quarta-feira, 9 de março de 2011

Façam ódio, não a paz

Para todos aqueles que ainda não estão convencidos de que é pelos supostos «democratas», «liberais» e «progressistas» dos EUA que são protagonizados os verdadeiros, os maiores – e os piores – exemplos de (incitamento à) violência – verbal e física – e de (discurso de) ódio, aqui ficam mais alguns exemplos e demonstrações - além dos muitos que já (d)enunciámos aqui.
Por onde começar? Talvez pelos ataques sistemáticos aos afro-americanos conservadores, dos quais Clarence Thomas (juíz do Supremo Tribunal, nomeado por Ronald Reagan) continua a ser o mais vilipendiado – com apelos a que «volte para as plantações» ou até que seja «enforcado»; como «contraponto», há os afro-americanos (que de certeza não são republicanos...) que espancam brancos por jantarem com negros!
Quem chegou igualmente a vias de facto, e com gravidade, foi um extremista (adorador de Che Guevara) chamado Casey Brezik que, no ano passado, tentou assassinar Jay Nixon, governador (democrata!) do Missouri. Acaso este atentado se tornou omnipresente nos media? Claro que não, porque o perpetrador não é de direita... Tal como Greg Morelli, outro looser medíocre (e radiofónico) que, depois de atingir outras individualidades conservadoras, dirigiu os seus insultos para Scott Walker. Terá também o governador do Wisconsin motivos para recear pela sua segurança? Em especial agora, quando parece certa a sua vitória sobre os sindicalistas privilegiados... e aliados do Partido Democrata?  
Pode-se continuar com o «pacifismo sindical», concretizada numa recente agressão de um activista do Tea Party por um elemento do Teamsters – respondendo, sem dúvida, à arenga do congressista democrata Michael Capuano (um apelido siciliano?) proclamando que «de vez em quando há que ir para as ruas e fazer sangue quando necessário.» Com o «respeito inter-partidário e entre sexos», corporizado por um representante democrata (envolvido num crime de prostituição!) no estado do Wisconsin que disse a uma sua colega republicana que ela estava «f*d*d*m*nt* morta». E com a «tolerância pró-escolha» de Theodore Shulman, que após anos a ameaçar activistas anti-aborto foi finalmente preso pelo FBI.
Em outra área, a da comunicação social, um «convite» à confrontação foi o que também fez Lawrence O’Donnell, da MSNBC, quando deu aos seus telespectadores as moradas de caricaturistas que satirizaram Barack e Michelle Obama e lhes «sugeriu» que exprimissem o seu «desagrado»... directamente – ou seja, fez practicamente o mesmo que os islamitas fundamentalistas que «condenaram à morte» os que caricaturaram Maomé. Um comportamento que, nos media esquerdistas, tem sido inspirado, influenciado, incentivado e até encomendado (através de todas as entidades que financia) por George Soros – um colaboracionista nazi que se «queixa» de que a «estratégia» da Fox News tem semelhanças com a do partido de Adolf Hitler!
Será interessante observar se o recentemente criado (na Universidade do Arizona) Instituto Nacional para o Discurso Civil vai ter ou não alguma consequência no sentido de diminuir a... incivilidade. Poderia, e deveria, começar por tornar a discussão deste assunto menos desquilibrada, menos enviesada. Como diz Andrew Klavan, «este “ódio” da direita tem de parar antes que os democratas matem alguém»! Na verdade, muito decaiu o velho lema dos hippies (por culpa dos próprios e dos seus «descendentes», mesmo que ideológicos) «façam amor, não a guerra». Aliás, alguns até querem (um)a guerra. E há «alvos» que já foram «avisados».

sábado, 5 de março de 2011

«Choques» tecno(i)lógicos

Nunca é demais, na verdade, realçar os pontos em comum entre o «Barraca» e o «Socretino»... porque eles parecem ser cada vez mais! Ambos, em diferentes contextos, com diversos meios à sua disposição, mas por uma liderança «carismática», estão a (tentar) levar os seus países à falência; e, quando pouco mais há de positivo para mostrar, recorrem invariavelmente, para «reanimar» a opinião pública... aos «choques» tecno(i)lógicos.
Será que na Casa Branca se estuda o que se faz no Palácio de São Bento? É que Barack Obama também quer construir um TGV! E nem o «pequeno» pormenor de o projecto não ter viabilidade – económica, técnica e administrativa – não parece ser determinante para «arrefecer» o entusiasmo do presidente... e do seu vice, para quem o comboio de alta velocidade é uma forma de «agarrar (ganhar?) o futuro». Com um custo (inicial...) de 53 biliões de dólares! Previsivelmente, há republicanos que discordam e democratas que vão para tribunal... porque querem à força que seja construído! Em alternativa (ou complemento), poderão fazer-se transportar em carros eléctricos (outra obsessão do «Pinócrates») que ainda têm limitações em termos de custos e de autonomia, apesar dos subsídios para a implementação de uma rede de postos de carregamento.
Dinheiro – proveniente do famigerado «programa de estímulo à economia» - foi o que não faltou igualmente para apoiar um projecto de energia solar, a cargo da empresa (da Califórnia) Solyndra (cujo accionista maioritário, George Kaiser, foi financiador da campanha de Barack Obama), e que era suposto criar empregos... o que não aconteceu. Resultado? Uma investigação – por suspeita de fraude – promovida pela nova maioria republicana na Casa dos Representantes. Que também decidiu que a Comissão Federal das Comunicações não vai utilizar dinheiros públicos para implementar a directiva de «Neutralidade na Net», que tanto agradaria aos democratas.
Este é um tema que, eventualmente, foi discutido na «cimeira tecnológica» entre o presidente dos EUA e os líderes de quase todas as mais importantes empresas norte-americanas do sector, que decorreu a 17 de Fevereiro último. Tal como, provavelmente, as críticas que a actual administração tem feito à ICANN, pressionando-a para que permita uma maior intervenção na gestão dos domínios da Internet à Organização das Nações Unidas. E a ONU, reconheça-se, não tem propriamente revelado, em muitas áreas, coerência, competência... e lógica.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os (des)educadores do povo

Ontem decorreu mais uma cerimónia de entrega dos Óscares. E, como é habitual, houve vencedores e vencidos, e polémica quanto à justiça (ou não) na atribuição, este ano, de alguns dos que são, incontestavelmente, os maiores, mais importantes (e mais antigos) prémios do cinema mundial. Porém, do que nem todos se lembram é que, neste domínio, a maior derrota é, quase sempre, nem sequer ser nomeado.
E, em 2011, voltou a haver algumas «não nomeações» surpreendentes. Nomeadamente: «Incepção» pela realização e pela montagem; «Alice na Terra das Maravilhas» pela caracterização; «Tron – Legado» pelos efeitos visuais e pela banda sonora; «Burlesco» pela canção. Todavia, houve outra omissão tão ou mais inesperada do que aquelas, embora menos notória: a de «À Espera do Super-Homem» na categoria de documentário (longo). E porquê a surpresa? Porque o filme foi realizado por Davis Guggenhein, o mesmo que dirigiu «Uma Verdade Inconveniente»... e que recebeu, por ele, um Óscar em 2007! Porque vários críticos o consideraram o melhor documentário de 2010, e esperavam que ele fosse não só nomeado como ganhasse o troféu máximo...
... Só que isso não aconteceu. Terá sido porque a principal conclusão do filme é a de que o sistema escolar dos Estados Unidos da América apresenta muitas e graves deficiências e insuficiências, que, logicamente, prejudicam principalmente os alunos... e que foram e são causadas em larga medida pela intervenção dos sindicatos? Terá sido por fazer uma crítica, mesmo que discreta e indirecta, a um dos principais pilares do Partido Democrata? Terá sido por considerarem Guggenheim um «traidor»?
Não faltam, na actualidade dos EUA convertida em informações e em notícias, os «sinais» que indicam a existência, nas escolas, de problemas que têm de ser solucionados. Começando no Wisconsin, onde os professores têm estado na linha da frente da contestação a Scott Walker, mesmo que mintam para faltarem às aulas e manifestarem-se... mas onde muitos recebem salários elevados que não são, de todo, justificados pelos resultados medíocres que os alunos apresentam. No Michigan, onde metade das escolas deverão ser encerradas. No Idaho, onde um superintendente da instrução pública recebeu ameaças e teve o seu carro vandalizado depois de anunciar o seu plano de reforma da educação para aquele estado. E no Ohio, onde uma mulher foi presa por ter dado uma morada (da sua residência) falsa para que as suas filhas pudessem frequentar uma escola melhor. Entretanto, ao nível universitário, multiplicam-se os casos de desrespeito da liberdade de expressão; e a Associação para a Educação Nacional (o maior sindicato de professores dos EUA) prepara-se para apoiar Barack Obama na sua campanha para a reeleição.
Que fazer? Atente-se ao que disse Rand Paul, em entrevista recente no programa de David Letterman: (mais) dinheiro não é sempre a resposta; foi um erro tirar a educação da esfera local e passar a controlá-la a partir de Washington; é a competição que torna as coisas melhores. Sábias palavras de um senador novato... mas médico experimentado, que sabe qual é a «doença» e qual poderá ser a «cura».

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Walker, do Wisconsin

Scott Walker, o governador (republicano) do Wisconsin que está a ser muito contestado por uma parte dos funcionários públicos daquele estado por querer cortar nas despesas e reequilibrar o orçamento, começou a ser alvo de ataques ainda antes de ser eleito! Um elemento da confederação sindical SEIU admitiu que divulgou, em colaboração com alguns media locais, histórias falsas sobre o então candidato para o prejudicar.
Depois de tomar posse, e porque os seus opositores sabiam que Scott Walker iria cumprir o que prometeu, as investidas, directas e indirectas, intensificaram-se. As ameaças (ou «sugestões») de morte contra ele sucederam-se. A sua «vice», Rebecca Kleefisch, foi insultada por um «radialista» radical. E quando começaram em Madison as manifestações, estas proporcionaram vários pormenores... interessantes: cartazes «pintando» o governador como nazi e talibã, além de outros «mimos»; professores que simularam doenças e falsificaram justificações de baixas para assim poderem ir protestar... e levar os seus alunos (que nem sabiam porque estavam lá)! Até Barack Obama teve de intervir, fazendo deslocar para o Wisconsin a sua «máquina política» e acusando o governo daquele estado de estar a «assaltar os sindicatos» (isto é, contra os seus grandes apoiantes aos quais tanto deve e aos quais fez uma promessa que ainda não cumpriu...) Porém, e porque toda esta campanha não parece ser suficiente para demover Walker dos seus intentos, restou aos senadores democratas estaduais um último recurso: fugir, e, assim, impedir a tomada de decisões por falta de quorum! Uma demonstração de cobardia que «contagiou» os seus camaradas do Indiana, que decidiram fazer o mesmo!
Na comunicação social, e previsivelmente, a polémica é dominante. Na MSNBC, como de costume, há quem tenha um conhecimento dos factos diminuto e/ou deturpado. Na ABC, há quem se aperceba de que Obama mais depressa e mais firmemente condenou Walker do que Mubarak... A «Batalha do Wisconsin», pelo que significa, por todas as suas muitas implicações nacionais, em especial para o Partido Democrata, é claramente, neste momento, o assunto principal da política dos EUA. Muito mais relevante, por exemplo, do que especulações – a quase dois anos de distância! – sobre quais vão ser os candidatos presidenciais para 2012.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cair no Cairo

O que aconteceu nas últimas semanas no Egipto constitui mais uma prova de que, por vezes, convém, sempre que possível, aguardar, não reagir e não comentar «a quente», imediatamente, (logo) «em cima do acontecimento», sem se ter a certeza do verdadeiro desenlace de uma determinada situação... Por isso, foi com um sorriso que assistimos a alguns «colegas da blogosfera» terem que «dar o dito por não dito» quando, prematuramente, anunciavam que Hosni Mubarak tinha renunciado ao poder...
… Até que, finalmente, tal efectivamente aconteceu. Porém, não foi só a presidência do sucessor de Anwar El-Sadat a cair no Cairo. Foi também o que restava da credibilidade da política externa de Barack Obama e da sua administração. E isto não é uma acusação infundada motivada por antagonismo ideológico: é uma constatação de facto confirmada pelas afirmações e as (in)acções dos próprios, que sucessivamente admitiram a sua ignorância e/ou a sua impotência em relação à insurreição no Egipto! Começando pelo próprio presidente, que disse que «vamos ter de esperar e de ver o que se vai passar». Continuando com Leon Panetta, actual director da CIA e leal «pau para toda a obra» do Partido Democrata há mais de 40 anos, que se pôs a fazer «previsões»... baseado no que via na comunicação social! E terminando com o seu anterior porta-voz e secretário de imprensa, Robert Gibbs, que, numa das suas últimas demonstrações de inutilidade antes de ser substituído no cargo, confessou que não sabia com quais líderes mundiais (se é que algum...) Obama, Joe Biden e Hillary Clinton haviam conversado sobre o assunto. No entanto, sabe-se que um deles foi o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, que terá «avisado» Barack para não humilhar Mubarak. Não se sabe é se, mesmo ao telefone, o Sr. Hussein terá voltado a curvar-se...
Numa daquelas ironias em que a História é fértil, foi no Cairo, em Junho de 2009, que Barack Obama fez o discurso em que apresentou, explicou e defendeu a sua atitude de apaziguamento para com o Islão. Na altura saudada por alguns como um importante momento de mudança... para melhor, está-se agora a ver as verdadeiras consequências dessa intervenção: a Casa Branca aparece como cada vez menos relevante e menos respeitada no Médio Oriente. E todos os «trunfos», todo o poder, toda a influência que ainda possa ter foram adquiridos em administrações anteriores, as de George Bush Pai e Filho, a de Ronald Reagan, e, sim, também as de Bill Clinton e de Jimmy Carter, que em 1979 «apadrinhou» o histórico acordo de paz entre a terra dos faraós e Israel.
Agora, neste país escreve-se que Obama «traiu um aliado» e que ficará conhecido como «o presidente que perdeu o Egipto»... talvez para a Irmandade Muçulmana. Acusações que não parecem afectar o Nº 44, que continua convencido que ele e a sua equipa se portaram bem durante a crise – até, supõe-se, no início daquela, quando participavam numa festa em honra de David Axelrod... Todavia, há pelo menos uma entidade que se mostrou satisfeita com o desempenho de Barack Obama em relação ao «Cairo, distante Cairo, excitante Cairo, apaixonante»: a CAIR (Council on American-Islamic Relations), para a qual o presidente «demonstrou que está do lado certo da história ao apoiar a vontade do povo egípcio.»
Infelizmente, a vontade de uma parte desse povo é a de roubar tesouros arqueológicos e de atacar jornalistas estrangeiros (leia-se «ocidentais» e «norte-americanos») com grande violência. Anderson Cooper da CNN, Brian Hartman, da ABC, e Greg Palkot, da Fox, são três das dezenas de profissionais da informação que ficaram feridos com maior ou menor gravidade (e outros houve que morreram!), embora o caso não letal mais preocupante tenha sido o de Lara Logan, da CBS, que foi, além de espancada, também abusada sexualmente - e que permitiu confirmar ilacções importantes sobre uma «hierarquia (ou tabela) de vitimização» que é seguida em determinados sectores. Crimes que, pode dizer-se, vêm na sequência de atentados (com muitos mortos e feridos) nos últimos meses contra cristãos no Egipto (e no Afeganistão, no Iraque e na Nigéria), mas que não receberam a cobertura e a condenação adequadas por parte de governantes... e de jornalistas!
Estas atrocidades deveriam ser suficientes para «acalmar os ânimos» de muitos ingénuos inconscientes que anda(ra)m a escrever disparates grandiloquentes sobre os revolucionários «amanhãs que cantam» nas margens do rio Nilo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Prostituição planeada

Depois de a ACORN ter sido denunciada e desmascarada, chegou agora a vez da Planned Parenthood. É mais um bastião da ideologia e da acção «esquerdista-progressista» nos Estados Unidos da América a ser apanhado num escândalo causado pela disponibilidade manifestada por vários do seus funcionários em... apoiar o tráfico e prostituição de menores!
A acção foi desencadeada pela Live Action, uma organização pró-vida fundada e dirigida por uma jovem estudante da UCLA chamada Lila Rose. E os vídeos recentemente revelados mais não são do que os últimos numa série considerável: desde 2008 que a LA começou a enviar colaboradores, disfarçados de chulos e de prostitutas, para filmarem secretamente conversas com elementos da Planned Parenthood em diversos dos seus centros de «planeamento familiar» em diferentes pontos dos EUA. E em quase todos eles a reacção foi invariavelmente a mesma: não se interrompia a conversa nem se chamava a polícia, mas sim prestava-se assistência e auxílio para a prossecução de «crimes» – isto é, de outros crimes para além da realização em larga escala de abortos, que constitui a actividade principal, e «legal», da PP.
Tal como a ACORN, a Planned Parenthood representa um exemplo concreto da degradação em que caiu o pensamento liberal na América. Previsivelmente, irão sofrer consequências políticas (fim da atribuição de dinheiros públicos) e legais (prisões, processos em tribunal, acusações). Compreensivelmente, os seus actuais mentores e dirigentes entraram em estado de negação. E, finalmente, poder-se-á enfim talvez reconhecer definitiva e consensualmente que a fundadora, Margaret Sanger, celebrada como pioneira feminista, higienista e sufragista, mais não era fundamentalmente do que uma eugenista que discursava em comícios do Ku Klux Klan. Será pois coincidência que mais de 75% das clínicas da PP estejam situadas em zonas maioritariamente ocupadas por minorias étnicas?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Contradições culinárias

A alimentação é um assunto fundamental, para um indivíduo, para uma família... e para um país. Mais do que vital, é uma área estratégica. Pelo que se compreende que também a presidência dos Estados Unidos da América se preocupe, mais do que com a quantidade, com a qualidade daquilo que os seus concidadãos comem... e em especial os mais jovens.
Porém, não haverá algum... exagero, por parte da primeira dama Michelle Obama, em classificar a obesidade como uma «ameaça à segurança nacional», mesmo que os números disponíveis, a serem fiáveis, causem alguma inquietação? E ficará bem ao presidente Barack Obama apelar a que se consumam menos «batatas fritas e pizzas»? E aos dois tentarem condicionar as estratégias alimentares e empresariais de centros comerciais e de restaurantes? É certo que podem contar sempre com o «rosnar» desse «mastim raivoso» e fiel chamado Bill Maher, sempre à espera que os «donos» lhe atirem um «osso» como recompensa, mas, mesmo assim...
Sem dúvida que é louvável e meritório o incentivo a que se produzam e consumam mais frutas e legumes, e só fica bem à Casa Branca dar o (primeiro) exemplo com a sua própria «horta ajardinada». No entanto, não se estará perante, digamos, algumas... contradições culinárias (que inclusivé põem em causa... tradições gastronómicas) quando a própria Michelle Obama destaca (como algo positivo) que a cidade de Charlotte – por ocasião da escolha desta para albergar a convenção de 2012 do Partido Democrata – é conhecida também pelos seus «grandes churrascos»? (O que, afinal, até nem é verdade...) E quando a festa dada no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia durante a Super Bowl incluiu na sua ementa pratos tão «saudáveis» como cheeseburgers, pizzas, salsichas, vários tipos de batatas e molhos, gelados e cervejas? De facto, não têm faltado refeições multi-calóricas na residência presidencial.
Nesta como em outras áreas, parece que, de facto, a actual administração norte-americana tem «mais olhos do que barriga». Melhor seria simplesmente comerem... e calarem-se.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Chamaram-lhe «actor de Série B»

Hoje celebram-se os 100 anos do nascimento de Ronald Reagan. Porém, muito antes de se chegar a este número especial – aliás, ainda durante a sua vida – já se havia compreendido e reconhecido o extraordinário legado politico e cultural que o 40º presidente dos Estados Unidos da América deixou ao seu país e ao Mundo. Não foi um homem e um estadista perfeito, obviamente; no entanto, as suas qualidades excederam em muito os seus defeitos, e a sua figura continua a constituir um exemplo e uma referência fundamental para muitos. Tanto que há quem queira «outro RR»... para reparar os estragos feitos por BO. 
É entre a direita, os conservadores e os republicanos que o tantas vezes desvalorizado (no passado, e pelos opositores ideológicos) «actor de Série B» e «cowboy» é, logicamente, mais tido como modelo a seguir. Todavia, há uma recente – e insólita – tendência em que se tenta apresentar Barack Obama quase como que um «herdeiro» de Ronald Reagan. Esta «operação» (falhada) de rebranding do Nº 44 teve o seu meio e momento culminantes na revista Time, em especial com uma foto-montagem abusiva – da qual não tardou a ser feita uma versão bem humorada na «perspectiva contrária»... Na verdade, não é só no conteúdo que um e outro são irredutivelmente diferentes: também o são na forma, e se Reagan ficou conhecido como o «grande comunicador» isso deveu-se igualmente à sua capacidade de adaptação, de improvisação, à sua naturalidade – atributos que Obama, quase sempre com um teleponto atrás (ou à frente...), só tem num grau ínfimo. Este aproveitamento não deixou de ser denunciado e desmascarado por vários comentadores, entre os quais Michael Reagan (um dos seus filhos) e Peter Robinson (autor de vários dos seus discursos, entre os quais o famoso «Tear down this wall» em Berlim).
Não é difícil descobrir o motivo desta manipulação, desta «colagem»: Barack Obama tem sido constantemente comparado – justificadamente – com James Carter, e, porque este não pode ser propriamente classificado como um «presidente de sucesso», os actuais spin doctors da Casa Branca não hesitaram em «recorrer», ironicamente, a um adversário contra o qual os democratas sempre tiveram, e têm, um enorme ressentimento. Uma missão... impossível, porque, com Cairo em 2011 a fazer cada vez mais lembrar Teerão em 1979, os «carterismos» de Obama e da sua administração têm-se sucedido.
O que a lamestream media, compreensivelmente, não faz, é reconhecer que, actualmente, a única pessoa que pode verdadeiramente reclamar ser a principal herdeira política de Ronald Reagan é Sarah Palin – no estilo, na substância, até no modo como é subestimada e ridicularizada. E, adequadamente, ela esteve presente, no passado dia 4, no rancho de Reagan em Santa Bárbara, onde discursou perante os membros da Young America Foundation em celebração do centenário.
Há mais de 30 anos dizia-se que o ex-governador da Califórnia não tinha qualquer hipótese de derrotar o ex-governador da Geórgia. Pelo que, agora, aqueles que insistem em fazer «vaticínios» categóricos e definitivos bem que podiam aprender com algumas lições que a História dá... e não confundir, prematuramente, os seus desejos com a realidade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ela é de São Francisco... (Parte 2)

... Por isso não há que dar qualquer «desconto» a Nancy Pelosi, agora que ela já não é – felizmente! – speaker da Casa dos Representantes no Congresso dos EUA.
Aliás, «poupança» foi algo que ela não fez enquanto esteve em segundo lugar na linha de sucessão à presidência: documentos oficiais recentemente revelados dão detalhes das despesas que ela causou à força aérea norte-americana, mais concretamente a utilização de aviões militares (e não de companhias comerciais) para viagens com fins pessoais e políticos – em 2009 e 2010 há registos de 90 vôos (mais de 90 mil milhas só no ano passado) com um custo total superior a dois milhões de dólares, e que eram «abastecidos» regularmente com bebidas alcóolicas e até (no dia de aniversário dela) com morangos cobertos de chocolate!
Sim, nos Estados Unidos da América o conceito de «esquerda caviar» tem, previsivelmente, implicações ainda mais excessivas. E, lá como cá, os «porta-bandeiras» dessa esquerda estão convencidos de que têm sempre razão... mesmo quando as evidências o desmentem: ouça-se Nancy Pelosi a garantir que eles (os democratas) teriam aprovado o «ObamaCare» mesmo que todos (os cidadãos americanos) estivessem satisfeitos com o seu seguro de saúde! E, claro, queixam-se sempre de que a culpa é dos outros: escute-se Nancy a justificar os seus baixos índices de popularidade com o dinheiro que os republicanos gastaram contra ela... e a derrota do seu partido em Novembro com – mais uma vez! – a «herança» de George W. Bush! Atente-se em como ela é capaz de mentir, descaradamente, ao afirmar: que «a redução do défice tem sido uma alta prioridade para nós»; que Barack Obama, politicamente, «tem estado sempre no centro»; e que o presidente tem sido um «criador de empregos desde o dia um»... e que criou mais do que GWB!
Porém, e apesar do seu péssimo desempenho e da derrota consequente, Pelosi não deixou de ser eleita – isto é, mantida – como líder dos representantes democratas na nova sessão legislativa do Capitólio. O que não deixa de constituir uma boa notícia para os republicanos, que têm todos os motivos para lhe dizer, rindo, «bem vinda de volta!» Mesmo que revirem os olhos ao confirmarem a sua duplicidade hipócrita no momento de ser substituída por John Boehner. Mesmo que façam caretas de espanto quando ela se refere ao atentado em Tucson como sendo um «acidente trágico» (leia-se o antepenúltimo parágrafo deste comunicado).
Para onde ela poderia e deveria ir, talvez como embaixadora, de modo a causar muitos «danos» para além de «sorrisos amarelos», era a China. Alegadamente, os comunistas chineses têm um «medo de morte» dela por causa da sua defesa do Tibete e dos direitos humanos no país mais populoso do Mundo. Vêem? Até Nancy Pelosi tem pelo menos uma qualidade!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Perdendo o futuro?

Ao contrário do que disseram os admiradores habituais ou ocasionais, o discurso do «Estado da União» proferido por Barack Obama no passado dia 25 de Janeiro perante o Congresso não foi propriamente animador, consistente, inspirador... nem original. Muito menos irrepreensível.
As incongruências começaram logo no «lema» (da campanha de reeleição em 2012?) que constituiu como que o tema ou o título «oficioso» do discurso: «Winning the Future», ou seja, «Ganhando o Futuro». Porém, esse é também o título de um livro de Newt Gingrich editado em 2005; a expressão também foi usada várias vezes por Michael Steele; e há (também com extensões «.org» e «.net») um sítio «winthefuture.com» que é propriedade de um... republicano. No entanto, as imitações não se limitaram ao título: para Alvin Felzenberg – que demonstra a sua asserção com vários exemplos – as citações copiadas de outros discursos presidenciais (isto é, de outros presidentes) foram tantas que se pode falar em plágio. Na Bloomberg, Calvin Woodward encontrou bastantes factos a requererem confirmação... ou desmentido. Kevin McCullough fez uma lista dos «momentos mais marcantes», do mais surpreendente ao mais ridículo. Sarah Palin, por sua vez, achou que houve muitos «momentos WTF» no discurso...
... E os menores desses momentos não terão sido, de certeza, as referências feitas pelo presidente à necessidade de «investir» - na verdade, «gastar» (dinheiro por parte do Estado) – como forma preferencial e prioritária de... «ganhar o futuro». Ann Coulter e Bill O’Reilly chamaram, e muito bem, a atenção para este eufemismo perigoso... e dispendioso. Barack Obama continua a acreditar que é ao Governo que cabe liderar a «competitividade» da nação... e endividar-se ainda mais para suportar os custos, por exemplo: do comboio de alta velocidade... melhor que o avião porque dispensa os «apalpões» proporcionados pelos funcionários da TSA; das «energias limpas»... das quais o seu secretário para o sector, Steven Chu, parece estar precisado, já que, de tão cansado (ou entediado?) adormeceu durante o discurso! Enfim, entre lá e cá, e como já se viu, há obsessões em comum.
Todavia, o momento mais «memorável» do discurso foi sem dúvida o «momento Sputnik». Tratou-se talvez de uma analogia infeliz por parte de alguém que «reorientou» a NASA, não para (voltar a) viajar até à Lua mas sim para «viajar» até aos muçulmanos. Contudo, o seu significado e o seu alcance foram claramente perceptíveis: os EUA arriscam-se a perder a sua supremacia global porque há países que estão a emergir, e a assumir-se, enquanto (novas) superpotências... nomeadamente, e obviamente, a China. Contudo, e a avaliar pela «recepção» dada a Hu Jintao na semana passada durante a visita oficial que ele fez à «capital do imperialismo», é de duvidar que a actual atitude da administração norte-americana seja a mais correcta. Houve mesmo quem declarasse que o «tigre chinês» comeu a «pomba americana» ao almoço. Continuando na comida, Donald Trump não duvida de que (normalmente) «não se dá jantares ao inimigo»; e este também não deve(ria) ser elogiado durante o discurso do Estado da União. Mas foi o que Obama fez. Mais: a Casa Branca enalteceu o facto de uma das filhas dele ter falado mandarim com Jintao (para praticar o que aprende na escola), e desvalorizou o facto de o pianista Lang Lang ter tocado, no tal jantar, uma música que é utilizada há décadas como uma peça de propaganda anti-americana – no que pode ser entendido como uma provocação, e um insulto, ao «anfitrião». Estará a presidência dos EUA «daltónica» em relação à «marca amarela»?
Em conclusão, e como sugere Greg Gutfeld, este discurso terá servido principalmente para Barack Obama se convencer de que a América é, apesar de tudo, «grande». Já a respectiva audiência televisiva não foi... grande coisa: menos espectadores do que no ano passado. Estarão eles perdendo tempo... e o futuro?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

À saúde deles

Também porque (previsivelmente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto mais importante da política norte-americana em 2011... até agora, ocorrido na semana passada, mais concretamente a 19 de Janeiro: a rejeição, na Casa dos Representantes, com 245 votos a favor e 189 contra, do «Patient Protection and Affordable Care Act», mais conhecido como... «ObamaCare».
Esta decisão, tomada na câmara baixa (a mais importante) do Congresso norte-americano, que recentemente abriu a sua 112ª legislatura, representa o cumprimento da (mais importante) promessa do Partido Republicano, que passou a ser maioritário na «House» após as eleições de 2 de Novembro último, e reverte assim, em parte, a votação feita no mesmo local há pouco menos de um ano. Este acto do GOP tem também muito de simbólico, porque, para ser completa, a rejeição do «ObamaCare» necessitaria igualmente de ser confirmada no Senado... o que não deverá acontecer, porque naquele os democratas estão (ainda...) em maioria, embora alguns «azuis» pudessem, provavelmente, votar ao lado dos «vermelhos» - aliás, a questão está em saber se Harry Reid permitirá ou não que haja uma votação... Enfim, e na hipótese remota de todo o Congresso reprovar a «reforma» do sistema de saúde, a rejeição nunca se concretizaria porque Barack Obama utilizaria, logicamente, o seu poder de veto.
Porém, é de assinalar, e de louvar, que existam políticos, respeitando os compromissos assumidos perante os seus eleitores, dispostos a exercerem as suas prerrogativas até ao limite, mesmo que não alcancem, à partida e para já, resultados concretos. Fica o benefício, e o registo, da coerência e da persistência. Que contraste, por exemplo, com o presidente da república de um certo país do Sul da Europa que, calculisticamente e cobardemente, opta por não vetar uma lei iníqua (outras houve...) com a qual não concorda(va) - assim como a maioria da população desse país – porque esse veto seria anulado pelo parlamento.
Nos EUA e no caso do «ObamaCare» não há qualquer dúvida: aquele que tem sido apresentado como o grande feito... até agora do mandato de Barack Obama é, foi e continua a ser rejeitado pela maioria da população. Tanto que, precisamente, constituiu o principal factor na vitória dos republicanos; tanto que, actualmente, 26 Estados já entraram com um processo em tribunal. O que é compreensível, porque na «reforma» imposta pelos democratas abundam os aspectos dúbios ou mesmo degradantes. Fundamentalmente, os norte-americanos não querem ser obrigados a comprar seguros de saúde... se não quiserem; não gostam que se «nacionalize», ou se «federalize», o equivalente a um sexto da economia do país; e não aceitam que, para colmatar as (inegáveis) carências de uma pequena minoria, o Estado se intrometa nas opções de uma grande maioria.
O Partido Republicano poderá, e deverá, (tentar) desmantelar o «ObamaCare» pacientemente, peça a peça, e/ou concentrar os seus esforços na eliminação das medidas mais controversas e prejudiciais. E terá de resistir ao inevitável coro de críticas por parte dos «esquerdistas progressistas». Com efeito, e a julgar pelas comparações... com nazis (!), o alegado «novo tom de civilidade» na política «pós-Tucson» terá acabado ainda antes de ter começado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ano Três

O Obamatório celebra hoje o seu segundo aniversário e entra, assim, no seu terceiro ano de existência. Começou as suas «emissões», deliberadamente, no mesmo dia da tomada de posse de Barack Obama. Aliás, 20 de Janeiro costuma ser a data da tomada de posse dos presidentes dos Estados Unidos da América, e hoje algumas efemérides especiais são também assinaladas: os 50 anos de John Kennedy; os 30 de Ronald Reagan; e os 10 de George W. Bush.
E porque, precisamente, passam igualmente dois anos desde que o Nº 43 deixou a presidência dos EUA, justifica-se a referência a (e a recordação de) algumas das entrevistas que o anterior ocupante da Casa Branca concedeu recentemente, também como promoção do seu livro «Decision Points»: a Bill O’Reilly (partes um e dois); a Sean Hannity (partes um, dois, três e quatro); a Jay Leno; e a Mark Zuckerberg – sim, o fundador do Facebook!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Crimes e castigos

Também porque (surpreendentemente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto de Tom DeLay, republicano, ex-congressista pelo Texas e ex-líder de maioria na Casa dos Representantes, ter sido condenado, na semana passada, a três anos de prisão por lavagem de dinheiro. Se, como tudo leva a crer, o julgamento foi justo e as acusações comprovadas, a decisão é de apoiar e de aplaudir inequivocamente.
Agora, permitam que se apresente... James Traficant. Sim, raramente um apelido terá sido tão bem adequado à pessoa que o tem: este ex-congressista democrata pelo Ohio foi condenado em 2002 não a um, não a dois, não a três, não a quatro, não a cinco, não a seis, mas a sete (!!) anos de prisão por suborno e extorsão. E cumpriu a pena na sua totalidade... porque «traficância(s)» era com ele!
Entretanto, outras oportunidades poderão em breve apresentar-se para demonstrar que, no partido do burro, outros há que «try harder» e «do it better», mesmo que seja à margem da lei e atrás das grades. Para começar, convém acompanhar as próximas «aventuras judiciais» de... Rod Blagojevich.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A hora das hienas

Aparentemente, o sonho dos democratas (de alguns, pelo menos…) tinha acabado de se concretizar em Tucson, no Arizona: «Barack Obama necessita de outra bomba em Oklahoma City para se reconectar
Porém, não muitas horas depois do atentado do passado sábado, de que resultaram seis mortos e 13 feridos, entre estes a congressista democrata Gabrielle Giffords (o principal, verdadeiro, alvo do assassino), descobriu-se que – tal como Timothy McVeighJared Lee Loughner não podia, não devia, ser associado aos conservadores, aos republicanos. Como é que um homem com óbvios distúrbios mentais, que, segundo testemunhas, vigiava a congressista desde 2007 (antes, portanto, da celebrização de Sarah Palin e do Tea Party), que apreciava ler o «Manifesto do Partido Comunista» e ver a bandeira dos Estados Unidos a arder, alguma vez se enquadraria no «perfil» de um «direitista extremista»?
No entanto, à semelhança de hienas, alguns à esquerda – sim, a «sinistra» - não hesitaram, quais necrófagos, em aproveitar-se dos corpos das vítimas para emitirem os seus «ruídos» estranhos... e, até, para (tentar) ganhar algum dinheiro! Quiseram, sem esperar por explicações, por factos, jogar antecipadamente o «jogo da culpa»... e perderam, porque o contexto comunicacional, nos EUA e não só, já não é, felizmente, o mesmo de há 10 ou 20 anos. O «rasto» (digital) das suas asneiras, dos seus erros, dos seus insultos, ofensas e ultrajes é muito grande e não se apaga(rá) assim tão facilmente. E esta é uma situação extrema em que não se deve ficar calado e, pelo contrário, se impõe confrontar os caluniadores até no seu «campo». Incluindo em Portugal, onde uma «Senhora Dona Palmira» que pouco tem de docente (e de decente) não está habituada a que ponham em causa, de uma forma efectiva e firme, as suas insuficiências informativas e intelectuais (sobre isto, ver aqui também todos os comentários).
Entretanto, bastaria apenas recordar um caso, um exemplo (entre vários) recente e relevante para comparar, e demonstrar – pela «enésima» vez – como a dualidade de critérios, por mais revoltante e repugnante que seja, é para essas «hienas» uma actividade habitual: James Jay Lee, eco-terrorista armado que no ano passado invadiu, fazendo reféns, o edifício do Discovery Channel exigindo deste mais programas contra a «procriação humana»… e que terá «despertado» para a sua «causa» depois de ver o filme «Uma Verdade Inconveniente». Porque é que aqueles que agora «culpam» Sarah Palin não «culparam» então Al Gore, apesar de Jay Lee ter mencionado o ex-vice presidente e Lee Loughner não ter mencionado a ex-governadora?
Pode-se também recordar, mais uma vez, o massacre de Fort Hood, em relação ao qual muitos à esquerda, a começar por Barack Obama, avisaram para «não se saltar para conclusões»... apesar de, quase de imediato, ter ficado confirmado que Nidal Malik Hasan gritou «Alá é grande!» enquanto disparava e matava 13 pessoas, e que, antes, expressara críticas à presença norte-americana no Afeganistão e no Iraque e que tivera contactos com grupos islâmicos radicais. Então a Al-Qaeda merece o «benefício da dúvida» e o Tea Party não? Já agora, porque não apontar.. o dedo a Joe Manchin?
Sim, é bonito falar em conciliação, e é útil e urgente chegar-se a um consenso sobre a conveniência de diminuir a violência verbal e a conflitualidade na política... desde que, obviamente, tal não se traduza em censura ou em quaisquer restrições à liberdade de expressão, como alguns no Partido Democrata parecem querer concretizar. Mas que não restem dúvidas de que, neste aspecto, os dois lados não são «igualmente culpados»: a esquerda tem um «cadastro» indubitavelmente maior. E, lamentavelmente, tem sido frequentemente o próprio presidente a dar o – mau – exemplo. Só mesmo quem tenha a memória (muito) curta é que se pode deslumbrar por discursos apaziguadores ditos por quem, ainda há pouco tempo, mais apelava à guerra.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A marca amarela

Faz hoje um mês que foi entregue em Oslo o Prémio Nobel da Paz de 2010... ou nem tanto: o galardoado, Liu Xiaobo, activista chinês pelos direitos humanos, não compareceu à cerimónia na capital da Noruega porque continua na prisão por ordem do Partido Comunista da China – aliás, a nenhum representante do dissidente, familiar ou outro, foi permitido fazer a viagem. E é de realçar a confissão do vencedor anterior: «Xiaobo é muito mais merecedor deste prémio do que eu.»
Nem seria preciso que, previsivelmente, Pequim promovesse o boicote da entrega do galardão, ameaçando inclusivamente (e com sucesso em vários casos) outros países com represálias caso se fizessem representar, para se dissiparem quaisquer dúvidas quanto ao – continuado – carácter maligno, perigoso, perverso, do regime dos descendentes de Mao-Tse-Tung. Que chega ao cúmulo de prender, condenar e enviar para um «campo de trabalho», sob a acusação de «perturbar a estabilidade social», uma mulher por escrever comentários (irónicos) no Twitter. Que persiste em desafiar o Vaticano ao ordenar «bispos católicos» que não são reconhecidos pela Santa Sé. Que, enfim, constitui uma ameaça, imensa e inquestionável, a todo o Mundo pela sua combinação letal de capitalismo selvagem e de totalitarismo surrealista, mesmo que «maquilhado». O «Império do Meio» quer voltar a ser... um império. E, enquanto isso, vai deixando uma marca amarela... de insídia por todo o planeta.
Assim, é fundamental saber qual é o posicionamento actual dos Estados Unidos da América em relação à China, para se avaliar até que ponto Washington tem capacidade, e vontade, para contrariar as crescentes ambições hegemónicas de Pequim. Com Barack Obama e a sua administração esse posicionamento é dúbio; vários «sinais» têm sido emitidos, por vezes contraditórios. Por um lado, emitiu aquela mensagem acima referida, sem dúvida louvável e positiva, apesar do habitual narcisismo; por outro, «aliviou» as restrições à venda de material militar aos chineses (que duravam desde 1989 e Tiananmen)... no dia a seguir ao anúncio do Nobel. Entretanto, registe-se: que Ben Bernanke criticou a política monetária de Pequim (de manter o yuan em valores artificialmente baixos); que um relatório da US-China Economic and Security Review Commission (ligada ao Congresso) alerta para a possibilidade real, da qual existem indícios em número cada vez maior, de os chineses quererem, tentarem e conseguirem controlar a Internet.
Porém, estas atitudes e actividades meritórias são como que «sabotadas» pelos (senis) «suspeitos do costume»: George Soros, para quem «a China tem um governo que funciona melhor do que o dos Estados Unidos» (é uma das «vantagens» de um sistema de partido único); e Ted Turner, para quem a política de «um filho» deveria ser estendida à América... e a todo o Mundo. Aliás, não faltam nos EUA simpatizantes do socialismo - e, sim, também militantes, até no Congresso!
E depois, evidentemente, há aquele «pequeno problema» chamado... Coreia do Norte. Uma ditadura anacrónica ao mais puro e duro estilo estalinista-maoísta, que só sobrevive porque a China o quer – por «remorsos», talvez, por se ter «desviado» do caminho apontado no «livro vermelho». Daí que Pequim avise («repreenda») os EUA e a Coreia do Sul por causa de manobras militares conjuntas... enquanto transporta peças de mísseis entre Pyongyang e Teerão!
Em suma: atrás da Grande Muralha refugia-se um regime que, como demonstra (com vários exemplos) Peter R. Huessy, não merece qualquer confiança. Mais: é um «gigante com pés de barro», talvez prestes a «cair do pedestal», como explicam Chriss W. Street - «o milagre económico acabou» - e Peter Schweizer - «a bolha está prestes a rebentar». Esperemos que tal aconteça antes que a «balança global de poder» se desequilibre... a favor do «prato» errado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Oprah Winfrey fez bem...

... Ao responder «não (...), porque eu acredito na inteligência do público americano» a esta pergunta numa entrevista concedida recentemente à revista Parade: «A ideia de Sarah Palin concorrer ao cargo (de Presidente dos Estados Unidos da América) assusta-a?» E fez bem porque mostrou estar em sintonia, mais uma vez, com os seus compatriotas: é que, na sondagem anual realizada pela Gallup para determinar quem são as pessoas – homens e mulheres – mais admiradas pelos norte-americanos, em 2010 a antiga governadora do Alaska aparece em segundo lugar na tabela feminina, atrás de Hillary Clinton.
Curiosamente, este é um resultado que repete o de 2009, mas então a diferença entre ambas era de apenas 1% (16-15). Agora essa diferença aumentou, mas o certo é que ambas aparecem à frente, novamente, de... Oprah Winfrey (e de Michelle Obama)! (Pois é, Oprah, o público americano é tão inteligente que prefere Sarah a ti!) E nunca é demais lembrar que a ex-primeira dama, ex-senadora e actual secretária de Estado já leva 18 anos como figura de primeiro plano no seu país, enquanto que a anterior candidata a vice-presidente conta com apenas dois. Pelo que a famosa apresentadora, notória apoiante de Barack Obama, talvez devesse convidar mais vezes Palin para os seus programas – é que o seu novo canal, OWN (Oprah Winfrey Network), não está a ser um grande sucesso de audiência... 
Entretanto, sempre podemos rir com os «bitaites» de supostos «especialistas» que escrevem que Sarah Palin tem «falta de talento político e intelectual». Sim, nem todos têm o «talento político e intelectual» de Barack Obama, que, entre muitas outras «demonstrações de criatividade», já «acrescentou» sete (pelo menos...) Estados aos EUA, «diversificou» (à sua maneira...) a gama de objectos oferecidos a estadistas estrangeiros, e «inventou» uma nova língua europeia. Enfim, um exemplo de «excelência»!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os «fantasmas» de Natais passados

Não é só na época do Natal, evidentemente, que «fantasmas» do passado podem voltar para nos assombrar. Mas com Barack Obama, com o seu percurso pessoal e político, com a sua presidência, a fábula escrita por Charles Dickens pode constituir, com alguma imaginação, uma alegoria do actual momento dos Estados Unidos da América: é que são muitos os «esqueletos» que teimam em sair dos «armários» do Nº 44.
Nem mesmo a circunstância, insólita, de ainda haver quem compare o Sr. Hussein a Jesus Cristo (!) – como, no ano passado, o jornal dinamarquês Politiken e, este ano, Herb Johnson da AFL-CIO – é suficiente para «esconjurar» algumas «almas penadas» que, sob a forma de afirmações e de acções comprometedoras, persistem em «flutuar» à volta da Casa Branca. E, incrivelmente, vários desses embaraços são provocados, não por opositores e inimigos, mas por admiradores, aliados e até familiares de Barack Obama! Como Louis Farrakhan, que disse que o actual presidente «antes de ser eleito foi seleccionado». Ou Howard Fineman, que disse que Obama vem de «um país de corredores de longa distância». Será esse país o… Quénia, que, segundo a própria Michelle Obama, é o «home country» do marido? E onde vive a avó deste, que reza para que o neto se converta ao Islão? Entretanto, ele expressa a opinião de que ser americano «não é matéria de sangue ou nascimento»… opinião essa que não é partilhada pela maioria dos seus… compatriotas, alguns dos quais questionam a sua cidadania, e estão dispostos até a ir a tribunal por não acreditarem que ele nasceu nos EUA, e, por isso, que ocupa ilegitimamente, e ilegalmente, o cargo de presidente… e de comandante supremo das forças armadas.
Mais tarde, e antes de residir(em) no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia, os pontos de interrogação continuaram a suceder-se. Sobre, por exemplo, e já em Chicago, as carreiras – inexistentes? – de Barack e de Michelle como «advogados» e «professores», e a influência dos «amigos» William Ayers e Bernardine Dohrn, terroristas, anti-semitas, e que, mais recentemente, colaboraram na organização da «armada humanitária» para Gaza que provocou confrontos com militares israelitas; ou a posição… surpreendente do então senador estadual sobre controlo de fronteiras, imigração ilegal e amnistia. Porém, é enquanto candidato presidencial que futuros «espectros» se tornam mais «ameaçadores»: surgem revelações de que ele recebeu elevados donativos da BP e da Goldman Sachs – duas empresas que, posteriormente, a actual administração demonizará como corporizações extremas de capitalismo irresponsável; e, mais perturbador ainda, alegações – por outros democratas! – de que Obama «roubou» a nomeação a Hillary Clinton através de uma série de fraudes, intimidações e outras irregularidades.
Irregularidades parecem também ter-se verificado no – ainda pouco ou nada divulgado por cá - «Caso Pigford», que ameaça tornar-se uma espécie de «Baía dos Porcos» para Barack, e que envolve o pagamento (injustificado ou, pelo menos, exagerado) de indemnizações a «agricultores negros» com base em critérios dúbios, e que podem constituir formas encapotadas de compra de votos (são de ler os relatos feitos por Andrew Breitbart, Dan Riehl, Gary Hewson e Peter Schweizer). Este pode ser entendido como um «fantasma de Natal presente e futuro»… pequeno, no entanto, se comparado com outro, muito, muito maior, e até gigantesco, que deverá aterrorizar (sem aspas) as próximas gerações norte-americanas: o valor da dívida nacional, ao qual Obama adicionou mais sózinho do que todos os seus antecessores em conjunto até Ronald Reagan.
Todavia, o maior «fantasma» para BHO é ainda, e indubitavelmente, o do progenitor: há quem considere que a origem da personalidade, pensamento e comportamento do actual presidente norte-americano está em Barack Obama Sénior, que se destacou enquanto crítico, e opositor, do colonialismo britânico. O que pode explicar porque é que o filho, decidido a tornar realidade os «sonhos do pai», tem, ostensivamente, mostrado constantemente que não aprecia a «Pérfida Albion», pátria de… Ebenezer Scrooge. E onde, actualmente, os radicais islâmicos tudo fazem para impedir que tenhamos um... Feliz Natal!

domingo, 19 de dezembro de 2010

«Troféus» de caça

Não é novidade que, para a «esquerda» norte-americana (e não só), qualquer coisa que Sarah Palin diga ou faça é, (quase) invariavelmente, recebida com um coro de críticas, insultos e mentiras. Veja-se, como um exemplo recente, o que se «cuspiu» aquando da visita dela ao Haiti e de uma fotografia tirada lá e em que se vê alguém a arranjar-lhe o cabelo; logo vieram as acusações de frivolidade num cenário de catástrofe… e só depois se aperceberam que a suposta «cabeleireira privativa» era nem mais nem menos do que a filha Bristol…
Antes disso, um outro episódio (literalmente) levou os «progressistas», ou alguns de entre eles, à beira da apoplexia: no programa «Sarah Palin’s Alaska» a ex-governadora é filmada a matar um caribu a tiro de carabina. Previsivelmente, as acusações de crueldade multiplicaram-se, mas dois «acusadores» houve que se destaca(ra)m pela sua verve vitriólica: Aaron Sorkin e Maureen Dowd. O primeiro escreveu que Palin fez um «snuff film» em que «torturou» um animal por gozo, dinheiro e ganho político. Este foi o aspecto mais visado pela segunda, que porém optou por uma imagem mais… simbólica – o «elegante animal» abatido era o… «Obambi» (!!) (alguém comentou que, se a ideia era comparar o Sr. Hussein com uma personagem de Walt Disney, o mais correcto seria chamá-lo «Odumbo»… por causa das orelhas). Reconheça-se, no entanto, que a colunista do New York Times é bem mais comedida que o criador da série televisiva «The West Wing» - aliás, os dois já namoraram mas é mais do que evidente que ele não beneficiou da influência de Dowd; e, apesar de, quase de certeza, Sarah nunca o ter ofendido ou mesmo referenciado pessoalmente, Sorkin não hesitou em «mimoseá-la» com epítetos – que me escuso de traduzir – como «shithead», «phony pioneer girl», «Cruella» (mais uma vez, a «conexão Disney»), «witless bully» e «deranged».
Como muitos saberão (e, se não sabem, facilmente compreenderão), Sarah Palin e a sua família caçam e pescam regularmente há muitos anos, e fazem-no também como forma de obtenção de alimentos – eles, de facto, comem aquilo que apanham. Todavia, é caso para perguntar onde é que Aaron Sorkin e Maureen Dowd estavam em Outubro de 2004 quando John Kerry, então na fase final da campanha para a presidência dos EUA (que perderia para George W. Bush), decidiu ir caçar (gansos) – uma actividade que, de facto, ele não pratica(va), e a que apenas se predispôs como táctica eleitoral para (tentar) diminuir a influência da NRA, contrária à sua candidatura. Será este mais um caso de dualidade de critérios e de hipocrisia? Que ideia! E como seria interessante se Sorkin e Dowd soubessem quem é Manuel Alegre e pudessem dar a sua opinião sobre alguém que continuamente debita os mais ridículos clichés esquerdistas, mas que, ao mesmo tempo, é um adepto da caça, da tourada e a quem a adopção de crianças por «casais gay» causa «engulhos».
Enfim, temos que ser «compreensivos» com Aaron Sorkin: está-se a entrar na «awards season» e ele, «coitado», enquanto argumentista de «The Social Network», filme realizado por David Fincher, está sob enorme pressão; e o melhor modo de convencer os seus pares de Hollywood a darem-lhe prémios é, mais do que convencê-los da qualidade do seu trabalho, lançar ofensas «espirituosas» e gratuitas contra figuras públicas e políticas conservadoras (muitos outros o fizeram e fazem); e é tudo tão mais complicado quando se é um drogado «em remissão» - como ele próprio diz, «a coisa mais difícil que faço a cada dia é não (voltar a) tomar cocaína». Quanto a Maureen Dowd, o seu problema é diferente: (tentar) ser minimamente original para não voltar a ser acusada de plagiar textos de outros.
«Atirar pedras» quando se tem «telhados de vidro» acarreta, na verdade, muitos perigos. Contudo, não se está aqui a afirmar que quase todos os (assumidos) democratas-liberais-progressistas sejam, além de malcriados, também viciados e/ou batoteiros: há ainda os depravados. Como David Epstein, igualmente um notório «palinófobo», que, segundo foi revelado na semana passada, está acusado de ter mantido uma relação sexual incestuosa com a filha, e que, se for condenado em tribunal, poderá passar quatro anos na prisão. É pois aconselhável que nem ele, nem Dowd, nem Sorkin, nem todos os seus «camaradas» - como Ellen PageJoy Behar, Kathy Griffin, Katie Couric, Keith Olbermann e Sandra Bernhard – se aproximem do Alaska, ou ainda se arriscam a terem as suas cabeças expostas como «troféus» nas paredes de uma certa casa em Wasilla: é que Sarah Palin parece ter melhor pontaria do que Dick Cheney.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

«Tê-los» no sítio

Não faltaram «analistas», comentadores e observadores da política norte-americana que afirmaram e escreveram, animados, que o acordo que a administração de Barack Obama estabeleceu com o Partido Republicano – decorrente da vitória deste nas eleições intercalares de Novembro – para o prolongamento dos chamados «cortes de impostos de George W. Bush» seria o regresso à cortesia, até a um consenso institucional, enfim, a um (salutar) bipartidarismo.
Generosidade, ingenuidade… ou ignorância? Quem efectivamente sabe como se processa a dinâmica político-partidária dos EUA sabe também perfeitamente que com o Partido Democrata a civilidade e a sensatez nunca estão garantidas. A começar pelo próprio presidente, para quem, durante as discussões que conduziram ao acordo (de que ele não gosta mas que teve de «engolir»), os republicanos se portaram como «tomadores de reféns» - uma designação, aliás, que vem na sequência de Robert Menendez falar também em «reféns» e que lidar com o GOP é como «negociar com terroristas». Reconheça-se, porém, que Barack Obama apenas está a ser coerente na sua habitual retórica de «bully» - recordem-se recentes afirmações anteriores nas quais os republicanos eram «inimigos» com os quais se iria ter «combates corpo a corpo». Ou seja, estes exemplos «comprovam» a asserção de Joseph Scarborough de que o presidente se portou como um «adulto» ao lidar com o GOP; não há dúvida de que para o «Morning Joe» os seus «camaradas de partido» são pouco mais do que uns «rapazinhos» - afinal, ele desafiou-os a «portarem-se como homens» («man up») perante Sarah Palin.
No entanto, e «infelizmente», nem todos os democratas apreciam a «maturidade» de Barack Obama. Há relatos de uma reunião de «burros» em que a palavra «f*ck» foi bastante usada a respeito do Nº 44 – incluindo «F*ck the president!» e «I don’t know where the f*ck Obama is.» Há que compreender, e «perdoar», a sua frustração, e até desespero, quando duas sondagens recentes indicam que a maioria dos norte-americanos não só pensa que estão pior do que há dois anos mas também - «inacreditável»! – que George W. Bush foi melhor presidente do que o seu sucessor!
A verdade é, pois, que muitos «azuis» já não estão muito convencidos da «virilidade» de Barack Obama. E o «espectáculo» de ele abandonar uma conferência de imprensa e deixar Bill Clinton a responder sozinho às perguntas dos jornalistas – porque Michelle estava à espera dele para a festa de Natal da Casa Branca (!) – não deve ter contribuído muito para os tranquilizar. Então o «Barraca» não consegue «man up» para a mulher? Ao menos, e por o ter ajudado, bem que «Barry» podia e devia ter levado depois um café a Bill… É certo que muitos foram os que o aconselharam a seguir o «modus operandi» de «Bubba» quando este, e o Partido Democrata, perderam as midterms de 1994, mas era preciso exagerar ao ponto de deixar o – anterior - «primeiro presidente negro dos EUA» no comando das operações como se tivesse acabado de regressar à Sala Oval? Caramba, onde é que está Joe Scarborough quando ele é preciso?
Enfim, tudo isto como que dá razão a James Carville, que afirmou, no mês passado, que «se Hillary desse a Obama uma das suas “bolas” ambos passariam a ter duas» - convém lembrar que o «Ragin’ Cajun», natural do Louisiana, ficou furioso com a fraca reacção federal ao derrame de petróleo no Golfo do México. Sim, o Jimmy deve saber qual é a sensação: lá em casa parece ser a sua esposa, (a republicana) Mary Matalin, que «tem» três, ou até os quatro, testículos do casal. Em conclusão: homem ou mulher, é tudo uma questão de «tê-los» no sítio… ou não.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fuga(s) para a derrota

A WikiLeaks já se tornou praticamente tão conhecida como… a Wikipedia. E, tal como esta, também aquela tem pretensões a tornar-se uma «enciclopédia»… só que, neste caso, não para a «ordem» mas sim para o «caos». E Julian Assange não é Jimmy Wales – este, pelo menos, e que se saiba, não tem a «cabeça a prémio».
Neste último ano, e em especial nesta última semana, multiplicaram-se mundialmente as menções às «revelações» que resultaram das «fugas» - os temas, os protagonistas, os segredos, as críticas, as manobras, a coscuvilhice, a má-língua… Porém, é de parecer que as principais, apesar de poucas, questões suscitadas por este caso ainda não foram completa e correctamente articuladas. E é isso que se vai fazer aqui.
Primeira, porque é que só agora a Casa Branca decidiu (aparentemente) encarar a WikiLeaks como uma ameaça, quando aquela só este ano já havia por duas vezes divulgado materiais sensíveis? Poderá ser porque, como as anteriores revelações estavam relacionadas com operações militares no Afeganistão e no Iraque em que alegadamente haviam sido cometidos crimes de guerra, e que haviam ocorrido ainda durante a presidência de George W. Bush, ou que decorreram ainda de instruções da anterior administração, a actual optou por nada fazer, numa nova demonstração – mais arriscada – de «Blame Bush», esperando não ser afectada? Se foi essa a «estratégia», falhou estrondosamente e o «tiro saiu pela culatra», porque o alvo foi agora, exclusivamente, o Departamento de Estado dirigido por Hillary Clinton, e as dezenas de embaixadas que dele dependem. Além disso, é de levar a sério uma eventual «impotência tecnológica» por parte do governo norte-americano em neutralizar o sítio da WikiLeaks quando aquele, através do Departamento de Segurança Doméstica (Homeland Security Department), recentemente (no final de Novembro, na véspera de a WL voltar a «atacar») encerrou «dúzias de domínios», sítios, da Internet por alegada «facilitação de violação de direito de autor»? E, além disso, agora não podem seriamente esperar que as pessoas, incluindo funcionários públicos, não leiam... 
Segunda questão, porque é que, como principal culpado, se refere quase exclusivamente Julian Assange e não Bradley Manning? Afinal, o primeiro mais não foi, é, do que o «receptador» e «distribuidor», com as suas «fugas», da «mercadoria», isto é, das informações, que o segundo roubou. Como já aqui referimos em Agosto, Manning é um homossexual(ista) e essa é uma circunstância determinante – e agravante – neste caso: opositor da política «Don’t Ask, Don’t Tell», o soldado Bradley fez como que um gigantesco «outing» dos segredos diplomáticos e defensivos dos EUA – literalmente, fez «sair do armário» (electrónico) a verdadeira face da política externa, civil e militar, da grande nação. E, tal como Nidal Malik Hasan (este com efeitos mais trágicos), constitui um exemplo flagrante da diminuição do nível de exigência e de vigilância nos métodos de recrutamento das forças armadas norte-americanas.
Terceira questão, deve (porque já se viu que pode) a comunicação social «colaborar» na divulgação das «fugas»? Há quem considere que tal comportamento dos media constitui autêntica cumplicidade… criminal. Aponte-se apenas dois exemplos polémicos: a Time entrevistou Julian Assange, tendo este exigido a demissão de Hillary Clinton (!); o New York Times, ao contrário do que aconteceu com o «Climategate», não viu agora qualquer problema em publicar informações «obtidas ilegalmente» - uma dualidade de critérios lembrada pelo sempre perspicaz Bernard Goldberg. E, afinal, o NYT mais não fez do que «honrar» uma sua «tradição» iniciada com a publicação dos denominados «Papéis do Pentágono» no início da década de 1970.
Enfim, «culpado», com as suas «fugas», de (tentar) contribuir, a prazo, para a descredibilização, e mesmo para a derrota, pelo menos moral, dos EUA, o que mais surpreende não é que Julian Assange ainda esteja em liberdade mas sim que ainda esteja vivo! Será que ainda se vai juntar a Osama Bin Laden em alguma gruta entre o Afeganistão e o Paquistão?