terça-feira, 3 de maio de 2011

Obama «matou» Osama

Barack Obama fez o anúncio na noite de 1 de Maio: Osama Bin Laden foi localizado e abatido, por uma equipa de elite das forças armadas dos EUA (os Navy SEAL's), numa casa em Abbottabad, no Paquistão. Quase dez anos depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro, o líder da Al-Qaeda, inimigo público Nº 1 dos Estados Unidos da América, o mais procurado e perseguido, está finalmente, e felizmente, morto! E, compreensivelmente, celebrações populares ocuparam as ruas de de Nova Iorque e de Washington, os cenários dos piores ataques de há uma década.
Teria sido preferível capturar Bin Laden vivo e transportá-lo para o outro lado do Atlântico, para ser devidamente julgado, condenado e, previsivelmente, executado. Porém, talvez tenha sido melhor assim, porque, quem sabe, Eric Holder poderia sofrer uma «recaída» e tentar que o processo decorresse na «Grande Maçã»...  No entanto, era escusado o «funeral em alto mar», com «todos os ritos» (cânticos islâmicos para um assassino de massas num porta-aviões norte-americano?!), que aquele recebeu, uma «honra» que só se entende, mais uma vez, como uma deferência de Obama para com os muçulmanos. Mais adequado seria ter o cadáver de Bin Laden pendurado sobre o Ground Zero por tempo indeterminado. E, já agora, para quando a divulgação das fotografias (verdadeiras) e dos testes de ADN? Ou vamos ter de esperar outros três anos, à semelhança do que aconteceu com a certidão de nascimento? Lembre-se e compare-se: quando Saddam Hussein foi capturado e enforcado não se fizeram tantas «cerimónias».
Convém igualmente enunciar o que se arrisca a ficar perdido entre a deturpação e a propaganda: a actual administração norte-americana tem menos mérito pelo sucesso desta operação do que a anterior presidida por George W. Bush, que delineou e concretizou uma estratégia e toda uma série de princípios, medidas, metodologias, procedimentos e até organizações, resultantes daquela, que possibilitaram desde 2001 vários êxitos e, agora, o maior de todos. Que confirma, igualmente, a importância de Guantanamo… onde, tudo o indica, terão sido recolhidas, junto de alguns dos prisioneiros, as informações iniciais que acabariam por causar a morte de Osama. Aprecie-se a ironia - e a hipocrisia - da situação: muitos dos que, antes, acusaram George W. Bush de «tortura» e de «homicídio», agora celebram Barack Obama por ter recorrido, basicamente, aos mesmos actos!
É precisamente por isso, por ter de se distribuir o «crédito» por todos os que o merecem consoante os seus contributos, que seria mais prudente por parte de alguns – entre os quais, em Portugal, o inevitável Victor Gonçalves, da RTP – acalmarem a excitação e não molharem mais as cuecas (com um fluido ou com outro): ao contrário do que desejam e dizem, Barack Obama não garantiu já a sua reeleição. Esta não é um dado adquirido porque muitos sabem e compreendem que ele se limitou a colher os «frutos» de «árvores» que outros plantaram antes dele. Faltam ainda 18 meses para o voto e muitos outros factos – positivos e negativos – podem acontecer, e vão acontecer, até lá. Recorde-se, por exemplo, o que aconteceu com James Carter, que conduziu o histórico acordo de paz entre o Egipto e Israel, e com George H. Bush (o pai), que venceu a (primeira) Guerra do Golfo: ambos foram apontados como vencedores antecipados e acabaram por ser «presidentes de um termo». O que «tramou» os dois, não só mas principalmente, foi a «economia, estúpido». Uma área, aliás, em que o Nº 44 e o seu gabinete não têm mostrado muita inteligência.
Mais análises, comentários e opiniões sobre a morte de Osama Bin Laden, o seu significado e as suas consequências, por Ann CoulterAWR Hawkins, Dana LoeschGeorge E. Condon Jr., Greg Gutfeld, Karl Rove, K. T. McFarland, Michael Goodwin, Pamela GellerRush Limbaugh e Bill O'Reilly.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A culpa foi dos macacos?

É precisamente por continuarem a ser feitas «notícias» como esta que o Obamatório é necessário e até indispensável. Não porque seja, no fundamental, falsa: sim, é verdade que uma norte-americana, Marilyn Davenport, criou e enviou por correio electrónico uma «fotografia» de Barack Obama com os seus «pais» macacos. Porém, ela é sim uma activista local (na Flórida) e não uma «dirigente» do Partido Republicano e do Tea Party; este não é «ultra-conservador», e as duas instituições não têm, de modo algum, nas últimas semanas, «centrado os seus ataques às origens do presidente dos EUA».
Este reles arremedo de «jornalismo» vem mais uma vez demonstrar que os maiores danos são causados, frequentemente, não (tanto) pela deturpação mas sim pela omissão. Mais uma vez, é uma dualidade de critérios que está em causa. Na verdade, acaso a comunicação social portuguesa (e não só…) tem divulgado os contínuos e insultuosos ataques (até apelos à violência) contra o Partido Republicano desferidos também por autênticos dirigentes (líderes nacionais) do Partido Democrata – incluindo congressistas, membros do governo e o próprio presidente – e que o Obamatório regularmente revela? Marilyn Davenport não tardou a ser criticada e desautorizada por elementos do GOP, e poderá até ser demitida das funções que ocupa. Já os «burros» não só não apresentam desculpas nem são penalizados como parecem competir entre si para verem quem consegue fazer pior. Em especial Barack Obama, que continua a acicatar uma «guerra de classes» («ricos» contra «pobres») com fins propagandísticos e eleitoralísticos e a substituir um «guia espiritual» racista por outro. No entanto, por cá o silêncio é quase total…
Outra das «vantagens» da publicação deste tipo de textos no nosso país é a possibilidade de ver, e de confirmar, a existência de tantos portugueses basicamente ignorantes, estúpidos, ou simplesmente – e previsivelmente – preconceituosos. Leiam-se os comentários e repare-se como há sempre alguém, tão «sabedor» do que se passa realmente nos EUA, que «arrasta», caluniando, Sarah Palin para o assunto, mesmo que ela não tenha qualquer culpa. Agora imagine-se qual seria a reacção de muitos destes mentecaptos «opinadeiros tugas» se soubessem que o Partido Republicano – que teve em Abraham Lincoln a sua primeira grande figura – foi fundado para combater a escravatura, e que esta, e depois a segregação racial, tiveram no Partido Democrata o seu grande defensor – ainda havendo, aliás, a este respeito episódios do passado por resolver. Coitados, os seus fracos cérebros poderiam entrar em colapso…

sábado, 23 de abril de 2011

O «evangelho» segundo Matthews (Parte 2)

Era previsível que, após a saída de Keith Olbermann, a MSNBC «promovesse» Chris Matthews à posição (mais oficiosa do que oficial) de primeira figura da estação mais à esquerda dos EUA. E, apesar dos «esforços» de Ed Schultz, Lawrence O’Donnell e Rachel Maddow, nenhum deles consegue ter uma «produção» de dislates sequer semelhante, quanto mais superior, em quantidade e em «qualidade», à de Matthews.
Faça-se, porém, a justiça de distinguir – para melhor – o apresentador de «Countdown» do apresentador de «Hardball»: enquanto Olbermann era – é – um mau carácter, um indivíduo constante e consistentemente insultuoso sem, practicamente, qualquer sentido de humor, Matthews é menos previsível, mais desconcertante, soltando frequentemente frases que têm mais de hilariante do que de ofensivo. Exemplos não faltam, e, depois de uma primeira «leitura», justifica-se agora uma segunda.
Pode-se começar pela sempre surpreendente, e até embaraçosa, fixação «homo-erótica» do Sr. «Arrepio na Perna» pelo Nº 44: ele é «um tipo charmoso e bem parecido», «magro e numa forma fantástica», tem «um sorriso giro», enfim, «é quase mais do que perfeito», como que um segundo «Jesus Cristo», pelo que não se compreende como é que há quem «não lhe dê crédito». Pode-se continuar pela obsessão anti-republicana, em que «30 mil pessoas vão morrer por causa do plano de Paul Ryan», em que os (pré) candidatos presidenciais do GOP parecem vir de um «canil», enfim, em que os republicanos em geral são «péssimos» por não quererem construir comboios de alta velocidade!
E pode-se terminar (por agora…) com a sua muito especial relação – de amor/ódio? – com Michele Bachmann. Depois de a congressista pelo Minnesota ter troçado da sua famosa perna na noite da vitória republicana em Novembro passado, Chris Matthews não desistiu de a tentar marcar como ignorante e até estúpida. Partindo de um discurso que ela proferira no Iowa e em que o tema da relação dos «pais fundadores» com a escravatura terá sido abordado, «Chrissy» insinuou que ela não passaria em testes de literacia se estes ainda existissem. Porém, quem recebeu lições de História foi ele. E também precisa de lições de Geografia, já que disse que o Canal do Panamá fica no… Egipto!
Chris Matthews pode ser um «apóstolo» moderno, mas é (mais) um que «prega» a desinformação, a dualidade de critérios, a hipocrisia: criticou Sarah Palin por esta usar a expressão «WTF», mas não criticou Alan Grayson quando este usou a «STFU»; chamou «racista» a Donald Trump por este colocar a hipótese de Barack Obama não ter nascido nos EUA, mas antes apelara ao presidente para mostrar a sua certidão de nascimento. Nesta nova era de «civilidade» politicamente correcta, «estabelecida» após o tiroteio de Tucson, Matthews há muito que já «escolheu as (suas) armas».

domingo, 17 de abril de 2011

Sem «cartão» de cidadão

Ao contrário do que escreveu um outro blogger, nosso «colega» na análise permanente da política dos EUA, no passado dia 13 de Abril, Bill O’Reilly não «saiu em defesa» de Barack Obama. Como o Obamatório se pauta pelo rigor, eis o esclarecimento: o que o famoso jornalista do Fox News Channel fez, na sua habitual rubrica «Talking Points», foi listar uma série de alegações (e acusações) em relação ao percurso pessoal e profissional do actual presidente norte-americano e dizer se as mesmas são verdadeiras ou falsas. E, no entender do apresentador do «The O’Reilly Factor», umas alegações são verdadeiras e outras são falsas.
O assunto mais controverso - entre vários de um passado polémico - continua a ser, obviamente, o de Barack Obama ter nascido, ou não, nos Estados Unidos da América, e se, afinal, ele é ou não é – ou era – elegível (se reunia as condições elementares, os critérios básicos) para ser presidente do país. Para Bill O’Reilly a resposta a esta pergunta é «sim». Vários republicanos e conservadores concordam com ele, além, claro, de practicamente todos os democratas e liberais. Restam, pois, segundo alguns, os «fanáticos da direita» que insistem no «absurdo» de duvidar que o Sr. Hussein é um «natural-born citizen» dos EUA.
Porém, o que esses supostos «árbitros» do «bom senso e bom gosto» em política não sabem, ou preferem não dizer, é que: primeiro, que vários Estados consideraram, ou estão a considerar, a aprovação de legislação que exige aos candidatos provas da sua elegibilidade – e o Arizona foi o primeiro a concretizar uma medida desse tipo; segundo, que o tal «folclore conspirativo» tem sido, em grande medida, permitido e até propalado por democratas. Como, por exemplo, Neil Abercrombie, governador do Havai. Para quem a questão não é «ridícula» e, por isso, se comprometeu a procurar e a divulgar toda a informação que, de uma vez por todas, acabasse com todos os «rumores» e «teorias». No entanto, o que aconteceu? Abercrombie afirmou, em entrevista, que existem «papéis nos arquivos» do Departamento de Saúde em Honolulu, mas não os divulgou (porque é necessária a autorização do Sr. Hussein, e ele não a dá). E não confirmou se, entre esses papéis, está uma certidão de nascimento.
E é precisamente no tipo de documento que está o fulcro da questão. O que existe, fornecido pela candidatura de Barack Obama em 2008, é um «certificate of live birth» - um papel com o mínimo de dados, isto é, nome da criança e dos pais, data de nascimento, e pouco mais. Já o «birth certificate», que continua «em parte incerta», é mais completo, nele tendo de constar também o local – hospital ou outro – onde ocorreu o parto e uma assinatura de pelo menos um médico confirmando-o e validando-o. Fundamentalmente, o que os «birthers» dizem é... mostrem-no! Não o fazer contribui para aumentar, não a «transparência», mas sim a desconfiança. Que, ainda por cima, é reforçada quando Mike Evans, um jornalista do Havai, revela que Neil Abercrombie lhe terá confessado que não existe, de facto, a certidão ou «qualquer prova» do nascimento de Barack Obama naquele Estado... e que só conheceu o jovem «Barry» quando ele tinha cinco ou seis anos!
Assim, a conclusão é inevitável: não está efectivamente demonstrado, «para além de uma dúvida razoável», que Barack Obama nasceu nos EUA e que por isso tem legitimidade para ser o seu presidente. E se esta afirmação faz de mim um «fanático da direita» ou coisa pior... paciência!
(Adenda: validando plenamente a linha de raciocínio explanada neste post, Barack Obama finalmente cedeu e autorizou a divulgação da «forma longa» da sua certidão de nascimento. Partindo do princípio de que é autêntico, este documento esclarece e encerra definitivamente a questão e a dúvida – que, recorde-se, foram levantadas inicialmente pela candidatura de Hillary Clinton. E aos cépticos, histéricos e ingénuos que não o querem admitir, eu digo-o «branco no preto», peremptoriamente: este foi mesmo um triunfo de Donald Trump sobre o Sr. Hussein – e, provavelmente, o primeiro de vários.)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

(Des)Controlo de danos

Afinal, e felizmente, o governo dos Estados Unidos da América não «fechou». Mas que não se venha agora com a «conversa da treta» do costume de que «tanto republicanos como democratas seriam igualmente (ir)responsáveis se não se chegasse a um acordo...» Porque isso, simplesmente, não é verdade: uns teriam mais culpa do que outros.
Em primeiro lugar, convém recordar que até ao final de 2010 os democratas tiveram o controlo de ambas as câmaras do Congresso (Casa e Senado), para além da presidência, e não elaboraram nem aprovaram um orçamento para 2011 – preferindo, ao invés, concentrar os seus últimos esforços enquanto bi-maioritários em medidas tão «relevantes» como a revogação da directiva «Don’t Ask, Don’t Tell». Em segundo lugar, o cerne da disputa esteve na dimensão dos cortes na despesa pública que eram, e são, necessários para evitar que o país entre em bancarrota. E, de um lado, estiveram os realistas, e, do outro, os despesistas – não por acaso, o «r» e o «d» também identificam os respectivos partidos em que uns e outros predominam. Como avisou John Boehner, «a próxima luta (orçamental) será sobre triliões e não biliões.»
E tem mesmo de ser se houver vontade de reverter os números cada vez mais assustadores que assombram a economia e a sociedade norte-americanas desde que o actual presidente tomou posse. A situação continua a ser de tal modo grave que todas as receitas fiscais de 2011 não chega(va)m para os gastos considerados fundamentais. E se a isto se acrescentar as (previsíveis) contas «marteladas» que deturpam os (verdadeiros) custos do ObamaCare, fica ainda mais nítida a urgência em se começar, efectiva e finalmente, a poupar. Esta é, porém, uma preocupação que não é partilhada pelos «burros» que, em vez de ajudarem a (tentar) controlar os danos que causaram, optaram, como habitualmente, por insultar os adversários e «responsabilizá-los» antecipadamente por todas as calamidades possíveis e imaginárias – desde «tirar as refeições aos idosos» até «matar as mulheres que querem abortar» - porque, pasme-se, o GOP declarou «guerra às mulheres»! Em alternativa, planeava-se intimidar o speaker... despejando lixo na sua casa! Aí, sim, haveria o risco de ele apanhar pulgas!
Entretanto, Barack Obama, já muito «cansado» de tanta conflitualidade, imagina-se como presidente da China! Sim, seria tão mais fácil: não teria que negociar com a oposição... aliás, nem sequer haveria oposição! E o seu mais recente discurso – que deixou Joe Biden com sono – apenas veio reforçar a ideia de que, para ele, os «outros» mais não são do que obstáculos desagradáveis, objectos que se impõe contornar: ao afirmar, preto no branco, que é favorável ao aumento dos impostos dos «mais ricos» para equilibrar as contas públicas, Obama está, na práctica, a «rasgar» o acordo para o orçamento de 2011 estabelecido, dias antes, com os republicanos. Até o habitualmente comedido Charles Krauthammer considerou o discurso «uma desgraça, intelectualmente desonesto e demagógico». No entanto, é o próprio que admite que a desonestidade intelectual e a demagogia não são de agora: em 2006 o seu voto, enquanto senador, contra o aumento do tecto da dívida foi meramente «político». Ele, sim, é que parece estar a (tentar) tornar os EUA numa «nação do Terceiro Mundo».  

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Transparência... só de aparência

Já antes aqui se constatou: quando Jon Stewart satiriza Barack Obama em particular e/ou os democratas em geral é porque a situação é, ou está, mesmo, mas mesmo, má. E, numa das suas recentes diatribes televisivas, o Sr. Leibowitz começou por ridicularizar o «surpreendente» anúncio, por parte do actual presidente, de que vai tentar a reeleição – aproveitando de passagem para notar o pouco entusiasmo, ou até conformismo, de alguns dos seus apoiantes...
Porém, a (continuação da) campanha eleitoral de BHO nem foi dessa vez o tema principal da paródia do apresentador do «The Daily Show» mas sim o não cumprimento de mais uma das várias promessas do Nª 44: o aumento da «transparência» na governação. E, com efeito, não faltam diversas confirmações e exemplos de que a «opacidade» nos assuntos públicos tratados na Casa Branca, ao contrário de diminuir, até aumentou. Entretanto, os encontros secretos com representantes de grupos de interesses (lobbyists) continuam – o que, para Jay «foi-para-isto-que-deixei-a-Time?» Carney, nada mais é do que «rotina». Enfim, é uma «lógica» de pensamento que explica igualmente que Barack Obama tenha recebido um prémio de «transparência»... à porta fechada e sem a presença de elementos da imprensa!
Charles Krauthammer, com a habitual perspicácia, salientou que este galardão poderia ser o «equivalente doméstico» ao Prémio Nobel da Paz – porque, em ambos os casos, Barack Obama foi distinguido com pouco ou nada que o justificasse. Por seu lado, Andrew Breitbart chamou a atenção para o facto de um registo aparentemente tão anódino como a lista de visita(nte)s do Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia poder esconder mais do que revela. E, na verdade, quando indivíduos tão obscuros – no sentido mafioso do termo – como os «patrões sindicais» Richard Trumka (sempre a «truncar» a verdade) da AFL-CIO e Andy Stern da SEIU estão entre os que mais vezes vão à Casa Branca, compreende-se que haja vergonha em admiti-lo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Até parece mentira... (Parte 2)

... Que Hank Johnson, representante da Geórgia pelo Partido Democrata, tenha perguntado se a ilha de Guam, no oceano Pacífico, poderia «virar-se» após nela serem instalados mais militares norte-americanos e as suas famílias. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama tenha apoiado o fim da proibição da caça à baleia. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Steven Chu (este, sim, «mereceu ganhar o seu Prémio Nobel») tenha permitido que o Departamento de Energia considerasse a hipótese de regular as características e a utilização de torneiras de chuveiro. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Michael Wolfensohn, autarca em Nova Iorque pelo Partido Democrata, tenha chamado a polícia ao saber que dois rapazes de 13 anos vendiam bolos num parque sem licença. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama não tivesse ainda contactado seis dos membros do seu gabinete durante os primeiros dois anos do mandato. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Dennis Kucinich, representante do Ohio pelo Partido Democrata, tenha processado a cafetaria do Congresso – e exigido uma indemnização de 150 mil dólares! – por lá ter quebrado um dente ao trincar um caroço de azeitona que não era suposto estar numa salada. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Nancy Pelosi tenha alterado e aumentado uma resolução do Partido Democrata que elogia e louva... ela própria. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama, mais de dois anos depois de ter tomado posse, ainda não tivesse pago todas as suas dívidas de campanha eleitoral. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Charles Schumer, senador de Nova Iorque pelo Partido Democrata (e com ordens para chamar sempre «extremistas» aos republicanos), tenha afirmado que os três ramos do governo são «a Casa, o Senado e o Presidente». Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Frank Lautenberg, senador de Nova Jersey pelo Partido Democrata, tenha afirmado que os republicanos «não merecem as liberdades que estão na Constituição.» Mas sim, é mesmo verdade.

terça-feira, 29 de março de 2011

... E «justiça» para todos?

Não é novidade que o actual Departamento de Justiça dirigido por Eric Holder não tem como principal preocupação aplicar (um)a (verdadeira) justiça mas sim concretizar um programa político, uma «agenda» racial... ou mesmo racista. Comprova-o, entre outros exemplos, a oposição à lei do Estado do Arizona contra a imigração ilegal, e a não acusação dos elementos do Novo Partido dos Panteras Negras que causaram distúrbios em Filadélfia no dia das eleições presidenciais de 2008.
Agora, o que é de destacar é que o próprio attorney general acabou por admitir essa discriminação, ao afirmar que as acusações que lhe fizeram no «caso dos Panteras» constituiam como que uma forma de diminuir o «seu povo» (isto é, os afro-americanos) na sua luta secular contra a escravidão e a segregação. Ou, como Jonathon Burns fez notar, é practicamente o mesmo que dizer que os brancos não podem ser vítimas de injustiça racial porque não sofreram tanto quanto os negros. Esta (mais do que) aparente «selectividade» na aplicação da justiça está igualmente à vista nas actuais directivas do departamento quanto ao bullying, que como que «exclui» das suas potenciais vítimas quem seja homem... e branco.
É talvez também por esta «lógica» que se deverá «entender» a recente decisão da polícia de Dayton, no Ohio, em reduzir o grau de exigência dos seus testes de admissão de modo a poderem ser admitidos mais afro-americanos... decisão tomada após pressão do Departamento de Justiça! Neste, entretanto, e mais concretamente na Divisão de Direitos Civis, o tédio é tão grande por «falta» de actividade que muitos dos seus funcionários passam os dias a... jogar nos computadores. Aliás, deve ter sido por no DdJ «brincarem» ou até mesmo «dormirem em serviço» que Eric Holder, e até Barack Obama, foram aparentemente surpreendidos por uma operação de duvidosa legalidade que envolveu a passagem de armas pela fronteira entre os EUA e o México – operação essa, dizem eles, de que não não foram informados previamente nem à qual deram autorização. Porém, há quem duvide dessa suposta ignorância. 
A actual administração norte-americana parece querer dar um novo significado ao conceito de «justiça cega»... e, quem sabe, torná-la igualmente surda e muda.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nem mais um cêntimo...

... De dinheiros públicos para a National Public Radio. Esta foi a decisão tomada, há uma semana, por uma maioria na Casa dos Representantes, depois de um vídeo oculto (em mais uma iniciativa do notável James O’Keefe) ter revelado uma conversa entre o então vice-presidente Ron Schiller e um grupo de pessoas que ele pensava serem membros de uma organização muçulmana.
E que disse ele a supostos defensores da Sharia? «Queixou-se» de que o Partido Republicano é actualmente dominado pelo Tea Party, ou, por outras palavras, por indivíduos «anti-intelectuais», «racistas» e «violentos»! E também «confessou» que a NPR não necessita de financiamento federal. Pois bem, fez-se-lhe a vontade! E, como «bónus», tanto Ron Schiller como a até agora presidente da NPR Vivian Schiller (não, não são casados, mas até parecem...) pediram a demissão.
Este caso mais não foi, na verdade, do que a «última gota» que fez transbordar o «copo» da (falta de) paciência de congressistas sensatos e responsáveis (que os há) para com uma entidade que, ao longo do anos, revelou sucessivamente os seus preconceitos esquerdizantes e «politicamente (in)correctos» – e em que o despedimento de Juan Williams constituiu um exemplo máximo da impunidade de que gozavam os «comissários» do Partido Democrata naquela estação de rádio.
Entretanto, é óbvio que os presentes inquilinos da Casa Branca lamentam o sucedido... é mais uma instituição aliada que é definitivamente desmascarada. Na verdade, já são três os bastiões da permissividade e promiscuidade «progressistas» - antes foram a ACORN e a Planned Parenthood – que são oficialmente desautorizados pela maioria dos representantes dos norte-americanos. Porém, ainda faltam outros... pelo que, como lembra Andrew Breitbart, a NPR constitui um «dano colateral» num combate que continua.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cobrir a re(c)taguarda

Passam hoje três meses - foi a 18 de Dezembro de 2010 - que o Congresso dos Estados Unidos da América revogou a directiva «Don’t Ask, Don’t Tell». Ratificada por Barack Obama quatro dias depois, a decisão foi efusivamente festejada por, entre muitos outros, Harry Reid... (n)um tweet para Lady Gaga! Enfim, já se sabia que o senador pelo Nevada está «gágá», mas não era necessário salientá-lo ainda mais... Pelo seu lado, Barbara Boxer decerto deixou de colocar a sua nação ao (baixo) nível da Coreia do Norte e do Irão no que se refere a «homofobia»...
O fim da «DADT» não implicou, ao contrário do que alguns ignorantes disseram, que os homossexuais passaram a poder servir nas forças armadas norte-americanas; já o faziam antes, mas agora podem fazê-lo abertamente. O mesmo é dizer que a melhor, a mais importante instituição do país passou a estar disponível para ser instrumentalizada pelos homossexualistas; ou, por outras palavras, para ser progressivamente fragilizada... e emasculada por um movimento supremacista que dá mais importância à imposição da sua ideologia desviante do que ao reforço, ou pelo menos à manutenção, da segurança e da defesa nacionais.
Exagero? Então atente-se na que é, neste domínio, a iniciativa mais importante... e insólita do Departamento de Defesa nestes novos «120 dias de Sodoma»: o anúncio da aplicação, junto de todas as tropas de combate do país e nos próprios territórios estrangeiros onde elas estejam colocadas, de um «programa extensivo de treino de sensibilização» para facilitar o processo de integração de homossexuais assumidos em todos os ramos e fileiras das forças armadas! E onde é que se vai começar a «sensibilizar» os militares para as idiossincracias de LGBT’s? No Afeganistão – o que vem mesmo a calhar, porque naquele país a pederastia é um fenómeno com uma dimensão considerável, e que tem originado conflitos e... incompreensões junto das forças britânicas e norte-americanas. Pode-se pois dizer que a expressão «cobrir a re(c)taguarda» passou a ter um novo – e preocupante – significado.
Enquanto na «América de uniforme» está aberto o caminho para, talvez num futuro próximo, os sóbrios desfiles de honra militar serem substituídos por exuberantes paradas de orgulho gay, na «América à paisana» prossegue a (tentativa de) subversão da sociedade e das suas instituições... que, se já é o que se sabe quando os republicanos ocupam a presidência, imagine-se agora com os democratas. O Departamento de Estado decidiu que as palavras father (pai) e mother (mãe) vão ser removidas dos impressos de requisição de passaportes e substituidas por «terminologia neutra de género», mais concretamente, «parent one» («progenitor um») e «parent two» («progenitor dois») – uma autêntica forma de reconhecimento oficial da existência de «casais» do mesmo sexo. E o Departamento de Justiça informou que deixou de dar suporte legal ao «Defense of Marriage Act». Motivo? A actual administração considera que aquela lei federal – assinada por Bill Clinton em 1996 – é «inconstitucional» porque estabelece que o casamento é - «escândalo»! - só entre um homem e uma mulher.
Claramente inconstitucional, e até causa para impugnação (impeachment), é sim, como referiu Newt Gingrich, esta gravíssima atitude por parte de um presidente que jurou, sobre a Biblía, na sua tomada de posse, fazer respeitar a Constituição e todas as leis da nação. Porém, e se procurarem mais e melhor, os opositores de Barack Obama talvez encontrem mais motivos para o destituir... e também os seus (anteriores?) apoiantes. Como Dennis Kucinich, que acusa o presidente de ter ignorado a Constituição ao ordenar ataques a um país estrangeiro (ou seja, a Líbia) sem obter a prévia autorização do Congresso (e - na opinião de outro «burro» - por causa do petróleo!) Algo que, segundo Joe Biden, seria motivo para pedir a impugnação de George W. Bush, caso este o tivesse feito (o que nunca aconteceu). Aguarda-se agora que o vice-presidente, e outros «democratas», demonstrem que não são hipócritas. É melhor esperar sentado...  

domingo, 13 de março de 2011

Só «lábia» para a Líbia?

Aqueles (e são muitos) que costumam criticar Barack Obama pelo que (não) diz e pelo que (não) faz no que respeita à política externa em geral, e no que se refere, mais concreta e recentemente, às sublevações populares no Norte de África em particular, têm de ter em atenção que (mais) uma gaffe da parte dele pode ter sérias consequências. Se ele parece ter só «lábia» diplomática para a Líbia em vez de «labor» militar, é talvez por recear cometer mais um erro do tipo... confundir o Iraque com o Afeganistão. Ou então ter que dar mais explicações sobre porque decidiu prolongar o Acto Patriota e manter aberta a prisão de Guantanamo... ao contrário do que prometeu. 
Porém, as hesitações e atrasos do presidente norte-americano em, mais do que criticar por palavras, retaliar por actos a violência cometida por Mouammar Kadhafi contra o seu próprio povo, podem dever-se a outros motivos. Antes de mais, o torcionário de Tripoli não é um «ditador suave» como eram Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egipto mas sim um facínora da estirpe de um Saddam Hussein no Iraque... pelo que «falar grosso» com ele não deve chegar para o convencer a abandonar o poder. Estará Barack Obama (ainda) inibido pelos elogios que o homem-que-dorme-em-tendas lhe fez? Estará (ainda) condicionado pelo Prémio Nobel da Paz que injustamente – ou, pelo menos, prematuramente – recebeu? Estará (ainda) convencido de que só a conversa é suficiente para lidar com o Islão e os seus diversos «profetas de desgraças»?
A Casa Branca está decidida a agir... mas em conjunto com os seus aliados europeus e nunca antes de falar com eles. É pois de surpreender que em Londres e em Paris exista quem demonstre ter uma capacidade de iniciativa e de liderança – e até de análise – que não parece existir em Washington? Quando já até a Liga Árabe se mostra favorável à criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, não há desculpa nem justificação para se manter a inacção. E se Mouammar Kadhafi triunfar, a responsabilidade por esse fracasso caberá, em última instância, à administração norte-americana. E esta até teria um motivo (e uma legitimidade) inquestionável para intervir: Lockerbie. No entanto, e sabendo-se que Barack Obama não se terá oposto à libertação de Abdelbaset al-Megrahi, nem é de surpreender este «lavar daí as mãos». Que, depois, estarão aptas para voltar a agarrar o taco de golfe

quarta-feira, 9 de março de 2011

Façam ódio, não a paz

Para todos aqueles que ainda não estão convencidos de que é pelos supostos «democratas», «liberais» e «progressistas» dos EUA que são protagonizados os verdadeiros, os maiores – e os piores – exemplos de (incitamento à) violência – verbal e física – e de (discurso de) ódio, aqui ficam mais alguns exemplos e demonstrações - além dos muitos que já (d)enunciámos aqui.
Por onde começar? Talvez pelos ataques sistemáticos aos afro-americanos conservadores, dos quais Clarence Thomas (juíz do Supremo Tribunal, nomeado por Ronald Reagan) continua a ser o mais vilipendiado – com apelos a que «volte para as plantações» ou até que seja «enforcado»; como «contraponto», há os afro-americanos (que de certeza não são republicanos...) que espancam brancos por jantarem com negros!
Quem chegou igualmente a vias de facto, e com gravidade, foi um extremista (adorador de Che Guevara) chamado Casey Brezik que, no ano passado, tentou assassinar Jay Nixon, governador (democrata!) do Missouri. Acaso este atentado se tornou omnipresente nos media? Claro que não, porque o perpetrador não é de direita... Tal como Greg Morelli, outro looser medíocre (e radiofónico) que, depois de atingir outras individualidades conservadoras, dirigiu os seus insultos para Scott Walker. Terá também o governador do Wisconsin motivos para recear pela sua segurança? Em especial agora, quando parece certa a sua vitória sobre os sindicalistas privilegiados... e aliados do Partido Democrata?  
Pode-se continuar com o «pacifismo sindical», concretizada numa recente agressão de um activista do Tea Party por um elemento do Teamsters – respondendo, sem dúvida, à arenga do congressista democrata Michael Capuano (um apelido siciliano?) proclamando que «de vez em quando há que ir para as ruas e fazer sangue quando necessário.» Com o «respeito inter-partidário e entre sexos», corporizado por um representante democrata (envolvido num crime de prostituição!) no estado do Wisconsin que disse a uma sua colega republicana que ela estava «f*d*d*m*nt* morta». E com a «tolerância pró-escolha» de Theodore Shulman, que após anos a ameaçar activistas anti-aborto foi finalmente preso pelo FBI.
Em outra área, a da comunicação social, um «convite» à confrontação foi o que também fez Lawrence O’Donnell, da MSNBC, quando deu aos seus telespectadores as moradas de caricaturistas que satirizaram Barack e Michelle Obama e lhes «sugeriu» que exprimissem o seu «desagrado»... directamente – ou seja, fez practicamente o mesmo que os islamitas fundamentalistas que «condenaram à morte» os que caricaturaram Maomé. Um comportamento que, nos media esquerdistas, tem sido inspirado, influenciado, incentivado e até encomendado (através de todas as entidades que financia) por George Soros – um colaboracionista nazi que se «queixa» de que a «estratégia» da Fox News tem semelhanças com a do partido de Adolf Hitler!
Será interessante observar se o recentemente criado (na Universidade do Arizona) Instituto Nacional para o Discurso Civil vai ter ou não alguma consequência no sentido de diminuir a... incivilidade. Poderia, e deveria, começar por tornar a discussão deste assunto menos desquilibrada, menos enviesada. Como diz Andrew Klavan, «este “ódio” da direita tem de parar antes que os democratas matem alguém»! Na verdade, muito decaiu o velho lema dos hippies (por culpa dos próprios e dos seus «descendentes», mesmo que ideológicos) «façam amor, não a guerra». Aliás, alguns até querem (um)a guerra. E há «alvos» que já foram «avisados».

sábado, 5 de março de 2011

«Choques» tecno(i)lógicos

Nunca é demais, na verdade, realçar os pontos em comum entre o «Barraca» e o «Socretino»... porque eles parecem ser cada vez mais! Ambos, em diferentes contextos, com diversos meios à sua disposição, mas por uma liderança «carismática», estão a (tentar) levar os seus países à falência; e, quando pouco mais há de positivo para mostrar, recorrem invariavelmente, para «reanimar» a opinião pública... aos «choques» tecno(i)lógicos.
Será que na Casa Branca se estuda o que se faz no Palácio de São Bento? É que Barack Obama também quer construir um TGV! E nem o «pequeno» pormenor de o projecto não ter viabilidade – económica, técnica e administrativa – não parece ser determinante para «arrefecer» o entusiasmo do presidente... e do seu vice, para quem o comboio de alta velocidade é uma forma de «agarrar (ganhar?) o futuro». Com um custo (inicial...) de 53 biliões de dólares! Previsivelmente, há republicanos que discordam e democratas que vão para tribunal... porque querem à força que seja construído! Em alternativa (ou complemento), poderão fazer-se transportar em carros eléctricos (outra obsessão do «Pinócrates») que ainda têm limitações em termos de custos e de autonomia, apesar dos subsídios para a implementação de uma rede de postos de carregamento.
Dinheiro – proveniente do famigerado «programa de estímulo à economia» - foi o que não faltou igualmente para apoiar um projecto de energia solar, a cargo da empresa (da Califórnia) Solyndra (cujo accionista maioritário, George Kaiser, foi financiador da campanha de Barack Obama), e que era suposto criar empregos... o que não aconteceu. Resultado? Uma investigação – por suspeita de fraude – promovida pela nova maioria republicana na Casa dos Representantes. Que também decidiu que a Comissão Federal das Comunicações não vai utilizar dinheiros públicos para implementar a directiva de «Neutralidade na Net», que tanto agradaria aos democratas.
Este é um tema que, eventualmente, foi discutido na «cimeira tecnológica» entre o presidente dos EUA e os líderes de quase todas as mais importantes empresas norte-americanas do sector, que decorreu a 17 de Fevereiro último. Tal como, provavelmente, as críticas que a actual administração tem feito à ICANN, pressionando-a para que permita uma maior intervenção na gestão dos domínios da Internet à Organização das Nações Unidas. E a ONU, reconheça-se, não tem propriamente revelado, em muitas áreas, coerência, competência... e lógica.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os (des)educadores do povo

Ontem decorreu mais uma cerimónia de entrega dos Óscares. E, como é habitual, houve vencedores e vencidos, e polémica quanto à justiça (ou não) na atribuição, este ano, de alguns dos que são, incontestavelmente, os maiores, mais importantes (e mais antigos) prémios do cinema mundial. Porém, do que nem todos se lembram é que, neste domínio, a maior derrota é, quase sempre, nem sequer ser nomeado.
E, em 2011, voltou a haver algumas «não nomeações» surpreendentes. Nomeadamente: «Incepção» pela realização e pela montagem; «Alice na Terra das Maravilhas» pela caracterização; «Tron – Legado» pelos efeitos visuais e pela banda sonora; «Burlesco» pela canção. Todavia, houve outra omissão tão ou mais inesperada do que aquelas, embora menos notória: a de «À Espera do Super-Homem» na categoria de documentário (longo). E porquê a surpresa? Porque o filme foi realizado por Davis Guggenhein, o mesmo que dirigiu «Uma Verdade Inconveniente»... e que recebeu, por ele, um Óscar em 2007! Porque vários críticos o consideraram o melhor documentário de 2010, e esperavam que ele fosse não só nomeado como ganhasse o troféu máximo...
... Só que isso não aconteceu. Terá sido porque a principal conclusão do filme é a de que o sistema escolar dos Estados Unidos da América apresenta muitas e graves deficiências e insuficiências, que, logicamente, prejudicam principalmente os alunos... e que foram e são causadas em larga medida pela intervenção dos sindicatos? Terá sido por fazer uma crítica, mesmo que discreta e indirecta, a um dos principais pilares do Partido Democrata? Terá sido por considerarem Guggenheim um «traidor»?
Não faltam, na actualidade dos EUA convertida em informações e em notícias, os «sinais» que indicam a existência, nas escolas, de problemas que têm de ser solucionados. Começando no Wisconsin, onde os professores têm estado na linha da frente da contestação a Scott Walker, mesmo que mintam para faltarem às aulas e manifestarem-se... mas onde muitos recebem salários elevados que não são, de todo, justificados pelos resultados medíocres que os alunos apresentam. No Michigan, onde metade das escolas deverão ser encerradas. No Idaho, onde um superintendente da instrução pública recebeu ameaças e teve o seu carro vandalizado depois de anunciar o seu plano de reforma da educação para aquele estado. E no Ohio, onde uma mulher foi presa por ter dado uma morada (da sua residência) falsa para que as suas filhas pudessem frequentar uma escola melhor. Entretanto, ao nível universitário, multiplicam-se os casos de desrespeito da liberdade de expressão; e a Associação para a Educação Nacional (o maior sindicato de professores dos EUA) prepara-se para apoiar Barack Obama na sua campanha para a reeleição.
Que fazer? Atente-se ao que disse Rand Paul, em entrevista recente no programa de David Letterman: (mais) dinheiro não é sempre a resposta; foi um erro tirar a educação da esfera local e passar a controlá-la a partir de Washington; é a competição que torna as coisas melhores. Sábias palavras de um senador novato... mas médico experimentado, que sabe qual é a «doença» e qual poderá ser a «cura».

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Walker, do Wisconsin

Scott Walker, o governador (republicano) do Wisconsin que está a ser muito contestado por uma parte dos funcionários públicos daquele estado por querer cortar nas despesas e reequilibrar o orçamento, começou a ser alvo de ataques ainda antes de ser eleito! Um elemento da confederação sindical SEIU admitiu que divulgou, em colaboração com alguns media locais, histórias falsas sobre o então candidato para o prejudicar.
Depois de tomar posse, e porque os seus opositores sabiam que Scott Walker iria cumprir o que prometeu, as investidas, directas e indirectas, intensificaram-se. As ameaças (ou «sugestões») de morte contra ele sucederam-se. A sua «vice», Rebecca Kleefisch, foi insultada por um «radialista» radical. E quando começaram em Madison as manifestações, estas proporcionaram vários pormenores... interessantes: cartazes «pintando» o governador como nazi e talibã, além de outros «mimos»; professores que simularam doenças e falsificaram justificações de baixas para assim poderem ir protestar... e levar os seus alunos (que nem sabiam porque estavam lá)! Até Barack Obama teve de intervir, fazendo deslocar para o Wisconsin a sua «máquina política» e acusando o governo daquele estado de estar a «assaltar os sindicatos» (isto é, contra os seus grandes apoiantes aos quais tanto deve e aos quais fez uma promessa que ainda não cumpriu...) Porém, e porque toda esta campanha não parece ser suficiente para demover Walker dos seus intentos, restou aos senadores democratas estaduais um último recurso: fugir, e, assim, impedir a tomada de decisões por falta de quorum! Uma demonstração de cobardia que «contagiou» os seus camaradas do Indiana, que decidiram fazer o mesmo!
Na comunicação social, e previsivelmente, a polémica é dominante. Na MSNBC, como de costume, há quem tenha um conhecimento dos factos diminuto e/ou deturpado. Na ABC, há quem se aperceba de que Obama mais depressa e mais firmemente condenou Walker do que Mubarak... A «Batalha do Wisconsin», pelo que significa, por todas as suas muitas implicações nacionais, em especial para o Partido Democrata, é claramente, neste momento, o assunto principal da política dos EUA. Muito mais relevante, por exemplo, do que especulações – a quase dois anos de distância! – sobre quais vão ser os candidatos presidenciais para 2012.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cair no Cairo

O que aconteceu nas últimas semanas no Egipto constitui mais uma prova de que, por vezes, convém, sempre que possível, aguardar, não reagir e não comentar «a quente», imediatamente, (logo) «em cima do acontecimento», sem se ter a certeza do verdadeiro desenlace de uma determinada situação... Por isso, foi com um sorriso que assistimos a alguns «colegas da blogosfera» terem que «dar o dito por não dito» quando, prematuramente, anunciavam que Hosni Mubarak tinha renunciado ao poder...
… Até que, finalmente, tal efectivamente aconteceu. Porém, não foi só a presidência do sucessor de Anwar El-Sadat a cair no Cairo. Foi também o que restava da credibilidade da política externa de Barack Obama e da sua administração. E isto não é uma acusação infundada motivada por antagonismo ideológico: é uma constatação de facto confirmada pelas afirmações e as (in)acções dos próprios, que sucessivamente admitiram a sua ignorância e/ou a sua impotência em relação à insurreição no Egipto! Começando pelo próprio presidente, que disse que «vamos ter de esperar e de ver o que se vai passar». Continuando com Leon Panetta, actual director da CIA e leal «pau para toda a obra» do Partido Democrata há mais de 40 anos, que se pôs a fazer «previsões»... baseado no que via na comunicação social! E terminando com o seu anterior porta-voz e secretário de imprensa, Robert Gibbs, que, numa das suas últimas demonstrações de inutilidade antes de ser substituído no cargo, confessou que não sabia com quais líderes mundiais (se é que algum...) Obama, Joe Biden e Hillary Clinton haviam conversado sobre o assunto. No entanto, sabe-se que um deles foi o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, que terá «avisado» Barack para não humilhar Mubarak. Não se sabe é se, mesmo ao telefone, o Sr. Hussein terá voltado a curvar-se...
Numa daquelas ironias em que a História é fértil, foi no Cairo, em Junho de 2009, que Barack Obama fez o discurso em que apresentou, explicou e defendeu a sua atitude de apaziguamento para com o Islão. Na altura saudada por alguns como um importante momento de mudança... para melhor, está-se agora a ver as verdadeiras consequências dessa intervenção: a Casa Branca aparece como cada vez menos relevante e menos respeitada no Médio Oriente. E todos os «trunfos», todo o poder, toda a influência que ainda possa ter foram adquiridos em administrações anteriores, as de George Bush Pai e Filho, a de Ronald Reagan, e, sim, também as de Bill Clinton e de Jimmy Carter, que em 1979 «apadrinhou» o histórico acordo de paz entre a terra dos faraós e Israel.
Agora, neste país escreve-se que Obama «traiu um aliado» e que ficará conhecido como «o presidente que perdeu o Egipto»... talvez para a Irmandade Muçulmana. Acusações que não parecem afectar o Nº 44, que continua convencido que ele e a sua equipa se portaram bem durante a crise – até, supõe-se, no início daquela, quando participavam numa festa em honra de David Axelrod... Todavia, há pelo menos uma entidade que se mostrou satisfeita com o desempenho de Barack Obama em relação ao «Cairo, distante Cairo, excitante Cairo, apaixonante»: a CAIR (Council on American-Islamic Relations), para a qual o presidente «demonstrou que está do lado certo da história ao apoiar a vontade do povo egípcio.»
Infelizmente, a vontade de uma parte desse povo é a de roubar tesouros arqueológicos e de atacar jornalistas estrangeiros (leia-se «ocidentais» e «norte-americanos») com grande violência. Anderson Cooper da CNN, Brian Hartman, da ABC, e Greg Palkot, da Fox, são três das dezenas de profissionais da informação que ficaram feridos com maior ou menor gravidade (e outros houve que morreram!), embora o caso não letal mais preocupante tenha sido o de Lara Logan, da CBS, que foi, além de espancada, também abusada sexualmente - e que permitiu confirmar ilacções importantes sobre uma «hierarquia (ou tabela) de vitimização» que é seguida em determinados sectores. Crimes que, pode dizer-se, vêm na sequência de atentados (com muitos mortos e feridos) nos últimos meses contra cristãos no Egipto (e no Afeganistão, no Iraque e na Nigéria), mas que não receberam a cobertura e a condenação adequadas por parte de governantes... e de jornalistas!
Estas atrocidades deveriam ser suficientes para «acalmar os ânimos» de muitos ingénuos inconscientes que anda(ra)m a escrever disparates grandiloquentes sobre os revolucionários «amanhãs que cantam» nas margens do rio Nilo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Prostituição planeada

Depois de a ACORN ter sido denunciada e desmascarada, chegou agora a vez da Planned Parenthood. É mais um bastião da ideologia e da acção «esquerdista-progressista» nos Estados Unidos da América a ser apanhado num escândalo causado pela disponibilidade manifestada por vários do seus funcionários em... apoiar o tráfico e prostituição de menores!
A acção foi desencadeada pela Live Action, uma organização pró-vida fundada e dirigida por uma jovem estudante da UCLA chamada Lila Rose. E os vídeos recentemente revelados mais não são do que os últimos numa série considerável: desde 2008 que a LA começou a enviar colaboradores, disfarçados de chulos e de prostitutas, para filmarem secretamente conversas com elementos da Planned Parenthood em diversos dos seus centros de «planeamento familiar» em diferentes pontos dos EUA. E em quase todos eles a reacção foi invariavelmente a mesma: não se interrompia a conversa nem se chamava a polícia, mas sim prestava-se assistência e auxílio para a prossecução de «crimes» – isto é, de outros crimes para além da realização em larga escala de abortos, que constitui a actividade principal, e «legal», da PP.
Tal como a ACORN, a Planned Parenthood representa um exemplo concreto da degradação em que caiu o pensamento liberal na América. Previsivelmente, irão sofrer consequências políticas (fim da atribuição de dinheiros públicos) e legais (prisões, processos em tribunal, acusações). Compreensivelmente, os seus actuais mentores e dirigentes entraram em estado de negação. E, finalmente, poder-se-á enfim talvez reconhecer definitiva e consensualmente que a fundadora, Margaret Sanger, celebrada como pioneira feminista, higienista e sufragista, mais não era fundamentalmente do que uma eugenista que discursava em comícios do Ku Klux Klan. Será pois coincidência que mais de 75% das clínicas da PP estejam situadas em zonas maioritariamente ocupadas por minorias étnicas?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Contradições culinárias

A alimentação é um assunto fundamental, para um indivíduo, para uma família... e para um país. Mais do que vital, é uma área estratégica. Pelo que se compreende que também a presidência dos Estados Unidos da América se preocupe, mais do que com a quantidade, com a qualidade daquilo que os seus concidadãos comem... e em especial os mais jovens.
Porém, não haverá algum... exagero, por parte da primeira dama Michelle Obama, em classificar a obesidade como uma «ameaça à segurança nacional», mesmo que os números disponíveis, a serem fiáveis, causem alguma inquietação? E ficará bem ao presidente Barack Obama apelar a que se consumam menos «batatas fritas e pizzas»? E aos dois tentarem condicionar as estratégias alimentares e empresariais de centros comerciais e de restaurantes? É certo que podem contar sempre com o «rosnar» desse «mastim raivoso» e fiel chamado Bill Maher, sempre à espera que os «donos» lhe atirem um «osso» como recompensa, mas, mesmo assim...
Sem dúvida que é louvável e meritório o incentivo a que se produzam e consumam mais frutas e legumes, e só fica bem à Casa Branca dar o (primeiro) exemplo com a sua própria «horta ajardinada». No entanto, não se estará perante, digamos, algumas... contradições culinárias (que inclusivé põem em causa... tradições gastronómicas) quando a própria Michelle Obama destaca (como algo positivo) que a cidade de Charlotte – por ocasião da escolha desta para albergar a convenção de 2012 do Partido Democrata – é conhecida também pelos seus «grandes churrascos»? (O que, afinal, até nem é verdade...) E quando a festa dada no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia durante a Super Bowl incluiu na sua ementa pratos tão «saudáveis» como cheeseburgers, pizzas, salsichas, vários tipos de batatas e molhos, gelados e cervejas? De facto, não têm faltado refeições multi-calóricas na residência presidencial.
Nesta como em outras áreas, parece que, de facto, a actual administração norte-americana tem «mais olhos do que barriga». Melhor seria simplesmente comerem... e calarem-se.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Chamaram-lhe «actor de Série B»

Hoje celebram-se os 100 anos do nascimento de Ronald Reagan. Porém, muito antes de se chegar a este número especial – aliás, ainda durante a sua vida – já se havia compreendido e reconhecido o extraordinário legado politico e cultural que o 40º presidente dos Estados Unidos da América deixou ao seu país e ao Mundo. Não foi um homem e um estadista perfeito, obviamente; no entanto, as suas qualidades excederam em muito os seus defeitos, e a sua figura continua a constituir um exemplo e uma referência fundamental para muitos. Tanto que há quem queira «outro RR»... para reparar os estragos feitos por BO. 
É entre a direita, os conservadores e os republicanos que o tantas vezes desvalorizado (no passado, e pelos opositores ideológicos) «actor de Série B» e «cowboy» é, logicamente, mais tido como modelo a seguir. Todavia, há uma recente – e insólita – tendência em que se tenta apresentar Barack Obama quase como que um «herdeiro» de Ronald Reagan. Esta «operação» (falhada) de rebranding do Nº 44 teve o seu meio e momento culminantes na revista Time, em especial com uma foto-montagem abusiva – da qual não tardou a ser feita uma versão bem humorada na «perspectiva contrária»... Na verdade, não é só no conteúdo que um e outro são irredutivelmente diferentes: também o são na forma, e se Reagan ficou conhecido como o «grande comunicador» isso deveu-se igualmente à sua capacidade de adaptação, de improvisação, à sua naturalidade – atributos que Obama, quase sempre com um teleponto atrás (ou à frente...), só tem num grau ínfimo. Este aproveitamento não deixou de ser denunciado e desmascarado por vários comentadores, entre os quais Michael Reagan (um dos seus filhos) e Peter Robinson (autor de vários dos seus discursos, entre os quais o famoso «Tear down this wall» em Berlim).
Não é difícil descobrir o motivo desta manipulação, desta «colagem»: Barack Obama tem sido constantemente comparado – justificadamente – com James Carter, e, porque este não pode ser propriamente classificado como um «presidente de sucesso», os actuais spin doctors da Casa Branca não hesitaram em «recorrer», ironicamente, a um adversário contra o qual os democratas sempre tiveram, e têm, um enorme ressentimento. Uma missão... impossível, porque, com Cairo em 2011 a fazer cada vez mais lembrar Teerão em 1979, os «carterismos» de Obama e da sua administração têm-se sucedido.
O que a lamestream media, compreensivelmente, não faz, é reconhecer que, actualmente, a única pessoa que pode verdadeiramente reclamar ser a principal herdeira política de Ronald Reagan é Sarah Palin – no estilo, na substância, até no modo como é subestimada e ridicularizada. E, adequadamente, ela esteve presente, no passado dia 4, no rancho de Reagan em Santa Bárbara, onde discursou perante os membros da Young America Foundation em celebração do centenário.
Há mais de 30 anos dizia-se que o ex-governador da Califórnia não tinha qualquer hipótese de derrotar o ex-governador da Geórgia. Pelo que, agora, aqueles que insistem em fazer «vaticínios» categóricos e definitivos bem que podiam aprender com algumas lições que a História dá... e não confundir, prematuramente, os seus desejos com a realidade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ela é de São Francisco... (Parte 2)

... Por isso não há que dar qualquer «desconto» a Nancy Pelosi, agora que ela já não é – felizmente! – speaker da Casa dos Representantes no Congresso dos EUA.
Aliás, «poupança» foi algo que ela não fez enquanto esteve em segundo lugar na linha de sucessão à presidência: documentos oficiais recentemente revelados dão detalhes das despesas que ela causou à força aérea norte-americana, mais concretamente a utilização de aviões militares (e não de companhias comerciais) para viagens com fins pessoais e políticos – em 2009 e 2010 há registos de 90 vôos (mais de 90 mil milhas só no ano passado) com um custo total superior a dois milhões de dólares, e que eram «abastecidos» regularmente com bebidas alcóolicas e até (no dia de aniversário dela) com morangos cobertos de chocolate!
Sim, nos Estados Unidos da América o conceito de «esquerda caviar» tem, previsivelmente, implicações ainda mais excessivas. E, lá como cá, os «porta-bandeiras» dessa esquerda estão convencidos de que têm sempre razão... mesmo quando as evidências o desmentem: ouça-se Nancy Pelosi a garantir que eles (os democratas) teriam aprovado o «ObamaCare» mesmo que todos (os cidadãos americanos) estivessem satisfeitos com o seu seguro de saúde! E, claro, queixam-se sempre de que a culpa é dos outros: escute-se Nancy a justificar os seus baixos índices de popularidade com o dinheiro que os republicanos gastaram contra ela... e a derrota do seu partido em Novembro com – mais uma vez! – a «herança» de George W. Bush! Atente-se em como ela é capaz de mentir, descaradamente, ao afirmar: que «a redução do défice tem sido uma alta prioridade para nós»; que Barack Obama, politicamente, «tem estado sempre no centro»; e que o presidente tem sido um «criador de empregos desde o dia um»... e que criou mais do que GWB!
Porém, e apesar do seu péssimo desempenho e da derrota consequente, Pelosi não deixou de ser eleita – isto é, mantida – como líder dos representantes democratas na nova sessão legislativa do Capitólio. O que não deixa de constituir uma boa notícia para os republicanos, que têm todos os motivos para lhe dizer, rindo, «bem vinda de volta!» Mesmo que revirem os olhos ao confirmarem a sua duplicidade hipócrita no momento de ser substituída por John Boehner. Mesmo que façam caretas de espanto quando ela se refere ao atentado em Tucson como sendo um «acidente trágico» (leia-se o antepenúltimo parágrafo deste comunicado).
Para onde ela poderia e deveria ir, talvez como embaixadora, de modo a causar muitos «danos» para além de «sorrisos amarelos», era a China. Alegadamente, os comunistas chineses têm um «medo de morte» dela por causa da sua defesa do Tibete e dos direitos humanos no país mais populoso do Mundo. Vêem? Até Nancy Pelosi tem pelo menos uma qualidade!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Perdendo o futuro?

Ao contrário do que disseram os admiradores habituais ou ocasionais, o discurso do «Estado da União» proferido por Barack Obama no passado dia 25 de Janeiro perante o Congresso não foi propriamente animador, consistente, inspirador... nem original. Muito menos irrepreensível.
As incongruências começaram logo no «lema» (da campanha de reeleição em 2012?) que constituiu como que o tema ou o título «oficioso» do discurso: «Winning the Future», ou seja, «Ganhando o Futuro». Porém, esse é também o título de um livro de Newt Gingrich editado em 2005; a expressão também foi usada várias vezes por Michael Steele; e há (também com extensões «.org» e «.net») um sítio «winthefuture.com» que é propriedade de um... republicano. No entanto, as imitações não se limitaram ao título: para Alvin Felzenberg – que demonstra a sua asserção com vários exemplos – as citações copiadas de outros discursos presidenciais (isto é, de outros presidentes) foram tantas que se pode falar em plágio. Na Bloomberg, Calvin Woodward encontrou bastantes factos a requererem confirmação... ou desmentido. Kevin McCullough fez uma lista dos «momentos mais marcantes», do mais surpreendente ao mais ridículo. Sarah Palin, por sua vez, achou que houve muitos «momentos WTF» no discurso...
... E os menores desses momentos não terão sido, de certeza, as referências feitas pelo presidente à necessidade de «investir» - na verdade, «gastar» (dinheiro por parte do Estado) – como forma preferencial e prioritária de... «ganhar o futuro». Ann Coulter e Bill O’Reilly chamaram, e muito bem, a atenção para este eufemismo perigoso... e dispendioso. Barack Obama continua a acreditar que é ao Governo que cabe liderar a «competitividade» da nação... e endividar-se ainda mais para suportar os custos, por exemplo: do comboio de alta velocidade... melhor que o avião porque dispensa os «apalpões» proporcionados pelos funcionários da TSA; das «energias limpas»... das quais o seu secretário para o sector, Steven Chu, parece estar precisado, já que, de tão cansado (ou entediado?) adormeceu durante o discurso! Enfim, entre lá e cá, e como já se viu, há obsessões em comum.
Todavia, o momento mais «memorável» do discurso foi sem dúvida o «momento Sputnik». Tratou-se talvez de uma analogia infeliz por parte de alguém que «reorientou» a NASA, não para (voltar a) viajar até à Lua mas sim para «viajar» até aos muçulmanos. Contudo, o seu significado e o seu alcance foram claramente perceptíveis: os EUA arriscam-se a perder a sua supremacia global porque há países que estão a emergir, e a assumir-se, enquanto (novas) superpotências... nomeadamente, e obviamente, a China. Contudo, e a avaliar pela «recepção» dada a Hu Jintao na semana passada durante a visita oficial que ele fez à «capital do imperialismo», é de duvidar que a actual atitude da administração norte-americana seja a mais correcta. Houve mesmo quem declarasse que o «tigre chinês» comeu a «pomba americana» ao almoço. Continuando na comida, Donald Trump não duvida de que (normalmente) «não se dá jantares ao inimigo»; e este também não deve(ria) ser elogiado durante o discurso do Estado da União. Mas foi o que Obama fez. Mais: a Casa Branca enalteceu o facto de uma das filhas dele ter falado mandarim com Jintao (para praticar o que aprende na escola), e desvalorizou o facto de o pianista Lang Lang ter tocado, no tal jantar, uma música que é utilizada há décadas como uma peça de propaganda anti-americana – no que pode ser entendido como uma provocação, e um insulto, ao «anfitrião». Estará a presidência dos EUA «daltónica» em relação à «marca amarela»?
Em conclusão, e como sugere Greg Gutfeld, este discurso terá servido principalmente para Barack Obama se convencer de que a América é, apesar de tudo, «grande». Já a respectiva audiência televisiva não foi... grande coisa: menos espectadores do que no ano passado. Estarão eles perdendo tempo... e o futuro?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

À saúde deles

Também porque (previsivelmente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto mais importante da política norte-americana em 2011... até agora, ocorrido na semana passada, mais concretamente a 19 de Janeiro: a rejeição, na Casa dos Representantes, com 245 votos a favor e 189 contra, do «Patient Protection and Affordable Care Act», mais conhecido como... «ObamaCare».
Esta decisão, tomada na câmara baixa (a mais importante) do Congresso norte-americano, que recentemente abriu a sua 112ª legislatura, representa o cumprimento da (mais importante) promessa do Partido Republicano, que passou a ser maioritário na «House» após as eleições de 2 de Novembro último, e reverte assim, em parte, a votação feita no mesmo local há pouco menos de um ano. Este acto do GOP tem também muito de simbólico, porque, para ser completa, a rejeição do «ObamaCare» necessitaria igualmente de ser confirmada no Senado... o que não deverá acontecer, porque naquele os democratas estão (ainda...) em maioria, embora alguns «azuis» pudessem, provavelmente, votar ao lado dos «vermelhos» - aliás, a questão está em saber se Harry Reid permitirá ou não que haja uma votação... Enfim, e na hipótese remota de todo o Congresso reprovar a «reforma» do sistema de saúde, a rejeição nunca se concretizaria porque Barack Obama utilizaria, logicamente, o seu poder de veto.
Porém, é de assinalar, e de louvar, que existam políticos, respeitando os compromissos assumidos perante os seus eleitores, dispostos a exercerem as suas prerrogativas até ao limite, mesmo que não alcancem, à partida e para já, resultados concretos. Fica o benefício, e o registo, da coerência e da persistência. Que contraste, por exemplo, com o presidente da república de um certo país do Sul da Europa que, calculisticamente e cobardemente, opta por não vetar uma lei iníqua (outras houve...) com a qual não concorda(va) - assim como a maioria da população desse país – porque esse veto seria anulado pelo parlamento.
Nos EUA e no caso do «ObamaCare» não há qualquer dúvida: aquele que tem sido apresentado como o grande feito... até agora do mandato de Barack Obama é, foi e continua a ser rejeitado pela maioria da população. Tanto que, precisamente, constituiu o principal factor na vitória dos republicanos; tanto que, actualmente, 26 Estados já entraram com um processo em tribunal. O que é compreensível, porque na «reforma» imposta pelos democratas abundam os aspectos dúbios ou mesmo degradantes. Fundamentalmente, os norte-americanos não querem ser obrigados a comprar seguros de saúde... se não quiserem; não gostam que se «nacionalize», ou se «federalize», o equivalente a um sexto da economia do país; e não aceitam que, para colmatar as (inegáveis) carências de uma pequena minoria, o Estado se intrometa nas opções de uma grande maioria.
O Partido Republicano poderá, e deverá, (tentar) desmantelar o «ObamaCare» pacientemente, peça a peça, e/ou concentrar os seus esforços na eliminação das medidas mais controversas e prejudiciais. E terá de resistir ao inevitável coro de críticas por parte dos «esquerdistas progressistas». Com efeito, e a julgar pelas comparações... com nazis (!), o alegado «novo tom de civilidade» na política «pós-Tucson» terá acabado ainda antes de ter começado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ano Três

O Obamatório celebra hoje o seu segundo aniversário e entra, assim, no seu terceiro ano de existência. Começou as suas «emissões», deliberadamente, no mesmo dia da tomada de posse de Barack Obama. Aliás, 20 de Janeiro costuma ser a data da tomada de posse dos presidentes dos Estados Unidos da América, e hoje algumas efemérides especiais são também assinaladas: os 50 anos de John Kennedy; os 30 de Ronald Reagan; e os 10 de George W. Bush.
E porque, precisamente, passam igualmente dois anos desde que o Nº 43 deixou a presidência dos EUA, justifica-se a referência a (e a recordação de) algumas das entrevistas que o anterior ocupante da Casa Branca concedeu recentemente, também como promoção do seu livro «Decision Points»: a Bill O’Reilly (partes um e dois); a Sean Hannity (partes um, dois, três e quatro); a Jay Leno; e a Mark Zuckerberg – sim, o fundador do Facebook!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Crimes e castigos

Também porque (surpreendentemente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto de Tom DeLay, republicano, ex-congressista pelo Texas e ex-líder de maioria na Casa dos Representantes, ter sido condenado, na semana passada, a três anos de prisão por lavagem de dinheiro. Se, como tudo leva a crer, o julgamento foi justo e as acusações comprovadas, a decisão é de apoiar e de aplaudir inequivocamente.
Agora, permitam que se apresente... James Traficant. Sim, raramente um apelido terá sido tão bem adequado à pessoa que o tem: este ex-congressista democrata pelo Ohio foi condenado em 2002 não a um, não a dois, não a três, não a quatro, não a cinco, não a seis, mas a sete (!!) anos de prisão por suborno e extorsão. E cumpriu a pena na sua totalidade... porque «traficância(s)» era com ele!
Entretanto, outras oportunidades poderão em breve apresentar-se para demonstrar que, no partido do burro, outros há que «try harder» e «do it better», mesmo que seja à margem da lei e atrás das grades. Para começar, convém acompanhar as próximas «aventuras judiciais» de... Rod Blagojevich.