois, três) condenando a elevada taxa de aborto na população negra, equiparando essa mortandade – que implica não considerar um feto como uma pessoa – à escravatura – em que um negro não era considerado uma pessoa.
Porém, poucos seriam capazes de prever o «êxito» de Al Sharpton, neste Verão, na MSNBC, enquanto apresentador do seu próprio programa – em substituição de Cenk Uygur que, segundo o próprio, terá sido «convidado a sair» porque não defendia o actual presidente e a sua administração tanto como era exigido. Nesse aspecto, sem dúvida que da parte do líder da National Action Network há muito mais intensidade, mas o «pacote» inclui(u) também ignorância e incompetência. Os momentos risíveis ou simplesmente incompreensíveis sucederam-se, estando a dificuldade apenas na escolha do mais insólito. Talvez o «resist we much»?
Sim, Al Sharpton é uma anedota, e sem (muita) graça. Mas nunca se deve esquecer que ele é igualmente uma ameaça permanente a uma autêntica harmonia racial e social.
(Adenda: mesmo a propósito, Al Sharpton e Herman Cain dialogaram após o debate presidencial do GOP de 8 de Setembro, e ficou bem evidente a diferença de categoria entre ambos... o «Reverendo» nem sequer sabe em que ano foi aprovada a Lei dos Direitos Civis!)   

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

«Silly Season» (Parte 2)

Já o afirmámos aqui: nos EUA, e para algumas individualidades e instituições, a «Silly Season» dura todo o ano… aliás, nunca é interrompida para qualquer tipo de descanso ou de férias. Porém, e voltando a cumprir a «tradição», vejamos alguns episódios não propriamente edificantes que aconteceram do outro lado do Atlântico neste Verão que está a terminar…
… E a prioridade primeira e principal tem de ser dada, novamente e quase inevitavelmente, a Barack Obama. Que se deslocou, mais uma vez, a Martha’s Vineyard, um bastião democrata cada vez menos receptivo ao seu famoso visitante. Jay Carney negou que fossem umas «férias presidenciais»… no que constituiu uma atitude radicalmente – e previsivelmente – diferente da que ele tivera anteriormente, enquanto «jornalista» da Time, para com George W. Bush. Mas eis o mais «silly»: o presidente decidiu, antes de se deslocar ao Massachusetts, fazer a sua própria digressão de autocarro pelo país para «contactar com o povo»… ou, pelo menos, uma (pequena) parte dele. E desta iniciativa dois aspectos principais, pelo menos, imediatamente se destacam: primeiro, que se tratou de uma imitação descarada – e com menos sucesso, com menor impacto – da que Sarah Palin fez; segundo, o próprio veículo era, em si mesmo, deprimente – totalmente negro, como uma limusine três vezes maior… ou como um carro funerário três vezes maior. Uma comparação adequada tendo em consideração os números «fatalistas»da economia norte-americana. Em especial os referentes ao desemprego, maiores entre os afro-americanos, facto que terá levado a congressista Maxine Waters a apontá-los como o motivo para Obama não visitar certas cidades e comunidades no seu autocarro. No entanto, ela não é a única entre os democratas que parecem estar a distanciar-se cada vez mais do seu «querido líder». E, como se tudo isto não fosse suficiente para causar fastio no Estio ao Sr. Hussein, há relatos de que ele criticou a sua esposa pelos elevados gastos em turismo que ela tem feito desde que passaram a residir na Casa Branca.
Habituados a levar uma vida de luxo, sem dúvida que Barack e Michelle Obama compreendem e se «solidarizam» com as (diferentes) «angústias» sentidas neste Verão por dois multimilionários que são seus apoiantes e financiadores. Um, Warren Buffett, deu início – ou reavivou – uma campanha transcontinental (porque teve «ecos» na Europa) de demagogia ao apelar para que sejam aumentados os «impostos sobre os ricos»… incluindo, aparentemente, ele próprio; todavia, as verdadeiras intenções do patrão da Berkshire Hathaway não serão propriamente inocentes e desinteressadas. Outro, George Soros, viu a sua missão de «patrono de caluniadores» perturbada com as acusações da sua ex-namorada – jovem, brasileira e actriz! – já concretizadas num processo judicial de, não só não lhe ter oferecido um apartamento que lhe prometera, mas também, muito pior, de a ter agredido! Quem diria? O influente e intimidante especulador internacional ridicularizado e reduzido a um papel de vulgar, e violento, «sugar daddy»! Não é tão silly? Sim, como é «difícil» a vida d(e algum)as celebridades…         

domingo, 28 de agosto de 2011

Os «fios» de Arianna

Nos últimos meses… ou anos, parece que da Grécia só surgem desgraças e más notícias. Primeiro, o triunfo no Campeonato da Europa de Futebol, em Portugal e frente… a Portugal. Depois… anarquia. Batalhas campais. Caos. Dívida e défices gigantescos. Falsificações e fraudes financeiras… monumentais. Manifestações e protestos contínuos. Até já se fala de uma «infecção» ateniense que «contamina» as economias dos países vizinhos… Porém, há pelo menos uma «praga» que se «propagou» das costas helénicas há ainda mais tempo, atravessou o Mediterrâneo e o Atlântico… e chegou aos EUA.
O seu nome? Arianna Stassinopoulos… mais conhecida como Arianna Huffington, depois de ter casado com o político republicano Michael Huffington. E, depois de se terem divorciado, ele revelou que era bissexual… e ela iniciou a transição de conservadora para liberal. Alguma conexão entre os dois factos? O certo é que, ocasionalmente, ela lá larga uma bujarda brejeira, como, por exemplo, dizer que, com os homens, «tudo é sobre quem tem o maior pirilau». O que por sua vez pode explicar porque, num recente artigo no sítio da America OnLine, já depois de esta ter adquirido o Huffington Post, se incentivava os homens a masturbarem-se!
Pensava provavelmente a «égua de Tróia» que aquele negócio decorreria sem problemas de maior, e que poderia contar e gastar tranquilamente as centenas de milhões de dólares que recebeu… mas enganou-se! Dois processos em tribunal contra ela, um movido por pessoas que alegam ter co-criado o HP e outro movido por pessoas que colabora(ra)m no HP, reclamam ambos uma distribuição mais equitativa, menos egoísta, do «espólio», e asseguram que Arianna se vai «ver grega» durante bastante tempo com problemas judiciais. E os «fios» de influência política e mediática que durante décadas, habilmente e pacientemente, teceu, não a deverão ajudar a sair do labirinto que ela própria construiu. Desta vez não há Minotauro… mas também não há Teseu.          

sábado, 20 de agosto de 2011

Conheçam os Klein

Klein é um apelido que, no panorama «me*diático» norte-americano, já se tornou sinónimo de disparate. Tal deve-se, principalmente, a Ezra Klein e a Joe Klein, jornalistas e colunistas que se «distinguem» nomeadamente, e respectivamente, no jornal Washington Post e na revista Time.
Ezra Klein já afirmou que: a Constituição dos EUA é «confusa»; também «jovens cristãos» fazem tiroteios nas escolas; a proposta do Partido Republicano para um orçamento equilibrado representa uma «má política económica»; Barack Obama, nas políticas domésticas e financeiras, é como um republicano moderado; os congressistas deveriam portar-se como «adultos» e aumentarem os impostos; é necessário mais um plano de estímulo (!). Na verdade, não parece perceber as leis do capitalismo  
Por sua vez, Joe Klein já afirmou que: «nada de mais aconteceu em 2010»; Paul Ryan deveria ser processado por «más prácticas políticas»; o triunfo de um democrata na eleição intercalar em Nova Iorque foi «uma vitória para o socialismo»; Barack Obama tem com os militares uma relação melhor do que a de George W. Bush – uma «asserção» que não tardou a ser desmentida por uma sondagem da Gallup. 
Atendendo às sua idades e às suas «ideias», Ezra bem que poderia ser «filho» (bastardo) de Joe Klein – se não biológica, pelo menos ideologicamente. E a «família» teria de incluir, naturalmente, a «filha» Naomi Klein, a jornalista e activista canadiana, autora, entre outros, dos livros «No Logo» e «The Schock Doctrine», que advoga, e que encarna, practicamente, todas as causas esquerdistas, fracturantes e «politicamente correctas» possíveis – é contra a globalização, contra a guerra no Iraque, contra Israel… e acredita no «aquecimento global». Enfim, um(a) autêntico(a) «modelo»!
Por falar em modelos, há que não esquecer o «tio» Calvin Klein. Cujas campanhas, apesar de serem frequentemente «chocantes», pelo menos não são (abertamente) políticas. Embora ele seja um financiador habitual do Partido Democrata…

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

BHO (negativo)

Barack Obama celebrou o seu 50º aniversário no passado dia 4 de Agosto. E, no dia seguinte, a agência Standard & Poor’s deu, a ele e aos Estados Unidos da América, uma enorme «prenda»: desceu a notação financeira do país de AAA (máximo) para AA+, o que acontece pela primeira vez na História… e contrariando as «previsões» do tão «competente» secretário do Tesouro Timothy Geithner. Bem que se pode dizer que «sim, ele conseguiu!»… finalmente, «baixar o nível» da nação mais poderosa do Mundo – ou seja, em consonância com a sua (falhada) presidência, a mais «virada à esquerda» de sempre. O «índice» é, cada vez mais, não do tipo A mas sim BHO (negativo).
E qual foi a justificação apresentada pela S&P para a sua decisão? Principalmente, a de que o plano de redução do défice passado pelo Congresso a 2 de Agosto «não vai suficientemente longe para estabilizar a situação da dívida do país, e a actividade legislativa não é tão estável e efectiva quanto necessário para enfrentar o corrente desafio económico». Este facto é importante por dois motivos: primeiro, os defensores das teorias da conspiração (da treta) são totalmente desautorizados – afinal, uma agência de rating norte-americana também se «atreve» a «atacar» os próprios Estados Unidos, e não só países europeus como a Grécia e Portugal; segundo, o movimento Tea Party e os seus adeptos têm toda a razão nas suas alegadas atitudes «intransigentes» e «irresponsáveis» - os seus argumentos coincidem, no essencial, com os da S&P. E será que os analistas desta empresa agora também vão ser comparados a «terroristas» (antes eram «racistas») que não só querem fazer «reféns» mas também pretendem, com «barras de dinamite» atadas aos corpos, fazer «explodir» a economia norte-americana?
Os impropérios, e até mesmo as ameaças, que liberais e «progressistas» continuam a atirar ao «Partido do Chá» em especial e ao Partido Republicano – e a todos os conservadores – em geral não são mais do que meros indicadores, embora importantes, que demonstram, sem deixar lugar a dúvidas, até que ponto o panorama político dos EUA foi a(du)lterado pela eleição do seu 44º presidente. Não é como no tempo de Bill Clinton, nem é como no tempo de Jimmy Carter! E os meus – inexperientes e ingénuos - «colegas» bloggers que, em maior ou menor grau, também «vão na corrente» e alinham na (falsa) narrativa de que os «culpados» são os «teabaggers» (esta, sim, uma expressão de ódio), ainda não se aperceberam, nem se convenceram, de que não foi o GOP que se «radicalizou»; os «burros», sim, é que extremaram as suas posições. Quando aqueles que estão, de facto, no mainstream, que são moderados, razoáveis, sensatos, são (des)classificados como criminosos por, simplesmente, não quererem que o seu país continue a endividar-se e entre em falência… então não há dúvida de que o ridículo atingiu uma nova dimensão. Já o descaramento democrata não tem mesmo limites: John Kerry e David Axelrod não hesitam em falar de um «Tea Party downgrade»!
Entretanto, Barack Obama, que cada vez mais fala de Washington como se nada tivesse a ver com o que se passa na capital, está cada vez mais em delírio, longe da realidade e num «mundo de fantasia»: não só afirma que os EUA serão sempre um país de «A triplo» (sim, como «messias», ele adivinha o futuro…) como até deveria ser de «A quadruplo»! E, obviamente, não assume qualquer responsabilidade pela situação; as culpas são de todos os outros excepto dele, e, provavelmente até tem uma «lista de inimigos». Exige-se-lhe liderança, mas ele não parece saber exercê-la num sistema político como o americano, queixando-se inclusivamente da sua «grande democracia, dura e confusa», e admitindo que é «tentador» ignorar o Congresso e «mudar as leis sozinho». Alguém falou em tendências ditatoriais? Não se deve, pois, ficar surpreendido ao saber que o Partido Comunista dos EUA apoia a reeleição do Sr. Hussein.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O «Rubicão», com Rubio

Não sou propriamente uma pessoa de fazer previsões para o futuro, mas esta arrisco: se nada de anormal acontecer entretanto, Marco Rubio será presidente dos Estados Unidos da América. E esta não é uma questão de «se» mas sim de «quando». Aliás, direi mesmo mais: se neste momento não há certezas sobre quem será o candidato (ou candidata…) a presidente pelo Partido Republicano nas eleições de 2012, poucas dúvidas existem sobre quem será a primeira escolha para candidato a vice-presidente: o (segundo) senador pela Flórida, eleito em 2010 numa votação em que ganhou ao independente (ex-republicano) Charles Crist e ao democrata Kendrick Meek por diferenças percentuais, respectivamente, de cerca de 20 e 30%. E note-se que, quando decidiu concorrer, registava nas sondagens desvantagens de dois dígitos!
Após tomar posse a 3 de Janeiro último, Marco Rubio manteve-se mais ou menos discreto durante quase seis meses, sem dúvida conhecendo os «cantos» à sua nova «casa» política (o Capitólio), adquirindo (mais) conhecimento, experiência, segurança. Até que, finalmente, e recentemente, a sua presença e intervenção públicas – ou seja, mediáticas – têm conhecido um crescendo. Por exemplo, levando a melhor sobre John Kerry. Mas, inevitavelmente, o «destinatário» principal das suas declarações tem sido Barack Obama. O actual presidente, que «usa linguagem de um líder de um país do terceiro mundo», está a «competir para o título de pior na história americana», quanto mais não seja porque «qualquer aspecto da vida na América está pior desde que Obama tomou conta» do poder. Representando como que o agregar de todos esses aspectos, a dívida, «que é em si o verdadeiro problema, e não o seu tecto», poderia começar a ser paga não através de «novos impostos, mas sim com novos pagadores de impostos». Os republicanos têm propostas, têm planos – como o de Paul Ryan. E «onde está o plano do presidente?»
Harry Reid, que é quase o exacto oposto de Marco Rubio - em idade, em ideologia, em dignidade, em inteligência - e que apela, sem se rir, ao «regresso ao tipo de disciplina fiscal dos democratas», já percebeu o perigo que constitui o filho de exilados cubanos. Tanto que avisou o senador pela Flórida de que ele «tem de compreender quem é». Mas… ele sabe: é como que uma demonstração definitiva de como alguém com «herança hispânica» pode (e deve) ser republicano. Com Rubio, o GOP – e os EUA – poderão atravessar um novo «Rubicão»: o de resgatar decisivamente a comunidade latina do divisionismo étnico (e não só) promovido pelos democratas. Não através da sorte: os «dados lançados» serão os da competência e da confiança.
(Adenda: Rush Limbaugh concorda comigo... ;-))

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Do coração para o cérebro

Terá sido Winston Churchill quem disse: «Se não és um liberal aos vinte não tens coração; se não és um conservador aos quarenta não tens cérebro.» Aplicando este «método», rapidamente se chega à conclusão de que nos EUA (e não só…) existem muitas pessoas que, quais zombies, não têm miolos, ou, se os têm, estão seriamente danificados…
Do outro lado do Atlântico não faltam igualmente os jovens que têm muito… coração: são os democratas universitários, que num recente anúncio podem ser vistos e ouvidos a dizerem porque são… «burros», e que inclui «pérolas de sabedoria» como: «… porque os meus dois governadores (?) são Scott Walker e Rick Perry»; «… porque acredito que o governo devia tomar conta dos seus cidadãos»; «… porque somos o partido dos direitos civis»; «… porque, através do governo, podemos juntar-nos e fazermos o que não podemos fazer individualmente»; «… porque a América é uma democracia, não uma teocracia»; «… porque os programas que os democratas apoiam ajudam mesmo as pessoas»; «… porque estou farto de acordos de comércio livre, como o da NAFTA, que mandam bons empregos americanos para o estrangeiro».
Dois outros vídeos ajudam igualmente a perceber porque é que as universidades constituem importantes campos de recrutamento para os «azuis». Num alguns estudantes são convidados a assinar uma petição (falsa) em que se propõe a aplicação da teoria da «redistribuição da riqueza» às classificações escolares; porém, se eles estão receptivos à ideia de «tirar aos ricos para dar aos pobres» através do aumento de impostos, já não o estão tanto à de dar um pouco das suas… notas àqueles menos afortunados pela inteligência. Noutro alguns discentes - e até docentes (que não são muito decentes…) – são convidados a assinar outra petição (também falsa) em que se exige que conservadores sejam banidos da rádio e da televisão… e fazem-no, apesar de se afirmarem defensores da liberdade de expressão!       
Ah, os jovens… tantos que são tão inexperientes e tão (mal) influenciáveis. «Homens (e mulheres) de amanhã»? Com alguns o futuro afigura-se sombrio… se não passarem a primazia do seu comportamento do coração para o cérebro.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

«Obamadorismos»

Causou alguma sensação – e decepção – no nosso país uma recente afirmação de Barack Obama em que assegurou que os EUA «não são a Grécia, não são Portugal» no que se refere à (gravidade) da situação económico-financeira. Uma declaração muito pouco «diplomática», que obrigou o embaixador norte-americano em Portugal, Allan Katz, como que a justificar, explicar, e até corrigir, o seu presidente – ou seja, e de certo modo, a pedir desculpa. Porém, só ficou surpreendido quem não conhece completamente o percurso do actual inquilino da Casa Branca desde que tomou posse. Quem ainda acredita na falácia da «esperança e mudança». Enfim, quem não costuma consultar o Obamatório… porque quem o faz sabe que estas palavras do Sr. Hussein nada têm de anormal (nele), nem são, de longe, as mais graves que já proferiu!
A «batalha da dívida» que continua a ser travada em Washington tem proporcionado ao actual presidente norte-americano muitas ocasiões para demonstrar até que ponto ele é, na melhor das hipóteses, um amador. Repetimo-lo: a previsão de Joe Biden concretizou-se, e este mandato tem constituído um autêntico «on the job training». No entanto, e infelizmente, Barack Obama não se limita a ser inexperiente e incompetente: é também um ideólogo, e instigador, da divisão partidária – quiçá nacional – e da «guerra de classes». Perante a possibilidade de o governo federal ficar sem dinheiro e entrar em incumprimento, ele e o Partido Democrata preferem subir o tecto da dívida e aumentar os impostos… deixando para depois (nunca?) a tarefa de cortar a sério na despesa pública. Uma actual opção curiosa e contraditória por parte de quem, quando era senador, se opôs à subida do tecto da dívida e também ao aumento de impostos durante uma recessão!
Para quem apelou a que «se deixasse a retórica política à porta», não fica bem não seguir os próprios conselhos. Já não contando com uma Casa dos Representantes – agora controlada pelos republicanos – obediente, e estando o Senado, por enquanto com maioria democrata (menor desde Novembro), cada vez mais desconfiado, Barack Obama recorreu novamente, para tentar conseguir o que quer, àquilo que continua a garantir que não utiliza: o medo. Na verdade, de que se trata quando se faz avisos… ou ameaças: de um «armagedão económico»; de «armas apontadas às cabeças do povo americano»; de a segurança alimentar das crianças ficar comprometida; de «não haver dinheiro para os cheques» da segurança social, idosos e veteranos. «Felizmente» que, para os boys and girls da Casa Branca, há dinheiro para os cheques, e até aumentos!
O actual presidente tem mostrado ser igualmente um homem de fixações, de (grandes e pequenas) obsessões, e a mais recente é a dos «corporate jet owners» - (maus) exemplos, segundo ele, de pessoas que deveriam contribuir mais do que já contribuem, ou, citando a «voz do dono» Jay Carney, «espalhar o sacrifício e espalhar a prosperidade». Todavia, o tão «polémico» benefício fiscal de que os fabricantes de aviões usufruem foi concedido… no âmbito do «plano de estímulo à economia» que Barack Obama implementou em 2009! Por outras palavras: ele critica uma medida que tomou! O caso é tão ridículo que até Warren Buffett – multimilionário democrata – não se coibiu de, depois de algumas didácticas explicações, lançar um «remoque». Entretanto, outro empreendedor democrata, Steve Wynn, foi muito mais longe e acusou o presidente de «ser o responsável por este medo na América»! 
Contudo, e para muitos, nada disto é excessivamente grave. O importante é, por exemplo, continuar a vituperar Michele Bachman e Sarah Palin pelas suas supostas gaffes. Mas compare-se o «Barraca» com uma e com outra e veja-se quem é que efectivamente mostra pouco, ou nenhum, profissionalismo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

«PALINfrasia»* (Parte 2)

Estreia hoje nos Estados Unidos da América o filme «The Undefeated». Realizado por Stephen K. Bannon, é um documentário sobre a vida e a carreira política de Sarah Palin, em especial enquanto governadora do Alaska. Trata-se de um projecto, e de uma obra, fundamental, não só enquanto contraponto de outros no mesmo género – como os já «clássicos» (e fraudulentos) «Fahrenheit 9/11» e «Uma Verdade Inconveniente» - mas também enquanto relato mais credível, porque factual, do percurso pessoal e profissional da ex-candidata à vice-presidência dos EUA: a sua «matéria-prima» é constituída, na sua maioria, por peças televisivas – entrevistas, notícias, reportagens – dos canais do 49º Estado antes de John McCain ter apresentado a sua parceira na convenção republicana de 2008.
Na verdade, já há muito se tornara necessário, e até indispensável, que Sarah Palin pudesse dispor de uma «arma» audiovisual de «grande calibre» com que pudesse ripostar ao «fogo cerrado» de que é alvo há três anos. Muitos norte-americanos (e não só...) continuam a confundir a «Mama Grizzly» com a caricatura que Tina Fey criou para o Saturday Night Live, e o efeito daquela foi multiplicado porque há um preconceito persistente em relação a mulheres de direita – elas «só podem ser» arrogantes, estúpidas, ultrapassadas… Logo, «não há problema» em que elas sejam objecto de «piadas» ofensivas: Sarah é para Bill Maher uma «dumb twat», e, para Tracy Morgan, «good masturbation material» e «MILF», demonstrando mais uma vez as diferentes concepções de «humor» existentes em Hollywood. E também «não é muito grave» que sobre elas se inventem as insinuações e as mentiras mais mirabolantes e inverosímeis: só no primeiro semestre deste ano de 2011, MSNBC (através de Rachel Maddow), US Weekly, Time, Politico e Salon já foram «apanhados» a repetir citações falsas de Sarah relativas a temas como («atacar») o Egipto, («deportar») Christina Aguilera, (criticar) Michele Bachman ou (condenar) Casey Anthony – a mulher acusada de ter morto a filha e que foi recentemente ilibada em tribunal.
Ironicamente, o que é verdade é que se acaba por provar que ela está certa em questões, tanto da História como da actualidade, nas quais inicialmente vários «espertalhões» proclamam precocemente a sua ignorância – vejam-se os «casos» do «momento Sputnik», dos «blood libels», de Paul Revere e da situação no Médio Oriente. E o que interessa que Andrew Sullivan, britânico e homossexual, comentador supostamente «conservador e católico», a ataque (recorrendo a mentiras de Levi Johnston!) … quando, a defendê-la, vem Ed Koch, norte-americano e homossexual, democrata, judeu e antigo mayor de Nova Iorque? Nunca é de mais recordar que Sarah Palin já não ocupa um cargo público há dois anos, desde Julho de 2009. Então, e se ela é regularmente (des)classificada como irrelevante e insignificante, porque é que, por outro lado, continua a merecer a atenção e o esforço de practicamente toda a «lamestream media», que não hesitam em montar, eles sim, autênticos «circos» - como a «perseguição ao autocarro» - sempre que Palin tem uma iniciativa mais visível? Porque, no fundo, eles sabem que a tal imagem deturpada não corresponde à realidade; sabem da força e das qualidades dela, e continuam à espera de uma oportunidade decisiva em que lhe possam dar uma «estocada» final, dar um «tiro»… sem misericórdia.
Muitos foram os que pensaram que essa oportunidade seria a divulgação das quase 25 mil mensagens de correio electrónico do período em que foi governadora. Só que.. nada de comprometedor foi encontrado, bem pelo contrário. A expressão «justiça poética» justifica-se inteiramente, porque ao Guardian, jornal de referência da esquerda inglesa, pouco mais restou do que fazer «versos» com frases de Sarah Palin. Mas coube ao New York Times e ao Washington Post a «honra» de «ratificarem», definitivamente, a relevância dela, ao pedirem aos seus leitores ajuda (!) na leitura e na análise das mensagens. Repare-se que os dois jornais não fizeram idêntico pedido, por exemplo, em relação aos registos escolares e profissionais de Barack Obama (os que não estão selados, pelo menos…) nem quanto aos milhares de páginas do «plano de estímulo à economia» e do «ObamaCare». Mas há «males» que vêm por bem: uma das mensagens «descobertas» foi uma «carta de Deus» escrita a propósito do nascimento de Trig, tão comovente que levou um dos leitores do Los Angeles Times a perguntar: «Será que alguém poderia dar-me uma pista sobre porque é suposto nós todos odiarmos tanto esta mulher?» Talvez seja a partir de agora que essa estranha «doença» que designámos como «PALINfrasia» comece finalmente a ser debelada.
(Adenda – Ao contrário do que alguns, habituais, «Palin haters» norte-americanos insinuaram, e dos quais pelo menos um nosso «colega», ingénuo e inexperiente, fez eco, «The Undefeated» não está a ser um fracasso nem comercial nem crítico – uma sessão à meia-noite de quinta para sexta-feira não constitui propriamente um indicador fiável... Considerando que se trata de um documentário político, produzido e promovido com verbas reduzidas e estreado em poucas salas, não se deve compará-lo com outros filmes, de ficção, com maior orçamento e capacidade de atracção, exibidos em milhares de cinemas. E uma prova irrefutável do seu sucesso é o facto de ter registado, no fim-de-semana de estreia, a segunda melhor média de assistência (número de espectadores por sala)… só superada pela do último filme da saga «Harry Potter»!)
(* palinfrasia s. f. MEDICINA perturbação da elocução caracterizada pela repetição da última sílaba das palavras e, às vezes, de todas as sílabas de cada palavra (principalmente no atraso mental e na demência precoce) (Do gr. pálin, «de novo» + phrásis, «elocução» + ia) ) (Dicionário da Língua Portuguesa 2006, Porto Editora, página 1240)