domingo, 7 de novembro de 2010

Em Novembro lembraram-se

Desde o início deste ano que o apelo se repetia: «Remember in November!» E no passado dia 2 de Novembro a maioria dos norte-americanos lembrou-se de tudo o que lhes desagrada(va) no seu país governado em exclusivo desde 2008 – devido ao controlo da Casa Branca e do Congresso – pelo Partido Democrata. E dessa memória resultou a maior derrota eleitoral de sempre dos «burros» desde, pelo menos, a década de 1930.
A vitória do Partido Republicano não foi, porém, completa. Os «elefantes» recuperaram, é certo, a maioria na Casa dos Representantes, a maioria dos governadores e a maioria dos lugares nas legislaturas estaduais, mas não conseguiram o mesmo no Senado: apesar dos lugares conquistados pelos adversários, o Partido Democrata manteve aí uma maioria, mesmo que mínima. E é a este nível que se impõe fazer alguns comentários.
Será que mais ninguém reparou que, de todas as eleições mais em destaque, a única em que as sondagens não se confirmaram foi a de senador pelo Nevada? Nas últimas semanas, Sharron Angle aparecia à frente ou, quando muito, empatada com Harry Reid; e, no entanto, foi este que venceu. Porquê? Porque, muito provavelmente, a «máquina democrática» voltou a manipular uma votação. É certo que surgiram índicios de irregularidades em diversos pontos do país, mas nunca tantos nem tão graves como na «terra dos casinos»: Reid terá oferecido comida e cartões de prendas em troca de votos, beneficiado de «ajuda» do patronato e dos sindicatos da região, além da de centenas de operacionais do DNC. Uma situação que faz lembrar o que aconteceu há dois anos no Minnesota quando Al Franken foi eleito senador: soube-se recentemente que os votos (ilegais) de presidiários podem ter sido decisivos naquele resultado. Por outras (e poucas) palavras: a «vitória» de Reid não merece credibilidade. Não acreditam? Ouçam Richard Trumka a «orgulhar-se» do trabalho feito, em especial no Nevada...
Ao lado, na Califórnia, não terá havido fraude (generalizada, pelo menos) nem propriamente surpresas: a situação era, e é, de se «estar à beira do abismo»… e a maioria dos votantes californianos decidiu «dar um passo em frente» elegendo pessoas que muito contribuíram para a decadência daquele Estado, nomeadamente Nancy «Whip Operation» Pelosi, Jerry «Whitman is a Whore» Brown e Barbara «Call me Senator» Boxer. Esta, é de realçar, nem sequer recebeu desta vez o apoio do Los Angeles Times, que justificou a decisão com o facto de ela «demonstrar menos poder de fogo intelectual e liderança do que deveria». Ou seja, uma subtil maneira de lhe chamar «estúpida»… Mas não há, ou houve, «problema»: perto de Hollywood até uma democrata defunta ganha uma eleição!
É caso para perguntar: «o que é que os californianos têm andado a fumar?» A resposta é óbvia: muita «erva»! Tanta que se sentia o cheiro no estádio dos San Francisco Giants, equipa que este ano venceu a final do campeonato de baseball dos EUA (as denominadas World Series); tanta que este ano se multiplicaram os avisos contra «doces de Halloween»… com droga. E os «fumos» devem ter chegado mais a Norte, ao Estado de Washington, onde a «wacko» (muito mais do que Christine O’Donnell e Sharron Angle juntas) Patty Murray voltou a ganhar uma eleição para o Senado.
Vários foram os que já escolheram os vencedores e os vencidos destas «midterms». Pela minha parte, prefiro apontar aquele que é o seu verdadeiro vencedor nacional (e não estadual ou local): Michael Steele, que, constantemente criticado, e com menos dinheiro e menos «truques» do que os rivais, liderou os republicanos até um triunfo histórico. Agora, a grande pergunta é: «Barack Obama vai ou não vai alterar o seu comportamento?» A julgar pelas suas primeiras declarações após a derrota, a resposta parece ser… não, nem por isso. Além de que as sucessivas, divisivas e, por vezes, ofensivas afirmações que fez durante a campanha ainda vão certamente ecoar durante bastante tempo.
Enfim, não nos é necessário, agora, dar mais explicações para os resultados desta última «Super (ou será Hiper?) Tuesday». Quem costuma consultar o Obamatório percebe perfeitamente porque é que eles aconteceram. Aqui não se perde tempo e espaço, (dezenas de) posts e (milhares de) caracteres a falar constantemente de sondagens. Nos EUA uma eleição não é uma consequência de um jogo de Monopólio, não é determinada por lançamentos de dados: resulta de uma sucessão e avaliação de factos, e os mais relevantes para a política norte-americana nos dois últimos anos foram relatados no Obamatório. Podemos não ir à RTP para o programa «Olhar o Mundo», à TVI para o «Combate de Blogs», à Rádio Europa para o programa «Descubra as Diferenças», nem sermos o «convidado da semana» no Delito de Opinião, mas provavelmente somos, como ficou comprovado na terça-feira passada, o melhor blog português dedicado exclusivamente à política e à sociedade dos EUA – porque demonstrámos estar mais em sintonia com o que lá efectivamente acontece(u).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Noite das «bruxas»

Não deixa de ser curioso que as «eleições de meio termo» de 2010 se realizem apenas dois dias depois do Halloween… porque a palavra (e a imagem de) «bruxa» tem estado, nesta campanha eleitoral, particularmente em foco.
Principalmente por causa de Christine O’Donnell, que confessou que na sua juventude participou em algumas «práticas mágicas»… por brincadeira e por namoro. Mas isso foi há mais de 20 anos. Hoje, concorre ao cargo de senador(a) pelo Delaware com base em conceitos e em propostas que assentam na limitação do poder do governo e na responsabilidade fiscal… mas as suas ideias foram desfavorecidas em favor de supostos devaneios de adolescência. E, no que é mais uma prova de como nos EUA os políticos – em especial as mulheres – são tratadas pela «lamestream media» de modo diferente consoante o partido a que pertencem, compare-se as pueris incursões pela «feitiçaria» de O’Donnell com as «conversas com mortos», em sessões espíritas na Casa Branca, feitas por Hillary Clinton quando era primeira dama!
Entretanto, é de salientar – e de saudar – a grande probabilidade de os dias de «susto» provocados pela maior «bruxa» da política norte-americana – autêntica «Wicked Witch of the West» (ela é de São Francisco) - estarem a terminar: Nancy Pelosi poderá não perder a sua eleição, mas se os democratas perderem a maioria na Câmara de Representantes ela deixará de ser speaker. Porém, e enquanto pode, ela não desiste de provocar alguns «arrepios»: aconselha os jovens a manterem-se dependentes dos pais; diz que a culpa é de George W. Bush (algo que não é original num democrata); acredita que há um problema na distribuição da riqueza no país; queixa-se de que «não ficámos com o crédito pelo que fizémos» (ela que não se preocupe porque já amanhã, e devido ao débito nacional que ajudou a acumular, esse «crédito» vai chegar).
Outras «bruxas» há que, embora não tão malignas como Nancy Pelosi, são capazes de desagradáveis «maus olhados»: Parry Bellasalma, presidente da secção californiana da National Organization for Women, que apoia Jerry Brown para governador daquele Estado e que diz que Meg Whitman é uma «political whore» (sim, é isto que passa por «feminismo» nos EUA actualmente); Joy Behar, que chamou, não «witch», mas sim «bitch» a Sharron Angle, «mandando-a» também para o «Inferno» – e que repetiu o insulto quando recebeu flores da candidata do GOP ao Senado pelo Nevada (!); Arianna Huffington, que afirma que quando os republicanos vencem isso significa que os votantes utilizaram o «lado lagarto do cérebro» (?!); Olivia Wilde, que «viajou» (de vassoura?) até a um… «futuro terrível» em que Sarah Palin é presidente.
Este breve e ridículo exercício em «ficção científica» protagonizado pela bonita, mas não muito inteligente, actriz da série televisiva «House, M. D.» é tão só mais um de inúmeros exemplos dos extremos a que os democratas-liberais-progressistas estão dispostos a ir para «denunciar» a ex-governadora do Alaska como… uma bruxa, entre muitos outros epítetos desagradáveis. Por exemplo, Jon «Restaurador da Sanidade» Stewart disse-lhe para se «ir f*d*r». No entanto, esses esforços têm invariavelmente, e estrondosamente, falhado, e o «feitiço» costuma virar-se contra o «feiticeiro». O «aprendiz» Markos Moulitsas aprendeu isso recentemente, e dolorosamente, à sua custa, depois de ter troçado da «running mate» de John McCain por ela ter advertido que ainda era cedo para «festejar como em 1773». Mas… o que aconteceu naquele ano? Bem, «nada» de especial… «apenas» a «Tea Party» original!
O que está fundamentalmente em causa nestas eleições é a escolha entre (mais) poder (para os políticos) e (mais) liberdade (para os outros cidadãos). Andrew Klavan ilustra com humor, mas didacticamente, este dilema no seu «Night of the Living Government». De meter medo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cenas de uma campanha…

… Ou, melhor dizendo, de várias campanhas eleitorais que neste momento ainda decorrem nos Estados Unidos da América, há que merecem uma menção especial.
Por onde começar? Talvez pelo sempre surpreendente Harry Reid, que, apesar de ter perdido o último debate televisivo com Sharron Angle, não desiste de atirar ao seu público «pérolas» de sabedoria como: a de que os maiores americanos «vivos» que conhece são… Edward Kennedy e Robert Byrd; a de que se não fosse ele o Mundo estaria numa depressão (é verdade, rir-nos-iamos muito menos). Entretanto, e como possível demonstração de que, afinal, quem não sai aos seus… regenera, o filho Rory admite que o «ObamaCare» pode prejudicar o Nevada.
Pode-se continuar no Illinois, onde Alex Giannoulias confessou que «não conhecia a extensão» dos empréstimos feitos pelo banco da sua família a mafiosos de Chicago, e onde Rickey Hendon avisa que quem votar em Bill Brady (candidato republicano a governador) é contra os direitos das mulheres e a favor da eliminação dos homossexuais; depois, no Connecticut, onde Richard Blumenthal, além de ter mentido sobre ter combatido no Vietnam, demonstrou que não sabe como se cria um emprego (mas Linda McMahon sabe); no Massachusetts, onde James McGovern disse que «a Constituição está errada». Enquanto isso, Bill Clinton ajuda as campanhas eleitorais… daqueles que ajudaram Hillary a concorrer à presidência, embora nem sempre com grande sucesso: no Michigan só conseguiu encher um terço de um ginásio de liceu; no Nevada afirmou que Harry Reid tem a reeleição em perigo porque há pessoas que têm «dificuldade em pensar».
E àqueles que se «escandalizam» com certas afirmações e atitudes de Carl Paladino ou de Ken Buck, mais concretamente sobre gays (em que apenas reflectem a opinião da maioria dos seus compatriotas), fica o convite para as compararem com outras e decidirem sobre quais são as mais graves. Um exemplo: Patty Murray, que, um ano depois do 11 de Setembro, apareceu a defender e a justificar Osama Bin Laden (!!!), além de, mais recentemente, se vangloriar de ter ajudado a escrever a lei da «reforma» do sistema de saúde. Outro exemplo: Chris Coons, que já foi processado pelo menos três vezes por alegadamente ter prejudicado funcionários públicos por motivos políticos. Leia-se o que Ann Coulter escreveu sobre ele, e ainda sobre Patty e sobre Dick. E quando aludirem à suposta «prisão» de um blogger (que admitiu ter provocado o confronto) por parte de Joe Miller, comparem-na com a agressão a um jornalista por parte de Maurice Hinchey.
Entretanto, de Barack Obama já se sabe que não se deve esperar qualquer «apelo à calma», algum «pôr água na fervura», um pouco de maturidade… muito pelo contrário: pediu aos seus apoiantes para não o deixarem «com mau aspecto»; aludiu à emergência de «atitudes tribais» em tempos difíceis; advertiu que o «Império (isto é, o GOP) está a contra-atacar» (pensará ele que é um novo Luke Skywalker?). É, o «Império» é de tal modo «poderoso» que até tem, segundo Joe «2º na linha de sucessão» Biden, «200 biliões» de dólares para gastar nesta campanha. Mas ainda bem que Michelle Obama é mais «equilibrada» e «consciente»… ou não? Pois, ela pode ter sido «apanhada» a fazer campanha eleitoral dentro de um local de voto (em Chicago, obviamente!), o que não é propriamente correcto… e legal.
Porém, ainda bem que temos Andrew Klavan para elaborar e nos entregar: um guia eleitoral em duas partes, a primeira sobre economia e a segunda sobre guerra; e uma explicação sobre «extremismos» - quem é moderado e quem está nas «franjas», quem é que está à esquerda, ao centro e à direita no actual panorama político dos EUA. Para ver, ouvir e meditar antes de votar!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Liberdade posta a «Soro(s)»

Eis (mais) um facto relevante relativo à actualidade dos Estados Unidos da América que é revelado, em português, pelo Obamatório e não pela comunicação social… lusa nem por outros blogs que se dedicam a estes temas: Juan Williams, democrata, liberal, foi demitido da National Public Radio por ter admitido, numa emissão de «The O’Reilly Factor» da Fox News (de que é colaborador regular e apresentador ocasional) que, por vezes, sente algum receio quando viaja num avião com muçulmanos; um sentimento de que não se orgulha, apesar de ser, sem dúvida, partilhado por muitos dos seus compatriotas, e que é ainda um reflexo do que aconteceu a 11 de Setembro de 2001.
A decisão da NPR não foi apenas um acto da mais evidente e inadmissível censura; representou igualmente (mais) uma demonstração de «double standards», de dualidade de critérios, porque outros colaboradores daquela rádio já proferiram comentários muito piores dirigidos a cristãos e conservadores, e, claro, não foram sancionados. E não há qualquer dúvida de que Juan Williams se tornou um alvo porque era, é, igualmente, colaborador da estação de televisão dirigida por Roger Ailes; este, entretanto, já lhe prolongou e melhorou o contrato. Há de facto males que vêm por bem: tanto republicanos como democratas, conservadores e liberais, criticaram este «saneamento político» feito pela NPR; vários apelam a que se corte o financiamento público que lhe é atribuído, e até que seja criminalmente investigada. Enfim, um pormenor de extrema ironia: Williams era actualmente a única voz afro-americana daquela emissora! Não restam, pois, dúvidas de que a NPR faz parte dos media que devem ser denunciados... iMEDIAtaMENTE
Sobre este assunto sugere-se ainda: a leitura das opiniões do próprio protagonista deste caso lamentável, de Bernard Goldberg, Cal Thomas, Christian Whiton, Fraser Seitel e Mike Gonzalez; o visionamento das emissões dos programas de Bret Baier, Greta Van Susteren, Sean Hannity e, obviamente, Bill O’Reilly dedicadas à presente polémica.               
Entretanto, é impossível não relacionar – ou, pelo menos, não contextualizar – o despedimento de Juan Williams da NPR com o financiamento de 1,8 milhões de dólares oferecidos à emissora por George Soros, através da sua Open Society Foundations, para o recrutamento de uma centena de «repórteres políticos». Sabendo-se que este bilionário especulador financeiro, e colaboracionista nazi (não arrependido) durante a Segunda Guerra Mundial, é um reincidente apoiante das causas democratas, esquerdistas e liberais nos EUA, é legítimo duvidar da «imparcialidade» da iniciativa. A «generosa oferta» é, aliás, tão só a mais recente de uma prática recorrente, pois a NAACP (contra o Tea Party), a Media Matters for America (contra a Fox News) e o senador Russ Feingold também foram destinatários recentes das contribuições do Sr. Soros – um autêntico «Dr. Evil» da actualidade, sem o qual o Mundo seria um sítio muito mais aprazível.

sábado, 16 de outubro de 2010

«Anatomia» de Grayson (Parte 2)

Para nosso «contentamento», o (ainda) congressista democrata Alan Grayson não refreou os seus impulsos após a nossa primeira «rodada», e decidiu «brindar-nos» nestes últimos sete meses com mais demonstrações definitivas da sua inépcia e insolência. Serão os efeitos do sol da Flórida?
Saibam que, vejam-no e ouçam-no a: importunar opositores num restaurante; apoiou o rapto de Karl Rove (!); comparar o Partido Republicano à Al-Qaeda; sugerir que devem ir para a prisão Michael Steele e todas as outras pessoas que disseram «drill, baby, drill»; exigir a demissão de Robert Gibbs, o (ainda) porta-voz da Casa Branca; declarar que George W. Bush «permitiu que o 11 de Setembro acontecesse»; e, talvez o pior, emitir um anúncio televisivo em que, através de uma manipulação falseadora, acusa o seu opositor republicano Daniel Webster de ter opiniões contrárias… às que realmente tem – uma acção que, para o GOP, comprova que o Sr. G exibe um «padrão patológico».
Não é, pois, surpreendente que Grayson esteja já claramente atrás de Webster nas intenções de voto… e que até não seja apoiado por um jornal tão influente como o Orlando Sentinel, que o considera um «embaraço», e que prefere, como «antídoto», o seu adversário! Em «compensação», Alan sempre pode «orgulhar-se» de ter o apoio de Oliver Stone… sim, esse actualmente tão «respeitado» cineasta que tanto admira os irmãos Castro e Hugo Chávez.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dividir, e não «reinar»

Barack Obama afirmou recentemente que «suspeito sempre de políticas que dividem o povo em vez de o unir». Quer isto dizer que ele também «suspeita»… das que ele próprio preconiza e protagoniza? Como a «reforma» do sistema de saúde?
Tem que suspeitar porque, após tornar-se presidente, e apesar das promessas em contrário, parece que quase não perde uma oportunidade para deixar bem «claras» as «diferenças» que existem, precisamente, entre «nós» e «eles». E não é só por culpar George W. Bush, em particular, por quase tudo o que de mal (ainda) acontece nos Estados Unidos. O Sr. Hussein também acusa: os republicanos em geral – uma, duas, três, quatro vezes… apesar de o seu partido (ainda) ser maioritário nas duas câmaras do Congresso; a Fox News, por ser «destructive» - mas a MSNBC já é («surpresa»!) «invaluable»; organizações não governamentais – como a Câmara de Comércio dos EUA – por, alegadamente, actuarem como grupos de pressão a favor da oposição e receberem fundos do estrangeiro.
O peculiar entendimento de Barack Obama sobre o que é «unir» e o que é «dividir» parece ser partilhado por muitos dos seus comparsas democratas, embora estes por vezes caiam em extremos. Como Loretta Sanchez, congressista californiana, que «alertou» que asiáticos estão a tentar tomar «um posto que é dos hispânicos» – o seu oponente republicano, Van Tran, é de ascendência vietnamita, e, segundo a Sra. Sanchez, ele é muito «anti-imigração»(!!); enfim, é uma «excelente» forma de promover a «união» entre diferentes comunidades étnicas. Ou como Jerry Brown, que terá chamado «prostituta» a Meg Whitman, sua adversária na eleição de governador(a) da Califórnia; enfim, é uma «excelente» forma de promover a «união»… entre homens e mulheres!
A perspectiva de o Partido Democrata vir a sofrer, no próximo mês de Novembro, talvez a sua mais pesada derrota eleitoral de sempre tem provocado também uma (ainda) maior radicalização nos discursos do presidente: está «impaciente com o ritmo da mudança», embora «se tenha levado tempo a libertar os escravos» (ele devia saber que foi o seu próprio partido que mais contribuiu para o atraso…); e avisa que uma vitória do Partido Republicano significará um (posterior e permanente) «combate corpo-a-corpo» - esse combate já deve ter começado, por exemplo, em Nova Jersey, onde um colaborador do congressista democrata Frank Pallone agrediu uma colaboradora da sua oponente republicana Anna Little… que reagiu! Estará a política norte-americana, graças aos democratas, a transformar-se numa variante do wrestling? E Linda McMahon ainda nem ganhou no Connecticut!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

iMEDIAtaMENTE!

Mais do que palavras, são números que demonstram, cada vez mais e de uma forma irrefutável, que os velhos media (mainstream media, ou, como já aqui referimos ironicamente, «lamestream media») constituem, além de perenes bastiões da esquerda, de liberais e de «progressistas», também – por isso mesmo – empreendimentos que suscitam cada vez menos retorno a accionistas e confiança a consumidores. Dois exemplos que se complementam: em 2008 o Partido Democrata em geral e Barack Obama em particular receberam 88% das contribuições feitas pelos funcionários da ABC, da CBS e da NBC; em 2010 uma sondagem da Gallup revelou que a maioria da população dos EUA pensa que os «media de massas» têm uma «inclinação liberal»… e não acredita na informação que aqueles veiculam.
Não são «provas» suficientes? Então acrescente-se estas: determinados «jornalistas» a perguntarem a Robert Gibbs porque razão a Casa Branca não é «mais dura» com os republicanos; continuados ataques a Sarah Palin perpetrados na CNN e na Vanity Fair; racismo… contra os brancos (sim, também existe) na The Village Voice; dualidade de critérios no destaque dado (ou não…) a problemas envolvendo apoiantes do Partido Republicano e do Partido Democrata; e uma controvérsia envolvendo um alegado favorecimento do GOP por parte de Rupert Murdoch… que, afinal, já deu mais dinheiro aos democratas do que aos republicanos (aliás, tal como a Viacom)! Este assunto também foi, aliás, referido de forma deturpada em Portugal através de Rita Siza, no Público. Que fique esclarecido de uma vez por todas: foi a News Corp (e o seu presidente), «companhia-mãe», e não a Fox News, uma «subsidiária» entre muitas outras, quem fez aquela doação... o que faz toda a diferença.
Não surpreende, pois, que já haja quem diga «Basta!» e que exija que a MSM «diga (toda) a verdade»... imediatamente. Porém, não é provável que isso vá acontecer, muito pelo contrário; até porque, também nisto, a História mostra uma tendência.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Aquecimento «local»

Se o «consumidor» finalmente se convence de que um determinado «produto» ou «serviço» é um embuste, uma fraude, não presta, não serve, o que deve fazer o «vendedor»? Se ainda tiver um mínimo de decência, de honorabilidade, retira o «dito cujo» do «mercado»; se não tiver, continua a tentar vendê-lo… depois de alterar a designação e/ou a «embalagem».
Foi precisamente a segunda hipótese a escolhida pela actual administração norte-americana em relação ao alegado «aquecimento global». Este, está mais do que provado, não existe, mas decidiram «rebaptizá-lo» como «disrupção climática global»… talvez a pensar também no mais frio Verão californiano em décadas e na neve prematura – em meados de Setembro! – que caiu no Montana. No entanto, a Casa Branca não está, neste aspecto, nas melhores condições para «liderar pelo exemplo»: gastou demasiado combustível na celebração do «Dia da Terra», e não só recusou instalar painéis solares no seu telhado como também a criação de «empregos verdes» já não constitui, aparentemente, uma das suas prioridades. Porém, ainda há políticos – como John Sarbanes, congressista, claro, do Partido Democrata! – que não deixam os factos estragar uma boa teoria, e que continuam a apelar a uma educação escolar que promova a «agenda das mudanças climáticas e do crescimento da população». Mesmo que isso implique o recurso a «curtas metragens»  de ficção (?) em que os «não crentes» são mortos
Aquele «soldado» não é, de facto, um dos mais «valorosos», e, «infelizmente», para piorar o panorama dos ecologistas radicais, o seu «General» Al Gore, o «Guru», este ano não se tem apresentado nas melhores condições nem tem beneficiado de «boas vibrações». A começar com a «chatice» da divulgação - quatro anos depois! - da acusação de assédio sexual por parte de uma massagista, que terá sido aconselhada a «aguentar» (o aquecimento «local» do ex-vice-presidente) e a manter-se silenciosa para «o mundo não ser destruído pelo aquecimento global» (!) Depois, houve o caso de James Jay Lee, eco-terrorista armado que invadiu, fazendo reféns, o edifício do Discovery Channel exigindo deste mais programas contra a «procriação humana»… e que terá «despertado» para a sua «causa» depois de ver «Uma Verdade Inconveniente». Enfim, e como «consagração», o nome do Nº 2 de Bill Clinton foi dado a uma nova escola em Los Angeles «devotada a temas ambientais», só que aquela foi, «apropriadamente», construída em… terrenos contaminados!
E agora, Gore? Antes de mais, ele que não se deixe abater por mais um «disparo» de AK. E, depois, uma sugestão para «revigorar as forças»: «abraçar (mais) uma causa» «verde» e «verdadeira» - a da «acelerada extinção» de espécies animais. Nada melhor do que uma «mentira conveniente» para substituir outra.

domingo, 26 de setembro de 2010

Michael & Mahmoud

Michael Moore, «cineasta» norte-americano, e Mahmoud Ahmadinejad, «presidente» iraniano, poderiam formar um «dupla de sucesso» do entretenimento mundial, talvez os novos «Laurel & Hardy» («Bucha e Estica»): apesar das muitas diferenças – físicas e não só – que os separam, os dois têm em comum o gosto por um certo tipo de «humor negro».
Senão veja-se: Mahmoud discursou na sede da ONU a 23 de Setembro e, para além dos disparates habituais, revelou ser também um «truther», isto é, alguém que acredita que os ataques de 11 de Setembro de 2001 podem ter sido o resultado de uma «conspiração interna» - algo, afinal, normal e previsível em quem nega constantemente o Holocausto; Michael, nas últimas duas semanas, tem «oferecido» a sua perspectiva própria sobre o que aconteceu há nove anos, angariando dinheiro para construir uma mesquita, não perto do, mas mesmo no local onde antes estavam as torres gémeas do World Trade Center, e afirmando que o McDonald’s mais próximo já matou mais gente do que Mohammad Atta e os seus cúmplices.
Michael Moore e Mahmoud Ahmadinejad podem ser uma espécie de «M&M’s» mas nada têm de «doce». São, sim, dois grandes, mal cheirosos, Montes de M*rd*.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vida de cão

Barack Obama queixou-se recentemente de que «algumas pessoas» em Washington – opositores republicanos, obviamente – falam dele «como de um cão». Mas... então agora isso é mau? É que, há quase dois anos, pouco depois de ser eleito, ele se referia a si próprio como um «rafeiro»!
Esta «mudança de atitude» quanto ao significado de se comparar ao «melhor amigo do homem» não podia ser mais simbólica, e demonstrativa, do quanto o panorama político norte-americano mudou desde 20 de Janeiro de 2009. A começar pelos próprios democratas, muitos dos quais, vendo os «sinais», parecem tratar o presidente e colega de partido como um autêntico «cão sarnento»: querem é distância dele, para não verem prejudicadas, ou mesmo comprometidas, as suas possibilidades de (re)eleição! Alguns, simplesmente, não aparecem em eventos públicos. Outros já falam em... triagem! Nem de propósito, vários fazem anúncios contra a «reforma» do sistema de saúde! Há os que, como «cães» que não largam os «ossos», roubam enquanto podem. O «exército de Obama», a Organizing For America, está em debandada. Fala-se em «colapso», «derretimento» e (mais uma vez) em «pânico» nas hostes azuis – e nem os «blue dogs» deverão poder dar uma grande ajuda... Há sempre, porém, um «último refúgio» para os liberais: insultar os opositores. Mas «cão que ladra» normalmente «não morde»... quer dizer, nem sempre. E a «caravana» da (verdadeira) mudança, tudo o indica, irá passar.
E nem dos mais habitualmente «fiéis» pode Barack Obama já esperar um constante e incondicional «abanar de cauda». Na comunicação social, a Time, que antes o considerava o «Homem do Ano» e quase lhe dedicava, semana sim semana não, a sua capa, agora interroga-se porque é que ele se tornou o «Sr. Impopular»; a CBS questiona quantas «prioridades de topo» ele tem (por definição devia ser só uma...); na CNN e na Newsweek dizem que ele é do tipo «cotton-picking» (expressão de código para «escravo»); na MSNBC, Chris Matthews «rosna» que o dinheiro dos impostos é das pessoas. Steven Rattner (um «rat» que abandonou o «ship»), que trabalhou nos processos de «recuperação» da Chrysler e da GM, escreveu um livro em que revela afirmações e acções algo embaraçosas de membros da administração, e até do próprio Obama, que terá perguntado «porque é que eles não conseguem fazer um (Toyota) Corolla?» E até Joe Biden, cuja previsão de que a presidência dos EUA seria para o Sr. Hussein um «on the job training» se confirmou, anda a «exceder-se» nos seus elogios a George W. Bush. Este, por sua vez, «ganha» ao seu sucessor no Ohio e em outros distritos eleitorais norte-americanos. Definitivamente, são muitos «dog days» («afternoons», «nights», «mornings») para o actual inquilino da Casa Branca... que até já precisa de «ajuda» para trazer gente a comícios feitos em locais onde, há dois anos, ganhou por larga margem!
Contudo, é certo que não é só Barack Obama a utilizar a «imagética canina». Harry Reid referiu-se a Chris Coons, candidato do PD ao lugar de senador pelo Delaware, como «o meu animal de estimação» - e o próprio Coons, que se saiba, não criticou nem contestou o «piropo» de Reid, pelo que se pode deduzir que gosta de «andar com dono» e «usar trela» (resta saber se em sentido literal ou figurado...) E Christine O’Donnell é que é doida?!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Dia da Constituição

Nos Estados Unidos da América hoje é o Dia da Constituição. A 17 de Setembro de 1787 foram apostas, em Filadélfia, as primeiras assinaturas no documento contendo a versão inicial da que se tornaria a lei fundamental da nova nação. Uma data e um pretexto apropriados para: se divulgar, sobre este tema, duas reflexões, de estilos diferentes mas de essências coincidentes, uma por Paul A. Rahe e outra por Andrew Klavan; se avisar que actualmente a Constituição pode estar a ser «queimada com o Corão», e que cidadãos dos EUA estão a ser prejudicados por exercerem... os seus direitos constitucionais; se apontar políticos que a consideram irrelevante, como Deval Patrick e Phil Hare... e de que partido são eles?

sábado, 11 de setembro de 2010

Ser ou não ser...

... Eis a questão: «é Barack Obama muçulmano?» O Reverendo Franklin Graham é quem deve ter dado a resposta correcta: o presidente não é mas nasceu muçulmano. Para Ann Coulter a explicação é ainda mais simples: o Sr. Hussein é ateu.
Nos Estados Unidos da América a religião é um assunto muito importante; a fé (ou falta dela...) de quem ocupa a Casa Branca é igualmente um assunto muito importante. E, por isso, hoje, nove anos depois do pior ataque terrorista contra os EUA, e quando continua a controvérsia – para cujo aumento ele contribuiu – sobre a «Ground Zero Mosque», torna-se particularmente importante, e inevitável, saber qual é exactamente o posicionamento religioso do presidente, em relação ao Cristianismo que diz professar e, ainda mais relevante, em relação ao Islamismo que diz admirar – ao ponto de aproveitar ocasiões e de recorrer a meios algo insólitos para o demonstrar. Nesse sentido, a análise, baseada em factos, feita por Jeffrey T. Kuhner da «islamic agenda» de BHO é, simplesmente, devastadora.
Entretanto, mais pormenores – ou «pormaiores» - vão sendo conhecidos acerca da aprovação e construção da «Cordoba House»: o apoio do mayor Michael Bloomberg ao projecto pode dever-se a outros interesses que não apenas o do «diálogo inter-confissões»; Hisham Elzanaty, um dos financiadores daquele «centro comunitário», já doou dinheiro ao Hamas; e Feisal Abdul Rauf pode ter cometido fraude fiscal ao prestar informações falsas sobre a sua ASMA. Porém, tudo isto é pouco mais do que irrelevante para os defensores da nova mesquita em Nova Iorque, que já puderam demonstrar o seu anti-semitismo, incluindo insultar um sobrevivente do Holocausto. É pois de surpreender que nos EUA mais «crimes de ódio» sejam cometidos contra cristãos e judeus do que contra muçulmanos?
Sim, sem dúvida: queimar o Corão é uma provocação estúpida, inútil e perigosa – aliás, proibir e destruir livros, quaisquer que eles sejam (até o «Mein Kampf»), é sempre reprovável. Mas nos EUA é legal... tal como queimar a bandeira norte-americana. Ambas as «fogueiras», mesmo que de «vaidades», são consideradas (exercício do direito à) liberdade de expressão na «terra do Tio Sam». E nesta acaso houve protestos quando exemplares da Bíblia foram queimados na Palestina e no Afeganistão?
Se houve, não chegaram de certeza aos níveis da violência habitual dos muçulmanos fanáticos quando se sentem «ofendidos» - mesmo que em «antecipação» - pelo Ocidente. E, a este, a grande questão que se coloca hoje, 11 de Setembro... de 2010, é saber se vai (continuar a) ceder, ou não, às ameaças mais ou menos veladas dos islamo-fascistas. Por outras palavras, se vai ser ou não ser... medroso e indigno. 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Oval sem «aval»

É um «fait-divers» mas não deixa de ser muito significativo... e, se fosse George W. Bush o envolvido, não deixaria de ser explorado até à exaustão, ao contrário do quase silêncio que se verifica agora... De que se trata? Barack Obama decidiu redecorar a Sala Oval da Casa Branca. Porém, foi detectado no novo tapete um erro grave: uma frase atribuída a Martin Luther King que, na verdade, é de Theodore Parker. É mesmo de «ir ao tapete»... e ler.
No entanto, nem foi preciso saber-se deste «meter os pés pelas mãos» para haver sarcasmo em relação a esta «renovação» - os exemplos vêm tanto do humorista profissional Mo Rocca como da «humorista amadora» Maureen Dowd. Já Chris Matthews afirma que o presidente deveria dispensar, definitivamente, outra «peça de mobiliário»: o «maldito teleponto». É melhor o Sr. «Arrepio pela Perna» esperar sentado...

domingo, 5 de setembro de 2010

Não é blague, é Blagojevich

Não é tarde para mencionar um assunto que foi dos mais «quentes» do Verão político-judicial de 2010 nos Estados Unidos da América (mas que para os media portugueses não existiu): o julgamento de Rod Blagojevich, ex-Governador do Illinois, afastado do cargo por suspeitas de corrupção. E, aparentemente, foram só suspeitas que o tribunal encontrou, pois o júri considerou-o culpado de apenas uma das 24 acusações que enfrentava: mentir ao governo federal. E como não houve decisão nas outras 23, deverá haver um segundo julgamento. Para o qual «Blago» já prometeu – ou ameaçou – que irá convocar, como testemunhas, «insignes» individualidades como Rahm Emanuel, Harry Reid... e até – mais uma vez – o próprio Barack Obama!
Rod Blagojevich é tão só um dos muitos «produtos», embora mais recente, «extremo»... e estridente, das «Chicago politics». O seu processo permitiu que se fizessem revelações interessantes: seis «segredos» (pelo menos...) relativos a conexões ao actual Presidente dos EUA e à sua administração; gravações demonstrativas de dúbias relações com «comparsas» da «windy city»; uma rede que acabou por se estender à «nova» Casa Branca; uma megalomania que o faz comparar-se a... Winston Churchill!
«Blago» não perde uma oportunidade para arrastar Obama para a sua «lama». Quanto ao Sr. Hussein, poderia dizer-se que «lá se fazem, cá se pagam». O seu passado (recente) político parece ser um reflexo dos Balcãs: não só foi mal «servido» pelo «sérvio» como, muito provavelmente, irá «ver-se grego». De facto, com «amigos» destes...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Para memória futura...

... Aqui ficam registos em som e imagem, sem mediações nem deturpações, da iniciativa «Restaurando a Honra» que Glenn Beck organizou no passado dia 28 de Agosto em Washington e que terá reunido entre 300 a 500 mil pessoas (ou talvez mais de 600 mil...). Os «histéricos» do costume que ouçam e vejam para tentarem descobrir algum indício de «intolerância», «racismo» ou (incitamento à) «violência»: o discurso de GB; o discurso de Sarah Palin; o discurso de Alveda King (sobrinha de Martin Luther King); reflexões do próprio Beck, antes e depois do evento; análises à cobertura mediática daquele, pelo organizador e por Bernard Goldberg. E, como contraponto, inevitável incluir o depoimento do demagogo, «oleoso» - autêntico «snake oil salesman» - e invejoso Al Sharpton, que à mesma hora e também na capital americana, promoveu um encontro com uma audiência significativamente... menor (à volta de 3000 pessoas...); talvez a partir de agora deixe de acreditar (pouco provável...) que MLK é uma propriedade exclusiva de alguns.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Distorções portuguesas

O Obamatório, nunca é demais recordá-lo, foi criado em reacção, e como «compensação», à grande, constante e escandalosa distorção que a maior parte dos órgãos de comunicação social portugueses faz da realidade – política, principalmente, mas não só – dos Estados Unidos da América. Obviamente, há excepções, mas muito poucas, constituídas por jornalistas e/ou analistas que têm conhecimento e lucidez suficientes para saberem destrinçar, à partida, os factos das fantasias, e não se deixarem manipular pelos preconceitos e pela propaganda. Porém, até mesmo as pessoas que pensávamos estarem nessa categoria podem surpreender-nos desagradavelmente. Relatarei em seguida três exemplos ocorridos neste ano.
O primeiro vem de Henrique Raposo. O investigador em política internacional e cronista do Expresso escreveu um livro, «Um Mundo sem Europeus», cujo primeiro capítulo «é uma crítica ao conceito de "Guerra ao Terror" e uma desvalorização (estratégica) do 11 de Setembro: "o 11 de Setembro não mudou o mundo". Obrigado, Barack.» Pelo que lhe enviei uma mensagem em que lhe pergunto «você acredita mesmo que “o 11 de Setembro não mudou o Mundo” e... agradece a Barack Obama?! Você não tem acompanhado o que tem acontecido nos EUA em especial nos últimos dois anos, pois não?» Foi enviada a 28 de Maio e até hoje não obtive resposta.
O segundo exemplo vem de Manuel Halpern. A «crítica», publicada no Jornal de Letras, Artes e Ideias, que o auto-intitulado «homem do leme» fez do filme «The Blind Side» (que proporcionou um Óscar de melhor actriz a Sandra Bullock) levou-me a enviar-lhe uma mensagem: «(...) Você parece não se aperceber de como é ridículo acusar um filme de significar um... “retrocesso civilizacional” (!!) por abordar uma história (verdadeira) de altruísmo! Mas, lá está, como é “branco, republicano e cristão”, só pode ser “reaccionário”, e logo, condenável, censurável. Do que se deduz, do seu “pensamento”, que mais valia ter aquela família branca, republicana e cristã (que “horror”!) não se ter interessado por aquele jovem, não o ter ajudado, para assim ele poder ter, muito provavelmente, uma vida infeliz e miserável e uma morte prematura e violenta. Aí sim, seria uma história “edificante”, exemplar, nada “reaccionária”! (...) Não, “antes de tudo o resto” ele é alguém que precisa(va) de ajuda, e não interessa(va) a côr da pele dele nem a côr da pele dos que o ajudaram. Acha que ele só podia, devia, ser ajudado por uma família negra? Ou por uma família branca apenas se fosse democrata e não cristã?» Foi enviada a 1 de Abril e até hoje não obtive resposta (provavelmente pensou que era mentira).
O terceiro exemplo vem de João Lopes. No blog Sound & Vision que partilha com Nuno Galopim, também jornalista do Diário de Notícias, aquele conhecido crítico de cinema e de televisão escreveu que «basta seguirmos as divertidas análises de Jon Stewart (The Daily Show) para compreendermos o funcionamento da Fox News no interior do espaço televisivo dos EUA.» Pelo que lhe enviei uma mensagem em que me permito «traduzir» aquela afirmação: «para analisar um determinado canal de televisão não é preciso vê-lo; basta ver as paródias – assentes na deturpação, caricatura e descontextualização – feitas por um programa de comédia, que é declaradamente (ao nível político-partidário, ideológico, cultural) hostil ao referido canal.» E continuei: «O João Lopes nunca viu, ou vê, a Fox News, pois não? Pois então, antes de emitir as suas opiniões, aconselho-o a vê-la... e a não seguir exclusivamente as “análises” do humorista Jon Stewart. E, ao fim de algum tempo a ver este canal, chegará à conclusão – incontestável – de que a Fox News não “demoniza” “tudo aquilo que, com maior ou menor justificação, possa ser apresentado como efeito da administração de Barack Obama.” O que ela faz é revelar, divulgar os – muitos e verdadeiros! – factos negativos, desfavoráveis, sobre BHO e a sua administração, que praticamente todas as outras estações e grandes jornais ditos “de referência” omitem ou distorcem... porque são todos, em maior ou menor grau, afectos ao Partido Democrata. E esses órgãos de comunicação social estão todos, ou quase, com graves problemas financeiros ou em pré-falência – devido exactamente à sua parcialidade e pouca fiabilidade. Ao mesmo tempo, a Fox News vê as suas audiências e receitas aumentarem (e muito), e já existem até estudos (feitos por instituições não afectas ao Partido Republicano) que a colocam como a organização noticiosa mais credível junto dos americanos. (...) Jon Stewart pode proporcionar muito riso mas não necessariamente muito siso. » Foi enviada a 8 de Fevereiro e até hoje não obtive resposta; no entanto, é de notar que, desde então, e pelo que tenho observado, João Lopes não voltou a pronunciar-se sobre a política e os media nos Estados Unidos; talvez tenha passado a ver, e sem «intermediários», a Fox News!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Inversão de marcha

E é também assim que uma democracia pode transformar-se, quase sem se dar por isso, numa ditadura: nos Estados Unidos da América um juíz federal decidiu que é inconstitucional a denominada «Proposition 8», uma medida aprovada no ano passado em referendo na Califórnia que proíbe os chamados «casamentos entre pessoas do mesmo sexo». Ou, por outras palavras, a vontade de uma pessoa valeu mais – por enquanto... – do que a vontade de sete milhões.
O que praticamente quase ninguém deste lado do Atlântico deve saber é que o juíz (ir)responsável por esta «inversão», Vaughn Walker, é homossexual! Só quem seja muito ingénuo é que acreditará que não houve qualquer influência dessa circunstância nesta decisão. É isto que a «seita do arco-íris» toma por uma «grande victória»? Algo obtido por alguém com o poder de decidir, literalmente, em causa própria?
Sejamos claros: os «homossexualistas» – isto é, os activistas da homossexualidade, aqueles que fazem da sua privacidade uma questão pública e ideológica – não constituem uma minoria discriminada que carece de direitos básicos mas sim um grupo supremacista que exige privilégios exorbitantes, e que não hesitam em ameaçar e (tentar) prejudicar quem se lhes opõe. Nos EUA a sua influência é cada vez maior e, politicamente, é o Partido Democrata o mais susceptível às suas pressões. Barack Obama pode ser a favor do «casamento tradicional» mas isso não impediu que ele e a sua administração tomassem decisões ou permitissem acções que vão no sentido de aumentar o poder dos LGBT’s. Como, por exemplo, as que possibilitam que se questione... o «casamento tradicional» - o Sr. Hussein até já fez promessas nesse sentido à «comunidade rosa» na Casa Branca. Ou que atribuem lugares governamentais a personagens tão sinistras como Kevin Jennings ou Chai Feldblum, que considera que o «sexo gay é moralmente bom». Ou que «abrem a porta» (do «armário»?) às chantagens dos militares queer que querem a abolição da lei «Don’t Ask, Don’t Tell». Aliás, foi um deles quem deu à WikiLeaks milhares de documentos confidenciais.
É no ensino que ocorrem igualmente situações inquietantes: um professor queixou-se de ser discriminado por ser... heterossexual; uma professora foi mesmo despedida por não dar como facto que a homossexualidade é hereditária. Pergunta Andrew Klavan: «o que vamos fazer com essa gente gay?» Resposta: porque não levá-la ao novo bar de Greg Gutfeld?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A mais «silly» desta «season»

Mal poderia eu adivinhar (bem, dados os antecedentes, até poderia, ou deveria, adivinhar...) que, logo após ter inserido a anterior entrada no Obamatório sobre a «Silly Season» da política norte-americana, ocorreria a acção, ou a afirmação, mais «silly» desta «season»: Barack Obama a manifestar o seu apoio à construção de uma mesquita perto do «Ground Zero» de Nova Iorque... e perante uma audiência de muçulmanos a celebrar o início do Ramadão!
Esta atitude é «silly» a vários níveis. Primeiro, porque, mais uma vez, o presidente vai contra a opinião da maioria dos americanos, como na «reforma» do sistema de saúde e na lei de imigração do Arizona. Segundo, porque, apercebendo-se ele (ou algum dos seus conselheiros) da extemporaneidade (para utilizar em eufemismo) daquela declaração, tentou depois fazer um «controlo de danos», desmentido e/ou esclarecendo e/ou corrigindo o que dissera... o que só veio agravar a situação. Terceiro, veio dificultar ainda mais as campanhas – e diminuir as esperanças – do Partido Democrata e dos seus candidatos para as próximas eleições de Novembro. Para se ter a certeza do quão grande foi este erro, registe-se que até Harry Reid discorda de Obama!
Convém clarificar de uma vez por todas: os que se opõem à construção do «centro comunitário» designado por «Cordoba House» - que, segundo Nancy Pelosi, deveriam ser investigados (!) – não põem em causa a legalidade da intenção mas sim a sua sensatez... ou falta dela: é, incontestavelmente, um desrespeito pela memória dos que morreram a 11 de Setembro de 2001 e pelos sentimentos dos seus familiares e amigos. Não se está a dizer «não construam»; está-se, sim, a dizer «construam em outro sítio». Compare-se: em muitos países islâmicos não se pode construir templos de outras confissões religiosas, ao contrário do que acontece em nações ocidentais como os EUA... ou será que já nem tanto? É que, em contraste com a rapidez com que foi dada a autorização para erguer a mesquita, a igreja que existia perto do World Trade Center não deverá ser reerguida.
Porquê ser tolerante com aqueles que não são tolerantes? Sim, há quem queira implantar a Sharia nos Estados Unidos, e entre esses está Feisal Abdul Rauf, um dos cabecilhas do projecto em Nova Iorque, apoiante do Hamas e do Hezbollah, que disse que a América tinha parte da culpa pelo 9-11... mas que faz viagens pagas pelo Departamento de Estado! Entretanto, outro efeito perverso desta discussão é, espantosamente, a desvalorização – delirante - que alguns fazem do que aconteceu há nove anos: no Daily Kos escreveu-se que os ataques foram «mais uma questão de óptica»; na Time escreveu-se que o «Islão radical pode já não existir». Mas, lá está, os «intolerantes» são sempre os mesmos... os brancos e cristãos. Que também devem estranhar que, numa escola do Michigan, os treinos de futebol americano se façam de madrugada por causa do Ramadão.
Enfim, a contínua «compreensão» do Sr. Hussein pelos direitos dos muçulmanos (não fala tanto em deveres) pode estar a ter custos algo inesperados. Numa recente iniciativa de angariação de fundos em Los Angeles – que causou um enorme engarrafamento na cidade – foi notada a ausência de Barbra Streisand e de Jeffrey Katzenberg. Será que para alguns judeus, mesmo que liberais, certas coisas começam a ser demais?

domingo, 15 de agosto de 2010

«Silly Season»

Para certas individualidades da política dos EUA a «Silly Season» dura todo o ano: não é só no Verão que dizem e fazem asneiras com diferentes graus de imbecilidade e de irresponsabilidade. Porém, e seguindo a «tradição estival», vejamos que casos parecem ter sido, ou ainda estar a ser, «condicionados» pelo calor...
... E pode-se começar pela visita de férias que Michelle Obama fez a Espanha, juntamente com a filha mais nova e uma comitiva de dezenas de pessoas – uma deslocação que, pelos seus custos, foi muito mal vista num momento de dificuldades económicas no país, e criticada até por democratas. Houve quem falasse em «Antigo Regime» e «Maria Antonieta».
As opiniões não seriam tão negativas se as «Obamanomics» não tivessem falhado.. mas falharam, e isso pode provocar um «ataque de pânico democrata». No entanto, há quem continue a acreditar em «histórias da Carochinha», como o presidente da confederação sindical AFL-CIO, Richard Trumka, que afirma que os Estados Unidos não têm uma crise de défice! Ele deveria ouvir Erskine Bowles, outro apoiante de Barack Obama e por este nomeado co-líder de uma comissão formada para «examinar a dívida», a dizer que a nação irá à bancarrota se não for restaurada a «sanidade fiscal». Steny Hoyer deve ter ouvido Bowles mas não o percebeu, porque se referiu ao fim dos cortes nos impostos decididos por George W. Bush – porque, pura e simplesmente, não foram prorrogados por Obama – como um «aumento republicano dos impostos»! É mais uma variante da já famosa – ridiculamente famosa – estratégia «Blame Bush!», que, aliás, também o actual presidente continua a seguir.
Onde parece igualmente não existir qualquer sanidade... mental é em determinados sectores da esquerda norte-americana, cujas acções acabam, na prática, por prejudicar os afegãos e auxiliar a Al-Qaeda. E isto quando não estão entretidos a desejar a morte de Sarah Palin.
E que mais se pode dizer de Harry Reid, «decano dos palhaços» da política norte-americana, «a man for all silly seasons»? Ouçam-no a dizer que não sabe como é que algum hispânico pode ser republicano (!!), e melhor se compreenderá porque é que: uma mulher que morreu pediu, como um dos seus últimos desejos, que não votassem nele; e o seu próprio filho não usa o apelido na campanha eleitoral!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A excepção e a regra

Muito barulho se fez na lamestream media dos EUA – e, significativamente, até na RTP, através do sempre «fiel» Victor Gonçalves – com um caso que, supostamente, seria a demonstração definitiva da «malevolência» da Fox News em geral e de Bill O’Reilly em particular: o das alegadas afirmações racistas de Shirley Sherrod que afinal, foram descontextualizadas. O próprio O’Reilly não teve qualquer problema em assumir o erro e em explicar a situação, as suas causas e consequências (ver aqui, aqui e aqui), embora deixando bem evidente que a senhora em questão não é, ou não tem sido, propriamente um bom exemplo no que respeita a um comportamento irrepreensível. Porém, o que importa salientar é que esta é uma excepção a uma regra composta por (muitas) dezenas de notícias verídicas e incontestáveis – e (muito) desfavoráveis a Barack Obama e/ou ao Partido Democrata e/ou aos seus apoiantes – que outros canais e jornais omitem ou deturpam... e que, claro, lá em Washington, «correspondentes estrangeiros» como o «Vitinho» também não dão para cá. Mas, como sempre, as audiências demonstram quem tem razão e quem está a fazer o melhor trabalho.

sábado, 7 de agosto de 2010

Outra «tripla» de Andrew Klavan

Andrew Klavan, acutilante e hilariante comentador conservador (para além de autor de nomeada), é merecidamente uma presença assídua neste blog. Pelo que se justifica ter aqui – menos de um ano depois da primeira – uma segunda «tripla» de intervenções suas, que têm desta vez em comum a análise de determinados... «distúrbios mentais» típicos do que estão à esquerda: no que os liberais acreditam; as respostas do New York Times; o embaraço democrata.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O «evangelho» segundo Matthews

A NBC em geral, e, dentro desta, a MSNBC em particular, são, já se sabe, autênticos «viveiros» de excêntricos esquerdistas sempre disponíveis para omitir e/ou distorcer informações e opiniões. Já aqui se referiu o pior deles: Keith Olbermann. Agora é a vez de se falar do segundo pior, que é...
... Chris Matthews, que se tornou verdadeiramente conhecido – e até terá entrado no anedotário intemporal político-comunicacional dos EUA – quando disse que um discurso de Barack Obama lhe provocara um «arrepio que lhe subia pela perna». Depois desta, outras asneiras se têm sucedido a um ritmo mais ou menos regular: designou a Academia Militar de West Point como o «campo inimigo»; afirmou que o GOP é um partido que parece uma «assembleia norte-coreana» e que é «tacanho, pequeno, maldoso e que nada faz»; fingiu que não ouviu Dan Rather comparar BHO a um «vendedor de melancias»; durante o discurso do Estado da União «esqueceu-se» de que o actual presidente é negro; exigiu que Dick Cheney fosse posto «debaixo das luzes e sob juramento» por causa da «culpa» do anterior vice-presidente no... derrame de petróleo no Golfo do México(!); chamou a um representante do Arizona um «artista de m***a»; e não duvida de que «na Fox não existiu debate» sobre a «reforma» do sistema de saúde, ao contrário do que aconteceu na «sua» MSNBC e também na CNN...
A acrimónia de Chris Mathews em relação ao canal que é o seu maior concorrente no cabo foi igualmente evidente no «tratamento» (deturpado, obviamente) que deu a uma entrevista feita por Brett Baier ao Sr. Hussein. Greg Gutfeld tem razão: há ali muita inveja por parte de uma «caricatura» que tem menos audiência do que o Cartoon Network.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As «vantagens» do «ObamaCare»

Mais ou menos quatro meses já se passaram desde a aprovação do «ObamaCare», ou seja, da «reforma» do sistema de saúde preconizada pelo actual presidente dos EUA e pelo Partido Democrata. O que já deverá ser tempo suficiente para passar em revista algumas das «vantagens» relativas àquela iniciativa e que entretanto foram conhecidas. Joe Biden referiu-se-lhe, aliás, como «a big f**k**g deal», e com razão: com este «negócio» a maioria dos norte-americanos est(ar)ão grandemente «f*d*d*s».
Senão, vejamos: previu-se o tratamento e reabilitação de abusadores sexuais de crianças que sejam... índios americanos; permite-se que não sejam abrangidos pela lei... os muçulmanos; pagamento, com fundos federais, de Viagra e outros medicamentos semelhantes, a... violadores; prolongaram-se por semanas (e continuam...) a confusão, as dúvidas e as perguntas sobre as consequências da lei – o que até nem surpreende, já que até Nancy Pelosi disse que era preciso, primeiro, aprová-la, e, depois, descobrir o que lá estava; prémios de seguros vão continuar a aumentar, e em especial para os indivíduos; provisões vão aumentar os custos, e não diminuí-los, nos próximos dez anos – o que é demonstrado num relatório que, concluído antes da votação, foi ocultado pela Casa Branca e só revelado um mês depois; proporcionou-se a ascensão a uma posição importante (responsável pelos programas Medicare e Medicaid) de Donald Berwick, que defende declaradamente a redistribuição de riqueza através do sistema de saúde.
Em resumo, palavras vazias e promessas (positivas) não cumpridas, nada mais do que «falar porcaria»... outra vez. Conversa fiada que não fica de graça, além de não ter graça. E contra a qual o povo do Missouri já se manifestou.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Racistas «bons», racistas «maus»

O falecimento, a 28 de Junho último, do senador Robert Byrd permitiu que se constatasse mais uma vez – como se tal fosse necessário! – a diferença de tratamento que se recebe, em determinada comunicação social dos EUA, por se ser ou democrata ou republicano.
Concretamente, o New York Times qualificou o veterano político como «voz respeitada do Senado»... mas, em 2003, aquando da morte de Strom Thurmond, este foi qualificado pelo mesmo jornal como «inimigo da integração» (racial). Qual é a questão? É que ambos foram inimigos da integração, segregacionistas, mas Byrd era – sempre foi – democrata e Thurmond era republicano... desde 1964 (antes também foi democrata). Mais importante, e chocante: Byrd pertenceu ao Ku Klux Klan, Thurmond não. Ambos viriam, na viragem da década de 60 para a de 70, a mudar as suas opiniões sobre o assunto. Porém, só o primeiro pareceu merecer uma «desculpa» pelo seu passado racista, «justificado» tanto por Barack Obama como por Bill Clinton.
Há, portanto, racistas «bons» e racistas «maus». Robert Byrd era «bom», Strom Thurmond era «mau». Jeremiah Wright, que foi pastor do actual presidente durante 20 anos, que sempre vituperou os brancos em geral e os judeus em particular, que continua a denegrir os Estados Unidos a qualquer oportunidade, é um «racista bom». Os membros das Tea Parties e os políticos do Arizona autores da nova lei de imigração daquele Estado, todos, nos dois casos, sem preocupações de raça ou de etnia nas suas acções, são «racistas maus». No entanto, é a terra de John McCain que vai ser alvo de um processo em tribunal por parte do Departamento de Justiça, muito provavelmente por calculismos eleitorais que podem revelar-se errados, e não o «Novo Partido Pantera Negra» - sem dúvida por estes serem «racistas bons».
Este grupelho extremista tem estado no centro de uma controvérsia – ignorada, inevitavelmente, por quase toda a lamestream media – por, nas eleições presidenciais de 2008, ter promovido acções de intimidação de votantes brancos em alguns locais – admitidas, aliás, pelos «panteras»! A acrescentar – e a agravar – a isso, sabe-se agora que defenderam Saddam Hussein e elogiaram Osama Bin Laden, apelaram ao armamento contra a polícia e os membros das Tea Parties, e advogaram o assassinato de brancos (incluindo crianças)! Será também isto aquilo a que Michelle Obama designa como «aumento de intensidade»?
Não é pois de admirar que o NPPN tenha agradecido a Eric Holder por não os acusar e levá-los a julgamento! Decisão que, segundo um ex-elemento do DdJ, tem como fundamento um preconceito racial. Na verdade, é mais do que isso: é uma regra de preferência racial. O que é muito, muito grave, e deveria ter consequências. E Bill O’Reilly admite que já não considera Janet Reno como o/a pior detentor/a do cargo de procurador-geral!
Entretanto, Mel Gibson (racista «mau») está novamente em apuros, desta vez por ter proferido a palavra «nigger» numa discussão doméstica; mas será que ele ainda não aprendeu que só os cantores de rap (racistas «bons») a podem utilizar, e que só os políticos e entertainers de esquerda (idem) estão acima das críticas? E a NAACP, uma organização fundamentalmente... racista («boa»), aprova uma resolução condenando o movimento das Tea Parties como sendo... racista («má»). Ah, as ironias...