sábado, 29 de janeiro de 2011

Perdendo o futuro?

Ao contrário do que disseram os admiradores habituais ou ocasionais, o discurso do «Estado da União» proferido por Barack Obama no passado dia 25 de Janeiro perante o Congresso não foi propriamente animador, consistente, inspirador... nem original. Muito menos irrepreensível.
As incongruências começaram logo no «lema» (da campanha de reeleição em 2012?) que constituiu como que o tema ou o título «oficioso» do discurso: «Winning the Future», ou seja, «Ganhando o Futuro». Porém, esse é também o título de um livro de Newt Gingrich editado em 2005; a expressão também foi usada várias vezes por Michael Steele; e há (também com extensões «.org» e «.net») um sítio «winthefuture.com» que é propriedade de um... republicano. No entanto, as imitações não se limitaram ao título: para Alvin Felzenberg – que demonstra a sua asserção com vários exemplos – as citações copiadas de outros discursos presidenciais (isto é, de outros presidentes) foram tantas que se pode falar em plágio. Na Bloomberg, Calvin Woodward encontrou bastantes factos a requererem confirmação... ou desmentido. Kevin McCullough fez uma lista dos «momentos mais marcantes», do mais surpreendente ao mais ridículo. Sarah Palin, por sua vez, achou que houve muitos «momentos WTF» no discurso...
... E os menores desses momentos não terão sido, de certeza, as referências feitas pelo presidente à necessidade de «investir» - na verdade, «gastar» (dinheiro por parte do Estado) – como forma preferencial e prioritária de... «ganhar o futuro». Ann Coulter e Bill O’Reilly chamaram, e muito bem, a atenção para este eufemismo perigoso... e dispendioso. Barack Obama continua a acreditar que é ao Governo que cabe liderar a «competitividade» da nação... e endividar-se ainda mais para suportar os custos, por exemplo: do comboio de alta velocidade... melhor que o avião porque dispensa os «apalpões» proporcionados pelos funcionários da TSA; das «energias limpas»... das quais o seu secretário para o sector, Steven Chu, parece estar precisado, já que, de tão cansado (ou entediado?) adormeceu durante o discurso! Enfim, entre lá e cá, e como já se viu, há obsessões em comum.
Todavia, o momento mais «memorável» do discurso foi sem dúvida o «momento Sputnik». Tratou-se talvez de uma analogia infeliz por parte de alguém que «reorientou» a NASA, não para (voltar a) viajar até à Lua mas sim para «viajar» até aos muçulmanos. Contudo, o seu significado e o seu alcance foram claramente perceptíveis: os EUA arriscam-se a perder a sua supremacia global porque há países que estão a emergir, e a assumir-se, enquanto (novas) superpotências... nomeadamente, e obviamente, a China. Contudo, e a avaliar pela «recepção» dada a Hu Jintao na semana passada durante a visita oficial que ele fez à «capital do imperialismo», é de duvidar que a actual atitude da administração norte-americana seja a mais correcta. Houve mesmo quem declarasse que o «tigre chinês» comeu a «pomba americana» ao almoço. Continuando na comida, Donald Trump não duvida de que (normalmente) «não se dá jantares ao inimigo»; e este também não deve(ria) ser elogiado durante o discurso do Estado da União. Mas foi o que Obama fez. Mais: a Casa Branca enalteceu o facto de uma das filhas dele ter falado mandarim com Jintao (para praticar o que aprende na escola), e desvalorizou o facto de o pianista Lang Lang ter tocado, no tal jantar, uma música que é utilizada há décadas como uma peça de propaganda anti-americana – no que pode ser entendido como uma provocação, e um insulto, ao «anfitrião». Estará a presidência dos EUA «daltónica» em relação à «marca amarela»?
Em conclusão, e como sugere Greg Gutfeld, este discurso terá servido principalmente para Barack Obama se convencer de que a América é, apesar de tudo, «grande». Já a respectiva audiência televisiva não foi... grande coisa: menos espectadores do que no ano passado. Estarão eles perdendo tempo... e o futuro?

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

À saúde deles

Também porque (previsivelmente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto mais importante da política norte-americana em 2011... até agora, ocorrido na semana passada, mais concretamente a 19 de Janeiro: a rejeição, na Casa dos Representantes, com 245 votos a favor e 189 contra, do «Patient Protection and Affordable Care Act», mais conhecido como... «ObamaCare».
Esta decisão, tomada na câmara baixa (a mais importante) do Congresso norte-americano, que recentemente abriu a sua 112ª legislatura, representa o cumprimento da (mais importante) promessa do Partido Republicano, que passou a ser maioritário na «House» após as eleições de 2 de Novembro último, e reverte assim, em parte, a votação feita no mesmo local há pouco menos de um ano. Este acto do GOP tem também muito de simbólico, porque, para ser completa, a rejeição do «ObamaCare» necessitaria igualmente de ser confirmada no Senado... o que não deverá acontecer, porque naquele os democratas estão (ainda...) em maioria, embora alguns «azuis» pudessem, provavelmente, votar ao lado dos «vermelhos» - aliás, a questão está em saber se Harry Reid permitirá ou não que haja uma votação... Enfim, e na hipótese remota de todo o Congresso reprovar a «reforma» do sistema de saúde, a rejeição nunca se concretizaria porque Barack Obama utilizaria, logicamente, o seu poder de veto.
Porém, é de assinalar, e de louvar, que existam políticos, respeitando os compromissos assumidos perante os seus eleitores, dispostos a exercerem as suas prerrogativas até ao limite, mesmo que não alcancem, à partida e para já, resultados concretos. Fica o benefício, e o registo, da coerência e da persistência. Que contraste, por exemplo, com o presidente da república de um certo país do Sul da Europa que, calculisticamente e cobardemente, opta por não vetar uma lei iníqua (outras houve...) com a qual não concorda(va) - assim como a maioria da população desse país – porque esse veto seria anulado pelo parlamento.
Nos EUA e no caso do «ObamaCare» não há qualquer dúvida: aquele que tem sido apresentado como o grande feito... até agora do mandato de Barack Obama é, foi e continua a ser rejeitado pela maioria da população. Tanto que, precisamente, constituiu o principal factor na vitória dos republicanos; tanto que, actualmente, 26 Estados já entraram com um processo em tribunal. O que é compreensível, porque na «reforma» imposta pelos democratas abundam os aspectos dúbios ou mesmo degradantes. Fundamentalmente, os norte-americanos não querem ser obrigados a comprar seguros de saúde... se não quiserem; não gostam que se «nacionalize», ou se «federalize», o equivalente a um sexto da economia do país; e não aceitam que, para colmatar as (inegáveis) carências de uma pequena minoria, o Estado se intrometa nas opções de uma grande maioria.
O Partido Republicano poderá, e deverá, (tentar) desmantelar o «ObamaCare» pacientemente, peça a peça, e/ou concentrar os seus esforços na eliminação das medidas mais controversas e prejudiciais. E terá de resistir ao inevitável coro de críticas por parte dos «esquerdistas progressistas». Com efeito, e a julgar pelas comparações... com nazis (!), o alegado «novo tom de civilidade» na política «pós-Tucson» terá acabado ainda antes de ter começado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ano Três

O Obamatório celebra hoje o seu segundo aniversário e entra, assim, no seu terceiro ano de existência. Começou as suas «emissões», deliberadamente, no mesmo dia da tomada de posse de Barack Obama. Aliás, 20 de Janeiro costuma ser a data da tomada de posse dos presidentes dos Estados Unidos da América, e hoje algumas efemérides especiais são também assinaladas: os 50 anos de John Kennedy; os 30 de Ronald Reagan; e os 10 de George W. Bush.
E porque, precisamente, passam igualmente dois anos desde que o Nº 43 deixou a presidência dos EUA, justifica-se a referência a (e a recordação de) algumas das entrevistas que o anterior ocupante da Casa Branca concedeu recentemente, também como promoção do seu livro «Decision Points»: a Bill O’Reilly (partes um e dois); a Sean Hannity (partes um, dois, três e quatro); a Jay Leno; e a Mark Zuckerberg – sim, o fundador do Facebook!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Crimes e castigos

Também porque (surpreendentemente?) outros não o fizeram, o Obamatório assinala o facto de Tom DeLay, republicano, ex-congressista pelo Texas e ex-líder de maioria na Casa dos Representantes, ter sido condenado, na semana passada, a três anos de prisão por lavagem de dinheiro. Se, como tudo leva a crer, o julgamento foi justo e as acusações comprovadas, a decisão é de apoiar e de aplaudir inequivocamente.
Agora, permitam que se apresente... James Traficant. Sim, raramente um apelido terá sido tão bem adequado à pessoa que o tem: este ex-congressista democrata pelo Ohio foi condenado em 2002 não a um, não a dois, não a três, não a quatro, não a cinco, não a seis, mas a sete (!!) anos de prisão por suborno e extorsão. E cumpriu a pena na sua totalidade... porque «traficância(s)» era com ele!
Entretanto, outras oportunidades poderão em breve apresentar-se para demonstrar que, no partido do burro, outros há que «try harder» e «do it better», mesmo que seja à margem da lei e atrás das grades. Para começar, convém acompanhar as próximas «aventuras judiciais» de... Rod Blagojevich.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A hora das hienas

Aparentemente, o sonho dos democratas (de alguns, pelo menos…) tinha acabado de se concretizar em Tucson, no Arizona: «Barack Obama necessita de outra bomba em Oklahoma City para se reconectar
Porém, não muitas horas depois do atentado do passado sábado, de que resultaram seis mortos e 13 feridos, entre estes a congressista democrata Gabrielle Giffords (o principal, verdadeiro, alvo do assassino), descobriu-se que – tal como Timothy McVeighJared Lee Loughner não podia, não devia, ser associado aos conservadores, aos republicanos. Como é que um homem com óbvios distúrbios mentais, que, segundo testemunhas, vigiava a congressista desde 2007 (antes, portanto, da celebrização de Sarah Palin e do Tea Party), que apreciava ler o «Manifesto do Partido Comunista» e ver a bandeira dos Estados Unidos a arder, alguma vez se enquadraria no «perfil» de um «direitista extremista»?
No entanto, à semelhança de hienas, alguns à esquerda – sim, a «sinistra» - não hesitaram, quais necrófagos, em aproveitar-se dos corpos das vítimas para emitirem os seus «ruídos» estranhos... e, até, para (tentar) ganhar algum dinheiro! Quiseram, sem esperar por explicações, por factos, jogar antecipadamente o «jogo da culpa»... e perderam, porque o contexto comunicacional, nos EUA e não só, já não é, felizmente, o mesmo de há 10 ou 20 anos. O «rasto» (digital) das suas asneiras, dos seus erros, dos seus insultos, ofensas e ultrajes é muito grande e não se apaga(rá) assim tão facilmente. E esta é uma situação extrema em que não se deve ficar calado e, pelo contrário, se impõe confrontar os caluniadores até no seu «campo». Incluindo em Portugal, onde uma «Senhora Dona Palmira» que pouco tem de docente (e de decente) não está habituada a que ponham em causa, de uma forma efectiva e firme, as suas insuficiências informativas e intelectuais (sobre isto, ver aqui também todos os comentários).
Entretanto, bastaria apenas recordar um caso, um exemplo (entre vários) recente e relevante para comparar, e demonstrar – pela «enésima» vez – como a dualidade de critérios, por mais revoltante e repugnante que seja, é para essas «hienas» uma actividade habitual: James Jay Lee, eco-terrorista armado que no ano passado invadiu, fazendo reféns, o edifício do Discovery Channel exigindo deste mais programas contra a «procriação humana»… e que terá «despertado» para a sua «causa» depois de ver o filme «Uma Verdade Inconveniente». Porque é que aqueles que agora «culpam» Sarah Palin não «culparam» então Al Gore, apesar de Jay Lee ter mencionado o ex-vice presidente e Lee Loughner não ter mencionado a ex-governadora?
Pode-se também recordar, mais uma vez, o massacre de Fort Hood, em relação ao qual muitos à esquerda, a começar por Barack Obama, avisaram para «não se saltar para conclusões»... apesar de, quase de imediato, ter ficado confirmado que Nidal Malik Hasan gritou «Alá é grande!» enquanto disparava e matava 13 pessoas, e que, antes, expressara críticas à presença norte-americana no Afeganistão e no Iraque e que tivera contactos com grupos islâmicos radicais. Então a Al-Qaeda merece o «benefício da dúvida» e o Tea Party não? Já agora, porque não apontar.. o dedo a Joe Manchin?
Sim, é bonito falar em conciliação, e é útil e urgente chegar-se a um consenso sobre a conveniência de diminuir a violência verbal e a conflitualidade na política... desde que, obviamente, tal não se traduza em censura ou em quaisquer restrições à liberdade de expressão, como alguns no Partido Democrata parecem querer concretizar. Mas que não restem dúvidas de que, neste aspecto, os dois lados não são «igualmente culpados»: a esquerda tem um «cadastro» indubitavelmente maior. E, lamentavelmente, tem sido frequentemente o próprio presidente a dar o – mau – exemplo. Só mesmo quem tenha a memória (muito) curta é que se pode deslumbrar por discursos apaziguadores ditos por quem, ainda há pouco tempo, mais apelava à guerra.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A marca amarela

Faz hoje um mês que foi entregue em Oslo o Prémio Nobel da Paz de 2010... ou nem tanto: o galardoado, Liu Xiaobo, activista chinês pelos direitos humanos, não compareceu à cerimónia na capital da Noruega porque continua na prisão por ordem do Partido Comunista da China – aliás, a nenhum representante do dissidente, familiar ou outro, foi permitido fazer a viagem. E é de realçar a confissão do vencedor anterior: «Xiaobo é muito mais merecedor deste prémio do que eu.»
Nem seria preciso que, previsivelmente, Pequim promovesse o boicote da entrega do galardão, ameaçando inclusivamente (e com sucesso em vários casos) outros países com represálias caso se fizessem representar, para se dissiparem quaisquer dúvidas quanto ao – continuado – carácter maligno, perigoso, perverso, do regime dos descendentes de Mao-Tse-Tung. Que chega ao cúmulo de prender, condenar e enviar para um «campo de trabalho», sob a acusação de «perturbar a estabilidade social», uma mulher por escrever comentários (irónicos) no Twitter. Que persiste em desafiar o Vaticano ao ordenar «bispos católicos» que não são reconhecidos pela Santa Sé. Que, enfim, constitui uma ameaça, imensa e inquestionável, a todo o Mundo pela sua combinação letal de capitalismo selvagem e de totalitarismo surrealista, mesmo que «maquilhado». O «Império do Meio» quer voltar a ser... um império. E, enquanto isso, vai deixando uma marca amarela... de insídia por todo o planeta.
Assim, é fundamental saber qual é o posicionamento actual dos Estados Unidos da América em relação à China, para se avaliar até que ponto Washington tem capacidade, e vontade, para contrariar as crescentes ambições hegemónicas de Pequim. Com Barack Obama e a sua administração esse posicionamento é dúbio; vários «sinais» têm sido emitidos, por vezes contraditórios. Por um lado, emitiu aquela mensagem acima referida, sem dúvida louvável e positiva, apesar do habitual narcisismo; por outro, «aliviou» as restrições à venda de material militar aos chineses (que duravam desde 1989 e Tiananmen)... no dia a seguir ao anúncio do Nobel. Entretanto, registe-se: que Ben Bernanke criticou a política monetária de Pequim (de manter o yuan em valores artificialmente baixos); que um relatório da US-China Economic and Security Review Commission (ligada ao Congresso) alerta para a possibilidade real, da qual existem indícios em número cada vez maior, de os chineses quererem, tentarem e conseguirem controlar a Internet.
Porém, estas atitudes e actividades meritórias são como que «sabotadas» pelos (senis) «suspeitos do costume»: George Soros, para quem «a China tem um governo que funciona melhor do que o dos Estados Unidos» (é uma das «vantagens» de um sistema de partido único); e Ted Turner, para quem a política de «um filho» deveria ser estendida à América... e a todo o Mundo. Aliás, não faltam nos EUA simpatizantes do socialismo - e, sim, também militantes, até no Congresso!
E depois, evidentemente, há aquele «pequeno problema» chamado... Coreia do Norte. Uma ditadura anacrónica ao mais puro e duro estilo estalinista-maoísta, que só sobrevive porque a China o quer – por «remorsos», talvez, por se ter «desviado» do caminho apontado no «livro vermelho». Daí que Pequim avise («repreenda») os EUA e a Coreia do Sul por causa de manobras militares conjuntas... enquanto transporta peças de mísseis entre Pyongyang e Teerão!
Em suma: atrás da Grande Muralha refugia-se um regime que, como demonstra (com vários exemplos) Peter R. Huessy, não merece qualquer confiança. Mais: é um «gigante com pés de barro», talvez prestes a «cair do pedestal», como explicam Chriss W. Street - «o milagre económico acabou» - e Peter Schweizer - «a bolha está prestes a rebentar». Esperemos que tal aconteça antes que a «balança global de poder» se desequilibre... a favor do «prato» errado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Oprah Winfrey fez bem...

... Ao responder «não (...), porque eu acredito na inteligência do público americano» a esta pergunta numa entrevista concedida recentemente à revista Parade: «A ideia de Sarah Palin concorrer ao cargo (de Presidente dos Estados Unidos da América) assusta-a?» E fez bem porque mostrou estar em sintonia, mais uma vez, com os seus compatriotas: é que, na sondagem anual realizada pela Gallup para determinar quem são as pessoas – homens e mulheres – mais admiradas pelos norte-americanos, em 2010 a antiga governadora do Alaska aparece em segundo lugar na tabela feminina, atrás de Hillary Clinton.
Curiosamente, este é um resultado que repete o de 2009, mas então a diferença entre ambas era de apenas 1% (16-15). Agora essa diferença aumentou, mas o certo é que ambas aparecem à frente, novamente, de... Oprah Winfrey (e de Michelle Obama)! (Pois é, Oprah, o público americano é tão inteligente que prefere Sarah a ti!) E nunca é demais lembrar que a ex-primeira dama, ex-senadora e actual secretária de Estado já leva 18 anos como figura de primeiro plano no seu país, enquanto que a anterior candidata a vice-presidente conta com apenas dois. Pelo que a famosa apresentadora, notória apoiante de Barack Obama, talvez devesse convidar mais vezes Palin para os seus programas – é que o seu novo canal, OWN (Oprah Winfrey Network), não está a ser um grande sucesso de audiência... 
Entretanto, sempre podemos rir com os «bitaites» de supostos «especialistas» que escrevem que Sarah Palin tem «falta de talento político e intelectual». Sim, nem todos têm o «talento político e intelectual» de Barack Obama, que, entre muitas outras «demonstrações de criatividade», já «acrescentou» sete (pelo menos...) Estados aos EUA, «diversificou» (à sua maneira...) a gama de objectos oferecidos a estadistas estrangeiros, e «inventou» uma nova língua europeia. Enfim, um exemplo de «excelência»!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os «fantasmas» de Natais passados

Não é só na época do Natal, evidentemente, que «fantasmas» do passado podem voltar para nos assombrar. Mas com Barack Obama, com o seu percurso pessoal e político, com a sua presidência, a fábula escrita por Charles Dickens pode constituir, com alguma imaginação, uma alegoria do actual momento dos Estados Unidos da América: é que são muitos os «esqueletos» que teimam em sair dos «armários» do Nº 44.
Nem mesmo a circunstância, insólita, de ainda haver quem compare o Sr. Hussein a Jesus Cristo (!) – como, no ano passado, o jornal dinamarquês Politiken e, este ano, Herb Johnson da AFL-CIO – é suficiente para «esconjurar» algumas «almas penadas» que, sob a forma de afirmações e de acções comprometedoras, persistem em «flutuar» à volta da Casa Branca. E, incrivelmente, vários desses embaraços são provocados, não por opositores e inimigos, mas por admiradores, aliados e até familiares de Barack Obama! Como Louis Farrakhan, que disse que o actual presidente «antes de ser eleito foi seleccionado». Ou Howard Fineman, que disse que Obama vem de «um país de corredores de longa distância». Será esse país o… Quénia, que, segundo a própria Michelle Obama, é o «home country» do marido? E onde vive a avó deste, que reza para que o neto se converta ao Islão? Entretanto, ele expressa a opinião de que ser americano «não é matéria de sangue ou nascimento»… opinião essa que não é partilhada pela maioria dos seus… compatriotas, alguns dos quais questionam a sua cidadania, e estão dispostos até a ir a tribunal por não acreditarem que ele nasceu nos EUA, e, por isso, que ocupa ilegitimamente, e ilegalmente, o cargo de presidente… e de comandante supremo das forças armadas.
Mais tarde, e antes de residir(em) no Nº 1600 da Avenida da Pensilvânia, os pontos de interrogação continuaram a suceder-se. Sobre, por exemplo, e já em Chicago, as carreiras – inexistentes? – de Barack e de Michelle como «advogados» e «professores», e a influência dos «amigos» William Ayers e Bernardine Dohrn, terroristas, anti-semitas, e que, mais recentemente, colaboraram na organização da «armada humanitária» para Gaza que provocou confrontos com militares israelitas; ou a posição… surpreendente do então senador estadual sobre controlo de fronteiras, imigração ilegal e amnistia. Porém, é enquanto candidato presidencial que futuros «espectros» se tornam mais «ameaçadores»: surgem revelações de que ele recebeu elevados donativos da BP e da Goldman Sachs – duas empresas que, posteriormente, a actual administração demonizará como corporizações extremas de capitalismo irresponsável; e, mais perturbador ainda, alegações – por outros democratas! – de que Obama «roubou» a nomeação a Hillary Clinton através de uma série de fraudes, intimidações e outras irregularidades.
Irregularidades parecem também ter-se verificado no – ainda pouco ou nada divulgado por cá - «Caso Pigford», que ameaça tornar-se uma espécie de «Baía dos Porcos» para Barack, e que envolve o pagamento (injustificado ou, pelo menos, exagerado) de indemnizações a «agricultores negros» com base em critérios dúbios, e que podem constituir formas encapotadas de compra de votos (são de ler os relatos feitos por Andrew Breitbart, Dan Riehl, Gary Hewson e Peter Schweizer). Este pode ser entendido como um «fantasma de Natal presente e futuro»… pequeno, no entanto, se comparado com outro, muito, muito maior, e até gigantesco, que deverá aterrorizar (sem aspas) as próximas gerações norte-americanas: o valor da dívida nacional, ao qual Obama adicionou mais sózinho do que todos os seus antecessores em conjunto até Ronald Reagan.
Todavia, o maior «fantasma» para BHO é ainda, e indubitavelmente, o do progenitor: há quem considere que a origem da personalidade, pensamento e comportamento do actual presidente norte-americano está em Barack Obama Sénior, que se destacou enquanto crítico, e opositor, do colonialismo britânico. O que pode explicar porque é que o filho, decidido a tornar realidade os «sonhos do pai», tem, ostensivamente, mostrado constantemente que não aprecia a «Pérfida Albion», pátria de… Ebenezer Scrooge. E onde, actualmente, os radicais islâmicos tudo fazem para impedir que tenhamos um... Feliz Natal!

domingo, 19 de dezembro de 2010

«Troféus» de caça

Não é novidade que, para a «esquerda» norte-americana (e não só), qualquer coisa que Sarah Palin diga ou faça é, (quase) invariavelmente, recebida com um coro de críticas, insultos e mentiras. Veja-se, como um exemplo recente, o que se «cuspiu» aquando da visita dela ao Haiti e de uma fotografia tirada lá e em que se vê alguém a arranjar-lhe o cabelo; logo vieram as acusações de frivolidade num cenário de catástrofe… e só depois se aperceberam que a suposta «cabeleireira privativa» era nem mais nem menos do que a filha Bristol…
Antes disso, um outro episódio (literalmente) levou os «progressistas», ou alguns de entre eles, à beira da apoplexia: no programa «Sarah Palin’s Alaska» a ex-governadora é filmada a matar um caribu a tiro de carabina. Previsivelmente, as acusações de crueldade multiplicaram-se, mas dois «acusadores» houve que se destaca(ra)m pela sua verve vitriólica: Aaron Sorkin e Maureen Dowd. O primeiro escreveu que Palin fez um «snuff film» em que «torturou» um animal por gozo, dinheiro e ganho político. Este foi o aspecto mais visado pela segunda, que porém optou por uma imagem mais… simbólica – o «elegante animal» abatido era o… «Obambi» (!!) (alguém comentou que, se a ideia era comparar o Sr. Hussein com uma personagem de Walt Disney, o mais correcto seria chamá-lo «Odumbo»… por causa das orelhas). Reconheça-se, no entanto, que a colunista do New York Times é bem mais comedida que o criador da série televisiva «The West Wing» - aliás, os dois já namoraram mas é mais do que evidente que ele não beneficiou da influência de Dowd; e, apesar de, quase de certeza, Sarah nunca o ter ofendido ou mesmo referenciado pessoalmente, Sorkin não hesitou em «mimoseá-la» com epítetos – que me escuso de traduzir – como «shithead», «phony pioneer girl», «Cruella» (mais uma vez, a «conexão Disney»), «witless bully» e «deranged».
Como muitos saberão (e, se não sabem, facilmente compreenderão), Sarah Palin e a sua família caçam e pescam regularmente há muitos anos, e fazem-no também como forma de obtenção de alimentos – eles, de facto, comem aquilo que apanham. Todavia, é caso para perguntar onde é que Aaron Sorkin e Maureen Dowd estavam em Outubro de 2004 quando John Kerry, então na fase final da campanha para a presidência dos EUA (que perderia para George W. Bush), decidiu ir caçar (gansos) – uma actividade que, de facto, ele não pratica(va), e a que apenas se predispôs como táctica eleitoral para (tentar) diminuir a influência da NRA, contrária à sua candidatura. Será este mais um caso de dualidade de critérios e de hipocrisia? Que ideia! E como seria interessante se Sorkin e Dowd soubessem quem é Manuel Alegre e pudessem dar a sua opinião sobre alguém que continuamente debita os mais ridículos clichés esquerdistas, mas que, ao mesmo tempo, é um adepto da caça, da tourada e a quem a adopção de crianças por «casais gay» causa «engulhos».
Enfim, temos que ser «compreensivos» com Aaron Sorkin: está-se a entrar na «awards season» e ele, «coitado», enquanto argumentista de «The Social Network», filme realizado por David Fincher, está sob enorme pressão; e o melhor modo de convencer os seus pares de Hollywood a darem-lhe prémios é, mais do que convencê-los da qualidade do seu trabalho, lançar ofensas «espirituosas» e gratuitas contra figuras públicas e políticas conservadoras (muitos outros o fizeram e fazem); e é tudo tão mais complicado quando se é um drogado «em remissão» - como ele próprio diz, «a coisa mais difícil que faço a cada dia é não (voltar a) tomar cocaína». Quanto a Maureen Dowd, o seu problema é diferente: (tentar) ser minimamente original para não voltar a ser acusada de plagiar textos de outros.
«Atirar pedras» quando se tem «telhados de vidro» acarreta, na verdade, muitos perigos. Contudo, não se está aqui a afirmar que quase todos os (assumidos) democratas-liberais-progressistas sejam, além de malcriados, também viciados e/ou batoteiros: há ainda os depravados. Como David Epstein, igualmente um notório «palinófobo», que, segundo foi revelado na semana passada, está acusado de ter mantido uma relação sexual incestuosa com a filha, e que, se for condenado em tribunal, poderá passar quatro anos na prisão. É pois aconselhável que nem ele, nem Dowd, nem Sorkin, nem todos os seus «camaradas» - como Ellen PageJoy Behar, Kathy Griffin, Katie Couric, Keith Olbermann e Sandra Bernhard – se aproximem do Alaska, ou ainda se arriscam a terem as suas cabeças expostas como «troféus» nas paredes de uma certa casa em Wasilla: é que Sarah Palin parece ter melhor pontaria do que Dick Cheney.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

«Tê-los» no sítio

Não faltaram «analistas», comentadores e observadores da política norte-americana que afirmaram e escreveram, animados, que o acordo que a administração de Barack Obama estabeleceu com o Partido Republicano – decorrente da vitória deste nas eleições intercalares de Novembro – para o prolongamento dos chamados «cortes de impostos de George W. Bush» seria o regresso à cortesia, até a um consenso institucional, enfim, a um (salutar) bipartidarismo.
Generosidade, ingenuidade… ou ignorância? Quem efectivamente sabe como se processa a dinâmica político-partidária dos EUA sabe também perfeitamente que com o Partido Democrata a civilidade e a sensatez nunca estão garantidas. A começar pelo próprio presidente, para quem, durante as discussões que conduziram ao acordo (de que ele não gosta mas que teve de «engolir»), os republicanos se portaram como «tomadores de reféns» - uma designação, aliás, que vem na sequência de Robert Menendez falar também em «reféns» e que lidar com o GOP é como «negociar com terroristas». Reconheça-se, porém, que Barack Obama apenas está a ser coerente na sua habitual retórica de «bully» - recordem-se recentes afirmações anteriores nas quais os republicanos eram «inimigos» com os quais se iria ter «combates corpo a corpo». Ou seja, estes exemplos «comprovam» a asserção de Joseph Scarborough de que o presidente se portou como um «adulto» ao lidar com o GOP; não há dúvida de que para o «Morning Joe» os seus «camaradas de partido» são pouco mais do que uns «rapazinhos» - afinal, ele desafiou-os a «portarem-se como homens» («man up») perante Sarah Palin.
No entanto, e «infelizmente», nem todos os democratas apreciam a «maturidade» de Barack Obama. Há relatos de uma reunião de «burros» em que a palavra «f*ck» foi bastante usada a respeito do Nº 44 – incluindo «F*ck the president!» e «I don’t know where the f*ck Obama is.» Há que compreender, e «perdoar», a sua frustração, e até desespero, quando duas sondagens recentes indicam que a maioria dos norte-americanos não só pensa que estão pior do que há dois anos mas também - «inacreditável»! – que George W. Bush foi melhor presidente do que o seu sucessor!
A verdade é, pois, que muitos «azuis» já não estão muito convencidos da «virilidade» de Barack Obama. E o «espectáculo» de ele abandonar uma conferência de imprensa e deixar Bill Clinton a responder sozinho às perguntas dos jornalistas – porque Michelle estava à espera dele para a festa de Natal da Casa Branca (!) – não deve ter contribuído muito para os tranquilizar. Então o «Barraca» não consegue «man up» para a mulher? Ao menos, e por o ter ajudado, bem que «Barry» podia e devia ter levado depois um café a Bill… É certo que muitos foram os que o aconselharam a seguir o «modus operandi» de «Bubba» quando este, e o Partido Democrata, perderam as midterms de 1994, mas era preciso exagerar ao ponto de deixar o – anterior - «primeiro presidente negro dos EUA» no comando das operações como se tivesse acabado de regressar à Sala Oval? Caramba, onde é que está Joe Scarborough quando ele é preciso?
Enfim, tudo isto como que dá razão a James Carville, que afirmou, no mês passado, que «se Hillary desse a Obama uma das suas “bolas” ambos passariam a ter duas» - convém lembrar que o «Ragin’ Cajun», natural do Louisiana, ficou furioso com a fraca reacção federal ao derrame de petróleo no Golfo do México. Sim, o Jimmy deve saber qual é a sensação: lá em casa parece ser a sua esposa, (a republicana) Mary Matalin, que «tem» três, ou até os quatro, testículos do casal. Em conclusão: homem ou mulher, é tudo uma questão de «tê-los» no sítio… ou não.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fuga(s) para a derrota

A WikiLeaks já se tornou praticamente tão conhecida como… a Wikipedia. E, tal como esta, também aquela tem pretensões a tornar-se uma «enciclopédia»… só que, neste caso, não para a «ordem» mas sim para o «caos». E Julian Assange não é Jimmy Wales – este, pelo menos, e que se saiba, não tem a «cabeça a prémio».
Neste último ano, e em especial nesta última semana, multiplicaram-se mundialmente as menções às «revelações» que resultaram das «fugas» - os temas, os protagonistas, os segredos, as críticas, as manobras, a coscuvilhice, a má-língua… Porém, é de parecer que as principais, apesar de poucas, questões suscitadas por este caso ainda não foram completa e correctamente articuladas. E é isso que se vai fazer aqui.
Primeira, porque é que só agora a Casa Branca decidiu (aparentemente) encarar a WikiLeaks como uma ameaça, quando aquela só este ano já havia por duas vezes divulgado materiais sensíveis? Poderá ser porque, como as anteriores revelações estavam relacionadas com operações militares no Afeganistão e no Iraque em que alegadamente haviam sido cometidos crimes de guerra, e que haviam ocorrido ainda durante a presidência de George W. Bush, ou que decorreram ainda de instruções da anterior administração, a actual optou por nada fazer, numa nova demonstração – mais arriscada – de «Blame Bush», esperando não ser afectada? Se foi essa a «estratégia», falhou estrondosamente e o «tiro saiu pela culatra», porque o alvo foi agora, exclusivamente, o Departamento de Estado dirigido por Hillary Clinton, e as dezenas de embaixadas que dele dependem. Além disso, é de levar a sério uma eventual «impotência tecnológica» por parte do governo norte-americano em neutralizar o sítio da WikiLeaks quando aquele, através do Departamento de Segurança Doméstica (Homeland Security Department), recentemente (no final de Novembro, na véspera de a WL voltar a «atacar») encerrou «dúzias de domínios», sítios, da Internet por alegada «facilitação de violação de direito de autor»? E, além disso, agora não podem seriamente esperar que as pessoas, incluindo funcionários públicos, não leiam... 
Segunda questão, porque é que, como principal culpado, se refere quase exclusivamente Julian Assange e não Bradley Manning? Afinal, o primeiro mais não foi, é, do que o «receptador» e «distribuidor», com as suas «fugas», da «mercadoria», isto é, das informações, que o segundo roubou. Como já aqui referimos em Agosto, Manning é um homossexual(ista) e essa é uma circunstância determinante – e agravante – neste caso: opositor da política «Don’t Ask, Don’t Tell», o soldado Bradley fez como que um gigantesco «outing» dos segredos diplomáticos e defensivos dos EUA – literalmente, fez «sair do armário» (electrónico) a verdadeira face da política externa, civil e militar, da grande nação. E, tal como Nidal Malik Hasan (este com efeitos mais trágicos), constitui um exemplo flagrante da diminuição do nível de exigência e de vigilância nos métodos de recrutamento das forças armadas norte-americanas.
Terceira questão, deve (porque já se viu que pode) a comunicação social «colaborar» na divulgação das «fugas»? Há quem considere que tal comportamento dos media constitui autêntica cumplicidade… criminal. Aponte-se apenas dois exemplos polémicos: a Time entrevistou Julian Assange, tendo este exigido a demissão de Hillary Clinton (!); o New York Times, ao contrário do que aconteceu com o «Climategate», não viu agora qualquer problema em publicar informações «obtidas ilegalmente» - uma dualidade de critérios lembrada pelo sempre perspicaz Bernard Goldberg. E, afinal, o NYT mais não fez do que «honrar» uma sua «tradição» iniciada com a publicação dos denominados «Papéis do Pentágono» no início da década de 1970.
Enfim, «culpado», com as suas «fugas», de (tentar) contribuir, a prazo, para a descredibilização, e mesmo para a derrota, pelo menos moral, dos EUA, o que mais surpreende não é que Julian Assange ainda esteja em liberdade mas sim que ainda esteja vivo! Será que ainda se vai juntar a Osama Bin Laden em alguma gruta entre o Afeganistão e o Paquistão?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Disto podem «culpar» Bush

«Nenhum Presidente na História (dos Estados Unidos da América) assumiu um tal compromisso contra uma só doença.» Sim, nenhum político mundial alguma vez fez mais – dispendeu tanto dinheiro – pela saúde mundial – neste caso, combatendo a SIDA – do que George W. Bush. Disto podem «culpar» o Nº 43 à vontade, porque é verdade. E Bono sabe isso: vejam, ouçam a entrevista que ele concedeu a Bret Baier… na Biblioteca Bush, em Dallas!

domingo, 28 de novembro de 2010

Boas Festas com Alá

Será que já se pode falar de… tradição? Nos Estados Unidos da América, mais concretamente em Portland, no Oregon, um muçulmano de origem somali chamado Mohamed Osman Mohamud tentou fazer explodir, na passada sexta-feira, uma bomba no meio de uma multidão que assistia ao ligar das luzes da grande árvore de Natal da cidade. Porém, o perigo realmente nunca existiu, porque aqueles que o «candidato a terrorista» pensava serem seus cúmplices eram, afinal, agentes do FBI, que já o vigiavam e que lhe forneceram «explosivos»… falsos que nunca detonariam.
No entanto, o que conta, mais uma vez, é a intenção: o bombista falhado admitiu que já pensava fazer isto desde há quatro anos (quando tinha… 15) e que nem a possibilidade de matar centenas de pessoas, incluindo crianças, o deteve. Por outras palavras, Mohamud – que, quando foi preso, não deixou de gritar «Allahu Akbar!» («Alá é grande!») - acabou por «seguir o exemplo», felizmente, de Umar Farouk Abdulmutallab, que a 25 de Dezembro do ano passado tentou, mas não conseguiu, detonar uma bomba num avião que viajava entre Amesterdão e Detroit. Todavia, entrou na «galeria» que já inclui, entre outros, e além de Abdulmutallab, Faisal Shahzad e Nidal Malik Hasan
… E esta «galeria» demonstra também porque é ridículo e excessivo, além de praticamente inútil, o novo sistema de «radiografar e apalpar» utilizado nos aeroportos norte-americanos. Por obediência ao (falso) igualitarismo «politicamente correcto» e para não parecerem críticos da actual administração norte-americana, os democratas-liberais não hesitam em defender e desculpar métodos que molestam freiras e crianças com menos de dez anos, mas que podem isentar de inspecção mulheres com trajes islâmicos. E isto quando já é mais do que evidente, e há muito tempo, que tipo específico de pessoas pode constituir uma potencial ameaça. E pelo menos uma muçulmana sabe isso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

«Cool, dude!»*

Olhem para eles os dois. Tão contentes que estavam. Ficaram muito bem lado a lado. Como não podia deixar de ser? Afinal, e apesar das diferenças, têm tanto em comum!
A 7 de Novembro de 2008 eu respondia assim a uma mensagem de uma amiga minha que, entusiasmada com a vitória de Barack Obama na eleição presidencial ocorrida três dias antes (e que a fizera «reconciliar-se com a América»), me aconselhava a leitura do livro «Dreams From My Father»: «Não deixarei de incluir – mentalmente – (aquele livro) na mesma categoria em que se encontra também, por exemplo, a biografia do José Sócrates: a categoria de livros de, ou sobre, “políticos demagogos, mentirosos, oportunistas e populistas, que insultam os opositores e intimidam os jornalistas, com passado nebuloso e más companhias, e que, essencialmente, não passam de rufias arrogantes e incompetentes com muita bazófia e a mania das grandezas”.» Em outra mensagem para a mesma destinatária, dois dias depois, escrevi: «És tu e não eu quem tem uma “visão distorcida” do Hussein. Tal como os outros milhões de adoradores do “novo Messias”, não queres que a verdade se sobreponha à fantasia. A não ser, claro, que aches bem: que ele tenha feito amigos, mentores e apoiantes entre mafiosos, racistas, terroristas e outros extremistas; que ele concorde com o aborto muito para além dos três meses; que perfilhe uma visão marxista da sociedade e da economia; que denigra as forças armadas das quais vai ser, supostamente, comandante supremo. (…) Chamas-me “intolerante, fundamentalista, conservador e “narrow-minded”... porque não alinho em histeria de massas, ilusões colectivas e lavagens cerebrais generalizadas. Sim, confesso: sou desconfiado, lúcido, penso pela minha cabeça e procuro informar-me para além da propaganda propagada pelos pasquins. E será que sobre ti surgiu um arco-íris do qual cairam muitas flores quando escreveste “acredito no sonho, no futuro e num mundo melhor (sim, com políticos destes)”? Não te sabia tão lírica... e crente! Também acreditas que o Elvis está vivo? Enfim, e resumindo: “No, I won’t!"»
Recordando estas palavras… premonitórias, é hoje evidente, não só que elas estiveram directamente na origem do Obamatório, mas também que prefiguravam, precisamente, os factos que ainda mais confirmariam as semelhanças nas afirmações, acções e percursos de Barack Obama e de José Sócrates. Repare-se… e compare-se: ambos têm currículos escolares que suscitam dúvidas e interrogações – muitos registos desaparecidos ou inacessíveis para um, uma «licenciatura ao domingo» para outro; o presidente norte-americano tem, ou teve, como «amigos», pessoas tão «recomendáveis» como Anthony Rezko, Jeremiah Wright, Rod Blagojevich, a família Giannoulias – e o (infelizmente, ainda) primeiro ministro português apresenta por sua vez… a sua família em geral e os seus primos em particular, e ainda António José Morais, Armando Vara, Rui Pedro Soares…; BO, e os seus apoiantes, atacaram Rush Limbaugh, a Fox News, Andrew Breitbart… - JS, e os seus apoiantes, atacaram Manuela Moura Guedes, o Público, António Balbino Caldeira…; ambos levaram os respectivos Estados a atingirem dimensões e despesas excessivas e incomportáveis, ao mesmo tempo que mostram pouco rigor com os números do (des)emprego; um (os republicanos em geral e George W. Bush em particular) e o outro (governos anteriores do PSD e do CDS, a «crise mundial», os «mercados especuladores», as agências de rating…) culpam sistematicamente outros pelos problemas que enfrentam – problemas, aliás, que causaram ou para os quais contribuíram decisivamente. Acrescente-se o fascínio: pelas «energias alternativas e renováveis» – o que não impede que Obama se desloque num automóvel que é tudo menos ecológico; e por Hugo Chávez – o «tuga» já é um «compincha», o «ianque» talvez queira ser.
Assim, quando Barack Obama, em Lisboa, disse a José Sócrates que a «sua determinação para fortalecer a economia portuguesa e receber estas cimeiras (da NATO, UE-EUA, UE-Rússia) diz muito da sua liderança», isso não significou que o presidente norte-americano estivesse mal informado sobre o (infelizmente, ainda) primeiro ministro português; pelo contrário, representou de certeza um elogio sincero. O investimento público é, para os dois, a melhor forma de… estimular, de «fortalecer a economia». E, para além disso, e como acima ficou demonstrado, muito provavelmente existem vários outros aspectos da «liderança» de Pinto de Sousa que o Sr. Hussein reconhece… e aprecia – além de admitir que «o seu inglês é muito melhor do que o meu português» (ou seja, valeram a pena as «lições técnicas» na Universidade Independente). Pelo que o «menino Zézito» bem que podia ter dito ao seu ilustre visitante: «Cool, dude!»*
(* Possível tradução de «Porreiro, pá!» para inglês, sugerida pela minha filha mais velha, sendo que «Dude» passou a ser uma designação «autorizada» do Nº 44 desde que Jon Stewart assim se lhe referiu pessoalmente.)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

«PALINfrasia»*

Sarah Palin «não tem» capacidade, competência e conhecimentos para desempenhar o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América. Aliás, Sarah Palin «não tem» possibilidade de vencer uma eleição presidencial porque não é popular junto (da maioria) dos independentes. Aliás, Sarah Palin «não tem» hipótese de conseguir a nomeação pelo Partido Republicano porque não respeita o «establishment» do GOP. Aliás, Sarah Palin «não tem»…
Mas o que é que Sarah Palin – indubitavelmente – tem (e não é baiana...) que faz com que, apesar de tantas alegadas «lacunas», não parem de falar dela, em especial os liberais-democratas-progressistas, que não param de falar mal dela? S. E. Cupp é quem deve ter dado a explicação mais correcta: o que mais os irrita é a felicidade da «Mama Grizzly». E, dizemos nós, também a coerência e a persistência. Mais do que sucesso político, trata-se de sucesso pessoal e familiar. Que, depois dos livros «Going Rogue» e «America by Heart», está bem patente na série de televisão «Sarah Palin’s Alaska», cujo primeiro episódio bateu os recordes do canal TLC ao conseguir a atenção de cinco milhões de espectadores! Como se isso não bastasse, a filha mais velha Bristol está na fase final do programa «Dancing with the Stars», o que até já causou algumas reacções… radicais.
Críticos, tanto à esquerda como à direita, continuam a mostrar que nada aprenderam com Ronald Reagan – que também foi governador, e jornalista, e (média) estrela de (grande e pequeno) ecrã... Os preconceitos mantêm-se, agora tingidos com machismo e até com misoginia: se um homem é de direita quase de certeza que é estúpido; se uma mulher é de direita e, ainda por cima, é bonita, de certeza que é estúpida! (Veja-se mais um exemplo português desta atitude aqui.) Não adianta ser-lhes provado – e aqui no Obamatório isso tem sido feito regularmente – que praticamente todas as supostas «gaffes» e insuficiências de Sarah Palin são falsas, exageradas, distorcidas pela imprensa inimiga ou apenas insignificantes; e que para cada eventual erro «autêntico» dela se podem contrapor cinco de Barack Obama, dez de Joe Biden e quinze de Harry Reid/Nancy Pelosi.
E parece que nem aqueles de quem seria de esperar uma maior lucidez conseguem por vezes evitar cair nos lugares comuns dos ditos «mitos», ou sabem distinguir «intromissões autorizadas» de «intromissões não autorizadas»… E, destas, não só a do «vizinho indesejado» Joe McGinniss. David Kernell – filho de Mike Kernell, proeminente político democrata do Tennessee – foi agora condenado em tribunal por, em 2008, ter entrado numa caixa de correio electrónico da então governadora do Alaska e candidata a vice-presidente. Não é «curioso» que tal caso não tenha sido mais… divulgado?
De uma vez por todas, habituem-se! A mulher tem carácter, tem força, tem inteligência, e - que «chatice»! - é ambiciosa. Porque não há de ela querer viver na Casa Branca? Bem pode o «biógrafo» do Sr. Hussein apostar que isso não acontecerá. Bem pode Kathleen Parker orgulhar-se de que «liderou o assassinato» dela. Bem pode Tina Fey, pateticamente, continuar a servir-se da sua (muito superior) «sósia» para as suas «piadas» (pelos vistos, nada de mais relevante lhe resta…). Bem pode Lisa Murkowski dizer – com a «autoridade» de quem reprovou quatro vezes (!) no exame de advocacia – que a sua conterrânea não tem «qualidades de liderança e curiosidade intelectual». Enfim, e numa palavra: invejosas!
Sarah Palin é «aquela máquina», e veio para ficar. E já demonstrou que não é condicionada pelas manifestações de alguma estranha «variante» de «palinfrasia»* que parece afectar muitos dos seus compatriotas.
(* Palinfrasia: s. f. MEDICINA perturbação da elocução caracterizada pela repetição da última sílaba das palavras e, às vezes, de todas as sílabas de cada palavra (principalmente no atraso mental e na demência precoce) (Do gr. pálin, «de novo» + phrásis, «elocução» + ia) ) («Dicionário da Língua Portuguesa 2006», Porto Editora, página 1240)

sábado, 13 de novembro de 2010

O inimigo infiltra-se?

Na viagem que Barack Obama fez durante esta última semana pela Ásia o pior nem terá sido o seu dispendioso, excessivo e insólito «sistema de segurança», visível sobretudo na visita á Índia (que incluiu até a remoção de cocos… de coqueiros!), nem a surpresa sentida pelos indianos pelo continuado uso do teleponto pelo presidente norte-americano. O pior terá sido (mais um)a crítica a Israel… feita na Indonésia, o maior país muçulmano do Mundo, e depois de visitar a maior mesquita daquele país. Aliás, e ainda na Índia, Obama pareceu sentir dificuldades em responder a uma pergunta sobre a Jihad.
Esta aparente insegurança, ou indefinição, mostrada pelo «comandante em chefe», em relação à ameaça islamita parece reflectir a sucessão de sinais que provavelmente indicam que aquela continua a espalhar-se, de uma forma mais ou menos «silenciosa», nos EUA. E não foi, ou é, só o caso da «Ground Zero Mosque». Houve também os casos de uma caricatura e de uma caricaturista que foram… «retirados de circulação». E o caso de vários cúmplices de terrorismo que «rezaram» em Washington. E o do operacional do Hamas que entrou no centro de treinos do FBI e em outras instalações governamentais. E os indícios (das tentativas) de introdução da Shariah no país… que pelo menos uma(a) juiz(a) (de Oklahoma) não considera suficientes de modo a ratificar uma decisão tomada pelos eleitores. Entretanto, nos aeroportos americanos  a «segurança» parece-se cada vez mais com assédio sexual: vários passageiros são incomodados, e tende-se a esquecer que todos os que tentaram, ou conseguiram, explodir aviões são homens estrangeiros com o mesmo «perfil».
Neste contexto, torna-se ainda mais grave a declaração do Sr. Hussein, dada a Bob Woodward, de que os Estados Unidos podem «absorver» outro ataque terrorista. Impossível não relacionar este… «conceito» com a pergunta que Andrew Klavan faz: «Does Islam suck?» Enfim, são dúvidas que convém esclarecer… antes, de preferência, que se veja «a bandeira do Islão a voar sobre a Casa Branca».

domingo, 7 de novembro de 2010

Em Novembro lembraram-se

Desde o início deste ano que o apelo se repetia: «Remember in November!» E no passado dia 2 de Novembro a maioria dos norte-americanos lembrou-se de tudo o que lhes desagrada(va) no seu país governado em exclusivo desde 2008 – devido ao controlo da Casa Branca e do Congresso – pelo Partido Democrata. E dessa memória resultou a maior derrota eleitoral de sempre dos «burros» desde, pelo menos, a década de 1930.
A vitória do Partido Republicano não foi, porém, completa. Os «elefantes» recuperaram, é certo, a maioria na Casa dos Representantes, a maioria dos governadores e a maioria dos lugares nas legislaturas estaduais, mas não conseguiram o mesmo no Senado: apesar dos lugares conquistados pelos adversários, o Partido Democrata manteve aí uma maioria, mesmo que mínima. E é a este nível que se impõe fazer alguns comentários.
Será que mais ninguém reparou que, de todas as eleições mais em destaque, a única em que as sondagens não se confirmaram foi a de senador pelo Nevada? Nas últimas semanas, Sharron Angle aparecia à frente ou, quando muito, empatada com Harry Reid; e, no entanto, foi este que venceu. Porquê? Porque, muito provavelmente, a «máquina democrática» voltou a manipular uma votação. É certo que surgiram índicios de irregularidades em diversos pontos do país, mas nunca tantos nem tão graves como na «terra dos casinos»: Reid terá oferecido comida e cartões de prendas em troca de votos, beneficiado de «ajuda» do patronato e dos sindicatos da região, além da de centenas de operacionais do DNC. Uma situação que faz lembrar o que aconteceu há dois anos no Minnesota quando Al Franken foi eleito senador: soube-se recentemente que os votos (ilegais) de presidiários podem ter sido decisivos naquele resultado. Por outras (e poucas) palavras: a «vitória» de Reid não merece credibilidade. Não acreditam? Ouçam Richard Trumka a «orgulhar-se» do trabalho feito, em especial no Nevada...
Ao lado, na Califórnia, não terá havido fraude (generalizada, pelo menos) nem propriamente surpresas: a situação era, e é, de se «estar à beira do abismo»… e a maioria dos votantes californianos decidiu «dar um passo em frente» elegendo pessoas que muito contribuíram para a decadência daquele Estado, nomeadamente Nancy «Whip Operation» Pelosi, Jerry «Whitman is a Whore» Brown e Barbara «Call me Senator» Boxer. Esta, é de realçar, nem sequer recebeu desta vez o apoio do Los Angeles Times, que justificou a decisão com o facto de ela «demonstrar menos poder de fogo intelectual e liderança do que deveria». Ou seja, uma subtil maneira de lhe chamar «estúpida»… Mas não há, ou houve, «problema»: perto de Hollywood até uma democrata defunta ganha uma eleição!
É caso para perguntar: «o que é que os californianos têm andado a fumar?» A resposta é óbvia: muita «erva»! Tanta que se sentia o cheiro no estádio dos San Francisco Giants, equipa que este ano venceu a final do campeonato de baseball dos EUA (as denominadas World Series); tanta que este ano se multiplicaram os avisos contra «doces de Halloween»… com droga. E os «fumos» devem ter chegado mais a Norte, ao Estado de Washington, onde a «wacko» (muito mais do que Christine O’Donnell e Sharron Angle juntas) Patty Murray voltou a ganhar uma eleição para o Senado.
Vários foram os que já escolheram os vencedores e os vencidos destas «midterms». Pela minha parte, prefiro apontar aquele que é o seu verdadeiro vencedor nacional (e não estadual ou local): Michael Steele, que, constantemente criticado, e com menos dinheiro e menos «truques» do que os rivais, liderou os republicanos até um triunfo histórico. Agora, a grande pergunta é: «Barack Obama vai ou não vai alterar o seu comportamento?» A julgar pelas suas primeiras declarações após a derrota, a resposta parece ser… não, nem por isso. Além de que as sucessivas, divisivas e, por vezes, ofensivas afirmações que fez durante a campanha ainda vão certamente ecoar durante bastante tempo.
Enfim, não nos é necessário, agora, dar mais explicações para os resultados desta última «Super (ou será Hiper?) Tuesday». Quem costuma consultar o Obamatório percebe perfeitamente porque é que eles aconteceram. Aqui não se perde tempo e espaço, (dezenas de) posts e (milhares de) caracteres a falar constantemente de sondagens. Nos EUA uma eleição não é uma consequência de um jogo de Monopólio, não é determinada por lançamentos de dados: resulta de uma sucessão e avaliação de factos, e os mais relevantes para a política norte-americana nos dois últimos anos foram relatados no Obamatório. Podemos não ir à RTP para o programa «Olhar o Mundo», à TVI para o «Combate de Blogs», à Rádio Europa para o programa «Descubra as Diferenças», nem sermos o «convidado da semana» no Delito de Opinião, mas provavelmente somos, como ficou comprovado na terça-feira passada, o melhor blog português dedicado exclusivamente à política e à sociedade dos EUA – porque demonstrámos estar mais em sintonia com o que lá efectivamente acontece(u).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Noite das «bruxas»

Não deixa de ser curioso que as «eleições de meio termo» de 2010 se realizem apenas dois dias depois do Halloween… porque a palavra (e a imagem de) «bruxa» tem estado, nesta campanha eleitoral, particularmente em foco.
Principalmente por causa de Christine O’Donnell, que confessou que na sua juventude participou em algumas «práticas mágicas»… por brincadeira e por namoro. Mas isso foi há mais de 20 anos. Hoje, concorre ao cargo de senador(a) pelo Delaware com base em conceitos e em propostas que assentam na limitação do poder do governo e na responsabilidade fiscal… mas as suas ideias foram desfavorecidas em favor de supostos devaneios de adolescência. E, no que é mais uma prova de como nos EUA os políticos – em especial as mulheres – são tratadas pela «lamestream media» de modo diferente consoante o partido a que pertencem, compare-se as pueris incursões pela «feitiçaria» de O’Donnell com as «conversas com mortos», em sessões espíritas na Casa Branca, feitas por Hillary Clinton quando era primeira dama!
Entretanto, é de salientar – e de saudar – a grande probabilidade de os dias de «susto» provocados pela maior «bruxa» da política norte-americana – autêntica «Wicked Witch of the West» (ela é de São Francisco) - estarem a terminar: Nancy Pelosi poderá não perder a sua eleição, mas se os democratas perderem a maioria na Câmara de Representantes ela deixará de ser speaker. Porém, e enquanto pode, ela não desiste de provocar alguns «arrepios»: aconselha os jovens a manterem-se dependentes dos pais; diz que a culpa é de George W. Bush (algo que não é original num democrata); acredita que há um problema na distribuição da riqueza no país; queixa-se de que «não ficámos com o crédito pelo que fizémos» (ela que não se preocupe porque já amanhã, e devido ao débito nacional que ajudou a acumular, esse «crédito» vai chegar).
Outras «bruxas» há que, embora não tão malignas como Nancy Pelosi, são capazes de desagradáveis «maus olhados»: Parry Bellasalma, presidente da secção californiana da National Organization for Women, que apoia Jerry Brown para governador daquele Estado e que diz que Meg Whitman é uma «political whore» (sim, é isto que passa por «feminismo» nos EUA actualmente); Joy Behar, que chamou, não «witch», mas sim «bitch» a Sharron Angle, «mandando-a» também para o «Inferno» – e que repetiu o insulto quando recebeu flores da candidata do GOP ao Senado pelo Nevada (!); Arianna Huffington, que afirma que quando os republicanos vencem isso significa que os votantes utilizaram o «lado lagarto do cérebro» (?!); Olivia Wilde, que «viajou» (de vassoura?) até a um… «futuro terrível» em que Sarah Palin é presidente.
Este breve e ridículo exercício em «ficção científica» protagonizado pela bonita, mas não muito inteligente, actriz da série televisiva «House, M. D.» é tão só mais um de inúmeros exemplos dos extremos a que os democratas-liberais-progressistas estão dispostos a ir para «denunciar» a ex-governadora do Alaska como… uma bruxa, entre muitos outros epítetos desagradáveis. Por exemplo, Jon «Restaurador da Sanidade» Stewart disse-lhe para se «ir f*d*r». No entanto, esses esforços têm invariavelmente, e estrondosamente, falhado, e o «feitiço» costuma virar-se contra o «feiticeiro». O «aprendiz» Markos Moulitsas aprendeu isso recentemente, e dolorosamente, à sua custa, depois de ter troçado da «running mate» de John McCain por ela ter advertido que ainda era cedo para «festejar como em 1773». Mas… o que aconteceu naquele ano? Bem, «nada» de especial… «apenas» a «Tea Party» original!
O que está fundamentalmente em causa nestas eleições é a escolha entre (mais) poder (para os políticos) e (mais) liberdade (para os outros cidadãos). Andrew Klavan ilustra com humor, mas didacticamente, este dilema no seu «Night of the Living Government». De meter medo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cenas de uma campanha…

… Ou, melhor dizendo, de várias campanhas eleitorais que neste momento ainda decorrem nos Estados Unidos da América, há que merecem uma menção especial.
Por onde começar? Talvez pelo sempre surpreendente Harry Reid, que, apesar de ter perdido o último debate televisivo com Sharron Angle, não desiste de atirar ao seu público «pérolas» de sabedoria como: a de que os maiores americanos «vivos» que conhece são… Edward Kennedy e Robert Byrd; a de que se não fosse ele o Mundo estaria numa depressão (é verdade, rir-nos-iamos muito menos). Entretanto, e como possível demonstração de que, afinal, quem não sai aos seus… regenera, o filho Rory admite que o «ObamaCare» pode prejudicar o Nevada.
Pode-se continuar no Illinois, onde Alex Giannoulias confessou que «não conhecia a extensão» dos empréstimos feitos pelo banco da sua família a mafiosos de Chicago, e onde Rickey Hendon avisa que quem votar em Bill Brady (candidato republicano a governador) é contra os direitos das mulheres e a favor da eliminação dos homossexuais; depois, no Connecticut, onde Richard Blumenthal, além de ter mentido sobre ter combatido no Vietnam, demonstrou que não sabe como se cria um emprego (mas Linda McMahon sabe); no Massachusetts, onde James McGovern disse que «a Constituição está errada». Enquanto isso, Bill Clinton ajuda as campanhas eleitorais… daqueles que ajudaram Hillary a concorrer à presidência, embora nem sempre com grande sucesso: no Michigan só conseguiu encher um terço de um ginásio de liceu; no Nevada afirmou que Harry Reid tem a reeleição em perigo porque há pessoas que têm «dificuldade em pensar».
E àqueles que se «escandalizam» com certas afirmações e atitudes de Carl Paladino ou de Ken Buck, mais concretamente sobre gays (em que apenas reflectem a opinião da maioria dos seus compatriotas), fica o convite para as compararem com outras e decidirem sobre quais são as mais graves. Um exemplo: Patty Murray, que, um ano depois do 11 de Setembro, apareceu a defender e a justificar Osama Bin Laden (!!!), além de, mais recentemente, se vangloriar de ter ajudado a escrever a lei da «reforma» do sistema de saúde. Outro exemplo: Chris Coons, que já foi processado pelo menos três vezes por alegadamente ter prejudicado funcionários públicos por motivos políticos. Leia-se o que Ann Coulter escreveu sobre ele, e ainda sobre Patty e sobre Dick. E quando aludirem à suposta «prisão» de um blogger (que admitiu ter provocado o confronto) por parte de Joe Miller, comparem-na com a agressão a um jornalista por parte de Maurice Hinchey.
Entretanto, de Barack Obama já se sabe que não se deve esperar qualquer «apelo à calma», algum «pôr água na fervura», um pouco de maturidade… muito pelo contrário: pediu aos seus apoiantes para não o deixarem «com mau aspecto»; aludiu à emergência de «atitudes tribais» em tempos difíceis; advertiu que o «Império (isto é, o GOP) está a contra-atacar» (pensará ele que é um novo Luke Skywalker?). É, o «Império» é de tal modo «poderoso» que até tem, segundo Joe «2º na linha de sucessão» Biden, «200 biliões» de dólares para gastar nesta campanha. Mas ainda bem que Michelle Obama é mais «equilibrada» e «consciente»… ou não? Pois, ela pode ter sido «apanhada» a fazer campanha eleitoral dentro de um local de voto (em Chicago, obviamente!), o que não é propriamente correcto… e legal.
Porém, ainda bem que temos Andrew Klavan para elaborar e nos entregar: um guia eleitoral em duas partes, a primeira sobre economia e a segunda sobre guerra; e uma explicação sobre «extremismos» - quem é moderado e quem está nas «franjas», quem é que está à esquerda, ao centro e à direita no actual panorama político dos EUA. Para ver, ouvir e meditar antes de votar!