quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bill Clinton… republicano?!

Não, o marido de Hillary não se terá passado… para o «outro lado». Porém, até parece, porque é uma das poucas – se não mesmo a única – figura de topo dos democratas a manter (algum)a sensatez. E demonstrou-o quando reconheceu recentemente, perante o próprio, que o representante republicano Paul Ryan tem razão nas suas iniciativas para (tentar) controlar o défice dos EUA, em especial a que pretende reorganizar o Medicare.
Tal como acontece em Portugal, a esquerda norte-americana acusa a direita de querer acabar com o «Estado Social»… quando, na verdade, a segunda apenas pretende evitar a falência daquele, que acontecerá se não se travar o despesismo desorganizado promovido pela primeira. E as acusações alarmistas (e ridículas) de que o GOP quer tirar idosos de lares de terceira idade ou até «empurrá-los de cima de um monte» tiveram, ao que consta, algum efeito na recente eleição especial no 26º distrito congressional de Nova Iorque, onde a democrata Kathy Hochul venceu a republicana Jane Corwin naquele que era considerado um bastião tradicionalmente conservador. Isto é, a alegada «recuperação democrata» e o suposto (actual) «bom momento» dos «burros» assentam na mentira e no medo. Pelo que Paul Ryan, e muito bem, se defende denunciando a «desavergonhada distorção e demagogia» que fazem contra o seu plano, como que transformando o Medicare em «Mediscare».
E é aqui que entra Bill Clinton, ao confessar que espera que a vitória dos «azuis» na «Grande Maçã» não seja utilizada como «uma desculpa para nada fazer». O ex-presidente, afinal, tem um legado a defender: os seus mandatos coincidiram com um período de crescimento económico conjugado com uma contenção nas contas públicas – no que foi incentivado e permitido então por um Congresso maioritariamente republicano liderado por Newt Gingrich. E é essa herança – e essa memória – que explica e justifica a popularidade e o prestígio de que ainda hoje goza, apesar dos seus múltiplos adultérios. No entanto, e incrivelmente, o antigo speaker veio juntar-se ao «coro» democrata ao acusar Ryan – seu colega de partido! – de tentar promover uma «engenharia social de direita». Resultado? Condenação quase unânime dos «vermelhos» e mais um candidato para 2012 que quase de certeza perdeu as (poucas) hipóteses que ainda tinha. Newt não percebeu – ao contrário de Dick Cheney – que «o chão que Ryan pisa é para ser idolatrado». E ele é do Wisconsin, tal como Scott Walker…
Deve pois o Partido Republicano deixar cair a «bandeira» da reforma do Medicare? Bill O’Reilly afirma que não, e explica porquê. Em última análise, trata-se de não prejudicar os que são hoje mais novos e que no futuro serão idosos – ou seja, de assegurar a sustentabilidade do sistema por várias gerações. E os democratas, como «bons» esquerdistas, «progressistas», hedonistas e gastadores que são, geralmente só se preocupam com o curto prazo. Os outros que vierem atrás que paguem a conta e que apaguem a luz…

sábado, 28 de maio de 2011

Ò tempo, volta para trás...

Deve ter sido, para utilizar as palavras de um outro blogger português que escreve sobre os Estados Unidos da América, mais um «daqueles passes de mágica em que Obama é mestre». Qual Harry Potter (afinal, estava em Londres!), o presidente norte-americano «recuou no tempo» ao visitar a Abadia de Westminster e ao deixar uma mensagem no livro de visitas daquela. Depois das assinaturas, sua e da esposa, escreveu «24 de Maio de 2008». Houve quem chamasse igualmente a atenção para o facto de ele não ter colocado a data do modo como normalmente se faz nos EUA e no Reino Unido, isto é, mês-dia-ano, mas o que realmente importa destacar é o seu engano (?) quanto ao... ano. É perfeitamente compreensível que 2008 tenha sido memorável, talvez o ano mais feliz da vida do Sr. Hussein, e que ele o recorde constantemente, mas seria conveniente que ele finalmente começasse a pensar e a agir mais de acordo com a actualidade...
Deixando agora de lado a ironia e o sarcasmo, é óbvio que este erro não tem qualquer gravidade ou significado especiais. Mas deve ser apontado para se realçar como as reacções seriam certamente outras caso tivesse sido George W. Bush a cometê-lo. Todos nos lembramos da maneira como a «isenta» imprensa tratava habitualmente as gaffes do anterior presidente, mesmo aquelas que eram falsas... A verdade, como aqui no Obamatório temos demonstrado, é que o Nº 44 já meteu mais vezes o «pé na poça» em pouco mais de três anos do que o Nº 43 em oito. E, durante esta última «digressão» pela Europa, houve mais umas quantas «fotografias» - onde ele e/ou os seus colaboradores ficaram mal - para juntar ao «álbum da presidência»: beber vinho de uma garrafa que pode custar quase dois mil dólares (tal como um dos vestidos que Michelle usou) mas atrapalhar-se na altura de fazer um brinde à Rainha; ficar com a limusine emperrada, receber multas por causa dela, e reabastecê-la... num posto da BP! (sim, exactamente, a companhia petrolífera culpada daquele «pequeno» desastre ecológico no Golfo do México no ano passado...)
Entretanto, em Washington, e demonstrando que até para os democratas há limites no que se refere a dizer «ámen» às vontades do «Messias», o Senado rejeitou por unanimidade - 97 votos contra e nenhum a favor (onde estariam os restantes três?) - a proposta de orçamento apresentada pela Administração em... Fevereiro. No que representou sem dúvida uma forma de o Capitólio dizer à Casa Branca para... não perder mais tempo.

domingo, 22 de maio de 2011

«Novas Oportunidades»

É verdade que não é tão grave, e tão ridículo, como dizer que os EUA têm (pelo menos…) 57 Estados ou dar a entender que o «austríaco» é uma língua… Porém, é (mais) um dislate considerável de Barack Obama, além de (mais) uma afronta a Israel: as «fronteiras anteriores a 1967» é algo que nunca existiu. O que havia era uma linha militar delineada em 1949, logo com um carácter provisório, e não uma linha fronteiriça.
Há lapsos que já não podem ser atribuídos a assessores incompetentes e/ou a telepontos avariados. Apesar de toda a suposta formação universitária de excelência que recebeu, Barack Obama poderia ser, por causa das suas constantes gaffes, um candidato óbvio a uma acção de «Novas Oportunidades» à portuguesa. Aliás, a reacção à polémica que inevitavelmente se desencadeou após a sua declaração é tipicamente «socretina»: negar – neste caso, através do seu porta-voz – ter dito… o que toda a gente sabe, e ouviu, que disse. Mas como isso era, mesmo para os padrões democratas, demasiado escabroso, seguiu-se uma «clarificação»… De facto, faz lembrar um político do outro lado do Atlântico que havia jurado não pedir ajuda externa nem governar com o FMI… No entanto, outros exemplos há de que o Sr. Hussein, tal como o «animal feroz» tuga, tem uma tendência quase natural para as trapalhadas contraditórias e para as consequentes desculpas esfarrapadas… ou «falhas» de memória.
Àqueles que continuam a criticá-lo – como Brad Sherman, representante democrata! – por ter autorizado uma intervenção militar num país estrangeiro (isto é, na Líbia) sem cumprir os respectivos requisitos constitucionais, responde que o papel dos EUA no ataque ao regime de Tripoli é «limitado» - ou seja, para quê pedir permissão? Recorde-se, e compare-se, que George W. Bush, aquando das invasões do Afeganistão e do Iraque, pediu (e obteve) a concordância da ONU e do Congresso norte-americano… e mesmo assim foi chamado de «criminoso de guerra» por pacifistas histéricos, que agora - «surpresa»! - estão quase todos calados.
Apesar de ter quase toda a comunicação social (ainda) do seu lado, a actual administração não hesita em (tentar) «castigar» algum órgão que se atreva a «sair do rebanho» – como o Boston Herald, impedido de aceder a uma acção de campanha do Nº 44 por ter publicado e dado destaque de primeira página a um artigo de opinião de Mitt Romney (cá são as «punições» na Lusa, ao Público, ao Sol, à TVI, à Visão…) E, claro, há a obsessão tão «socretina» com a preponderância do Estado: para Barack Obama nada há tão importante como um emprego governamental.
É de perguntar, perante tantos paralelismos ao estilo «Cool, dude!», se terá sido iniciado um intercâmbio permanente entre os representantes das «esquerdas modernas» europeia e americana após uma certa conferência em Lisboa, no Pavilhão Atlântico, em 2009...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Síria? Seria bom, seria…

Convém recordar que, enquanto as atenções do Mundo em geral, e dos EUA em particular, estavam, compreensivelmente, concentradas prioritariamente na morte de Osama Bin Laden, continuaram os actos de violência na Líbia e na Síria, permitidos, provocados e perpetrados pelos seus respectivos ditadores.
E, tal como aconteceu em relação a Tripoli, o endurecimento do discurso da Casa Branca em relação a Damasco, mais recentemente complementado por sanções, não é convincente e até pode ser contra-producente porque no Médio Oriente (e não só…) a credibilidade da actual administração norte-americana não é muita. E como o poderia ser, se passou dos pedidos de amizade e de desculpa aos avisos a alguns dos seus mais notórios facínoras? Se a seguir a fazer entrar num país (muçulmano) supostamente amigo e aliado, o Paquistão, sem conhecimento nem autorização deste, uma sua força militar de élite para abater um inimigo, se prepara para uma nova «operação de charme» junto do Islão?
Há muito tempo que se sabe que o regime da família Assad é um dos mais ameaçadores, brutais e cruéis da região, e não era necessário, para o confirmar, o levantamento popular por parte de milhares de corajosos manifestantes sírios cansados da repressão de décadas. É por isso que a decisão de Barack Obama, no final do ano passado, de enviar, sem audição nem ratificação pelo Senado, um embaixador norte-americano para Damasco suscitou as maiores dúvidas. Se o presidente norte-americano esperava, como resposta, uma nova atitude, mais «construtiva», por parte dos «padrinhos» do Hamas e do Hezbollah, cedo se viu confrontado com a arrogância do costume. Este caso é claramente um exemplo do que Peter Schweizer denomina como «liderar de trás», que se tornou característico do Sr. Hussein nas relações externas (e não só…)
É por tudo isto que a posição (o papel, a função…) de Hillary Clinton é ingrata, e se vê frequentemente em situações constrangedoras. Talvez seja um exagero, e um pouco injusto, dizer que ela é «a pior secretária de Estado» de sempre, mas a verdade é que as suas tentativas de falar com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão – que claramente a evitava – durante uma conferência realizada no Bahrain, em Dezembro último, não deixaram de parecer, e de ser, ridículas. Louve-se-lhe, porém (se é que a sua ausência no Departamento de Estado não foi mesmo uma coincidência), a sua recusa em se encontrar com James Carter depois de este seu «camarada» democrata ter afirmado que os EUA e a Coreia do Sul cometeram uma violação de direitos humanos ao suspenderem a ajuda alimentar à Coreia do Norte! Barack Obama pode, pois, estar «descansado»: o plantador de amendoins não vai «ceder» facilmente o seu «título» de «pior presidente de sempre»!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Casa Negra

Ignorância? Incompetência? Insensibilidade? Foi por causa de uma, de duas ou das três que a Casa Branca se viu envolvida, mais uma vez, numa autêntica «trapalhada» de (más) relações públicas? É que, por iniciativa de Michelle «Tamale» Obama, a Casa Branca convidou para um serão dedicado à «poesia», e entre outros artistas, Common, um actor autor-cantor, rapper, que tem canções com «temas» como (a defesa de) assassinos de polícias (uma das quais fugiu da prisão e se exilou em Cuba) e George W. Bush a morrer queimado como «castigo» pela guerra no Iraque.
Como se a (habitual, neste género de música) tendência para a violência não fosse suficiente, Lonnie Rashid Lynn Jr. (o seu verdadeiro nome) tem ainda a «distingui-lo» dois outros factos: primeiro, o ter frequentado – tal como Barack Obama – em Chicago, de onde é natural, a infame Igreja Unida da Trindade de Cristo do famigerado pastor extremista e racista Jeremiah Wright, «guia espiritual» do actual presidente norte-americano durante duas décadas; segundo, o opôr-se a casamentos inter-raciais (como o dos pais do Sr. Hussein?) – uma posição que, aliás, é partilhada por Jill Scott, cantora que esteve igualmente presente na referida cerimónia no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia.
Não está em questão, obviamente, o direito à liberdade de expressão que tem Common (e Jill Scott) para afirmar o que muito bem entende, por mais ignorante, inconveniente e/ou insultuoso que seja. O que está em causa, sim, é o (mau?) exemplo que é dado, a «legitimidade», o «reconhecimento» e a «validação» públicas que são conferidas, ao se deixar entrar e intervir, no edifício mais importante dos EUA, uma pessoa com um carácter e um percurso que suscitam justificadas críticas – em especial por parte da associação de polícias de Nova Jersey, a cuja corporação pertencia um dos agentes mortos. Que não haja dúvidas: por se opor à união conjugal entre branco(a)s e negra(o)s, Common é um racista. E integra uma «corte» de admiradores e adoradores de Barack Obama que, invariavelmente, acusam de «racistas» todos os que criticam as políticas do presidente, e que, regularmente, se atrevem a invocar Martin Luther King – que preferia ser julgado pelo conteúdo do carácter do que pela côr da pele.
Estes afro-americanos adeptos da «acção afirmativa» e de outras modalidades de vitimização, tão ao gosto do Partido Democrata, talvez considerem uma suprema ironia o facto de um dos seus estar na Casa… Branca. O que para eles provavelmente é uma designação racista.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Ferir susceptibilidades

Na verdade, não constitui uma surpresa: o comportamento da actual administração norte-americana após o anúncio da morte de Osama Bin Laden tem-se caracterizado pela incompetência. As contradições, os desmentidos, as correcções sobre o que de facto aconteceu no Paquistão sucedem-se: estava ou não armado? Uma mulher serviu-lhe ou não de escudo? Quantas pessoas, e quais, estavam no refúgio? E, evidentemente, a recusa de Barack Obama em divulgar as imagens do cadáver e do seu «funeral» apenas contribuíram para criar mais uma categoria de teoria de conspiração. Como disse, e bem, Sean Hannity, já existiam os «truthers» e os «birthers», e agora há também os «deathers». Rush Limbaugh é quem, mais uma vez, deve ter razão: talvez Donald Trump consiga que Obama apresente as fotografias... Pelo que, e para citar (com alguma distorção…) Mark Twain, as «notícias» da reeleição do Sr. Hussein foram manifestamente exageradas.
E há uma hipótese que ganha cada vez mais consistência: a de que a operação que eliminou o líder da Al-Qaeda fez-se, não por causa de Obama, mas apesar dele: considere-se o tempo que ele demorou até tomar uma decisão… Entretanto, desautorizou Leon Panneta: o homem que vai trocar a CIA pela Secretaria de Defesa mostrara-se convicto de que pelo menos uma fotografia (de Bin Laden morto) seria divulgada… e não deixou de revelar que ocorreu uma quebra de quase meia hora durante a (e)missão… A milhares de quilómetros de distância, as precauções para evitar a criação de um «local de culto» não parecem ter sido bem sucedidas: muitos «peregrinos» têm acorrido a Abbottabad, e o Mar Arábico já é conhecido por alguns como o «Mar dos Mártires». Não que interesse muito o que desprezíveis muçulmanos radicais pensam e dizem… quer dizer, não interessa excepto à Casa Branca. Se ele não era um líder muçulmano, porquê fazer-lhe um funeral que, segundo algumas fontes, terá incluído maldições contra cristãos e judeus e um pedido de perdão e de entrada no «paraíso»?
Os democratas-esquerdistas-liberais têm um «curioso» conceito do que é, ou não, ferir susceptibilidades: as dos ocidentais têm muito menos valor. O que explica que Barack Obama, que não permite – por enquanto… - a publicação de fotografias post-mortem do maior terrorista deste século, autorizou a divulgação de fotografias de caixões com soldados norte-americanos, e quase autorizou – pelo menos chegou a haver essa intenção – a divulgação de (mais) fotografias dos abusos cometidos em Abu Ghraib. Por outras palavras, as fotografias de Bin Laden estão a ser tratadas ao mesmo nível das caricaturas de Maomé: há quem tenha medo do que pode acontecer se elas forem conhecidas… Compreende-se, portanto, a posição de Glenn Beck, que considerou a recente visita do Nº 44 a Nova Iorque e ao Ground Zero como uma «falta de vergonha»: há que não esquecer que, no ano passado, o presidente defendeu a construção de uma mesquita naquele local.
É precisamente essa lamentável atitude de Barack Obama que explica, ou no mínimo ilustra, o acumular de casos nos EUA de uma (crescente?) submissão aos ditames islâmicos. Exemplos? Alunos em Mansfield que poderão ser obrigados a ter aulas de língua e cultura árabes; militares femininas que são «encorajadas» a envergar lenços de cabeça no Afeganistão; Terry Jones (sim, o que queimou o Corão) proibido de protestar em Dearborn; bandeira «escondida» em Guantanamo para que os prisioneiros (muçulmanos) não a vejam. É por isto e muito mais que seria talvez «conveniente» seguir as «instruções» de Andrew Klavan sobre «como comportar-se durante um massacre islâmico». É que Osama Bin Laden desapareceu… mas a intolerância e a violência islâmicas não.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obama «matou» Osama

Barack Obama fez o anúncio na noite de 1 de Maio: Osama Bin Laden foi localizado e abatido, por uma equipa de elite das forças armadas dos EUA (os Navy SEAL's), numa casa em Abbottabad, no Paquistão. Quase dez anos depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro, o líder da Al-Qaeda, inimigo público Nº 1 dos Estados Unidos da América, o mais procurado e perseguido, está finalmente, e felizmente, morto! E, compreensivelmente, celebrações populares ocuparam as ruas de de Nova Iorque e de Washington, os cenários dos piores ataques de há uma década.
Teria sido preferível capturar Bin Laden vivo e transportá-lo para o outro lado do Atlântico, para ser devidamente julgado, condenado e, previsivelmente, executado. Porém, talvez tenha sido melhor assim, porque, quem sabe, Eric Holder poderia sofrer uma «recaída» e tentar que o processo decorresse na «Grande Maçã»...  No entanto, era escusado o «funeral em alto mar», com «todos os ritos» (cânticos islâmicos para um assassino de massas num porta-aviões norte-americano?!), que aquele recebeu, uma «honra» que só se entende, mais uma vez, como uma deferência de Obama para com os muçulmanos. Mais adequado seria ter o cadáver de Bin Laden pendurado sobre o Ground Zero por tempo indeterminado. E, já agora, para quando a divulgação das fotografias (verdadeiras) e dos testes de ADN? Ou vamos ter de esperar outros três anos, à semelhança do que aconteceu com a certidão de nascimento? Lembre-se e compare-se: quando Saddam Hussein foi capturado e enforcado não se fizeram tantas «cerimónias».
Convém igualmente enunciar o que se arrisca a ficar perdido entre a deturpação e a propaganda: a actual administração norte-americana tem menos mérito pelo sucesso desta operação do que a anterior presidida por George W. Bush, que delineou e concretizou uma estratégia e toda uma série de princípios, medidas, metodologias, procedimentos e até organizações, resultantes daquela, que possibilitaram desde 2001 vários êxitos e, agora, o maior de todos. Que confirma, igualmente, a importância de Guantanamo… onde, tudo o indica, terão sido recolhidas, junto de alguns dos prisioneiros, as informações iniciais que acabariam por causar a morte de Osama. Aprecie-se a ironia - e a hipocrisia - da situação: muitos dos que, antes, acusaram George W. Bush de «tortura» e de «homicídio», agora celebram Barack Obama por ter recorrido, basicamente, aos mesmos actos!
É precisamente por isso, por ter de se distribuir o «crédito» por todos os que o merecem consoante os seus contributos, que seria mais prudente por parte de alguns – entre os quais, em Portugal, o inevitável Victor Gonçalves, da RTP – acalmarem a excitação e não molharem mais as cuecas (com um fluido ou com outro): ao contrário do que desejam e dizem, Barack Obama não garantiu já a sua reeleição. Esta não é um dado adquirido porque muitos sabem e compreendem que ele se limitou a colher os «frutos» de «árvores» que outros plantaram antes dele. Faltam ainda 18 meses para o voto e muitos outros factos – positivos e negativos – podem acontecer, e vão acontecer, até lá. Recorde-se, por exemplo, o que aconteceu com James Carter, que conduziu o histórico acordo de paz entre o Egipto e Israel, e com George H. Bush (o pai), que venceu a (primeira) Guerra do Golfo: ambos foram apontados como vencedores antecipados e acabaram por ser «presidentes de um termo». O que «tramou» os dois, não só mas principalmente, foi a «economia, estúpido». Uma área, aliás, em que o Nº 44 e o seu gabinete não têm mostrado muita inteligência.
Mais análises, comentários e opiniões sobre a morte de Osama Bin Laden, o seu significado e as suas consequências, por Ann CoulterAWR Hawkins, Dana LoeschGeorge E. Condon Jr., Greg Gutfeld, Karl Rove, K. T. McFarland, Michael Goodwin, Pamela GellerRush Limbaugh e Bill O'Reilly.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A culpa foi dos macacos?

É precisamente por continuarem a ser feitas «notícias» como esta que o Obamatório é necessário e até indispensável. Não porque seja, no fundamental, falsa: sim, é verdade que uma norte-americana, Marilyn Davenport, criou e enviou por correio electrónico uma «fotografia» de Barack Obama com os seus «pais» macacos. Porém, ela é sim uma activista local (na Flórida) e não uma «dirigente» do Partido Republicano e do Tea Party; este não é «ultra-conservador», e as duas instituições não têm, de modo algum, nas últimas semanas, «centrado os seus ataques às origens do presidente dos EUA».
Este reles arremedo de «jornalismo» vem mais uma vez demonstrar que os maiores danos são causados, frequentemente, não (tanto) pela deturpação mas sim pela omissão. Mais uma vez, é uma dualidade de critérios que está em causa. Na verdade, acaso a comunicação social portuguesa (e não só…) tem divulgado os contínuos e insultuosos ataques (até apelos à violência) contra o Partido Republicano desferidos também por autênticos dirigentes (líderes nacionais) do Partido Democrata – incluindo congressistas, membros do governo e o próprio presidente – e que o Obamatório regularmente revela? Marilyn Davenport não tardou a ser criticada e desautorizada por elementos do GOP, e poderá até ser demitida das funções que ocupa. Já os «burros» não só não apresentam desculpas nem são penalizados como parecem competir entre si para verem quem consegue fazer pior. Em especial Barack Obama, que continua a acicatar uma «guerra de classes» («ricos» contra «pobres») com fins propagandísticos e eleitoralísticos e a substituir um «guia espiritual» racista por outro. No entanto, por cá o silêncio é quase total…
Outra das «vantagens» da publicação deste tipo de textos no nosso país é a possibilidade de ver, e de confirmar, a existência de tantos portugueses basicamente ignorantes, estúpidos, ou simplesmente – e previsivelmente – preconceituosos. Leiam-se os comentários e repare-se como há sempre alguém, tão «sabedor» do que se passa realmente nos EUA, que «arrasta», caluniando, Sarah Palin para o assunto, mesmo que ela não tenha qualquer culpa. Agora imagine-se qual seria a reacção de muitos destes mentecaptos «opinadeiros tugas» se soubessem que o Partido Republicano – que teve em Abraham Lincoln a sua primeira grande figura – foi fundado para combater a escravatura, e que esta, e depois a segregação racial, tiveram no Partido Democrata o seu grande defensor – ainda havendo, aliás, a este respeito episódios do passado por resolver. Coitados, os seus fracos cérebros poderiam entrar em colapso…

sábado, 23 de abril de 2011

O «evangelho» segundo Matthews (Parte 2)

Era previsível que, após a saída de Keith Olbermann, a MSNBC «promovesse» Chris Matthews à posição (mais oficiosa do que oficial) de primeira figura da estação mais à esquerda dos EUA. E, apesar dos «esforços» de Ed Schultz, Lawrence O’Donnell e Rachel Maddow, nenhum deles consegue ter uma «produção» de dislates sequer semelhante, quanto mais superior, em quantidade e em «qualidade», à de Matthews.
Faça-se, porém, a justiça de distinguir – para melhor – o apresentador de «Countdown» do apresentador de «Hardball»: enquanto Olbermann era – é – um mau carácter, um indivíduo constante e consistentemente insultuoso sem, practicamente, qualquer sentido de humor, Matthews é menos previsível, mais desconcertante, soltando frequentemente frases que têm mais de hilariante do que de ofensivo. Exemplos não faltam, e, depois de uma primeira «leitura», justifica-se agora uma segunda.
Pode-se começar pela sempre surpreendente, e até embaraçosa, fixação «homo-erótica» do Sr. «Arrepio na Perna» pelo Nº 44: ele é «um tipo charmoso e bem parecido», «magro e numa forma fantástica», tem «um sorriso giro», enfim, «é quase mais do que perfeito», como que um segundo «Jesus Cristo», pelo que não se compreende como é que há quem «não lhe dê crédito». Pode-se continuar pela obsessão anti-republicana, em que «30 mil pessoas vão morrer por causa do plano de Paul Ryan», em que os (pré) candidatos presidenciais do GOP parecem vir de um «canil», enfim, em que os republicanos em geral são «péssimos» por não quererem construir comboios de alta velocidade!
E pode-se terminar (por agora…) com a sua muito especial relação – de amor/ódio? – com Michele Bachmann. Depois de a congressista pelo Minnesota ter troçado da sua famosa perna na noite da vitória republicana em Novembro passado, Chris Matthews não desistiu de a tentar marcar como ignorante e até estúpida. Partindo de um discurso que ela proferira no Iowa e em que o tema da relação dos «pais fundadores» com a escravatura terá sido abordado, «Chrissy» insinuou que ela não passaria em testes de literacia se estes ainda existissem. Porém, quem recebeu lições de História foi ele. E também precisa de lições de Geografia, já que disse que o Canal do Panamá fica no… Egipto!
Chris Matthews pode ser um «apóstolo» moderno, mas é (mais) um que «prega» a desinformação, a dualidade de critérios, a hipocrisia: criticou Sarah Palin por esta usar a expressão «WTF», mas não criticou Alan Grayson quando este usou a «STFU»; chamou «racista» a Donald Trump por este colocar a hipótese de Barack Obama não ter nascido nos EUA, mas antes apelara ao presidente para mostrar a sua certidão de nascimento. Nesta nova era de «civilidade» politicamente correcta, «estabelecida» após o tiroteio de Tucson, Matthews há muito que já «escolheu as (suas) armas».

domingo, 17 de abril de 2011

Sem «cartão» de cidadão

Ao contrário do que escreveu um outro blogger, nosso «colega» na análise permanente da política dos EUA, no passado dia 13 de Abril, Bill O’Reilly não «saiu em defesa» de Barack Obama. Como o Obamatório se pauta pelo rigor, eis o esclarecimento: o que o famoso jornalista do Fox News Channel fez, na sua habitual rubrica «Talking Points», foi listar uma série de alegações (e acusações) em relação ao percurso pessoal e profissional do actual presidente norte-americano e dizer se as mesmas são verdadeiras ou falsas. E, no entender do apresentador do «The O’Reilly Factor», umas alegações são verdadeiras e outras são falsas.
O assunto mais controverso - entre vários de um passado polémico - continua a ser, obviamente, o de Barack Obama ter nascido, ou não, nos Estados Unidos da América, e se, afinal, ele é ou não é – ou era – elegível (se reunia as condições elementares, os critérios básicos) para ser presidente do país. Para Bill O’Reilly a resposta a esta pergunta é «sim». Vários republicanos e conservadores concordam com ele, além, claro, de practicamente todos os democratas e liberais. Restam, pois, segundo alguns, os «fanáticos da direita» que insistem no «absurdo» de duvidar que o Sr. Hussein é um «natural-born citizen» dos EUA.
Porém, o que esses supostos «árbitros» do «bom senso e bom gosto» em política não sabem, ou preferem não dizer, é que: primeiro, que vários Estados consideraram, ou estão a considerar, a aprovação de legislação que exige aos candidatos provas da sua elegibilidade – e o Arizona foi o primeiro a concretizar uma medida desse tipo; segundo, que o tal «folclore conspirativo» tem sido, em grande medida, permitido e até propalado por democratas. Como, por exemplo, Neil Abercrombie, governador do Havai. Para quem a questão não é «ridícula» e, por isso, se comprometeu a procurar e a divulgar toda a informação que, de uma vez por todas, acabasse com todos os «rumores» e «teorias». No entanto, o que aconteceu? Abercrombie afirmou, em entrevista, que existem «papéis nos arquivos» do Departamento de Saúde em Honolulu, mas não os divulgou (porque é necessária a autorização do Sr. Hussein, e ele não a dá). E não confirmou se, entre esses papéis, está uma certidão de nascimento.
E é precisamente no tipo de documento que está o fulcro da questão. O que existe, fornecido pela candidatura de Barack Obama em 2008, é um «certificate of live birth» - um papel com o mínimo de dados, isto é, nome da criança e dos pais, data de nascimento, e pouco mais. Já o «birth certificate», que continua «em parte incerta», é mais completo, nele tendo de constar também o local – hospital ou outro – onde ocorreu o parto e uma assinatura de pelo menos um médico confirmando-o e validando-o. Fundamentalmente, o que os «birthers» dizem é... mostrem-no! Não o fazer contribui para aumentar, não a «transparência», mas sim a desconfiança. Que, ainda por cima, é reforçada quando Mike Evans, um jornalista do Havai, revela que Neil Abercrombie lhe terá confessado que não existe, de facto, a certidão ou «qualquer prova» do nascimento de Barack Obama naquele Estado... e que só conheceu o jovem «Barry» quando ele tinha cinco ou seis anos!
Assim, a conclusão é inevitável: não está efectivamente demonstrado, «para além de uma dúvida razoável», que Barack Obama nasceu nos EUA e que por isso tem legitimidade para ser o seu presidente. E se esta afirmação faz de mim um «fanático da direita» ou coisa pior... paciência!
(Adenda: validando plenamente a linha de raciocínio explanada neste post, Barack Obama finalmente cedeu e autorizou a divulgação da «forma longa» da sua certidão de nascimento. Partindo do princípio de que é autêntico, este documento esclarece e encerra definitivamente a questão e a dúvida – que, recorde-se, foram levantadas inicialmente pela candidatura de Hillary Clinton. E aos cépticos, histéricos e ingénuos que não o querem admitir, eu digo-o «branco no preto», peremptoriamente: este foi mesmo um triunfo de Donald Trump sobre o Sr. Hussein – e, provavelmente, o primeiro de vários.)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

(Des)Controlo de danos

Afinal, e felizmente, o governo dos Estados Unidos da América não «fechou». Mas que não se venha agora com a «conversa da treta» do costume de que «tanto republicanos como democratas seriam igualmente (ir)responsáveis se não se chegasse a um acordo...» Porque isso, simplesmente, não é verdade: uns teriam mais culpa do que outros.
Em primeiro lugar, convém recordar que até ao final de 2010 os democratas tiveram o controlo de ambas as câmaras do Congresso (Casa e Senado), para além da presidência, e não elaboraram nem aprovaram um orçamento para 2011 – preferindo, ao invés, concentrar os seus últimos esforços enquanto bi-maioritários em medidas tão «relevantes» como a revogação da directiva «Don’t Ask, Don’t Tell». Em segundo lugar, o cerne da disputa esteve na dimensão dos cortes na despesa pública que eram, e são, necessários para evitar que o país entre em bancarrota. E, de um lado, estiveram os realistas, e, do outro, os despesistas – não por acaso, o «r» e o «d» também identificam os respectivos partidos em que uns e outros predominam. Como avisou John Boehner, «a próxima luta (orçamental) será sobre triliões e não biliões.»
E tem mesmo de ser se houver vontade de reverter os números cada vez mais assustadores que assombram a economia e a sociedade norte-americanas desde que o actual presidente tomou posse. A situação continua a ser de tal modo grave que todas as receitas fiscais de 2011 não chega(va)m para os gastos considerados fundamentais. E se a isto se acrescentar as (previsíveis) contas «marteladas» que deturpam os (verdadeiros) custos do ObamaCare, fica ainda mais nítida a urgência em se começar, efectiva e finalmente, a poupar. Esta é, porém, uma preocupação que não é partilhada pelos «burros» que, em vez de ajudarem a (tentar) controlar os danos que causaram, optaram, como habitualmente, por insultar os adversários e «responsabilizá-los» antecipadamente por todas as calamidades possíveis e imaginárias – desde «tirar as refeições aos idosos» até «matar as mulheres que querem abortar» - porque, pasme-se, o GOP declarou «guerra às mulheres»! Em alternativa, planeava-se intimidar o speaker... despejando lixo na sua casa! Aí, sim, haveria o risco de ele apanhar pulgas!
Entretanto, Barack Obama, já muito «cansado» de tanta conflitualidade, imagina-se como presidente da China! Sim, seria tão mais fácil: não teria que negociar com a oposição... aliás, nem sequer haveria oposição! E o seu mais recente discurso – que deixou Joe Biden com sono – apenas veio reforçar a ideia de que, para ele, os «outros» mais não são do que obstáculos desagradáveis, objectos que se impõe contornar: ao afirmar, preto no branco, que é favorável ao aumento dos impostos dos «mais ricos» para equilibrar as contas públicas, Obama está, na práctica, a «rasgar» o acordo para o orçamento de 2011 estabelecido, dias antes, com os republicanos. Até o habitualmente comedido Charles Krauthammer considerou o discurso «uma desgraça, intelectualmente desonesto e demagógico». No entanto, é o próprio que admite que a desonestidade intelectual e a demagogia não são de agora: em 2006 o seu voto, enquanto senador, contra o aumento do tecto da dívida foi meramente «político». Ele, sim, é que parece estar a (tentar) tornar os EUA numa «nação do Terceiro Mundo».  

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Transparência... só de aparência

Já antes aqui se constatou: quando Jon Stewart satiriza Barack Obama em particular e/ou os democratas em geral é porque a situação é, ou está, mesmo, mas mesmo, má. E, numa das suas recentes diatribes televisivas, o Sr. Leibowitz começou por ridicularizar o «surpreendente» anúncio, por parte do actual presidente, de que vai tentar a reeleição – aproveitando de passagem para notar o pouco entusiasmo, ou até conformismo, de alguns dos seus apoiantes...
Porém, a (continuação da) campanha eleitoral de BHO nem foi dessa vez o tema principal da paródia do apresentador do «The Daily Show» mas sim o não cumprimento de mais uma das várias promessas do Nª 44: o aumento da «transparência» na governação. E, com efeito, não faltam diversas confirmações e exemplos de que a «opacidade» nos assuntos públicos tratados na Casa Branca, ao contrário de diminuir, até aumentou. Entretanto, os encontros secretos com representantes de grupos de interesses (lobbyists) continuam – o que, para Jay «foi-para-isto-que-deixei-a-Time?» Carney, nada mais é do que «rotina». Enfim, é uma «lógica» de pensamento que explica igualmente que Barack Obama tenha recebido um prémio de «transparência»... à porta fechada e sem a presença de elementos da imprensa!
Charles Krauthammer, com a habitual perspicácia, salientou que este galardão poderia ser o «equivalente doméstico» ao Prémio Nobel da Paz – porque, em ambos os casos, Barack Obama foi distinguido com pouco ou nada que o justificasse. Por seu lado, Andrew Breitbart chamou a atenção para o facto de um registo aparentemente tão anódino como a lista de visita(nte)s do Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia poder esconder mais do que revela. E, na verdade, quando indivíduos tão obscuros – no sentido mafioso do termo – como os «patrões sindicais» Richard Trumka (sempre a «truncar» a verdade) da AFL-CIO e Andy Stern da SEIU estão entre os que mais vezes vão à Casa Branca, compreende-se que haja vergonha em admiti-lo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Até parece mentira... (Parte 2)

... Que Hank Johnson, representante da Geórgia pelo Partido Democrata, tenha perguntado se a ilha de Guam, no oceano Pacífico, poderia «virar-se» após nela serem instalados mais militares norte-americanos e as suas famílias. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama tenha apoiado o fim da proibição da caça à baleia. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Steven Chu (este, sim, «mereceu ganhar o seu Prémio Nobel») tenha permitido que o Departamento de Energia considerasse a hipótese de regular as características e a utilização de torneiras de chuveiro. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Michael Wolfensohn, autarca em Nova Iorque pelo Partido Democrata, tenha chamado a polícia ao saber que dois rapazes de 13 anos vendiam bolos num parque sem licença. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama não tivesse ainda contactado seis dos membros do seu gabinete durante os primeiros dois anos do mandato. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Dennis Kucinich, representante do Ohio pelo Partido Democrata, tenha processado a cafetaria do Congresso – e exigido uma indemnização de 150 mil dólares! – por lá ter quebrado um dente ao trincar um caroço de azeitona que não era suposto estar numa salada. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Nancy Pelosi tenha alterado e aumentado uma resolução do Partido Democrata que elogia e louva... ela própria. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Barack Obama, mais de dois anos depois de ter tomado posse, ainda não tivesse pago todas as suas dívidas de campanha eleitoral. Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Charles Schumer, senador de Nova Iorque pelo Partido Democrata (e com ordens para chamar sempre «extremistas» aos republicanos), tenha afirmado que os três ramos do governo são «a Casa, o Senado e o Presidente». Mas sim, é mesmo verdade.
... Que Frank Lautenberg, senador de Nova Jersey pelo Partido Democrata, tenha afirmado que os republicanos «não merecem as liberdades que estão na Constituição.» Mas sim, é mesmo verdade.

terça-feira, 29 de março de 2011

... E «justiça» para todos?

Não é novidade que o actual Departamento de Justiça dirigido por Eric Holder não tem como principal preocupação aplicar (um)a (verdadeira) justiça mas sim concretizar um programa político, uma «agenda» racial... ou mesmo racista. Comprova-o, entre outros exemplos, a oposição à lei do Estado do Arizona contra a imigração ilegal, e a não acusação dos elementos do Novo Partido dos Panteras Negras que causaram distúrbios em Filadélfia no dia das eleições presidenciais de 2008.
Agora, o que é de destacar é que o próprio attorney general acabou por admitir essa discriminação, ao afirmar que as acusações que lhe fizeram no «caso dos Panteras» constituiam como que uma forma de diminuir o «seu povo» (isto é, os afro-americanos) na sua luta secular contra a escravidão e a segregação. Ou, como Jonathon Burns fez notar, é practicamente o mesmo que dizer que os brancos não podem ser vítimas de injustiça racial porque não sofreram tanto quanto os negros. Esta (mais do que) aparente «selectividade» na aplicação da justiça está igualmente à vista nas actuais directivas do departamento quanto ao bullying, que como que «exclui» das suas potenciais vítimas quem seja homem... e branco.
É talvez também por esta «lógica» que se deverá «entender» a recente decisão da polícia de Dayton, no Ohio, em reduzir o grau de exigência dos seus testes de admissão de modo a poderem ser admitidos mais afro-americanos... decisão tomada após pressão do Departamento de Justiça! Neste, entretanto, e mais concretamente na Divisão de Direitos Civis, o tédio é tão grande por «falta» de actividade que muitos dos seus funcionários passam os dias a... jogar nos computadores. Aliás, deve ter sido por no DdJ «brincarem» ou até mesmo «dormirem em serviço» que Eric Holder, e até Barack Obama, foram aparentemente surpreendidos por uma operação de duvidosa legalidade que envolveu a passagem de armas pela fronteira entre os EUA e o México – operação essa, dizem eles, de que não não foram informados previamente nem à qual deram autorização. Porém, há quem duvide dessa suposta ignorância. 
A actual administração norte-americana parece querer dar um novo significado ao conceito de «justiça cega»... e, quem sabe, torná-la igualmente surda e muda.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nem mais um cêntimo...

... De dinheiros públicos para a National Public Radio. Esta foi a decisão tomada, há uma semana, por uma maioria na Casa dos Representantes, depois de um vídeo oculto (em mais uma iniciativa do notável James O’Keefe) ter revelado uma conversa entre o então vice-presidente Ron Schiller e um grupo de pessoas que ele pensava serem membros de uma organização muçulmana.
E que disse ele a supostos defensores da Sharia? «Queixou-se» de que o Partido Republicano é actualmente dominado pelo Tea Party, ou, por outras palavras, por indivíduos «anti-intelectuais», «racistas» e «violentos»! E também «confessou» que a NPR não necessita de financiamento federal. Pois bem, fez-se-lhe a vontade! E, como «bónus», tanto Ron Schiller como a até agora presidente da NPR Vivian Schiller (não, não são casados, mas até parecem...) pediram a demissão.
Este caso mais não foi, na verdade, do que a «última gota» que fez transbordar o «copo» da (falta de) paciência de congressistas sensatos e responsáveis (que os há) para com uma entidade que, ao longo do anos, revelou sucessivamente os seus preconceitos esquerdizantes e «politicamente (in)correctos» – e em que o despedimento de Juan Williams constituiu um exemplo máximo da impunidade de que gozavam os «comissários» do Partido Democrata naquela estação de rádio.
Entretanto, é óbvio que os presentes inquilinos da Casa Branca lamentam o sucedido... é mais uma instituição aliada que é definitivamente desmascarada. Na verdade, já são três os bastiões da permissividade e promiscuidade «progressistas» - antes foram a ACORN e a Planned Parenthood – que são oficialmente desautorizados pela maioria dos representantes dos norte-americanos. Porém, ainda faltam outros... pelo que, como lembra Andrew Breitbart, a NPR constitui um «dano colateral» num combate que continua.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cobrir a re(c)taguarda

Passam hoje três meses - foi a 18 de Dezembro de 2010 - que o Congresso dos Estados Unidos da América revogou a directiva «Don’t Ask, Don’t Tell». Ratificada por Barack Obama quatro dias depois, a decisão foi efusivamente festejada por, entre muitos outros, Harry Reid... (n)um tweet para Lady Gaga! Enfim, já se sabia que o senador pelo Nevada está «gágá», mas não era necessário salientá-lo ainda mais... Pelo seu lado, Barbara Boxer decerto deixou de colocar a sua nação ao (baixo) nível da Coreia do Norte e do Irão no que se refere a «homofobia»...
O fim da «DADT» não implicou, ao contrário do que alguns ignorantes disseram, que os homossexuais passaram a poder servir nas forças armadas norte-americanas; já o faziam antes, mas agora podem fazê-lo abertamente. O mesmo é dizer que a melhor, a mais importante instituição do país passou a estar disponível para ser instrumentalizada pelos homossexualistas; ou, por outras palavras, para ser progressivamente fragilizada... e emasculada por um movimento supremacista que dá mais importância à imposição da sua ideologia desviante do que ao reforço, ou pelo menos à manutenção, da segurança e da defesa nacionais.
Exagero? Então atente-se na que é, neste domínio, a iniciativa mais importante... e insólita do Departamento de Defesa nestes novos «120 dias de Sodoma»: o anúncio da aplicação, junto de todas as tropas de combate do país e nos próprios territórios estrangeiros onde elas estejam colocadas, de um «programa extensivo de treino de sensibilização» para facilitar o processo de integração de homossexuais assumidos em todos os ramos e fileiras das forças armadas! E onde é que se vai começar a «sensibilizar» os militares para as idiossincracias de LGBT’s? No Afeganistão – o que vem mesmo a calhar, porque naquele país a pederastia é um fenómeno com uma dimensão considerável, e que tem originado conflitos e... incompreensões junto das forças britânicas e norte-americanas. Pode-se pois dizer que a expressão «cobrir a re(c)taguarda» passou a ter um novo – e preocupante – significado.
Enquanto na «América de uniforme» está aberto o caminho para, talvez num futuro próximo, os sóbrios desfiles de honra militar serem substituídos por exuberantes paradas de orgulho gay, na «América à paisana» prossegue a (tentativa de) subversão da sociedade e das suas instituições... que, se já é o que se sabe quando os republicanos ocupam a presidência, imagine-se agora com os democratas. O Departamento de Estado decidiu que as palavras father (pai) e mother (mãe) vão ser removidas dos impressos de requisição de passaportes e substituidas por «terminologia neutra de género», mais concretamente, «parent one» («progenitor um») e «parent two» («progenitor dois») – uma autêntica forma de reconhecimento oficial da existência de «casais» do mesmo sexo. E o Departamento de Justiça informou que deixou de dar suporte legal ao «Defense of Marriage Act». Motivo? A actual administração considera que aquela lei federal – assinada por Bill Clinton em 1996 – é «inconstitucional» porque estabelece que o casamento é - «escândalo»! - só entre um homem e uma mulher.
Claramente inconstitucional, e até causa para impugnação (impeachment), é sim, como referiu Newt Gingrich, esta gravíssima atitude por parte de um presidente que jurou, sobre a Biblía, na sua tomada de posse, fazer respeitar a Constituição e todas as leis da nação. Porém, e se procurarem mais e melhor, os opositores de Barack Obama talvez encontrem mais motivos para o destituir... e também os seus (anteriores?) apoiantes. Como Dennis Kucinich, que acusa o presidente de ter ignorado a Constituição ao ordenar ataques a um país estrangeiro (ou seja, a Líbia) sem obter a prévia autorização do Congresso (e - na opinião de outro «burro» - por causa do petróleo!) Algo que, segundo Joe Biden, seria motivo para pedir a impugnação de George W. Bush, caso este o tivesse feito (o que nunca aconteceu). Aguarda-se agora que o vice-presidente, e outros «democratas», demonstrem que não são hipócritas. É melhor esperar sentado...  

domingo, 13 de março de 2011

Só «lábia» para a Líbia?

Aqueles (e são muitos) que costumam criticar Barack Obama pelo que (não) diz e pelo que (não) faz no que respeita à política externa em geral, e no que se refere, mais concreta e recentemente, às sublevações populares no Norte de África em particular, têm de ter em atenção que (mais) uma gaffe da parte dele pode ter sérias consequências. Se ele parece ter só «lábia» diplomática para a Líbia em vez de «labor» militar, é talvez por recear cometer mais um erro do tipo... confundir o Iraque com o Afeganistão. Ou então ter que dar mais explicações sobre porque decidiu prolongar o Acto Patriota e manter aberta a prisão de Guantanamo... ao contrário do que prometeu. 
Porém, as hesitações e atrasos do presidente norte-americano em, mais do que criticar por palavras, retaliar por actos a violência cometida por Mouammar Kadhafi contra o seu próprio povo, podem dever-se a outros motivos. Antes de mais, o torcionário de Tripoli não é um «ditador suave» como eram Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egipto mas sim um facínora da estirpe de um Saddam Hussein no Iraque... pelo que «falar grosso» com ele não deve chegar para o convencer a abandonar o poder. Estará Barack Obama (ainda) inibido pelos elogios que o homem-que-dorme-em-tendas lhe fez? Estará (ainda) condicionado pelo Prémio Nobel da Paz que injustamente – ou, pelo menos, prematuramente – recebeu? Estará (ainda) convencido de que só a conversa é suficiente para lidar com o Islão e os seus diversos «profetas de desgraças»?
A Casa Branca está decidida a agir... mas em conjunto com os seus aliados europeus e nunca antes de falar com eles. É pois de surpreender que em Londres e em Paris exista quem demonstre ter uma capacidade de iniciativa e de liderança – e até de análise – que não parece existir em Washington? Quando já até a Liga Árabe se mostra favorável à criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, não há desculpa nem justificação para se manter a inacção. E se Mouammar Kadhafi triunfar, a responsabilidade por esse fracasso caberá, em última instância, à administração norte-americana. E esta até teria um motivo (e uma legitimidade) inquestionável para intervir: Lockerbie. No entanto, e sabendo-se que Barack Obama não se terá oposto à libertação de Abdelbaset al-Megrahi, nem é de surpreender este «lavar daí as mãos». Que, depois, estarão aptas para voltar a agarrar o taco de golfe

quarta-feira, 9 de março de 2011

Façam ódio, não a paz

Para todos aqueles que ainda não estão convencidos de que é pelos supostos «democratas», «liberais» e «progressistas» dos EUA que são protagonizados os verdadeiros, os maiores – e os piores – exemplos de (incitamento à) violência – verbal e física – e de (discurso de) ódio, aqui ficam mais alguns exemplos e demonstrações - além dos muitos que já (d)enunciámos aqui.
Por onde começar? Talvez pelos ataques sistemáticos aos afro-americanos conservadores, dos quais Clarence Thomas (juíz do Supremo Tribunal, nomeado por Ronald Reagan) continua a ser o mais vilipendiado – com apelos a que «volte para as plantações» ou até que seja «enforcado»; como «contraponto», há os afro-americanos (que de certeza não são republicanos...) que espancam brancos por jantarem com negros!
Quem chegou igualmente a vias de facto, e com gravidade, foi um extremista (adorador de Che Guevara) chamado Casey Brezik que, no ano passado, tentou assassinar Jay Nixon, governador (democrata!) do Missouri. Acaso este atentado se tornou omnipresente nos media? Claro que não, porque o perpetrador não é de direita... Tal como Greg Morelli, outro looser medíocre (e radiofónico) que, depois de atingir outras individualidades conservadoras, dirigiu os seus insultos para Scott Walker. Terá também o governador do Wisconsin motivos para recear pela sua segurança? Em especial agora, quando parece certa a sua vitória sobre os sindicalistas privilegiados... e aliados do Partido Democrata?  
Pode-se continuar com o «pacifismo sindical», concretizada numa recente agressão de um activista do Tea Party por um elemento do Teamsters – respondendo, sem dúvida, à arenga do congressista democrata Michael Capuano (um apelido siciliano?) proclamando que «de vez em quando há que ir para as ruas e fazer sangue quando necessário.» Com o «respeito inter-partidário e entre sexos», corporizado por um representante democrata (envolvido num crime de prostituição!) no estado do Wisconsin que disse a uma sua colega republicana que ela estava «f*d*d*m*nt* morta». E com a «tolerância pró-escolha» de Theodore Shulman, que após anos a ameaçar activistas anti-aborto foi finalmente preso pelo FBI.
Em outra área, a da comunicação social, um «convite» à confrontação foi o que também fez Lawrence O’Donnell, da MSNBC, quando deu aos seus telespectadores as moradas de caricaturistas que satirizaram Barack e Michelle Obama e lhes «sugeriu» que exprimissem o seu «desagrado»... directamente – ou seja, fez practicamente o mesmo que os islamitas fundamentalistas que «condenaram à morte» os que caricaturaram Maomé. Um comportamento que, nos media esquerdistas, tem sido inspirado, influenciado, incentivado e até encomendado (através de todas as entidades que financia) por George Soros – um colaboracionista nazi que se «queixa» de que a «estratégia» da Fox News tem semelhanças com a do partido de Adolf Hitler!
Será interessante observar se o recentemente criado (na Universidade do Arizona) Instituto Nacional para o Discurso Civil vai ter ou não alguma consequência no sentido de diminuir a... incivilidade. Poderia, e deveria, começar por tornar a discussão deste assunto menos desquilibrada, menos enviesada. Como diz Andrew Klavan, «este “ódio” da direita tem de parar antes que os democratas matem alguém»! Na verdade, muito decaiu o velho lema dos hippies (por culpa dos próprios e dos seus «descendentes», mesmo que ideológicos) «façam amor, não a guerra». Aliás, alguns até querem (um)a guerra. E há «alvos» que já foram «avisados».

sábado, 5 de março de 2011

«Choques» tecno(i)lógicos

Nunca é demais, na verdade, realçar os pontos em comum entre o «Barraca» e o «Socretino»... porque eles parecem ser cada vez mais! Ambos, em diferentes contextos, com diversos meios à sua disposição, mas por uma liderança «carismática», estão a (tentar) levar os seus países à falência; e, quando pouco mais há de positivo para mostrar, recorrem invariavelmente, para «reanimar» a opinião pública... aos «choques» tecno(i)lógicos.
Será que na Casa Branca se estuda o que se faz no Palácio de São Bento? É que Barack Obama também quer construir um TGV! E nem o «pequeno» pormenor de o projecto não ter viabilidade – económica, técnica e administrativa – não parece ser determinante para «arrefecer» o entusiasmo do presidente... e do seu vice, para quem o comboio de alta velocidade é uma forma de «agarrar (ganhar?) o futuro». Com um custo (inicial...) de 53 biliões de dólares! Previsivelmente, há republicanos que discordam e democratas que vão para tribunal... porque querem à força que seja construído! Em alternativa (ou complemento), poderão fazer-se transportar em carros eléctricos (outra obsessão do «Pinócrates») que ainda têm limitações em termos de custos e de autonomia, apesar dos subsídios para a implementação de uma rede de postos de carregamento.
Dinheiro – proveniente do famigerado «programa de estímulo à economia» - foi o que não faltou igualmente para apoiar um projecto de energia solar, a cargo da empresa (da Califórnia) Solyndra (cujo accionista maioritário, George Kaiser, foi financiador da campanha de Barack Obama), e que era suposto criar empregos... o que não aconteceu. Resultado? Uma investigação – por suspeita de fraude – promovida pela nova maioria republicana na Casa dos Representantes. Que também decidiu que a Comissão Federal das Comunicações não vai utilizar dinheiros públicos para implementar a directiva de «Neutralidade na Net», que tanto agradaria aos democratas.
Este é um tema que, eventualmente, foi discutido na «cimeira tecnológica» entre o presidente dos EUA e os líderes de quase todas as mais importantes empresas norte-americanas do sector, que decorreu a 17 de Fevereiro último. Tal como, provavelmente, as críticas que a actual administração tem feito à ICANN, pressionando-a para que permita uma maior intervenção na gestão dos domínios da Internet à Organização das Nações Unidas. E a ONU, reconheça-se, não tem propriamente revelado, em muitas áreas, coerência, competência... e lógica.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os (des)educadores do povo

Ontem decorreu mais uma cerimónia de entrega dos Óscares. E, como é habitual, houve vencedores e vencidos, e polémica quanto à justiça (ou não) na atribuição, este ano, de alguns dos que são, incontestavelmente, os maiores, mais importantes (e mais antigos) prémios do cinema mundial. Porém, do que nem todos se lembram é que, neste domínio, a maior derrota é, quase sempre, nem sequer ser nomeado.
E, em 2011, voltou a haver algumas «não nomeações» surpreendentes. Nomeadamente: «Incepção» pela realização e pela montagem; «Alice na Terra das Maravilhas» pela caracterização; «Tron – Legado» pelos efeitos visuais e pela banda sonora; «Burlesco» pela canção. Todavia, houve outra omissão tão ou mais inesperada do que aquelas, embora menos notória: a de «À Espera do Super-Homem» na categoria de documentário (longo). E porquê a surpresa? Porque o filme foi realizado por Davis Guggenhein, o mesmo que dirigiu «Uma Verdade Inconveniente»... e que recebeu, por ele, um Óscar em 2007! Porque vários críticos o consideraram o melhor documentário de 2010, e esperavam que ele fosse não só nomeado como ganhasse o troféu máximo...
... Só que isso não aconteceu. Terá sido porque a principal conclusão do filme é a de que o sistema escolar dos Estados Unidos da América apresenta muitas e graves deficiências e insuficiências, que, logicamente, prejudicam principalmente os alunos... e que foram e são causadas em larga medida pela intervenção dos sindicatos? Terá sido por fazer uma crítica, mesmo que discreta e indirecta, a um dos principais pilares do Partido Democrata? Terá sido por considerarem Guggenheim um «traidor»?
Não faltam, na actualidade dos EUA convertida em informações e em notícias, os «sinais» que indicam a existência, nas escolas, de problemas que têm de ser solucionados. Começando no Wisconsin, onde os professores têm estado na linha da frente da contestação a Scott Walker, mesmo que mintam para faltarem às aulas e manifestarem-se... mas onde muitos recebem salários elevados que não são, de todo, justificados pelos resultados medíocres que os alunos apresentam. No Michigan, onde metade das escolas deverão ser encerradas. No Idaho, onde um superintendente da instrução pública recebeu ameaças e teve o seu carro vandalizado depois de anunciar o seu plano de reforma da educação para aquele estado. E no Ohio, onde uma mulher foi presa por ter dado uma morada (da sua residência) falsa para que as suas filhas pudessem frequentar uma escola melhor. Entretanto, ao nível universitário, multiplicam-se os casos de desrespeito da liberdade de expressão; e a Associação para a Educação Nacional (o maior sindicato de professores dos EUA) prepara-se para apoiar Barack Obama na sua campanha para a reeleição.
Que fazer? Atente-se ao que disse Rand Paul, em entrevista recente no programa de David Letterman: (mais) dinheiro não é sempre a resposta; foi um erro tirar a educação da esfera local e passar a controlá-la a partir de Washington; é a competição que torna as coisas melhores. Sábias palavras de um senador novato... mas médico experimentado, que sabe qual é a «doença» e qual poderá ser a «cura».

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Walker, do Wisconsin

Scott Walker, o governador (republicano) do Wisconsin que está a ser muito contestado por uma parte dos funcionários públicos daquele estado por querer cortar nas despesas e reequilibrar o orçamento, começou a ser alvo de ataques ainda antes de ser eleito! Um elemento da confederação sindical SEIU admitiu que divulgou, em colaboração com alguns media locais, histórias falsas sobre o então candidato para o prejudicar.
Depois de tomar posse, e porque os seus opositores sabiam que Scott Walker iria cumprir o que prometeu, as investidas, directas e indirectas, intensificaram-se. As ameaças (ou «sugestões») de morte contra ele sucederam-se. A sua «vice», Rebecca Kleefisch, foi insultada por um «radialista» radical. E quando começaram em Madison as manifestações, estas proporcionaram vários pormenores... interessantes: cartazes «pintando» o governador como nazi e talibã, além de outros «mimos»; professores que simularam doenças e falsificaram justificações de baixas para assim poderem ir protestar... e levar os seus alunos (que nem sabiam porque estavam lá)! Até Barack Obama teve de intervir, fazendo deslocar para o Wisconsin a sua «máquina política» e acusando o governo daquele estado de estar a «assaltar os sindicatos» (isto é, contra os seus grandes apoiantes aos quais tanto deve e aos quais fez uma promessa que ainda não cumpriu...) Porém, e porque toda esta campanha não parece ser suficiente para demover Walker dos seus intentos, restou aos senadores democratas estaduais um último recurso: fugir, e, assim, impedir a tomada de decisões por falta de quorum! Uma demonstração de cobardia que «contagiou» os seus camaradas do Indiana, que decidiram fazer o mesmo!
Na comunicação social, e previsivelmente, a polémica é dominante. Na MSNBC, como de costume, há quem tenha um conhecimento dos factos diminuto e/ou deturpado. Na ABC, há quem se aperceba de que Obama mais depressa e mais firmemente condenou Walker do que Mubarak... A «Batalha do Wisconsin», pelo que significa, por todas as suas muitas implicações nacionais, em especial para o Partido Democrata, é claramente, neste momento, o assunto principal da política dos EUA. Muito mais relevante, por exemplo, do que especulações – a quase dois anos de distância! – sobre quais vão ser os candidatos presidenciais para 2012.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cair no Cairo

O que aconteceu nas últimas semanas no Egipto constitui mais uma prova de que, por vezes, convém, sempre que possível, aguardar, não reagir e não comentar «a quente», imediatamente, (logo) «em cima do acontecimento», sem se ter a certeza do verdadeiro desenlace de uma determinada situação... Por isso, foi com um sorriso que assistimos a alguns «colegas da blogosfera» terem que «dar o dito por não dito» quando, prematuramente, anunciavam que Hosni Mubarak tinha renunciado ao poder...
… Até que, finalmente, tal efectivamente aconteceu. Porém, não foi só a presidência do sucessor de Anwar El-Sadat a cair no Cairo. Foi também o que restava da credibilidade da política externa de Barack Obama e da sua administração. E isto não é uma acusação infundada motivada por antagonismo ideológico: é uma constatação de facto confirmada pelas afirmações e as (in)acções dos próprios, que sucessivamente admitiram a sua ignorância e/ou a sua impotência em relação à insurreição no Egipto! Começando pelo próprio presidente, que disse que «vamos ter de esperar e de ver o que se vai passar». Continuando com Leon Panetta, actual director da CIA e leal «pau para toda a obra» do Partido Democrata há mais de 40 anos, que se pôs a fazer «previsões»... baseado no que via na comunicação social! E terminando com o seu anterior porta-voz e secretário de imprensa, Robert Gibbs, que, numa das suas últimas demonstrações de inutilidade antes de ser substituído no cargo, confessou que não sabia com quais líderes mundiais (se é que algum...) Obama, Joe Biden e Hillary Clinton haviam conversado sobre o assunto. No entanto, sabe-se que um deles foi o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, que terá «avisado» Barack para não humilhar Mubarak. Não se sabe é se, mesmo ao telefone, o Sr. Hussein terá voltado a curvar-se...
Numa daquelas ironias em que a História é fértil, foi no Cairo, em Junho de 2009, que Barack Obama fez o discurso em que apresentou, explicou e defendeu a sua atitude de apaziguamento para com o Islão. Na altura saudada por alguns como um importante momento de mudança... para melhor, está-se agora a ver as verdadeiras consequências dessa intervenção: a Casa Branca aparece como cada vez menos relevante e menos respeitada no Médio Oriente. E todos os «trunfos», todo o poder, toda a influência que ainda possa ter foram adquiridos em administrações anteriores, as de George Bush Pai e Filho, a de Ronald Reagan, e, sim, também as de Bill Clinton e de Jimmy Carter, que em 1979 «apadrinhou» o histórico acordo de paz entre a terra dos faraós e Israel.
Agora, neste país escreve-se que Obama «traiu um aliado» e que ficará conhecido como «o presidente que perdeu o Egipto»... talvez para a Irmandade Muçulmana. Acusações que não parecem afectar o Nº 44, que continua convencido que ele e a sua equipa se portaram bem durante a crise – até, supõe-se, no início daquela, quando participavam numa festa em honra de David Axelrod... Todavia, há pelo menos uma entidade que se mostrou satisfeita com o desempenho de Barack Obama em relação ao «Cairo, distante Cairo, excitante Cairo, apaixonante»: a CAIR (Council on American-Islamic Relations), para a qual o presidente «demonstrou que está do lado certo da história ao apoiar a vontade do povo egípcio.»
Infelizmente, a vontade de uma parte desse povo é a de roubar tesouros arqueológicos e de atacar jornalistas estrangeiros (leia-se «ocidentais» e «norte-americanos») com grande violência. Anderson Cooper da CNN, Brian Hartman, da ABC, e Greg Palkot, da Fox, são três das dezenas de profissionais da informação que ficaram feridos com maior ou menor gravidade (e outros houve que morreram!), embora o caso não letal mais preocupante tenha sido o de Lara Logan, da CBS, que foi, além de espancada, também abusada sexualmente - e que permitiu confirmar ilacções importantes sobre uma «hierarquia (ou tabela) de vitimização» que é seguida em determinados sectores. Crimes que, pode dizer-se, vêm na sequência de atentados (com muitos mortos e feridos) nos últimos meses contra cristãos no Egipto (e no Afeganistão, no Iraque e na Nigéria), mas que não receberam a cobertura e a condenação adequadas por parte de governantes... e de jornalistas!
Estas atrocidades deveriam ser suficientes para «acalmar os ânimos» de muitos ingénuos inconscientes que anda(ra)m a escrever disparates grandiloquentes sobre os revolucionários «amanhãs que cantam» nas margens do rio Nilo.